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B ANCO DO B RASIL E AS CONDIÇÕES DE EMERGÊNCIA DO C ENTRO C ULTURAL Cada vez que se diz é natural, há manipulação, dominação.

8 Verso da moeda comemorativa dos 100 anos de funcionamento do

Banco do Brasil em 1954.

As múltiplas fo natureza privada, existentes no Brasil foram então e

sfeito em 1829, a fundação do novo Banco do Brasil

ncampadas, através de negociações e compensações aos sócios proprietários, para o fim de constituir um banco concentrador, com poder de controle sobre a moeda. Assim, o Banco Comercial do Rio de Janeiro e o Banco do Brasil, de Mauá, deixaram de existir com a fusão que os transformou no Banco do Brasil. No rastro do processo, os bancos emissores provinciais foram convertidos em caixas filiais do novo banco. As bases de fundação da nova instituição de crédito foram definidas pela Lei nº. 638, de 5 de julho de 1853, e consolidadas em estatuto, aprovado pelo Governo através do decreto nº. 1.222, de 31 de agosto de 1853. Conforme Itaboraí advertia, o novo estabelecimento não poderia ser oficial, ou seja, deveria realizar normalmente as operações de depósitos, descontos e emissões que eram de sua competência sem a interferência do Governo, cuja participação

se restringiria à supervisão de suas atividades (BANCO DO BRASIL, op. cit., p. 35). Para esse fim, na composição da diretoria, formada por 15 diretores, o presidente seria nomeado pelo Imperador e teria poder de veto sobre qualquer deliberação contrária às funções definidas em estatuto. O eleito seria escolhido dentre os acionistas da instituição com participação mínima de 50 ações. O capital inicial de 30 mil contos de réis foi desmembrado em 150 mil ações, das quais 80 mil foram reservadas para os acionistas dos dois bancos que compuseram a fusão, 40 mil foram direcionadas para as caixas filiais e 30 mil colocadas para o lançamento público da subscrição.

Ao contrário do seu antecessor, de

foi um sucesso, com suas ações sendo bastante disputadas e negociadas no mercado secundário com atraente margem de lucro para os primeiros subscritores. Cumpridas as condições para o funcionamento, o Banco abre finalmente suas portas a público em 10 de abril de 1854. Mauá, que fora nomeado membro da diretoria, demite-se do cargo por ser contrário ao monopólio de emissão. Logo depois, em 1º. de agosto de 1854, consoante seu

descontentamento e princípios, inaugura a sua própria instituição bancária, o Banco Mauá, MacCregor & Cia.

As interferências sobre o volume de emissões não tardaram a acontecer e o Banco teve, em

a atuação da instituição já era aqui (1857) questionada e motivo

e revogada a decisão de estender a emissã

várias ocasiões, de ampliar as divisas em nível bem acima do lastro disponível. A redução das garantias reais provocada pelo excesso de notas em circulação, ocorrida principalmente pelas remessas de reserva que a troca dos títulos emitidos para o Nordeste ensejava, levantou a reação dos partidários da pluralidade bancária emissora. Mauá chegou a recorrer à Câmara dos Deputados para que o Banco esclarecesse a sua situação, fato que suscitou a discussão sobre a condição da instituição, se era pública ou privada, e se devia, em decorrência, estar obrigada a fornecer as informações de suas transações. Apesar de confirmar os seus laços com o Governo, o Banco ressaltou o seu caráter de empresa privada e que atendia ao requerimento da Câmara por decisão própria, porquanto nem sempre poderia prestar informações sobre suas atividades e operações comerciais (BANCO DO BRASIL, op. cit., p. 43).

A ambivalência sobre

de polêmica sobre a ação do Estado na esfera econômico-financeira. A vulnerabilidade de suas atividades diante da interferência governamental logo acendeu as críticas sobre o papel do Banco e do crédito bancário, o qual, para os oposicionistas, deveria estar subordinado às necessidades do comércio e não da Corte. As pressões exercidas tiveram como resultado a reforma bancária de 1857, quando Souza Franco assume a pasta da Fazenda e retoma a pluralidade de emissão, ao autorizar o funcionamento de cinco novos bancos regionais com direito de emissão. A decisão, no entanto, ficou aquém dos resultados esperados, muito em função da depressão financeira internacional que ao final daquele mesmo ano atingia o Brasil, com reflexos negativos sobre o câmbio e as vendas de café. Por outro lado, a reforma de Souza Franco não era consensual, sendo duramente criticada no plenário da Câmara pela falta de um fio condutor de controle sobre as emissões dos bancos regionais.

Em pouco tempo Souza Franco é substituído

o de divisas a outros bancos que não o Banco do Brasil. A falta de consenso, no entanto, continuava e cada vez mais as posições se acirravam entre os que desejavam a multiplicidade de emissão e os que defendiam a restauração da unidade. A questão bancária, na qual o Banco do Brasil era o centro da discórdia, era um tema sensível e

repercutia tanto a relação de forças entre os agentes que defendiam a maior ou menor intervenção estatal na economia quanto a falta de solidez desta. Os ministros da Fazenda eram substituídos freqüentemente, ora adotando medidas favoráveis a uma corrente ora a outra. Em 1860, projeto transformado em lei procurava mediar a questão, definindo regras para consolidar o campo econômico através de normas para a organização e o regime das sociedades anônimas, para o maior controle dos bancos e de suas emissões, então severamente restringidas. Ao Banco do Brasil foi facultada a emissão até duas vezes o valor do fundo disponível.

De acordo com Holanda, o arrocho de crédito instituído a partir de 1860 para corrigi

viu em apuros para poder r

r o descontrole da circulação monetária refletia, na verdade, a dissociação de um esforço de modernização em um ambiente ainda apegado à manutenção de características coloniais, com base no latifúndio monocultor escravista, cujas conseqüências não poderiam ser outras que a crise comercial de 1864, “o desfecho normal de uma situação rigorosamente insustentável nascida da ambição de vestir um país ainda preso à economia escravocrata com os trajes modernos de uma grande democracia burguesa” (HOLANDA,

op. cit., p. 79).

Realmente, apesar de sua capacidade maior de emissão, o Banco ainda assim se

espeitar o limite estatutário da sua emissão. As obrigações com o Governo dificilmente poderiam ser cumpridas diante da exigência de conversibilidade introduzida pela reforma de 1860, que também dificultava o desempenho dos demais bancos emissores. A solução que ganhou corpo foi a volta da unidade bancária

9 Recibo de venda de escravo, no valor de 1:000$000,