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CAPÍTULO III- OCUPAÇÃO ANTRÓPICA E PROBLEMAS DE ORDENAMENTO

1. ENQUADRAMENTO CIENTÍFICO

1.5. Ocupação Antrópica e Problemas de Ordenamento em Zonas Costeiras

1.5.1. Zonas costeiras Terminologias e Constituição

São inúmeros os termos comumente utilizados para referir a porção do território correspondente à interface entre a terra e o mar; “litoral, costa, faixa

costeira, faixa litoral, orla costeira, zona costeira, zona litoral, área / região costeira” (Gomes, 2007, p. 18). A inexistência de uma definição universal para zona

costeira prende-se com a dificuldade no estabelecer dos limites físicos desta faixa de território, uma vez que estes dependem quer do objetivo para o qual se consideram (ponto de vista natural, socioeconómico ou legal), quer da realidade física em termos espaciais (áreas emersa e submersa em conjunto ou cada uma per si) (ANPC, 2010;

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Gomes, 2007; Gomes et al., 2007). Para este trabalho adotaram-se as definições estabelecidas pelo grupo de trabalho que elaborou as bases para a Estratégia da Gestão Integrada das Zonas Costeiras (EGIZC) (Gomes et al., 2007), em duas situações adaptadas por um membro do mesmo grupo (Gomes, 2007).

 Zona costeira: “porção de território influenciada direta e indiretamente em

termos biofísicos pelo mar (ondas, marés, ventos, biota ou salinidade)” (p. 85),

com largura tipicamente de ordem quilométrica para o lado de terra e que se estende até ao limite da plataforma continental para o lado do mar (Gomes, 2007);

 Litoral / área ou região litoral / região costeira: “porção do território direta ou

indiretamente influenciada pela proximidade do mar” (Gomes et al., 2007, p.

36);

 Faixa ou orla costeira / Faixa ou orla litoral: zona na qual “… o mar exerce

diretamente a sua ação, coadjuvado pela ação eólica, e que tipicamente se estende para o lado de terra por centenas de metros e se estende, do lado do mar, até à batimétrica dos 30 m” (Gomes, 2007, p. 85);

 Linha de costa: “fronteira entre a terra e o mar […] materializada pela

interceção do nível médio do mar com a zona terrestre” (Gomes et al., 2007, p.

36).

Relativamente à constituição das zonas costeiras, existem dois tipos principais de costas: as costas rochosas e as costas arenosas (Coutinho, Alcobia & Jesus, 2010). As costas rochosas são costas com penhascos altos e fortemente inclinados, formados por materiais consolidados ou não consolidados com diferentes resistências mecânicas e por uma plataforma de abrasão na base, a qual pode estar coberta por depósitos clásticos formando pequenas praias (Granja, 2004). Embora em menor número, as costas rochosas podem também ser ‘baixas’, não apresentando penhascos. Nos casos em que existem penhascos a sua altura é controlada pela composição, declive e resistência das rochas à erosão pelos agentes marinhos, continentais e antrópicos (Granja, 2004). Neste tipo de costas, normalmente sujeitos a ondas de elevado potencial energético, observam-se formações geológicas típicas de erosão marinha, tais como arribas, plataformas de abrasão marinha, cavernas, arcos, etc.

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As costas arenosas são costas de fraca inclinação e de extensão variável, compostas por materiais não consolidados (essencialmente areias ou cascalhos). Não estando normalmente sujeitas ao impacto de ondas com grande potencial energético, nem a correntes fortes, são zonas preferências para a acumulação de sedimentos, pelo que nelas se observam formações geológicas como as praias, os deltas, as ilhas barreira, os tômbolos, entre outros.

Atendendo às orientações curriculares para esta temática, das diferentes formações geológicas existentes nas zonas costeiras, centrar-me-ei nas praias, nas arribas e nas plataformas de abrasão marinhas, formações observadas durante a saída de campo e trabalhadas com os alunos no âmbito dos seus trabalhos de cariz investigativo.

Segundo Marshak (2008) as praias correspondem a franjas de sedimentos, levemente inclinadas, existentes ao longo da linha de costa (Figura 8). Por definição são formas de acumulação de sedimentos não consolidados, geralmente areias ou cascalhos, que compreendem um domínio emerso e um domínio submerso; estendem-se em direção a terra deste o nível de baixa-mar até uma zona com alteração na topografia (i. e. base de uma duna ou de uma arriba) ou até ao início da vegetação permanente, e em direção ao mar até à área onde devido à influência das ondas e das marés se processa o transporte de sedimentos e onde ocorrem alterações morfológicas significativas nos fundos proximais (ANPC, 2010; Marshak, 2008; Monroe & Wicander, 2001).

Por vezes os geólogos referem-se às praias como sendo “rios de areia”, procurando enfatizar que as areias se movimentam ao longo da linha de costa ao longo do tempo - deriva litoral-; as areias das praias não constituem um substrato permanente (Marshak, 2008).

As arribas (Figura 8) são uma forma particular de vertente costeira, com declive elevado ou abrupto e altura variável, talhadas pela ação conjunta dos agentes morfogenéticos marinhos (e. g. ação abrasiva da areia e/ou dos seixos atirados pelas ondas, correntes oceânicas, etc.), continentais (e. g. meteorização das rochas, escorrência, desprendimentos de terras, etc.) e biológicos (e. g., fracturação das rochas pelas raízes das plantas) (ANPC, 2010; Carvalho, 1985). De acordo com Carvalho (1985, p. 10) as arribas são “… o resultado de movimentos de terras,

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incluindo a queda de blocos separados por fendas, de ravinamentos, os quais originam detritos de acumulação na base das arribas”. Compostas por base, crista e

topo, é nos topos, a uma escala secular, que os movimentos de massa tendem a ocorrer preferencialmente (ANPC, 2010).

A plataforma de abrasão marinha (Figura 8) é uma formação geológica típica de erosão, correspondendo a uma superfície aplanada e irregular, muito levemente inclinada (sob-horizontal) no sentido do mar, normalmente visível em baixa-mar. Resulta da ação conjunta do impacto direto das ondas – ação hidráulica – com o efeito de abrasão na base das arribas; à medida que a base da arriba vai sendo erodida, as formações rochosas que lhe estão suprajacentes ficam sem base de sustentação, ficando suscetíveis à ocorrência de movimentos em massa, dos quais se destacam a queda de blocos, por serem os mais frequentes nestas zonas (Monroe & Wicander, 2001).