política nacional de juventudes, debatendo propostas do governo de reforma universitária, defendendo, inclusive, na forma de passeatas e campanhas, “a universidade pública e de qualidade”, além de participarem do atual debate sobre as cotas para jovens negros e provenientes de escolas públicas nas universidades brasileiras.
Os processos onde as organizações de jovens colaboram com governos sem dúvida não estão isentos de problemas, mas o certo é que vêm sendo desenvolvidas experiências interessantes de complementação de esforços entre entidades públicas e privadas sem fins lucrativos, como por exemplo, no campo da prevenção e da atenção a Aids e no terreno de saúde adolescente e assim como em alguns programas de capacitação para trabalho; embora ainda necessitem de mais avaliações.
II.4 RECURSOS INVESTIDOS: QUANTO, EM QUE E COMO SÃO
Essa recuperação compensou as perdas registradas nos oitenta, mas nos últimos anos ela desacelerou em relação ao primeiro qüinqüênio dos anos noventa (ver Tabela 7). Quase a metade do aumento registrado nessa última década se concentrou em saúde e educação, enquanto outros 40 % se concentraram na previdência social. Nos países de gasto social baixo – a maior parte da América Central e a Área Andina – predominaram os aumentos do gasto em educação e saúde, quase 60 % do total, enquanto nos países de gasto médio e alto, sobretudo do Cone Sul, predominaram os aumentos em previdência social: 50%.
Em termos agregados, as tendências observadas são relevantes para o exame da distribuição do GPS entre diferentes grupos da população.
Dessa forma, o investimento em previdência social, predominantemente nos países com gasto social médio e alto, é quase totalmente direcionado à população adulta e à da terceira idade – se bem que tais populações muitas vezes sustentam jovens – o que também é válido para boa parte do investimento em saúde; somente no caso da educação pode-se dizer que se trata de um investimento concentrado em crianças e jovens. Além disso, pode-se afirmar que a regressão predomina nos investimentos mais importantes (a previdência social), enquanto a progressão se manifesta apenas em algumas esferas do ensino (educação primária, principalmente) e da saúde (atenção primária e secundária, basicamente).
Esse fato vai contra a perspectiva que defende a lógica de estimular a construção de sociedade do conhecimento que, como se analisa mais adiante, está em pleno desenvolvimento e requer importantes e estratégicos investimentos em educação, conhecimento e desen- volvimento tecnológico, em prol dos jovens da região.
B – Inércias do passado e desafios do presente
É imperiosa a necessidade de alocar cotas crescentes de recursos tanto para as áreas educativas, como para outras, apesar de estas não contarem com a hierarquização devida nos orçamentos nacionais, como acontece com os programas de inserção trabalhista, de fomento à participação cidadã dos jovens, de prevenção contra violências, programas de esporte e de orientação cultural.
TABELA 7 – Evolução do Gasto Público Social na América Latina
Fonte: CEPAL Panorama Social de América Latina 2000-2001. Santiago 2001.
Nota: A tabela apresenta cifras em % do PIB.
É necessário ampliar o gasto público destinado às novas gerações, ao mesmo tempo buscar maior equilíbrio entre as diversas esferas onde esse gasto deveria se concentrar, aumentando de forma mais significativa as dotações destinadas a programas variados para os jovens.
O problema se torna ainda mais grave se levarmos em consideração que os recursos alocados ultimamente para áreas como a capacitação para o trabalho e a participação juvenil vêm, na maioria dos países da região, de organismos internacionais que, por definição, realizam investimentos a curto prazo que, posteriormente, devem ser assumidos diretamente pelos Estados Nacionais, se quiserem mantê-los ou ampliá-los.
Também é certo que é mais fácil alocar cotas extra-orçamentárias, como as provenientes da cooperação internacional, para programas
“novos”, mas o principal risco nesse sentido está ligado à falta de
sustentabilidade dessas dotações no decorrer do tempo, quando a cooperação internacional deixar de operar, se o Estado não assumir compromissos em médio e longo prazos nesse sentido. Por isso, é imperioso trabalhar na busca por linhas de financiamento para esse tipo de iniciativas, que devem ser estáveis no decorrer do tempo, se se pretende ter impactos nos destinatários finais, os jovens em geral e os que se encontram em piores condições, em especial. A evolução do Programa PROJOVEN no Uruguai, que começou com respaldo do BID e depois obteve financiamento local estável do Fundo de Reconversão Trabalhista, é um bom exemplo do caminho a seguir.
C – O que e como se financia? vantagens e limites das práticas vigentes As práticas vigentes na América Latina se concentram no financiamento da oferta de serviços, sem experiências relevantes de financiamento da demanda, ou seja, a existência de “bônus” que facilitem o acesso a diversos serviços públicos – principalmente na saúde e na educação – que são entregues aos beneficiários finais, os próprios consumidores, para que eles os utilizem na instituição que mais convenha. Mas, isso, naturalmente, só é possível em um marco de mercados não-monopolistas e em áreas em que o Estado possa acompanhar, orientar e regulamentar os serviços prestados e que se cumpram princípios distributivos, e não seguindo a lógica do mercado.
Alguns estudos demonstram que o investimento pode ser realizado por diversas vias. Em saúde, por exemplo, já foi documentado que o investimento é mais eficiente quando destinado a programas preventivos.
No caso dos jovens, isso é particularmente relevante, pelo tipo de doenças e problemas predominantes, que estão significativamente concentrados nas chamadas “condutas de risco” – acidentes de trânsito, por exemplo – e menos nas que afetam as crianças, os adultos ou pessoas de terceira idade.
Analogamente, tem-se destacado que o investimento associado ao combate de práticas infratoras é mais eficiente quando se aplica a medidas preventivas e não a práticas punitivas (ver anexos). No que tange à temática juvenil, em particular, isso é muito evidente quando
se comparam custos e resultados de dois tipos de intervenção relativos aos menores infratores: por um lado, eles são tradicionalmente recolhidos em estabelecimentos carcerários especiais, mas, por outro lado e, mais recentemente, estão sendo trabalhados diversos programas de liberdade assistida, que mostraram melhores resultados e custos mais baixos do que os tradicionais. O exemplo da Justiça Juvenil na Costa Rica é um paradigma nesse sentido.
II.5 A VISÃO DOS ATORES: ENTRE DISCURSOS E PRÁTICAS