§ 136. O réo póde oppôr: 1
o, que o autor recebera do defunto recompensa da diminuição da legitima, ou pelo onus, com que Ih'a deixou (1); 2
o, que os bens, em que elle réo foi melhorado, não augmentão as legitimas (2); 3
o, prescripção de 30 annos (3).
§ 137 Esta acção tem lugar, ainda que o pai repartisse.
pelos filhos os seus bens, e .ficasse só com a sua terça : caso augmentasse o patrimonio, podem por morte delle pedir supplemento ao herdeiro instituído (4).
n. 2. A outra terça parte podem os pais deixar a quem quizerem, ou dis- tribuir em legados pios, ou em prelegados a favor dos filhos mesmos;
senão, reparte-se igualmente, Ord. L. 4, T. 83, pr.
(1) L. 32, L. 36, § 1, C. de inoff. test., Gom. 1, var. C. 11, o. 25:
Guerreir., Tr. 2, L. 5, C. 1, n. 3 e 27.
(2) Bens de vínculos, da corôa, ou de prazos de vidas, que não tenhão sido comprados pelo defunto, não augmentão a terça nem as legitimas, Ord., L. 4 , T. 36, § 3 ; Cald. de nom., q. 11, n. 16; Valasc de jur.
emph. q. 1. n. 23. As dividas passivas são um onus, que segue os her- deiros da terça e legitimas: portanto, caso se apartem bens para paga- mento delias o herdeiro da terça, havendo a terça parte delles, paga a terça das dividas, e assim os mais, v. Carvalh. ao Cap. Reynaldus, 4 p., C. 1 a n. 16 • Vinn. Sel. L. 1, C. 22. Supposto a terça deva ser tirada sómente dos bens, que o defunto tiver ao tempo da morte, e não receba augmenlo com os dotes trazidos á collação, Valasc. Cons. 189, n. 3 ; Guerreir. Tr. 2, L. 5, C. 2, n. 48, comtudo as legitimas recebem aug- mento com os dotes conferidos.
(3) Vinn. ao T. Inst. de inoff. test., § 3, n. 4; Coccei, Jus Contr., L.
5, T. 2, q. 35; Guerreir., Tr. 2, L. 2, C. 10. n. 127. (4) Exceptua-se desta regra o caso dos filhos terem renunciado com
DAS ACÇÕES
REAES 91
Acção de pedir os bens alheados em fraude da legitima.
§ 138. Compete: 1
o, ao filho herdeiro, contra o irmão, ao qual o pai vendeu alguns bens, sem consentimento do autor; pede que a dê á partilha, como se o pai os possuísse ao tempo de sua morte (1).
§ 139. Compete: 2
o, a qualquer herdeiro necessario , contra o possuidor dos bens do defunto a quem este os alheou em fraude da legitima do autor (2)
fura mento ao augmento, que suas legitimas pudessem vir a ter, Valasc.
de part., C 19, n. 27; Carvalh. supr., n. 9 ; Guerreir., Tr. 2 , L. 2, C 5, n. 13.
(1) Ord. L. 4, T. 12. Esta lei não distingue entre filhos emancipados, e estantes debaixo do patrio poder; por isso applica-se a todos, Silv. ib., n. 7. Se ao filho comprador deve ficar salva a terça parte daquelles bens, e se o autor sómente póde pedir a legitima nas duas terças partes delles: v. Silv. ib., n. 58.
(2) L. fin. D. si quid in fraud. patr. Esta acção é a Calvisiana , ou Fabiana dos Romanos, a qual os DD. estendérão aos filhos, Boehm., de act. S. 2, C. 3, § 41; Guerreir., Tr. 2, L. 2, C. 10, n. 11. Tem pouco uso, porque o autor deve provar que o réo participára da fraude, o que dificilmente se póde provar, quando elle adquirio por título one- roso, Febo, Dec. 35, n. 5 e 6 ; Paiva c Pona, C. 6, n. 51. Mas se adquirio por titulo lucrativo, v. gr. se o pai a favor de um filho, ou estranho, doou ou vinculou bens, estes arrumão-se a terça, e se ex- cedem, desfalca-se a doação ou vinculo, arg. da Ord. L. 4, T. 65, SS 1 e 3 ; Maced., Dec. 9 c 10. V. Almeid. Tr. dos Morg., C. 4, § l4. Se o pai perdeu os bens a jogar (2 a), concede-se aos filhos po-
TITULO V
Acção de querelar do dote , ou doação inofficiosa.
§ 140. Compete: 1°, ao filho herdeiro contra o irmão dotado, para lhe pedir supplemento de legitima, quando o dote exceda a terça do dotador, e a legitima do dotado, não obstante a escolha deste (1).
derem revogar esta perda até onde fraudar as legitimas, porque o pai sómente póde jogar tanto, quanto pode doar, Brunnemau. á L. 8 , D. de aleator., n. 8, Stry., us. mod., eod. tit., § 6 ; e Vol. 5, Disp. 23 n. 61. Se o filho póde doar, causa mortis todos os seus bens em prejuízo da legitima dos pais ? V. Not. ult. ao § 307, infra.
(2 a) Não podem haver casas publicas de tabplagem para jogos, que fôrem prohibidos pelas posturas das camaras municipaes, Cod. Crim., P. A, c. 1, art. 281, e assim aos chefes de policia, como aos promotores, publicos, incumbe promover a repressão de semelhantes estabeleci- mentos, em virtude das disposições que respectivamente lhes são pe- culiares, dos arts. 37, § 1 do Cod. do Proc. Crim , e 1, § 1 do Decreto de 29 de Março de 1833, Avisos de 17 de Março de 1836.
Á vista da generalidade, em que se acha concebido o art. 211 do Cod. do Proc. Crim., parece indubitavel que aos que fôrem presos em flagrante delicio nas casas de jogo deve aproveitar o beneficio, que este artigo in fine concede, Aviso de 26 de Março de 1836.
(1) L. un., C. de inoff. dot.; Ord. L. 4, T. 97, §§ 3 e 4. Nas doações para casamento dá esta lei ao dotado a escolha do valor dos bens do doador, segundo o tempo da doação, ou segundo o tempo da morte do mesmo doador. Porém escolha um, ou outro tempo, os outros irmãos devem em todo caso ter legitima igual á que o filho dotado escolher. De modo que o dote dado, ainda que olhando o tempo da doação, não excedesse a terça do doador, está obrigado a refazer as legitimas aos irmãos indotados, se acaso por morte do pai commum se não acharem bens alguns, ou muito poucos. Ficando menos bens, que os que tinha,
DAS ACÇÕES REAES
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§ 141. Compete: 2
o, ao filho, contra outro qualquer donatario do pai, seja filho, ou estranho, para o mesmo flm de lhe pedir legitima, caso seja fraudada pela doação, com respeito aos bens, que o doador deixou por sua morte (1).
§ 142. O réo póde oppôr, que o seu dote é mais antigo que os de outros dotados, que são os que devem perfazer a legitima do autor (2), ou prescripção de 30 annos (3).
§ 143. O doador póde tambem intentar acção
quando dotou, juntos estes aos dotados, apura-se a terça e legitimas á escolha do dotado, v. Gomes á L. 29, Toar. n. 35; Valasc, Cons. 188, n. 14; Paiv. e Pona, C 6, n. 5. Já se vê, que esta acção não annulla a doação tn totum, Vinn. Sel., L. 2, C. 33.
(1) L. 2, L 5, C. de inoff. donat., cit. Ord. L. 4, T. 97, § 3. Todas as doações, que os pais fazem, ficão como suspensas até a morte delles, para então vêr se offendem, ou não, as legitimas dos filhos, Voet, L. 39, T. 5, n. 38. Os bens doados, como se estivessem no domínio do doador, avalião-se então juntamente com os outros bens, que deixou, e assim se apura, se as legitimas são, ou não fraudadas, v. Auth. unde si parens, C de inoff. test., Ord. L. 4, T. 65, § 1 ibi: Havendo res- peito aos bens, que o defunto deu em sua vida, e aos que ficárão por sua morte, Merlini, Tr. de legitima, T. 1, q. 21, n. 13; Confer., Valasc, Cons. 189, n. 29.
(2) Pela ultima doação é que se vai perfazendo a legitima, e se ella não basta, pela penultima, etc. Guerreir., Tr. 2, L. 2, C. 10. n. 22; Valasc., Cons. 188, n. 21; Confer. Voet, L. 39, T. 5, n. 38.
(3) Merlini de legitima, L. 2, T. 1, q. 21, n. 45; Almeid.de numer.
quin, C 20, n. 30. Esta opinião parece mais segura, que a dos que limitão esta acção ao tempo de cinco annos, a exemplo da querela de testamento inoflicioso, Voet supra, n. 39.