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DAS ACÇÕES PESSOAS 44

No documento DAS ACÇÕES (páginas 151-156)

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§ 221. Logo no principio da causa o autor póde pedir que o juiz obrigue o réo a prestar-lhe alimen-tos durante a lide, e o dinheiro preciso para o seguimento da causa (1).

§ 222. O réo pode oppôr: 1

o

, que apenas tem o sufficiente para seus proprios alimentos (2) ; 2°, que o autor tem peculio, ou officio, com que se sustente decentemente (3); 3

o

, que o filho, sem causa, se separou da casa paterna (4); 4

o

, ingratidão capaz de causar a desherdação (5); 5

o

, que a autora tem marido que a deve sustentar (6)

(1) Para este fim deve fazer justificação summaria da quasi- posse da filiação, e da pobreza em que se acha; feita, o juiz taxa um tanto por mez , que é pago com anticipação, Castilh. contr. jur.

L. 3, C. 27, n. 21; Mend. Arest. 14, n. 3 ; Mello, L. 2, T. 6, §§ 23 e seg.

(2) Assento de 9 de Abril de 1772. O pai é uma das pessoas que gozão do beneficio deducto ne egeat, L. pen. D. de agnosc. et alend. tiber.

(3) L. 5, § 7, D. eod.; Surd. T. 7, q. 6. Não é escusa legitima dizer o pai, que o filho póde trabalhar ou assentar praça. Tendo com que, deve alimenta-lo, Ag. Barbos, vot. 126, n. 5.

(4) Sahindo o filho de casa do pai para seguir a carreira das armas, ou letras, ainda que o pai não consentisse, é todavia obrigado a darlhe alimentos, Pineil, á L. 1, C. á bon. mat., 1 p., n.

54; Surd., T. 4, q. 14 a p. 25.

(5) L. 5, §11, D. eod. ; Lauterbach, L. 25, T. 3, § 16. V. gr., se o filho, ou filha menor de 25 annos casou sem licença dos pais, As- sento de 9 de Abril de 1772, L. 6 Out. 1784, § 6.

(6) Trabalhando a mulher para o marido, deve alimenta-la, Secun-dum naturam est, commoda eum sequi, quem sequantur incommoda, L. 11, D. de reg. jur. Mas se for de qualidade, ou doente, que não

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TITULO

VII

§ 223. Compete: 2º, ao pai, mãi e outros ascendentes, contra os filhos e outros descendentes, que tiverem posses de lhes dar alimentos (1).

§ 224. Compete: 3

o

, aos irmãos contra os irmãos, ainda que illegitimos; e aos primos, tios e sobrinhos contra o possuidor dos bens do avô, ou de outro ascendente, o qual em sua vida era obrigada a alimentar o autor (2).

§ 225. Esta acção é personalíssima (3), e sum-maria (4).

Os alimentos são taxados pelo juiz e lou-

trabalhe; ou se o marido fôr pobre, póde pedir alimentos aos pais, Pedr. Barbos, á L. 2, pr., sol. matr., 1 p., n. 23 ; Fragos. de regim. p.

3, L. 3, Disp. 6 a o. 20. Vej. Stryk us. mod. L. 23, T. 2, §§ 53 e 59.

(1) Obstão ao autor as mesmas excepções já ditas; porém as causas da ingratidão são diversas, vej. Ord. L. 4, T. 89. e cit. Assento. Quando a mesma pessoa tenha pai e filho, ambos ricos e idoneos para prestar os alimentos, deve pedi-los a seu pai, e não a seu filho. £ tendo mãi e avô paterno, deve demandar a mãi, e não o avô, porque aquella lhe deu o ser, e prefere-os na successão, cit. Assento. Confer. Surd. T. 1, q. 103 ; Mello, L. 2, T. 6, § 15.

(2) Cit. Assento de 9 de Abril de 1772, § O que passa nos irmãos, etc. Aos irmãos legítimos obsta a excepção de se haverem apartado da casa dos irmãos, ou de se haverem casado sem licença dos pais. Aos illegitimos obsta de mais a excepção de terem casado depois da morte do pai, sem licença do irmão demandado.

(3) De modo que os credores não podem penhorar o direito e acção de pedir alimentos, ainda que o devedor não tenha bens, Carleval de Jud. T. 3, Disp. 20.

,(i) Ord. L. 3, T. 18, § 6; Mend. Aresi. 20, n. 2. Quando os alimentos não fôrem devidos jure sanguinis, ou quando se pedirem

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vados (1). Sendo muitos os réos, o juiz póde designar um só que os preste (2), e são sempre prestados an- ticipadamente (3).

§ 226. A transacção sobre alimentos futuros, devidos jure sanguinis, feita sem confirmação judicial , póde ser rescindida por qualquer lesão (4).

Acção de pedir dote.

§ 227. Compete á filha legitima ou espuria (5),

alimentos preteritos, a acção é ordineria, Solan. cog. 9, n. 239;

Siv. á cit. Ord. n. 4. Vej. Peg. 2 for. C. 15, n. 103.

(1) Nesta taxa deve haver respeito aos rendimentos do réo, e não ao valor dos seus bens, o qual póde ser grande, e pequeno o rendimento, Lauterbach, L. 25, T. 3, § 18; Ag. Barb. Vot. 126, n.

22. Os alimentos que o tutor deve dar aos orphãos, são taxados pelo conselho de famílias. Decr. de 18 de Maio de 1832, art. 11.

(2) O alimentado teria grande incommodo em cobrar de cada um uma pequena parcella mensal. L. 3, D. de alim. et cibar.

legal., Voet, L. 29, T. 2, n. 31; Mor. de exec. L. 6, C. 7, n. 60.

(3) Surd. de atim., T. 4, q. 17. Os ordenados dos ministros são como alimentos, e por isso também se podem cobrar adiantados, cada tres mezes, Cabed. 1 p., Dec, 8, n. 7.

(A) Esta decisão conforme aos costumes da França e Belgica (vej.

Groeneweg. á L. 8, C de transacl., Voet, L. 2, T. 15, n. 14; Stryk ib., § 11), parece mais razoada que a decisão da L. 8, C. de transact. Vej. Vinn. Tr. de transact. C. 6 ; Urceol. de transact. q.

49; Mello, L. 4,T. 2, § 12; Almeid. Tr. das Acç. Sum., § 400.

(5) Porém o dote da filha bastarda deve ser menor que o da legitima, Lauterbach, L. 23, T. 3, §13; Mello, L. 2, T. 9, §6.

Alguns dizem que o pai não tem obrigação de dotar a filha espuria, Stryk us. mod. L. 23, T. 3, §5.

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contra seu pai ou mãi (1), para os obrigar a dar-lhe dote congruente (2).

§ 228. O pai póde oppôr: 1

o

, a excepção de inopia (3); 2º, que a filha é rica (4); 3

o

, que ella se casou sem consentimento delle, ou commetteu ingratidão pela qual a póde desherdar (5).

(1) A mãi é obrigada a dotar na falta do pai: mas se um e outro forem casados por carta de metade, o dote sabe de todo o casal, Voet, L. 23, T. 3, n. 15; Arouca á L. 9, de stat. hom.

n. 83; Mello supr., § 7 ; Almeid. Acç, Sum., § 478; Vran.

Sel. L. 2, C. 14. O irmão nunca pôde ser obrigado a dotar a irmã, visto que a prestação dos alimentos é já um favor exceptuado da regra, Assent, de 9 de Abril de 1772 ; Coccei jus contr. L. 23, T. 3, q. 4 ; Confe., Mello supr., § 9;

Berger. resol. leg. L. 23, T. 3, q. 4.

(2) L, 19, D. de rit. nupt., L. fin. C. de dot. promis.;

Guerreir. Tr. 1, L. 3,C. 12, o. 23,e Tr. 2, L. 1, C. 6, n. 143.

Dole congruente dizem ser o que corresponde á legitima paterna: outros, com mais razão, deixão a taxa ao prudente arbítrio do juiz, Cardoso, v. Pater n. 16; Merlin.

Tr. de legitima, L. 3, T. 1, q. 12 e 13; Richer, Tom. 4 a § 1008. Esta acção de obrigar os pais a dotar, parece se não usa na Belgica, Voet, L. 23, T. 3, n. 16, e foi prohibida no Cod. Civ. dos Francezes, art. 204.

(3) Não podendo o pai dar alimentos, muito menos dote, Vinnio, Sel. L. 2, C. 14; Lauterbacb supr., § 9.

(4) Vinn. supr., Lauterbacb supr., § 10; Coccei L. 23, T. 3, q. 3. De opinião contraria forão Stryk eod. t. § 2 ; Voet eod. n. 11; Guerreir. Tr. 2, L. 2, C 5, n. 53.

(5) Se o consentimento do pai foi supprido pelo

magistrado , póde

ser obrigado a dar dote, Cald. for. L. 1, q. 18 , n. 7; Voet supr.,

n. 16; Cod. da Prussia, p. 1, L. 2, T. 4, art. 1, § 25. Sendo

a filha

ingrata, com mais razão se lhe póde negar dote do que

alimentos, Per.

Dec. 10 , n. 8; Guerreir. Tr. 2 , L. 2, C. 1, n. 64;

Lauterbacb. supr.

§15.

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§ 229. Os filhos varões, por maioridade de razão, podem obrigar os pais a fazer-lhes doação para seu casamento (1).

§ 230. Finalmente a mulher desflorada, menor de 17 annos, pode demandar o desflorador por dote correspondente á condição e qualidade delia (2).

(1) Porque: 1o, os varões são os que precisão ser excitados para o matrimonio, ao qual as femeas rara vez se refusão, Montesquieu, Espr.

des Lois, L. 23, C 9. —Porque : 2o, a L. fin. C. de dot. promiss., tanta obrigação julga ter o pai de dotar as filhas, como os filhos ; e isto se conforma ás leis naturaes. V. Carvalho ao Cap. Raynald. 4p.,C. 1, n. 58; Guerreir. Tr. 2, L. 2, Cap. 5, n. 59. Ainda que as doações propter nuptias dos Romanos cahissem em desuso, Valasc. de part. C. 13, n. 43 ; todavia as doações para casamento são favorecidas pelas nossas leis, Ord. L. 4, T. 97, §4. Parece que os dotes das mulheres forão intro duzidos pelos Romanos com menos politica, do que usárão as nações ci vilisadas, que os precedêrão: sem dote, as mulheres cuidarião mais em se fazer amaveis pelas virtudes. Vej. Marques, Governad. Chrislian., L. 2, Cap. 31 ; Encycloped. Dicc. de Jurispr. art. Dot.

(2) Nada obsta que o estupro tenha sido sem violencia, e sem pro messa de casamento, Ord. L. 5, T. 23, L. de 19 de Junho de 1775, L. de 6 de Out. de 1784, § 9; Confer. Mr. Fournel, Tr. de ta sé- duction, C. 1. Este dote parece poder ser demandado, ainda que a desflorada se ache casada, e dotada pelo pai, Cancer. 3, var. C. 11, n. 30; Repert., art. Mulher virgem, Tom. 3, p. 618. Vej. Mr. Fournel supr., C. 8, §8 (2 a).

(2 a) O estupro sem violencia constitue um crime, que em razão de suas circumstancias cabe em um dos arts. 219,220 ou 221 do Cod.

Crim., P. 3, Tit. 2, Cap. a, Sec. 1. O estupro com violencia deter- mina o crime classificado no dito Cod., loc. cit., art. 222. O deflo- rador não póde ser obrigado a dotar a offendida, uma vez que entre ambos se siga o casamento , Cod. Crim., P. 3 , Tit. 2, c 4, Sec. 1, arts. 219 e 225.

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