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é particular, e elle réo o lesado, mas que o renuncia (1).
§ 55. 0 juiz ecclesiastico é o competente de taes causas;
e a sua sentença nunca passa em julgado (2).
§ 56. 0 matrimonio putativo, id est, contrahido nullamente, mas em boa fé, produz todos os effeitos civis do matrimonio válido (3).
Acção dos Esponsaes.
§ 57. A cada um dos esposos compete acção contra o outro , para que o reconheça por seu esposo, e para que effectue o matrimonio estipulado,
(!) Perraiite-sc ao conjuge leso anunciar ao seu direito, sendo particular o impedimento. Cap. 4 Qui matr. acc. poss.,v. gr. Só a mulher pôde requerer, quando o marido seja impotente. Cap. 4 e 5 , de frigid, et malef. Só ella se pode queixar de ter casado coacta.Cap. 21, de Sponsal. Só o marido pôde arguir a nullidade de ser a mulher escrava. Cap. 2, de conj. serv. Nem a deserção de um cônjuge para regiõe longínquas, nem o adulterio, são reputadas, entre os Catholicos, causas sufficientes para annullar o vinculo do matrimonio. Biegger, p. 4, § 115 ; Caval., p. 2, C. 30, § 10.
(2) Trid. Sess. 24, can. 12, de sacram. matr., Cap. 10, de sent. et re jud. Prescripção nenhuma obsta ao conhecimento da nullidade, arg.
do Cap. fin de praescript. Annullado o matrimonio, cada um dos conjuges póde casar segunda vez, salvo sempre o direito de mostrar, que
o primeiro matrimonio foi válido. Riegger, p. lx. § 207, n.
(3) Repertor., art. Marido e Mulher, Tom. 3, pag. 428,». Confer.
Mello, L. 2, T. 8, §5.
36 TITULO III
aliás pague a pena convencionada, ou a que o juiz arbitrar (1).
§ 58. O réo póde oppôr as excepções de nullidade (2) ; de mudança de fortuna, ou de circumstancias (3); ou de não implemento de condição (4).
(1) Na Igreja Latina os Esponsaes são considerados um simples con- tracto , o qual ainda que firmado com juramento, não obriga precisa- mente a contrahir o matrimonio. Cap. 9 e 17, de sponsal. Por isso a L. 6 Outubro 1784 , §§ 7 e 8 , somente obriga o esposo dissenciente a pagar a pena convencional, e na falta de convença, a que o juiz taxar, pela regra, que quem se obriga a um facto, livra-se, prestando O interesse. L. 114, D. de verb. oblig, V. Almeid., Acç. sum. § 695.
(2) São nullos os esponsaes de menores de 25 annos, feitos sem es»
criptura publica, assistencia e consentimento dos pais, tutores, ou curadores, L. 6 Outubro 1784 , § 1 e seg., L. 7, § 1, D. de sponsal.
Contractados por um impubere, não valem, se elle chegando á puber- dade os reclamar. Cap, 8, de sponsal. impub. O dólo, o erro, o medo. a simulação, e todos os mais vicios, que annullão os contractos,tambem annullão este. Boehm. de Act., S. 2, C. 1, § 47. Se a esposada, ou seus pais induzirão algum para a gabar de prendas, que não tem, eis-aqui o dólo. Stryk., vol. 8, Disp. 12, § 36. Se a esposada tem alguma nota a respeito da honra (qualidade, que sempre se subentende), os esponsaes não obrigão o esposo ignorante. Stryk., supr.,§ 37. Almeid., Acç. sum.t
§679 e seg.
(3) Todo o contracto se entende ajustado rebus sic exstantibus. Por tanto a fornicação posterior, doença, deformidade, pobreza superveniente, inimizade capital, causada pelo autor, e outras circumstancias que, se a principio fossem sabidas, os esponsaes se não terião ajustado , segundo o prudente arbítrio do juiz,dão lugar a resilir delles.Cap.25, de jurejur.
Sanch., de Matr., L. l, Disp. 57, Riegg., p. a, § 23, Cavai., p. 2, C.26,
§ 10, Almeid., supr., § 681. Se o ter a esposada fontes, seja motivo, v.
Themud., Dec. 286.
(4) Cap. 3, de condit, appos. A condição— se o Papa dispensar,
DAS ACÇÕES PREJUDICIAES 37
§ 59. Esta acção é summaria, e deve ser tratada no fôro secular (1).
Acçào de obrigar os pais a consentir no casamento dos filhos.
§ 60. 0 filho ou a filha menor de 25 annos, aj quem os pais, tutores, ou curadores recusarem o consentimento para casar, póde requerer que sejão citados com venia, para darem a razão do seu dissentimento em termo breve, e sendo injusta, ou não dando nenhuma, que o juiz supra o consentimento delles por sua sentença (2 e 2 a).
nem se reputa impossível, nem annulia os esponsaes, quando o impe- dimento é tal, que costuma dispensar-se. l. 6 Out. 1784. § 3, Riegg., p. 4, § 15. Se a condição for posta em favor de um dos esposos, po de prescindir delia, Cap. 1, de cond. appos., Riegg. supr., § 15. Da excepção de não implemento, v. Bagna. Res., Tom. 2, Cap. 58, Alm., Acç, sum., § 682 e seg.
(1) Cavalar., Tom. 5, p. 3, C 2, § 14; Mello, L. 1, T. 5, § 8.
Noutro tempo intentava-se no foro ecclesiastico: Cardos., v. Sponsa- lia, n. 17, Peg. 6, for., Cap. 193, n. 6. A fórma do processo é a da assignação de dez dias. L.6 de Out. 1784, § 7. V. Ord.L.3, T.25;
Almeid., Acç. sum., 662 e 687.
(2) L. 19 Junh., L. 29 Nov. 1775, L. 6 Out. 1784, § 4. Entre os Catholicos não se annulla o matrimonio contraindo sem vontade dos pais dos contrahentes, Trid., Sess. 24, Cap. 1, de reformai, matr., Riegg., p. 4, § 46. As nossas leis impoem-lhes sómente a pena de desherdação. Ord., L. 4, Tit. 88, § 1. Os maiores de 25 anuos sa- tisfazem, pedindo reverencialmente o conselho dos pais, sem incor- rerem na pena, ainda que o não observem. Consentindo o pai, ainda que
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§ 61. Parece serem causas justas do dissenti mento dos pais, o não ter o filho patrimonio, nem officio, com que sustente a família, de que vai a ser chefe: ou uma desigualdade grande na quali dade (1).
§ 62. Esta acção é summaria e tem juizes pri vativos; os nobres devem requerer ao desembargo do paço, os plebeos ao corregedor ou provedor da
comarca (2 e 2*). I
a mãi não consinta, nem por isso o filho incorre na pena. Egid.á L. Titio 3 p., n. 48, Arouca, á L. 9 de stat. homin., n. 103.
(2 a) Aos vinte e um annos completos termina a minoridade. Re- solução de 31 de Outubro de 1831.
(1) É dever dos pais o providenciar que seus filhos não caião em po- breza; ou que não peixão a nobreza que com tantas fadigas c esforços se adquire. V. Stryk, vol. 8, Disp. 32, Gap. 3, § 7, e Us. mod., |L. 23, T. 2, § 55; Mello, L. 2, T. 5, § 8, Not. A nota de descender de Christãos Novos é de nenhum peso depois da L. 25 Maio 1773, e L. 15 Dez. 1774. Confer., Guerreir., Tr. de Recusat., L. 4, C. 13, n. 33.
Porém as leis por si sós não bastão para arrancar as preoccupações do povo. Montesq., Espr. des Loix, L. 19, C. 14.
(2) Cit. L. 6 Out. 1784, § 4 e seg. Se o filho ou filha casar sem licença dos pais, e sem supplemento do magistrado competente, os pais logo em vida podem requerer que o dito filho se julgue desherdado dos bens que por sua morte terião direito de pedir, Assent. 4° de 20 de Julho 1780. Extincto o desembargo do paço por Dec. de 3 de Ag. 1833, e os corregedores e provedores das comarcas abolidos, deve intentar-se esta acção perante o juiz de direito do domicilio do réo. I
(2*) Com a extincção do desembargo do paço, foi devolvida aos juizes de orphãos a necessaria jurisdicção para supprirem o consenti- mento dos pais, ou tutores, para casamento. Carta de Lei de 22 de Setembro de 1828, art. 2, § 4
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Acção do pai contra o corruptor dos filhos.
§ 63. O pai póde requerer que o corruptor dos costumes de seu filho ou filha seja condemnado nas perdas e damnos provenientes, ou mesmo cas tigado corporalmente (1).
§ 64. Esta acção equival á de injuria: em alguns casos póde intentar-se criminalmente, querelando ou requerendo devassa (2 e 2 a).
(1) Esta acção é fundada na regra; interest nostra, animum liberorum non corrumpt. L. lã, § 1, D. de serv. corrup. É notavel a accusação de Marcello contra seu collega Capitolino. V. Plutarco vida de Marcello.
Entende-se corromper os costumes não só aquelle que allicia para Vicios torpes, mas tambem o que persuade que se faça mal, ou o louva depois delle feito. L. 1, §§ 3 e 4, D. de serv. eorrup. V. Arouca á L.
1, § l, D. de his qui sui n., 73 e seg., suadendo juvisse, sceleres instar est L. 16, D. de partis.
(2) É injuria, v. g., se o réo incitou o filho-familias para jogo prohi bido. L. 26, D. de injur. É crime, v. g., solicitar, ou alliciar filhos cu filhas alheias, não só para fim deshonesto, mas ainda com vistas de promover um casamento indecente á família do alliciado. L. 19, Julho 1775, § 1. Os juizes, mesmo ex-officio, devem devassar deste caso, quando acontecer. Cit. L., % 6. Hoje só a querela póde ter lugar; as devassas estão abolidas, Decreto n. 24 de 1832, art. 167.
(2 a) Esta acção não cabe na definição de injuria, tal qual se acha declarada no Cod. Crim., P. 3, Tit. 2, c. 4, Sec. 3, art. 236. Mas póde o offendido constranger ao corruptor da moral de seus filhos, e ao perturbador da paz de sua família, a assignar o respectivo termo de bem-viver, Cod. do Proc. Crim., P. !, Tit. 1, c. 2, art. 12, § 2.
Este termo se processa na fórma determinada pelo dito Cod., loc. cit.
Tit. 3, c. 2, art. 121 e seg.