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A Compreensão Sobre Autonomia Profissional

No documento Marli Koefender.pdf - Univali (páginas 49-52)

Nesta direção de comprometimento com a questão do conhecimento no desempenho da identidade profissional,o egresso EE falou: “você conhecer e agir de acordo com os princípios de sua profissão; acima de tudo, amar o que faz e ter amor pelas outras pessoas. Me sinto como uma profissional comprometida com a vida; com conhecimento profissional através de minha atuação”. Logo, essa fala mostra que tal profissional assume a sua profissão de forma ética e política, pois é uma profissional comprometida com a vida e com a eficácia do conhecimento na sua atuação na rede de atenção à saúde.

De forma geral, o perfil dos respondentes da pesquisa aponta uma consciência sobre o que significa a identidade profissional. Tal perfil está especialmente focado na questão do prazer e das realizações de satisfação das necessidades pessoais e sociais, bem como no comprometimento com o avanço do conhecimento e a competência no desenvolvimento das ações no trabalho.

profissionalmente. Sim, eu tenho autonomia profissional, porque atuo dentro de uma sistemática metodológica de ação profissional e consigo, sem interferências maiores, colocar isto em prática, no meu dia a dia”. Esta resposta em parte mostra uma compreensão clara sobre autonomia. Ela aponta que o profissional deve ser autossuficiente para determinar suas ações na sua atuação. Isto é positivo, pois indica que o egresso tem consciência do poder ser Em Si, De Si, Fora de Si e Para Si, como já se explicou na fundamentação teórica.

No entanto a autonomia também implica a capacidade da razão, como diz Kant (1992) em saber, logicamente, gerenciar sob o juízo crítico, ações, pensamentos e relações no sentido de aproximar-se do outro como fenômeno para fortalecer ações pessoais e coletivas de enfrentamento aos desafios duma profissão.

É importante, no exercício da autonomia, que a razão, diante dos desafios, crie interações cognitivas capazes de lidar com a imprevisibilidade do próprio movimento da realidade em que se atua.

Logo, o egresso, por um lado, mostra que tem consciência de sua autonomia para atuar com outros profissionais e; por outro lado, afirma que não necessita depender da concordância de outros para atuar. Esta ambiguidade indica uma fragilidade no conceito aplicado à realidade, pois toda autonomia implica relação e busca de anuência para efetividade das ações.

O egresso B, quando entrevistado de forma bem breve, disse o seguinte sobre autonomia profissional:independência para executar procedimentos de minha competência regulamentados por lei”. Este juízo aponta que, para este egresso, autonomia significa regulamentação da ação profissional pela formalidade legal.

Logo, a independência total como tal não existe, pois toda ação independente como expressão de uma formalidade legal está de uma forma ou outra ligada ao poder constituído por pessoas que formulam as leis para normatizar as ações. O que se percebe é uma falta de clareza conceitual entre independência e autonomia profissional.

Já o egresso C afirmou que: “autonomia pra mim tem a ver com a capacidade de se governar, de decidir sobre certas coisas. Partindo do pressuposto que vivemos em sociedade, e que em toda sociedade existem regras de funcionamento, toda autonomia é relativa”. Esta ideia está em

concordância com o conceito introdutório acima. Sem dúvida, autonomia implica a capacidade do profissional de saber criar ideias, estratégias de ação e decisão conjuntamente com outros profissionais com os quais atua. É muito sábio o que ele diz sobre a relatividade da autonomia, pois toda ação é sempre relativa a algo que a caracteriza. Com efeito, se poderá dizer que nesse sentido autonomia é a coragem criativa do ser humano de poder propor ideias e ações e implementá-las como realizações positivas na realidade vivenciada, visando à transformação pessoal-social. Porém, ao término de sua entrevista, tal egresso diz o seguinte:

“dentro do que acredito enquanto profissional posso dizer que tenho certa autonomia, e cada vez mais buscando mais autonomia, e isso de certa forma é impor seus valores, suas crenças”. A forma como foi respondida a pergunta denota uma incoerência na pessoa do discurso, pois usa três pessoas para uma frase de duas linhas. Tal constatação indica fragilidade na percepção do próprio profissional consigo mesmo, com o outro e com o meio no exercício de sua autonomia. A autonomia também demanda em não se perder De Si diante do Outro.

Já o egresso DD afirma que autonomia “é essa possibilidade de expor seus pensamentos e tomar atitudes num serviço, de preferência em parceria com uma equipe. A autonomia é de dentro para fora. Teu saber (conhecimento agregado) te possibilita essa autonomia“. Esse egresso mostra com clareza que entende autonomia como centralidade de pensamento e de ações Em Si e De Si, para então se colocar para Fora de Si, tendo em vista o retorno de desenvolvimento da autonomia no movimento de retroalimentação de seu agir - o Para Si.

Assim como pensou Kant (2005), para uma boa autonomia é necessário o ser humano pautar suas ações não na força redutora dos impulsos dos desejos, mas sob a luz equilibrada e ponderada da crítica da razão. Esta postura leva o ser humano a tomar atitudes coerentes e pertinentes com a realidade na qual atua, bem como tais atitudes são efetivadoras de resultados transformadores.

Na continuidade, o egresso EE mostrou um entendimento sobre autonomia voltado muito mais para a questão psicológica. Disse ele: “autonomia profissional: você tem embasamento psicológico, teórico e prático; para atuar com segurança; ter o apoio da instituição; procurar inovar sempre.

Tenho autonomia para atuar em todos os parâmetros, porque a instituição

demonstra satisfação com o meu trabalho, bem como tenho equilíbrio emocional para lidar com as adversidades”. Esse entendimento confirma que o egresso busca entender autonomia numa visão de suas sensações sobre as relações de trabalho vivido. Ele sente-se seguro, porque tem embasamento psicológico e prático e nota que o seu trabalho agrada. Para ele, receber apoio institucional, oferecendo possibilidade de inovar suas ações, é ter autonomia.

É notória a afirmação dele: “Tenho autonomia para atuar em todos os parâmetros, porque a instituição demonstra satisfação com o meu trabalho, bem como tenho equilíbrio emocional para lidar com as adversidades”. Se por um lado isso mostra satisfação profissional; por outro lado mostra a consciência de um profissional que pensa que tudo pode, pois é difícil numa instituição uma pessoa ter abertura total para atuar em todos os parâmetros, assim como entender, tendo como critério a percepção de que seu trabalho está atendendo com plena satisfação.

Não será essa percepção de poder atuar em todos os parâmetros uma percepção para justificar uma fragilidade de sua própria autonomia? E as outras pessoas não existem, para que o olhar deste profissional possa incluí-las e respeitá-las nos seus papéis e limites? Não seria inteligente entender a autonomia como a competência do profissional em saber atuar dentro de uma lógica de solidariedade e amorosidade para consigo e para com o outro, respeitando seus próprios limites e possibilidades? Afinal, ter a capacidade de atuar De Si para Fora de Si, visando exercer a autonomia do pensar e agir para transformar a base do real vivido é ter a alegria da segurança de voltar Para Si, numa tomada de expansão da autonomia que vive constantemente um senso crítico diante de seus limites, fragilidades e potencialidades.

No documento Marli Koefender.pdf - Univali (páginas 49-52)