• Nenhum resultado encontrado

Arteterapia como processo terapêutico de empoderamento

No documento Marli Koefender.pdf - Univali (páginas 74-83)

ARTIGOS CIENTÍFICOS

3. Arteterapia como processo terapêutico de empoderamento

maneira de viver. Isto é o fenômeno da criatividade intrínseca ao ser humano e que remete para a sua espiritualidade como prática de empoderamento do seu ser no mundo.

existência, que tem registros nas emoções humanas mais profundas. Essas aparecem nas imagens, nos sons, nas palavras, no movimento das linguagens corporais carregadas de significados de vida. Com efeito, isso é o fenômeno do percurso de uma espiritualidade pessoal, ou seja, uma maneira autêntica de vivenciar o amor e a dor, a alegria e o sofrimento, a ignorância e a sapiência entre tudo e todos.

O ser humano, na arteterapia, jamais poderá expressar em imagem aquilo que ele não está sentindo, imaginando. As imagens revelam símbolos e estes vivem dentro das profundezas do ser humano criador e dão referencialidade para pensar soluções para a sua saúde. Nas palavras de Bello, “o pintor espontâneo está interessando em registrar sua energia latente na forma de imagens simbólicas”.27 Estas imagens possuem força vital-cognitiva que emerge da dimensão espiritual e percorre a dimensão psicológica que vai atravessando os limites entre biofisiológico e social. Nas palavras de Jung,

[...] o homem constitui uma unidade vital autônoma e completa em si mesma, [...] sua psique é feita de uma série de imagens, no sentido mais amplo do termo, não é, porém, uma justaposição ou uma sucessão, mas uma estrutura riquíssima de sentido e uma objetivação das atividades vitais, expressa através de imagens. 28

As imagens na tela pintada representam um conteúdo simbólico que foi aparecendo pelo processo da arteterapia. O ser humano por si mesmo, ao criar, faz nascer das suas entranhas a sua criatividade e isso é processo terapêutico de empoderamento para o conhecimento de si no mundo. Isso é viver uma experiência saudável e educativa, pois possibilita buscar, sentir e conhecer as próprias potencialidades para enfrentar adversidades na vida. O corpo-criante29 é um nó de significações vivas. Ele é a instância que permite a percepção do ser humano sobre si mesmo. É por meio de sua complexidade que o ser humano torna-se capaz de poder ser por si, de dar significado à sua criação e à sua vida.

Pois, como diz Maturana (1995): „Todo fazer é conhecer e todo conhecer é fazer‟.”

27 Ibid. p.12.

28 JUNG, Carl. A dinâmica do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1998, p.325.

29 Para aprofundar sobre a teoria do Corpo-criante consultar a obra de DITTRICH, Maria Glória.

Arte,

criatividade, espiritualidade e cura. Blumenau: Nova Letra, 2010.

Criar implica a busca de se conhecer e conhecer o outro na trama das relações complexas da vida quando aparecem as adversidades mais inusitadas.30

A criação do ser humano traz sentido ao seu existir no mundo. Com efeito, descobrir isso é empoderar-se. Esse processo de empoderamento não é visto como transferência de um poder externo de uma autoridade, mas é a descoberta da força transformadora da criatividade própria, de si mesmo. Parafraseando Maturana e Varela, o produzir do mundo é o cerne pulsante do conhecimento e está associado às raízes mais profundas de nosso ser cognitivo, por mais sólida que nos pareça nossa experiência. Não é possível conhecer senão o que se faz.

Nosso ser humano é, pois, uma contínua criação.31

A arteterapia, como processo terapêutico de empoderamento para enfrentar as adversidades, configura-se uma prática educativa e saudável, pois trabalha a subjetividade e a objetividade da criação humana, quando possibilita ao ser humano expressar conceitos que tem de si mesmo, os quais remetem à sua capacidade de poder ser e de compreender a si mesmo e ao mundo32. Neste processo, o ser humano se auto-organiza em todo o seu ser biopsicoespiritual e social.

O aprofundamento do empoderamento pessoal pela arte espontânea ocorre por meio da criação-reflexão-criação. No processo criativo espontâneo, as emoções, os sentimentos e as imaginações fluem com mais naturalidade. O pensamento torna-se mais claro. As ações de afetividade são mais espontâneas e autênticas. O ser humano sabe melhor o que quer e gosta. Encanta-se com a sua própria criação, logo, consigo mesmo e com o outro. Sua imaginação aparece nos seus trabalhos com muito mais arrojo. O domínio da relação criador e criação se dão numa coordenação motora equilibrada, de força, movimento e precisão. Tem um maior poder racional para explicar o que significa o seu trabalho. Ele encontra prazer e alegria em socializar seu mundo de significados por meio da arte. Bergson

30 Aprender é uma propriedade emergente da auto-organização da vida em um corpo. "A aprendizagem não é um amontoado sucessivo de coisas que vão se reunindo. Ao contrário, trata-se de uma rede ou teia de interações neuronais extremamente complexas e dinâmicas, que vão criando estados gerais qualitativamente novos no cérebro" que é parte integrante e interdependente da rede psicossomática humana - base da cognição". (ASSMANN, 1998, p. 40-41).

31 MATURANA, Humberto; VARELA Francisco. A árvore do conhecimento. Campinas: Editorial Psy II, 1995, p. 49, 69.

32 Na terapia, diz Wolmann (2002, p.119) que “a compreensão leva uma pessoa para ser parte da solução. A compreensão significa que um novo conhecimento é incorporado ao eu de tal forma que pode ser prontamente aplicado a uma situação nova e o processo de compreensão pessoal proporciona bem estar quando finalizado”.

(1982, p. 33) afirma que “a alegria sempre indica que a vida tem triunfado, que tem ganhado terreno, que tem conseguido uma vitória”.

A arteterapia, como um processo forjante de significação de vida, oportuniza um empoderamento que desabrocha no encanto humano diante da sua arte, que é o reconhecimento legítimo de sua maneira amorosa e respeitosa de ser no mundo, e esta lhe confere a tomada de consciência sobre a sua criatividade como processo de poder ser e aprender para descobrir novas formas de viver.

Defende Bergson (op.cit., p. 47): “a experiência nos mostra que a vida da alma, ou se preferires a vida da consciência, está unida à vida do corpo, e existe solidariedade entre ambas, nada mais.” Diante disso, no empoderamento pela arteterapia, criatividade e espiritualidade se misturam, quanticamente falando, e é na dança da partícula e da onda que subjaz toda organização vital-cognitiva do corpo-criante do ser humano. Logo, a criação da obra emerge como sinal de esperança para encontrar força biopsicoespiritual para enfrentar as adversidades da vida, como oportunidades para a descoberta de poder ser por si mesmo, o que indica superação, desenvolvimento, descoberta de sentido para viver.

Considerações finais

O tema abordado é altamente complexo, pois implica entender o ser humano como um todo complexo, corpo-criante inter-agente, nas dimensões biopsicoespiritual e sociocultural. Neste todo complexo, a vida se mostra auto- organizada em processos de criatividade que referenda uma espiritualidade que é uma maneira de ser consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com Deus, seja na alegria ou na dor. Nessa complexidade, a criatividade e a espiritualidade são manifestações humanas desafiadoras para a ciência e para o entendimento de saúde diante de adversidades como o câncer, as catástrofes ambientais, a violência, etc.

Ter consciência de que não se quer ter as respostas absolutas e últimas parece ser uma postura pertinente, ética na defesa e no respeito para com a própria vida. É a vida, na sua dinâmica criativa, que dá empoderamento ao ser humano quando ele descobre que a sua força para enfrentar as adversidades vem das profundezas do seu ser. Por isso, se reconhece a limitação desta reflexão,

humildemente falando. No entanto o desafio de continuar a pesquisar sobre a espiritualidade e a criatividade na arteterapia, como fenômenos correlacionais intrínsecos à natureza humana para o empoderamento do seu ser no mundo, continua.

Este tema é grande e necessário frente aos apelos da saúde e da educação, que cada vez mais precisam entender quem é o ser humano diante de suas adversidades, como possibilidades de empoderamento à descoberta e à vivência do poder ser por si mesmo.

Por outro lado, a criatividade e a espiritualidade são categorias e temas refletidos ao longo do pensamento humano, porém nestes tempos contemporâneos não se pode deixar de pensar sobre eles, porque são fundantes para se construir relações de cuidado à saúde e à educação e criação de políticas de forma humanizada. A dimensão espiritual, tão esquecida e negada pela ciência moderna cartesiana, precisa ser retomada pelo saber filosófico-científico de forma amorosa e respeitosa. Com efeito, é pensar a vida organizada dimensionalmente em um corpo-criante, e isso não se tem como negar. Seria fechar os olhos para a luz da sabedoria que emerge no ser humano e lhe dá a força para o entendimento sobre o real vivido.

O campo da saúde e da educação está convocado a repensar o ser humano como um todo vivo criativo-espiritual, corpo-criante que busca criar para dar sentido ao seu existir e isso é se empoderar com mais saúde para enfrentar as adversidades que poderão surgir. O ser humano é mais que um modelo biomecânico, como pensou a medicina e outras áreas do saber científico. Pensar isto e reconhecer as limitações da ciência é saudável e traz esperança para a criação de novas maneiras de viver a saúde e a educação.

É significativo entender a arteterapia como um processo terapêutico educativo a partir da visão de um ser humano que, na sua natureza biopsicoespiritual, forja-se na criatividade, que está ligada à sua espiritualidade e vice-versa. Observar isso é procurar sentir um pouco o mistério da vida, constituindo-se na sua complexidade indeterminada num corpo-criante inter- relacional com tudo e com todos.

Por meio do exercício da criatividade, na arte, o ser humano toma ciência da sua espiritualidade, que é expressão profunda de uma maneira de ser-no- mundo, diante das questões últimas da vida, visando encontrar sentido para o viver. No processo terapêutico educativo, ao perceber e compreender essa ligação ontológico-espiritual, ele dá sentido ao seu existir, logo significa e conceitua o seu ser-no-mundo. Com efeito, isso é ter a força para enfrentar adversidades. Este processo ajuda o ser humano para saber colocar-se no mundo, dando rumo para a sua própria vida.

Diante desta reflexão ficam os questionamentos: Como constituir saúde, harmonia no bem viver, sem experienciar a criatividade e a espiritualidade como manifestações naturais do ser humano, nas relações consigo mesmo, com os outros e com o seu Fundamento Último? Poderá a saúde e a educação serem vividas integralmente sem considerar o ser humano como um ser de criatividade e espiritualidade ou vice-versa? Poderão acontecer processos de educabilidade para o empoderamento sem ter como ponto fulcral a criatividade do corpo-criante? Mas afinal, o que é a vida que continua desafiando o pensar humano, para conseguir agarrar o sentido profundo do estar bem, do poder ser nas experiências vivenciais do cotidiano massificador? Poderá a arteterapia ser um meio para ajudar um diálogo transdisciplinar para a integralidade na saúde e na educação? Esses desafios provocam estímulos de novas esperanças para a humanização da saúde.

REFERÊNCIAS

ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação. Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

BELLO, Suzan. Pintando sua alma: método de desenvolvimento da personalidade criativa. Brasília: Editora UNB, 1998.

BERGSON, Henri. La energia espiritual. Madrid : Espasa - Calpe, S., 1982.

BOFF, Leonardo; BETTO, Frei. Mística e espiritualidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

CREMA, Roberto e outros. Espírito na saúde. Petrópolis: Vozes, 1997.

DITTRICH, Maria Glória. Natureza e criatividade o ensino da arte pictórica.

Itajaí: UNIVALI, 2001.

______. DITTRICH, Maria Glória. Arte, criatividade, espiritualidade e cura.

Blumenau: Nova Letra, 2010.

FRANKL, Viktor e. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo.Aparecida-SP: Editora do Santuário, 1989.

HIGUET, Etienne A. Cura e salvação em Tillich e Jung. Estudos da Religião.

Psicologia, saúde e religião, em diálogo com o pensamento de Paul Tillich. São Paulo : Universidade Metodista, vol. 16, O diálogo em Tillich com a psicanálise e a medicina, 1999.

LUKAS, Elizabeth. Prevenção psicológica: a prevenção de crises e a proteção do mundo interior do ponto de vista da logoterapia. Tradução de Carlos Almeida Pereira. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. 1992.

JUNG, Carl G.. A dinâmicado inconsciente. Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

MATURANA, Humberto, VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento.

Campinas: Editorial Psy II, 1995.

TILLICH, Paul. A coragem de ser. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.

______. A dinâmica da fé. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2002.

TOFFLER, Alvin. A terceira onda. A morte do industrialismo e o nascimento de uma nova civilização. Rio de Janeiro: Editora Record,1980.

TORRE, Saturnino, MAURA, María A. Pujol. Creatividad e innovación. Ensenar con otra conciencia. Madrid: Editorial Universitas, 2010.

WEIL, Pierre. A mudança de sentido e o sentido da mudança. Rio de Janeiro:

Editora Rosa dos Tempos, 2000.

WOMANN. Richard. Inteligência espiritual. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

ARTETERAPIA COMO UMA PRÁTICA INTEGRATIVA DE SAÚDE PÚBLICA

Maria Glória Dittrich33 Maria José Reis34 Marli Koefender35 RESUMO

O presente texto visa refletir sobre a arteterapia, cuja prática, a despeito de ocorrer desde tempos imemoriais, é registrada e profissionalmente reconhecida nas sociedades modernas ocidentais a partir do século XX. Para dar conta do objetivo proposto, apresentar-se-á inicialmente uma síntese sobre diferentes possibilidades terapêuticas disponíveis nos dias atuais, buscando contextualizar o lugar ocupado pela arteterapia dentre os setores de assistência à saúde existentes nas modernas sociedades urbanas, e os desafios e as ameaças à saúde a serem enfrentados cotidianamente nestas sociedades. A seguir, será desenvolvida uma reflexão teórica, com base em uma perspectiva hermenêutica fenomenológica, desde uma abordagem existencialista e transdisciplinar, voltada para a discussão sobre aspectos constitutivos da arteterapia, de modo especial à criatividade e à espiritualidade, além de sua caracterização como um processo terapêutico de autoeducabilidade e de empoderamento diante das adversidades. Por fim, será apresentada uma breve retrospectiva histórica sobre o processo de legitimação e institucionalização desta prática terapêutica no Brasil, a partir de deliberações do Ministério da Saúde, com base em proposições da Organização Mundial de Saúde.

PALAVRAS CHAVE: Arteterapia. Terapia integrativa. Saúde pública.

INTRODUÇÃO

A história da saúde e da doença é, desde tempos imemoriais, uma história da produção de significados sobre a natureza, sobre as funções e as estruturas do corpo humano, e sobre as relações corpo-mente-espírito, bem como sobre pessoa- ambiente. Uma história, portanto, envolvendo o mundo natural e social,

33 Filósofa (FEBE), Mestre em Educação (FURB), Doutora em Teologia (EST), docente pesquisadora do Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da UNIVALI e do Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho UNIVALI (SC) e Faculdade São Luiz (SC), pertence ao grupo de pesquisadores REDFUT. [email protected]

34 Antropóloga, Mestre em Antropologia Social (USP), Dra. em Ciências Sociais (UNICAMP), Profª.

no Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da UNIVALI (SC) e pesquisadora colaboradora na UFSC (SC). [email protected]

35 Médica e Mestranda em Saúde e Gestão do Trabalho – UNIVALI (SC).

[email protected]

constituindo diferentes narrativas sobre os processos de saúde e doença, tendo como suporte os contextos sociais de onde provêm os sujeitos sociais que deles fazem parte. Ou seja, saúde e doença não são estados ou condições estáveis, mas sim conceitos vitais, sujeitos a constantes avaliações e mudanças (ALBUQUERQUE; OLIVEIRA, 2002).

Assim sendo, as práticas corporais e a preocupação com a saúde e a doença constituem uma teia complexa de significados e práticas sociais radicadas em instituições, com diferentes vínculos sociais, marcados por diferenças etárias, de classe social, de gênero, religiosas, étnicas, entre outras.

De acordo com Langdon e Wiick (2010), os comportamentos ligados à saúde e à doença devem ser tratados como aspectos integrantes das culturas de grupos sociais nos quais os mesmos ocorrem. Parte-se, assim, da premissa de que os sistemas de atenção à saúde e de respostas às doenças também são sistemas culturais, em consonância com os grupos e as realidades sociais que os produzem e replicam.

Do mesmo modo, vários outros autores, dentre os quais Helman (2003), enfatizam que os sistemas de saúde de uma sociedade não podem ser estudados isoladamente de outros aspectos, especialmente quanto à sua organização social, religiosa, política e econômica. De acordo com o autor, na maioria das sociedades, aqueles que sofrem de algum desconforto físico ou emocional contam com diversas formas de ajuda, por conta própria ou por meio de outras pessoas e instituições. Contudo as sociedades urbanizadas modernas, ocidentais ou não, têm maior probabilidade de disporem de uma pluralidade de serviços e de atendimento à saúde.

O presente texto visa refletir sobre uma dentre as múltiplas possibilidades de atendimento à saúde – a arteterapia - cuja presença, a despeito de ser praticada em tempos e sociedades do passado, é praticada e profissionalmente reconhecida na atualidade nas sociedades modernas ocidentais. Trata-se de um processo terapêutico educativo que leva ao empoderamento do ser humano diante dos fenômenos vinculados ao modo de lidar com suas dores, adversidades e sofrimentos, que será aqui caracterizado com base na perspectiva hermenêutica fenomenológica.

Embora o uso terapêutico das artes remonte às mais antigas civilizações, a arteterapia como campo profissional é relativamente nova. É reconhecida como tal

por meio de sua designação pelo médico alemão Johan C. Reil, que atuava na área de psiquiatria e que promoveu a interlocução entre arte e saúde no início do século XIX.

De acordo com Botsaris e Mekler (2004), no Brasil a arteterapia vem sendo utilizada como prática terapêutica desde as primeiras décadas do século XX, e desde então é aplicada nas áreas de saúde, tanto como atividade voltada para a prevenção, quanto nos tratamentos de distúrbios orgânicos e psíquicos.

Para dar conta do objetivo proposto, tendo a arteterapia como objeto primordial de nossas reflexões, apresentar-se-á inicialmente uma síntese sobre diferentes possibilidades terapêuticas disponíveis na atualidade, buscando contextualizar o lugar ocupado pela arteterapia dentre os setores de assistência à saúde existentes nas modernas sociedades urbanas, e os desafios e as ameaças à saúde a serem enfrentados cotidianamente nestas sociedades. A seguir, será desenvolvida uma reflexão teórica com base em uma perspectiva hermenêutica fenomenológica, desde uma abordagem existencialista e transdisciplinar, voltada para a discussão sobre aspectos constitutivos da arteterapia, de modo especial à criatividade e à espiritualidade, além de sua caracterização como um processo terapêutico de autoeducabilidade e de empoderamento diante das adversidades. Por fim, será apresentada uma breve retrospectiva histórica sobre o processo de legitimação e institucionalização desta prática terapêutica no Brasil, a partir de deliberações do Ministério da Saúde, com base em proposições da Organização Mundial de Saúde (OMS).

1. Pluralidade e sobreposição: os setores de assistência à saúde na

No documento Marli Koefender.pdf - Univali (páginas 74-83)