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A gestão do Pilar

No documento O povo negro tem um projeto coletivo (páginas 39-44)

1.1 Folheando o Pilar

1.1.2 A gestão do Pilar

Gestão Lino Cordero

Lino Cordero, o primeiro diretor do Pilar, se pautava por temas ligados às diferentes expressões da violência em seus editoriais. Em sua gestão, não constam nos créditos referência alguma a outros membros da direção embora José Márcio Zanardi, padre ordenado em abril de 1994, passou a ocupar a vice-direção entre as edições n. 57-60. Zanardi foi vice e chegou a diretor nas edições n.61-64, citado apenas nos créditos. A periodização mensal também foi afetada no período, quando o n.63/64 englobou os meses de julho-agosto e o n.65, os meses de setembro-outubro de 1994.

Em depoimento via e-mail em 12 de setembro de 2012, Zanardi ao se pronunciar sobre o episódio em que assumiu provisoriamente a direção do Pilar, declarou que o Padre Lino Cordero fora chamado para a direção da Revista Sem Fronteiras e resolveu assumir o jornal porque nenhum outro padre se dispôs a fazê-lo. Ele comentou as dificuldades que teve em conciliar o jornal com o trabalho paroquial e, mesmo de forma amadora, sua intenção era manter o veículo de informação diocesano em circulação.

Gestão José Márcio Zanardi

No ano de 1995, o jovem padre Zanardi19 publicou no Pilar textos sobre questões

19 José Márcio Zanardi deixou o clero e atualmente vive no município de Luz, em Minas Gerais, onde se tornou presidente do Partido dos Trabalhadores local e Secretário de Saúde, Bem Estar Social e Habitação

Municipal, no início da gestão do prefeito petista e ex-padre Agostinho Carlos Oliveira. Ainda em Duque de Diretor: Pe Lino Cordero (1990- 1994)

Responsável: ASPAS - Ação Social Paulo VI

Editor: Coordenação Diocesana de Pastoral Redatores: Secretariado Diocesano de Pastoral

Composição e arte: Equipe Revista Sem Fronteiras

Impressão: Gráfica Editora Jornal do Commércio/Tribuna da Imprensa Tiragem: cinco mil exemplares (1990/91)

1992 - seis mil exemplares.

Vice-Diretor/Diretor: Padre José Márcio Zanardi (1994) Editor: Coordenação Diocesana de Pastoral

Redatores: Secretariado Diocesano de Pastoral Composição e arte: Equipe Revista Sem Fronteiras

Impressão: Gráfica Editora Jornal do Comércio/Tribuna da Imprensa Tiragem: seis mil exemplares

associadas à juventude, terra e moradia: Novos horizontes de justiça e alegria (ZANARDI, 1995, p.11); CPT (Comissão Pastoral da Terra) se defende de ataques e prega Reforma Agrária já (1995, p.13); A juventude avança e se organiza (1995, p.6-7) e Cidadania preocupa juventude (1995, p. 11).

Gestão João Munari

Em seguida, padre João Munari assumiu a direção do jornal a partir da edição n.66, logo após o breve período em que Zanardi esteve no comando. Antes, com a média de doze páginas/mês, (chegou a oito páginas entre os números 61-64), sob a direção de Munari o jornal saltou para 16 páginas/mês. Esse crescimento quantitativo ocorreu na transição do jornal da ASPAS para a Mitra Diocesana. Em relato (13/12/2012), Padre João disse que considerava um equívoco as estruturas jurídicas distintas, o que motivou a mudança. No mesmo período, Padre João também foi nomeado vigário da paróquia da Catedral de Santo Antonio ao lado de Padre Joaquim Sanchez, ambos combonianos.

As substituições na gestão do jornal sinalizaram uma crise observada também na diocese caxiense na época. Uma convocatória do Conselho Pastoral Diocesano e do Secretariado para reunião, que incluiu na pauta a articulação das pastorais, movimentos; a coordenação da Igreja; a administração e comunhão de bens e eventos diocesanos, com o apelo: “levando-se em conta que estamos vivendo um momento decisivo na caminhada de nossa diocese, a Coordenação Diocesana de Pastoral pede aos irmãos e irmãs conselheiros um esforço de participação e fidelidade” (PILAR, n.69, p. 15, 1996).

A gestão financeira parecia estar na ordem do dia. O jornal passou a publicar um balanço das receitas e despesas da diocese caxiense, com as contribuições de cada paróquia contabilizadas em dólares, Unidade Real de Valor (URV) e reais, com clara intenção de imprimir transparência na administração dos recursos. A Comunhão e Administração de Bens eram seguidas da publicação dos balancetes no Pilar - Co-rresponsabilidade e participação

Caxias, chegou a ocupar o cargo de subsecretário de Ação Social e Trabalho no segundo mandato de José Camilo Zito, (2001-2004, PSDB à época), embora Zanardi fosse filiado ao PT.

Diretor: João Munari (1995-1999)

Responsável: a partir de 1997: Mitra Diocesana.

Redatores: Padres: João Munari, J.M.Zanardi, Agnaldo Luiz de Castro;

Aurelina Carias e José Zumba.

Redação1996/99: Coordenação Diocesana de Pastoral.

Tiragem: seis mil exemplares

também no dinheiro - quando o bispo conseguiu aprovar a implantação do orçamento participativo na diocese (PILAR, n.89, p.14-15, 1995).

A partir de 1997, ainda sob a direção de João Munari, o jornal deixou de pertencer à ASPAS e tornou-se propriedade da Mitra Diocesana. Quando integrava a ASPAS, o Pilar figurava entre os demais projetos de ação social da diocese, esse pertencimento permitia o repasse de recursos, mas não favorecia a geração de recurso próprio advindo da propaganda e venda de exemplares. Com a Mitra Diocesana no comando, o Pilar passou a ser submetido ao administrador diocesano, o bispo, embora mantivesse diretoria própria. A publicidade, em especial das escolas privadas e prestadores de serviços, indicaram crescimento quantitativo porque o jornal saltou de dezesseis para vinte páginas nessa época.

No final da década de 1990, o Pilar passou a ser impresso em cores (capa e contracapa) e o diretor na época, Padre João Munari anunciou na edição de janeiro de 1999 (n.103): “o jornal está ‘de cara nova’, pois além das cores recebeu uma nova impostação gráfica e, convida toda a Igreja a se renovar”.

Também foram registradas mudanças no quadro pastoral com a chegada de dois novos combonianos, padres João Luiz Consonni e Mario Andrighetto, que assumiram a Paróquia Santa Terezinha, em Duque de Caxias, em dezembro de 1999: “Padres que saem padres que entram” (PILAR, n.114, p.15, 1999). A mesma matéria anunciou que o Padre João Munari teria sido destinado a exercer suas atividades em Vitória no Espírito Santo e que Andrighetto passaria a integrar a redação do jornal.

A partir da edição de n.113, o comboniano Padre Mario Andrighetto20 assumiu a direção do Pilar em janeiro de 2000, mantendo Padre João na redação até junho deste ano.

Gestão Mario Andrighetto

20 Pe. Mário Andriguetto nasceu na Itália e cursou as várias etapas de sua formação sacerdotal e missionária nos seminários dos Combonianos. Depois da profissão religiosa (1979), veio para o Brasil, onde

complementou os estudos de filosofia e teologia no Instituto de Teologia de São Paulo (ITESP). Ordenado sacerdote em 9 de junho de 1984 em Milão na Itália, foi formador no Seminário Comboniano de Bréscia. Em 1987 voltou ao Brasil e trabalhou em Jaru (Rondônia), Duque de Caxias (RJ) e São Paulo. De 2002 a 201, trabalhou a serviço da Província Comboniana da Itália, e agora voltou ao Brasil e está servindo na Sede Provincial em São Paulo. Disponível em:

<http://brcomboni.org.br/index.php/combonianos/membros?showall=&start=2>. Acesso em 11 mar. 2012.

Diretor: Mario Andrighetto (1999-2002) Redatores: Coordenação Diocesana de Pastoral.

Impressão: Tribuna da Imprensa Tiragem: seis mil exemplares

Quando Mario Andrighetto assumiu a direção, o Pilar passou a publicar imagens internas coloridas, além da capa e contracapa, e permaneceu com mesma tiragem de 1992, seis mil exemplares. O artigo ‘Padre deixa saudade’ (PILAR, n.121, p.13, 2000) tratava da despedida de João Munari que deixava a comunidade caxiense, não mais para seguir para Vitória, mas para atender ao chamado dos Missionários Combonianos, na Revista Sem Fronteiras, em São Paulo.

Três padres que passaram pela direção do Pilar, na década de 1990 - Lino Cordero21, João Munari e Mario Andrighetto - pertencem à ordem dos Missionários Combonianos. A ordem missionária homenageia seu fundador, o italiano Daniel Comboni (1831-1881)22, santificado em 2003, que tinha como missão a evangelização dos povos africanos. Santos (2002) investigou o projeto de evangelização da África Central, elaborado por Daniel Comboni no período de 1864 a 1881 e constatou que o objetivo do prelado era o estabelecimento de uma Igreja Católica nativa, alicerçada na criação de uma sociedade cristã africana. Segundo a autora, as ações missionárias de D. Comboni foram consideradas singulares em sua época até serem eclipsadas pela expansão colonialista européia. Ainda hoje as ideias do prelado estão sendo reapropriadas pelo Vaticano, como proposta para a cristianização do continente.

Os Missionários Combonianos tinham na imprensa uma característica de atuação, um caminho natural a ser trilhado, como observou Santos (2002) acerca da produção material e intelectual dos membros da ordem. A primeira delas, uma revista fundada por D. Comboni na Itália, em 1872, com o nome de Annali dell’ Associazone del Brion Pastore que em 1883 mudou de nome para Nigrizia, ainda hoje publicada. A Revista Sem Fronteiras: a Igreja do Brasil aberta para o mundo, e Alô Mundo, dirigida ao público infantil são publicações brasileiras da ordem missionária, que segundo a autora:

21 Padre Lino Cordero é italiano e chegou ao Brasil em 1967. No trabalho pastoral no Espírito Santo, dirigiu as revistas Sem Fronteiras e Alô Garotada. Em Duque de Caxias, foi o primeiro diretor do jornal Pilar.

Atualmente responsável pelo site <www.combonianos.org.br>, assim descreve o trabalho dos missionários que chegaram ao Brasil em 1952, os quais somam atualmente cerca de cento e vinte distribuídos entre Norte (Maranhão) e Sudeste: “As perspectivas dentro das quais os combonianos trabalham é de alimentar uma Igreja comprometida com a vida, voltada para os pequenos e os pobres, aliada dos movimentos sociais e engajada na busca de caminhos de vida, de justiça e de paz>. Disponível em

<http://combonianos.org.br/conteudo.php?ctrl=Mjg=&PHPSESSID=bd539f8f9a541422ebf2d78339d7ebe8>.

Acesso em 14 jan.2010.

22 Antonio Daniele Comboni nasceu em Limone Sul Garda em 1831 e morreu em Khartoum (Sudão) em 1881.

Foi Vigário Apostólico da África Central e fundador de dois importantes institutos missionários: o ramo masculino, denominado Istituto della Missioni per la Nigrizia (atuais Missionários Combonianos do Coração de Jesus) e o ramo feminino, denominado Pie Madri della Nigrizia (atuais Missionárias Combonianas do Coração de Jesus). Ver Santos, Patrícia Teixeira. Dom Comboni: profeta da África e santo no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 2002, p.111-154.

A revista comboniana brasileira, Sem Fronteiras, apresenta um noticiário da situação política e social do país, tomando partido de movimentos sociais importantes e criticando o modelo econômico neoliberal. (...) Nos anos 70 e 80, a revista desempenhou um importante papel integrador das dioceses do país e a abordagem de seus artigos aproximava-se da Teologia da Libertação, sendo na época um importante fórum de debate teológico e intelectual. (SANTOS, 2002, p.56-57).

Portanto, as publicações dos combonianos no Brasil mantinham uma identidade política com a Teologia da Libertação, assim como descreveu a autora e confirmou a linha editorial do Pilar. A revista Sem Fronteiras apoiou os combonianos na Baixada Fluminense, na composição, arte e nos textos de colaboradores cedidos ao jornal Pilar.

No documento O povo negro tem um projeto coletivo (páginas 39-44)