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Colaboradores e financiamento

No documento O povo negro tem um projeto coletivo (páginas 44-47)

1.1 Folheando o Pilar

1.1.3 Colaboradores e financiamento

A revista comboniana brasileira, Sem Fronteiras, apresenta um noticiário da situação política e social do país, tomando partido de movimentos sociais importantes e criticando o modelo econômico neoliberal. (...) Nos anos 70 e 80, a revista desempenhou um importante papel integrador das dioceses do país e a abordagem de seus artigos aproximava-se da Teologia da Libertação, sendo na época um importante fórum de debate teológico e intelectual. (SANTOS, 2002, p.56-57).

Portanto, as publicações dos combonianos no Brasil mantinham uma identidade política com a Teologia da Libertação, assim como descreveu a autora e confirmou a linha editorial do Pilar. A revista Sem Fronteiras apoiou os combonianos na Baixada Fluminense, na composição, arte e nos textos de colaboradores cedidos ao jornal Pilar.

projetos Esperança I e Esperança II. Na primeira etapa, o Projeto Esperança I financiou, entre 1986-1989, a estruturação da diocese caxiense, como declarou Munari, Secretário Diocesano de Pastoral e integrante da equipe executiva na segunda fase do projeto. O periódico foi incluído na segunda fase e na equipe de coordenação do Projeto Esperança II constavam Padre João Munari, Ana Lígia Medeiros, pelo Regional de São João de Meriti e Sebastião Bernardino, pelo Regional de Duque de Caxias que “conseguiram construir 40 centros comunitários que hoje, muitos deles se transformaram em capelas, anulando um dos objetivos” (OLIVEIRA, 2006, p.43). No Pilar, João Munari expôs os objetivos e o desenvolvimento do projeto, bem como o papel do jornal no processo:

O Projeto Esperança II nasceu de um acordo entre a Diocese de Duque de Caxias e uma organização católica alemã com o objetivo de apoiar as pastorais sociais e ajudar as comunidades em formação [...]. Para coordenar o Projeto foi formada uma equipe executiva, chamada de Secretariado Diocesano de Pastoral, com a tarefa de encaminhar aquilo que o Conselho Administrativo delibera. Este conselho é formado por um representante de cada paróquia e um representante de cada pastoral (pastoral do menor, operária, do Negro, da Mulher, da Educação, da Saúde, da Juventude); reúne-se regularmente para debater, determinar prioridades, avaliar os passos dados. (MUNARI, 1991, p.08).

O Projeto Esperança II foi idealizado para “intensificar e consolidar a organização comunitária e popular como caminhos que nos libertam da violência estrutural e dos males da fome e da miséria”. No relatório final, foi registrada a compra de 28 terrenos e a construção de 40 centros comunitários, além da realização de 187ações formativas que atingiram cerca de treze mil pessoas, sem contar os momentos de mobilização das massas. (MUNARI, 1993, p.10). As ações formativas anunciadas pelo Padre João são observadas principalmente nos primeiros anos de veiculação do Pilar, cujo papel de mobilização e articulação popular demonstrava a intenção diocesana em oferecer aos seus membros e comunidades formação político pedagógica.

Padre João afirmou que o Pilar era instrumento importante das realizações do Projeto Esperança II.

[...] Como desdobramento desse trabalho (Projeto Esperança II) nasceu também o jornal PILAR, um pequeno instrumento de comunicação que circula mensalmente na diocese, e fora também, com 5 mil exemplares. Algumas comunidades foram beneficiadas também financeiramente recebendo ajuda para compra de terrenos, para levantamento de centros comunitários e na solução dos problemas burocráticos ligados a compra venda de imóvel. Atualmente são 12 os centros comunitários em construção. Outros 10 estão para serem iniciados. Que sejam obras abençoadas erguidas para ajudar o povo na conquista de sua cidadania. (MUNARI, 1991, p.08)

No ano seguinte a sua fundação, o Pilar iniciou uma campanha de arrecadação de fundos em prol do jornal, através de uma rifa: “um grande gesto de solidariedade, com um pouco de cada um, conseguimos muito para todos” (PILAR, n. 18, p.02, 1991). Diversos apelos faziam referência à necessidade de contribuir com os meios de comunicação da diocese e o desejo de obter recursos entre os membros sem necessitar de “verbas de fora” (PILAR, n.18-19-20, p.02-03, 1991). Em dezembro de 1992, a campanha para obtenção de fundos se deu através de um bingo. Em paralelo crescia a oferta de anúncios de pequenas empresas, colégios e lojas locais. A equipe do Pilar lançou diferentes meios de arrecadar fundos, com maior independência dos recursos externos, mas também comprometendo a comunidade em ampliar as vozes em diálogo.

A busca de apoio internacional para os projetos diocesanos também foi recorrente, como demonstrou o periódico através das inúmeras viagens do bispo ao exterior, em particular, o intercâmbio Brasil-Alemanha que culminou com a realização do 2º Seminário Comum de Política de Desenvolvimento, em Immenstad. Segundo Marli da Silva Paulo (1990, p.4), o evento proporcionou a reunião de dez representantes de Movimentos Populares da Baixada Fluminense com membros de movimentos de solidariedade aos países do terceiro mundo na Alemanha. Assim, a diocese caxiense mantinha uma política de integração com membros de outras dioceses europeias, em particular Pádua, no norte da Itália: “Um grupo da diocese de Pádua visita a Diocese de Caxias” (PILAR, n.88, p.9, 1997).

Dom Mauro Morelli visitou a Inglaterra e Itália em setembro de 1990, a convite da organização ecumênica Christian Aid (Ajuda Cristã), filiada ao Conselho Britânico de Igrejas.

Na agenda do bispo, houve encontros para discussão de temas como Comunidades Eclesiais de Base e Ação da Igreja e Pobreza e Dívida Externa. Na Itália, Dom Mauro esteve com colaboradores do Programa de Educação Complementar e Alimentação para as Crianças Carentes, mantido pela ASPAS e visitou o Papa João Paulo II. O Pilar noticiou a viagem de Dom Mauro à Europa entre 15 e 30 de outubro de 1991, com a finalidade de “apresentar os relatórios e agradecer a colaboração de algumas entidades nos projetos sociais realizados em nossa diocese” (PILAR, n.19, p.12, 1991). O roteiro do bispo caxiense incluía Alemanha, Holanda e Itália. A divulgação da agenda internacional diocesana no periódico sinaliza a construção de uma rede de articulações políticas, que respaldavam a ação social do bispado através de apoios/financiamentos externos.

No documento O povo negro tem um projeto coletivo (páginas 44-47)