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A MESORREGIÃO SUDESTE PARANAENSE

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 74-78)

A Mesorregião Geográfica22 consiste em “uma subdivisão dos estados brasileiros que congrega diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais” (IPARDES, 2013). Ela foi criada pelo IBGE e é utilizada para fins estatísticos e não constitui, portanto, uma entidade política ou administrativa. Na figura 2 podem ser vistas as Mesorregiões Geográficas Paranaenses.

22 A partir de 1° de janeiro de 1990 começou a vigorar a nova “Divisão Regional do Brasil em Mesorregiões e Microrregiões Geográficas”, aprovada por meio da Resolução nº 51-PR, de 31 de julho de 1989, do IBGE.

FIGURA 2 – MESORREGIÕES DO ESTADO DO PARANÁ

Fonte: IPARDES, 2013.

Os limites das Mesorregiões Geográficas paranaenses estabelecidos pelo IBGE coincidem com os limites das mesorregiões determinadas pela Lei Estadual nº 15.825/08, exceto no caso das regiões Sudoeste e Centro-Sul, para as quais a referida Lei inclui na Região Sudoeste os municípios de Palmas, Clevelândia, Honório Serpa, Coronel Domingos Soares e Mangueirinha, e fixa uma norma utilizada para todos os efeitos estatísticos de órgãos públicos do Estado (PARANÁ, 2013a).

A Mesorregião Sudeste, onde fica a cidade de Irati, está localizada, em sua maior parte, no Segundo Planalto Paranaense, tendo a Serra da Esperança, que delimita o Segundo e Terceiro Planaltos como marco geográfico principal. Ela é composta por 21 municípios que se agrupam em quatro microrregiões, cujas sedes ficam em Irati, São Mateus do Sul, Prudentópolis e União da Vitória (IPARDES, 2013).

Juntamente com as mesorregiões Centro-Sul, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba, a mesorregião Sudeste forma o denominado Paraná Tradicional, uma das mais antigas áreas de ocupação do país, que perpassou pelos memoráveis ciclos econômicos do ouro, do tropeirismo, da erva-mate e da madeira (BALHANA et al., 1969; CUNHA, 2003).

Seu povoamento iniciou-se com luso-brasileiros no século XVII, mediante incursões militares, de tráfego de tropeiros e de estratégias governamentais de dinamização da navegação no vale médio do rio Iguaçu, direcionando para a região a instalação de colônias de imigrantes estrangeiros, principalmente de eslavos e alemães, que se assentaram em pequenas propriedades dedicadas especialmente às atividades extrativas e à pequena agricultura de subsistência (BALHANA, 1969 et al.; CUNHA, 2003).

A mesorregião Sudeste paranaense é uma das mais pobres do Estado, haja vista que seus indicadores socioeconômicos remetem a uma situação mais desfavorável em relação aos indicadores apresentados pela maioria das outras regiões e geralmente ficam abaixo da média estadual. O PIB da mesorregião Sudeste, em 2010, de acordo com o IPARDES, foi de R$ 4,65 trilhões, foi o menor dentre as regiões do Estado, representando só 2,19% do montante total, enquanto o PIB per capita foi 31,56% menor do que a média registrada no Paraná no mesmo ano.

Dentre os componentes econômicos, comércio e serviços possuíam, em 2010, a maior participação tanto na mesorregião Sudeste quanto no Estado do Paraná, segundo a base de dados do Ipardes. A diferença, porém, situa-se no caso da participação da agropecuária e da indústria. Na mesorregião Sudeste, a atividade agropecuária participa com 27,69%, enquanto para a indústria a participação é de 16,39% do Valor Adicionado Bruto (VAB) total da região, inverso do que ocorre no Estado como um todo.

O Instituto acusa que os cultivos agrícolas de milho, soja, feijão, fumo e erva-mate são, nesta ordem, as cinco mais expressivas atividades na Mesorregião e que boa parte dela ainda é caracterizada pela agricultura familiar, com baixa remuneração, embora tenha ocorrido acentuado aumento de produtividade com o incremento da intensidade tecnológica na produção de algumas culturas, sobretudo as essenciais para insumos industriais.

Já a renda regional pode ser compreendida pela remuneração média, em salários- mínimos, relativamente ao número empregos. O Paraná registrou em 2011, 63.494 postos de trabalho formais. Destes, 0,43% recebiam até meio salário-mínimo, enquadrando-se, portanto, em situação de pobreza, 64,69% tinham rendimento situado entre 1 e 2 salários, 86,37% entre 2 e 4 salários e 6,61% possuíam renda superiora a 4 salários-mínimos (IPARDES, 2013).

Em se tratando de indicadores sociais, explicitam-se, por meio da tabela 11, alguns dos mais importantes correlatos à região, que demonstram as características de cada um dos municípios a ela pertencentes.

TABELA 11 – INDICADORES SOCIAIS DA MESORREGIÃO SUDESTE DO PARANÁ (2000-2010)

Indicador / Município

Índ. Gini domiciliar per

capita (2010)

IDHM (2010)

IDHM Educação

(2010)

Taxa de Analfabetismo

(% - 2010)

Pobreza (% - 2000)

IDHM Longevidade (anos - 2010)

Antônio Olinto 0,51 0,66 0,28 6,83 47,58 74,49

Bituruna 0,499 0,67 0,38 8,07 32,99 74,72

Cruz Machado 0,546 0,66 0,33 5,88 41,74 75,67

Fernandes Pinheiro 0,551 0,65 0,32 9,91 46,66 72,48

General Carneiro 0,487 0,65 0,37 9,87 32,91 73,95

Guamiranga 0,462 0,67 0,31 7,36 49,14 73,26

Imbituva 0,519 0,66 0,32 5,84 34,62 74,66

Ipiranga 0,536 0,65 0,31 7,62 34,49 74,66

Irati 0,493 0,73 0,47 4,56 27,35 75,11

Ivaí 0,509 0,65 0,34 8,29 38,11 72,48

Mallet 0,474 0,71 0,43 3,27 30,44 73,54

Paula Freitas 0,610 0,72 0,41 5,25 33,40 75,79

Paulo Frontin 0,527 0,71 0,41 3,69 29,75 73,34

Porto Vitória 0,449 0,69 0,39 6,04 28,29 72,78

Prudentópolis 0,478 0,68 0,36 7,90 43,14 73,40

Rebouças 0,522 0,67 0,37 6,85 41,31 73,82

Rio Azul 0,638 0,69 0,35 4,17 32,62 74,14

São João do Triunfo 0,500 0,63 0,29 7,84 46,99 73,08

São Mateus do Sul 0,509 0,72 0,47 3,84 31,04 75,29

Teixeira Soares 0,516 0,67 0,38 5,50 34,24 74,32

União da Vitória 0,488 0,74 0,56 4,04 18,41 75,20

SUDESTE 0,515 0,68 0,37 6,32 35,96 74,10

PARANÁ 0,542 0,75 0,55 6,28 20,87 74,80

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do IPARDES, 2013.

É possível constatar a partir da tabela que, considerando os aspectos relacionados, excetuando-se o Índice de Gini, que demonstra a existência de uma distribuição relativamente equitativa de renda em relação à média estadual, há uma grande disparidade social entre os municípios da região Sudeste. Para citar, nenhuma cidade superou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal médio calculado para o Paraná e somente União da Vitória teve aproveitamento melhor do que o Estado no tocante à educação e à taxa de pobreza. Ademais, comparando ainda à média estadual, metade dos municípios possui uma taxa de analfabetismo inferior e apenas 75% uma expectativa de longevidade menor.

Como se percebe, boa parte das cidades registraram índices ruins em confronto com os padrões paranaenses. Destacam-se nesta análise os municípios de Fernandes Pinheiro, São João do Triunfo, Ivaí e Guamiranga, sendo este último o que detém o mais alarmante índice de pobreza da região, adstrito a quase 50% da população.

Há, por outro lado, outros municípios como São Mateus do Sul, Irati e União da Vitória que se destacam por apresentarem resultados bastante positivos em relação aos mesmos indicadores. União da Vitória, por exemplo, apresentou o melhor IDHM e IDHM- Educação, a menor taxa de pobreza e a quarta menor taxa de analfabetismo da mesorregião.

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 74-78)