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MÉTODOS DE CÁLCULO

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 60-66)

classificação socioeconômica mais baixa, que recebem apoio da assistência estudantil, apresentam elevados índices de conclusão.

Ainda que os autores como Palharini (2004) tenham diagnosticado que a evasão está interligada de modo primordial a fatores internos às IES, a revisão literária acerca do tema mostra que o fenômeno tem ocorrido tanto quanto em função das peculiaridades individuais dos evadidos.

Salienta-se, por fim, que esta apresentação e análise sustentada de fatores determinantes do processo de evasão discente das IES não é exaustiva e tampouco pretende esgotar o tema, inclusive porque é muito provável que outros aspectos, relacionados aos próprios acadêmicos ou às IES, e na dinâmica da evolução estudantil, possam ascender a partir do aprofundamento do trabalho na sua prática.

Entretanto, Instituições que não possuem um sistema específico de gerenciamento acadêmico para aferir certos índices, como o de evasão, podem utilizar-se de métodos especificamente criados para este propósito.

Ramos (1994, apud COMISSÃO ESPECIAL, 1996, p. 27-29) apontou três procedimentos distintos para se aferir os índices de evasão. O primeiro desses métodos é denominado "Tempo-Médio", e expresso pela seguinte equação:

Sendo:

NVPv = número de vagas preenchidas no vestibular nos anos correspondentes ao tempo médio de conclusão do curso; e

NAV = número de alunos vinculados nos anos correspondentes a esse tempo médio.

Um segundo método é o de "Quase-Fluxo", que estabelece a comparação entre vagas preenchidas no vestibular e o número de alunos vinculados em cada ano do tempo médio do curso, método semelhante ao adotado pelo MEC.

Por último, Ramos apresenta o método de “Fluxo de estudantes” ou

“Acompanhamento de estudantes” que leva em conta o ingresso, retenção e saída de alunos por ano de ingresso na instituição. No levantamento de evasão de curso, considera-se a série histórica de dados sobre uma geração/turma de alunos ingressantes e o tempo máximo de integralização curricular. São identificados como evadidos do curso os alunos que não se diplomaram neste período e que não estão mais vinculados ao curso em questão. Deste modo, o cálculo de evasão se expressa por:

Onde:

Ny é o número de ingressantes;

Nd é o número de diplomados; e Nr é o número de retidos.

Evasão=NVPvNAVNVPv ∗100

Evasão=NyNdNrNy ∗100

Já Souza (1999, p. 50-51), considerando a existência de três formas diferentes de evasão discente nas IES, isto é, a evasão no curso; a evasão na Instituição em que frequentava o curso, e a evasão das Instituições de Ensino Superior como âmbito geral, criou diferenciadas fórmulas para a identificação dos índices de evasão na graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para a evasão nos cursos de graduação adotou-se:

Onde:

IEC = índice de evasão no curso;

IGP = total de ingresso das gerações pesquisadas; e FGP = formandos das gerações pesquisadas.

A evasão nas Instituições onde era cursada a graduação abandonada, por sua vez, exprimiu-se do seguinte modo:

Sendo:

IEI = índice de evasão na Instituição;

IGP = índice das gerações pesquisadas;

FGP = formandos das gerações pesquisadas; e

TIGP = transferências internas das gerações pesquisadas.

Por conseguinte, a definição acerca do método de saída sem conclusão, do sistema de Instituições de Ensino Superior, estipulou-se conforme a fórmula descrita na sequência.

Em que:

IEIES = índice de evasão das IES;

IEC=IGPFGPIGP ∗100

IEC=IGPFGPTIGP

IGP ∗100

IEC=IGPFGPTIGPTEGP

IGP ∗100

IGP = índice das gerações pesquisadas;

FGP = formados nas gerações pesquisadas;

TIGP = transferências internas nas gerações pesquisadas; e TEGP = transferências externas das gerações pesquisadas.

Nacionalmente, o que se percebe, é que não há uma padronização do conceito e tampouco pode haver do método de cálculo da evasão, razão pela qual são utilizadas regras distintas para cada caso ou Instituição. O que sustenta isto é a descrição emanada na Carta de Uberlândia (FORGRAD, 2012, p. 5) de que “o MEC e as IES têm visões distintas sobre o conceito de evasão, considerando que as Universidades vivenciam o problema.” Além disso, o documento sugere que “Há a necessidade de definir indicadores e metodologias para aferir evasão, de modo que os conceitos de micro, meso e macro-evasão sejam formalmente uniformizados.” (Ibid).

Mais recentemente o Instituto Lobo adotou, em todos os seus estudos e cursos, fórmulas que consideram como base a evasão do conjunto dos cursos, inclusive para analisar a evasão do sistema e por organização acadêmica, região, área de conhecimento e de cada curso.

Suas fórmulas permitem o cálculo da evasão a partir dos valores apresentados nos Censos da Educação Superior Brasileira, dados públicos e oficiais. Para realizar o cálculo e estimar a evasão anual do sistema, das IES e dos cursos, com dados agregados (exatamente e exclusivamente aqueles oficialmente disponibilizados) utiliza-se a taxa de permanência (ou seja, se calcula o número de alunos que permaneceram no curso, do qual se extrai a taxa de permanência na IES e no sistema) com a seguinte fórmula:

Sendo:

P = Permanência;

M(n) = matrículas num certo ano;

Ig(n) = novos ingressantes (no ano n);

M(n - 1) = matrículas do ano anterior a n; e

Eg(n - 1) = egressos (ou seja, concluintes) do ano anterior.

P= Mn−Ign

Mn−1−Egn−1

Na sequência, o índice de evasão, ou abandono anual, pode ser obtido a partir da subtração entre o total da amostra e o valor da taxa de permanência, multiplicado por 100, ou seja, por meio da correlação:

Já o cálculo da evasão anual, considerando somente os indicadores agregados de matrículas, ingressantes e egressos, pode ser feito como:

Sendo:

E = Evasão;

M2 = matrícula correspondente a um determinado ano (ano 2);

I2 = número de ingressantes no ano 2;

M1 = número de matrículas no ano anterior (ano 1);

C1 = número de concluintes no ano 1.

Segundo Silva Filho e Lobo (2012) e Lobo (2012), a fórmula, adotada em todos os estudos e cursos do Instituto Lobo, é a mais usada internacionalmente e considerada a mais correta para realizar os cálculos da evasão nacional no ensino superior brasileiro.

O Instituto Lobo tem adotado, em todos os seus estudos e cursos, para realizar os cálculos da Evasão Nacional no Ensino Superior Brasileiro, a fórmula que considera mais correta, ou seja, toma como base a Evasão do Conjunto dos Cursos, inclusive para analisar a Evasão do Sistema e por Organização Acadêmica, Região, Área de Conhecimento e de cada Curso (SILVA FILHO; LOBO, 2012, p. 1).

O método usado pelo Instituto Lobo abrange todos os ingressantes, seja por processos seletivos ou por outros processos, e considera também, os estudantes que estão ingressando em outro curso da mesma IES, estão se transferindo de uma IES para outra, além de outras formas de ingresso, como segunda graduação, por exemplo.

Evasão=1−P 100

E=1−M2I2

M1C1

Para o cálculo de evadidos da Instituição a entidade faz uso de outra fórmula, a qual desconta do total de ingressantes o número de estudantes que mudaram de curso, mas não de IES (ITC). Apresenta-se, então, o método de cálculo como:

E quando se leva em conta a evasão com a saída do estudante do sistema de ensino superior, o Instituto subtrai dos ingressantes o número de estudantes que mudou de IES, por transferência (ITIES), passando a usar a fórmula a seguir:

Vislumbra-se, desta maneira, três possibilidades de cálculo passíveis de diagnosticar a evasão mediante critérios ligeiramente distintos, de acordo com o interesse apontado, sendo a evasão de cursos, a evasão de IES e a evasão do sistema estudantil superior.

Apesar da diversidade de técnicas de separação de dados e de fórmulas para o cálculo da evasão que possam existir, o mais importante, de acordo com Silva Filho e Lobo (2012), é adotar um critério e metodologia que não varie significativamente no tempo para que todos possam, de forma transparente e com a metodologia e critérios adotados de conhecimento público, quaisquer que sejam eles, acompanhar a evolução no tempo dos resultados identificando as tendências históricas do fenômeno sem riscos de erros substanciais.

É plausível salientar, no entanto, que embora tais fórmulas permitam a mensuração dos índices evasivos, elas podem deixar de caracterizar valores estritamente fiéis, haja vista os pormenores existentes no processo, como os correlacionados por Gomes (1998). Dentre eles, o autor cita a falta de formalização da desistência, por parte do estudante, que “abandona a universidade e o curso no qual está matriculado sem maiores delongas”, ou mesmo a impossibilidade de “certeza da evasão (...) após o término do período máximo para conclusão do curso (em média, 80% mais que o período mínimo de conclusão)[, o que] ocorre após 7, 8 ou 9 anos (GOMES, 1998, p. 81).

E=1−M2I2ITC2

M1C1

E=1−M2I2ITC2ITIES2

M1C1

No documento universidade do vale do itajaí – univali (páginas 60-66)