as narradoras não reconheceram a instância do privado tão importante quanto o público e suas ações tão legítimas quanto qualquer militante de esquerda ou de gênero? Foi a partir do feminismo que elas passaram a se ver como seres políticos?
germinar uma forma de expressão que apontou para sua persistência e luta.25
Durante as entrevistas procurei, então, respeitar os momentos mais difíceis de homens e mulheres, além de suas opções narrativas. Estava diante de narradores-sujeitos, não de objetos, e considerei que cada um deles deveria escolher o que contar e como contar. Foram poucas as perguntas de corte que fiz enquanto conversávamos, pois me preocupei mais em perceber que temas em comum emergiriam das falas: como a memória coletiva estaria entrelaçada pelas memórias individuais.
No início da conversa pedia a cada um para se apresentar e contar sua trajetória até o ano de 1968, assim como relatar sua experiência após a greve de Osasco. Alguns estímulos serviram para compreender melhor a relação das histórias individuais com o contexto social e com as outras narrativas, mas foram poucas as intervenções, pois as narrati- vas eram espontaneamente construídas com fluidez. Para os homens, temas como protagonismo, liderança, coragem, sacrifício e revolução estiveram sempre presentes e valorizados, como fruto de uma grande negociação entre eles. Por isso, tive curiosidade de perguntar-lhes sobre o medo ou sobre sua família, do que muitas vezes eles desviaram. Quan- do percebi que silenciavam demais sobre as mulheres, questionei sobre a presença delas.
As colaboradoras, mesmo quando militantes políticas, trouxeram em seus testemunhos a lógica do afeto e suas ações performáticas, revelando o que Luc Capdevilla (2001) nomeou de “jogos de gênero”.26 Quando comecei o processo de entrevistas com elas achei que encon- traria vítimas e me deparei com pessoas que não se resignaram; fize- ram o ordinário tornar-se extraordinário, a partir da suposta fragilidade feminina. O afeto e o amor à vida tornaram-se história nas palavras da
25 Quero dar a este termo um peso maior do que o relato ou narração. Pensando no que Meihy (2010) e Marcelo Selingmann (2001) definiram como história oral tes- temunhal e trauma, respectivamente, o testemunho foi aqui considerado enquan- to “tocar na ferida”, a partir do que se presenciou ou se ouviu; envolveu mais com- prometimento com “certa verdade” dolorosa.
26 Jogo de gênero seria a expressão usada por Luc Capdevilla para se referir ao exa- gero em certas cara cterísticas consideradas femininas, que ele percebeu na atua- ção das Madres de la Plaza de Mayo, na Argentina. Para ele, seriam táticas das mulheres para conseguir atingir objetivos políticos na relação com o poder.
maior parte delas, que só na aparência pareceram aceitar sua condição no mundo dos homens. Elas se recolocaram na vida de seus companhei- ros, ultrapassando-os. Interessei-me por essa postura, procurando en- tender que papéis assumiram para se inscrever no mundo dos homens e que identidade feminina construíram a partir daí. A fragilidade seria uma identidade que significa ou um papel que se assume como sub- missão para justamente subverter?
Entrevistados e entrevistadas refizeram os caminhos de acordo com a importância e os significados que atribuíram a eles em suas vidas:
mostraram suas convergências e dissonâncias com relação à greve; con- taram sobre a especificidade de Osasco diante do cenário nacional; so- bre a Igreja e a luta armada; a prisão e a tortura e o exílio. Elas busca- ram marcar sua presença como mediadoras e protetoras; defensoras dos presos e exilados; lembraram de seus mortos e de como mobiliza- ram família e vizinhos. Elas deixaram claro que não é possível manter o controle sobre as narrativas, pois ela é fruto, sempre, da negociação e da vontade de criar imagens de acordo com o presente vivido.
Os testemunhos orais são considerados, por muitos historiadores, fontes incompletas ou meras ilustrações de informações escritas, como foi possível observar em trabalhos já produzidos sobre a greve de Osasco.
Sabe-se da recepção ainda resistente a este tipo de prática por parte da Universidade, espaço privilegiado da competência, moldada por nor- mas e procedimentos metodológicos baseados prioritariamente em do- cumentos escritos. Os relatos de boa parte dos operários – exclusiva- mente homens – foram utilizados para confirmar ou complementar as informações que os documentos como jornais e atas oficiais já traziam.
Entendo que as narrativas não foram uma forma de ampliar a informação sobre os acontecimentos em Osasco, não ficaram restritas ao tempo cronológico, ao evento explicado, como se “tapassem bura- cos” ou lacunas que outros documentos ou interpretações não dessem conta. Foram histórias construídas em torno de pessoas, por pessoas.
Como disse o historiador Paul Thompson (1992), revelaram uma for- ma de “lançar a vida para dentro da própria história”, abordando a sin- gularidade de cada narrativa, tecida numa teia de muitas vidas que se cruzaram.
Registrar as experiências de narradores, dar nome aos indivíduos, antes ignorados, figurantes, esquecidos, coadjuvantes, tem como mérito
ampliar a pluralidade social, as vozes, os entendimentos sobre o sentir e o experimentar, sobre o próprio sonho. Permite também explicitar melhor a posição política do pesquisador, a sua própria subjetividade, antes negada nos trabalhos historiográficos. O significado das falas não é entendido com algo fixo nem tradução do real, e sim construção, fru- to do processo dialógico, humano, assim como ocorre com outras fon- tes historiográficas escritas ou iconográficas.
O narrador concebe sua versão como testemunho verdadeiro, pois testemunhar não é apenas relatar o que se vivenciou ou que se viu; é construir discurso factual, emocional e interpretações. O testemunho, afirmou Michael Pollak (1989), vincula-se à construção de uma identi- dade. Quando se pretende falar de uma experiência, aborda-se a ação na qual os sujeitos se engajaram, participaram, sentiram e que avalia- ram e reformularam, muitas vezes coletivamente. Tratam-se de ações e sentimentos, e de reflexão sobre eles, com suas múltiplas tempora- lidades, continuidades, rupturas, consensos e dissensos. Reafirmando a ideia, ressalto a fala de Alessandro Portelli:
O principal paradoxo da história oral e das memórias é, de fato, que as fontes são pessoas, não documentos, e que nenhuma pessoa, quer decida escrever sua pró- pria autobiografia [...] quem concorde em responder a uma entrevista, aceita reduzir sua própria vida a um conjunto de fatos que possam estar à disposição da filosofia de outros [...] não só a filosofia vai implícita nos fatos, mas a motivação para narrar consiste preci- samente em expressar o significado da experiência através dos fatos: recordar e contar já é interpretar. A subjetividade, o trabalho através do qual as pessoas constroem e atribuem o significado à própria experi- ência e à própria identidade, constitui por si mesmo o argumento, o fim mesmo do discurso. Excluir ou exor- cizar a subjetividade como se fosse somente uma fas- tidiosa interferência na objetividade factual do teste- munho quer dizer, em última instância, torcer o signi- ficado próprio dos fatos narrados.” (PORTELLI, 1996, p. 60)
As narrativas são um processo de recontar contínuo, a luta contra a dissolução e a fragmentação do tempo. No caso das mulheres e dos homens de Osasco, são a batalha individual e coletiva contra o silen- ciamento imposto pelo regime militar num momento em que a disputa pela memória ganha mais força, com a criação da Comissão da Verda- de, pela presidenta Dilma em 2012. Vive-se um momento de gravidade, de expor as dores e, ao mesmo tempo, o tempo ucrônico do sonho, do futuro, do “se”. Quando ex-operários e estudantes, suas esposas, irmãs, sobrinhas e amigas compartilham a memória em comum, abrem-se fronteiras nas escolhas do que deve ser lembrado e dito, o que se quer deixar conhecer para o grupo de pessoas dispostas a serem ouvintes. A colônia divide o sentimento de que se o possível não aconteceu – a bus- ca pela justiça, pela democracia e pela igualdade – ainda há de se reali- zar. O sentido das narrativas sobre a greve de 1968 é vitorioso, mesmo que esta tenha sido no final reprimida. Se homens e mulheres foram, naquele momento, perseguidos, presos, ignorados, calados, a ucronia e o desejo sustentam a esperança e apontam para o futuro. O que não fizeram pode ser feito por eles e por outros. Registrar o desejo, petrificá- lo na escrita, parece ampliar a sua força. O registro, pedra que resiste ao tempo, que não dá conta da memória e dos testemunhos, e que os cris- taliza momentaneamente, torna as palavras escritas um presente ao público, àqueles que viverão para além da memória do narrador e que também se tornarão testemunhas enquanto ouvintes de uma história que não viveram.
O trabalho com testemunhos traz muitos desafios, pois não é fácil registrar sem perder o conjunto simbólico da expressão: interdições, gestos e olhares. É preciso respeitar o direito ao esquecimento, ao silên- cio, com delicadeza. Na relação entre escutador e narrador estabelece- se uma simetria, pelo fato de que não se sabe quase nada sobre o que o outro tem a dizer. Desse encontro nasce a fonte oral vertida em escrita, construída conjuntamente pelo narrador e pelo pesquisador. Descobre- se que o entrevistador é um aprendiz e, como escutador, precisa parti- lhar a dor do outro, o seu testemunho, e se permitir conhecer. É mais do que a relação fria com um documento escrito.
A dor vivida por muitos operários, estudantes e donas de casa, homens e mulheres, decorrentes da repressão à greve e ao ingresso de alguns na luta armada – a perda de parentes, o trauma da tortura, a
solidão do exílio – é muito grande para ser narrada sozinha. Narrar não é só reeditar o sofrimento, mas compartilhá-lo, o que significa doar ensinamentos e interpretações a fim de clarear injustiças e responsabi- lidades. Considero que trabalhar com narrativas seja mais do que uma conversa. É relação de cumplicidade.
O fato de os testemunhos serem frutos diretos da experiência não apresenta o sentido de que sejam mais verdadeiros ou mais legítimos do que os documentos escritos. Para Paul Tompson, a gravação dos re- latos é um documento mais fidedigno e completo do que qualquer re- gistro escrito e oficial, e cabe ao historiador “enfrentar esse tipo de teste- munho não com uma fé cega, nem com um ceticismo arrogante”, mas com “espírito sensível” para compreender a verdade simbólica dos fatos narrados por “fontes vivas que, exatamente por serem vivas, são capazes, à diferença das pedras com inscrições e pilhas de papel, de trabalhar conosco num processo bidirecional” (THOMPSON, 1992, p. 195-196).
O aspecto da bidirecionalidade entre entrevistador e entrevistado levantado por Thompson desloca a direção da pesquisa, o conceito de objeto e de verdade, pois ela se torna mais humana e dinâmica, sem tornar as narrativas mais ou menos verdadeiras, ou imparciais, do que outros registros. Repletas de subjetividade – e, portanto, parciais – as nar- rativas da colônia de Osasco, presentificadas pelas expectativas do pes- quisador e do narrador, devem ser compreendidas em seus significados, sua performance e sua leitura sobre o passado, e não como detentoras da garantia de verdade sobre o que teria sido a greve ou a ditadura no ano de 1968 e suas decorrências. No testemunho, é possível observar o conteúdo da história e o seu sentido para o narrador, sua relação com a comunida- de de destino, com a colônia e as redes, e com o tempo presente. Teste- munhar sobre esse evento tornou-se “dever de memória”, busca pela tomada do espaço político e simbólico da cidade, valorizando as experi- ências daqueles que foram silenciados por tantos anos, quase como um ritual terapêutico, capaz de amenizar ou curar os traumas sofridos.
Beatriz Sarlo, ao tratar dos testemunhos de perseguidos políticos na Argentina, em seu livro Tempo Passado: cultura da memória e gui- nada subjetiva (2007), considerou que não há qualquer equivalência entre o direito de lembrar e a afirmação da lembrança como verdade.
Para ela, o trabalho com testemunhos, com as histórias na primeira pessoa, é ingênuo, pois reserva à memória “uma verdade da lembrança”,
quando não é possível confiar na ideia de que a narrativa possa preen- cher o vazio de explicar e compreender a história. Isso poderia dar ori- gem ao “abuso da memória”, procurando valorizar e equivaler os relatos ao papel da história. É preciso deixar claro, no entanto, que a memória e a história não se confundem – embora estejam intimamente conectadas.
A primeira não é sistemática e racional; é vida e continuidade. Isso não impede que no momento da análise haja distanciamento para identifi- car nervuras, resistências, valores, discordâncias e convergências nos relatos orais e que não se possa buscar uma compreensão mais ampla da sociedade em que esses sujeitos estiveram e estão envolvidos.
O que se colocou de diferente no diálogo com esses sujeitos foi uma nova e também válida forma de construir o conhecimento e as fontes históricas: a proposta de uma ciência engajada, que perceba o agir humano no fazer-se histórico, com a pluralidade de práticas, co- nhecimentos, emoções e percepções. Usar o trabalho com a história oral testemunhal para escutar o que o outro tem a dizer e, se necessário, produzir transformações no presente. Os entrevistados não foram con- siderados objetos, nem atores, nem depoentes, fugindo ao tratamento técnico que muitos trabalhos acadêmicos dão aos relatos de vida. Quan- do fiquei frente a frente com as pessoas que aceitaram expor sua subje- tividade, suas perdas e fracassos – como as mulheres presas ou que vi- ram seus esposos serem levados, sentindo-se abandonadas; ou os operá- rios e estudantes que foram torturados e humilhados; ou ainda a dor feminina de “nada saber” e ter que descobrir o mundo para perceber a si mesma – compreendi porque elas não poderiam ser tratadas como simples objetos a serem estudados. No relato, não houve informantes.
Trataram-se de colaboradores, como defendeu Meihy (2005), de um trabalho dialógico intenso e comprometido.
Co-labor-ação. Esse foi o sentido da prática em ouvir testemunhos de vida e ficou claro no diálogo com os membros da colônia osasquense:
mesmo quando já existiam as perguntas a serem feitas durante as en- trevistas, percebi a seleção pelos narradores do que iriam falar; esco- lhas de quem ou o que deveria ser lembrado: Gurgel declamou de cabe- ça um poema feito por ele para a greve; Teresinha cantou durante seu relato; Roque chorou ao falar de seu irmão morto; Ibrahin silenciou quando lembrou sua prisão e tortura; Risomar lamentou lembrar de sua amiga desaparecida. Não houve controle sobre seus testemunhos.
Mesmo quando entrevistava mulheres – o que nos aproximou e facilitou o diálogo e as negociações sobre a oralidade vertida em escrita – houve clareza de que não falávamos do mesmo lugar e, portanto, não éramos iguais. A empatia entre nós, o fato de sermos mulheres, ou tra- balhadoras, e o compromisso com o objetivo em comum de dar visibi- lidade à experiência vivenciada, aproximou-nos e colocou-nos em con- dição de igualdade. Ao mesmo tempo, não estávamos em campo neu- tro, pois éramos diferentes, carregávamos nossas subjetividades, inte- resses e expectativas. Como afirmou Portelli (1997, p. 23), “o campo de trabalho é significativo como o encontro de dois sujeitos que se reco- nhecem entre si como sujeitos, e consequentemente isolados, e tentam construir sua igualdade sobre suas diferenças de maneira a trabalha- rem juntos”.
A colaboração na construção da narrativa e do conhecimento não foi dada por uma condição de igualdade entre entrevistados e entrevistadora. A única igualdade foi aquela que nos colocou em posi- ção de mútuo desconhecimento e recíproca tentativa de controle sobre o processo: não vivenciei a memória do outro, ela não estava em mim, pulsando, viva, pois ela pertencia aos narradores. Como ouvinte, pude colaborar e mediar o registro da memória de expressão oral, reconhe- cendo a autoridade de quem falava para vetar, escolher e censurar par- tes de seu relato, utilizar os seus próprios termos e renegociá-los na transcriação, parte final do projeto de história oral que se concluiu com a validação do texto pelo narrador.
A transcriação, como definiu Meihy, ultrapassa a transcrição abso- luta da oralidade. Dá-lhe vida, sentido, beleza.
O texto produzido por entrevistas de história oral de vida é passível de tratamento literário. Neste sentido, não se trata de entrevista convencional. Aliás, é exata- mente aí que reside a diferença fundamental. O sofis- ticado processo chamado de transcriação se faz im- portante neste caso. E também se recomenda não con- fundir transcriação com edição no sentido jornalístico.
Enquanto transcriação implica ação criativa, reorde- nação dos fatores dados na entrevista, edição se limita a ação de correção menor. É lógico que transcriação
não admite invenção de situações, apenas propõe cla- reza na exposição. Porque a entrevista em história oral de vida é um meio, a fidelidade linguística torna-se relativa. Interessa realmente a lógica discursiva, a moral da história, o sentido ontológico da experiên- cia. (MEIHY, 2008, p. 147)
O registro escrito é incapaz de ser o duplo da fala, sua “tradução real”. Como Meihy, acredito que o texto escrito jamais poderá dizer fiel- mente o que o entrevistado quis dizer, porque tantas emoções, gestos e interditos se perdem. Daí a importância do texto recriado, a partir da validação do colaborador, que se vê no relato escrito. As entrevistas são entendidas como força pulsante, história viva e emocionante; e o regis- tro, validado pelos narradores, a luta pelo reconhecimento de suas ex- periências. Nesse sentido, trabalhar com testemunhos é escolha acadê- mica e política, pois entendo, como Paul Thompson e José Carlos Sebe Bom Meihy, que a pesquisa pode se tornar instrumento de mudança, na medida em que abre espaços de diálogo, ampliando o campo de investi- gação e modificando o olhar sobre os acontecimentos e a própria episteme.
Dessa forma, entendo que esse trabalho possa contribuir para elucidar fatos relativos à greve de 1968 em Osasco, preocupação já pre- sente em outros trabalhos, mas que o seu maior mérito seja mostrar que a história também se interessa pelo que os indivíduos sentiram, projetaram e pensaram ter feito, construindo a si mesmos pela memória coletiva; como são capazes de ressignificar o passado, dando sentido às suas vidas no presente e contribuindo para que, ao tomar conhecimen- to de experiências sob o regime autoritário, a sociedade brasileira possa também refletir sobre sua história.
A história oral é democrática, porque escuta e registra os relatos de um grupo que luta para se fazer ouvir, reivindica o direito de lem- brar, no cruzamento de tempos. Ao falarem sobre suas vidas, as pessoas que formaram a colônia de Osasco, relegadas ao esquecimento no jogo de forças por algum tempo, buscaram narrar e explicar os caminhos por elas percorridos, e contribuir para o debate que hoje se estabelece no país sobre “o direito à memória e a verdade”. Desejaram, ainda, pela linguagem, indicar soluções e aconselhar.
a greve de Osasco
Osasco foi o período de resistência.
José Ibrahin