Assim, uma das soluções é o uso de redes distribuídas de preserva- ção digital, como a sustentada pela Rede Cariniana.
Essa rede de serviços possui formas diferentes de adesão, com res- ponsabilidades e atuações diferentes, como os parceiros integrais, os institucionais, o colaborador individual e a instituição usuária. O Ibict é o coordenador geral, mas possui capilaridade que cobre todo o país, de forma a se tornar a rede de preservação digital nacional.
Além disso, a Rede Cariniana também possui seu periódico científico, a Revista Brasileira de Preservação Digital, nesse caso, sob a adminis- tração da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Nessa gestão, ainda merece destaque a procura pela internaciona- lização das ações desenvolvidas no instituto, tendo sido criado o Seminário Hispano Brasileiro, inicialmente em parceria com a Uni- versidad Complutense de Madrid. Atualmente, esse evento está em sua décima edição, contando com a participação de diversas outras universidades ibero-americanas.
Por fim, com a visibilidade conseguida nessa gestão, o Ibict passou a atuar no Programa Informação para Todos, do MCTI, vinculado ao Information for All Program (Ifap), criado pela Unesco em 2000. Em vista disso, os colaboradores do Ibict podem apoiar as discussões internacionais sobre o tema, coordenando comitês do IFAP no Brasil, em busca de ofertar acesso amplo à informação.
Com esses exemplos de resultados das duas gestões do professor Emir como diretor do Ibict, pode-se ter noção da importância da es- tabilidade para o desenvolvimento dos programas e projetos na ins- tituição. Graças a ela, o Ibict pôde evoluir com os produtos e serviços existentes e criar novos, da mesma forma que pôde alçar voos mais altos e longos, com a certeza de ter apoio por um tempo maior.
estrutura regimental, criando o Sistema de Bibliotecas da Universidade de Brasília, com participação nos diversos conselhos universitários, no- tadamente considerando a expansão da universidade e a criação dos campi de Planaltina, Ceilândia e Gama, cada qual com uma biblioteca.
O período de direção da BCE foi produtivo, com a publicação dos livros Aprendizagem Organizacional: o Impacto das Narrativas, pela Editora Appris, em parceria com Valério Brusamolin, e Cultura da Informação:
os Valores na Construção do Conhecimento, pela Editora CRV, juntamen- te com Cecília Leite. Tudo isso sendo feito enquanto dava continuidade às atividades de orientação no Programa de Pós-graduação em Ciên- cia da Informação e à participação em eventos científicos.
Em 2020, o professor Emir foi convidado para ser o diretor do De- partamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, com desafios ante aos problemas conhecidos em relação às bibliotecas públicas brasileiras e que se tornaram maiores com a perda de espaço decorrente da incorporação do Ministério da Cultura ao Ministério do Turismo.
Nessa gestão, uma das prioridades foi atuar na Biblioteca Demons- trativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB), situada em Brasília. Essa biblioteca fechou por problemas estruturais em 2014, um impacto na vida cultural da cidade, visto que é a biblioteca pú- blica mais antiga de Brasília. No entanto, devido à pandemia, a BDB teve as atividades retomadas aos poucos, sendo que, no início de 2021, voltaram a serem realizadas virtualmente.
Vê-se diante disso, que a contribuição do professor Emir após a di- reção do Ibict, fora a vida acadêmica, pode ser verificada nas ações da gestão da Biblioteca da UnB e do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, assim como no alinhamento pessoal, acadê- mico e profissional na gestão de unidades administrativas voltadas a bibliotecas, em que a questão social e humana se prioriza.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um ponto interessante é que Emir ou também Amir, em árabe, é um título dado a um chefe, ou mesmo um príncipe, ou seja, uma pessoa
que conduz o seu povo, tanto que, alguns países são chamados de Emirados para indicar um estado comandado por um Emir. Assim, pode-se dizer que o nome condiz com a pessoa, visto a liderança nata do professor Emir, que, pela sua história pessoal, acadêmica e profis- sional se mostra realmente um EMIR.
O site do Ibict, ao relatar a sua própria história, menciona a orientação do instituto a partir de 2005, início da gestação do professor Emir.
Consta, nesse relato, que o Ibict ampliou a sua atuação ao abranger outros segmentos da sociedade carentes de informação organizada na web e que ainda não fazia parte da sua comunidade de usuários, ponto que revela a orientação humana e social que o professor impri- miu na condução do instituto.
Essa visão social gravada no Ibict pode ser vista no Programa de Inclu- são Social, nas ações de letramento informacional e outras, que apoiam as políticas públicas voltadas ao campo social, notadamente no que diz respeito à implementação de ações diretas no campo da aprendizagem informacional e digital, como registra o seu site. Essa visão humanística manteve-se na gestão seguinte, capitaneada pela diretora Cecília Leite de Oliveira, grande discípula do professor Emir.
Assim, o legado deixado por esse diretor no Ibict mantém-se vivo por intermédio da orientação humana e social, dos resultados obtidos nos programas e projetos. Como um verdadeiro Emir, condutor de um povo, o professor deixou lições que estão presentes em todos os co- laboradores que conviveram com ele e, por tabela, nos que chegaram depois de sua passagem pelo instituto, uma vez que o Ibict se mantém na orientação, com inúmeras inovações das novas gestões.
REFERÊNCIAS
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Como citar o capítulo:
SHINTAKU, Milton. Emir José Suaiden: período de 2005 a 2013. In: CUNHA, Daniela A. P. (org.). Ibict 70 anos: um resgate histórico daqueles que fizeram o instituto. Brasília, DF: Ibict, 2023. Cap. 10, p. 180-195. DOI:
10.22477/9786589167457.cap10 .