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Marisa Bräscher Basilio Medeiros é professora e pesquisadora com só- lida carreira e importante contribuição para a ciência da informação.

Além da docência e da pesquisa, ela ocupou importantes cargos de

gestão não só no Ibict, como também sendo coordenadora de área para as Ciências Sociais Aplicadas 1 – antigo nome da área de Comuni- cação e Informação –, na Coordenação de Acompanhamento de Pes- soal de Nível Superior (Capes), e foi presidenta da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB).

Graduada em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB) no ano de 1980, Marisa Bräscher seguiu direto para o mestrado, duran- te o qual foi orientada pelo professor doutor Ulf Gregor Baranow. Na época, os mestrados duravam quatro anos e eram majoritariamente orientados por professores doutores estrangeiros, que vinham ca- pacitar as futuras mestras e mestres em Ciência da Informação. Sua pesquisa, intitulada Terminologia Brasileira da Ciência da Informação (MEDEIROS, 1985), defendida em 1985, foi agraciada com o Prêmio Rubens Borba de Moraes, oferecido pela Associação dos Bibliotecá- rios do Distrito Federal (ABDF).

Para seu doutorado, Marisa escolheu pesquisar automação e recu- peração da informação. Ela iniciou sua formação em 1995, na UnB, sob orientação de Enilde Faulstich, e fez um período sanduíche de dois anos na Université de Nice Sophia Antipolis (França), sendo orientada por Henri Zinglé. Sua tese, intitulada Tratamento Automáti- co de Ambigüidades na Recuperação de Informações (MEDEIROS, 1999), foi defendida em 1999.

Em 2002, Marisa ingressou como docente na UnB e deu aulas nos cur- sos de Biblioteconomia na graduação e de Ciência da Informação na pós-graduação. Nessa época, seu interesse de pesquisa e ensino se voltava para as áreas de análise da informação, indexação e tesauros.

Já em 2011, Marisa Bräscher se mudou para Santa Catarina e iniciou sua docência na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) até sua aposentadoria, em 2019. Ela atuou na graduação em Biblioteco- nomia e na pós-graduação em Ciência da Informação, assumindo a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Infor- mação (PGCIN) da UFSC entre 2012 e 2014.

Ao longo de sua carreira acadêmica, Marisa Bräscher produziu9 40 artigos, 2 livros, 20 capítulos, prefácios ou traduções. Ela fez mais

9  Dados coletados do currículo Lattes de Marisa Bräscher em 8 de abril de 2022.

Disponível em: http://lattes.cnpq.br/8951909489273046 Acesso em: 8 abr. 2022.

de 50 comunicações em congressos, entre trabalhos publicados em anais e apresentações orais. Além disso, desenvolveu softwares e sistemas de organização do conhecimento, especialmente para produção de tesauros.

Marisa Bräscher tem em seu currículo10 49 orientações de trabalho de conclusão de curso (TCC), quatro orientações de Iniciação Cien- tífica (IC), 26 dissertações de mestrado, sete de doutorado, e uma supervisão de estágio pós-doutoral. Também desenvolve, desde 2004, diversos projetos de pesquisa sobre tesauros, ontologias, ta- xonomias e tratamento temático da informação. Ademais, ela é ava- liadora de diversos periódicos do campo, além de ser revisora de projetos de pesquisa nas principais agências de fomento nacionais.

Sua trajetória acadêmica é especialmente relevante para a área da organização do conhecimento e representação da informação.

Durante a pesquisa de mestrado, em 1982, Marisa Bräscher entrou para o Ibict como servidora tecnologista. Na chegada do novo mi- lênio, atuou como diretora adjunta por um ano, entre setembro de 1999 e setembro de 2000. Nessa capacidade, ela promoveu a refor- mulação do design tanto da logomarca do Ibict quanto da revista Ciência da Informação, entendendo-a como “[...] o produto mais tra- dicional do Instituto [...]” (MEDEIROS, 2000). Segundo ela, a nova re- presentação estética veio para acompanhar as mudanças nas Tecno- logias da Informação e da Comunicação aceleradas nesse momento.

Pouco tempo depois, Bräscher foi nomeada para a direção do Ibict, em novembro de 2002, cargo que ocupou até junho do ano seguinte.

Apesar das instabilidades no instituto e do pouco tempo de gestão, a ela se atribuem algumas importantes realizações, como o Sistema de Informação em Tecnologia Básica Industrial (Sistib) e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD).

O Sistib foi um projeto que propunha ser uma base na web que jun- tasse as ofertas e as demandas por tecnologias industriais no país.

Quando lançado, disponibilizava

[...] informação sobre aproximadamente 6 mil serviços de mais de 300 instituições ofertantes de serviços tecnológicos.

10  Dados coletados do currículo Lattes de Marisa Bräscher em 8 de abril de 2022.

Disponível em: http://lattes.cnpq.br/8951909489273046 Acesso em: 8 abr. 2022.

Oferece possibilidades de busca, bem como navegação em tabelas estatísticas por tipo de serviços, setores da indústria e região.” (SUAIDEN, 2007, p. 43).

Embora seu lançamento tenha sido realizado posteriormente ao término da gestão de Marisa Bräscher, ela teve papel essencial na definição do sistema.

Posteriormente, o Sistib deu origem ao site, existente até hoje, para armazenamento e disponibilização de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). A ACV é um estudo que avalia o impacto de um produto desde as origens, como a extração das matérias-primas até seu descarte e decomposição, sendo um importante vetor de soluções mais susten- táveis para a cadeia produtiva nacional.

Já a BDTD foi um projeto ousado e colaborativo, que teve diversas fases e contou com importante financiamento da Finep (SOUTHWI- CK, 2006). Inicialmente, em 2001, o Ibict formou “[...] um grupo de estudo para analisar questões tecnológicas e de conteúdo relacio- nadas com a publicação de teses e dissertações em texto integral na Internet.” (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2022).

Diversas instituições participaram dos trabalhos que tinham o obje- tivo de estabelecer um Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações (MTD-BR). A USP, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO) e a UFSC, membros do grupo de estudo que já estavam desenvolvendo seus repositórios digitais, participaram de um projeto-piloto para testar o padrão. Diante do sucesso da iniciati- va, foi lançado, em abril de 2003, o Sistema de Publicação de Teses e Dissertações (TEDE), testado em outras quatro universidades, sendo estabelecido como padrão nacional e que seria implantado em todo o território nacional na sequência. Mesmo sendo um projeto iniciado antes e continuado depois de sua gestão, Marisa Bräscher contribuiu amplamente para o desenvolvimento da BDTD.

A gestão de Marisa Bräscher, apesar de curta, foi importante para a articulação do Ibict com outras instituições. Ela participou de di- versos eventos do campo, amplificando a centralidade do instituto nas discussões sobre informação científica e tecnológica. Além disso, continuou participando da gestão do instituto mesmo depois, exer- cendo importante papel no planejamento estratégico da instituição

e na elaboração de seu Plano Diretor de 2011-2015 (INSTITUTO BRA- SILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2006).