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Em seus mecanismos de coordenação e padronização, assistência técnica e fomento, apoiou a produção de manuais, diretrizes e for- matos: Manual de Registro Bibliográfico; usos do formato CALCO;

criação do Escritório CALCO; desenvolvimento de macroterminologia para ciência e tecnologia; orientação para elaboração de serviços de alerta; desenvolvimento de tesauros; estudos para determinação de lista básica de periódicos nacionais e estrangeiros com vistas a um programa de aquisição cooperativa e planificada na área; software para a criação da base de dados nacional; e assegurou assistência técnica e fomento a todas instituições envolvidas nos programas.

Na quarta linha prioritária quanto à Cooperação internacional da área de ICT, o Ibict manteve a participação brasileira no Programa Geral de Informação da UNESCO, cooperou com instituições como:

Centro Nacional do ISDS (Sistema Internacional de Dados sobre Se- riados); Centro Latino-americano de Documentação Econômica y Social (CLADES)/Comission Economica para América Latina (CEPAL);

Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana; e como mem- bro nacional da Federação Internacional de Documentação e de sua sede na América Latina, além de receber apoio para o desenvolvi- mento da área de informação a nível nacional, principalmente por meio do projeto PNUD/UNESCO/CNPQ. Participou de Programas e Sistemas Regionais e Internacionais de ICT (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 1983a; 1984a; 1985).

Em função das mudanças de governo, Yone deixa a direção do Ins- tituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) em 1985, depois de alcançar avanços significativos no desenvolvimento das ações prioritárias definidas para o Ibict, especialmente como ór- gão central de coordenação de ICT no País.

Nesse mesmo ano foi convidada pelo Doutor Derblay Galvão, então assessor do secretário Paulo Elpídio de Menezes Neto, a integrar a equipe da Secretaria de Educação Superior, cuja missão foi formatar um planejamento para as bibliotecas universitárias, quando criou o PNBU (SANTOS, 2020).

Na sequência, de 1995 a 2003, o Programa de Informação e Comunica- ção para Pesquisa (Prossiga) foi concebido por Yone a convite do Pro- fessor Galízia Tundisi, então presidente do CNPq, onde o programa foi iniciado e assumido pelo Ibict, quando o diretor era José Rincon Ferreira.

Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBU)

Novamente, Yone mostra sua capacidade intelectual e inovadora quando idealiza e cria o PNBU, por meio da Portaria 287 de abril de 1986, 1º PNBU, no Ministério de Educação, e da Secretaria da Educa- ção Superior (SESU), que reconhece sua responsabilidade na função de coordenação da Política Nacional de Educação Superior para pro- mover a biblioteca universitária brasileira.

As atividades de planejamento do PNBU se desenvolveram em meio ao processo de redemocratização do País e do fortalecimento da pós- -graduação, o que refletiu positivamente nas bibliotecas universitá- rias, as quais passaram a organizar-se melhor (BRASIL, 1986; CHASTI- NET, 1990 apud DIOGENES, 2012; SANTOS, 2021).

A implementação do PNBU implicou em intensas atividades de Yone na articulação, planejamento e coordenação em níveis administrativo, político e técnico com diferentes instituições, e no acompanhamento, avaliação e elaboração de uma extensa documentação das atividades desenvolvidas pelo programa, reunida em três séries: documentos técnicos, documentos de planejamento e documentos do projeto/pro- grama de estudos técnicos, pesquisas e desenvolvimento de recursos humanos (PET) (GARCIA, 1991, p. 19- 22).

O PNBU integrou doze diretrizes e 46 ações, concentrou suas diretri- zes em seis principais áreas: 1) Planejamento - organizacional, finan- ceiro, de recursos humanos e físicos; 2) formação e desenvolvimento de coleções; 3) processamento técnico de documentos; 4) automa- ção de bibliotecas; 5) usuários e serviços; 6) atividades cooperativas.

Em 1989, onze das doze diretrizes do Plano já tinham sua implemen- tação efetivada por meio da realização total ou parcial de 31 das 46 ações que o integravam (CHASTINET, 1990; GARCIA, 1991, CUNHA;

DIÓGENES, 2016; SANTOS, 2021).

As ações mais evidentes e contínuas que o PNBU apresentou no perí- odo de 1986 a 1990 estão expressas nos seguintes projetos: Programa de Aquisição Planificada (PAP), Programa de Financiamento de Livros para cursos de graduação (BIBLOS), Programa de Estudos Técnicos, pesquisas e desenvolvimento de recursos humanos (PET); e, de certa forma, a decisão de apoiar a Rede Bibliodata, a Central de Duplicatas da Biblioteca Complementar de Engenharia (Bicenge) e o desenvolvi- mento do Curso de Especialização para Bibliotecários de Instituições de Ensino Superior (CEBIES) (GARCIA, 1991).

Após três anos de implantação, o PNBU apresentou resultados satis- fatórios, e o seu sucesso foi reconhecido por vários pesquisadores e especialistas da área, como Garcia (1991); Silva (2009); Carvalho (2004) citado por Silva (2009), Diógenes (2012), Santos (2020; 2021), Santos, Nunes e Araújo (2020), os quais o consideraram um marco importante de política pública nesse segmento, com impactos em várias esferas técnicas e de gestão, criado com ampla participação da comunidade, sob liderança de Yone.

Um dos aspectos mais notáveis do PNBU, conforme Garcia (1991), foi a forte articulação da coordenação do programa com os atores envolvidos, e um dos elementos mais decisivos na consolidação dos programas, projetos e propostas do PNBU foi o fato de ele abrigar e operacionalizar as iniciativas nas BUs, em diferentes instituições.

Recentemente, em tese defendida por Santos em 2020, sob o título de A Biblioteca Universitária Brasileira no Contexto do Desenvolvimento em Ciência & Tecnologia: Análise Histórica do Plano Nacional de Biblio- tecas Universitárias (PNBU - 1986), e em 2021, no livro de Santos Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias(PNBU): Uma Política de Moderni- dade para as Bibliotecas Universitárias Tecida na Segunda Metade do Século XX, a autora demonstrou a realidade histórica do PNBU, des- tacando o papel proeminente de Yone Sepulveda Chastinet como grande líder, que tomava para si ações de planejamento e, com sua criatividade e conhecimento na área de ciência da informação e C&T, ofereceu soluções a vários setores das bibliotecas universitárias.

Programa de Informação e Comunicação para Pesquisa