Antonio – assim mesmo sem acento – Lisboa Carvalho de Miranda, simplesmente Miranda para os mais íntimos e amigos, e professor Miranda para um sem-número de alunos e profissionais da biblio- teconomia e ciência da informação, poetas, escritores, literatos, co- lecionadores.
Nascido em Bacabal, no Maranhão, em 5 de agosto de 1940, migrou ainda jovem para o Rio de Janeiro com sua família – costuma dizer que sua família Pegou um Ita no Norte e foi pro Rio Morar7 —, onde construiu uma parte de sua vida como pessoa, estudante, profissio- nal e intelectual.
Homem de extraordinária cultura, escritor, poeta, escultor, coleciona- dor, viageiro com inúmeros países na bagagem – como visitante e, em outros, como residente –, é, ao mesmo tempo, um dos grandes ex- poentes da biblioteconomia e da ciência da informação nacional e in- ternacional. Possuidor de um humor sarcástico/irreverente e de uma sinceridade ímpar no falar e se expressar, consegue ser um grande amigo de seus amigos, um excelente conselheiro e incentivador da- queles que desejam conquistar um espaço profissional e intelectual.
Poeta, escreveu poemas em várias métricas e de várias formas, até chegar aos seus recentes poemas visuais. Criou, em 2008, o Portal da Poesia Iberoamericana (c2004), que, além de poesia, inclui outros tipos de obras literárias, de ciência da informação, e inúmeras outras informações relacionadas à ciência e à cultura. Estão relacionados, hoje, cerca de 9.070 poetas ibero-americanos – e alguns africanos e asiáticos de países lusófonos – com as suas principais poesias.
Recebeu vários prêmios e honrarias por sua produção poética, sen- do os principais o Maximum Cultus do programa Um Piano ao Cair da Noite, da Brasília Super Rádio FM, em 24 de abril; o da Academia Internacional de Cultura, em 2015; a Medalla de Oro en el Día del Poeta Peruano, cujo prêmio foi entregue por Pepe Vargas, em abril de 2013, em Lima, Peru.
7 Trecho da música Peguei um Ita no Norte, interpretada por Dorival Caymmi.
Escritor, compôs romances, peças teatrais premiadas internacional- mente, crônicas, artigos para jornais e revistas. Muitas vezes adotou heterônimos para suas obras, entre os quais Nirham Eros, Barão de Pindaré Jr. e Secret para testar experiências antes de torná-las públicas.
Nos anos mais difíceis da ditadura militar, exilou-se na Venezuela, onde fundou uma companhia teatral e criou um de seus mais pre- miados espetáculos: Tu País Está Feliz (MIRANDA, [2004?]).
Atualmente é membro vitalício da Academia de Letras do Distrito Fe- deral e da Associação Nacional de Escritores, tendo sido colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil; no La Nación, Buenos Aires, Argentina; e no Imagen, Caracas, Venezuela.
Em 1971, foi agraciado com o prêmio Festival Internacional Teatro, em Medellin, Colômbia, Municipalidad de Medellin, Antioquia e, em 1972, com o prêmio principal do Festival Latino-Americano de Tea- tro, Universidad de Puerto Rico.
Foi Hour Concours do Prêmio União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, Personalidade Literária e Artística por sua Brasilidade, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, em 2013.
Além da produção literária, é um dos mais profícuos autores nas áre- as de biblioteconomia e ciência da informação, com inúmeros livros, artigos e conferências proferidas nessas áreas.
Colecionador, possui uma das maiores coleções de cartões postais do mundo – mais de 100 mil peças –, que contêm relevantes informa- ções imagéticas históricas, culturais e antropológicas, principalmente do Brasil, em diferentes aspectos socioculturais, considerando, con- forme palavras de Miranda, que “o postal foi o meio de comunicação do fim do século 19 e início do século 20, prenúncio da internet no sentido da comunicação interpessoal”.
A coleção já foi usada em muitos livros e em estudos específicos;
grande parte foi digitalizada pelo Ibict e será recepcionada, em bre- ve, pelo IMAGO8, banco de imagens do Instituto.
Escultor, executou lindas peças modernas, em concreto e metal, in- clusive a escultura que adorna os jardins internos da Faculdade de Ciência da Informação (FCI) da Universidade de Brasília (UnB).
Professor, formou a base de incontáveis alunos, possibilitando-lhes o desenvolvimento de múltiplas competências profissionais, não só nas salas de aulas, mas também por meio de orientações de mestra- do e doutorado.
Hoje, já aposentado da vida acadêmica como professor, continua em plena produção intelectual contribuindo para as atividades profissio- nais na sua área de atuação, na literatura e na poesia.
O somatório de suas atividades, seu caráter, seu temperamento e, acima de tudo, seu compromisso com a sociedade e com aqueles que o cercam, fazem de Miranda uma figura extraordinária, um grande amigo e um homem excepcional.
FORMAÇÃO ACADÊMICA
Segundo relatos pessoais, Miranda frequentava no Rio de Janeiro, des- de a sua juventude, algumas bibliotecas públicas e, posteriormente, a Biblioteca Nacional, onde frequentou, durante um semestre, o curso de Biblioteconomia. Concluiu o curso na Universidad Central de Vene- zuela, em Caracas, em 1970, durante o período de seu autoexílio.
Em 1975, como bolsista da Loughborough University of Technolo- gy (LUT), na Inglaterra, concluiu o mestrado em Biblioteconomia.
8 MACÊDO, Diego José; BRASILEIRO, Ítalo Barbosa; SHINTAKU, Milton. IMAGO: uma proposta para o banco de imagens do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. In: WORSHOP DE INFORMAÇÃO, DADOS E TECNOLOGIA, 5., Espírito Santo, 5 e 6 dez. 2022. Anais [...]. Espírito Santo: UFES, 2022. p. 115-120. Dispo- nível em: https://widat2022.ufes.br/wp-content/uploads/2023/04/widat-2022-anais.pdf.
Acesso em: 23 fev. 2023.
A dissertação abordou o planejamento bibliotecário no Brasil, com o título Planning library information systems for Brazil (MIRANDA, 1975), e recebeu o prêmio Sisson & Parker, conferido pela LUT.
A dissertação deu origem ao livro homônimo – Planejamento Bibliote- cário no Brasil: a Informação para o Desenvolvimento (MIRANDA, 1977) – lançado em pela LTC Editora, e que foi muito utilizado pelos profis- sionais e alunos de biblioteconomia. Em 1987, concluiu o doutorado em Ciência da Comunicação na Universidade de São Paulo. A tese tratou do Acesso ao Documento Primário (MIRANDA, 1987), tema bas- tante relevante no Brasil e no mundo naquele momento.