• Nenhum resultado encontrado

ABORDAGEM METODOLÓGICA

sociais que acontecem na vida diária. Para a fenomenologia, a consciência é sempre o objeto para a consciência, e toda a consciência é consciência de alguma coisa. O corpo atribui significado ao sujeito e o sujeito atribui significado para o seu objeto, o corpo, a partir do seu sendo-no-mundo, que está ligado e religado às histórias de vida que fazem parte do cotidiano.

Sendo assim, a fenomenologia está diretamente ligada às experiências do dia-a-dia dos sujeitos e do seu mundo vivido, lugar que tem significados e que pode ser interpretado pelo próprio sujeito por meio das suas experiências. A fenomenologia faz uso da realidade cotidiana e dos significados das coisas.

Na fenomenologia nada é objetivo antes de ter sido subjetivo, os sujeitos participam dos fenômenos compreendendo, interpretando, dentro da esfera intersubjetiva. Dessa forma, o sujeito descreve o fenômeno, o discurso que posteriormente é transformado em expressões próprias que sustentam o que está sendo buscado, como os discursos psicológicos, educacionais e socais.

Para Merleau-Ponty (1999) a descrição fenomenológica compõe-se de três elementos: o primeiro é a percepção. O segundo elemento é a consciência que se dirige para o mundo vivido. E o terceiro elemento é o sujeito que se vê capaz de experimentar o corpo-vivido através da consciência.

Em relação ao primeiro elemento que é a percepção, utilizei a observação não participante para cumprir e realizar esse elemento na prática. Nesta etapa o pesquisador assume exclusivamente o papel de observador externo, não toma qualquer iniciativa no evoluir das situações que observa. Apenas, olha os detalhes nos comportamentos das professores/as no ambiente escolar, nos corredores, nas salas de aula e no pátio. Oobservador/ pesquisador permanecede longe sem fazer nenhum tipo de interferência no fenômeno vivenciado pelo grupo.Nesse sentido:

Na observação não participante, o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela: permanece de fora.

Presencia o fato, mas não participa dele; não se deixa envolver pelas situações; faz mais o papel de espectador. Isso, porém, não quer dizer que a observação não seja consciente, dirigida, ordenada para um fim determinado (LAKATOS E MARCONI 2003 p. 193).

Essa técnica que deve ser planejada, registrada a partir do contexto no qual a atividade está sendo realizada. A técnica é simples, mas a aplicação não é muito fácil, pois quem observa

precisa estar muito atento para não correr o risco de registar apenas questões corriqueiras, banalidades e curiosidades que deturpem a realidade, com julgamentos e pré-conceitos que podem contrariar o instrumento de pesquisa que possibilitao registro dos fatos que ocorrem em in loco.

A observação ajuda o pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. Desempenha papel importante nos processos observacionais, no contexto da descoberta, e obriga o investigador a um contato mais direto com a realidade. É o ponto de partida da investigação (...) (LAKATOS E MARCONI 2003.

p.190).

O registroda observação se deu onde e como aparece a sutileza do fenômeno subjetivo, no corpo.Este instrumento técnico de pesquisa oportunizou a percepção não verbal dos movimentos corporais das professoras no ambiente escolar. A observação aconteceu de maneira espontânea no cotidiano da escola, com o objetivo de registrar o que se revela nos comportamentos relacionados aos movimentos que envolvem sentimentos e emoções, afeto ou desafeto, cooperação ou indiferença, na relação com o outro. E também, na perspectiva da interação das professoras com seus/suas alunos/as, na leveza ou na rigidez das relações, no diálogo com o grupo, no pertencimento ou na indiferença dos assuntos locais, do lugar onde a escola está inserida, a comunidade.

O segundo elemento sugerido por Merleau-Ponty (1999), é a consciência, que se dirige para o mundo vivido. E para a pesquisa, a mesma se refere aos professores/as em relação ao desempenho profissional, como elas têm consciência do seu estar na escola, no seu fazer pedagógico, como esses/as se descrevem no espaço educativo. Esse elemento foi registrado através da entrevista semiestruturada que auxiliou a verificar a coerência com o observado anteriormente e o que foi falado posteriormente. Essa entrevista “[...]favorece não só a descrição dos fenômenos (...), mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade (...)” além de manter a presença consciente e atuante do pesquisador no processo de coleta de informações. (TRIVIÑOS, 1987, p. 152).

A entrevista semiestruturada paraTriviños (1987) se assemelha a questionários básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. As respostas das entrevistadaspodem gerar novas hipóteses para além das quais foram formuladas pela entrevistadora.

Na entrevista semiestruturada Gil (1999, p. 120) explica que “[...] o entrevistador permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto, mas, quando este se desvia do tema original,

esforça-se para a sua retomada”, para não perder o cerne das concepçõesdas perguntas realizadas. Nesta técnica, a entrevista deve ser realizada pelo pesquisador, pois requer conhecimento do assunto que está sendo perguntado para o entrevistado.

A entrevista semiestruturada foi realizada com seis professoras inseridas no contexto do cotidiano escolar. Esta aconteceu com três professoras no espaço pedagógico, na escola em que elas trabalham, sendo que as mesmas não realizam trabalho de autoconhecimento (terapia). E com mais três professoras que realizam o investimento em seu autoconhecimento, (fazem terapia).

As professoras foram entrevistadas a respeito da sua práxis pedagógica, no tocante a influência das marcas identitáriasno processo de ensino e da aprendizagem de seus/as alunos/as, correlacionandoao processo de consciência psíquica com as marcas subjetivas que constituem oEU, numa relação dinâmica entre a objetividade e o mundo real.

Investigar o contexto escolar/cultural vivido pelas professoras possibilitou compreender como estão inscritos os corpos em diferentes circunstâncias no espaço de trabalho que transportam histórias enxertadas de signos e de significados que formam os enredos de suas marcas historicamente constituídas, na escola e na relação com seus alunos/as.

Desse modo, na abordagem qualitativa da pesquisa utilizei de várias técnicas que forneceram subsídios para negar ou confirmar as hipóteses levantadas no início da investigação em torno dos Desenhos dos Movimentos Corporais das Professoras. Na qual propus pesquisar se os referidos desenhos têm implicações no processo de ensino aprendizagem dos/as alunos/as, caso as professoras possuíssem ou não consciência corporal.

O terceiro elementoda pesquisa é o sujeito que se vê capaz de experimentar o corpo-vivido através da consciência. O referido elemento foi registrado simbolicamente através dos desenhos dos movimentos corporais das professoras e estes foram analisados com apoio nateoria da abordagem Bioenergética, e dos elementos6da categoria dos desenhos fundamentados em Arnheim (1988) e Wong (1998).

Os símbolos desenhados podem ou não traduzirem para a entrevistadora as acepções que exprimem as vidas das entrevistadas e comunicar o que as palavras verbalizadas não conseguem dizer. Os símbolos nos levam para as nossas próprias energias e reativam as

6 Elementos dos desenhos das seguintes categorias: conceituais, visuais, referências, prático e de movimentos.

forças enfraquecidas. As professoras puderam fazer esse contato, após as materializaçõesdas imagens por meio dos desenhos que contam as histórias guardadas no inconsciente.

A análisee a interpretação dos dados sãodistintasna pesquisa. A análisetem como objetivo fornecer respostas ao problema de investigação que foi mencionado no início da pesquisa.

Essas respostas serão sistematizadas, organizadas e categorizadas a partir dos dados coletados através da observação, da entrevista e dos desenhos. Do mesmo modo, que considera Gil (2008, p.178):“A análise da pesquisa tem como objetivo organizar e sumariar os dados de tal forma que possibilite o fornecimento de respostas ao problema proposto para a investigação”.

Segundo Triviños(1987) as respostas dos sujeitos encontradas na entrevista semiestruturada e na observação serviram de apoio, para realização de uma propostadeumesquemadeinterpretação das perspectivasdos fenômenos estudados.

[...]análise interpretativa apoiar-se-á em três aspectos fundamentais: a) nos resultados alcançados no estudo (respostas aos instrumentos, ideiasdos documentosetc.); b) na fundamentação teórica (manejo dos conceitos--chaves das teorias e de outros pontos de vista); c) na experiência pessoal do investigador (TRIVIÑOS 1987, p. 173).

A análise interpretativa é uma etapa intelectual mais elaborada. Serão identificados os pressupostos teóricos, a análise crítica das respostasa validade e a originalidade da abrangência do tema na perspectiva dos/as entrevistados/as(SEVERINO 2013).

Coaduna comessa premissa da análiseinterpretativa que os indivíduos dão aos fenômenos que é o“[...] interesse central no significado humano na vidae na sua elucidação e exposição por parte do investigador” (ERICKSON 1986, p. 119). Esta é a característica deste tipo de investigaçãoque orienta para apurar as diversas opiniões das entrevistadas. Como afirma Erickson,(1986, p. 120)a análiseinterpretativa “[...] é uma questão de foco substantivo e intenção, e não uma questão de procedimentos para a recolha de dados”.

Dessa forma, também serão analisados os conteúdos simbólicos dos desenhos grafados pelas entrevistadas, para a realização da interpretação dos dados. Esses dados serão comparados com as respostas das entrevistadas no que se refere a descrição de acontecimentos vividos e das representações.

Na pesquisa utilizei como categorias aFormação continuada de professores/as, os desenhos dos movimentos corporais, as marcas identitárias (consciência corporal) e o quantitativode aprendentes e não aprendentes das professoras inseridas na investigação.

A análise e interpretação servirão para refletir e explorar, além de propiciar um profundo e rico entendimento do contexto pesquisado. Esses dois processos, apesar de serem diferentes, se relacionam durante o tratamento das informações coletadas como explica Gil (1999, p.

168): “a interpretação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos”.

Será também levado em consideração a interpretação do que foi dito ou simbolicamente descrito por meio da entrevista e da análise da própria entrevistada. Dessa forma, exigirá da pesquisadora competência para não simplificar ou superficializaros dados que, por sua vez, não falam por si mesmos, e precisam ser interpretados e analisados à luz de um quadro teórico-metodológico. A interpretação é uma atividade que leva o pesquisador/a dar um significado mais amplo às respostas registradas através da análise da pesquisa.