Na pesquisa utilizei como categorias aFormação continuada de professores/as, os desenhos dos movimentos corporais, as marcas identitárias (consciência corporal) e o quantitativode aprendentes e não aprendentes das professoras inseridas na investigação.
A análise e interpretação servirão para refletir e explorar, além de propiciar um profundo e rico entendimento do contexto pesquisado. Esses dois processos, apesar de serem diferentes, se relacionam durante o tratamento das informações coletadas como explica Gil (1999, p.
168): “a interpretação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos”.
Será também levado em consideração a interpretação do que foi dito ou simbolicamente descrito por meio da entrevista e da análise da própria entrevistada. Dessa forma, exigirá da pesquisadora competência para não simplificar ou superficializaros dados que, por sua vez, não falam por si mesmos, e precisam ser interpretados e analisados à luz de um quadro teórico-metodológico. A interpretação é uma atividade que leva o pesquisador/a dar um significado mais amplo às respostas registradas através da análise da pesquisa.
As professoras terão pseudônimo de flores para preservar a identidade pessoal, Flor do campo, Jasmim e Boa noite não fazem o processo de autoconhecimento (terapia), Trabalham na escola municipal Paulo Freire. E Flor de cacto, Rosa menina e Rosa vermelha fazem processo deautoconhecimento (terapia em análise bioenergética). Trabalham em três escolas diferentes.
Quadro 1
Informações profissionais das entrevistadas
Fonte: Pesquisa semiestruturada 2015.
Primeiro elemento - Percepção-observação não participante
Para alcançar o primeiro objetivo específico da pesquisa que consiste em identificar os desenhos dos movimentos corporais das professoras através das questões subjetivas e até que ponto as mesmas influenciamo processo de ensino e aprendizagem dos seus alunos/as. Utilizei a técnica da observaçãoque percorreua metodologia qualitativa que perpassa filosoficamente pela fenomenologia que permite maior compreensão da realidade e a percepção dos fatos reais.
Os movimentos corporais das professoras foram observados no espaço escolar. Assim foi registrada a satisfação da profissional em estar naquele ambiente, o relacionamento interpessoal com a comunidade escolar, extroversão e introversão, a aprendizagem, o envolvimento e a participação dos/as alunos/as. Sem perder de vista o objetivo principal, os movimentos corporais e a proposta fenomenológica na perspectiva da percepção,a indissocialização de um aspecto e de outro, na própria estrutura da vivência sujeito-objeto, professor/a e corpo, pois toda consciência é intencional e está ligada ao mundo vivido, ao mundo real.
Entrevistadas Anos de atuação no magistério
Formação Série de atuação
Turno de
trabalho
Local de trabalho Flor do campo 11 anos Pedagogia/ 2012 1º ano de
escolarização
Matutino e
Vespertino.
Lauro de Freitas
Jasmim 19 anos Pedagogia /2010 4º ano de
escolarização
Matutino e
Vespertino.
Lauro de Freitas Boa noite 12 anos Pedagogia/ 2001 2º ano de
escolarização
Matutino e
Vespertino.
Lauro de Freitas Flor de cacto 23 anos Pedagogia /1992 5º ano de
escolarização
Matutino
Vespertino e Noturno.
Salvador
Rosa menina 3 anos Pedagogia/2007 Educação Infantil
Matutino e
Vespertino.
Salvador Rosa vermelha 5 anos Pedagogia/2007 Educação de
Jovens adultos
Matutino,Vesperti no e Noturno.
Salvador Lauro de Freitas
Desta forma, aconteceu aobservaçãodos movimentos corporais, fenômenos vivos e vivenciados através do “entra e sai”das professorasnas salas de aula, no andar pelos corredores, na postura diante dos/as alunos/as, dos colegas e da direção da escola municipal Paulo Freire. A aparente postura corporal que possivelmente remete-se ao sentimento daqueles profissionais referente à estada naquele ambiente.
As professoras participantes também foram observadas na escola em diferentes práticas simbólicas que exprimem os sentimentos, as trajetórias de vida e a consciência de si diante da história pessoal e da história profissional.
O olhar de quem observa, de quem percebe, é aquele que registra os fenômenos subjetivos que estão marcados naqueles corpos que circulam que sentam que ficam de pé ou que simplesmente se calam naquele espaço chamado escola.
Parei, observei e ao olharpara as professoras,me perguntava o que cada corpo carregava como registro de suas histórias. As marcas intrínsecas envolta de uma roupa, de um sentimento e de uma gestualidade corporal ficavam ali saltando dos olhos, dos peitos e das expressões, muitas vezes, sobressaltadas, assustadas e temerosas. Corpos que entravam e saiam dos mais diversos lugares da escola,passavam de um lado para outro como se estivessem se escondendo, de uma conversa, do barulho ou do tempo que não passava.
Tudo isso, me fazia ler um peso corporal que não sabia exatamente o que era, ao ver que aspessoas naquele espaçonão andavam, não fluíam se arrastavam em contagem regressiva para sair, liberta-se daquele espaço chamado escola.
Através da percepção dessas sensações que compreendi os movimentos corporais relacionadas com as atitudes de cada indivíduo que compõe o espaço da minha observação.
Fui assim me perguntando quantas dores poderiam ser catalogadas. Quantossofrimentos os corposregistravam nas suas articulações e musculaturas. Quais os movimentos que fazem e que não fazem em suas vidas. Porque os olhares são tão arredios, medrosos, chorosos e assustados.
Os corpos em silêncio que se movimentavam pouco, e pouco se encontram com outros, ficavam parados, sentados pareciam adestrados, adestrando outros corpos,mutilados de beleza, de encontro com sua identidade pessoal.
Dessa forma, parece que os corpos estão sempre subjugados na perspectiva do outro, de alguém que sempre vai avaliar,ensinar, transferir conhecimentos, ordenar ou os tirar do seu lugarde conforto, interditá-los com uma proibição, com uma censura. “Do conhecimento só poderás aproximar-te se consentires em que só o repetirás.Deverás „engoli-lo‟ e „vomitá- lo‟.Proibido transformá-lo.Proibido criar. Proibido ser autônomo. Proibido pensar. Proibido aprender” (FERNÁNDEZ,1994, p. 82). Lugar que garante a passividade do estar sentado ou de estar no lugar hierárquico do saber, corpos separados pela ideologia do saber.
Ao observar apenas percebia corpos que só perguntam o que sabiam, organismos sem poder, sem saber que se queixam, e que obedecem a uma instituição hierárquica e as pessoas. Nesta lógica “são outros corpos os que detêm o poder de atuar sobre o funcionamento deste corpo- organismo, desalojando a capacidade do sujeitode enunciar e crer no saber que seu próprio corpo lhe apresenta” (FERNÁNDEZ, 1994, p. 21).
Na sala de aula Flor do campofica a maior parte do tempo sentada, as crianças se movimentam muito, comandam a sala, se mexem, brigam e brincamo tempo todo. A professora reclama como se risse. Não consegue fazer um movimento corporal para lhes dar limites e assim, o tempo passa. A professora explica a questão de cada um, em relação aos comportamentos das/os alunos/a, justificando-os, compreendendo sem diferenciar a adulta da criança no ambiente.Todos se divertem com a situação. Fica evidente a tirania de uma criança sobre a outra. Elas têm faixa etária de 6 a 8 anos, frequência de 16 a 20 alunos/as.
Na sala de aula Jasmim, não é diferente, são crianças maiores de 10 a 13 anos, todos falam ao mesmo tempo, ela diz que eles não querem nada e abusam muito. Frequência de 15 a 20 alunos.
A professora Boa Noite, trabalha com crianças de 6 (seis) anos e maternaliza muito seu ambiente, as crianças parecem mais calmas, permanecem também muito sentadas. Há algumas atividades nas paredes, um ambiente que parece ser mais vivo dentro da escola.Frequência de 25 a 30 alunos.
Enfim, observei corpos cansados, entristecidos juntos e separados, professoras com professoras, professoras com alunos/as que não são motivados pela condição de ensinar.
Observação das professoras entrevistadas que fazem o processo de autoconhecimento (terapia)
As professoras que realizam o processo terapêutico estão localizadas em espaços diversos, não pertencem ao mesmo grupo de trabalho então as observei em suas salas de aula em diferentes escolas com seus respectivos alunos/as.
A primeira professora observada foi aRosa menina, trabalha em escola municipal de Salvador com Educação Infantil. Em sua sala de aulaa frequência varia entre 18 a 20 alunos, com idade de 5(cinco) anos, possuem todas as características que lhes cabem, agitados , brincalhões, perguntam muito, levantam e sentam a todos os instantes.
Rosa menina é dotada de paciência, e organiza seu trabalho com a intenção de atingir todos os alunos, passa por todas as mesas, dá limite e tem atividadesvariadas para atender essa demanda trazida pelas crianças.
Ao observar a sala, já vou entendendo a proposta pedagógica que está por traz do seu trabalho, na sala em que trabalha permanece o dia todo com as mesmas crianças, a sala tem decoração que enfatiza a Lei 11. 645 que regulamenta a obrigatoriedade do Ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena em todos os níveis de ensino, o RCNEI,Referencial curricular nacional para a educação infantil. E questões de meio ambiente, cantinhos de brinquedos e de leitura.
A professora trabalha com uma auxiliar e faz questão de fazer o seu trabalho e pedir ajuda para a pessoa que ajuda apenas continuar o que já iniciou, passa em todas as mesas e é muito solicitada.
Ela me mostrou os portfólios das crianças que para a escola não tem nenhum significado ninguém nunca olhou, nem a coordenadora e muito menos a diretora.A escola é no subúrbio de Salvador e apresenta muitas deficiências como tantas outras. A mesma possui um quadro pequeno de professoras/os, apenas três, o número maior é de funcionário, pois a escola funciona como creche.
A professora me pareceu preocupada com as questões de aprendizagens das crianças, mostrou compreender o quanto sua relação com o pai e mãe das/os alunas/os influencia no desenvolvimento cognitivo e emocional deles/as. Registrou ainda a falta de condição de alguns pais em poder ajudá-los.
O movimento corporal da professora é intenso levanta e senta o tempo todo, sai da sala providencia o banho, anuncia o almoço, fica exausta.
A professora Flor de Cactoé uma professora que trabalha nas redes municipal e estadual, a observei na escola municipal onde trabalha com crianças de 10 a 14anos, a sala era muito movimentada. Ensaiava uma peça de teatro, enquanto outro grupo sem a presença dela recitava poesia e outro treinava leitura,muito trabalho, atividade, criatividade,alegria, entusiasmo e rouquidão.
A professora entrava e saia da sala muitas vezes, toda atenção é pouca com as crianças que circulam o tempo todo na sala e fora dela, cerca de 40 alunos/as com atividades diferentes em quatro grupos distintos.A movimentação corporal da professora era grande, entre gestos e treinos, realizava as atividadesjunto com seus alunos/as.
A professora Rosa vermelha trabalha à noite no município de Lauro de Freitas com alunos de idades variadas, modalidade de ensino EJA Educação de Jovens e adultos. A mesma trabalha circulando na sala, porque, além das idades diferentes, de adolescentes até idosos, os níveis de aprendizagem também são heterogêneos. No seu terceiro turno de trabalho ainda vemos um corpo voltado para atividade de ensinar e dese interessar pelos alunos/as, ir de carteira em carteira, equipe por equipe, a turma é harmônica e se faz interessar.
Segundo elemento - Consciência, que se dirige para o mundo vivido -entrevista semiestruturada
A entrevista semiestruturadaaconteceu na Escola Paulo Freire, com 5(cinco) professoras que se dispuseram a responder as perguntas, porém foram consideradas 3(três) como havia previsto na metodologia.
A relação entre a pesquisadora e as entrevistadas ocorreu num clima amistoso de muita tranquilidade, as professoras pareciam estar à vontade para conversar não apenas sobre as questões profissionais, mas as questões também de cunho pessoal.
As perguntas seguiram um critério para atender o objetivo acima mencionado. Na entrevista houve quatrocategorias, formação de professoras com objetivo de entender se o corpo é incluído ou não nas formações continuadas que as mesmas participam, se tem relevância discutir a importância da consciência corporal neste lugar de aprendizagem, juntamente com
as dores que constituem cada história. Em segunda categoria a consciência corporal pelo próprio profissional os cuidados para aliviar as tensões para enfrentar o árduo trabalho que tanto se queixa. A terceira categoria são as marcas identitárias, os desenhos que as professoras carregam que fazem parte de seus corpos e que podem ter, ou não, influência no seu exercício profissional. E a quarta categoria,foi sobre o desempenho de aprendizagem dos/as alunos/as para cruzar com as outras categorias e fazer a análise de dados da pertinência da consciênciacorporal da professorasobre ensino e aprendizagem de seus alunos/as, aprendentes e não aprendentes.
Ao chegar à escola para começar a aplicação da entrevista semiestruturada,terceira visita que a escola agendou comigo, percebi que era um momento de festividade entre as professoras e os/as alunos/as, uma culminância de projeto de aprendizagem momento de total integração.
Tive a impressão de estar em outro ambiente, em outra escola. Parei e olhei. Achei que fosse um equívoco na agenda da escola e na etapa da observação, pois, havia muita alegria e descontração, as professoras não eram indiferentes à atividade que estavam participando.Naquele momento existia uma mudança nos comportamentos observados anteriormente. Questionei-me: Quais eram as diferenças ali presentes. O que mudou no cenário. Quais os papéis assumidos pelas professoras. O que ligava os corpos das professorasaos corpos dos/as alunos/as.
Não conseguia identificar nenhum adulto no espaço, todos dançavam,alunos, professores e inclusive a coordenadora. Não havia uma direção, os corpos se confundiam entre si, “[...] a emoção definiao domínio de ação e condicionava um campo de influência, o que confirma que é de suma importância atermo-nos as nossas motivações reais e aos campos em que atuamos, para ajustar nossas expectativas de realizações” (SILVA,2004, p.134).
Naquele instante tão efêmero asprofessoras e os/as alunos/as eram uma só escola, crianças,deixaram de sertristes, com movimentos lentos e apáticos e vibraram por instantes sem queixas.
Só depois que fui ouvi-las é que pude entendê-las, e aquele momento fez sentido para mim.
Percebi o que havia acontecido naquele espaço tão repentinamente. “A consciência de estar no corpo nos faz humanos. E humanos, recriamos uma ligação diferente com a realidade de fora e com os outros humanos com os quais convivemos”(SILVA,2004, p. 139).
A infância usurpada de algumas professoras as fazem estar com sua criança acionada diante de um convite tão fascinante de seus alunos/as para brincar, para estar juntos e dançar.
“Preciso dançar, vou dançar” Jasmim. “Tive que trabalhar para ajudar a minha família” (Flor do Campo).
O adulto que faz parte dos corpos das professoras também busca um lugar de cuidado, de alegrias e de leveza. E foi por meio das entrevistas e das falas que foram acontecendo de maneira espontânea, emocionada, esclarecedora e muito consciente que deixaram nítido o peso dos corpos, da carga de trabalho, da responsabilidade pessoal e profissional e do compromisso que elas têm e que avida cobra.
Quadro 2
Categorias da entrevista semiestruturadas das professoras que não fazem o processo de autoconhecimento.
Fonte: Pesquisa semiestruturada 2015.
Quadro 3
Categorias da entrevista semiestruturadas das professoras que fazem o processo de autoconhecimento Profissional 1. Formação de
professores/conteúdos vivenciados
2. Investimento pessoal no corpo
3. Desenhos dos corpos das professoras
(marcas identitárias )
4. Apredentes e não aprendentes Profissionais 1. Formação de
professores/conteú dos vivenciados
2. Investimento pessoal no corpo
3. Desenhos dos corpos das
professoras (marcas identitárias)
4.aprendentes e não
aprendentes FLOR DO
CAMPO
Como é a
alfabetização.
Lidar com a agressividade.
Não vou a praia há 1 ano e 6 meses. Ao teatro tem 4 anos. Cuidados dispensados para seu corpo NADA. Sinto-me cansada, estressada um peso no meu corpo, como se estivesse uma pessoa me empurrando para eu andar.
Falta alguma coisa em mim, tive depressão, não comia. O carinho que tenho com meu filho e com meus alunos, não tive com minha mãe. Meu pai me negou, não ajudava.
Total de aluno/a 37 alunos/as Total de alunos aprendentes 10 alunos silábicos alfabéticos Não aprendentes = 27 alunos/as JASMIM Pro - letramento
Português e Matemática PNAIC- Alfabetização
Deixei em março à academia, sou louca para ser magra. Não estou bem, penso no outro (violência). Trabalho demais em casa. Tem 1 ano e 5 meses que fui a praia. No cinema este ano não fui.
A vida toda riram de mim, fiz várias cirurgias para consertar minhas pernas. Era gorda, não dançava.
Não quero que meus alunos passem o que eu passei na minha história de vida.
Total de aluno/a 28 alunos/as Total de alunos/as aprendentes 18 alunos/as Não aprendentes
= 10alunos/as
BOA NOITE
Lucidade. Práticas pedagógicas, levar para o curso o que fazíamos na sala para as reflexões, levar atividades inovadoras.
Estou de lado. Sinto um desgaste tem quase 2 anos que nada faço para meu condicionamento físico.
A separação de meus pais. Sofri muito, tive muitas dificuldades em aceitar. Chorava na
escola, os
professores/as me ajudaram muito.
Total de aluno/a 38 alunos/as Total de alunos/as aprendentes 22 alunos/as Não aprendentes
= 16 alunos/as
ROSA MENINA
Na maioria das vezes, as formações são voltadas para os conteúdos práticos e com intuito de mudar práticas, ações e também as ideias sobre como e com que o professor deve ensinar.
Autoconhecimento (terapia uma vez por semana) Atividade física (duas vezes por semana)
Participação em grupo de pesquisa (encontro uma vez ao mês)
A forma como fui invisibilizada na escola e acho que também na minha família. Talvez por isso tenha ficado tão doente quando pequena. Seria uma mulher com dedo nos lábios pedindo silêncio.
Total de aluno/a 18 alunos/as Total de alunos/as aprendentes 18 alunos/as
FLOR DE CACTO
As questões pedagógicas não dão conta do nosso fazer emsala de aula, pois temos questões pessoais que interferem em nossarelação com os alunos, além do quadrode violência que tem se
instalado na sociedade, principalmente nascomunidades em que ficam localizadas as escolas
Caminho 4 vezes na semana, assisto fil mes, vou ao teatro, leio livros e artigos de Filosofia, Psicologia e Literatura, viajo. Na moro também.
Eu representaria a imagem que tenho na cabeça, eu sempre sozinha no quintal esperando minha avó acordar pela manhã e á tarde. Era a pessoa com a qual eu me
relacionava. Como ela passava um período em outra cidade, lembro de mim sentada, sozinha
Total de aluno/a 39 alunos/as Total de alunos/as aprendentes 39 alunos/as
ROSAVER- MELHA
À noite dentro da escola não existe este espaço de diálogo junto aos professores e coordenação. Nunca nos reunimos. Apenas conversas informais pelos corredores.
Eu faço atividade física, terapia.
Participo de grupo de pesquisa
Minha infância foi marcada por uma menina que era uma caixa de surpresa, eu poderia ir de um extremo ao outro, poderia ser dócil e agressiva, falar baixo e gritar.
Total de aluno/a 20 alunos/as Total de alunos/as aprendentes 16 alunos/as NA= 4 alunos
Fonte: Pesquisa semiestruturada 2015.
Terceiro elemento - Sujeito que se vê capaz de experimentar o corpo-vivido através da consciência – desenhos dos movimentos corporais das/os professoras/es.
Os desenhos aqui auxiliaram a compreender, a representar o que foi dito e transcrito na entrevista, ou negar. Osdesenhos grafados pelas professoras “constituem a melhor expressão visual possível daessência em que „algo‟ possa ser definido, feito, distribuído, utilizado e relacionado com o ambiente” (WONG, 2010, p. 41).
Ressalta ainda Wong (2010) que existem várias maneiras de interpretar o desenho que é umalinguagem visual e não tem nenhuma lei evidente para tal atividade, prefereanalisar com o pensamento sistemático, termos precisos e concretos. Por seguinte, Arnheim (1980) analisa com emoção, percepção e a intuição. Na análise dos desenhos também tive respaldo emBetty
Edwards (2007), a autora mostra que todos são capazes de desenhar e desenvolver as habilidadesdepercepção, de raciocínio verbal e analítico. Além de Albano (2012) que defende a ideia de que o desenho desenvolve o emocional, o intelectual, o físico, o social, o estético e acriação.
Para Urrutigaray (2003), o desenho é uma representação simbólica, a compreensão dos traços, do volume, da massa, do espaço resulta na criação. Para analisar uma composição são necessários três modos, a análiseformal, a objetiva e a subjetiva. Na análise formal será levada em conta a expressão, como a pessoa expressou seu sentimento em relação a determinado conteúdo de maneira clássica ou tradicional, romântica, abstrata ou impressionista.Esta análise nos fornece a maneira ou modo de estar da pessoa que desenhou.
E a análise objetiva está relacionada aos aspectos concretos ou visuais, a influência do ambiente e da cultura.Esta análise fornece modelo e forma do desenho.
Já a análise subjetiva está ligada à análise interpretativa, pois a pessoa que desenha argumenta, interpreta, comenta sobre o que traçou, identificando o sentimento, ocomportamento frente à vida em consonância com seu próprio desenho.
Desenho
Traça a reta e a curva, a quebrada e a sinuosa Tudo é preciso.
De tudo viverás.