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O registrador não pratica atos judiciários, não é guarnecido das garantias próprias da magistratura, nem de seus deveres específicos. Sua decisão tem natureza de ato administra- tivo, sendo desprovida das características constitucionalmente asseguradas à coisa julgada.

4.9 CUSTAS E EMOLUMENTOS

Constitui requisito indispensável à prenotação do pedido o depósito das custas e dos emolumentos devidos ao registro, segundo o artigo 28 da Lei n. 8.935/94 (BRASIL, 1994).

Portanto, tratando-se de uma atividade exercida em caráter privado, deve a lei federal fixar normas para fixação de emolumentos. Carece frisar que os emolumentos são uma forma de remuneração dos Notários e Registradores, sendo de competência estadual a fixação de legislação sobre o assunto. Independente do resultado, deverá o usucapiente arcar com os emolumentos, tendo em vista que todo o serviço foi prestado a seu favor.

Em se tratando da possibilidade de concessão de justiça gratuita no procedimento extraju- dicial, seria inviável por ser um trâmite que ocorre fora do Poder Judiciário, inexistindo, portanto, o caráter judicial.

No contexto da justiça gratuita em procedimentos extrajudiciais, entende Luiz Guilherme Loureiro, que “é inconstitucional a lei federal que concede isenção de emolumentos, por violar o princípio federativo: apenas a pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo pode conceder isenção ou diferimento” (LOUREIRO, 2017, p. 101). Lembrando que os emolumentos cobrados pelas serventias imobiliárias compõem o conceito de taxas.

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6 CONCLUSÃO

Partindo da perspectiva de um processo de desjudicialização da usucapião imobiliária, dentro de um viés de morosidade do Poder Judiciário, percebe-se que os procedimentos extra- judiciais colaboram com uma grande força para composição de conflitos na sociedade.

Vivemos em uma sociedade plural onde conceitos e culturas são diversificadas, com for- mas de pensar variadas que estão sendo colocadas em prática a todo momento. Partindo desse pressuposto, torna-se inevitável as desavenças e a procura pelo Poder Judiciário para intervir em processos particulares, a fim de dar um entendimento sobre os interesses de particula- res, afim de determinar condutas, conforme os entendimentos positivistas, morais e éticos que baseiam a sociedade.

É nesse cenário que os métodos adequados de conflito foram tomando espaço, como por exemplo as audiências de conciliação e mediação que podem resolver um impasse em qualquer fase do processo. Mais que isso, tais métodos saíram da esfera judicial e alcançaram a esfera extrajudicial, cooperando para o processo de desjudicialização e inovação das resolu- ções dos conflitos existentes.

O Código de Processo Civil de 2015 trouxe mudanças significativas, principalmente no que se refere à usucapião, possibilitando a declaração pela via extrajudicial, visando um procedi- mento mais célere e eficaz.

A desjudicialização não se trata apenas da usucapião imobiliária na via administrativa. O ordenamento jurídico brasileiro traz outras possibilidades sob o viés da via extrajudicial, tais como a realização de inventários e divórcios nos Tabelionatos de Notas.

Vale acrescentar que o presente trabalho objetivou trazer um esclarecimento sobre a des- judicialização da usucapião imobiliária, destacando os seus procedimentos na via adminis- trativa com o intuito de fortalecer as expectativas da sociedade em ter a sua tutela alcançada dentro de um prazo razoável.

Desde o início da vigência do Código de Processo Civil de 2015 vários empecilhos foram vivenciados, seja pela parte que queria buscar a via administrativa para obtenção do procedimento da usucapião extrajudicial, seja pelos Notários Registradores que ficavam receosos em aceitar cer- tos procedimentos por ser algo inovador e desconhecido. Até mesmo os advogados eram resis- tentes por crerem ser uma medida irresoluta e arriscada para eles e para os seus clientes.

Assim sendo, espera-se um significativo crescimento da usucapião extrajudicial e uma diminuição de distribuições de pedidos na via judicial.

Pelo descrito no presente trabalho, pode-se concluir que as formas extrajudiciais de reso- lução de conflitos são mais céleres, diminuem a sobrecarga de processos no Poder Judiciário, além de assegurar o resultado útil e efetivo da tutela pretendida.

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REFERÊNCIAS

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