Desde a década de 1960, o sistema bancário conta com uma estrutura marcada por pro- gressos tecnológicos, caracterizado pelo avanço no volume e na estrutura dos recursos ban- cários. Esse setor figura entre as empresas que mais se utilizam dos recursos eletrônicos para seu funcionamento (ABRÃO, 2018).
Os avanços também podem ser observados na relação entre banco e cliente. O setor ban- cário investiu virtuosas quantias para alterar seus sistemas, adequando-os para realizar transa- ções realizadas de qualquer parte do mundo, de forma rápida e segura, proporcionando maior comodidade e eficiência aos seus clientes.
Em 1983, o Banco Bradesco foi pioneiro no sistema de home banking ou banco em casa no Brasil, com o tele Bradesco residência e empresa, permitindo ao cliente obter informações de saldo e extrato da conta corrente ou poupança por meio de vídeo texto (JESUS, 2017).
O acesso aos meios tecnológicos equivale à inovação e completa revolução no sistema operacional bancário, na medida em que os serviços priorizam duplo caminho da eficiência e menor custo, sem prejudicar consultas, saques, paga- mentos, descontos, tudo on-line, numa clara demonstração de que a Internet tem seu espaço progressivo, tanto na função de garantir ao cliente melhor trabalho à distância como no processo eletrônico, que se torna cada dia mais familiarizado com a modernidade. (ABRÃO, 2018, p. 11).
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Mas foi a partir dos anos 90 que se iniciou, efetivamente, uma mudança no mecanismo de acesso dos consumidores aos serviços bancários, com a implantação de terminais de caixas automáticos ou eletrônicos e de um oferecimento maior de cartões bancários e de crédito.
A globalização foi condição essencial para a mudança no funcionamento do sistema finan- ceiro, que se viu obrigado a realizar a desmaterialização de documentos, criar canais e agên- cias virtuais para a realização de diversas operações na web. Como resultado dessas medidas, as instituições financeiras expandiram seus negócios e sua atuação, proporcionando novas formas de atendimento ao cliente e principalmente conseguindo diminuir os custos operacio- nais (TOIGO, 2016).
É importante elucidar que no e-banking o cliente através de um sistema de segurança fornecido pela instituição financeira, geralmente senhas, chaves de acesso, token, entre outros, pode adentrar sua área de acesso e realizar as operações pretendidas sem maiores esforços e inclusive, programar o sis- tema conforme lhe for conveniente, tanto para pagamentos transferências, aplicações, ingressando na modernidade eletrônica, livre as filas e conges- tionamentos que normalmente se verificam nas agencias físicas dos bancos.
Isto é, o cliente participa diretamente do aspecto operacional, poderá impri- mir qualquer comprovante a título de prova das transações efetuadas, manter seu cadastro atualizado, aplicação em fundos de investimentos, solicitação de cheques, pagamentos de títulos diversos, entre outras funcionalidades.
(TOIGO, 2016, p. 03).
Observa-se, também, o incremento no uso do mobile banking, “vez que os clientes utilizam aplicativos disponibilizados exclusivamente pelas instituições financeiras para uso em disposi- tivos móveis como smartphones, tablets, celulares – que implicam numa facilidade ainda maior do que o internet banking” (TOIGO, 2016, p. 03).
Em 2015, segundo a Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN, “o número de transa- ções realizadas através de dispositivos móveis no Brasil teve um acréscimo de 138% entre 2014 e 2015, ou seja, saltou em 2014 de 4,7 bilhões para 11,2 bilhões em 2015” (TOIGO, 2016, p. 03).
Para acompanhar esta evolução foi preciso investir massivamente na tecnologia da infor- mação (TI), somando em 2015, mais de R$ 19,2 bilhões de reais em investimentos, segundo pes- quisa realizada pela FEBRABAN (TOIGO, 2016). Desse total, 44% foram destinados a software, 35% a hardware e 20% a telecom (TOIGO, 2016, p. 4).
Acompanhando essa evolução, surgem os bancos digitais. Além de oferecerem uma pla- taforma de internet banking e canais virtuais de comunicação ou aplicativos para dispositivos móveis, seus processos são totalmente digitais ou não presenciais, sem a necessidade de uma agência física (JESUS, 2017, p. 15). Essencialmente, trata-se de um modelo que promove a inte- ração em tempo real com os clientes.
O BTG Pactual é um exemplo de banco que se lançou neste segmento. Na sua plataforma digital, a abertura de contas é 100% online e feita a partir do preen- chimento de um cadastro e envio de três fotos: uma do próprio cliente, outra de um comprovante de residência e a terceira de um documento de identidade.
(JESUS, 2017, p. 15).
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Portanto, para as instituições financeiras, a inovação tecnológica não tem apenas o obje- tivo de atender a demanda dos clientes, mas é responsável por agregar valor ao “reduzir custos operacionais e ampliar a disponibilidade dos serviços bancários no tempo (24 horas por dia) e no espaço (acesso aos serviços disponibilizados em centros de compras, no trabalho e em casa).” (JESUS, 2017, p. 15).
2.2 FINTECHS E NOVOS ARRANJOS
As fintechs são empresas de tecnologias financeiras que buscam, por meio da tecnologia, inovar e otimizar serviços do sistema financeiro, barateando custos operacionais se compara- das às tradicionais instituições do setor (FINTECH, 2021).
Essas plataformas digitais têm um modelo de negócios financeiros inovador. Utilizam da tecnologia como alicerce e apresentam grande potencial de crescimento. Tais plataformas sur- giram no mercado financeiro com o intuito de oferecer produtos antes exclusivos dos bancos e instituições financeiras tradicionais, como o pagamento e transferência móvel de dinheiro, empréstimos, captação financeira de recursos, gestão de investimentos e criptomoedas.
O emprego de tecnologias como inovação disruptiva na área financeira é prática antiga, podendo ser observado com a ligação bem-sucedida de um cabo telegráfico transatlântico em 1886, permitindo um período de maior globalização financeira no final do século XIX.
Tomou destaque em 2008 após a crise financeira e importantes avanços no campo da inteligência artificial, com a propagação dos smartphones e o surgimento das criptomoedas ou moedas virtuais (CARVALHO, 2019).
O Nubank, exemplo de fintech, foi fundado em 2013, com o objetivo de oferecer cartões de crédito sem cobrança de tarifas ou anuidades para o consumidor final e com controle 100%
digital, por meio de um aplicativo de celular. Assim é possível solicitar aumento do limite, blo- quear transações, consultar saldo e acompanhar todas as transações em tempo real, a partir de um telefone móvel (JESUS, 2017).
As startups financeiras podem até mesmo serem uma instituição bancária com proposta inovadora, como os bancos 100% digitais. Entretanto, o que se observa, na maioria das vezes, é que são responsáveis por oferecer novas soluções para serviços que já são ofertados pelos bancos tradicionais, tornando-os mais práticos e acessíveis.
Dadas as suas características, as fintechs apresentam maior eficiência do que os bancos tra- dicionais na oferta de produtos e serviços, com custos menores de infraestrutura, modelo de negó- cios inovador, sistema de pagamento diferenciado, que fazem com que estas empresas consigam atingir margens de lucros maiores e com preços mais acessíveis que os bancos tradicionais.
2.3 BLOCKCHAIN E MOEDAS VIRTUAIS
De todas as tecnologias listadas, mobile banking, fintechs ou banco digital, provavelmente as moedas virtuais, as chamadas bitcoin e brockchain sejam as mais disruptivas.
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As criptomoedas são tecnologias digitais que reproduzem pagamentos eletrônicos com a mesma eficiência dos pagamentos com cédulas. As moedas virtuais utilizam de criptografia para realizar uma transação sem intermediação entre dois indivíduos, tornando-se mais rápi- dos e baratos.
Apesar das desconfianças de que as moedas digitais fossem utilizadas para as atividades ilegais, uma vez que suas transações não deixam lastro, esse ativo se materializou, recebendo investimentos de mais de R$362 milhões de dólares em 2014. Inclusive, foi criado na bolsa de Valores de Nova York o índice de preço do bitcoin (JESUS, 2017).
Como forma de aperfeiçoar essas transações financeiras, surgiu a tecnologia do blok- chain, permitindo o registro de todas as suas etapas. Funciona como “uma espécie de livro-ra- zão único e compartilhado com todos os participantes da cadeia de valor, que atua como um grande gerador de transparência e eficiência” (JESUS, 2017, p. 17).
Dessa forma, a tendência é de que as moedas digitais sejam mais aceitas, prova disto é o aumento significativo das transações privadas por meio deste sistema no ano de 2020, segundo pesquisa da FEBRABAN (JESUS, 2017).