consistia na utilização de cunhas de madeira nas fissuras naturais do maciço rochoso.
Após colocadas, as madeiras eram encharcadas com água que, graças à expansão causada pelo congelamento da madeira molhada, abriam os blocos, gerando subdivisões (VIDAL, AZEVEDO e CASTRO, 2014).
Como se vê, o início dessa prática em terras tupiniquins, mais especificamente Camboriú, deu-se no nascimento do século XIX e o emprego da pólvora mantem-se essencial. Portanto, após localizados os granitos, faz-se um furo na rocha, de espessura e comprimento variáveis. Nessa cavidade, insere-se o material explosivo.
Com a detonação guiada pelos planos preferencias de corte, tem-se a mesma rocha, agora desprendida do solo e subdividida em duas partes. Daqui em diante, as subdivisões na rocha são feitas com cunhas de metal, escopos, marretas e martelo.
Este trabalho é um dos tantos métodos de lavra existentes, sendo considerado mais artesanal se comparado com as técnicas industriais hoje existentes(Idem, 2014).
Assim, uma rocha de granito que, antes de ser alvo da ação humana, possuía, por exemplo, o tamanho de um automóvel, agora está decomposta em centenas de pedras menores (ou em milhares, a depender do tamanho da rocha encontrada).
Esses blocos de granito puro originam os chamados paralelepípedos de pedra, utilizados em calçamento de vias públicas e privadas. Também podem ser produzidos de diferentes tamanhos, servindo como meio-fio, placas de revestimento, calçadas públicas, ornamento em jardins, moerão de cercas, bases de casas, pilares para telhados, bancos de praça e etc.
e sistema financeiro – que não quer mais nem o PT nem Dilma no governo. [...] As razões desse enfrentamento sem negociações não passam pela questão da corrupção, que abarca todos os partidos, vem de longa data e é uma forma tradicional de as empresas buscarem vantagens ilegais junto aos governos. O que está em disputa é o controle da política econômica. [...] A redução da Selic, em 2012, baixou a remuneração dos rentistas. [...] O congelamento dos preços da eletricidade, por exemplo, gerou perdas significativas para fundos internacionais que compraram ações das elétricas no Brasil” (LE MONDE, 2016, n. 104, p. 3).
Conforme anteriormente descrito, este projeto de pesquisa tem como uma de suas finalidades relacionar o modelo produtivo com o modelo explicativo da determinação social no processo de saúde e de doença através da análise de um grupo social que interage com elementos da natureza a fim de produzir bens sociais.
Assim, faz-se necessário situá-la no tempo histórico, pois, se ela fosse realizada na década de 70, ou mesmo na de 40, outros elementos estruturais da sociedade estariam postos. Além da ciência de que cada época passa por transformações tecnológicas que também interferem no modo de vida das pessoas, é preciso assinalar, portanto, que a conjuntura de movimentos macros atravessa a produção de bens sociais.
No dia 12 de maio de 2016, a sociedade brasileira vivenciou o afastamento da Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, reeleita em 2014 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), por meio da abertura de um processo de impeachment que foi apreciado e aprovado pelo Senado Federal.
A reentrada no Brasil de governos populistas, a partir de 2003, provocou descontentamento em determinadas formações econômico-sociais mundiais. Este sintoma de doença social, somado à globalização que interliga as nações intercontinentais e seus processos produtivos, tem afetado sobremaneira a vida cotidiana do brasileiro:
“Para a ultraesquerda, o PT seria um instrumento da classe
dominante. Para os ultramoderados, o PT estaria demonstrando como salvar o capitalismo brasileiro de si mesmo. A vida derrotou ambas as posições: apesar de ter se conciliado com o grande capital, com a direita e com o oligopólio da mídia, o PT continuou sendo um estranho no ninho. As elites nunca apreciaram sua presença no governo, nem as importantes, porém estruturalmente tímidas, políticas que colocamos em prática desde 2003” (LE MONDE, 2016, n. 104, p. 8)
Curiosamente, a investida popular no comando do governo federal brasileiro recente não foi capaz de saber agregar boa parte dos grupos sociais que foram mais beneficiados pelas políticas de inclusão social, mesmo com a elevação do nível salarial e poder de compra das classes C, D e E. É possível relacionar tal contraste pela influência midiática brasileira, formada pelo oligopólio de poucos grandes grupos que comandam os meios de comunicação em massa, historicamente aliados das elites brasileiras, mesmo porque, os próprios meios são a elite:
“Apesar de suas diferenças táticas, as elites consolidaram seus propósitos estratégicos, que são basicamente: a) realinhamento com os Estados Unidos, afastando-nos dos Brics e da integração regional; b) redução do salário e da renda dos setores populares, diminuindo as verbas das políticas sociais, alterando a legislação trabalhista, reduzindo direitos, não ajustando salários e pensões, provocando desemprego e arrocho; c) diminuição das liberdades democráticas, criminalizando a política, os movimentos sociais e os partidos de esquerda, partidarizando a justiça, ampliando o terrorismo policial-militar especialmente contra os pobres moradores de periferia e negros, subordinando o Estado laico ao fundamentalismo religioso, agredindo os direitos das mulheres, dos setores populares, dos indígenas” (LE MONDE, 2016, n. 104, p. 8).
Com base nas citações acima, é possível considerar a existência de dois grandes “projetos”. Um primeiro, dito populista e pautado pelos partidos de esquerda, que visa à justiça social e à distribuição das riquezas produzidas, de maneira
igualitária, a fim de proporcionar condições equânimes de vida. O segundo, influenciado por modelos econômicos capitalistas neoliberais, que está mais alinhado ao desenvolvimento econômico-financeiro a qualquer custo, sem fronteiras, acirrando a competição individual em torno do seu próprio progresso, sem considerar a população geral como participante do processo de produção de bens, logo, merecedora de todos os direitos.
Portanto, cada um desses projetos tem raízes em distintas concepções de mundo, o que lhes imprime as particularidades específicas acima mencionadas. De um lado, os detentores das terras e das máquinas. Do outro, e muitíssimo maior em quantidade, em massa, os não-detentores da terra. Logo, este segundo grupo, sem acesso e posse da terra, para sobreviver, vê-se obrigado a vender sua força de trabalho para quem detém as terras e as máquinas, tanto na produção agrícola quanto industrial. Vale lembrar que até o ano 2000 éramos considerados pela ONU como o país da fome. O Brasil ocupava até o início deste milênio a vergonhosa situação de, mesmo sendo um país rico e potente, fazer parte do mapa da fome no mundo.
Contraditório, não? Medidas de proteção social impostas a partir de 2002 erradicaram em 82% a fome no país, fazendo com que, pela primeira vez em mais de 500 anos de
“descobrimento”, o Brasil deixasse de integrar o desconfortável mapa da fome das Nações Unidas (FAO, 2015). Assim, tendo em vista que cada classe tem suas prioridades e considerando que a classe dominante ocupa em larga o poder público, logo, as políticas públicas tendem a favorecê-los. Trazendo para o campo da saúde, o qual depende do poder público constituído para orientar os rumos das políticas públicas de saúde, tais caminhos estão mais propensos a beneficiar os setores das elites históricas e seu modo de conceber a vida em sociedade e seus valores.
“A imagem-objetivo, configuração futura da situação de saúde, não é uma exposição de problemas nem de soluções; oferece unicamente uma concepção de situações que – de acordo com a ideologia que a alimenta – considera-se desejável e orienta a ação para a realização dessa situação, distinta da atual.
Estabelecida a imagem-objetivo, a formulação de políticas dirigidas a modificar situações em prazos determinados – e às vezes situações urgentes em prazos peremptórios – conta com uma orientação sintética que pode evitar incoerências e
contradições assim como marchas e contramarchas” (OPAS, 1975, p. 39).
Observada a presença contínua e histórica da classe dominante como definidora das políticas públicas e a presença recente de governos populares e suas políticas sociais, cria-se uma contradição entre os interesses capitalistas e os interesses da população em geral, o que contribui para a afirmação de que o
“ambiente econômico brasileiro tem se caracterizado pela presença de um elevado nível de incerteza.” Há de se considerar que a crise mundial eclodida em 2008 também favorece o clima de incerteza, porém, não apenas. Leva-se em conta também questões internas, “associada à questões políticas, que tem prejudicado a capacidade de implementação de medidas tidas como necessárias para debelar os desequilíbrios internos.” (IPEA, 2016, p. 25).
Pode-se entender como ideologia norteadora da imagem-objetivo, individual ou coletiva, do SUS conquistado em 1986, um agregado de valores humanos, como:
universalidade, integralidade, Vida, dignidade, justiça social, solidariedade, vontade, coletivo, respeito, alteridade, gentileza, amorosidade, amizade, felicidade, laicidade, coragem, de um lado; e capital, mercado, individualismo, egoísmo, lucro, consumo, preconceito, discriminação, segregação; progresso individual, de outro.
4 PERCURSO METODOLÓGICO
A disposição do percurso, tentando facilitar o entendimento, está decomposta em quatro partes. A primeira é o movimento observação-participante, trajeto sobretudo esclarecedor para desbravar os caminhos entre pedras. A segunda, as entrevistas-narrativas, como núcleo central da coleta de dados. A jornada que se amalgama nestes dois itens nem sempre obedeceu a uma linha do tempo, pois o processo de construção de um interfere nos outros. Aqui, para fins didáticos, apresenta-se de maneira sequencial e linear. A terceira parte trata da organização dos sujeitos entrevistados. Por fim, a quarta parte aborda questões pós-coleta dos dados, como sistematização e referencial de análise.
Esta pesquisa foi apreciada e aprovada no dia 5 de setembro de 2016 pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Itajaí, SC, sob o número 1.713.341 em consonância com as determinações da Resolução MS/CNS no 466/2012.