6. DO FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO
6.3 PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR – PNAE
6.3.1 Apresentação
tórias institui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Edu- cação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o FUN- DEB, que será analisado em tópico à parte.
6.2 FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO – FNDE
matriculados em escolas públicas e filantrópicas, sendo transferên- cia legal, que independe de convênio70.
Seu objetivo é atender as necessidades nutricionais dos alunos durante sua permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como promover a formação de hábi- tos alimentares saudáveis71.
O PNAE tem caráter suplementar, como prevê o artigo 208, IV e VII, da Constituição Federal, quando coloca que o dever do Estado (ou seja, das três esferas governamentais: União, Estados e Municí- pios) com a educação é efetivado mediante a garantia de “atendi- mento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade” (inciso IV) e “atendimento ao educando no ensino fundamen- tal, através de programas suplementares de material didático-esco- lar, transporte, alimentação e assistência à saúde” (inciso VII).
De acordo com os arts. 11 a 13 da Lei 11.947/2009, tem-se ainda que a responsabilidade técnica pela alimentação escolar cab-
70A Lei 11.947/2009, em seu art. 5º, prevê: “Os recursos financeiros consignados no orça- mento da União para execução do PNAE serão repassados em parcelas aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às escolas federais pelo Fundo Nacional de Desenvolvimen- to da Educação - FNDE, em conformidade com o disposto no art. 208 da Constituição Federal e observadas as disposições desta Lei. § 1o A transferência dos recursos financeiros, objetivando a execução do PNAE, será efetivada automaticamente pelo FNDE, sem necessi- dade de convênio, ajuste, acordo ou contrato, mediante depósito em conta corrente espe- cífica.§ 2o Os recursos financeiros de que trata o § 1o deverão ser incluídos nos orçamentos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios atendidos e serão utilizados exclusivamen- te na aquisição de gêneros alimentícios. § 3o Os saldos dos recursos financeiros recebidos à conta do PNAE existentes em 31 de dezembro deverão ser reprogramados para o exercício subsequente, com estrita observância ao objeto de sua transferência, nos termos discipli- nados pelo Conselho Deliberativo do FNDE.§ 4o O montante dos recursos financeiros de que trata o § 1o será calculado com base no número de alunos devidamente matriculados na educação básica pública de cada um dos entes governamentais, conforme os dados oficiais de matrícula obtidos no censo escolar realizado pelo Ministério da Educação.
§ 5o Para os fins deste artigo, a critério do FNDE, serão considerados como parte da rede estadual, municipal e distrital, ainda, os alunos matriculados em: I - creches, pré-escolas e escolas do ensino fundamental e médio qualificadas como entidades filantrópicas ou por elas mantidas, inclusive as de educação especial; II - creches, pré-escolas e escolas comu- nitárias de ensino fundamental e médio conveniadas com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”.
71Para maiores informações. Disponível em: < http://www.fnde.gov.br/index.php/progra- mas-alimentacao-escolar>.
erá ao nutricionista responsável72, o qual deverá elaborar os cardá- pios com utilização de gêneros alimentícios básicos, respeitando-se as referências nutricionais, os hábitos alimentares, a cultura e a tradição alimentar da localidade e pautando-se na sustentabilidade e diversificação agrícola da região, além da alimentação saudável e adequada73. Ressalte-se, também, que a aquisição dos gêneros ali- mentícios, no âmbito do PNAE, deverá obedecer ao cardápio plane- jado pelo nutricionista e será realizada, sempre que possível, no mesmo ente federativo em que se localizam as escolas, observando- se as diretrizes de que trata o art. 2º da mesma Lei.
A partir de 2010, o valor repassado pela União aos Estados e Municípios foi reajustado para R$ 0,30 por dia para cada aluno ma- triculado em turmas de pré-escola, ensino fundamental, ensino mé- dio e educação de jovens e adultos. As creches e as escolas indígenas e quilombolas passaram a receber R$ 0,60. Por fim, as escolas que
72 Sobre o nutricionista responsável, diz o art. 14 da Resolução nº 38/2009: “§ 1º Compete ao nutricionista responsável-técnico pelo Programa, e aos demais nutricionistas, lotados no setor de alimentação escolar, coordenar o diagnóstico e o monitoramento do estado nutricional dos estudantes, planejar o cardápio da alimentação escolar de acordo com a cultura alimen- tar, o perfil epidemiológico da população atendida e a vocação agrícola da região, acompa- nhando desde a aquisição dos gêneros alimentícios até a produção e distribuição da alimen- tação, bem como propor e realizar ações de educação alimentar e nutricional nas escolas. § 2º Para o cumprimento das atribuições previstas no § 1º, deste artigo, a Entidade Executora e o nutricionista-responsável técnico pelo Programa deverão respeitar a Resolução CFN nº 358/2005, e suas substituições, que dispõe sobre as atribuições do nutricionista no âmbito do Programa de Alimentação Escolar e dá outras providências. § 3º A Entidade Executora deverá dar condições suficientes e adequadas de trabalho para o nutricionista, obedecendo ao desenvolvimento das atribuições previstas na Resolução CFN nº 358/2005 e suas substi- tuições e, inclusive, cumprindo os parâmetros numéricos recomendados de nutricionistas por escolares. § 4º O nutricionista que atua no Programa deverá ser obrigatoriamente vinculado ao setor de alimentação escolar da Entidade Executora e deverá ser cadastrado no FNDE, na forma estabelecida no Anexo II desta Resolução”.
73E, acerca das restrições para gêneros alimentícios adquiridos com a verba em estudo, assevera o art. 17 da Resolução nº 38/2009: “A aquisição dos gêneros alimentícios com os recursos do FNDE: I – É proibida para as bebidas com baixo teor nutricional tais como refrigerantes, refrescos artificiais e outras bebidas similares. II – É restrita para os alimen- tos - enlatados, embutidos, doces, alimentos compostos (dois ou mais alimentos embalados separadamente para consumo conjunto), preparações semiprontas (ou prontas) para o con- sumo, ou alimentos concentrados (em pó ou desidratados para reconstituição) - com quanti- dade elevada de sódio (aqueles que possuem em sua composição uma quantidade igual ou superior a 500 mg de sódio por 100 g ou ml) ou de gordura saturada (quantidade igual ou superior a 5,5 g de gordura saturada por 100 g, ou 2,75 g de gordura saturada por 100 ml).”
oferecem ensino integral por meio do programa “Mais Educação”
passaram a receber R$ 0,90 por dia. Ao todo, o PNAE beneficia 45,6 milhões de estudantes da educação básica.
O repasse é feito diretamente aos Estados e Municípios, com base no censo escolar realizado no ano anterior ao do atendimento.
O programa é acompanhado e fiscalizado diretamente pela sociedade, por meio dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs), pelo FNDE, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Secretaria Federal de Controle Interno (SFCI) e pelo Ministério Público.
O orçamento do programa para 2011 é de R$ 3,1 bilhões, para beneficiar 45,6 milhões de estudantes da educação básica e de jov- ens e adultos. Porém, com o art. 14 da Lei nº 11.947/2009, 30%
desse valor deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, medida que estimula o desenvolvimento econômi- co das comunidades.
Outro ponto a ser observado é que, conforme disposto no artigo 7º da Lei nº 11.947/2009,que trata da alimentação escolar, e no artigo 7º da Resolução do FNDE nº 38/2009, que regulamenta alguns itens da lei, os Estados poderão transferir a seus Municípios a re- sponsabilidade pelo atendimento aos alunos matriculados nos esta- belecimentos estaduais de ensino localizados nas respectivas áreas de jurisdição e, nesse caso, autorizar o repasse de recursos do FNDE referentes a esses estudantes diretamente aos Municípios. Ou seja, os Municípios não são obrigados a fornecer alimentação escolar para os alunos da rede estadual e somente com um acordo entre as duas partes pode ser realizada a delegação do atendimento dos estudantes da rede estadual aos Municípios.