Conforme o art. 43 da LDB, a educação superior, ministrada por instituições públicas ou privadas, tem por finalidade
l estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;
l formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, ap- tos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua for- mação contínua;
l incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;
l promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;
l suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integran- do os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura in- telectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;
l estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializa-
dos à comunidade e estabelecer com esta uma relação de recipro- cidade;
l promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
É certo que o ensino superior compreende cursos sequenciais, de graduação, de pós-graduação e de extensão41, com ano letivo regu- lar contendo, no mínimo, 200 dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver42.
No que tange aos diplomas de conclusão do ensino superior, a LDB, em seu art. 48, disciplina que os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular43. Já os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por uni- versidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou
41 “Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: I- cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente; II- de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo;
III- de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados, a respectiva ordem de classificação, bem como do cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os critérios para preen- chimento das vagas constantes do respectivo edital” (LDB).
42 No entanto, os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos, demonstra- do por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos, aplicados por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos sistemas de ensino (art. 47, § 2º, da LDB).
43 “Art. 48 (...) § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação”.
equivalente, respeitando-se os acordos internacionais de recipro- cidade ou equiparação (art. 48, §2º)44.
No caso dos diplomas dos mestrados e doutorados expedidos por universidades estrangeiras, só poderão ser estes reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior (art. 48, § 3º).
Cumpre registrar que, conforme a jurisprudência pátria, as ins- tituições de ensino superior não poderão cobrar taxas pela expe- dição de seus próprios certificados ou diplomas de conclusão de cur- so, haja vista que tais atos se enquadram na prestação de serviços já custeada pelas mensalidades45.
44 Com efeito, não há revalidação automática de diploma expedido por universidade estran- geira; senão vejamos, como exemplo, o seguinte julgado: “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGI- MENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS INFRINGENTES EM AGRAVO REGIMENTAL. REFORMA DA SENTENÇA DE MÉRITO, POR MAIORIA. CABIMENTO. ENSINO SUPERIOR. CURSO DE GRADUA- ÇÃO CONCLUÍDO NO EXTERIOR. REVALIDAÇÃO AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Está sedimentado no Superi- or Tribunal de Justiça o entendimento de que inexiste direito adquirido à revalidação auto- mática de diploma expedido por universidade estrangeira quando a conclusão do curso ocorreu na vigência do Decreto 3.007/99, que revogou o Decreto 80.419/77, passando-se a exigir a observância do procedimento previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96).2. Agravo regimental não provido” (STJ. AgRg no REsp 1109124/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 19/08/2010).
45 A propósito: “ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO INCISO II DO ART. 535 DO CPC – ENSINO SUPERIOR – COBRANÇA PELA EXPEDIÇÃO DE CERTIFI- CADO OU DIPLOMA DE CONCLUSÃO DE CURSO – IMPOSSIBILIDADE – RESOLUÇÃO CFE N. 3/
89.1. Inexistente violação do inciso II do artigo 535 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido.2. De acordo com o § 1º do art. 4º da Resolução CFE 3/89,
‘A mensalidade escolar constitui a contraprestação pecuniária correspondente à educação ministrada e à prestação de serviços a ela vinculados como matrícula, estágios obrigatórios, utilização de laboratórios e biblioteca, material de ensino de uso coletivo, material destinado a provas e exames, de certificados de conclusão de cursos, de identidade estudantil, de boletins de notas, cronogramas de horários escolares, de currículos e de programas’. (grifo meu.) 3. As Leis Federais n. 9.131/95 e 9.870/99 não dispuseram de maneira diversa nem revogaram expressamente o § 1º acima transcrito; portanto, tais normas não foram violadas pelo Tribunal de origem. Recurso especial improvido” (STJ. REsp 1091474/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/11/2009.DJe 25/11/2009).
Por sua vez, dispõe o art. 49 da LDB que as instituições de edu- cação superior aceitarão a transferência de alunos regulares para cursos afins, na hipótese de existência de vagas e mediante proces- so seletivo. Já as transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei46.
De igual modo, disciplina a LDB que as instituições de educação superior podem ser credenciadas como universidades, assim com- preendidas as instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam: a) pela produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos te- mas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional; b) por possuir um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; c) por possuir um terço do corpo docente em regime de tempo integral (art. 52 da LDB).
No exercício da sua autônima, garantida pelo art. 207 da Consti- tuição Federal47, as universidades poderão:
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior previstos nesta
46 Sobre o assunto: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO - POSSIBILIDADE JURÍDICA. É possível, juridicamente, formular -se, em inicial de ação direta de inconstitucionalidade, pedido de interpretação conforme, ante enfoque diverso que se mostre conflitante com a Carta Federal. Envolvimento, no caso, de reconhecimento de inconstitucionalidade. UNIVERSIDADE - TRANSFERÊNCIA OBRIGATÓRIA DE ALUNO - LEI Nº 9.536/97. A constitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 9.536/97, viabilizador da transferência de alunos, pressupõe a observância da natureza jurídica do estabelecimento educacional de origem, a congeneridade das instituições envolvidas - de privada para privada, de pública para pública -, mostrando-se inconstitucional interpretação que resulte na mesclagem - de privada para pública” (STF. ADI 3324, Relator(a): Min.
MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 16/12/2004, DJ 05-08-2005 PP-00005 EMENT VOL-02199-01 PP-00140 RIP v. 6, n. 32, 2005, p. 279-299 RDDP n. 32, 2005, p. 122-137 RDDP n. 31, 2005, p. 212-213).
47“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensi- no, pesquisa e extensão. § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica” (Constituição Federal).
Lei, obedecendo às normas gerais da União e, quan- do for o caso, do respectivo sistema de ensino;
II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as diretrizes gerais pertinentes;
III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, produção artística e atividades de extensão;
IV - fixar o número de vagas de acordo com a ca- pacidade institucional e as exigências do seu meio;
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimen- tos em consonância com as normas gerais atinentes;
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
VII - firmar contratos, acordos e convênios;
VIII - aprovar e executar planos, programas e proje- tos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar rendi- mentos conforme dispositivos institucionais;
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos;
X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas (art. 53 da LDB).
Para assegurar a autonomia didático-científica das universidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre: I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; II - ampliação e diminuição de vagas; III - elaboração da programação dos cursos; IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; V - contratação e dis- pensa de professores; VI - planos de carreira docente (art. 53, parágrafo único, da LDB).
Outrossim, as universidades públicas poderão ainda:
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, assim como um plano de cargos e
salários, atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis;
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em con- formidade com as normas gerais concernentes;
III - aprovar e executar planos, programas e proje- tos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os recursos aloca- dos pelo respectivo Poder mantenedor;
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais;
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funciona- mento;
VI - realizar operações de crédito ou de financiamen- to, com aprovação do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instalações e equipamen- tos;
VII - efetuar transferências, quitações e tomar ou- tras providências de ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho (art. 54, § 1º, da LDB).
Insta destacar que o art. 54, §2º, da LDB garante às instituições de ensino superior, que não sejam universidades, atribuições de au- tonomia universitária, desde que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público.
Por sua vez, o art. 56, do mesmo diploma legal, prevê que as instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegia- dos deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional. Inobstante, os docentes ocuparão 70%
dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes.