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O Atendimento Educacional Especializado (AEE)

5.6 DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

5.6.2 O Atendimento Educacional Especializado (AEE)

De acordo com o novo norte da educação especial, as pessoas

portadoras de deficiência (física, mental, intelectual ou sensori- al), transtornos globais do desenvolvimento (síndrome de As- peger, síndrome de Rett, autismo, por exemplo), assim como altas habilidades/superdotação devem ser matriculadas, concom- itantemente, no ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), previsto no art. 208, III, da Constituição Federal de 198851.

O AEE consiste no conjunto de atividades, recursos de acessibil- idade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar ao ensino regular, mas nunca substitutiva(art. 1º, § 1º, do Decreto nº 6.571/2008)52. Destina-se a oferecer aquilo que há de específico na educação de um aluno com deficiência, sem impedi-lo de frequentar, quando em idade própria, ambientes comuns de ensino53.

Esse atendimento deve ser ofertado no turno oposto ao do ensi- no regular, quer na própria escola em que o aluno estuda, em outra escola do ensino regular ou em instituição comunitária, confessional ou filantrópica sem fins lucrativos54. Todavia, nos termos do art.

208, III, da Constituição Federal, deve ser feito, preferencialmente, na rede regular de ensino.

51 “Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: (…) III- Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmen- te na rede regular de ensino”.

52 A Resolução nº 04/2009 do Conselho Nacional de Educação trata, detalhadamente, do AEE.

53 FÁVERO, Eugênia Augusta Gonzaga et al. Atendimento educacional especializado: aspec- tos legais e orientação pedagógica. Disponível em: < http://www .domínio público. gov.br / download/ texto/me004881>. Acesso em: 26 nov. 2010.

54 O AEE prestado por essas instituições não pode substituir a rede regular de ensino. Portan- to, as mesmas devem encaminhar seus usuários, quando em idade escolar, para a educação básica das escolas oficiais, inclusive para a educação de jovens e adultos - EJA, de acordo com o critério cronológico. Conforme o Plano Nacional de Educação de 2001-2010, esse prazo se expira em 2011.

55 A Lei nº 10.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão, determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão, bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integran- te do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia.

Nas escolas da rede regular, o AEE pode ser feito nas salas de recursos multifuncionais, que são ambientes dotados de equipamen- tos, mobiliários e materiais didáticos para oferta desse tipo de aten- dimento, a exemplo dos livros didáticos e paradidáticos em braile, áudio e em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)55, laptops com sin- tetizador de voz e outros equipamentos descritos no § 2º, do Decre- to nº 6.571/2008.

Outrossim, o AEE deve contar com professor específico, atuan- do conjuntamente com os demais professores do ensino regular.

Já, no caso dos alunos surdos, deve haver, obrigatoriamente, intérprete de libras nas salas de aula para tradução simultânea do conteúdo repassado56.

56A respeito, o Decreto nº 5.626/2005, em seu art. 14, dispõe: “Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunica- ção, à informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior. § 1o Para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto no caput, as instituições federais de ensino devem: I - promover cursos de formação de professores para:a) o ensino e uso da Libras;b) a tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa; ec) o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas;II - ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e também da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos; III - prover as escolas com:a) professor de Libras ou instrutor de Libras; b) tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa;c) professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas; d) professor regente de classe com conhecimento acerca da singulari- dade linguística manifestada pelos alunos surdos;IV - garantir o atendimento às necessida- des educacionais especiais de alunos surdos, desde a educação infantil, nas salas de aula e, também, em salas de recursos, em turno contrário ao da escolarização;V - apoiar, na comu- nidade escolar, o uso e a difusão de Libras entre professores, alunos, funcionários, direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de cursos; VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade linguística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa; VII- desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em Libras, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos;VIII - disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, bem como recursos didáticos para apoiar a educação de alunos surdos ou com deficiência auditiva. § 2o O professor da educação básica, bilíngue, aprovado em exame de proficiência em tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, pode exercer a função de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, cuja função é distinta da função de professor docente.§ 3o As institui- ções privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar atendimento educacional especializado aos alunos surdos ou com deficiência auditiva” (grifo nosso).

Como matérias específicas do AEE, tem-se o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), ensino da Língua Portuguesa para sur- dos, do código braille, de orientação e mobilidade, da utilização do soroban, da educação física adaptada, dentre outras.

Apesar de sua abrangência, o AEE não é sinônimo de educação especial, mas apenas um dos seus aspectos. Esta abrange, também, outras ações que garantam a educação inclusiva, tais como, a) a formação de professores e demais profissionais da educação para o atendimento educacional inclusivo, que pode ocorrer através das plataformas de educação à distância do Ministério da Educação e Cultura - MEC; b) a adequação arquitetônica de prédios escolares para acessibilidade57.