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Este estudo, que se propôs a aplicar os construtos de materialismo, consumo excessivo e propensão ao endividamento, foi realizado com 415 estudantes. Vale destacar que a amostra prevista no capítulo anterior registrou 402 alunos a serem pesquisados. No entanto, para a melhor compreensão das três atitudes de consumo, foram utilizados outros 13 alunos que foram questionados, sem nenhum questionário descartado da aplicação. A Tabela 6 descreve os valores.

Tabela 6 – Amostra da pesquisa planejada e realizada

Campus Universitário Amostra Planejada Amostra Realizada

Frequência % Frequência %

Balneário Camboriú 100 24,9 103 24,8

Biguaçu 25 6,2 28 6,7

Florianópolis 15 3,7 15 3,6

Itajaí 235 58,5 235 56,6

São José 17 4,2 17 4,1

Tijucas 10 2,5 17 4,1

Total 402 pesquisados 100 415 pesquisados 100

A partir da apresentação do número de indivíduos que participaram do levantamento quantitativo – entre amostra planejada e realizada – a Tabela 7

identifica o número de alunos e porcentagem de participação para cada campus universitário pesquisado.

Tabela 7 – Alunos, cursos e campus universitário

Campus Universitário Número de pesquisados % de participação Balneário Camboriú

58

24,8 34

11

Total 103 pesquisados

Biguaçu 19

9 6,7 Total 28 pesquisados

Florianópolis 15

Total 15 pesquisados 3,6 Itajaí

63

56,6 50

28 20 17 57

Total 235 pesquisados

São José 9

8 4,1 Total 17 pesquisados

Tijucas 9

8 4,1 Total 17 pesquisados

Total Geral 415 estudantes 100%

Como é possível identificar na Tabela 7, os campi de Itajaí (56,6%) e Balneário Camboriú (24,8%) possuíram a maior representação na amostra deste estudo. Os demais, somados, representaram 18,56% da pesquisa e são:

Florianópolis Ilha (3,6%), Biguaçu (6,7%), São José (4,1%) e Tijucas (4,1%), respectivamente. Já a Tabela 8 destaca as variáveis sociodemográficas e o perfil dos estudantes que foram entrevistados, divididos em: idade, gênero, estado civil, ocupação profissional e moradia.

Tabela 8 – Variáveis sociodemográficas dos pesquisados

Variáveis Alternativas Frequência Percentual (%)

Idade Até 20 completos 210 50,60

21 a 30 anos completos 205 49,40

Total 415 100

Gênero Masculino 132 31,81

Feminino 283 68,19

Total 415 100

Estado Civil Solteiro (a) / Separado (a) Viúvo (a) 345 83,13

Casado (a) / Mora Junto (a) 70 16,87

Total 415 100 Ocupação

Profissional

Não Trabalha / Desempregado (a) 130 31,33

Conta Própria / Autônomo (a) 25 6,02

Empresário (a) 17 4,10

Estagiário (a) 81 19,52

Empregado (a) Assalariado (a) 153 36,87

Funcionário (a) Público (a) 9 2,17

Total 415 100

Moradia Moro Sozinho (a) 61 14,70

Moro com Familiares, Companheiros (a) e/ou Amigos.

354 85,30

Total 415 100

A amostra de estudantes pesquisados possuía a idade média 23,13 anos completos, distribuídos igualmente entre as faixas etárias até 20 anos (50,60%) e entre 21 e 30 anos (49,40%), com predominância feminina (68,19%), solteiros, separados e viúvos (83,13%) que trabalhavam (68,67%) e moravam com seus familiares, companheiros ou amigos (85,30%).

A Tabela 9, sumariza o gênero dos entrevistados e suas respectivas situações civis. Mulheres solteiras, separadas ou viúvas representaram 82,33%, enquanto homens nas mesmas situações, totalizaram 84,85% da amostra.

Tabela 9 – Gênero e situação civil dos entrevistados

Gênero Situação Civil Frequência Percentual

Feminino Solteiras, separadas ou viúvas 233 82,33

Casadas ou que moram junto 50 17,67

Total 283 100

Masculino Solteiros, separados ou viúvos 112 84,85

Casados ou que moram junto 20 15,15

Total 132 100

Questionados quanto ao tipo de emprego, os entrevistados do gênero feminino que trabalhavam somaram 60,20% e masculino 86,14%. O total de desempregados durante a realização da pesquisa foi de 53,66%. A Figura 5 (histograma) identifica o gênero dos entrevistados com suas respectivas ocupações profissionais.

Figura 5 – Gênero e ocupação profissional dos entrevistados

Os dados relativos à renda, às classificações econômicas e às ajudas financeiras dos indivíduos foram analisados separadamente, uma vez que esse estudo possui foco em consumo e propensão ao endividamento e essas variáveis são importantes indicadores de análise de consumo excessivo e endividamento dos entrevistados. Tais informações são retratadas na Tabela 10.

Tabela 10 – Classificação econômica da amostra

Variáveis Alternativas Frequência Percentual (%)

Renda Mensal Bruta Familiar

(Classificação econômica IBGE)

Classe A 31 7,48

Classe B 67 16,14

Classe C 143 34,46

Classe D 119 28,67

Classe E 55 13,25

Total 415 100

Posse de bens e escolaridade do chefe da

família.

(Classificação econômica Critério Brasil)

Classe A1 4 0,96

Classe A2 51 12,29

Classe B1 119 28,67

Classe B2 142 34,22

Classe C1 76 18,31

Classe C2 16 3,86

Classe D 7 1,69

Classe E 0 0

Total 415 100

Ajuda Financeira Não recebe ajuda financeira 181 43,61 Ajuda Governamental (bolsa

família e bolsas de estudo)

50 12,05

39,80% 44,18%

11,39%

1,40% 2,10% 1,13%

o trabalha

Emp regada Assa

lariada Estagiária

Funcionária blica Conta Própria | Au

noma Emp

reria Feminino

13,86%

45,50%

18,30%

1,39%

9,15% 11,80%

o trabalha

Emp regaoa Assa

lariado Estagiário

Funcionário blico Conta Própria | Aunomo

Emp rerio Masculino

Ajuda dos Pais 168 40,48

Ajuda de Amigos 0 0

Ajuda de Parentes 6 1,45

Ajuda de Avós 10 2,41

Total 415 100

Foram utilizadas as duas classificações econômicas mais usadas em pesquisas quantitativas: a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, que considera apenas a renda familiar em salários mínimos e o Critério Brasil (CB).

Esse último método, desenvolvido foi pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa - ABEP, abandona os valores de rendas mensais, difíceis de serem revelados. A mensuração das classes econômicas dos indivíduos acontece por pontos adquiridos em escalas. Tais pontos são obtidos pela posse de bens duráveis, como carros, televisores, rádios, máquinas de lavar, além do número de empregadas domésticas mensalistas, número de banheiros da residência e escolaridade do chefe da família. Dessa forma, de acordo com a Tabela 10, é possível verificar que ocorreram diferenças entre as duas classificações econômicas utilizadas e os percentuais dos entrevistados. Essas diferenças são apresentadas de na Tabela 11.

Tabela 11 – Diferenças entre os valores do Critério Brasil e IBGE

Diante da disparidade das informações, optou-se por admitir como classificação o Critério Brasil, pois se acredita que diversos pesquisados optaram por omitir as informações relativas à renda familiar do IBGE e a metodologia escolhida impede essa omissão. Dessa forma, considerando-se as classes econômicas do CB, os pesquisados se distribuíram em: classe A (13,25%), classe B (62,89%), classe C (22,17%) e D (1,69%). Nenhum participante da pesquisa se enquadrou na classe E.

Critério Brasil (CB) % Critério IBGE % Diferenças entre CB e IBGE Classes Econômicas Classes Econômicas

A (A1 e A2 somadas) 13,25 A 7,48 5,77

B (B1 e B2 somadas) 62,89 B 16,14 46,75

C (C1 e C2 somadas) 22,17 C 34,46 -12,29

D 1,69 D 28,67 -26,98

E 0 E 13,25 -13,25

Total 100 100

Em outro momento do levantamento survey, os estudantes deveriam responder se recebiam ou não ajudas financeiras. Os resultados indicaram que os pais ainda beneficiavam financeiramente os estudantes, pois representaram 40,48%

do total. No entanto, o número que se refere a nenhum tipo de ajuda foi relevante, pois 43,61% dos alunos não receberam apoio, o que representou individualidade na gestão financeira da amostra. As demais ajudas indicaram 16,31% e se distribuíram entre: governamental por bolsa família e bolsas de estudos (12,5%), ajudas de amigos, parentes (3,86%).

Por se tratar de endividamento financeiro, este estudo buscou quantificar dados econômicos dos pesquisados. A Tabela 12 resume os tipos de conta bancárias mais utilizadas, o atraso no pagamento das dívidas, os produtos que ocasionaram o endividamento do universitário e, finalmente, as justificativas que são dadas por não pagar as dívidas na data do vencimento.

Tabela 12 – Variáveis econômicas e endividamento dos pesquisados

Variáveis Alternativas Frequência Percentual (%)

Possui Conta Bancária Sim 347 83,61

Não 68 16,39

Total 415 100

Tipos de produtos bancários (*) Múltipla escolha

Conta Corrente 212 38,06

Conta Universitária 80 14,36

Conta Conjunta 32 5,75

Conta Poupança 180 32,32

Conta Salário 53 9,52

Total (*) 557 100

Dívidas Sim 203 48,92

Não 212 51,08

Total 415 100

Tipos de Produtos que representam as dívidas

(*) Múltipla escolha

Cartão de Crédito 128 36,36

Crédito Consignado 11 3,13

Financiamento de Carro 48 13,64

Cartão de Débito 10 2,84

Crédito Pessoal 34 9,66

Financiamento de Casa 12 3,41

Cheque 14 3,98

Carnês de Lojas 70 19,89

Crediários 25 7,10

Total (*) 352 100

Pagamentos em Atraso Sim 133 65,5

Não 70 34,5

Total 203 100

Justificativa pelo pagamento em atraso

Falta de planejamento 35 26,3%

Desemprego ou queda na renda

12 9,0%

Alta propensão ao consumo 19 14,3%

Alta taxa de juros 11 8,3%

Ausência do desconto a vista 1 0,8%

Empréstimo do nome 4 3,0%

Problemas de saúde 2 1,5%

Má gestão do dinheiro 43 32,3%

Acesso ao crédito 6 4,5%

Total 133 100

Na Tabela 12, é possível identificar grande percentual de alunos que possuía conta bancária, pois somou 86,61% da amostra. Entretanto, as contas mais utilizadas pelos entrevistados foram: conta corrente (51,08%) e poupança (43,37).

Conjuntas e contas salário somaram 20,48% de uso dos pesquisados. Os estudantes que possuíam algum tipo de endividamento somaram 48,92% da amostra, número expressivo, pois representa cerca de 203 estudantes, contra 212 que não assumiram nenhum tipo de endividamento financeiro.

Dentre os alunos que indicaram possuir dívidas, o maior percentual aconteceu pelo uso do cartão de crédito, pois somou 36,36%. Outros dois produtos financeiros também indicaram escores representativos, como carnês de lojas (19,89%) e financiamento de veículos (13,64%). A soma dos demais produtos representou 30,12% e se distribuiu entre: crédito pessoal (9,66%), crediários (7,1%), cheque (3,98%), financiamento de casa (3,41%), crédito consignado (3,13%) e cartão de débito (2,84%).

Embora a representação dos estudantes que possuíam algum tipo de débito foi identificada, os alunos deveriam responder se havia atraso ou não do pagamento dessas dívidas. Cerca de 65,5% estavam em atraso, justificados pela maioria por:

má gestão orçamentária (32,3%), falta de planejamento (26,3%) e alta propensão ao consumo (14,3%). Demais justificativas marcaram 27,1%: desemprego ou queda na renda (9,0%), alta taxa de juros (8,3%), facilidade no acesso ao crédito (4,5%), empréstimo do nome (3,0%), problemas de saúde (1,5%) e ausência do desconto à vista (0,8%).

Com a exposição do número de estudantes endividados e não endividados, é importante ressaltar a Tabela 13, que compara as variáveis sociodemográficas e as atitudes de endividamento financeiro dos pesquisados.

Tabela 13 – Comparação dos dados sociodemográficos e endividamento financeiro

Variáveis Alternativas Endividados

(%)

Não Endividados (%)

Idade Até 20 completos 55,71 44,29

21 a 30 anos completos 86,34 13,66

Gênero Masculino 50,76 49,24

Feminino 47,70 52,30

Estado Civil Solteiro (a) / Separado (a) Viúvo (a) 43,77 56,23

Casado (a) / Mora Junto (a) 74,29 25,71

Moradia Moro Sozinho (a) 42,62 57,38

Moro com Familiares e/ou Amigos. 50,0 50,0 Classes

Econômicas

A1 e A2 somadas 23,61 76,39

B1 e B2 somadas 49,43 50,57

C1 e C2 somadas 57,61 42,39

D 57,14 42,87

Na comparação exposta na Tabela 13, é possível identificar que os indivíduos com até 20 anos completos (55,71%) estavam menos endividados que os pesquisados com idade entre 21 e 30 anos (86,34%), pois existiu a diferença superior a 30 pontos percentuais entre os grupos. No entanto, os escores da comparação entre o gênero e o débito financeiro marcaram diferenças tênues, homens (50,76%) demonstraram contrair mais dívidas do que as mulheres (47,70%).

Para os pesquisados que eram solteiros, separados ou viúvos, cerca de 43,77% indicaram possuir dívidas, já os indivíduos casados ou que moravam juntos, cerca de 74,29%, estavam em débito financeiro. Estudantes que moravam sozinhos, representaram 42,62% dos grupos de endividados, contra 57,38% que assinalaram não ter nenhum tipo de débito. Para os dados dos alunos que moravam com os familiares ou amigos, metade dos entrevistados, ou seja, 50% indivíduos indicaram a inadimplência financeira.

Como esperado, as classes econômicas de menor renda demonstraram possuir mais dívidas do que as demais. Dos entrevistados da classe A, apenas 23,61% afirmaram possuir algum tipo de débito. Já a classe B, cerca de 49,43%, indicou dívidas. Entretanto, nas classes C e D – que representam a baixa renda brasileira – os dados indicam a dificuldade em gerir suas rendas. Na classe C, cerca de 57,61% estavam endividados, o que se repetiu para a D, pois 57,14% dos estudantes pesquisados possuíam algum tipo de dívida financeira.

Dentre os estudantes que estavam em débito financeiro (n=203), o levantamento quantitativo questionou o nível dessas dívidas. Para isso, os estudantes deveriam mensurar o seu débito entre: 1 e 2 – pouco endividado; 3 a 5 –

mais ou menos endividado; 6 e 7 – muito endividado. Os resultados encontrados são descritos na Tabela 14.

Tabela 14 – Níveis de endividamento dos estudantes

Escala entre 1 e 7

Frequência Total (%)

Gênero (%) Idade (%)

Homens Mulheres Até 20 anos

Entre 21 e 30

1 Pouco

endividado

36 17,73 75,0 25,0 35,6 64,4

2

3 Mais ou menos endividado

65 32,02 67,1 32,9 70,8 29,2

4 5

6 Muito

endividado

102 50,25 71,6 28,4 86,3 13,7

7

Total geral 203 100

Embora se tenha dificuldade de mensurar os valores das dívidas em números por se tratar de um tema que pode causar constrangimento aos pesquisados, na Tabela 14 é possível identificar um escore representativo de estudantes com altos níveis de débito. Os pesquisados “muito endividados” representaram 50,25% da amostra, porém ao segmentá-los por gênero, os homens somaram 71,6% e, com base nas idades, os mais jovens com até 20 anos completos atingiram 86,3% do total. Se forem considerados os indivíduos “mais ou menos endividados” no total de estudantes, o percentual atinge 32,02%.

Esses índices de endividamento podem ser explicados por duas causas questionadas neste estudo: o ato de poupar dinheiro e os níveis de gastos versus rendimento. Na primeira variável, os estudantes deveriam responder o quanto conseguem guardar de sua renda com base em uma escala de 1 a 7 na qual as notas 1 e 2 significavam “nunca consigo guardar o meu dinheiro”; 3, 4 e 5 correspondiam a “algumas vezes consigo guardar o meu dinheiro” e 6 e 7, “sempre consigo guardar o meu dinheiro”. A Tabela 15 aponta os resultados.

Tabela 15 – Comparação entre o ato de poupar e endividamento Escala entre

1 e 7

Endividados Não Endividados

Frequência (%) Frequência (%)

1 Nunca consigo guardar

142 70,0 10 4,7

2

3 Algumas vezes consigo guardar

54 26,6 89 42,0

4 5

6 Sempre consigo guardar

7 3,4 113 53,3

7

Total geral 203 100 212 100

Percebe-se, na Tabela 15, os estudantes que nunca conseguiram poupar são os mais endividados, representando 70,0% do total do segmento. A segunda questão envolveu o mesmo procedimento anterior, entretanto a avaliação aconteceu pela relação entre despesas e rendimento. Os resultados são descritos na Tabela 16.

Tabela 16– Níveis de gastos e consumo Escala entre

1 e 7

Endividados (%) Não Endividados

Frequência (%) Frequência (%)

1 Gasto menos que ganho

30 14,8 102 48,1

2

3 Gasto igual ao que

ganho 76 37,4 92 43,4

4 5

6 Gasto mais que ganho

97 47,8 19 9,0

7

Total geral 203 100 212 100

Constatam-se, com os dados da Tabela 16, as diferenças entre as atitudes de consumo dos jovens universitários. As alternativas se comportaram de maneiras diferentes entre os dois grupos, ou seja, endividados tendem a gastar mais do que recebem, pois resultou em 47,8% dos pesquisados. Como esperado, as pessoas que não estavam em débito financeiro teriam maior facilidade na gestão financeira de seus recursos, uma vez que as opções gasto menos do que ganho (48,1%) e gasto igual ao que ganho (43,4%) totalizaram 91,5% dos respondentes.

Todos esses dados expostos fornecem subsídios para as análises estatísticas, pois se percebe que um número expressivo de estudantes – na amostra pesquisada – possui dívidas em diversos produtos bancários e financeiros, causadas pelas atitudes positivas ao materialismo e ao consumo excessivo. Outras discussões são feitas nos próximos itens desse capítulo.