repete com a atitude de poupar o dinheiro, pois as pessoas com maior dificuldade econômica atingiram a média de 3,789 mais alta no construto.
Média geral da dimensão prazer em comprar 2,275
Compra inconsequente
Q7 Muitas das vezes eu compro algo que realmente quero sem pensar muito, embora eu não deveria comprá-lo com base nas minhas condições financeiras.
3,190 1,994
Q8 É típico que eu passe por imprudente por não ter dinheiro suficiente para pagar todas as minhas compras.
1,793 1,359
Q9 Durante as compras, muitas vezes eu gasto mais do que eu deveria (com base nas minhas condições financeiras) sem que eu perceba isso.
2,427 1,704
Média geral da dimensão compra inconsequente 2,470
Compra por emoção / excitação
Q10 Eu gasto muito quando estou de bom humor, embora as compras possam me colocar em dificuldades financeiras.
2,046 1,446
Q11 Quando eu estou bem emocionalmente, compro um monte de coisas, embora eu não tenha dinheiro suficiente para pagar todas as minhas compras.
1,841 1,309
Q12 Eu gosto de fazer compras quando estou de bom humor, embora compre coisas que eu não deveria, se pensar na minha situação financeira
2,111 1,496
Média geral da dimensão compra por emoção 1,999 Autocontrole
financeiro
Q13 Eu acompanho bem as minhas despesas, para fins de orçamento.
2,961 1,787 Q14 Eu realmente posso impedir-me de comprar coisas
que eu não deveria, se eu pensar na minha situação financeira.
2,781 1,765
Q15 Eu examino e avalio o meu comportamento de compra, com a finalidade de cuidar do meu orçamento.
2,894 1,787
Média geral da dimensão autocontrole financeiro 2,878
Na primeira dimensão do construto, compreendida pela representação da compra por status ou ascensão social, a maior média foi registrada pela Q3 (2,617),
“Eu tenho muito prazer em comprar coisas agradáveis, embora eu tenha dificuldade financeira”. A média geral da dimensão atingiu o escore de 2,251, o que indicou valores baixos de consumismo dos entrevistados, ou seja, o consumo pode não representar status e produtos não indicam posição social para os estudantes. Esse mesmo resultado pode ser encontrado na segunda dimensão, que mediu o prazer em comprar, pois as questões Q4 (2,311), “Comprar é uma forma de me sentir melhor, mesmo que depois eu possa enfrentar dificuldades financeiras”, Q5 (2,313),
“Quando estou com um baixo emocional, gasto mais do que eu deveria com base na minha condição financeira”, e Q6 (2,202), “Para mim, fazer compras é uma maneira de aliviar o estresse, embora eu talvez tenha que enfrentar dificuldades financeiras”, mantiveram médias moderadas no construto. A média geral da dimensão “prazer em comprar” marcou 2,275.
A terceira dimensão, que visou a mensurar o nível dos consumidores em adquirir objetos sem pensar nas suas situações financeiras – compra inconsequente – obteve a média de 2,470. Na dimensão anterior, pôde-se compreender que os estudantes da pesquisa, por vezes, compravam objetos para suprir carências afetivas e baixa autoestima.
Assim, na compra inconsequente, a maior média foi registrada pela Q7 (3,190), “Muitas das vezes eu compro algo que realmente quero sem pensar muito, embora eu não deveria comprá-lo com base nas minhas condições financeiras”, e indica a inconsequência e a falta do planejamento de compras. Já as afirmações Q8 (1,793) “É típico para mim, passar por imprudente, por não ter dinheiro suficiente para pagar todas as minhas compras” e Q9 (2,427) “Durante as compras, muitas vezes eu gasto mais do que eu deveria (com base nas minhas condições financeiras) sem que eu perceba isso”, obtiveram baixos escores no construto.
Na Tabela 28, pôde-se compreender que a compra por emoção ou excitação do consumidor obteve as menores médias de todo o construto (1,999). Esse resultado confirma os indícios citados anteriormente de que, apesar do alto nível de endividados da amostra (233), o estado emocional das pessoas não possui influência no comportamento de compra, pois as afirmações Q10 (2,046), “Eu gasto muito quando estou de bom humor, embora as compras possam me colocar em dificuldades financeiras”, Q11 (1,841), “Quando eu estou bem emocionalmente compro um monte de coisas, embora eu não tenha dinheiro suficiente para pagar todas as minhas compras”, e Q12 (2,111), “Eu gosto de fazer compras quando estou de bom humor, embora compre coisas que não deveria, se pensar na minha situação financeira”, mantiveram baixas médias na dimensão.
Embora este estudo tenha utilizado outras afirmações para mensurar o controle financeiro dos estudantes, optou-se por manter a dimensão Autocontrole do construto de Wu (2006), já que ela é plenamente compatível com os objetivos deste trabalho. Dessa maneira, obtiveram-se duas oportunidades que podiam medir a capacidade de controlar os gastos dos pesquisados. As médias dessa dimensão, conforme a Tabela 28, marcaram baixos escores, o que indicou a falta de controle e gestão financeira dos estudantes, registradas por Q13 (2,961), “Eu acompanho bem as minhas despesas, para fins de orçamento”, Q14 (2,781), “Eu realmente posso impedir-me de comprar coisas que eu não deveria, se eu pensar na minha situação
financeira”, e Q15 (2,894), “Eu examino e avalio o meu comportamento de compra, com a finalidade de cuidar do meu orçamento”.
Os estudantes representaram índices medianos de consumo, pois a maior média foi registrada pela dimensão compra inconsequente, na variável Q7 (3,190).
Isso indica que, por muitas vezes, os estudantes passam a não controlar os seus impulsos de compra, levando-os ao endividamento. No entanto, o menor escore foi encontrado na mesma dimensão. A questão Q8 registrou a média de 1,793 e discutiu a imprudência de compra.
O construto de Wu (2006) obteve bom desempenho nas dimensões e variáveis de análise, consideradas pelo alfa de Cronbach e pela capacidade de captar a variabilidade (desvio padrão) entre os entrevistados. Como a pesquisa aplicada pelo autor, este estudo utilizou-se das médias para conferir os papéis de compra dos universitários pesquisados. Os índices constituídos pelas cinco dimensões de Wu (2006) indicaram que – para a amostra estudada – estudantes possuem moderada consciência de compra.
Como o construto de materialismo dos autores Richins e Dawson (1992), o consumo excessivo de Wu (2006) também conteve as alternativas reversas com o intuito de verificar a veracidade dos estudantes em responder o questionário (Q13, Q14 e Q15). A Tabela 29 resume as médias gerais dos construtos e suas devidas modificações nos valores das variáveis (destaques em cinza).
Tabela 29 – Médias gerais do construto de consumo excessivo com afirmações reversas
Dimensões e afirmações Média Média alterada
D1 Atração por produtos como sinal de status 2,251 -
D2 Prazer em comprar 2,275 -
D3 Compra inconsequente 2,470 -
D4 Compra por emoção / excitação 1,999 -
D5 Autocontrole financeiro 2,878 5,130
Q13 Eu acompanho bem as minhas despesas, para fins de orçamento.
2,961 Eu não acompanho bem as minhas despesas, para fins
de orçamento.
5,0433 Q14 Eu realmente posso impedir-me de comprar coisas que
eu não deveria, se eu pensar na minha situação financeira.
2,781
Eu realmente não posso impedir-me de comprar coisas que eu não deveria, se eu pensar na minha situação financeira.
5,2212
Q15 Eu examino e avalio o meu comportamento de compra, com a finalidade de cuidar do meu orçamento.
2,894 Eu não examino e avalio o meu comportamento de
compra, com a finalidade de cuidar do meu orçamento.
5,1138 Média geral do construto de consumo excessivo 2,375 2,825
Como exposto na Tabela 29, as afirmações Q13, Q14 e Q15 (destaques em cinza) sofreram modificações nos valores. Entretanto, nas dimensões D1, D2, D3 e D4 não existiam as afirmações reversas. Houve o aumento da média do construto de consumo excessivo, pois finalizou em 2,825. Esses índices reforçam os comentários anteriores, pois os jovens estudantes indicaram a dificuldade de controle e gestão financeira dos rendimentos financeiros. As próximas análises aconteceram pela média alterada da dimensão D5, pois com essa modificação são demonstrados os valores que indicam o consumo excessivo dos indivíduos.
A partir das médias expostas foram realizadas análises cruzadas entre o consumismo e as variáveis sociodemográficas dos entrevistados: idade, gênero, estado civil, dívidas e classes econômicas. Para tanto, foi aplicado o teste t para amostras independentes. A Tabela 30 identifica os valores e são discutidos a seguir.
Tabela 30 – Variáveis sociodemográficas e o construto de consumo excessivo
Variáveis Alternativas Média t
Idade Até 20 completos 2,4552 1,8797**
21 a 30 anos completos 2,3658
Gênero Masculino 2,4338 3,2463**
Feminino 2,3482
Estado Civil Solteiro (a) / Separado (a) Viúvo (a) 2,4397 1,5944*
Casado (a) / Mora Junto (a) 2,2264
Dívidas Sim 2,4495 1,9317*
Não 2,2559
Classes Econômicas A1, A2, B1 e B2 somadas (alta renda) 2,4543 1,0132*
C1, C2 e D somadas (baixa renda) 2,4868 Nota: * Significativo em p<0,05; ** Significativo em p<0,01
Na Tabela 30 não ocorreram diferenças significativas entre o gênero dos entrevistados e as médias do construto, pois as médias das acadêmicas (2,348) e os homens (2,4338) não ultrapassaram 0,2 pontos de diferença. Wu (2006) não realizou comparações entre o gênero e seu construto de consumo excessivo. No entanto, Dittmar e Drury (2005) e Ridgway e colaboradores (2006, 2008) descreveram que as maiores médias de consumo excessivo, na amostra pesquisada pelos autores, foi masculino, o que corrobora os resultados deste estudo.
Faber e O`Guinn (1989), Black (1996), Dittmar e Drury (2005), Wu (2006) e Ridgway (2006, 2008) encontraram relação entre o consumo excessivo e as baixas
idades dos pesquisados. Esta pesquisa aplicada chegou aos mesmos resultados, pois indivíduos com até 20 anos obtiveram a média de 2,455 e os estudantes com idade entre 21 e 30 anos, 2,365. O estado civil dos entrevistados marcaram diferenças significativas no cruzamento dos dados. Estudantes solteiros, separados ou viúvos (2,439) assumiram consumir mais do que os alunos casados (2,226).
A literatura abordada por Wu (2006) indica que o endividamento pode ser a causa do consumo excessivo. Nesta pesquisa, os alunos que estavam em débito financeiro (2,449) se demonstraram mais consumistas do que aqueles que não possuíam dívidas (2,255). No entanto, as classes econômicas A e B (alta renda) indicaram o menor escore no construto (2,454) e C e D (baixa renda) a maior média (2,486). Os resultados encontrados neste trabalho seguem os mesmos achados por Faber e O`Guinn (1989), Black (1996), Ridgway (2006, 2008), pois descreveram as classes inferiores com os maiores índices de consumo.
Embora os itens anteriores comparassem as médias do consumo excessivo e as variáveis sociodemográficas dos estudantes, buscou-se verificar as correlações entre esses dados. Tais índices foram gerados a partir da matriz de Correlação Spearman para o gênero e Pearson para idade e classes econômicas.
Novamente, seguiram-se as instruções de Hair Júnior e colaboradores (2005), pois determinam que os valores devem seguir: i) correlação leve, quase imperceptível (0,01 a 0,20); ii) correlação pequena, mas definida (0,21 a 0,40); iii) correlação moderada (0,41 a 0,70); iv) alta correlação (0,71 a 0,90); v) correlação muito forte (0,91 a 1,00). A Tabela 31 evidencia os valores da matriz.
Tabela 31 – Correlação de Spearman entre consumo excessivo e gênero.
Construto e dimensões Correlações de Spearman com:
Gênero * Atração por Produtos como Sinal de Status 0,026
Sig. (bicaudal) -0,591
Prazer em Comprar -0,001
Sig. (bicaudal) 0,977
Compra Inconsequente 0,064
Sig. (bicaudal) 0,194
Compra por Emoção / Excitação 0,081
Sig. (bicaudal) 0,097
Autocontrole Financeiro -0,046
Sig. (bicaudal) 0,348
Construto Geral Consumo Excessivo 0,025
Sig. (bicaudal) 0,605
Nota: * Significativo em p<0,01
Todos os resultados da Tabela 31 apontaram que nenhuma correlação pode ser realizada – dados os valores baixos ou negativos de Spearman – entre a variável do estudo e as dimensões do construto, ou seja, não se pode afirmar que existe associação entre o gênero e o consumismo. Embora o resultado tenha gerado isso, nenhum estudo foi encontrado que tenha aplicado os mesmos tratamentos descritivos.
A aplicação da Correlação de Pearson para consumo excessivo versus idade e classes sociais foi realizada. Para isso, observaram-se os índices seguidos por Pestana e Gageiro (2003) para os quais as correlações devem seguir: valores menores que 0,2 indicam correlação muito baixa; entre 0,2 e 0,39 baixa; entre 0,40 e 0,69 moderada; entre 0,7 e 0,9 alta e acima de 0,9 muito alta.
Tabela 32 – Correlações de Pearson entre idade, classes econômicas e consumo excessivo Construto e Dimensões
Correlações de Pearson com:
Idade Classes Econômicas 2 Atração por Produtos como Sinal de Status 0,089* 0,013*
Sig. (bicaudal) 0,070 0,796
Prazer em Comprar 0,016* -0,081*
Sig. (bicaudal) 0,744 0,100
Compra Inconsequente 0,000* -0,002*
Sig. (bicaudal) 0,998 0,967
Compra por Emoção / Excitação -0,003* -0,027*
Sig. (bicaudal) 0,957 0,581
Autocontrole Financeiro -0,046* 0,006*
Sig. (bicaudal) 0,346 0,904
Construto Geral Consumo Excessivo 0,013* -0,025*
Sig. (bicaudal) 0,793 0,607
Nota: * Significativo em p<0,01
Para as correlações geradas com o construto e a idade dos pesquisados não houve nenhuma dimensão que possa ser considerada nesta pesquisa, pois todos os dados se mantiveram abaixo do esperado, assim como os resultados do construto geral, que marcou o valor de -0,025. Os estudos relacionados na fundamentação teórica deste trabalho, assim como as análises com os outros autores não mostraram a relação entre o construto e a idade dos consumidores. Tais considerações podem ser enquadradas, também, para a correlação entre consumo
excessivo e classes econômicas, uma vez que nenhum estudo aplicou a correlação entre essas variáveis.