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Citação do executado

No documento execuções de sentenças (páginas 43-53)

ART.37

Para o ingresso e progresso da execução deve ser citado o vencido ou aquelle que lhe é subrogado na obrigação de cumprir a sentença, assim como a mulher do que fôr casado quando se tracfca de bens de raiz ou direitos reaes, e em todos os casos em que o marido não pôde estar em jniso sem sua mulher. Esta citação deve ser pessoal, e regula-se pelas formulas e determinações que a lei prescreve para a citação inicial das acções. Orâ. L, 2.°

til. 6.° §1.° e L. 3.° tit. 1.° § 9.°, tit, 9 S 12, tit. 76 § 2.°, dl.

63 § 5.°, tit. 75pr.t til. 86 §§ 27 e 28 e tit. 47 pr. § 3.° (1)

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Se a sentença foi sobre acção de força, não é citado o executado, e em virtude da sentença, passa-se mandado de immissão na posse que é restituída ao vencedor. SUP. á Orâ. L. 3.° tit. 48 ad ruòr., Peg. For. cap. 2." n. 10.

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ART.39

Não pôde ser citado o procurador mesmo tendo poderes gemes para a acção e execução, se o constituinte houver reservado para si a nova citação : e em todo o caso, é necessário qne o executado esteja fora da comarca, e"qne o procurador tenha acceitado a pro- curação. Ord. L. l.° tit. l.° | 3.° elit. 2.°pr., Alm. e 8ous.

§j> 89 e 90, Mor. L. G.° cap. 1.° ns. 23 e 42.

ABT.40

Se porém o vencido tiver sido citado no principio da acção para todos os termos d'ella e da execução, por estar para se retirar do Império, e effeetivamente se retirar, pôde ser citado o procurador constituído, embora o auctor reservasse para si a nova citação. Mor. cit. n. 24, Piía-b.

P. l.° art. 20, Per. e Sons. not. 780. (2)

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. 41

Se durante o curso da execução, o executado perdeu a capacidade civil que tinha quando principiou a acção, ou adquiria a qne não tinha, a execução corre legalmente contra elle na qualidade que tinha durante o processo, emquanto em juiso não constar anthenti-camente qualquer dos factos, e só depois de constar, terá de se proceder segundo o caso exigir. Dali. Repert. v. jugem.

n. 368, Arg. da Ord. L. 'ò.° til. 47 § 3.°(3) ART.42

A falta ou nnllidade da citação para a execução da sentença, é causa de nnllidade absoluta de todo o pro- cesso. Ord. L. 3.° til. 75 pr. e tit. 87 § 1.°

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Esta citação chama-ce vulgarmente—requisição— e faz-se ú vista da carta do sentença ou mandado de solvendo, independente de petição e despacho.

(1) Mor. L. O.Vap. 14 ns. 37 c 38 citando Per. e Gama, 6 de opinião de que a falta de citação não importa n u l l i d a d e da execução e mesmo da arrematação ou adjudicação, se o executado não ai legar c provar ao mesmo tempo quo d'essa falta lhe proveiu prejuiso, o que applicou também á falta da citação da mulher nos casos em que devera ser citada quer por acção real, quer por se ter feito penhora em bens de raiz. Silva á Ord. L. 3." tit. 30 § 27 n. 45 o Peg. For. C. J03 seguem o mesmo parecer.— Alm. e Sous. ex §§ 411 a 413 refuta triíimphantc- mente estes pareceres. Embora a Ord. cit. tit. 86 § 27 não tenha decreto irritante, é certo que tudo quanto se practica contra a forma da lei 6 nullo ainda que olla não eommino a pena de nullidade. o a L. de 20 de Junho no exórdio e §§ 4." 6." e 7." consigna formaes preceitos prohibitivos, e finalmente no § 45 manda observar em tudo a forma d'ella sem embargo de qnaesquer lei, praticas ou estylos em contrario.

Vid. not. 27 cap. 6."

( 2 ) Alm. e Soits., ex § 90, expõe largamente a discussão que tem havido entre diversos reinicolas sobre o assumpto do texto. Mor. qniz conciliar os diversos pareceres fasendo distincçòes que consideramos demasiadamente casuísticas, entre procuração com poderes ad negocia e adjudicia, concluindo que, se a causa correu com procurador que tinha poderes es-peciaes para cila e para receber nova citação, deve cntender-.se que os tem para execução. Seguimos o parecer de Alm. e Sova., que na nota ao § 30 concilie que em caso algum em que o constituinte reserva para si a nova citação, o procurador geral é apto para receber a primeira citação na execução. ! Mas o parecer deste respeitável practico, referindo-se ao pro-

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curtido)' geral, pôde iudusir a crer que elle admitiu a citação ao procurador especial constituído só para o litigio de quu a sentença deriva, se tiver poderes para receber primeira citação.

Como quer que seja porém, o nosso parecer sem restricção ó que o disposto na O rd. L. ;i." tit. -.fc pr. KC refere á citação do procurador no começo da demanda, e sob as clausulas seguintes : 1."

que o citado esteja ausente da comarca; 2." que lenha procuração geral e suffi ciente para o acto; 8.° que não tenha reserva de nova citação.

Km nosso conceito, a execução não é o principio de demanda que a lei designa., inas a consequência d'ella, constituindo uma nova instancia. A Ord. L. 3." til. 27 § 2." vem em abono da nossa opinião, e em matéria de tanta monta, não c licito ampliar os termos restriotos em que a lei concede a cita-ç~o do procurador.

Em todo o caso é necessário que o procurador tenha íuuc- ciouado como tal acecitando a procuração, como ensina Mor. ]£t sic outinni in senalti, diz elle.

A 1'. liras. § Sli not. h diz que lhe parece opinião mais segura citar-se o procurador se elle tem poderes ad judicia ou ad neyotia;

mas se elle tinha só poderes especiaes para a causa ó indispensável a citação pessoal do executado, c coufornia-se com a opinião de Per. e Sous.

( 3 ) Se o executado era solteiro o casou, se era interdicto e deixou de o ser, e n'outras hypothescs.

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CAPITULO Ví Execução por quantia certa

ÂUT.48

Sendo liquida a condem nação ou tendo sido legal- mente liquidada, é requerido ou citado o executado, para em 24 horas pagar ou nomear bens á penhora. Ord.

L.J^J}L S(> S 7."

Aft#*4

Feita a citação ou requis irão, o exequente manda a carta de sentença ou o mandado ao contador, que conta os juros e custa accrescídas desde a conta que foi feita ultimamente, e põe- a carta ou maudado em cartório onde correm as 24 lioras, que se contam desde que alli deu entrada, e são peremptórias e impro-rogaveis. Mio. ú Ord.

Hl. n. 68, Jtepert. vb. penhora sefará nos moveis.

AUT.45

Dentro das 24 horas p<5de o executado provar pagamento ou requerer compensação por quantia liquida julgada por sentença, ou nomear bens á penhora,

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e não procedendo assim, o escrivão, sem dependência de despacho, passa mandado de penhora. Orã. L. 3.° tit. 86 § 1.°, tit. 89 § 1.°, L. 4.° tit. 78 §§ 4.° e 7.°, Mor. cit. L. 6.°

cap. 9.° ns. 27a 29, 7J«\ e ttous. not. 708, Pr. Brás. % 867. (1)

ART.46.

Quando o executado usar do direito de nomeação, tem de guardar strictamente a ordem seguinte:

a } bens moveis até onde os tenha que cheguem •pala pagamento;

h) bens de raiz para completar o pagamento, prefe- rindo sempre de uns e outros os que tiver no termo;

c.) bens fora do termo, na falta dos antecedentes;

d) acções exigíveis, de que tenha títulos líquidos;

e ) direitos e acções illiquidas.

Todos os bens moveis e de raiz que nomear, devem estar livres e desembargados, terá natnresa de alienáveis, e ser suficientes para pagamento da execução.

Airr. 47

Se a divida for proveniente de acção hypothe-caria, ou quando por qualquer motivo haja bens especialmente consignados ao pagamento cVella, ou por qualquer privilegio, a nomeação deve começar pelos bens a que respeite a hypctheca, privilegio ou consignação. Orã. L.

4.° tit. 23 § 3.°, L. 4.° Dig. de reg. íur., Cod. do Pr. Port.

art. 812. (2)

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- 48 -

AHT.48

I O exequente não é obrigado a acueitar nomeação de divida que o devedor não confesse no acto da penhora, e na falta de confissão considera-se como não feita a nomeação. Alma. e Som. cit. § 116, Silva á\ Ord. tit. 815 § 1.° n. 15.

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. 49 I

I Se a propriedade nomeada fôr dependente de condição convencional ou testamentária, deve o executado íaser a declaração quando a nomear, o que só pdde faser na falta de outros bens sem condições ou res-tricções á albeação.

Ord. L. 4.° tU. 9.° e tit. 11 §g 1.° e 2." (3)

ART. ÕU

Se tiver feito a nomeação em forma legal, pôde o exequente requerer que no praso de 24 horas, que lhe podem ser prorogadas até três dias, exhiba os titulos ou a prova de estarem livres e desembaraça dos. 0)d. L. 2.° tit. 63 § 7.°, Mor. cit. L. 6.° cap. 12

n. 16. I

B AKT.51

Consentindo o exequente na inversão da ordem, prevalece a nomeação: mas este consentimento não pô"de ser prestado pelo procurador do exequente se não tiver poderes para transigir. Mor. cit. n. 12.

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ART.52

No caso de serem insuficientes os bens. que o executado nomear, toraam-se-lhe os que nomeou, e o exequente nomeia outros que bastem, e não nomeando, os officiaes penhoram-lhe outros. Orã. cit. tit. 86, Report.

ob. penhora fará nos moveis.

ART.53

O executado perde o direito de nomeação:

a) se não nomear nas 24 horas;

b) se tendo moveis sufficientes nomear outros bens ; c) se tendo bens de raiz no termo, nomear os que estejam fora;

d) se tendo nomeado bens de raiz não exhibir os ti tu los, sendo citado para o faser;

e) se deixou de nomear os bens hypothecados ou consignados ao pagamento.

Orã. mi. tit. 86 §§ 7.° e 8.°, L. oZe 20 de Junho de 1774, Mor. cit. ns. 12 a 17 e 31, Alm. e Sons. § 532, Gam.

Dec. n. 203 1, HeporLvb. exec. se faz nos moveis. Pr.

Br. § 351 e nota.

ART.54

Não havendo nomeação por parte do executado ou tendo-se feito illegal ou insubsistente, devolve-se o direito de nomeação ao exequente, que não é obrigado a guardar a graduação ou ordem da nomeação, podendo nomear aquelles que mais quiser Orã. cit. % 9 ub. qual mais quiser, Mor. L. 6 cap. 12 ns. 22, 32 e 40. Nota seguinte.

EXEC. DE SEKT.— 4

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AlíT. 55

Se o executado tiver mais de uma propriedade I que não possa ser penhorada, por ser qualquer d'el-las do valor do dobro ou mais da divida, pôde o exequente penhorar os rendimentos d'ellas para ser pago com menos espera, e pôde mesmo deixar de nomear bens de valor proporcionado, nomeando logo rendimentos de uma ou mais propriedades. L. de 20 de Junho de 1774 § 24 c Ord.

cit. til. 86 § 7 (ar-gnm.) (4)

I AKT. 56 ■;

Se porém o exequente, piv.valecendo-se d1 esta fa- culdade, nomear uma propriedade de valor duplicado ou mais que isso em relação á divida, deve ser o executado admittido a purgar a mora, de não ter no-1 meado nas 24 horas, nomeando bens proporcionados. Alm. e 8ous. cit. § 356.

AltT. o/

Se o executado não tiver feito nomeação, nas 24 horas, e se o exequente não tiver usado do seu direito de uornear, não se tendo ainda expedido o mandado de penhora, pôde ser admittido a purgar a mora nomeando bens. Arg. da Ord. eit. tit. 86 § 14 in fine. Mor. cit. n, 24.

AKT.58

Também pôde ser admittido a nomear bens, se tendo havido embargos de terceiro, pelo julgamento

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<V< si es Fe reconhecer que não nomeara em má fé. Orã\

cit. §17(arg.) I

AKT.59

Em qualquer caso em qne o executado nomear bens, se pela avaliação, arrematação ou adjudicação so mostrar qne elle os nomeou manifestamente iusuf-iicicnfcs, ou escon leu os que tinha para lhe não se-fiem penhorados, não devo ser citado de novo para nomear, e sem citaçlo se faz a nova penhora para completar a exdco ;«o. Onl. cil.

IU. 86 § 14, Silo. á Orã. cit. nu. 1 a 4.

ART!6(i

Se o executado, com o consentimento do exequente nomear bens contra a ordem legal, não tem mais direito de allegar qualquer cousa contra o sen próprio acto. Alm.

e ffous. cit. § 356.

ART.61

Não tendo havido nomeação, a penhora defere-se aos officiaes de justiça do juiso da execução, os qnaes devem ter mandado assignndo pelo juiz executor, e sem o qual lhes é prohibido proceder. Qrd. L. l.° ti/. 75 § 21. (5)

ART.62

Os (íliciaes são obrigados a receber o mandado | sem porem nisso a menor duvida, sob pena de suspensão, e a fa serem penhora dentro de cinco dias, podendo

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a parte exigir que o escrivão passe certidão do dia e hora em que o mandado foi entregue, e se não a fiserem no dito praso, incorrem na pena de suspensão ; salvo allegando causas que o relevem. Ord. eit. §§ 20 e 21, L. l.° til. 69 § Uri.

ABT.68

Se os oíticiaes se apresentarem a querer laser a penhora sem mandado legal, o executado pôde resistir sem incorrer em pena. Ord. Lio. S.° til. 89 pr., Cod. Orim. art.

14 n. 5.

AttT. 64

Se acharem fechada a porta da casa em que tiverem de fazer penhora, ou, no interior d'ellaj algum aposento ou inovei em que suspeitem haver cousa que possa ser penhorada, representarão ao juiz o qual manda passar, mandado de arrombamento, que farão na presença do duas testemunhas, que assignam o auto que deve lavrar-se na oocasião. Vod. Crit/t. art. 212.

AUT.65

Se os offloiaes encontrarem, resislencia da parte do executado ou de qualquer terceiro, podem reclamar o auxilio da autoridade local, e se fôr mister, exporão o facto ao juiz que requisita a assistência e emprego da força publica para que o mandado se execute. -Ar//. da Ord. cit.

No documento execuções de sentenças (páginas 43-53)

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