LINFOMA NÃO HODGKIN PRIMÁRIO DE OSSO ASSOCIADO AO HIV- RELATO DE CASO. Luz LP , Baptista AL , Santos RP , Zimerman RA , Borges FK , Schlittler,LA , Diehl,AS , Goldani LZ . Serviço de Medicina Interna . HCPA.
O linfoma não Hodgkin (LNH) é a uma das neoplasias mais comuns nos pacientes com Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA), ocorrendo 60-100 vezes mais freqüentemente nestes pacientes do que na população em geral. Trata-se de um tumor agressivo, de prognóstico reservado e com freqüência extra-nodal na apresentação inicial. O linfoma primário de osso é uma neoplasia incomum representando cerca de 5% dos LNH extranodais. A ocorrência de LNH primário de osso associado à SIDA é rara, havendo um número limitado de casos publicados na literatura. Relatamos um caso incomum de LNH ósseo associado SIDA.
Paciente feminina, branca, 69 anos, com diagnóstico de infecção pelo HIV desde 1996, em uso irregular de antirretrovirais e contagem de CD 41 cels/mm3 na internação. História prévia de tuberculose. Apresentava extensa lesão endurecida, infiltrada e eritematosa na região proximal do úmero direito, de cerca de 6 meses de evolução. RX com fratura patológica da diáfise umeral, extensa área de osteólise e grande massa apresentando calcificações. Biópsia realizada, sendo o citopatológico sugestivo de LNH. O
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anatomopatológico demonstrou neoplasia maligna indiferenciada, com exame imunohistoquímico compatível com neoplasia linfóide de células B.O LNH ósseo, apesar de incomum, deve ser lembrado no diagnóstico diferencial das lesões ósseas em paciente com SIDA.
RELAÇÃO ENTRE SINTOMAS RELATADOS E RESULTADO DO SKIN PRICK TEST EM PACIENTES DE UM AMBULATÓRIO DE RINITE ALÉRGICA.. Pavanello DP , Hemb L , Hoffmann CF , Massena P , Smith MM , Piltcher OB . SERVIÇO DE OTORRINOLARINGOLOGIA . HCPA.
Fundamentação:Rinite alérgica é caracterizada por inflamação na mucosa nasal resultante da resposta a alérgenos mediada por imunoglobulina E e ativação de macrófagos, plamócitos e eosinófilos. A prevalência no Brasil é de 10 a 25 % nos adultos e mais de 40% sem crianças. A exposição a fatores alérgenos predispõe o aparecimento dos sintomas e uma das medidas de prevenção de crises é evitar o contato com tais substancias.O skin prick test ou teste cutâneo por punctura identifica a sensibilidade a alérgenos de importância clinica e permite o diagnostico do caráter atópico da rinite, fornecendo informação objetiva que somada aos sintomas característicos relatados pelo paciente (rinorréia, prurido, espirros, congestão nasal, secreção retronasal, etc...) possibilita o diagnóstico de rinite alérgica. Quando há concordância entre o resultado do prick test e a história clínica, o manejo baseado em evitar contatos com alérgenos é reforçado e obtem-se maior adesão ao tratamento. Por outro lado o resultado do teste negativo evita esforços desnecessários para controle de exposição e direciona a procura de outras causas de rinite.Objetivos:O objetivo do estudo é mostrar relação entre os resultados do prick test e a história de piora de sintomas com exposição aos alergénos relatada pelo paciente para que se comprove a capacidade deste exame em relacionar as crises de rinite com tais alérgenos. Causistica:No período de janeiro de 2003 a junho de 2003 foram atendidos 37 pacientes com sintomas característicos de rinite no ambulatório de rinite alérgica do Hospital de Clinicas de Porto Alegre que responderem a um questionário sobre a exposição aos seguintes alérgenos: poeira doméstica, gramíneas, cão e gato, e quais destes alérgenos provocavam piora dos sintomas de rinite. Estes pacientes foram submetidos ao prick test (testado sensibilidade a cão, gato, gramíneas e poeira domestica) e dosagem de IgE sérica. Os dados foram analisados por SPSS com teste qui-quadrado.Resultados:Os 16 pacientes que apresentaram prick test negativo para todos os alérgenos foram classificados como portadores de rinite não alérgica. Os 21 pacientes que tiveram prick test positivo receberam diagnóstico de rinite alérgica. Destes pacientes, 57,1% eram homens, 71,4%brancos e 9,5% negros, com idade média de 13 anos, IgE média de 1020, 42,9% com sintomas moderados e 57,1% com sintomas leves de rinite. Quanto aos alérgenos, 95,2% (81,3% nos pacientes com rinite não alérgica) referiam piora quando em contato com poeira, 42,9%(31,3% nos não alérgicos) quando em contato com animais, 66,75(31,3% dos não alérgicos) quando em contato com gramíneas. O prick test foi positivo em 95,2% para poeira domestica, 33,3% para cão e 19%para gatos, 9,5%para gramíneas. No grupo dos pacientes que referiram alergia a poeira 95% tinha prick test positivo para este alérgeno e nos que referiram alergia a gramínea, 14,28% tinham prick test positivo, nestes dois grupos não houve teste positivo para pacientes que não referiam alergia. Para cão, 60% dos que relataram alergia e 12,5% dos que a negavam tinham teste positivo. Para gato, 33,3% dos que afirmavam ter sintomas exacerbados pelo alérgeno e 6,66% dos que negavam tinham testes positivos.Conclusões:Apesar da pequena amostra de pacientes, pode-se notar que a prevalência de atopia em relação a poeira domestica e animais nos pacientes com rinite alérgica é alta e que os pacientes com rinite alégica relacionam mais os seus sintomas com alérgenos do que aqueles com rinite não alérgica.
A taxa de testes positivos em pacientes que negam sintomas em relação a um certo alérgeno foi baixa e isso demonstra a capacidade do teste em comprovar a relação causa-efeito entre exposição ao alérgeno e exacerbação dos sintomas, facilitando o manejo de evitar os contatos. Diante de uma doença com grande dificuldade diagnóstica, com prevalência significativa e com impacto em termos de gastos e déficits na qualidade de vida, este estudo enfatiza a validade do teste cutâneo como uma ferramenta para evitar equivocada interpretação e tratamento de diferentes processos inflamatórios nasais de forma uniforme como alérgicos.
USO DE INTERFERON E RIBAVIRINA EM PACIENTES CO-INFECTADOS COM VÍRUS DA HEPATITE C E VIRUS DA IMUNODEFICIENCIA HUMANA . Jeffmann M , Sprinz E , Cheinquer H , Cheinquer N , Coelho-Borges S . Ambulatório de HIV e Ambulatório de Hepatites Virais do Serviço de Gastroenterologia. . HCPA - UFRGS.
Introdução: Cerca de 20-30% dos pacientes portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) apresentam infecção crônica pelo vírus da hepatite C (VHC). O tratamento com interferon (IFN) e ribavirina (RBV) é capaz de induzir resposta virológica sustentada (RVS) nesses pacientes, porém existem poucos estudos avaliando a eficácia deste esquema terapêutico em co- infectados. O objetivo deste trabalho foi analizar o percentual de RVS com IFN + RBV em pacientes com co-infecção VHC/HIV.Pacientes e Métodos: foram analizados 16 pacientes com co-infecção VHC/HIV provenientes do Ambulatório de HIV e Hepatites Virais do HCPA. Todos possuíam ALT elevada e diagnóstico histológico compatível com hepatite crônica ou cirrose.
Nenhum paciente possuía outra causa de hepatopatia. Todos foram tratados de forma aberta e não randomizada com IFN (3MU,3x/semana,subcutâneo) e RBV (1.000-1.250mg/dia,oral) por 24 semanas (genótipo 2,3) ou 48 semanas (genótipo 1).
Definiu-se RVS por PCR negativo 6 meses pós-tratamento.Resultados: A média de idade foi de 41 anos (18-63); 13 (81%) eram homens; 7 (44%) tinham genótipo 1 e 9 (56%) tinham genótipo 2 ou 3; 6/16 (38%) apresentaram cirrose ou transição para cirrose. O CD4 médio foi 470 (107-900); 9/16 (56%) apresentavam HIV indetectável; apenas 2/16 (13%) não estavam usando terapia antiretroviral. A RVS foi alcançada em 9/16 (56%) pacientes, sendo 2/7 (29%) com genótipo 1 e 7/9 (78%) com genótipo 2,3. A RVS ocorreu em 33% dos pacientes com cirrose ou transição para cirrose e 80% dos pacientes com fibrose ausente ou leve.
O tratamento foi interrompido em 3/16 (19%) casos (1 genótipo 1 e 2 genótipo 3). Estes foram considerados não respondedores pois a análise foi realizada com base na intenção de tratamento. Os demais receberam >80% da dose de IFN e RBV, >80% do tempo.Conclusões: em pacientes co-infectados, o percentual de RVS foi semelhante aos resultados publicados em pacientes sem HIV. A RVS está intimamente relacionada ao genótipo do VHC e ao estágio da fibrose hepática.
PREVALÊNCIA DE ASMA EM PACIENTES ATENDIDOS EM UM AMBULATÓRIO DE RINITE. Hoffmann CF , Massena PN , Hemb L , Pavanello DP , Monteiro FM , Smith MM , Schmidt LP , Piltcher OB . Serviço de otorrinolaringologia . HCPA.
Introdução: evidências científicas sustentam o conceito de que rinite e asma são a expressão de um único processo inflamatório que aparece em diferentes pontos do trato respiratório concomitantemente ou não. Um manejo de sucesso para essas enfermidades quando coexistentes depende de uma visão integrada das vias aéreas e entendimento de sua interação. Objetivo:
investigar a prevalência de asma entre os pacientes com rinite, bem como avaliar as conseqüências clínicas da coexistência dessas doenças. Material e métodos: foi realizado um estudo transversal que avaliou pacientes com diagnóstico de rinite, atendidos no ambulatório do Serviço de Otorrinolaringologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre entre maio de 2002 e julho de 2003. Os dados foram coletados através de um protocolo de primeira consulta e acompanhamento, com o consentimento informado dos pacientes durantes suas consultas. O protocolo contém dados do quadro clínico, ambiente, antecedentes pessoais, história familiar, exame físico, medicamentos usados anteriormente para rinite e exames complementares (teste cutâneo, IgE total e hemograma).
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Resultados: foram estudados 84 pacientes, dos quais 43 apresentavam diagnóstico prévio de asma feito pelo pediatra,pneumologista ou clínico geral. Rinite persistente foi significativamente (p=0,007) mais prevalente em pacientes com asma (52,8%), enquanto nos pacientes sem asma, rinite intermitente foi mais prevalente (78,8%). Quanto à gravidade dos sintomas, nos pacientes asmáticos 53,5% apresentavam rinite moderada ou grave, enquanto nos pacientes não-asmáticos, esse dado correspondeu a 29,3% (p=0,024). Em relação aos sinais e sintomas, 11 ou mais espirros por dia e prurido que interfere na vida, tem uma prevalência de 27,9% e 7,3% , nos pacientes com e sem asma, respectivamente. Sintomas oculares como, prurido e hiperemia ocular foram significativamente mais comuns em pacientes asmáticos (p<0,05). Quanto ao exame físico, cornetos anêmico/azulados foram observados em 23,3% dos asmáticos e em 2,4%, dos não asmáticos. Cornetos edemaciados com congestão impedindo a respiração em uma ou ambas as narinas foram observados em 14% dos pacientes com diagnóstico de asma e em 2,4% dos pacientes sem asma. Conclusão: cerca de metade dos pacientes atendidos no ambulatório de rinite têm diagnóstico prévio de asma. A concomitância dessas doenças está associada a apresentações clínicas de rinite mais persistente e de maior gravidade.
EFEITO AGUDO DOS ESTRÓGENOS CONJUGADOS (TRH) SOBRE O VOLUME DA TIREÓIDE EM MULHERES NA PÓS- MENOPAUSA. Alves GV , Zanette V , Paludo P , Paludo A , Premaor MO , Garcia TS , Comiran CC , Wender MCO , Furtado APA , Furlanetto TW . Serviço de Medicina Interna do Hospital de Clínicas de Porto Alegre – Faculdade de Medicina – UFRGS . HCPA.
Fundamentação:Estudos demonstram que existe uma maior prevalência de bócio (crescimento da glândula tireóide) em mulheres., mesmo em áreas com ingestão de iodo suficiente. Adicionalmente, mulheres desenvolvem bócio mais facilmente na deficiência de iodo. Na gravidez, há aumento da excreção urinária de iodo, provavelmente relacionada ao aumento da filtração glomerular observada na gestação. Foi observada uma relação inversa entre a excreção urinária de iodo, o volume da tireóide e os níveis séricos de tireoglobulina na gravidez. Recentemente, um efeito direto do estradiol foi demonstrado, por um de nós, em células foliculares de tireóide, aumentando o crescimento das células, reduzindo o RNA do gene da proteína transportadora do sódio-iodeto e reduzindo a captação do iodo. Atualmente, o uso de estrógenos conjugados é amplamente utilizado na terapia de reposição hormonal em mulheres com insuficiência ovariana fisiológica (menopausa) porém, não sabemos quais seu efeitos sobre a tireóide.Objetivos:Estrógenos conjugados podem aumentar a excreção urinária de iodo às custas de depleção do conteúdo de iodo intra-tireoidiano, aumentando o volume da tireóide. Nosso objetivo é testar esse efeito na pós-menopausa.Causistica:estudo de cross-over randomizado, duplo cego, controlado por placebo. 40 mulheres na pós-menopausa sem uso de hormônios exógenos e com indicação de terapia de reposição hormonal foram randomizadas para receber estrógenos conjugados ou placebo. Após um período de 30 dias (wash out) houve a inversão do uso da medicação. Foi realizada uma medida basal do volume da tireóide bem como coleta de sangue e urina para medida de parâmetros biológicos de função tiroidiana. Estas mesmas medidas foram realizadas após 5 e 8 dias de uso da medicação (ou placebo) em ambos os períodos do estudo.Resultados:Não foram encontradas diferenças significativas nos parâmetros biológicos de função tiroidiana, bem como nos valores de volume de tireóide (medido pelo método ecográfico) entre o grupo controle e grupo que usou curso de curta duração de terapia de reposição hormonal com estrógenos conjugados.Conclusões:O curso de curta duração de estrógenos conjugados, na nossa amostra, não foi capaz de alterar parâmetros biológicos de função da tireóide bem como aumentar o volume da glândula de forma significativa entre os grupos estudados.
PANCITOPENIA CAUSADA POR DEFICIÊNCIA DE FOLATO: RELATO DE CASO. Araujo A , Rossi G , Gazzana MB , Amon LC , Seligman BGS . Serviço de Medicina Interna/HCPA . HCPA.
Fundamentação:Deficiência de ácido fólico é uma causa de anemia megaloblástica. Além disso, ocasionalmente também pode ocasionar diminuição de leucócitos e plaquetas, levando a um quadro de pancitopenia (Hausen PB, Jorgensen LM J Intern Med 1989). Deve-se considerar no diagnóstico diferencial neoplasias hematológicas, aplasia de medula e deficiência de vitamina B12 (Brinch L, Tjonnfjord G, Ly B Tidsskr Nor Laegeforen 1990). Alcoolismo pode provocar essa deficiência devido a anormalidades na dieta e alterações na absorção, metabolismo e excreção de folato (Weston CF, Hall MJ Post Grad Med J 1987).Objetivos:Relatar um caso clínico de paciente com pancitopenia grave e hemólise intra-medular, com boa resposta ao tratamento.Causistica:Relato de caso clínico. Revisão de literatura através de MEDLINE – unitermos: folic deficiency, pancytopenia, alcohol.Resultados:Paciente masculino, branco, com 34 anos, alcoolista, que apresentou um quadro de astenia, dispnéia e emagrecimento de 10% do peso corporal com evolução de 3 meses. Exames laboratoriais iniciais revelaram pancitopenia, aumento de desidrogenase lática, transaminases e velocidade de hemossedimentação (Ht 10,05 Hb 3,56 VCM 117,4 Leucócitos 3.350 Plaquetas 95.000 LDH 6448 TGO 55 TGP 21 VSG140). Tomografia de tórax sem linfonodomegalias ou outras alterações; tomografia de abdômem com hepatomegalia e irregularidade do parênquima, sem adenomegalias. Dosagem de ácido fólico diminuída (1,48) e dosagem de vitamina B12 normal (275,5). Biópsia de medula óssea(MO)/medulograma hipercelular, com alterações megaloblásticas, sem células estranhas à MO. Biópsia hepática compatível com cirrose micronodular. Paciente recebeu reposição de ácido fólico e interrompeu o uso de álcool, com normalização das séries hematológicas em 3 meses, remissão completa dos sintomas e normalização dos demais exames laboratoriais (Ht46,23 Hb14,76 VCM 83,6 Leucócitos 9.230 Plaquetas 194.000 VSG 11 LDH 122). Conclusões:Deficiência de ácido fólico é uma causa de anemia megaloblástica e eventualmente pode provocar pancitopenia. Por isso, deve ser lembrada no diagnóstico diferencial nas alterações das três séries hematológicas.
ARTERITE TEMPORAL NA AUSÊNCIA DE CEFALÉIA: RELATO DE CASO. Roberto AR , Araujo EAR , Gazzana MB , Amon LC . Serviço de Medicina Interna e Serviço de Patologia . HCPA.
Fundamentação:A Arterite Temporal é uma Arterite de Células Gigantes (ACG) que compromete ramos extra-cranianos da artéria carótida, mais freqüentemente a artéria temporal superficial. Geralmente este diagnóstico é lembrado na investigação de cefaléia, já que é um sintoma freqüente ocorrendo em até 87% (González-Gay et al. J Rheumatol. 1997;24:2166).Objetivos:Relatar um caso de arterite temporal em um paciente sem cefaléia.Casuistica:Relato de caso. Revisão da literatura através do MEDLINE (Unitermos:
temporal arteritis, giant cell arteritis).Resultados:Os autores relatam o caso de uma mulher de 72 anos, encaminhada ao ambulatório de Medicina Interna do HCPA, proveniente do posto de saúde. Queixava-se há 30 dias de prostração, anorexia, fadiga e um moderado edema de face. Negava emagrecimento, alterações visuais, cefaléia, dores ou rigidez articulares. Apresentava história de hipertensão arterial sistêmica, em uso de propranolol 40 mg duas vezes ao dia. Ao exame físico apresentava-se em bom estado geral, hipocorada (+/++++), sem outros achados relevantes. Na reconsulta, persistiam os mesmos sintomas. Resultado dos exames: eletrólitos, provas de função tireóidea e hepática normais, hemograma com leve anemia normocrômica normocítica (Ht 30,75, Hb 10,16, VCM 86,64, CHCM 33,02, RDW 12,41, leucograma normal, plaquetas 458 mil) e velocidade de sedimentação globular (VSG) 110. Frente à faixa etária da paciente e a VSG extremamente elevada, suspeitou-se de arterite temporal. Na reavaliação do exame físico, à palpação verificava-se artérias temporais espessadas, endurecidas e sem pulso. Prontamente foi avaliada pela oftalmologia que afastou comprometimento do nervo óptico. Realizada biópsia da artéria temporal esquerda, sendo a hipótese diagnóstica confirmada; anatomopatológico compatível com Arterite de Células Gigantes. Iniciado tratamento com 60 mg
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de prednisona, ocorrendo rápida regressão dos sintomas (24 h), normalização da VSG em 30 dias (VSG=10) e do hemograma em 3 meses.Conclusões:Discussão: A ACG é uma vasculite crônica que afeta vasos de médio a grande calibre, relativamente infreqüente na população (menos de 1%). Sua incidência aumenta após os 50 anos de idade, atingindo seu platô entre 70 e 80 anos, sendo as mulheres afetadas três vezes mais freqüentemente do que homens (Salvarani et al. N Engl J Med 2002; 347:261). Smetana et al (JAMA 2002;287:92) revisaram a literatura e verificaram que poucos sintomas e sinais clínicos são preditivos (tanto positivos quanto negativos) do diagnóstico de arterite temporal. Entre eles estão alterações no exame físico da artéria temporal, como espessamento (LR 4.6, IC95% 1.1-18.4) e proeminência (LR 4.3, IC95% 2.1-8.9), entre outros. A resposta ao corticóide é rápida, com a resolução de muitos sintomas em poucos dias, sendo que a ausência deste tipo de resposta deve alertar o clínico para outro diagnóstico (Anderson et al. Acta Med Scand 1986; 220:465). A taxa de mortalidade é similar a população em geral, embora aneurisma da aorta torácica e dissecção da aorta sejam importantes complicações. Conclusão: A ausência de cefaléia em um paciente idoso com sintomas gerais inespecíficos não exclui o diagnóstico de arterite temporal.
PERFIL DOS PACIENTES ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO DE ANTICOAGULAÇÃO DO SERVIÇO DE MEDICINA INTERNA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE. Gazzana MB , Amon LC , Furian TQ , Araujo A . Serviço de Medicina Interna/HCPA . HCPA.
Fundamentação:A anticoagulação a nível ambulatorial é uma terapia freqüentemente empregada no atendimento de pacientes clínicos. Estudos recentes têm demonstrado que o manejo dos pacientes em clínicas especializadas em anticoagulação, com rotinas estabelecidas, formulários padronizados e orientações aos pacientes, melhora os desfechos em relação à obtenção do nível alvo de anticoagulação e às complicações (Hirsh J et al. Circulation 2003; 107:1692). Resultados da experiência em nosso meio não são disponíveis. Objetivos:Relatar o perfil dos pacientes atendidos no Ambulatório de Anticoagulação do Serviço de Medicina Interna do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (MEI/HCPA). Causistica:Delineamento tipo coorte não controlada. Incluídos todos pacientes atendidos neste ambulatório de outubro/2000 (quando foi instituído) à junho/2003. Foram excluídos da análise os pacientes que tiveram somente 1 consulta no ambulatório. Os dados foram apresentados de forma descritiva (freqüências absolutas e relativas, médias e desvios-padrão), teste qui-quadrado e Kruskal-Wallis (significância < 5%). Resultados:Foram atendidos 156 pacientes no período do estudo, sendo que 7 foram excluídos da análise pois consultaram somente 1 vez. Então, 149 pacientes foram computados, tendo média de idade 59,9 anos (+ 15,4 anos, amplitude de 21 a 90 anos), predominância do sexo feminino (59,7%, n=89) e da raça branca (82,6 % ,n =123). As indicações de anticoagulação foram tromboembolisa venosa (TEV) em 44,3% (n=
66), fibrilação atrial em 34,2% (n=51), prótese valvar metálica 6,7% (n=10) e outras 14,8% (n=22). O INR alvo foi de 2.0 a 3.0 em 88,6% (n=132), 2.5 a 3.5 em 10,1% (n=15) e 3.0 a 4.0 em 1,3% (n=2). Os fármacos utilizados foram o warfarin em 83,2%
(n=124) e a femprocumona em 16,8% (n=25). O número médio de consultas por paciente foi de 11,4 (+ 9,1, amplitude de 2 a 46 consultas). A média do tempo de anticoagulação foi de 10,1 meses (+ 9,9, amplitude de 1 a 37 meses). Dosagens de INR no alvo terapêutico ocorreram em 63,9% (+ 23,8%) e fora do alvo terapêutico desejado ocorreram em 36,1% (+ 23,8%) das dosagens.
Detectou-se associação entre a indicação de anticoagulação por TEV e INR fora do alvo terapêutico (p=0,004). A anticoagulação foi suspensa por término previsto em 31,5% (n=47), má adesão a terapia em 4,7% (n=7) e complicação grave em 3,4% (n=5), sendo que 33,6% (n=50) mantêm-se em anticoagulação crônica. As complicações observadas foram sangramento menor em 23,5%
(n=35), sangramento maior em 2,7% (n=4) e necrose cutânea em 0,7% (n=1). Houve associação entre complicações e sexo feminino (p=0,03) e a maior número de dosagens com INR fora do alvo terapêutico (p=0,05). Não houve diferença entre complicações e idade, tipo de fármaco, indicação de anticoagulação e tempo de anticoagulação. Conclusões:A maioria dos pacientes atendidos no Ambulatório de Anticoagulação da MEI/HCPA envolve idosos com tromboembolia venosa ou fibrilação atrial, observando índices terapêuticos comparáveis a clínicas de anticoagulação relatadas na literatura internacional e uma baixa incidência de complicações graves, o que demonstra o potencial benefício do atendimento estruturado de pacientes em anticoagulação oral ambulatorial.
PROVOCAÇÃO BRÔNQUICA COM EXERCÍCIO EM CRIANÇAS ASMÁTICAS. Moreira MAF , Dal Prá AL , Bianchi PD , Menna Barreto SS . Unidade de Fisiologia Pulmonar do Serviço de Pneumologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA.
Fundamentação:O exercício físico desencadeia sintomas em muitos pacientes asmáticos, mas a dispnéia nas atividades físicas diárias nem sempre corresponde à resposta no teste de exercício.Objetivos:Analisar a resposta à provocação brônquica (PB) com exercício em crianças asmáticas.Causistica:Estudamos crianças asmáticas de 6 a 12 anos, oriundas dos ambulatórios de Pneumologia do HCPA. Todas se submeteram ao teste de PB com exercício, em esteira ergométrica (inclinação de 5%) com controle de frequência cardíaca e saturação de oxigênio, na Unidade de Fisiologia Pulmonar do Serviço de Pneumologia.
Controlamos a temperatura e a umidade ambiental. A resposta foi avaliada pelo VEF1 inicial e nos minutos 0, 5, 10, 15 e 20 após o teste. Uma queda acima de 10% foi considerada positiva. As crianças deveriam estar assintomáticas, sem broncodilatador por 6 horas e com VEF1 acima de 80% do previsto (Zapletal). Antes do teste, era realizado exame físico e perguntas sobre exercícios físicos diários. Utilizamos o aparelho Pony para a espirometria.Resultados:Estudamos 28 crianças, com idade média de 10 anos (+/- 2) e IMC de 18 (+/-2), sendo 20 meninos e 8 meninas. A temperatura ambiental média foi de 22oC (+/-2) e a umidade de 59%
(+/-9). Corticóide inalatório (CI) estava sendo usado por 15 crianças. A PB foi positiva em 16 (57%)com uma queda média do VEF1 de 21% (310ml) e negativa em 12 (43%), com uma queda média de 3% (70ml). A queda máxima ocorreu até os 5 minutos em 15 crianças (94%). Sibilância no teste ocorreu em 5 pacientes (31%) com PB positina e em nenhum com PB negativa (p<0,05). Ao praticar exercícios, 24 (85%) referiam tosse, dispnéia ou sibilância: destes 13 (54%) tinham PB positiva e 11 (46%) tinham PB negativa (p>0,05). Cansaço na vida diária foi referido por 18(64%) crianças: 9 com PB positiva e 9 com PB negativa (p>0,05). A PB foi positiva em 9 (66%) dos 15 pacientes usando CI e em 7 (54%) dos 13 sem medicação (p>0,05) Conclusões:As queixas com exercícios diários não diferiram de forma significativa entre as crianças com teste positivo e negativo, a sibilância ocorreu exclusivamente em testes positivos, o tempo de observação de 20 minutos pós-teste foi adequado e o uso de corticóide inalatório não interferiu com o resultado do teste.
EFEITOS DA ALIMENTAÇÃO ENTERAL PRECOCE NA FORÇA DA MÃO E DOS MÚSCULOS RESPIRATÓRIOS. Couto GB , Tomazi F , Fonseca CB , Teixeira LM , Cadore MP , Tobaru AA , Couto JB . . HCPA.
Os autores propoem-se a determinar se a alimentação enteral precoce miniminiza o decrescimo da força na mão e a força dos musculos respiratórios. A força de músculo diminui consideravelmente após grandes procedimentos cirúrgicos . A alimentação enteral tem sido avaliada como restaura rapidamente a força em outras situações clinicas. Um estudo randomizado, controlado, não cego foi conduzido em pacientes submetidos a esofagectomia ou DPT quem recebeu a alimentação enteral postoperatória imediata através de jejunostomia (alimentado, n = 13), ou nenhuma alimentação enteral durante os primeiros 6 dias postoperatório (unfed, n = 15). A força do aperto de mão, a capacidade vital, o volume expiratorio forçado em um segundo (FEV1), e a pressão inspiratoria máxima (MIP) foram medidos antes da cirurgia e nos dias postoperative 2, 4, e 6. A fatiga e o vigor foram avaliados