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CONCLUSÕES METROLÓGICAS

No documento PDF Sylvia Helena Mota Rabelo (páginas 66-74)

Para que todo o processo de criação de uma cultura de segurança no Brasil seja bem sucedido é necessário que além da conscientização das pessoas através das campanhas educativas, seja dado um bom treinamento técnico aos funcionários dos IPEM, responsáveis pelas verificações (inicial e periódicas) dos etilômetros e, que todos estes instrumentos sejam testados individualmente.

A verificação inicial dos etilotestes deveria ser feita pelo Inmetro/Dimel, de acordo com os critérios internacionais de amostragem, com cobrança por lote verificado. Esse serviço não chegou a ser implantado no Brasil.

Cabe ao o INMETRO dar aos policiais instruções técnicas sobre o manuseio e condições de utilização destes instrumentos e interpretação correta da leitura dos resultados obtidos após o exame “in vivo”.

O teste de triagem é feito com etilotestes e serve apenas para verificar se a pessoa fez uso de bebida alcoólica e em que quantidade, pois se estiver no limite máximo permitido pelo

CTB, deve ser encaminhado para fazer o teste com o etilômetro e para colheita de sangue.

Somente nestas circunstâncias, este teste serve como prova legal.

As condições de utilização dos etilômetros devem ser observadas previamente para que o teste seja considerado válido.Destaca-se então:

- o bom estado de conservação e funcionamento do instrumento;

- a validade da verificação, o tempo de espera (15min) entre dois testes consecutivos;

- a observação das condições climáticas e de armazenamento e transporte dos instrumentos;

- o local onde será feito o teste (ambiente não contaminado como bares, postos de gasolina etc) e;

Para que os resultados obtidos pelo bafômetro sejam aceitos como prova criminal pela justiça, é preciso que sejam impressos e assinados pela pessoa examinada e por duas testemunhas e que tragam a data e hora da coleta e a data da calibração realizada pelo instrumento a cada análise.

Valores extremos de alcoolemia foram encontrados quando os voluntários ingeriram 600ml (lembrando que o conteúdo da lata de cerveja é 350ml) ou 2400ml (2,4L), demonstrando que nesta faixa os etilotestes (descartáveis) poderiam ser considerados fidedignos.

No entanto, face à ambigüidade de resultados obtidos quando os voluntários ingeriram 1200ml de chope (valor médio de 0,85 mg/l de álcool no sangue), ficou evidenciado que quaisquer resultados positivos eram questionáveis, mas mesmo assim deveriam ser aplicados como indicadores do teor alcoólico, em abordagem inicial, na saída de festas e no trânsito, como uma prévia para o exame com o etilômetro ou com coleta de sangue.

Os resultados obtidos com os etilômetros eletroquímicos (Intoxilyzer e Intoximeters) e com o etilômetro portátil (SERES) foram compatíveis com os valores de referência de etanol encontrados no sangue e no ar expirado, utilizando-se o fluorímetro TDX e o equipamento padrão do LNE, respectivamente

No tocante à utilização dos etilômetros como prova legal e base para aplicação de multas, recomenda-se que todos os instrumentos sejam submetidos à aprovação de modelo, verificação inicial, periódica e/ou eventual de acordo com os requisitos da Portaria INMETRO N°006/2002, servindo de embasamento para o Código de Trânsito Brasileiro e que sejam adotadas ações educativas tanto em nível de governo, quanto de sociedade e de caráter individual que dêem retorno em curto prazo de tempo, demonstrando minimização dos

acidentes com perdas fatais e sobreviventes com seqüelas e aumento de civilidade urbana.

Enfim, o ideal mesmo é a implantação de uma cultura de segurança neste país, onde atingido o objetivo esperado, a sociedade deverá estar tão ciente de suas responsabilidades que poderá até vir a prescindir da utilização destes instrumentos.

Não tem como saber qual era a concentração real de álcool que a pessoa tinha no momento da colisão ou se uma ou duas horas haviam se passado até o momento da colisão e o teste de sangue e sopro, porque a pessoa poderia estar ainda absorvendo etanol nesse intervalo de tempo. A importância deste argumento é que uma pessoa pode absorver uma quantidade grande de etanol em curto espaço de tempo, acima de 0,0025g/dl por minuto ou 0,15g/dl por hora. Se uma pessoa soprou o bafômetro e deu 0,20g/dl de etanol no sopro ou no sangue, uma hora após a colisão, poderia ter dado 0,05g/dl no momento da colisão. Assim, fica realmente muito difícil saber em que grau de absorção alcoólica uma pessoa se encontra no momento do acidente,para fazer frente à justiça. Stefan e Kenneth

6 A MOTIVAÇÃO IMPLÍCITA NA BEBIDA

A manipulação publicitária mostra que os apelos visuais provocados por homens e mulheres bonitos e bem vestidos, que aparecem em carros luxuosos ou em ambientes refinados são sempre associados ao sucesso amoroso ou ao fechamento de grandes negócios.

A insegurança, a angústia provocada pelas frustrações amorosas e econômicas, faz com que as pessoas busquem algum tipo de suporte para aliviar suas tensões.

Como beber é socialmente permitido e até certo ponto bem visto pela sociedade podemos dizer que o vinho faz parte da mesa desde Dionísio (Deus do vinho na mitologia grega, rebatizado como Baco, na mitologia romana). Tornou-se popular como um símbolo de prazer, sedução e confraternização e se tornou um elemento de celebração de datas importantes ao longo da vida, tais como Natal, Ano Novo, Páscoa, casamentos, nascimentos e festas em geral. Sem dúvida, sua presença nas festas como um elemento socializante é sempre bem vinda, desde que seja consumido com moderação. Atualmente, os vinhos se tornaram atração também para os mais jovens porque além da escolha certa feita a partir da leitura de um rótulo, há a sensação de sucesso na aceitação social, na boa impressão causada na parceria amorosa e conquista de um novo mercado de trabalho em restaurantes finos e no gerenciamento de adegas.

No Brasil o clima quente, o preço acessível e a publicidade sem ética que promove campanhas socialmente irresponsáveis, favorecem e estimulam principalmente o consumo de cerveja, pelos jovens.

Segundo a Dra. Ilana Pinsky, coordenadora do adolescente da UNIAD/UNIFESP, a cerveja possui papel de destaque entre as bebidas alcoólicas consumidas no Brasil. Dos cerca de U$ 160,000,000 gastos com propaganda de álcool na mídia em 2001, 80% foi em cerveja.

Da mesma maneira, o consumo de cerveja representa 8% das bebidas alcoólicas consumidas.

Apesar dessa quantidade ser muito menor, se levarmos em conta apenas o álcool puro das bebidas, a cerveja certamente é uma bebida alcoólica e tem um papel importante em muitos dos problemas relacionados ao álcool, no que diz respeito aos jovens.(A Propaganda de Bebida Alcoólica no Brasil CREMESP – Propaganda sem bebidas - 2004)

Segundo reportagem de Fátima Sá, publicada na Revista VEJA Rio, de 16/02/2004, o Rio de Janeiro é “o campeão nacional em consumo per capita de chope e cerveja. Cada carioca bebe, em média, 92,5 litros por ano”.

A cerveja mais consumida no Brasil é a pilsen, mais conhecida como “loura suada”, de cor clara, baixa fermentação e sabor leve. Sua receita original é proveniente da Silésia, antiga Prússia, atual região da República Tcheca, se consagrou e se propagou pelo mundo inteiro através de imigrantes alemães, holandeses e belgas. Cada país aprimorou suas próprias técnicas e sabores, daí surgindo dentre outros, os tipos bock, amber, stout, cristal, ale, barley wine que variam de cor, densidade, aroma, sabor e principalmente teor alcoólico.

A atração que a bebida exerce nas pessoas vem desde o começo da humanidade, passando pelas lendas gregas e pela religião, porque era ligada ao prazer, à riqueza e ao poder.

Mas a crença no poder mágico do vinho se consolidou quando Hipócrates no séc V aC passou a receitá-lo para seus pacientes como diurético e compressa para curar ferimentos. Esse costume se propagou por toda a Europa e Oriente Médio e o vinho foi se implantando nas sociedades como remédio para combater as epidemias. Os princípios de higiene na época não eram muito aprimorados e as pestes e epidemias dizimavam as populações.

Como a uva tem alto teor de vitamina B, sais minerais, cálcio, potássio, magnésio, passou a ser receitado para curas milagrosas até de alergias. Nestas regiões geralmente eram cultivadas as uvas vermelhas, tanto que até na Bíblia aparecem parábolas e citações de Cristo multiplicando o vinho nas bodas de Canaã.

O livro La Médicine par le Vin ou Le Vin comme Remede Universal de Maury, E.

indica os melhores vinhos de cada região da França para diferentes tipos de problemas tais como: artrite, bronquite, diarréia, emagrecimento e coração.

Há correntes na medicina que aconselham o consumo diário de um copo de vinho tinto, devido às flavonóides, substâncias que inibem a oxidação do LDL e estimulam a produção do HDL. Essa cultura do vinho prega a iniciação à bebida desde a infância, a partir dos sete anos de idade, com a aprovação e estímulo de adultos e isso pode ser o início de uma série de problemas e acidentes que estão sendo enfocados neste trabalho.

Com base na análise técnica da validade e da legitimidade ou não, do uso indiscriminado dos “bafômetros”, inclusive como prova criminal, induzir as pessoas a conclusões acertadas, tais como: “vou dirigir, não vou tomar bebida alcoólica” ou então “se beber, vou tomar um táxi” ou “se beber vou pedir para alguém dirigir no meu lugar” ou

“bebida não combina com volante” usando como meios de educação a escola, o lazer, o trabalho e a coordenação do governo, chamando à responsabilidade os cidadãos de todas as idades.

7 CONTRIBUIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO E A IMPLANTAÇÃO DE UMA CULTURA DE SEGURANÇA NO BRASIL

Para implantar com sucesso uma cultura de segurança no Brasil é preciso que a sociedade civil esteja realmente organizada, comprometida com este objetivo e, comece a identificar os comportamentos e as condições de risco, procurando corrigi-las ou pelo menos minimizá-las, sem perder o foco na superação das dificuldades relativas à cultura regional diversificada e nas dimensões continentais do país.

A cultura de segurança é bastante abrangente e se apóia na aplicação do processo de segurança baseado no conhecimento de fatores pessoais, comportamentais e ambientais.

Entendem-se como fatores pessoais, a informação, o conhecimento das reações humanas, a habilidade, os reflexos, a motivação e as idiossincrasias individuais e as atitudes.

Os fatores comportamentais são “práticas de segurança e riscos de trabalho” que devem ser adotadas para garantir a segurança de todos, ou de outro ou de si próprio. É a inclusão das ações individuais no contexto que leva à formação dos hábitos, que podem propiciar a redução de acidentes através de atitudes proativas consistentes e que possam interferir positivamente no meio ambiente. Ser proativo, segundo Stephen R. Covey (2004), é mais do que tomar a iniciativa. É reconhecer que somos responsáveis pelas nossas próprias escolhas e que temos a liberdade de escolher com base em princípios e valores, mais do que em circunstâncias e condições. As pessoas proativas são agentes de mudança e escolhem não ser vítimas, não ser reativas, nem pôr a culpa nos outros.

Nos fatores ambientais estão localizados os equipamentos, as máquinas, a manutenção, a engenharia, enfim, o carro e as máquinas mutilantes em geral.

No Brasil pode ser adotado o modelo de implantação da cultura de segurança total em uma empresa adaptando-se algum dos dez princípios usualmente seguidos, descritos no artigo escrito por E.Scott Geller, intitulado: “Ten Principles for Achieving a Total Safety Culture”.

Em uma empresa, quando os empregados decidem agir com segurança, eles incorporam a atitude mental da segurança e tais comportamentos resultam em mudanças ambientais.

Fatores comportamentais e pessoais somados resultam em segurança ocupacional.

A compreensão dos dez princípios norteia um “plano de ação”, um caminho para sua aplicação que pode começar pela identificação dos problemas, suas causas e efeitos e, resultar

na implantação de ações relevantes que motivem o envolvimento de todas as pessoas. A conscientização das pessoas é fundamental e a sensibilização é o passo inicial para obter o comprometimento pessoal no processo de implantação da cultura.

Os dez princípios são:

1- A cultura baseada nos fatores pessoais, comportamentais e ambientais deve direcionar o procedimento de segurança.

2- Fatores relacionados ao pessoal e ao comportamental determinam o sucesso.

3- Focalização no processo e não no resultado.

4- O comportamento é direcionado por ativadores e motivado por conseqüências.

5- Focalizar em alcançar o sucesso e não em evitar o fracasso 6- Observação e feedback levam a comportamentos seguros.

7- Feedback eficaz acontece por treinamento relativo a comportamento e a fatores pessoais.

8- Observação e treinamento são processos básicos da atuação comportamental responsável.

9- Auto-estima, participação e “empowerment” aumentam a atuação governamental responsável pela segurança.

10- Considerar a segurança um valor e não apenas prioridade.

O Princípio 4 diz que ativadores são ações que precedem comportamentos e direcionam outros enquanto conseqüências seguem comportamentos e determinam o que pode ou vai acontecer. Por isso, as pessoas buscam resultados positivos, agradáveis e evitam os resultados negativos. Dessa forma, os ativadores e as conseqüências capazes de motivar comportamentos estão naturalmente presentes no ambiente, ou são produzidos e acrescentados ao mesmo ambiente para mudar ou manter esses comportamentos. O importante é que as ações corretivas sejam tomadas e que motivem comportamentos seguros.

Isso serve como justificativa para a utilização dos etilômetros no controle do teor alcoólico no ar expirado pelos condutores de veículos e máquinas em geral, mesmo sabendo que seus resultados possam vir a ser questionados.

É possível conseguir implantar a cultura de segurança no país se a ênfase for dada no processo educativo, capaz de minimizar os índices de acidentes no trânsito com vítimas fatais e não fatais. É preciso também aprimorar a metodologia para coleta de dados objetivando

fazer estatísticas mais detalhadas e verdadeiras sobre acidentes provocados pelo consumo excessivo de bebida alcoólica, as quais possam ser equiparadas aos níveis internacionais e reflitam a posição real do Brasil neste triste “ranking” de acidentes.

É necessário também definir indicadores para medir as conquistas obtidas e divulgar estes resultados na mídia, para toda a sociedade.

A psicologia comportamental aplicada ao individuo é fundamental para o sucesso da implantação desse processo, porque pode fazer cada pessoa se preocupar com sua própria segurança e com a dos outros. Talvez fique mais fácil começar pela escola, a aplicação da gestão da qualidade na educação porque o gerente é o educador que lidera e cria lideranças, durante a realização do projeto, com objetivo de embasar o trabalho realizado pela sociedade.

Como educação é um processo dinâmico, seu foco deve estar dirigido para a contextualização das pessoas na sociedade, que deve construir e desenvolver seus conhecimentos sem perder o foco no seu próprio contexto, lembrando-se inclusive que educação significa também a libertação do consumismo exagerado de bebida alcoólica, analisando periodicamente e revendo seus conceitos e práticas já incorporados.

É preciso fazer um planejamento dessas mudanças, às vezes bastante complexas para o momento atual e, que haja além de vontade política, envolvimento de todos os segmentos dessa sociedade para implantar um projeto pedagógico que funcione realmente.

É o início da movimentação da engrenagem que vai levar a sociedade ao desenvolvimento de sua cidadania, ao respeito à vida e ao bem comum, à ordem democrática, à convivência civilizada com as pessoas, aos princípios éticos, às diferenças econômicas e sociais e às idiossincrasias pessoais.

O envolvimento de todos é de suma importância devido ao atual momento da cultura contemporânea e às especificidades da sociedade brasileira, sobretudo, nos grandes centros onde a questão da violência está sempre presente, inclusive no trânsito.

Em busca de uma sociedade mais solidária, o processo educativo tem um papel preponderante na solução ou mesmo na coibição de problemas apresentados na formação dos alunos, proporcionando vivências desejáveis de serem desenvolvidas na vida urbana.

Educação é também propor às autoridades, e à sociedade civil organizada, ações que devam ser experimentadas e implementadas (não somente no âmbito das escolas) com autonomia e flexibilidade visando a criação de uma cultura de segurança proveniente de mudanças de atitudes propostas pela sociedade e particularmente pelos cidadãos. É importante também ouvir opiniões dos especialistas, bem como, propor mudanças na metodologia de

ensino e na coleta de dados utilizados na elaboração de estatísticas, discutindo amplamente o assunto nos mais diversos fóruns, analisando os resultados estatísticos obtidos, balizando os resultados educacionais, bem como seus reflexos na sociedade como um todo.

Nesse processo está inserida a intensificação de campanhas educativas feitas nas escolas de ensino fundamental e de forma transversal na grade curricular.

O assunto pode ser abordado na leitura e interpretação de texto, na biologia, na química, buscando recursos nas experiências diárias de professores e alunos para a formação da cidadania, estimulando o maior poder de crítica nas pessoas, tornando-as mais conscientes de seus direitos e deveres e, portanto, mais responsável por suas atitudes, dentro de uma sociedade sujeita a mudanças bruscas, quase sem regras, no tocante à mudança de valores ou de hábitos como ultrapassagem de sinal fechado por medo de assalto, que ela mesma criou e não conseguiu controlar.

7.1 CONCLUSÕES TIRADAS DA FARS (FATALITY ANALYSIS REPORTING

No documento PDF Sylvia Helena Mota Rabelo (páginas 66-74)