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Construindo um projeto colaborativo

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 72-88)

protagonista, conforme sugere Santos (2015), não se considerando apenas um fornecedor de informações e de dados, mas alguém com capacidade para produzir saberes a partir da convivência com seus pares.

Ao serem questionados sobre o planejamento das aulas os professores responderam que planejam sozinhos, mas reconhecem a importância e sentem falta do planejamento coletivo. Pois, segundo os mesmos, uma das principais contribuições do planejar coletivamente é o compartilhar, o colaborar. Porém identificam como um entrave para esse tipo de planejamento a carga horária de trabalho dos professores que dificulta os encontros para o planejamento, sendo que muitos professores trabalham em outras escolas e até outros municípios para aumentar sua renda.

A dificuldade em encontrar um horário que seja conveniente a todos é que dificulta o planejamento, tanto por turma, quanto por área do conhecimento. A falta de tempo do professor é fator determinante para um planejamento individual e residencial, impedindo, assim, a troca de experiências entre os professores.

Um fato relevante que percebemos nas conversas com os professores é de que todos reconhecem que é de fundamental importância o planejamento em grupo. Inclusive, a maioria considera que planejar por turma seria o ideal, conforme explicitado na fala dos professores:

é porque um vai dando ideia pro outro, na dificuldade”; “seria a melhor maneira de planejar” e “que seria excelente”. A razão explicitada pela professora de Matemática que percebe que as dificuldades dos seus alunos em Língua Portuguesa e que a colaboração da professora de Língua Portuguesa seria muito oportuna.

É notório o posicionamento do professor sobre a escolha de planejar em grupo, e em especial, por turma, alguns consideram como o tipo de planejamento ideal.

interdisciplinaridade e transversalidade na Educação Básica, nos perguntamos quais seriam as condições para engajar os professores no desenvolvimento de uma proposta dessa natureza.

Desenvolvemos uma proposta que envolveu professores de várias disciplinas, trabalhando dentro dos seus conteúdos disciplinares, com um tema gerador, tendo a Estatística como eixo integrador.

Para que essa proposta pudesse ser bem sucedida era preciso que os professores assumissem o projeto e, assim, precisaríamos lançar mão de uma estratégia que pudesse motivá-los, e teríamos que mostrar que o projeto não traria trabalho extra, nem demandaria trabalhar fora das horas normalmente dedicadas à disciplina, dentro do espaço e o tempo da escola.

Propomos um projeto cujo tema permitisse trabalhar com os conteúdos que cada professor abordaria naquele bimestre. Nesse contexto, escolhemos o tema “Água sabendo usar não vai faltar”, pois permite transversalisar os diversos conteúdos disciplinares, utilizando os conteúdos estatísticos que dialogam com as diversas áreas do conhecimento e, naquela época, o nosso município estava enfrentando o problema de racionamento de água e a discussão sobre economia de água estava fazendo parte do cotidiano de toda a comunidade.

Além disso, para que essa proposta pudesse ser bem sucedida era preciso que os professores se engajassem num trabalho de dimensões colaborativas, isto é, eles deveriam estar dispostos a trabalhar em equipe, conhecer o que seus colegas estariam trabalhando em suas disciplinas e então poderiam relacionar os diversos conteúdos. Isso só seria possível no planejamento coletivo com dimensões colaborativas.

A primeira parte do projeto foi dedicada a criar as condições da formação desse grupo com dimensões colaborativas. Nosso encontro pré-formativo foi agendado com a direção da escola e os professores no dia de planejamento em que toda a escola estava reunida.

Apresentamos o projeto a todos os professores e explicamos que o trabalho de acompanhamento das aulas se daria na turma de 9º ano matutino, mas que os professores que quisessem participar dos encontros para o planejamento das atividades e das aulas, independentemente da turma ou disciplina, seriam bem vindos. Prontamente, alguns professores do 9º ano vespertino se candidataram a participar do planejamento. De forma conjunta com professores e direção entramos em consenso em relação às datas dos encontros para o planejamento. Explicamos o que seria um grupo com dimensões colaborativas. Nesse grupo todos participariam em pé de igualdade, não seria escolhido um líder, todos teriam vez e voz.

O trabalho do grupo consistiria em planejar as aulas da turma conjuntamente. Os professores de todas as disciplinas planejariam suas aulas a partir do tema transversal “Água, sabendo usar não vai faltar”, utilizando os conteúdos de Estatística como eixo integrador.

Assim, a partir dessa proposta, todos participariam do planejamento coletivo, discutindo e dando sugestões de atividades para trabalhar as diversas disciplinas correspondentes à turma escolhida para o desenvolvimento do trabalho, constituindo assim, um trabalho de cooperação entre pesquisadora e professor (BOAVIDA; PONTE, 2002).

É importante mencionar que nessa escola está consolidado o planejamento por área de conhecimento, que os professores das disciplinas daquela área se reúnem e realizam o planejamento para todas as turmas dos diversos anos escolares. Entretanto, para o nosso trabalho, utilizamos o planejamento por turma, isto é, com todos os professores que lecionam disciplinas para o 9º ano matutino. Essa proposta foi uma novidade para a escola e um grande desafio para todos os envolvidos.

Após a apresentação do projeto, discutimos alguns conceitos que consideramos fundamentais para dar continuidade ao nosso trabalho. Apresentamos conceitos estatísticos como gráficos, tabelas, porcentagem e a média, mostrando a capacidade dos mesmos em integrar os conteúdos de diferentes áreas do conhecimento, considerando que o encontro entre o pesquisador da universidade e os professores em seu ambiente de trabalho pode se constituir numa alternativa, num novo olhar para a área de formação continuada de professores com base numa temática específica da Matemática (SANTOS, 2015).

Apresentamos e discutimos, também, os conceitos de transversalidade, de acordo com os PCN, o conceito de Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, baseado em Ubiratan D’Ambrósio, uma vez que os pesquisadores acadêmicos podem tornar-se interlocutores privilegiados colaborando com os professores da escola na construção coletiva de novos patamares teóricos (SILVA, 2015).

Após essa discussão, combinamos que para o próximo encontro, os professores trariam para o planejamento alguns elementos: plano anual, os PCN de sua disciplina, os livros didáticos adotados em cada disciplina; bem como sugestões de atividades relacionadas ao tema gerador “Água” e aos conteúdos de Estatística que potencialmente poderiam ser utilizados. A partir daquele encontro, os professores do 9ºano estariam planejando colaborativamente com os colegas que lecionam na mesma turma e a pesquisadora, firmando, assim, a nossa parceria.

O primeiro encontro

Cada professor da escola elencou no quadro os conteúdos disciplinares que trabalharia no bimestre, e os demais davam sugestões de atividades envolvendo o tema gerador e a Estatística como elemento integrador para trabalhar o conteúdo daquela disciplina. Nesse momento, os professores assumem a posição de interlocutores privilegiados, colaborando com a pesquisadora e seus colegas, na construção coletiva, mediante novos patamares práticos, podendo tornar tais patamares em novos avanços teóricos corroborando Santos (2015).

Inicialmente, foi um pouco tumultuado, uma vez que os professores de todas as turmas da escola resolveram comparecer. E quanto maior e mais diversificado for o grupo, mais tempo e esforço são necessários para que funcione com êxito, por conta da diversidade de ideias, valores, linguagens e modo de trabalho dos seus participantes validando os estudos de Boavida e Ponte (2002). O diretor da escola também esteve presente e, aproveitando a reunião, informou algumas ações, que faziam parte do Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE da escola, e que deveriam ser desenvolvidas durante o bimestre, dentre elas estava a Feira de Ciências. Nesse momento, foi feita a sugestão de que todas as atividades desenvolvidas pelos professores na sala de aula poderiam ser apresentadas pelos alunos na Feira de Ciências, que neste caso passaria a ser a culminância do projeto.

O envolvimento de todos os professores da escola, que se integraram ao projeto não fazia parte do nosso roteiro, mas acreditamos que isso se deveu ao fato da escola não contar com uma coordenação pedagógica atuante, o que por sinal foi muito citado pelos professores durante os encontros e também nas entrevistas. Por essa razão, aceitamos a participação de todos aqueles que estivessem dispostos a participar do planejamento colaborativo, mas informamos que para a nossa pesquisa, coletaríamos dados sobre as ações dos professores do 9º ano matutino.

Observamos que outras ações do PDE passaram a fazer parte das discussões como produção de jogos de Matemática, que tinha como responsável um professor de Matemática;

pintura em tela que a professora de artes iria desenvolver; fotografias retratando espaços públicos ação coordenada por uma professora de Geografia e um sarau sob a responsabilidade de um professor de Língua Portuguesa. Todas essas ações seriam desenvolvidas durante as aulas e apresentadas na Feira de Ciências. Portanto, foi decidido que o evento de culminância do projeto “Água, sabendo usar não vai faltar” seria a Feira de Ciências.

Para contextualizar o tema gerador, na abertura das atividades do bimestre, os professores sugeriram alguns filmes que teriam como tema a seca, enchentes, disputa pela

água etc., todos participavam das discussões contribuindo com nomes de filmes que haviam assistido e contando o contexto do mesmo para que os demais pudessem escolher o que melhor representasse o tema gerador. Esses momentos de discussão evidenciavam as dimensões colaborativas do grupo, pois quando diferentes vozes se entrelaçam a compreensão enriquece-se (BOAVIDA;PONTE, 2002). Depois de muita negociação, fizemos a opção por Mad Max: estrada da fúria, um filme de ação dirigido por George Miller, cuja sinopse apresentamos a seguir:

A história se passa num mundo pós-apocalíptico, onde gasolina e água são bens preciosos. A população tem como líder Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um homem com muito poder, que tem controle total da população porque é dono de milhões de litros de água. Ocasionalmente, ele libera água para a população, o que causa muita confusão e desespero com todos brigando por um pouco do líquido precioso. Ao abrir os dutos d’água, a mesma jorra sobre a população provocando uma corrida desenfreada por um gole d’água, mas é criado um grande tumulto e ninguém consegue juntar água em seus vasilhames. O personagem do ator Hugh Keays-Byrne, avisa à população para não se viciar em água, pois ao se viciar ela pode tomar o controle sobre as pessoas fazendo com que as mesmas sofram pela sua falta. (telecine.globo.com/filmes).

Durante o planejamento, os professores das diversas disciplinas conversavam e se organizavam em relação a como poderiam alinhavar o conteúdo de suas disciplinas com atividades relacionadas ao tema água, utilizando conteúdos estatísticos como elemento integrador e esse diálogo, essa conversa, além de ser um instrumento de consenso também se constituía num instrumento de confronto de ideias e de construção de novas compreensões (BOAVIDA; PONTE, 2002) acerca da interdisciplinaridade, da transdisciplinaridade e da transversalidade.

Para o nosso trabalho, levamos em consideração os conteúdos da turma do 9º ano matutino e a participação dos professores dessa turma no planejamento colaborativo. No Quadro 8 a seguir, apresentamos os conteúdos disciplinares para o bimestre da pesquisa, trabalhados pelos professores de cada disciplina.

Como o foco do nosso trabalho era mostrar o potencial dos conteúdos estatísticos no ensino dos conteúdos das outras disciplinas, promovendo a interdisciplinaridade, a professora de Matemática selecionou, para esse bimestre, os seguintes conteúdos: Estatística; leitura, construção e interpretação de gráficos e tabelas; Medidas de Tendência Central: média, moda e mediana; pois esses seriam utilizados pelos professores das outras disciplinas na elaboração de suas atividades e roteiro de aulas.

Quadro 8 - Conteúdos das disciplinas a serem trabalhados no 3º bimestre

Disciplina(*) Conteúdos a serem trabalhado no 3º bimestre

Matemática Estatística: leitura, construção e interpretação de gráficos e tabelas; média, moda e mediana.

Ciências

Substâncias químicas e suas propriedades. Comparação, evaporação, dessalinização.

Água potável: características. Análise da qualidade da água, apresentação dos resultados em gráficos e tabelas.

Geografia Oceania e regiões polares, meio ambiente e globalização, Bacia do Rio Colônia (que corta a cidade).

Inglês Estudo do conteúdo a partir de músicas, traduções, reportagens e textos sobre água.

Artes Paródias, danças, músicas, obras que retratam o problema da seca ou enchentes, ilustrações, fotografias.

Língua

Portuguesa Relatórios, reportagens sobre a crise hídrica mundial, vídeos, produção textual.

História Construir a história do Rio Colônia, (fotos, ONU, OMS), documentário, além de discutir a crise hídrica como um possível motivo para uma terceira guerra mundial.

Religião

Valorização humana, invenções para reaproveitamento da água, atitudes governamentais e empresariais sobre a seca. A importância do meio ambiente para a sobrevivência da espécie humana.

Desenho Geométrico

Trabalho com triângulos, formas geométricas utilizadas na agricultura do Rio Nilo, construção de jogos, área para recuperação das nascentes.

Educação Física

Consumo diário de água pelo corpo humano, porcentagem de água perdida em determinadas atividades físicas. Porcentagem de água no corpo humano.

Comparação.

Fonte: elaborado pela pesquisadora.

(*) A professora de Redação não estava presente no primeiro encontro.

Como demonstrado no Quadro 8, os professores elencaram os conteúdos de suas disciplinas que constavam no plano de curso para o bimestre e a partir desses conteúdos chamamos a discussão para os seguintes aspectos:

a) Como podemos trabalhar esses conteúdos utilizando os conteúdos estatísticos apresentados pela professora de Matemática?

b) Os PCN de sua disciplina traz alguma sugestão?

c) E o tema água onde se encaixa em seu planejamento? Podemos trabalhar o tema gerador em qualquer disciplina?

d) Quais atividades podem ser desenvolvidas nas disciplinas a partir de conteúdos estatísticos e de um tema transversal?

Partindo desses questionamentos os professores começaram a pensar em atividades que poderiam ser utilizadas pelos colegas das diversas disciplinas. O professor de cada disciplina apresentava seu conteúdo e os demais davam sugestões de atividades que poderiam ser desenvolvidas durante as aulas, envolvendo os conteúdos de Estatística e o tema gerador.

A seguir organizamos discussões em duplas, para analisar os PCN de suas respectivas disciplinas, buscando sugestões para o trabalho com os conteúdos de Estatística, com tema transversal e a interdisciplinaridade. Elencamos atividades e sugestões oriundas PCN de cada disciplina para trabalhar com conteúdos estatísticos, e quais eram esses conteúdos.

Para facilitar o trabalho por conta do tempo, optamos por usar palavras-chave para buscar as ligações entre conteúdos de estatística e conteúdos das diversas disciplinas nos PCN. Incluímos na busca os PCN4 que se referem aos temas transversais. No nosso caso, a parte que se refere ao meio ambiente. A utilização das palavras-chave nos levava diretamente a um trecho dos PCN que tratava daquele assunto e, a partir daí analisávamos se o trecho selecionado estava relacionado ao trabalho com conteúdos estatísticos naquela disciplina. Ou, ainda, a relação entre as diversas disciplinas e o tema transversal. No Quadro 9 apresentamos algumas das palavras-chave utilizadas pelos professores nessa busca.

Quadro 9 - Lista de palavras-chave utilizadas pelo grupo na busca de relações entre os conteúdos de Estatística e as outras áreas do conhecimento, nos PCN.

Lista de palavras-chave Estatística e as diversas

disciplinas

Matemática, tema transversal e diversas disciplinas

Tema transversal e as diversas disciplinas

Estatística, Gráfico, tabela, linguagem estatística, interdisciplinar, transversal,

coleta, pesquisa, análise.

Transversal, interdisciplinar, meio ambiente, ambiental.

Ciências, matemática, meio ambiente, consumo, sustentável,

interdisciplinar, gráfico, dados, coleta, análise.

Fonte: Dados da pesquisa.

Ao digitar a palavra chave, se a mesma fizesse parte do texto, nos levaria ao trecho que poderia nos ajudar no planejamento das aulas e na construção das atividades a partir do elemento integrador, aqui representado pelos conteúdos de Estatística e o tema gerador, que é a água. Tomemos como exemplo a palavra-chave “Tabela”, quando digitamos na “caixa de busca” no texto dos PCN (que estava em documento digital no formato PDF) de Ciências, a ferramenta nos levou para a página 29, cujo trecho transcrevemos a seguir:

Em Ciências Naturais, os procedimentos correspondem aos modos de buscar, organizar e comunicar conhecimentos. São bastante variados: a observação, a experimentação, a comparação, a elaboração de hipóteses e suposições, o debate oral sobre hipóteses, o estabelecimento de relações entre fatos ou fenômenos e ideias, a leitura e a escrita de textos informativos, a elaboração de roteiros de pesquisa bibliográfica, a busca de informações em fontes variadas, a elaboração de questões para enquete, a organização de informações por meio de desenhos, tabelas, gráficos, esquemas e textos, o confronto entre suposições e entre elas e os dados obtidos por investigação, a elaboração de perguntas e problemas, a proposição para a solução de problemas. (BRASIL, 1998 p.29)

4 Os PCN foram trazidos em formato digital PDF, o que facilitou a busca por palavras-chave.

Percebemos que alguns termos comuns em Estatística aparecem nos PCN de Ciências.

Em Ciências, a Estatística contribui para a coleta de informações, a organização dessas informações em tabelas e gráficos que também tem o objetivo de comunicar apresentar e comunicar os dados coletados. A partir do trecho dos PCN de Ciências em destaque, continuamos a leitura e foi possível, a partir da mesma, propor aos alunos atividades interdisciplinares, envolvendo a Estatística, que é nosso elemento integrador e a água, que é nosso tema gerador.

Esse exercício se repetiu com os PCN das demais disciplinas. Para Matemática, digitamos a palavra “transversal” e surgiu o trecho:

Tendo em vista a articulação dos Temas Transversais com a Matemática algumas considerações devem ser ponderadas. Os conteúdos matemáticos estabelecidos no bloco Tratamento da Informação fornecem instrumentos necessários para obter e organizar as informações, interpretá-las, fazer cálculos e desse modo produzir argumentos para fundamentar conclusões sobre elas. Por outro lado, as questões e situações práticas vinculadas aos temas fornecem os contextos que possibilitam explorar de modo significativo conceitos e procedimentos matemáticos. (BRASIL, 1998, p.28)

A partir do trecho acima, retirado dos PCN de Matemática, página 28, os professores discutiram sobre o papel que a Estatística pode desempenhar no ensino de conteúdos e na construção do conhecimento, pelos alunos, em outras áreas do conhecimento, propiciando o desenvolvimento do pensamento estatístico (CAZORLA ET AL, 2011)

Para Geografia, foi digitada na caixa de busca a palavra “tabela”. Na segunda tentativa, os professores se depararam com o trecho destacado no quadro a seguir, localizado na página 143.

Por meio da televisão e do videocassete é possível propor: 1) Estudos comparativos sobre diferentes paisagens, relações do homem com a natureza etc. 2) Identificação de diferentes formas de representar e codificar o espaço (linguagem gráfica) e análise das suas convenções. O computador, por sua vez, possibilita a aprendizagem de conteúdos de Geografia na medida em que: favorece a interação com uma grande quantidade de informações, que se apresentam de maneira atrativa (diferentes notações simbólicas, gráficas, linguísticas, sonoras etc.). As informações são apresentadas por meio de textos informativos, mapas, fotografias, imagens, gráficos, tabelas, utilizando cores, símbolos, diagramação e efeitos sonoros diversos.

(BRASIL, 1998, p.143)

Os professores que achavam os trechos diziam a página e liam para que todos participassem e dessem sugestões de atividades relacionando o trecho dos PCN daquela disciplina com sua disciplina ou com a disciplina do seu colega. Assim, também, como o conteúdo selecionado para o bimestre de cada disciplina. O importante era que todos participassem da discussão dando sugestões aos colegas e adotando sugestões dos outros, seja total ou parcial, fazendo adaptações das sugestões de outras disciplinas para trabalhar conteúdos em sua área, ou ainda refutar, o que ocorreu com naturalidade.

O exercício com as palavras–chave levantou vários questionamentos e comentários, principalmente por parte de professores que tiveram pouco contato com os Parâmetros Curriculares Nacionais. A partir das discussões e do trabalho com os PCN, os professores começaram a responder a questionamentos anteriores, identificando as relações entre as diversas disciplinas e os conteúdos e atividades que poderiam ser trabalhados interdisciplinarmente.

O objetivo dessa atividade não era o estudo dos parâmetros, pois o estudo dos mesmos exigiria do grupo muito mais tempo. O nosso interesse era utilizá-lo como documento de consulta para o planejamento das aulas. Portanto, fizemos consultas com o objetivo de, além de lançar mão das valiosas sugestões que os parâmetros oferecem para o trabalho pedagógico, chamar a atenção dos professores sobre um documento que, apesar de quase duas décadas de publicação, ainda pode contribuir para o trabalho docente.

Um dos pontos positivos das discussões foi como o trabalho em equipe favorece a aprendizagem por parte dos professores, sendo que as discussões, o diálogo evidenciava a relação de respeito, de confiança e o sentimento de pertença ao grupo, o que pode ter possibilitado a construção de novos saberes (SANTOS, 2015). Como exemplo podemos citar o depoimento espontâneo da professora de História: “atitudes simples que podem melhorar bastante nossa aula. Nunca imaginei planejar a aula de História olhando também para conteúdos de Matemática. É uma disciplina que considero muito difícil”, evidenciando a transdisciplinaridade como princípio para a reconstrução dos saberes, para a superação das fronteiras disciplinares na tentativa de um conhecer mais global (NAVAS;MORAES, 2010)

No primeiro encontro, além de escolher os conteúdos, fizemos relação entre os diversos componentes curriculares a partir dos conteúdos de Estatística, identificando a utilização de sua linguagem e conceitos para apoiar informações nas diversas áreas do conhecimento, o que justifica a necessidade dos cidadãos em compreender quando um argumento estatístico está sendo utilizado com propriedade (PONTE;BROCADO;

OLIVEIRA, 2013), ou seja, o que justifica o cidadão ser letrado estatisticamente (GAL, 2002).

Ficou decidido que a abertura do projeto seria com a escola toda, professores e alunos dos três turnos, assistindo ao filme “Mad Max: estrada da fúria”.

Os professores decidiram que não bastava apenas assistir ao filme. Após a apresentação do filme os professores discutiriam com os alunos elementos relevantes do filme e trariam a discussão para a escassez de água no município, racionamento, importância da participação de todos no combate ao desperdício de água.

No documento universidade estadual de santa cruz (páginas 72-88)