2.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
2.5.4 Dimensões constitutivas da subalternidade
A vida de Ana não foi marcada somente pela renúncia para os cuidados com sua mãe e seu irmão. Seu companheiro desenvolveu problemas na coluna e não consegue emprego fixo, como vemos a seguir:
[...] Só que daí tem gente [que], como ele é grande, [...] acha que ele dá conta de tudo, né, na verdade eles não sabe o problema [...] que ele tem, né, porque olhando por fora a pessoa tá tudo bem, né, mas por dentro só a gente sabe, que é esposa, né? [...] Ele tem problema [...] um problema de saúde que ele não pode pegar muito peso, tem problema na coluna também, aí ele não fala, ele fica quieto, né? Aí muitas vezes ele vai trabalhar, fica doente, né? Aí agrava [...].
Bruna, por sua vez, expõe o desejo de ter uma casa própria, pensando no conforto de seus filhos e em uma estabilidade para sua família:
[...] Ah, não, uma casa pra uma pessoa, ter uma casa própria é, né, daí tu vive bem, você e teus filhos, daí tu não se preocupa com nada. Eu moro com meu pai [...].
Assim como Bruna, Carla também pensa em poder dar algo melhor para o seu filho:
[...] Eu poder propor[...], proporcionar para ele o que eu não tive quando era criança, adolescente, até agora. Agora sim, né? Mas eu poder dar o que eu não tive para ele[...].
Catarina demitiu-se do emprego para ficar com a filha em casa. Atualmente tenta uma recolocação no mercado de trabalho, mas pensa muito na filha e onde poderia deixá-la para trabalhar fora. Ela relata que não consegue vaga integral para sua filha na creche. Isso impacta sua vida pessoal, sua autoestima, como relata a seguir:
[...] você tendo um emprego, eu acho que tua autoestima, tua vida começa a melhorar. Porque é só o prazer de você conseguir conquistar [...] já é prazeroso.
Mirian relata que seu maior sonho também é ter sua casa própria para viver com dignidade com sua família. Ela é moradora de uma área de invasão e já foi retirada por força judicial da sua casa anterior, em que tinha investido toda a economia da família:
Meu maior sonho é poder dar uma casa digna a meus filhos, né, uma casa digna pra eles mora[r]. Dá estudo a ele[s]. Eu digo a ele[s]: “olha, eu sou pobrezinha, o que eu [...] posso lhe dar é incentivar a estudar pra você ser
alguém na vida.” Meu maior sonho é dar as coisas melhor pros meus filho[s]. Porque eu sempre penso é nos meus filho[s].
O modo como o ser humano faz suas escolhas em situações que envolvem terceiros e o produto que é gerado por meio delas provêm de um conjunto de valores prévios intrínsecos a cada um, de ordem singular e coletiva. É a realidade que condiciona o valor eleito em determinado momento histórico. A tomada racional de decisão coloca o ser humano no centro das escolhas de sua própria vida e ciente do seu papel no mundo, além de oportunizar reflexões sobre o mundo que o cerca, dadas a sua natureza histórica e o reconhecimento de seu poder político deliberativo (LYRA et al., 2017).
A amplitude de ações generosas das mulheres sobre seus entes queridos, assumidos a partir do momento em que elas são as principais provedoras e educadoras, propicia uma possibilidade do entendimento das dinâmicas que envolvem as relações interpessoais dessas mulheres tanto com os seus familiares quanto com a sociedade em que vivem – não somente em relação a eles, mas também do modo como elas lidam com seus próprios conflitos internos e externos (COHEN; GOBBETTI, 2004).
As tomadas de decisão e suas consequências são pensadas não somente no que implica o foro íntimo de cada uma das mulheres entrevistadas, mas também até onde o impacto das ações atinge seus entes. Como um efeito borboleta, em que simples atitudes tomadas hoje podem repercutir por anos como consequências na vida de terceiros, as ações praticadas atualmente refletirão não somente entre os seus entes, mas também em outras pessoas da sociedade na qual fazem parte.
Quando indagadas sobre seus sonhos, pode-se observar que eles existem, por mais dolorida que seja a realidade na qual estão inseridas. As mulheres já citadas carregam sonhos, mas não hesitam em adiá-los/sacrificá-los para proporcionar o conforto da família. O exercício ético não deve ser praticado somente no âmbito familiar. A sociedade em que vivemos exerce pressões e determina comportamentos que impactam a vida de outras pessoas, conforme relatado por Ana: “[...] como ele é grande, tem gente [sociedade] que acha que ele dá conta de tudo, né? Na verdade, eles [sociedade] não sabem o problema [...].”
O produto final do exercício ético, a responsabilidade, nem sempre consegue ser concebido pela condição humana, para gerar benefícios para si e para terceiros. Embora vivamos em uma sociedade de livre escolha sobre nossas atitudes e vontades, na prática há um movimento que contradiz essa realidade. Ao se tornarem a referência da família como porto seguro, essas mulheres precisam refletir sobre como suas ações impactarão o futuro dos
seus entes. Ao buscar lhes dar uma nova condição de vida, elas tentam, ainda que timidamente, iniciar um movimento pela quebra do elo que parece que as mantêm cristalizadas na pobreza e exclusão. Parece que ainda é possível sonhar sem pagar impostos.
As políticas públicas devem ser pensadas e repensadas de maneira que os vulnerados, em suas mais diversas situações e condições, sejam atendidos de formas específicas. Isso quer dizer que muitas vezes as camadas mais vulneradas não são atingidas pelas políticas públicas, uma vez que cada pessoa e a comunidade na qual está inserida são formadas pela sua história, pelo conhecimento adquirido no âmbito familiar, no acesso ou não a outras políticas públicas.
(SCHRAMM, 2008).
Pensar que a receita do bolo serve para qualquer situação e resolve os problemas de desigualdades sociais, historicamente já conhecidos no país, seria pensar com certa inocência.
Cada grupo de vulnerados, subalternos, deve ter políticas direcionadas que atinjam suas necessidades específicas. As pessoas não são apenas dados numéricos e geográficos. Elas têm sentimentos que fazem parte da sua constituição como seres humanos, a serem pensados políticas públicas que consigam atingir todos sem distinção (SCHRAMM, 2008).
Quando indagadas sobre a possibilidade de não precisarem mais fazer parte do PBF, de deixarem a dependência do PBF como fonte de por terem conseguido renda fixa própria, algumas relataram que comunicariam à Secretaria de Assistência para que procedesse à inativação do benefício, assim proporcionando a vaga para outra família necessitada.
Carla, em seu depoimento, exemplifica como as escolhas micropolíticas, ou seja, aquelas exercidas nos microespaços da vida cotidiana, têm impacto na vida de outras pessoas:
[...] Agora se você acha que você já tá ganhando o suficiente para não depender do Bolsa Família, deixa pra alguém que precisa; que é mais bonito né, do quê? [...] talvez tem pessoa que precisa não ganha por causa que tem pessoa que tem [...] as coisas e não, não [...] fala que não tem, aí chega lá [...], no caso, dão os Bolsa Família, tá cheio de carro, casa [...], um monte de coisa dentro de casa, no terreno, coisa, casa próp[r]ia e mentindo que não tem.
Algo semelhante também foi dito por Carol:
Lá na minha cidade, no Maranhão, tem muito isso. Que tem [...] comércio, tem uma vida assim, financeira [que]não é, que não é difícil, não é ruim, né.
Não precisava receber, tá tirando de outra pessoa, de outra família [...], que não recebe, né?”
Quando os vulnerados não se sentem parte da sociedade na qual vivem, ou seja, ficam à mercê da própria sorte ou da comunidade na qual estão inseridos para conseguirem viver e sobreviver, essas pessoas não estão em pleno direito de gozo das políticas públicas que existem para, teoricamente, protegê-los. Quando se pensa em políticas de transferência de renda como o PBF, que visa proporcionar a longo prazo mudanças nas desigualdades sociais, devemos refletir: qual é o papel que nos cabe em viver em uma política neoliberal que determina que uma família vive dignamente com uma renda per capita de R$ 170? Essa política realmente está cumprindo o seu papel como protetora dos vulnerados ou seria mera forma de mantê-los sob controle, propiciando dados no sentido de que o país saiu da linha da miséria, porém eles continuam famintos? (SCHRAMM, 2008).
No entanto, nem todas as entrevistadas têm esse ponto de vista. Algumas pensam que a partir do momento em que são contempladas com o benefício, este serve como uma renda extra, financiada pelo Governo. Uma vez que a carga tributária do Brasil é grande (PAES, 2013), elas têm para si que é um direito dispor desse benefício, independentemente da condição financeira e se estão cumprindo todos os requisitos do programa. Sofia exemplifica esse pensamento:
Ah, eu ia fala[r] pra ela que eu acho que ela precisa, sim. Porque ajuda bastante a renda, então, assim como eu ela também, vai fazer falta pra ela.
[...] Que é um complemento na renda, na realidade. Pra quem tem uma renda fixa e recebe, é um complemento.
Mirian explana um entendimento parecido com o de Sofia, de que o PBF é uma
“graninha extra”, sem reconhecer as condicionalidades que devem ser cumpridas:
Minha filha, o conselho que eu dizia pra ela é assim: “Então, você não vai precisar de Bolsa Família por quê? Porque você acha que não tá servindo porque é pouquinho?” Pois eu, eu acharia que você [...] você não tá fazendo certo, não tá pensando certo. Porque pra mim, eu acho que é uma bênção, é uma ajuda, né. Por mais que você tenha dinheiro, nunca é demais, né, nunca é demais.
As escolhas de Sofia e Miriam, de continuarem recebendo o Bolsa Família após conquistarem rendas fixas próprias, são moralmente questionáveis, na medida em que o que está prevalecendo é a vontade de fazer reserva de vantagens, paradoxalmente à condição de subalternidade em que as duas se encontram como resultante do quadro de reservas forjado pelo neoliberalismo. Os sentimentos dessas mulheres variam de frustração a raiva, passando pela impotência e pelo sentimento de injustiça.
Segundo Gramsci (DEL ROIO, 2018), os subalternos, por serem frutos sócio- históricos e serem desagregados em sua luta histórica, muitas vezes utilizam pensamentos individuais e não se unem para que haja mudança real e permanente em suas histórias. A falta dessa visão do poder político que os subalternos possuiriam, caso fossem unidos na luta por mudanças reais em duas condições de vida, os levaria à luta para serem vistos e reconhecidos.
O esmorecimento das camadas subalternas, ao aceitarem um dinheiro extra como sendo seu por direito, nos remete a questionar qual é o valor que tem uma vida, uma história.
Seria possível colocar valor monetário em uma vida que é fruto da opressão aos mais pobres, às mulheres, aos negros? É possível elencar qual é o valor que é necessário para financiar o silêncio dos subalternos, dos marginalizados, dos esquecidos? Qual é o papel do Estado como ente principal como facilitador (ou não) das mudanças sociais, no âmbito da desigualdade social? São perguntas que devemos nos fazer para que possamos refletir sobre a teia em que os vulnerados e subalternos estão vivendo (GRAMSCI, 2007c; SCHRAMM, 2006).
Pensando nesse movimento, Bruna comenta:
Eu acho errado assim, porque tem muita gente que precisa bastante, né?
Vamos supor eu tenho uma colega, não vamos citar nomes, mas eu tenho uma colega; ela tem seis filhos, recebe 100 real[is]. E eu tenho outra colega que ela tem um filho, ela recebe 260 real[is]. Eu acho muito errado porque [..] que quem tem mais filho[s] tem que receber menos daí? Era pra receber mais, né?
Carol, no momento em que respondeu a essa pergunta, entregou-se aos sentimentos e chorou. Um choro envolto em um misto de emoções. Nesse momento, ela extravasou tudo que estava bloqueado e que ela vinha segurando até aquele momento:
Ah, eu sinto raiva. Eu sinto raiva porque a pessoa não precisa e tem tantas famílias que precisam. Não só eu, como tem gente, até eu falo muito pro meu marido, que às vezes a gente tá passando por uma situação, mas a gente ainda tem um feijão, um arroz e tem gente que não tem nem isso. Então eu fico, eu fico com raiva quando eu vejo que tem pessoas que não precisam e recebem. Eu acho que deveria ter alguma coisa assim, uma fiscalização, algo que pudesse tirar delas. Pessoas que recebem e não [...] precisam.
Teoricamente não deveriam existir beneficiários ativos no cadastro e que, de alguma forma, não cumprissem todos os requisitos para serem contemplados. Isso denota a fragilidade no monitoramento das reais condições das famílias cadastradas no CadÚnico. As atitudes de ambos os grupos de beneficiárias que recebem o PBF – o grupo que cumpre os
quesitos e o que não cumpre – são comportamentos moldados pela interação social e formação histórica da sociedade em que vivem. As políticas públicas do modelo neoliberal buscam, de alguma forma, reduzir a desigualdade social, diminuindo o abismo entre os mais os mais ricos e os mais pobres, levando a linha da miserabilidade a limites aceitáveis aos olhos da sociedade (CORRÊA; VIEIRA, 2019).
Quando abordamos o tema moral, não nos referimos a um conjunto de normas e técnicas. Historicamente, a ética é rotulada como um conjunto de normas e regras, como a ética médica. Aqui, nos referimos a moral como conjunto de símbolos, valores, que são moldados e aprendidos dentro da cultura em que o indivíduo está inserido. Além disso, a moral remete a elementos intrínsecos como comportamento, caráter. A moral é algo prático, tem movimento e está ligada a elementos (morais) que foram validados por um determinado grupo social (PEDRO, 2014).
Quando o Estado não se faz forte na promoção das mudanças orgânicas e reais da sociedade, o que se vê são remendos à Constituição, como se fosse um asfalto velho, com buracos. Os hiatos encontrados são sanados com (des)medidas que buscam, naquele momento histórico, tapar um buraco que desequilibra a estabilidade política do país. Se essas medidas buscassem resolver os problemas sociais da base para a ponta, não haveria ainda, em pleno século XXI, tanta disparidade no país (SCHRAMM, 2008).
Na reflexão moral sobre a postura das mulheres que concordam em continuar recebendo o benefício, mesmo que tenham conquistado renda fixa própria, como resolver o conflito ético deflagrado pela própria política que deveria proteger as pessoas vulneradas – o de conceder benefícios a quem não tem o direito de receber? Serão passivas as responsabilidades individuais pelo simples fato de as instituições políticas não intervirem com mecanismos de controle? As condutas se justificam na fragilidade do sistema de fiscalização?
Ou será a ação justificada no desconhecimento da política?
Segundo dados do MDS (BRASIL, 2020), a taxa de atualização cadastral no Brasil foi de 84,16% de acordo com dados do mês de novembro de 2019. Já no município de Navegantes, a taxa de atualização cadastral foi de 86,51% para o mesmo período, superando a média nacional.
Em contrapartida, outra questão se faz manifesta, do âmbito da passividade: as beneficiárias que sabem do recebimento indevido não se mobilizam para denunciar e fazer valer seus direitos. O que as leva a ter essa atitude passiva? Seria esse o comportamento esperado de pessoas em condições de subalternidade? O fato de não terem pertença de coesão social? De serem parte de grupos desagregados (GRAMSCI, 2007c)? Seria uma forma
silenciosa de protesto ou uma forma velada de descrença na mudança real da sociedade e de suas situações particulares? Seria essa a nova forma de rotular a política do pão e circo? Para a qual a plebe não causaria problema ao governo, desde que mantida alimentada com pão e divertindo-se com jogos?
Em perspectiva histórica, o esmorecimento encontrado nas mulheres é fruto de condições sócio-históricas. O nível de condições materiais estão na dependência dos momentos históricos em que a produção da vida se desenrola.
Segundo Sawaia (2006), a desigualdade social implica um sofrimento ético-político. A partir do momento em que somos seres moldados pelo tempo histórico e vivências prévias, a desigualdade que gera o processo de exclusão social produz nos sujeitos particulares a experiência de sofrimento, embora a dor não seja um objeto particular, mas sim fruto das interações sociais e da subjetividade dos indivíduos. Nessa linha compreensiva, não nos cabe julgar aprioristicamente as atitudes tomadas pelas mulheres subalternas, visto que elas são frutos de um processo histórico. No entanto, isso não nos isenta de refletir sobre a moral de suas ações.
Os grilhões históricos de opressão e miserabilidade que assombram as pessoas subalternas se arrastam e perduram até os dias atuais. Essas pessoas são frutos sócio- históricos e, como tal, não têm outras vivências e experiências para julgar o que é certo ou errado. A princípio e preliminarmente, o primeiro impulso que temos é o de julgar como desonestas aquelas que recebem o benefício sem estarem de acordo com os pré-requisitos do programa. O questionamento que fica é: que exemplos têm essas pessoas, como membros de uma sociedade neoliberal, considerando o exemplo uma ferramenta ética?
A dimensão ético-política abarca as micropolíticas decididas e deliberadas diariamente de modo individual ou coletivo. Já a dimensão política é pensada por nós em nível macro, tendo em seu cerne o federalismo, cujos limites e contradições imputam um modo de viver a todos os brasileiros. Uma vez que os estados e municípios possuem autonomia para executar as políticas provenientes do governo federal, as ações tornam-se heterogêneas dentro desse vasto Brasil. São vários Brasis dentro de um único país (LIMA, 2017). A Constituição de 1988 assegura vários direitos civis e sociais ao povo brasileiro (BRASIL, 1988), mas na prática não são efetivamente garantidos.
O modelo de federalismo, por meio do qual pequenas ilhas políticas locais se unem e deliberam sobre o que é melhor para a população da respectiva região, ainda remete ao tempo do Brasil Império, em que os clãs de poder locais, como os barões, decidiam como seria a vida das pessoas daquela região de seu domínio. Quando concebido, o federalismo
republicano visava distribuir pelo país pequenos clãs de poder econômico e político (LESSA, 2019).
A passagem do Brasil Império para o Brasil República foi lenta e cheia de obstáculos.
Após a transição da forma de governo do país, houve a abolição da escravatura. O país continuava essencialmente agroexportador, com grandes núcleos de pobreza, pouco urbanizado, e contava agora também com escravos libertos engordando a massa pobre e miserável. A Constituição vigente e a forma de governo que conhecemos hoje levaram cerca de noventa e nove anos para tomar o molde que hoje é posto. Dia após dia, ano após ano, século após século, ainda perecemos de ajustes na República outrora desenhada para ser um vasto país de riquezas e igualdades (BACHA et al., 2019).
Bruna relata a dificuldade que teve quando precisou utilizar o hospital público do município:
[...]Fiquei quinze dias internada, eu acho, e outra vez o meu piá mais novo também tava tendo convulsão e foi para o hospital. Aí me colocaram era oito horas da noite lá dentro e eu fui sai[r] às cinco horas da manhã, porque eu assinei um termo de responsabilidade que eu não quis mais fica[r] lá.
Daí eles me botaram cinco horas lá, eles botaram o piá no soro e me abandonaram lá. Fiquei lá até 5 hora da manhã, era 5 horas da manhã, me carquei e vim embora.
Essa Constituição qualificou o federalismo brasileiro como cooperativo e manteve a formulação de políticas públicas sob a alçada do governo federal e a execução das políticas no âmbito de estados e municípios (ARRETCHE, 2012). Considerando que estados e municípios passam por dificuldades, principalmente financeiras, para conseguir atingir o mínimo a ser executado, o federalismo cooperativo inscreve-se como um ponto-chave no acesso que a população tem (ou não) a serviços públicos em saúde, assistência, social, segurança, educação.
Maria Joana conta a experiência em relação ao acesso à saúde. Provinda de outro estado, ela relata:
Aqui pra nós em Santa Catarina, o SUS pelo mínimo não tem tanto médico, mas ele tem. No Paraná, se o meu pai precisa de um médico, ele tem que pagar. Porque não tem nem medicamento.
Por sua vez, algumas mulheres nos relatam suas estratégias para conseguir visibilidade diante dos serviços. Segundo Maria Emília, para conseguir ser atendida na Unidade Básica de Saúde, ela teve que adotar a seguinte medida: