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DOIS CASOS DE ESTUDO

No documento IDENTIDADE \ IDENTITY PROCEEDINGS UBI (páginas 71-79)

DESIGNA2015 - PROCEEDINGS - IDENTIDADES VISUAIS METAMóRFICAS E EVOLUTIVAS: DOIS CASOS DE ESTUDO 71

identity. On the contrary, their limits are explored, responding simultaneously to the briefing of each project.

We will therefore present a reflection on this alternative way of building visual identities.

We will begin with an introductory analysis of several examples of a similar nature, then we will present the two case studies above mentioned, with particular focus on their processes. Finally, we present a set of conclusions on the issue.

Palavras-chave

Identidade visual, Identidade evolutiva, Marcas mutantes, Casos de estudo.

INTRODUÇÃO

A identidade visual viva, evolutiva ou que se adapta a contextos específicos de aplicação através de um processo de metamorfose da própria marca ou logótipo, é uma área da identidade visual na qual encontramos vários exemplos, especialmente em instituições culturais, cidades e regiões. Neste artigo argumentamos que as actuais tendências participativas e afectivas do design de comunicação têm vindo a estimular o aparecimento de cada vez mais propostas desta natureza.

De seguida, apresentamos uma série de exemplos, procurando identificar conjuntos de semelhanças. Desta pesquisa foram excluídos todos os casos em que se trata de uma aplicação de marca ocasional, como é o caso do desenvolvimento de comunicações gráficas para momentos comemorativos ou temáticos. Nestes casos foi considerado que não se tratava propriamente de uma filosofia duradoura e consistente de marca, mas antes de uma adaptação efémera a um contexto.

O logótipo do canal de televisão dedicado à música pop, MTV, criado em 1981 pelo estúdio Manhattan Design, foi, provavelmente, a primeira identidade visual viva ou evolutiva alguma vez criada. À letra “M”, desenhada numa tipografia extra bold, sem serifa e com uma ligeira tridimensionalidade, foi adicionada a sigla TV num desenho semelhante a um graffiti, numa clara alusão à cultura popular urbana. A proposta previa ainda que a letra “M” deveria ser constantemente alterada, adoptando inscrições, texturas, padrões, excertos de imagens e outras inúmeras representações gráficas, desenvolvidas por artistas, designers, agências de publicidade, entre outros (Palacio & Vit, 2011, p. 352).

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O logótipo criado em 1993 por Bruce Mau para a Netherlands Architecture Institute (Ramakers, 2002) é outro exemplo no qual identificamos características mutantes.

A proposta de Mau consistia na utilização de fotografias de projecções das iniciais do instituto em superfícies com modelações e texturas distintas. O logótipo apresentava-se então com deformações e desfoques sempre distintos.

As identidades visuais mutantes viriam a tornar-se ainda mais sofisticadas quando em 2007 Stefan Sagmeister propõe à Casa da Música o desenvolvimento de um software gerador de versões do seu logótipo, a partir de determinadas variáveis, tais como a imagem ou cor de fundo que acompanha cada peça de comunicação.

Um sistema generativo de identidade visual que garante uma grande variedade de possibilidades a usar em contextos distintos. Um exemplo semelhante a este é o da identidade visual criada em 2010 pelo estúdio de design Neue para a região Nordkyn, a região mais a norte da Noruega, mas neste caso, as variáveis são os dados meteorológicos referentes à região.

A dinâmica cultural de uma cidade tem sido também preocupação no

desenvolvimento de várias identidades visuais para programas culturais e turísticos de municípios. A identidade visual da cidade de Melbourne, na Austrália, criada em 2009 pela agência Landor, é um exemplo disso. Desenhada através de uma grelha isométrica, a letra “M”, principal símbolo utilizado, apresenta-se preenchida de uma forma sempre diferente, simbolizando a diversidade urbana. Outro exemplo é o da identidade visual criada por João Campos, em 2012, para a Guimarães Capital Europeia da Cultura. O símbolo em forma de coração apresenta-se de inúmeras maneiras, havendo ainda a possibilidade de cada pessoa personalizar o seu próprio logo através do website oficial, criando uma maior aproximação afectiva ao cidadão.

Também o contexto actual do design de websites tem fomentado a criação de novas soluções gráficas que se adaptam de forma elástica e responsiva à orgânica da página. A identidade visual do museu de Whitney, criada em 2013 pelo estúdio Experimental Jetset é, provavelmente, um dos melhores exemplos disso. Tanto na página da internet do museu como nas restantes peças de comunicação, é apresentado o desenho com uma linha fina da inicial “W” que se adapta, progressivamente, à grelha de composição de cada suporte. No website esta situação é ainda mais evidente aquando da sua navegação.

Identificámos ainda um grupo de identidades visuais cuja semelhança entre elas assenta na utilização de fundos com cores, texturas ou desenhos diferentes em cada nova utilização do logótipo. Contudo, este último mantém-se igual em todas as

versões, recortado a branco sobre o fundo. São exemplos o redesenho da marca da companhia de telecomunicações americana AOL pela agência Wolff Olins, em 2010, o logótipo e suas aplicações em publicidade da marca de roupa espanhola Desigual, desenhado por Frederick Thomas, e a identidade visual do programa de promoção turística “Your Singapore”, desenvolvido pela agência BBH Asia Pacific, em 2010.

Como tivemos oportunidade de ver, o contexto volátil da comunicação visual contemporânea tem estimulado a criação de identidades gráficas ágeis, evolutivas e generativas. De seguida, serão apresentados dois casos práticos que permitiram compreender melhor o processo de criação de uma identidade deste tipo.

O CASO LATITO

Perante a necessidade de uma maior autonomia na criação e gestão de um programa de actividades, surge, em Maio de 2014, a Associação de Amigos do Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães. A sua nova marca deveria então distinguir-se das já existentes dos dois monumentos históricos, funcionando como uma marca menos institucional e mais emotiva, afectiva e lúdica. Contudo, esta marca deveria, também garantir uma referência clara aos dois monumentos.

A grande extensão do nome da associação, bem como o carácter encriptado e de difícil fonética da própria sigla (AAPDBCG), conduziu à adopção do nome “Latito”, referente ao monte onde se situa o conjunto monumental a que se dedica esta associação. Este nome apresentava como vantagens, a sua singularidade, pois não existia mais nenhuma marca com o mesmo nome e a sua fácil memorização, pelas três simples sílabas.

Foi então proposta uma identidade visual composta por uma logo-marca principal que se desdobra em duas versões, uma institucional e a outra comercial. Em todas as versões está presente um símbolo resultante da sintetização da planta do castelo de Guimarães. No centro da planta, a torre de menagem serve de “O” à tipografia da palavra “Latito”, cujo desenho pretende realçar o carácter lúdico da marca, que tinha como um dos principais alvos o público infantil e juvenil.

DESIGNA2015 - PROCEEDINGS - IDENTIDADES VISUAIS METAMóRFICAS E EVOLUTIVAS: DOIS CASOS DE ESTUDO 75 Figura 1

Figura 2

O CASO DAS VINHETAS DA RáDIO MANOBRAS

A Rádio Manobras (RM) é uma rádio independente, comunitária e sem fins lucrativos, criada no contexto do programa cultural Manobras no Porto que, com a ajuda de fundos comunitários, procurou agitar culturalmente a cidade durante 2011 e 2012. A identidade visual da RM está assente numa logo-marca composta por uma silhueta de um jovem em tronco nu, numa alusão ao estereótipo de arruaceiro, com uma mão a agarrar a trela esticada de um cão de grande porte e outra a segurar uma antena de rádio.

Em 2014, a RM viria a ser revitalizada, com a aposta numa nova lista de programas com maior enfoque na diversidade da cidade e dos seus cidadãos. A necessidade de desenvolvimento de vinhetas identificadoras de cada programa exigiu a definição de uma estratégia de comunicação gráfica coerente que salvaguardasse a variedade temática da programação.

A proposta consistiu na submissão, por parte do autor de cada programa, de um conjunto de informação textual elementar (título, data e horário do programa) juntamente com uma imagem que servisse de base para a criação da respectiva vinheta. Numa referência ao carácter rudimentar da produção gráfica amadora, optou-se por compor as vinhetas apenas em preto e branco. A imagem enviada seria então submetida a um processo de manipulação digital, procurando estabelecer relações formais, simbólicas ou subjectivas com elementos constituintes da própria marca da RM. A figura do rapaz pode aparecer a segurar uma bandeira ou outro objecto, ou então com um capacete lunar no lugar da cabeça, enquanto que o cão aparece por vezes sozinho na vinheta a farejar ou a morder um determinado elemento da composição. Por exemplo, na vinheta para o programa “Vagamundos”, os elementos da marca da RM são representados como se estivéssemos a olhar a partir do subsolo.

Figura 3

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CONCLUSõES

A pesquisa apresentada neste artigo permitiu concluir que ainda não existem estudos aprofundados sobre a área de criação de identidade visual evolutiva, verificando-se, acima de tudo, a falta de uma taxonomia que permita distinguir diferentes tipologias no que diz respeito a aspectos conceptuais, formais, semióticos, técnicos e metodológicos, entre outros. Esta área da identidade visual tem vindo a ser cada vez mais explorada, indicando a necessidade de uma revisão de vários modelos e parâmetros tradicionais a ter em conta nos processos de design de identidades visuais.

O desenvolvimento dos dois casos de estudo aqui apresentados permitiu uma percepção de algumas das problemáticas subjacentes ao processo de criação de identidades visuais desta natureza. Enquanto que no primeiro caso o objectivo é explorar a aplicação do símbolo gráfico principal da identidade visual em contextos que requeiram a intervenção do público-alvo, no segundo, verifica-se o paradoxo de a coerência gráfica emergir das múltiplas reinterpretações da marca.

bibliOgraFia

Palacio, B. G., & Vit, A. (2011). Graphic Design, Referenced: A Visual Guide to the Language, Applications, and History of Graphic Design: Rockport Publishers.

Ramakers, R. (2002). Less + More: Droog Design in Context: 010 Publishers.

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O NOVA IDENTIDADE VISUAL

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