CAPÍTULO 5 CHAVES ECLESIAIS DE CODINA E O MOBON
5.1 O MAPE em chave tradicional
Codina evidencia que o Catecismo de Pio X aponta para uma fé de cunho individualista e para noções de Deus mais filosóficas que bíblicas. Assim, a chave eclesiológica tradicional indica o predomínio de um modo objetivista e essencialista de olhar para a realidade. Trata-se de um esquema voltado para o dogmático, pouco histórico e independente do sujeito. Em síntese: “Sua visão da realidade é vertical, hierárquica, jurídica, descendente. Todo o universo mental segue uma ordem preestabelecida e, igual à ordem cósmica, é regido por leis fixas e constantes, monolíticas e uniformes”4. Codina deixa claro que, nesta visão fixista da realidade, não há espaço para questionamentos e é forte a tendência para uma postura de submissão à autoridade, à Tradição, às regras e costumes. E ainda, uma forte visão dualista: em dois polos: sagrado e profano. O divino e sobrenatural é que têm o poder de dar sentido ao profano. Trata-se de um modelo de Igreja de orientação apologética, centralizada na figura do papa e da hierarquia, em que os leigos são vistos mais como “objeto passivo que sujeito ativo da Igreja”5. A Igreja encontra-se convencida de que ela “tem a solução para todos os problemas”6.
4 Cf. CODINA. Ser cristiano, p. 27. “Su visión de la realidad es vertical, jerárquica, jurídica, descendente. Todo el universo mental sigue un orden preestablecido y al igual que el orden cósmico, está regido por unas leyes fijas y constantes, monolíticas y uniformes.”
5 CODINA. Seguir Jesus hoje, p. 63. Codina sintetiza esta eclesiologia dominante no pré Vaticano II:
“Es una eclesiología centrada sobre si misma, eclesiocéntrica, que vive un espándido aislamento con respecto al mundo y a la sociedad. Es una eclesiología transcendente y fixista, que produce impresión de ingravidez
Na sua primeira fase, MAPE (de 1946-1966), este trabalho de evangelização não produziu propriamente um material de divulgação. As “aulas bíblicas” eram destinadas, sobretudo a responder às questões doutrinárias disputadas com os protestantes. O conteúdo dos cursos era transcrito no quadro negro e os participantes faziam suas anotações em cadernetas para facilitar a memorização: “Fazia-se a afirmação de uma verdade, anotava-se o texto bíblico correspondente, que depois era memorizado, já que na hora do embate com os protestantes o Pioneiro tinha de saber tudo de cor”7. Dois textos datilografados, datados de 1964, podem servir de referência para indicação da visão dominante nesta época. São eles: A Igreja de Jesus Cristo8 e O homem e seu destino9. Estes materiais eram fruto das colocações, ensinamentos e apontamentos organizados pelo Pe. Geraldo da Silva Araújo, SDN10.
Em A Igreja de Jesus Cristo, a questão de fundo é a polêmica com as Igrejas protestantes. Procura-se demonstrar que “em meio a tão grande número de igrejas, só uma pode ser verdadeira: AQUELA QUE JESUS FUNDOU” (IJC p. 4) 11. Neste clima apologético, busca-se justificar a fundação da Igreja em uma cristologia descendente. Jesus é o Deus que se faz homem para redimir com seu sangue a humanidade pecadora. Há uma tônica na questão de Cristo como único mediador e fora do qual não há salvação. Assim, em Seu projeto salvífico, o Pai oferece o Filho em sacrifício expiatório pelos pecados da humanidade: “Jesus nos purificou: ‘não com o sangue de bodes ou dos bezerros, mas com seu próprio sangue’ (Hb 9,12). Somos nós os verdadeiros purificados” (IJC p. 11). Toda a
perene, sin que la historia parezca jugar ningún papel en ella, como si la sobrenaturalidad de su misión la preservase del impacto del tiempo. [...] La Iglesia se yergue como una fortaleza, un gran faro. Como una roca contra la cual el embate de las olas del mundo se estrella en espuma inconsistente” Cf. CODINA, Victor; DE PRADA, Miguel Angel; PEREDA, Carlos. Analizar la Iglesia. Madrid: Ed. HOAC, 1981. p. 24. Ou ainda: “la Iglesia se define como el Reino de Dios en la tierra, como sociedad perfecta que goza de todos los medios intrínsecos para cumplir su misión. Aunque se afirma, siguiendo a Pío XII, que la Iglesia es el Cuerpo místico de Cristo, sin embargo, la dimensión jurídico-institucional prevalece sobre la mistérica: sólo la Iglesia romana se identifica con el cuerpo místico de Cristo; sólo los bautizados no impedidos por herejía, cisma o excomunión son miembros del cuerpo de Cristo; sólo la Iglesia católica posee todas las notas que Cristo deseó para su Iglesia.” Cf. CODINA, In: Estúdios Eclesiásticos, n. 58, p. 57.
6 CODINA, Víctor. A eclesiologia de Aparecida. In: AMERÍNDIA (Org.). V Conferência de Aparecida: Renascer de uma esperança. São Paulo: Paulinas, 2008. p. 104.
7 Cf. GOMES; ANDRADE, MOBON, p. 35-36.
8 Apostila de 40 páginas, numerada, encadernada, formato maior que ofício, datilografada por Alípio Jacintho da Costa (09/07/1964). Possivelmente de autoria do Pe. Geraldo da Silva Araújo. Será indicada pela sigla: IJC.
9 Apostila de 19 páginas, numerada, encadernada, formato maior que ofício, datilografada por Alípio Jacintho da Costa (13/05/1964) de maio de 1964, que compunha o conteúdo das “Semanas bíblicas”. Falta autoria. Segundo testemunho do datilógrafo, trata-se do conteúdo de cursos que eram repassados nas “Semanas bíblicas”, cuja autoria seria do Pe. Geraldo da Silva Araújo. Cf. Parte I - 1.1.4 Semanas bíblicas. Será indicada pela sigla: HSD.
10 Cf. GOMES; ANDRADE, MOBON, p. 43-44.
11 Destaques próprios do texto. Em citações posteriores sinalizaremos apenas quando os destaques forem acréscimos nossos.
argumentação é rica em passagens bíblicas pelas quais vai se fundamenta cada ideia apresentada. O ponto de partida é a noção da Igreja com um “edifício” no qual Jesus é a
“pedra angular” e ao seu lado estão os apóstolos como “doze fundamentos” da Igreja. Eles recebem de Jesus a mesma missão que o Pai lhe deu. “Jesus quis passar essa MISSÃO DIVINA, dele para os homens, ou seja, para seus doze apóstolos” (IJC p. 13). Nesta lógica descendente, os sacramentos são apresentados como expressão de poderes divinos conferidos à hierarquia para serem distribuídos: “Jesus deu a seus apóstolos poderes divinos para administrarem os sacramentos, que são canais eficazes de salvação” (IJC p. 14). Os apóstolos exercem, assim, uma “missão santificadora” na Igreja.
Surpreende a forma como são tratados os sete sacramentos: destaca-se que todos os sete foram “instituídos” por Cristo e elenca-se primeiro aqueles que são exclusivos do ministro ordenado; cada sacramento é apresentado como um “poder” conferido pelo próprio Jesus e nesta ordem: Penitência, Unção, Eucaristia, Crisma e Ordenação. Na sequência trata- se do Batismo e do Matrimônio, mas sem a igual designação de “poder”. Acentua-se a importância da figura e da ação dos ministros ordenados, vistos como “embaixadores de Deus”, identificados como aqueles que “fazem as vezes de Deus entre os homens. É como se o próprio Jesus fizesse o que faz um de seus ministros” (IJC p. 22). A segunda parte da apostila trata da organização hierárquica da Igreja. Com fartura de citações bíblicas, apresenta os apóstolos constituídos como autoridade pelo próprio Jesus. No colégio apostólico se destaca a figura de Pedro como “chefe da Igreja”, acentua a dimensão hierárquica. Pedro recebe de Jesus o primado que lhe garante a infalibilidade. Ele é constituído “Pastor de toda a Igreja” e tem a missão de confirmar os irmãos na fé. Em várias afirmações, Pedro aparece “funcionando como autoridade” (IJC p. 28). Diante da autoridade, cabe a obediência, o que sugere uma passividade por parte do povo, que deve manter-se submisso ao poder hierárquico:
Só contribuiremos realmente para o desenvolvimento do corpo místico se fizermos a nossa tarefa em união com Jesus. Como é que nós sendo membros queremos governar o corpo? Isto é função da cabeça. A nossa ação de membros, seja ele qual for, deve ser feita em união com a cabeça.
Recebendo a ajuda da cabeça (os sacramentos) e fazendo o que nos foi incumbido estaremos trabalhando para o aperfeiçoamento do CORPO MÍSTICO (IJC p. 32).
Na sequência, aborda o tema da infalibilidade, do celibato sacerdotal e termina com uma lista dos papas que vai do apóstolo Pedro (ano 33 a 67) até Paulo VI (1963) e ainda uma lista de 10 heresias com uma breve explicitação de cada uma delas. Como próprio deste
modelo em chave tradicional, o material é claramente doutrinal, preocupado em transmitir as verdades da fé, de caráter fortemente hierárquico e sem ligação com o momento histórico vivido.
Na mesma linha segue outra apostila: O homem e seu destino. Com abundância de passagens bíblicas, o texto procura demonstrar que o homem é criado por Deus como um
“composto substancial de corpo e alma”. A alma, “criada diretamente por Deus” é a fonte da inteligência e da liberdade que investe o homem de responsabilidade sobre os seus atos e implica também deveres (HSD p. 1-2). Há um peso sobre as leis que regem a vida humana a fim de que haja harmonia na vida social. Destacam-se as leis: Natural, Lei de Deus, Leis da Igreja e Lei Civil. Conclui-se que “o homem não é sua lei”, pois existem leis que governam o homem. Assim, com forte ênfase na submissão à Lei da Igreja, aponta que “pelo batismo nos tornamos súditos da Igreja” e que se deve obedecer às suas leis e ser submisso à Lei Civil. Pois, “toda a autoridade vem de Deus” e deve-se “obedecer a toda autoridade, ainda que indigna” salvando-se apenas o caso em que esta ordenar contrariamente à lei de Deus.
Assim, “obedecer antes a Deus, At 5,29” (HSD p. 6-7).
Na sequência, é trabalhada a ideia de que o pecado é culpa do homem. Deus criou o homem “no estado de justiça originária” e, no paraíso, era dotado dos dons da impassibilidade (não conhecia sofrimentos) e da imortalidade. Porém com o pecado de Adão, fruto da liberdade humana, o homem perdeu esses dons. Seu pecado atinge toda a humanidade e, em decorrência dele, a morte vem para todos e há um juízo particular, no qual a recompensa é dada mediante as obras. Há uma descrição, justificada com passagens bíblicas, das noções de céu, inferno e purgatório. A ressurreição é compreendida como um evento futuro, no fim dos tempos, no qual haverá o encontro da alma com o corpo, o juízo final, justificado com o texto de Mt 25,31-45. O texto é finalizado com esta exortação: “Nós agora, de posse deste estudo, estamos capacitados a saber o que devemos fazer neste mundo e o que Deus espera de nós. [...] E não nos esqueçamos que o maior negócio que podemos fazer aqui na terra é salvar a nossa alma. O resto virá por acréscimo” (HSD, p. 19).
O conteúdo destas apostilas evidencia a submissão do homem e a sua impotência diante da ordem natural e dos poderes civis e eclesiásticos estabelecidos. Cabe a ele acolher a vontade divina e resignar-se a fim de procurar salvar a sua alma. Atitudes típicas que comprovam o predomínio da chave tradicional: vertical, hierárquica, jurídica e
descendente12. Codina aponta como dado agravante a ausência de referências ao Espírito neste modelo eclesial:
O Espírito Santo é o grande ausente desta eclesiologia marcadamente cristomonística. O princípio de autoridade externa e a lei parecem prevalecer sobre o dinamismo vital do Espírito que move à fé, ao amor e reparte dons e carismas. A cefalização do modelo repercute na falta de autênticas igrejas locais, de espírito de colegialidade e de ‘recepção’ ativa.
Toda a rica vivência comunitária da Igreja primitiva e patrística foi-se perdendo. O pluralismo litúrgico e teológico cedeu a uma uniformidade canônica13.
Se o conteúdo destas apostilas explicita e confirma uma eclesiologia em chave tradicional, que novidade aparece nesta iniciativa do MAPE? Como se pode identificar a presença do Espírito neste momento eclesial ainda adverso a uma atuação dos leigos, aos quais cabe apenas obedecer e seguir os ensinamentos e ordens vindos da hierarquia? Três fatores chamam a atenção para o surgimento de algo novo neste início de trajetória: a experiência das “Semanas Bíblicas”, a Bíblia entregue nas mãos do povo e o trabalho missionário de repassar os estudos nas capelas vizinhas.
Mormente as limitações próprias deste modelo eclesial, pode-se dizer que as
“Semanas Bíblicas”14 propiciavam o efeito de um retiro espiritual para aquelas pessoas que se recolhiam de sua lida cotidiana, seja no serviço da roça, do comércio ou mesmo dos trabalhos domésticos. O clima de fraternidade aproximava as pessoas entre si, contribuía para um diálogo fecundo, a partir das questões da fé, das “coisas” de Deus. Havia momentos fortes de oração e celebrações da Eucaristia em pequenos grupos, bem como oportunidade para uma eventual confissão com a recepção do sacramento da Reconciliação. Um clima favorável para cada um repensar o seu jeito de ser, seu modo de agir consigo mesmo e com a família e de rever a sua forma de presença e de participação na comunidade de fé. Isso terminará por favorecer, posteriormente, a compreensão do “ser Igreja” e não apenas ir à
12 Cf. CODINA, Ser cristiano, p. 27. Esta visão de Codina é reforçada por Leonardo Boff ao tratar da caminhada da Igreja do Brasil. Ele aponta este período como o predomínio da “Igreja-grande-instituição”. Há uma renovação na liturgia, na exegese, na catequese que emanam do pontificado de Pio XII, que se estendem para campanhas contra o espiritismo, a maçonaria, as seitas e a religiosidade popular. E, apesar da sensibilidade ao grave problema social, a Igreja opta por uma posição moralizante e não faz nenhuma crítica ao sistema, antes reforça o projeto desenvolvimentista. Cf. BOFF, Leonardo. Igreja Carisma e Poder. 2ª ed.
Petrópolis: Vozes, 1981. p. 71-72.
13 Cf. CODINA, In: Estúdios Eclesiásticos, 58, p. 65. “El Espíritu Santo es el gran ausente de esta eclesiología marcadamente cristomonística. El principio de autoridad externa y la ley parecen prevalecer sobre el dinamismo vital del Espíritu que mueve a la fe, al amor y reparte dones y carismas. La cefalización del modelo repercute en la falta de auténticas iglesias locales, de espíritu de colegialidad y de ‘recepción’ activa.
Toda la rica vivencia comunitaria de la Iglesia primitiva y patrística se ha ido perdiendo. El pluralismo litúrgico y teológico ha cedido a una uniformidad canónica.”
14 Cf. Parte I – 1.4 As “Semanas Bíblicas”, p. 42.
Igreja (cf. LG 7). Como acenado na primeira parte desta pesquisa, a “Semana Bíblica”
funcionava como um divisor de águas na vida dos participantes. Eles saíam dessa experiência marcados pelo desejo de ser de Deus, de mudar de vida, de ser verdadeiros
“apóstolos” e de defender a Igreja e sua doutrina. Para isso tinham em mãos a Bíblia que esclarecia as questões doutrinais e dava segurança para os debates com os protestantes.
Era determinante o contato direto e constante com a Palavra de Deus. Cada assunto tratado, cada afirmação forte, cada verdade de fé era justificada. Como era próprio da época, cada sentença era “provada” com uma citação bíblica, que era conferida na hora da explicitação dos conteúdos. Para muitos era o seu primeiro encontro com a Bíblia. A forma de trabalhar, colocando as Escrituras nas mãos do povo, dava segurança, respaldava a fé, até então, segura nas orações, devoções e costumes da Igreja. Os ouvidos ouviam e os olhos podiam comprovar as verdades anunciadas que estavam ali, ao alcance da mão. Bastava anotar ou para quem não sabia ler, gravar na mente aquelas passagens importantes. A dinâmica utilizada permitiu a superação do medo e gerou coragem para enfrentar, de frente, os ataques protestantes às verdades da fé católica. Um novo entusiasmo tomava conta dos fiéis e animava a fé nas comunidades católicas a partir desta dinâmica com os leigos.
Acendia-se uma luz que iluminava os olhos e aquecia o coração (cf. Lc 24,32).
Merece destaque o fato de confiar aos leigos das comunidades, pessoas com pouco ou nenhum estudo escolar, a tarefa de repassar o conteúdo estudado em outras comunidades15. Apostava-se no dinamismo e no potencial daquelas pessoas simples para a defesa da fé da Igreja em meio às comunidades ou capelas, geralmente na zona rural, que passaram a se reunir para estudar a Bíblia. Era um encontro de leigos com outros leigos, com a Bíblia nas mãos. Algo inédito na época. A oportunidade de comunicar as “verdades da fé” gerava uma autoconfiança em quem transmitia e despertava em outros o desejo de atuar de forma semelhante. Criava-se um pequeno espaço de autonomia e autoafirmação naqueles cristãos batizados que começavam a fazer uso da Palavra, quer no sentido de manusear Bíblia, quer na oportunidade de transmitir o que tinham aprendido nas aulas e semanas bíblicas. Eles enchiam-se de um novo entusiasmo e se sentiam como
“desbravadores”, defensores da Igreja e da religião católica16. Esses fatores parecem indicar
15 Aqui, comunidade indica o núcleo de pessoas que se reuniam nas capelas para as missas, atos de devoção aos santos e que passam a acolher as “aulas bíblicas”. Estas eram conduzidas por pessoas que frequentavam as “Semanas Bíblicas” e eram vistas como “lideranças” devido ao trabalho de formação por elas desenvolvido. Não apresenta ainda os elementos que, posteriormente, virão a compor as Comunidades Eclesiais de Base.
16 Cf. GOMES; ANDRADE, MOBON, p. 43.
uma presença e ação do Espírito no meio dos pobres, dos humildes, uma ação a partir de baixo, em pequenas localidades, nas capelinhas de paróquias do interior, a partir da periferia.
Pessoas que adquiriam convicção e firmeza de fé quase inabaláveis. Embora a ação fosse apologética e marcada por confrontos com os protestantes, os cristãos envolvidos no trabalho do MAPE, tinham a certeza de estar com a verdade da Igreja, fundamentada na Bíblia e da qual se sentiam guardiães e divulgadores. O clima eclesial dominante era a sensação de uma Igreja viva, corajosa e contagiante. Era preciso sair em sua defesa no mundo e não ceder aos ataques por parte de outras igrejas. Nascia assim o ideal de converterem-se em bons soldados de Cristo: Bonus miles Christi, dispostos a defender a Igreja. Essa perspectiva se sustenta até o momento em que começam a aparecer as influências e transformações advindas do Concílio Vaticano II que instaura um novo tempo na Igreja. Pode-se dizer que o MAPE dá um passo adiante e passa ao que Codina nomeia como uma eclesiologia em chave moderna.