Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
(...) trancou-se no banheiro e sozinho sentado na quina da banheira olhando para a porta trancada e pensando que pelo menos durante alguns minutos não teria de sorrir ou de falar ou de apertar a mão de alguém ele [Edgar] pela primeira vez naquela noite sentiu um pouco de felicidade. (VILELA, 1985, p.
55)
O excerto sustenta a escolha da oposição semântica alienação versus pertencimento, em lugar de tristeza versus felicidade. A felicidade sentida por Edgar é insustentável, posto que próxima da não-felicidade. Resta que Edgar confunde uma pequena sensação de alívio com felicidade.
Numa de suas asserções holísticas a respeito do conto, Piglia observou que “há algo no final que estava na origem, e a arte de narrar consiste em postergá-lo, mantê-lo em segredo, até revelá-lo quando ninguém o espera”
(PIGLIA, 2017, p. 107). Em Felicidade, o substantivo abstrato que, a partir do título, inaugura o conto, também é a palavra derradeira, criando um ouroboros do sentimento inatingível.
Vilela utiliza procedimentos discursivos para desnortear o leitor, enredando-o no turbilhão de sensações experimentadas por Edgar. O desfecho é adiado até o limite do ponto de não retorno. Quando se consuma, instaura a ironia e deixa reverberar uma série de incompreensões. Queremos saber mais sobre o personagem central, mas só podemos conjecturar aquilo que constituiria sua realidade interior a partir de um breve recorte de sua vida. É possível presumir que a origem de seu descontentamento seja pregressa ao narrado, mas não se pode precisar se sua infelicidade é causada pelo evento do aniversário ou por um estado anterior, causador da apatia demonstrada por suas (in)ações.
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
O foco narrativo recai em Edgar, tratado pelo pronome pessoal ele, mas único personagem explicitamente nomeado no conto. Mesmo quando o enunciador esboça um deslocamento focal para a esposa, percebe-se que ela é filtrada pela percepção de Edgar.
(…) ele estava pedindo socorro e ela estava sorrindo e esperando que ele falasse pois era o seu aniversário e os convidados estavam ali e ele tinha soprado as velas e haviam cantado parabéns pra você e agora era hora de ele falar qualquer coisa e não havia nada para falar e sua mão esfregava os lábios e sua cabeça girava e ele achou que ia desmaiar (…). (VIL LA, 1985, p. 54)
Verbos como estar, ficar e sentir são predominantes, mostrando a ênfase dada ao estado psicoemocional de Edgar. A vertigem do aniversariante, que quase não fala, também se reflete na intromissão abrupta das falas da esposa e dos convidados. O discurso indireto, que desenrola o relato, emaranha-se com o discurso direto, sinalizado apenas com itálicos.
Estruturado num único e extenso parágrafo, o texto causa a impressão de um breve momento que se arrasta vagarosamente. A ausência de pontuação e o uso excessivo do conectivo e causam um efeito de concomitância de estímulos, como se houvesse uma torrente de acontecimentos paralelos. É possível compreender esse efeito de simultaneidade criado por Vilela examinando a estratégia de alternância temporal adotada no início do conto:
Porque era o aniversário dele a mulher mandara fazer um bolo no qual fincou as velas com um quatro e um zero e encomendara doces e salgadinhos e bebidas e convidara os parentes e amigos que agora enchiam o apartamento e então apagaram a luz e as velas ficaram por um trêmulo e tenso segundo iluminando uma porção de rostos em muda expectativa quando ele soprou (...). (VILELA, 1985, p. 53)
No fragmento supracitado, uma oração de pretérito imperfeito é seguida de uma série de orações no pretérito-mais-que-perfeito, coordenadas por polissíndeto, que tratam o tempo de forma elástica e contextualizam a narrativa. O advérbio “agora” – geralmente evitado em narrativas no passado –, situa a narrativa espacialmente e evoca o presente no já transcorrido. A partir daí, há uma predominância do pretérito perfeito, e as ações parecem se desenrolar diante dos olhos do leitor.
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
A isotopia espacial, absolutamente interna e fechada, é claustrofóbica e aflitiva. O apartamento põe Edgar em conflito com os convidados.
No remate, vencido e resignado, o sujeito recorre ao espaço ainda mais exíguo do banheiro para alienar-se.
No campo figurativo, diversos elementos apontam ao objeto- valor inalcançável: a canção Happy birthday to you, os doces, os salgadinhos, as bebidas, as salvas de palmas, os amigos, as piadas e risadas.
Alguns dos temas presentes no texto são:
a) as situações de convivência forçada: as máscaras sociais e a (in)adaptabilidade do indivíduo;
b) a hipocrisia nas convenções sociais: convidados que colocam o próprio bem-estar à frente do verdadeiro motivo da celebração;
c) as diferentes concepções de felicidade (DUPONT, 2017);
d) o estranhamento entre indivíduos uma vez próximos.
O eixo temático do conto é centrado nos sentimentos de solidão e alienação. Souza e Amaral (2015) apontam que o desejo de evasão também é tema frequente dos contos de Luiz Vilela, embora Felicidade não integre o corpus de análise do estudo por elas realizado.
Os conteúdos semânticos dos signos se manifestam em suas acepções menos usuais, para não dizer às avessas, em que festa, símbolo de alegria e pertencimento, acentua a melancolia; e banheiro, símbolo de privacidade, mas também de depósito de dejetos, de alívio de necessidades elementares, é espaço de efêmera felicidade.
CONCLUSÃO
Nádia Battella Gotlib reconhece um tipo de conto contemporâneo centrado em flashes da realidade, que busca consagrar o “instante temporário” (GOTLIB, 2004, p. 55). Os contistas descobriram que, quando selecionada com critério e tensionada de maneira eficaz, uma simples fatia da vida é suficiente para criar concepções de mundo e alimentar divagações profundas sobre a condição humana.
Propusemo-nos a investigar a construção de sentido de Felicidade, de Luiz Vilela, conto exemplar das potencialidades da narrativa mínima de, com poucas palavras, dizer muito. De uma perspectiva existencial, Edgar pode ser classificado como um “sujeito fragmentado” (DUPONT, 2017, p. 107), não
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
apenas por sua existência incompleta na brevidade do relato, mas sobretudo por sua complacência, que estilhaça sua subjetividade.
De acordo com ensaio que analisa alguns dos procedimentos narrativos recorrentes na obra de Luiz Vilela, em geral, os personagens de seus contos são:
(...) seres deslocados, constrangidos, tímidos perante os convites ou recusas que a vida oferece. Trazem consigo uma interioridade rica e afetiva, angustiada muitas vezes por não encontrar na objetividade do mundo aqueles mesmos conteúdos que são a promessa de uma plenitude capaz de superar a finitude do tempo; são quase sempre seres melancólicos, herdeiros ainda do “romantismo da desilusão”.
(VIDAL, 2019, p. 156, ênfase no original)
Nossa análise mostrou que, do início do texto, quando se estabelece a oposição semântica entre valores, à conclusão, que representa uma ruptura total com o valor eufórico, temos uma exacerbação do estado inicial de Edgar, que falha na realização da performance e permanece disjunto de seu objeto- valor.
A semiótica procura discutir a essência do texto: seu significado. Embora a significação de um enunciado não se resuma ao seu plano de conteúdo, o percurso gerativo de sentido é uma ferramenta teórico-metodológica eficiente para penetrar nas entrelinhas do texto literário. É importante considerar, no entanto, que, no nível fundamental, outras oposições semânticas seriam possíveis, e valores diferentes levariam o pesquisador por outros caminhos. Desta forma, o mesmo corpus poderia apresentar resultados distintos.
Considerando que se desviar “num relato se baseia na secreta aspiração de uma história que não tenha fim; a utopia de uma ordem fora do tempo, na qual os fatos se sucedem, previsíveis, intermináveis e sempre renovados” (PIGLIA, 2017, p. 104), seguimos pela esteira do final aberto, supondo que, numa hipotética posteridade temporal, Edgar sairia do banheiro e tornaria a interagir com os convidados, cioso pelo fim desse longo dia, que o enunciador faz transcorrer em slow motion, atribuindo um sentido trágico à experiência cotidiana.
REFERÊNCIAS
BARROS, D. L. de P. Teoria semiótica do texto. São Paulo: Ática, 1990.
BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. 52. ed. São Paulo: Cultrix, 2017.
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
DUPONT, V. R. V. Algumas impressões acerca da mímesis e do sujeito fraturado.
Alamedas, v. 5, n. 2, Toledo, 2017, p. 103-110.
FIORIN, J. L. Sendas e veredas da semiótica narrativa e discursiva. DELTA, v. 15, n. 1, São Paulo, fev. 1999, p. 177-207.
_____. Elementos da análise do discurso. 13. ed. São Paulo: Contexto, 2005.
GOTLIB, N. B. Teoria do conto. 10. ed. São Paulo: Ática, 2004.
PIGLIA, R. Formas breves. Tradução de José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo:
Companhia das Letras, 2017.
SOUZA, P. de S.; AMARAL, P. O tema da evasão em contos de Luiz Vilela. Letras &
letras, v. 31, n. 1, Uberlândia, jul. 2015, p. 187-205.
VIDAL, A. A prosa de Luiz Vilela. Literatura e sociedade, v. 24, n. 29, São Paulo, set. 2019, p. 150-165.
VILELA, L. Contos escolhidos. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985.
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
A PRIMEIRA SÓ: A LITERATURA COMO POSSIBILIDADE DE LEITURA DE MUNDO
1A PRIMEIRA SÓ: LITERATURE AS A POSSIBILITY OF READING THE WORLD
Adriana Lins Precioso 2 Bruna Sousa dos Santos 3 Artigo submetido em: 15 set. 2022
Data de aceite: 23 nov. 2022 Data de publicação: 13 dez. 2022
RESUMO: O presente artigo pretende considerar a literatura e a ficção literária como potencial canal de acesso à leitura e compreensão do mundo e da realidade, por meio do texto A primeira só, da escritora Marina Colasanti, conto presente na obra Uma ideia toda azul (1979). Ponderamos, inicialmente, os estudos de Antonio Candido (1988), que compreende que uma obra literária é um objeto construído e que possui poder humanizador, como construção em si. Lançamos um olhar de análise para o conto de Colasanti, sobretudo para as personagens e suas ações inseridas nos elementos da narrativa. Buscamos entender como as personagens e a construção de suas relações podem fomentar os discursos narrativos ficcionais com a realidade na qual o leitor está inserido.
Palavras-chave: Fantasia. Marina Colasanti. Narrativa. Verossimilhança.
ABSTRACT: This article aims to regard literature and literary fiction as a potential channel of access to reading and understanding the world and reality through the text A primeira só, by Marina Colasanti, a short story from the work Uma ideia toda azul (1979). We initially consider the studies of Antonio Candido (1988) who understands that a literary work is a constructed object that has humanizing power as a construction in itself. And, through the understanding of the narrative, we cast an analytical look at Colasanti's short story, especially for the characters and their actions inserted in the narrative. We seek to understand how the characters and the construction of their relationships can foster relationship of fictional narrative discourses with reality which the reader is inserted.
Keywords: Fantasy. Marina Colasanti. Narrative. Verisimilitude.
1 Texto orientado pela Profa. Dra. Adriana Lins Precioso, Universidade do Estado do Mato Grosso, Sinop - MT, Brasil.
2 Doutora em Letras. Professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Universidade do Estado do Mato Grosso, Sinop - MT, Brasil. http://lattes.cnpq.br/0200510761269823 / https://orcid.org/0000-0002-4823-4020
3 Mestranda do Curso de Letras da Universidade do Estado do Mato Grosso, Sinop - MT, Brasil.
http://lattes.cnpq.br/4036080129770018 / https://orcid.org/0000-0002-5437-6551
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
INTRODUÇÃO
Muda a realidade externa. Mas, a nossa realidade interior, feita de medos e fantasias, se mantém
inalterada.
(MARINA COLASANTI)
Conforme afirma Marina Colasanti (1979), na epígrafe supracitada, os contextos social, econômico, cultural, dentre outros, podem sofrer e sofrem alterações, de acordo com os períodos vividos. Entretanto, uma necessidade humana essencial, que é a fantasia, permanece de modo inalterado. A fantasia é parte do homem que constrói e reconstrói significados de mundo, uma forma de expressão comunicativa, que funciona como uma espécie de canal que acessa o mundo interior do homem, permitindo-lhe humanizar-se na conexão entre o que lhe é interior e o que há no exterior.
As artes, de um modo geral, utilizam-se da fantasia. Os artistas estruturam suas obras, a partir do ato de fantasiar, seja na música, na dança, no teatro e mesmo por meio das obras literárias.
“Toda obra literária é antes de mais nada uma espécie de objeto, de objeto construído; e é grande o poder humanizador desta construção, enquanto construção” (CANDIDO, 2001, p. 179). De fato, uma obra literária estrutura-se em movimentos de humanização, ao organizar as palavras.
Concomitantemente ao ato de criar, imaginar, fantasiar e produzir, o narrador, personagem e/ou o eu lírico propõem ao leitor tentativas de compreensão do mundo.
Desse modo, podemos perceber que existem relações significativas entre a literatura, que se vale do maravilhoso e da fantasia, e a psicanálise, que busca entender pensamentos de um sujeito em seu inconsciente e
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
como esse dialoga com o mundo e terno. “Os processos infantis inconscientes se tornam claros para a criança através de imagens que falam diretamente ao seu inconsciente” (BETTELHEIM, 1980, p. 40).
Nesse contexto, este trabalho pretende apresentar reflexões acerca da fantasia e seus desdobramentos, dentro da perspectiva literária, por meio do conto A primeira só, presente na obra Uma ideia toda azul (1979) de Marina Colasanti. Ressaltam-se possíveis interpretações e análises do texto em si e dos desenhos mentais, provocados pelo conto, como tentativa de compreensão do mundo, interno e externo.
A obra Literatura infantil brasileira: História & histórias aponta que:
Marina Colasanti, em Uma ideia toda azul (1979), faz reingressar na literatura infantil toda a população de reis, fadas, princesas e rainhas que costumavam povoar os contos tradicionais. O reingresso coincide com o aparecimento de muitas obras cujo projeto consistia na desmistificação das criaturas do reino das fadas. (LAJOLO; ZILBERMAN, 2007, p.
157)
A mesma obra declara que Colasanti “revigora o fantástico com requintes de surrealismo e magia” (LAJOLO; ZILBERMAN, 2007, p.125). Tal afirmação pode ser compreendida pelo próprio posicionamento da autora- narradora, que no prefácio assume que “este é um livro de contos de fadas, com cisnes, unicórnios, princesas” (p.125). Em outro trecho, afirma-se: “(...) preocupei- me apenas em erguer estas construções simbólicas, certo de que o material com que lidava era imemorial, e encontraria em outros ressonância” (p.125). Assim, estão tecidos os contos da obra de Colasanti, nos quais referências simbólicas e elementos fantásticos compõem os enredos.
O conto A primeira só, da obra Uma ideia toda azul de Colasanti (1979), narra a história de uma princesa, filha de um rei muito protetor, que se perguntava do que valia ser princesa se não havia com quem brincar.
As atitudes do rei e da princesa desenvolvem-se dentro de um contexto próprio de contos de fadas, ao mesmo tempo em que o enredo se organiza com elementos da realidade. As ações, tanto do pai quanto da princesa, permitem reflexões importantes sobre os comportamentos humanos, oriundos de questões internas, necessidades e desejos, medos, incertezas e outros sentimentos que, por vezes, habitam o inconsciente do homem.
Ao tomar conhecimento do enredo do conto, o leitor se apropria de problemáticas como a solidão, a dicotomia entre o ser e o ter, a superproteção, a busca humana pelas relações sociais e consequências de privações dessa necessidade, dentre outras percepções possíveis. A obra de Colasanti assume o
Scripta Alumni Curitiba, Paraná, v. 25, n. 2, p. 1-180, jul.-dez. 2022. ISSN: 1984-6614 eISSN: 2676-0118 https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaAlumni/index Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .
caráter humanizador próprio da literatura, permitindo ao leitor analisar, por meio de uma leitura emancipatória, processos do comportamento do homem, por meio da arte literária.
O processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante. (CANDIDO, 2004, p.
180)
É de suma relevância a promoção de trabalhos que permitam lançar um olhar analítico para obras cujos enredo, histórias e contextos nos permitem o exercício da compreensão do próprio homem e sua humanidade.
É a partir dessa perspectiva que propomos uma breve análise e interpretação do conto A primeira só da autora Marina Colasanti, em uma tentativa de relacionar o conto à problemática de vincular o caráter humanizador, próprio da literatura, à fantasia, forma de expressão comunicativa do homem, como canal expressivo de questões internas.