CAPÍTULO 2
O TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.
A relação e formas de controle entre o Estado e a sociedade podem ser vista sob três aspectos segundo Martins. O controle exercido pela sociedade sobre o Estado é um deles. Martins afirma a ideia de Campos, que em sociedades onde há uma harmonia entre liberdade e controle, essas são mais organizadas e atuantes.
Essas sociedades reúnem-se através de associações as quais externalizam suas ideias, e conseguem que elas sejam colocadas em práticas de forma muito mais rápida, mostrando um papel de agente fiscalizador ativo.86
Martins segue descrevendo que o segundo aspecto da relação de controle é o do Estado sobre a sociedade. O Estado possui ferramentas que demonstram o controle do poder político através dos órgãos do poder Judiciário, o Congresso Nacional, as Assembleias Estaduais, as Câmaras Municipais, o sistema eleitoral e os Tribunais de Contas. A cada ano torna-se mais difícil o controle do Estado sobre a sociedade, pois devido à grande mutabilidade de suas leis, abrem-se brechas tornando-as mazelas jurídicas insanáveis. Suas interpretações equivocadas criam métodos de burla da lei cada vez mais frequentes, criando uma sociedade com conceitos errados de como resolver seus problemas, a não ser que seja através de métodos corruptos. Em consequência, a sociedade fica desequilibrada, onde o Estado não tem o controle, apenas uma parcela da população consegue o que quer, e a outra parcela fica à mercê de um poder político falho, tornando pobres mais pobres, e ricos mais ricos.87
86 MARTINS, Carlos Estevan. Governabilidade e controles. FGV - Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v.23, n.1, 1989. Disponível em:
<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/viewArticle/9174>. Acesso em: 22 mar. 2014, p.14-17.
87 MARTINS, Carlos Estevan. Governabilidade e controles. FGV - Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v.23, n.1, 1989. Disponível em:
<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/viewArticle/9174>. Acesso em: 22 mar. 2014, p.14-17.
Sobre a preocupação de que forma o Estado legisla nessa sociedade, crítica e de posse de muita informação, Ribas Junior revela com maestria a partir de um trecho de sua obra:88
Os governos, nos estados democráticos de direito, devem organizar- se, agir e reagir de acordo com a lei. Esta lei, contudo, não pode deixar de ter em seu conteúdo, formal e material, legitimidade. E essa legitimidade decorre de algo além do universo legal. É aquele ponto em que a ética surge como fonte e conjunto de valores.
E o terceiro e último aspecto de controle descrito por Martins, diz respeito ao Estado controlando o Estado, onde os mais altos supervisionam o trabalho dos hierarquicamente mais baixos. Pensadores mostram que o Estado que não consegue controlar a si próprio, não conseguirá controlar sua própria sociedade, prejudicando ainda mais, as outras relações já demonstradas por Martins, entre o Estado e a sociedade. Pois juntas, todas dão o suporte necessário para que o Poder Público torne-se mais ágil e eficiente.89
Cella ressalta a importância da Internet na busca de aperfeiçoar a ideia de uma Sociedade de Controle90 e de uma Sociedade Disciplinar91 quando o foco é a fiscalização de um serviço público de qualidade:92
Há muito se tem tratado a ideia de sociedade disciplinar e sociedade de controle, consagradas, por exemplo, nas obras de Michel Foucault e Gilles Deleuze. A contemporaneidade trouxe inúmeros desdobramentos em relação aos conceitos atribuídos por Foucault e Deleuze, sendo que muitos desses resultados foram previstos pela
88 RIBAS JUNIOR, Salomão. Ética, governo e sociedade. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.
8944.
MARTINS, Carlos Estevan. Governabilidade e controles. FGV - Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v.23, n.1, 1989. Disponível em:
<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/viewArticle/9174>. Acesso em: 22 mar. 2014, p.14-17.
90 DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. Tradução de Peter Pal Pelbart. 34 ed. Rio de Janeiro: Conversações, 1992. [in L´Autre Journal, n. 1, maio 1990].
Disponível em:
<http://www.portalgens.com.br/filosofia/textos/sociedades_de_controle_deleuze.pdf>. Acesso em:
07 out. 2014.
91 FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis:
Vozes, 1987. [Surveiller et punir]. Disponível em:
<http://comunicacaodasartesdocorpo.files.wordpress.com/2013/11/foucault-michel-vigiar-e- punir.pdf>. Acesso em: 20 set. 2014. p. 127.
92 CELLA, José Renato Gaziero; ROSA, Luana Aparecida dos Santos. Utilização dos dados obtidos de forma eletrônica como fator possibilitador de crimes nas esferas privada e pública: o controle social estabelecido com outra face. III Congresso de Iniciação Científica e Pós-Graduação, Curitiba, v.22, n.3, 2014. Disponível em:
<http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/cicpg?dd1=13409&dd99=view&dd98=pb>. Acesso em: 5 out. 2014.
análise de acontecimentos por esses pensadores. [...] Entretanto continua-se em busca do entendimento da evolução das sociedades no que tange ao poder e a sua manutenção, ao direito, à ética e aos possíveis resultados sociais futuros.
Os atuais Órgãos de Controle Externo Brasileiros na tentativa de propor uma maior transparência da Administração Pública e permitir que a Sociedade da Informação consiga adentrar-se nos gastos públicos, sendo mais um a gerir as instituições públicas, possibilita, através da Internet, um mecanismo a mais para o Controle Social.