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O TRIBUNAL DE CONTAS NO BRASIL

No documento Wallace Da Silva Pereira.pdf - Univali (páginas 45-54)

Melo descreve que antes da criação do Tribunal de Contas no Brasil, havia organismos, os quais se reportavam a Portugal, para o controle das finanças públicas:126

No Brasil, no ano de 1680, foram criadas as Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda do Rio de Janeiro, ambas jurisdicionadas à Portugal, para o controle das finanças públicas. Em 1808, instalou-se, por ordem de Dom João VI, o Erário Régio. Neste ano, foi criado também o Conselho da Fazenda que tinha como função principal acompanhar a execução da despesa pública. O Conselho da Fazenda foi transformado em Tesouro da Fazenda na Constituição de 1824.

Ainda durante o período do Império, vários políticos defenderam a criação de um Tribunal de Contas. Em junho de 1826, surgiu a primeira tentativa concreta da criação da corte de contas Brasileira. Foi quando Visconde de Barbacena (Felisberto Caldeira Brandt) e José Inácio Borges levaram ao Senado o projeto de lei, contudo não prosperou. Ainda em 1845, o ex-ministro Manoel Alves Branco, também sem sucesso, defendeu a criação da corte de contas Brasileira. Assim, somente no período Republicano, em novembro de 1890, o então ministro da fazenda, Rui Barbosa, firmou através do texto constitucional a criação do primeiro Tribunal de Contas do País – O Tribunal de Contas da União (TCU).127

124 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.32.

125 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.35.

126 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

127 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.35.

Segundo Melo, o primeiro Tribunal de Contas do País foi criado através do Decreto 966-A128 de 07 de novembro de 1890, e sua instalação ocorreu no ano de 1893. A criação de um Tribunal de Contas foi recepcionada pela primeira vez num texto constitucional a partir da Constituição de 1891, no seu art. 89. Neste artigo assegura ao Tribunal de Contas a competência para verificar se as rubricas de receita e se os itens de despesa estão dentro da legalidade antes de serem apreciadas pelo Congresso Nacional.129

Vide a redação do art. 89 da Constituição de 1891130:

Art 89 - É instituído um Tribunal de Contas para liquidar as contas da receita e despesa e verificar a sua legalidade, antes de serem prestadas ao Congresso. Os membros deste Tribunal serão nomeados pelo Presidente da República com aprovação do Senado, e somente perderão os seus lugares por sentença.

Com o crescimento da população e os avanços na busca de um ideal Estado Democrático de Direito buscava-se a descentralização da fiscalização do erário pelo TCU criando os primeiros tribunais de contas nos estados da Federação.

O primeiro Tribunal de Contas Estadual (TCE) foi em 1899, no estado do Piauí, o qual se instalou em 1º. de agosto de 1899. O segundo Tribunal de Contas Estadual foi o da Bahia, criado em 1915. Na sequência houve a criação dos tribunais de contas de São Paulo, em 1924 e do Rio de Janeiro, em 1936.131

Melo narra que a Constituição de 1934132, ampliou os poderes do Tribunal de Contas da União, o qual agora teria também a função de acompanhar a execução orçamentária:133

128 BRASIL. Decreto Nº 966 A, 7 nov. 1890. Crêa um Tribunal de Contas para o exame, revisão e julgamento dos actos concernentes á receita e despeza da Republica. Disponível em:

<http://www.jacoby.pro.br/normas/decr_966_1890.html>. Acesso em: 20 set. 2014.

129 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

130 BRASIL. Constituição dos Estados Unidos do Brasil: promulgada em 24 de fevereiro de 1891.

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao91.htm>. Acesso em:

20 jul. 2014.

131 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.38-39.

132 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil: promulgada em 16 de julho de 1934. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao34.htm>.

Acesso em: 20 set. 2014.

133 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

Já a Constituição de 1934, ampliou as competências do Tribunal de Contas da União, conferindo a este órgão a função de proceder ao acompanhamento da execução orçamentária, do registro prévio das despesas e dos contratos, proceder ao julgamento das contas dos responsáveis por bens e dinheiro público e oferecer parecer prévio sobre as contas do Presidente da República.

Vide o art. 99, da Constituição de 1934134 a qual mantém a egrégia Corte de Contas e também atribui ao órgão de controle, o acompanhamento da execução orçamentária:

Art 99 - É mantido o Tribunal de Contas, que, diretamente, ou por delegações organizadas de acordo com a lei, acompanhará a execução orçamentária e julgará as contas dos responsáveis por dinheiros ou bens públicos.

A Constituição de 1937135, outorgada, apelidada como Polaca, lança o Estado Novo do Presidente Getúlio Vargas, no País e, ameaça a liberdade dos tribunais de contas.136 Melo, retrata que à época todas as atribuições trazidas pela Constituição de 1934 foram recepcionadas pela Constituição de 1937, com exceção a de oferecer parecer prévio sobre as contas presidenciais.137

Foi a partir da Constituição de 1946138, que o País novamente foi direcionado ao caminho da democracia. Com a Constituição de 1946, no seu art. 18 e 22, o novo texto constitucional recepcionava a criação de novos tribunais de contas nos estados da Federação.139

O Art. 18, da Constituição de 1946:

Art 18 - Cada Estado se regerá pela Constituição e pelas leis que adotar, observados os princípios estabelecidos nesta, Constituição.

§ 1º - Aos Estados se reservam todos os poderes que, implícita ou explicitamente, não lhes sejam vedados por esta Constituição.

O Art. 22, da Constituição de 1946:

134 BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil: promulgada em 16 de julho de 1934. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao34.htm>.

Acesso em: 20 set. 2014.

135 BRASIL. Constituição dos Estados Unidos do Brasil: outorgada em 10 de novembro de 1937.

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao37.htm>. Acesso em:

20 jul. 2014.

136 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.39-47.

137 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

138 BRASIL. Constituição dos Estados Unidos do Brasil: promulgada em 18 de setembro de 1946.

Disponível em: <http://www.tce.sc.gov.br/web/instituicao/historia>. Acesso em: 20 jul. 2014.

139 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.39-47.

Art 22 - A administração financeira, especialmente a execução do orçamento, será fiscalizada na União pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas, e nos Estados e Municípios pela forma que for estabelecida nas Constituições estaduais.

Assim, nascia o TCE do Paraná, em 1947, o TCE do Amazonas, em 1950, o TCE de Goiás, em 1952 e o TCE de Mato Grosso, em 1953. O TCE de Santa Catarina somente foi criado em 1955.140

Melo lembra que Constituição de 1946141 manteve todas as atribuições da Constituição de 1937 e acresceu também a competência do Tribunal de Contas, a julgar a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões.142

A Constituição de 1967143 trouxe novamente um retrocesso ao aparato fiscalizador do Tribunal de Contas. Conforme Melo, na Constituição de 1967 o Tribunal de Contas não tinha mais autonomia para julgar a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões como também a de análise prévia dos atos e fatos geradores de despesas:144

Na Constituição de 1967, houve o enfraquecimento do Tribunal de Contas. Nesta Constituição, ocorreu a exclusão da atribuição de o Tribunal de Contas examinar e julgar previamente os atos e contratos geradores de despesas. Todavia, o Tribunal de Contas continuou a ter a função de apontar falhas e irregularidades que, se não sanadas, seriam objeto de representação ao Congresso Nacional. Retirou-se também a competência do Tribunal de Contas de julgar a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, tendo o Tribunal competência apenas para a apreciação da legalidade para fins de registro.

140 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.39-47.

141 BRASIL. Constituição dos Estados Unidos do Brasil: promulgada em 18 de setembro de 1946.

Disponível em: <http://www.tce.sc.gov.br/web/instituicao/historia>. Acesso em: 20 jul. 2014.

142 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

143 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1967: promulgada em 24 de janeiro de 1967. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao67.htm>. Acesso em: 20 jul. 2014.

144 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

Vide art. 73, parágrafo 8º, da Constituição de 1967145, o qual retira o poder da egrégia corte de contas a julgar a legalidade das concessões de aposentadorias, reformas e pensões:

Art 73 - O Tribunal de Contas tem sede na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional.

[...]

§ 8º - O Tribunal de Contas julgará da legalidade das concessões iniciais de aposentadorias, reformas e pensões, independendo de sua decisão as melhorias posteriores.

A partir da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988146, as cortes de contas do Brasil, novamente podiam comemorar, pois o seu poder de fiscalização estava cada vez mais fortalecido tanto no tocante a amplitude de sua atuação, bem como nas matérias que seriam de sua autonomia e competência a julgar. 147

Segundo Melo, novamente, os tribunais de contas a partir da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, tomariam força e vigor. A autora destaca que de acordo com o atual texto constitucional, esse fortalecimento da corte de contas deu-se devido à forma de positivação de sua atual composição.148

A atual composição do Tribunal de Contas está descrito na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no seu art. 73149:

Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96.

§ 1º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:

I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;

II - idoneidade moral e reputação ilibada;

145 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1967: promulgada em 24 de janeiro de 1967. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao67.htm>. Acesso em: 20 jul. 2014.

146 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).

147 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Tribunal de Contas de Santa Catarina: 50 anos de história. Florianópolis: Tribunal de Contas, 2006, p.135-136.

148 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

149 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).

III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública;

IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior.

§ 2º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:

I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade e merecimento;

II - dois terços pelo Congresso Nacional.

§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40.

§ 4º - O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de Tribunal Regional Federal.

Melo descreve que o Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros que possuem as mesmas garantias, prerrogativas, vencimentos e impedimentos dos ministros do Supremo Tribunal de Justiça. Já os Tribunais de Contas dos Estados são formados respeitando os preceitos da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 como também de acordo com o disposto nas respectivas Constituições Estaduais. No geral, é integrado por sete conselheiros, sendo quatro escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Governador do Estado, conforme está descrito na Súmula 653, do Supremo Tribunal Federal.150

No tocante a composição dos Tribunais de Contas dos Estados a Súmula 653, do Supremo Tribunal Federal define:151

SÚMULA Nº 653

NO TRIBUNAL DE CONTAS ESTADUAL, COMPOSTO POR SETE CONSELHEIROS, QUATRO DEVEM SER ESCOLHIDOS PELA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA E TRÊS PELO CHEFE DO PODER EXECUTIVO ESTADUAL, CABENDO A ESTE INDICAR UM DENTRE AUDITORES E OUTRO DENTRE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO, E UM TERCEIRO A SUA LIVRE ESCOLHA.

Na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu art.

71, estão definidas as competências do Tribunal de Contas:152

150 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

151 BRASIL. STF. Supremo Tribunal Federal. Site STF. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaSumula>. Acesso em: 30 set.

2014.

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;

IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;

V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;

VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;

VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

152 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).

§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.

§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.

§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.

Melo alerta para a ampliação do poder do Tribunal de Contas quando editada a Súmula 347, do Supremo Tribunal Federal a qual prevê que também será de competência do Tribunal de Contas a análise de atos do Poder Público:153

As Cortes de Contas tiveram, inclusive, reconhecida pelo STF, através da súmula no 347, a competência para apreciar a constitucionalidade de leis e atos do Poder Público. Desta forma, as atribuições dos Tribunais de Contas ultrapassaram as discussões sobre a legalidade no controle orçamentário, financeiro, contábil operacional e patrimonial, fortalecendo-se a atribuição de fiscalização baseada na legitimidade do órgão e no princípio da economicidade.

Segue na íntegra o conteúdo da Súmula 347, do Supremo Tribunal Federal:154

SÚMULA Nº 347

O TRIBUNAL DE CONTAS, NO EXERCÍCIO DE SUAS ATRIBUIÇÕES, PODE APRECIAR A CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS E DOS ATOS DO PODER PÚBLICO.

Neto confirma a ampliação do poder do Tribunal de Contas na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:155

A Constituição Federal de 1988, além de consolidar as conquistas advindas com a Carta de 1946, ampliou as atribuições do Tribunal de Contas, acrescentando a competência para exercer a fiscalização operacional, ao lado da financeira, orçamentária, contábil e patrimonial. E além do exame sob o aspecto da legalidade, introduziu a competência para avaliar os aspectos da legitimidade e economicidade dos atos da Administração Pública direta e indireta.

153 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

154 BRASIL. STF. Supremo Tribunal Federal. Site STF. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaSumula>. Acesso em: 30 set.

2014.

155 NETO, Michel Cury. Os tribunais de contas e sua função de controle externo no Brasil.

JUSBRASIL, 2013. Disponível em: <http://michelcury.jusbrasil.com.br/artigos/111945805/os- tribunais-de-contas-e-sua-funcao-de-controle-externo-no-brasil>. Acesso em: 2 jul. 2014.

No que se refere a responsabilização solidária do Ordenador de Despesa que omitir qualquer irregularidade dentro da esfera Municipal ou Estadual, está definida no art. 74, na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.156

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:

I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União;

II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;

III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

§ 1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.

§ 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

Os Tribunais de Contas fiscalizam os procedimentos licitatórios, podendo expedir medidas cautelares para evitar futura lesão ao erário e garantir o cumprimento de suas decisões. Autonomia essa ratificada em decisão do Supremo Tribunal Federal.157

Melo revela que na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 vedou a criação de novos Tribunais de Contas Municipais:158

A Constituição federal veda a criação de Tribunais, Conselhos e órgãos de contas municipais (art. 31 § 4º da CRFB/88). Porém, os municípios que já possuíam tais instituições anteriormente à CRFB/88 poderão mantê-las. Os demais municípios terão o controle externo da Câmara Municipal realizado com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados e Ministério Público.

156 NETO, Michel Cury. Os tribunais de contas e sua função de controle externo no Brasil.

JUSBRASIL, 2013. Disponível em: <http://michelcury.jusbrasil.com.br/artigos/111945805/os- tribunais-de-contas-e-sua-funcao-de-controle-externo-no-brasil>. Acesso em: 2 jul. 2014.

157 SANTA CATARINA. Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Diário oficial eletrônico n.

1487, Florianópolis, 2014. Disponível em: <http://consulta.tce.sc.gov.br/Diario/dotc-e2014-06- 13.docx>. Acesso em: 2 out. 2014. p. 4.

158 MELO, Verônica Vaz de. Tribunal de contas: história, principais características e importância na proteção do patrimônio público brasileiro. Âmbito Jurídico, Rio Grande. Disponível em:

<http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11198>. Acesso em: 20 jul. 2014.

No documento Wallace Da Silva Pereira.pdf - Univali (páginas 45-54)