a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação;
Assim a Corte de Contas Catarinense, ao introduzir o Processo Eletrônico de Atos de Pessoal e operacionalizar eletronicamente o Pedido de Vista, descongestiona a justiça tornando-a mais célere e efetiva, no entanto preserva as informações observadas nas laudas classificadas como pessoais ou sigilosas, pelas unidades fiscalizadas, bem como aquelas de cunho pessoal ou, que pelo próprio Relator do processo, for considerada de caráter proibitivo a sua visualização indiscriminada.
Zilio descreve bem essa necessidade da Sociedade da Informação em obter a informação de forma célere, contudo não ferindo os preceitos do direito a privacidade e a intimidade já arraigadas no ordenamento jurídico Nacional:188
Neste ínterim, sabe-se que a forma eletrônica confere maior agilidade ao processo, de modo que há um significativo ganho de tempo em relação à forma física tradicional. Porém, conforme vem sendo exposto, outros valores precisam ser considerados conjuntamente à agilidade e mesmo à publicidade. Sendo assim, a privacidade e a intimidade das partes merecem sobrepujar frente à rapidez processual, de forma que a segurança do processo deve ser preservada, no concernente aos valores alhures expostos.
Contudo há também no ordenamento jurídico Brasileiro o princípio constitucional da publicidade e novamente traz-se a lume a necessidade da divulgação dos atos decisórios dos Processos Eletrônicos de Atos de Pessoal - registro de aposentadorias, transferências para a reserva remunerada, reformas e pensões. O princípio constitucional da publicidade exige a ampla divulgação dos atos e fatos praticados pela Administração Pública.
[...] temática é relevante na medida em que a sociedade contemporânea, marcada pelo desenvolvimento tecnológico, clama por uma justiça célere e efetiva. A relevância da matéria ainda se justifica levando-se em consideração que os diversos tribunais do país têm aderido à tecnologia, desenvolvendo sistemas informatizados para o processamento de demandas judiciais, bem como para prática e comunicação dos atos processuais, com a finalidade de modernizar suas rotinas e aperfeiçoar a prestação jurisdicional.
Sobre o respeito jurisdicional que o processo eletrônico deverá manter frente aos institutos até agora elencados, Zilio defende a necessidade da proteção da intimidade e da privacidade das partes:190
[...] frente ao processo eletrônico e a demanda de publicidade dos atos processuais, salienta-se que o princípio em voga deve ser respeitado tal qual deve ser na forma tradicional. De seu turno, a proteção da intimidade e da privacidade das partes, nos casos em que isto se torna uma medida necessária, não diminui o direito à publicidade, e sim o torna ainda mais importante, havendo apenas uma relativização, que visa, como fim último, a proteção das partes, e, como consequência lógica, a garantia da transparência processual.
O princípio da publicidade está previsto no art. 37, caput da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e em outros dispositivos específicos que são inerentes ao direito a informação sobre os assuntos de cunho públicos.
Está definido no art. 37, caput da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988191:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
Na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 há também um dispositivo constitucional que trata sobre a obrigatoriedade em dar publicidade
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
190 ZILIO, Daniela. O Princípio da publicidade processual e o processo eletrônico. e-GOV, Florianópolis, 3 nov. 2012. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-
princ%C3%ADpio-da-publicidade-processual-e-o-processo-eletr%C3%B4nico>. Acesso em: 2 maio 2014.
191 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
dos atos e fatos da Administração Pública, o qual está previsto no art. 5º, inciso XXXIII192:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
No tocante a obtenção de certidões na Administração Pública, o texto da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, recepciona a demanda no seu art. 5º, inciso XXXIV193:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
Além dos dispositivos acima, ainda persiste um na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no art. 5º, inciso LXXII194 que trata do instituto do habeas data:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
LXXII - conceder-se-á "habeas-data":
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
192 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
193 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
194 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
Santos alerta para o excesso de publicidade das laudas dos processos eletrônicos:195
Ocorre que o excesso de publicidade na divulgação das peças e informações que integram os autos processuais pode ser inconveniente e gerar prejuízos às próprias partes. Informações alocadas em sites da internet a respeito de processos em andamento podem permanecer por tempo indefinido, o que justifica o cuidado com a publicidade dos atos processuais.
O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina com o objetivo de municiar de forma célere o seu fluxo de trabalho, como também de satisfazer essa Sociedade da Informação, preconizada por Toffler, e buscando como norte o conceito de tribunal sustentável e em consonância com as ondas de Cappelletti, trouxe para o Processo Eletrônico de Atos de Pessoal diversos elementos que serão detalhados, oportunamente, que buscam o estreitamento com o princípio da publicidade, sedimentado na Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, no art. 5º, inciso LX.
O art. 5º, inciso LX, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, define o que poderá ser restrito a publicidade:196
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
Zilio retrata com clareza sobre a necessidade de o processo eletrônico estar acompanhando o avanço social da Aldeia Global, denominada por McLuhan:197
Da mesma forma, a publicidade processual se torna cada vez mais presente frente aos rumos que o processo (na sua concepção jurídica) vem tomando. Com a informatização do processo, o acesso
195 SANTOS, Fabiano Francisco dos; VERSOLA, Humberto Luiz. O princípio da publicidade
processual processo judicial eletrônico. Revista jurídica das Libertas Faculdades Integradas, n.
1, ano 3. Disponível em:
<http://www.libertas.edu.br/revistajuridica/downloadpdf.php?r=revistajuridica3/rj0104>. Acesso em 11 out. 2014.
196 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira).
197 ZILIO, Daniela. O Princípio da publicidade processual e o processo eletrônico. e-GOV, Florianópolis, 3 nov. 2012. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-
princ%C3%ADpio-da-publicidade-processual-e-o-processo-eletr%C3%B4nico>. Acesso em: 2 maio 2014.
às informações oriundas da relação processual em tutela se torna extremamente democrático, uma vez que com o acesso à internet, munidas de algumas informações, as próprias partes podem verificar o andamento de seus processos, de modo que, sem dúvidas, a tecnologia, neste aspecto, facilitou e muito o acompanhamento processual.
Santos, ratifica a necessidade de uma discussão mais ampla acerca do impacto do princípio da publicidade frente ao direito a intimidade e a privacidade:198
Quanto ao princípio da publicidade dos atos processuais, acredita-se na necessidade de sua relativização quando se tratar de processo judicial eletrônico. Com efeito, a publicidade restrita ou especial é medida que se impõe para conciliar o princípio constitucional da publicidade com o direito fundamental à intimidade e privacidade dos litigantes, os quais poderão ficar vulneráveis diante da amplitude que os meios eletrônicos proporcionam em termos de divulgação da informação na rede mundial de computadores.
As celeumas jurídicas começam a se dissipar com o advento da Lei Federal de Acesso à Informação, 12.527/11199, a qual traz o preenchimento de algumas lacunas, trazidas à tona, com o surgimento do processo eletrônico.
A Lei 12.527/2012, a Lei de Acesso a Informação regulou, disciplinando o direito ao acesso público de determinadas informações, os seguintes artigos: art. 5º, inciso XXXIII; art. 37, § 3º, inciso II e do art. 216, § 2º todos da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.