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PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 44-50)

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 preceitua sobre o Princípio do Contraditório e o Princípio da Ampla Defesa.

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[...];

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

Eis a consagração explícita dos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, os quais se dirigem, indistintamente, aos acusados em geral.

Ensina Bulos (2007, p. 533) que contraditório “é a ciência bilateral dos atos e termos processuais e a possibilidade de contrariá-los.”

Conforme Almeida (1973, p. 82), o Princípio do Contraditório significa “que cada ato praticado durante o processo seja resultante da participação ativa das partes.” Para Bonfim, o princípio

Garante as partes não apenas a ciência dos atos praticados no processo, mas também, e principalmente, a possibilidade de se manifestar sobre o conteúdo destes e de apresentar contra- argumentos (2007, p. 06).

Desse modo, deve a parte ter assegurado o direito de participar da produção da prova e de se manifestar sobre os documentos juntados pela outra parte ou pelo juiz (BONFIM, 2007).

Fernandes (2007, p. 290) define contraditório como:

[...] o meio ou instrumento técnico para a efetivação da ampla defesa, e consiste praticamente em: poder contrariar a acusação; poder requerer a produção de provas que devem ser pertinentes, obrigatoriamente ser produzidas; acompanhar a produção das provas, fazendo, no caso de testemunhas, as perguntas pertinentes que entender cabíveis; falar sempre depois da acusação; manifestar- se sempre em todos os atos e termos processuais aos quais devem estar presentes; recorrer quando inconformado.

Segundo Bonfim (2007, p. 42-43), o Princípio do Contraditório pode ser identificado em duas espécies:

1) Contraditório Real - assim se denomina no mesmo tempo da produção probatória;

2) Contraditório Diferido - o que ocorre posteriormente à produção da prova, ou seja, quando das alegações, debates, requerimentos, e impugnações ulteriormente efetuadas pelas partes.

Desse modo, “em caso de impossibilidade de efetivação do Contraditório real, deve ser garantido às partes o Contraditório Diferido, em respeito à Constituição da República do Brasil de 1988, em seu art. 5º, LV” (supracitado) (BONFIM, 2007, p. 42-43).

Conforme leciona Cruz (2002, p. 169), a adoção do Princípio do Contraditório no Processo Penal moderno importa, basicamente,

[...] na necessidade de conferir iguais oportunidades às partes de serem ouvidas pelo órgão jurisdicional competente, em face de cada manifestação da parte contrária (audiatur et altera pars), já que não se admite possa qualquer dos sujeitos processuais sofrer prejuízo, sem que se lhe permita a prévia oitiva.

No processo penal é exigida a observância do contraditório na fase processual, não na fase investigatória (FERNANDES, 2007, p. 69).

Fernandes (2007, p. 63) observa que “são elementos essenciais do contraditório a necessidade de informação e a possibilidade de reação.” Para Almeida (1973, p. 81), em sua noção clássica, que abrange esses dois elementos e define o contraditório como “a ciência bilateral dos atos e termos processuais e possibilidade de contrariá-los.” Ou seja, de um lado, a necessária informação às partes e, de outro, a possível reação aos atos desfavoráveis - informação necessária, reação possível (p. 63).

Bulos (2007, p. 533) leciona que dois são os elementos da noção universal de contraditório: bilateralidade e possibilidade de reação. Portanto, o conteúdo do Princípio constitucional do Contraditório é sobejamente claro, conforme dispõe o Código de Processo Penal. Desse modo, todos aqueles que tiveram alguma pretensão a ser deduzida em juízo podem invocá-lo em seu favor, seja pessoa física, seja pessoa jurídica.

Conforme lição de Dinamarco (2005, p. 237), o Princípio do Contraditório é constituído dois elementos:

1) Informação, que atribui-se a necessidade de que se dê ciência a cada litigante dos atos praticados pelo juiz e pelo adversário (citação, intimação e notificação);

2) Reação, que caracteriza-se pela efetiva reação da parte ao fato processual e conseqüente influência no convencimento do juiz (grifo do autor).

Bulos (2007, p. 533) aponta, ainda, a grandiosidade do Princípio do Contraditório na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que “visa satisfazer, de um lado, a necessidade de levar aos interessados o conhecimento da existência do processo e, de outro, ensejar a possibilidade de as partes defenderem- se daquilo que lhes for desfavorável.”

Segundo Cruz (2002, p. 169),

[...] a possibilidade de reação, por meio de simples manifestação oral ou escrita, ou por meio de atos de defesa, de postulação, de produção de prova ou de recurso, deve seguir-se à necessária informação às contrapartes interessadas.

Almeida (1973, p. 82) leciona que “a verdade atingida pela justiça pública não pode e não deve valer em juízo sem que haja oportunidade de defesa ao acusado.”

É preciso que seja o julgamento precedido de atos inequívocos de comunicação ao acusado: de que vai ser acusado, dos termos precisos dessa acusação; e de seus fundamentos de fato (provas) e de direito.

Necessário, também, é que essa comunicação seja feita a tempo de possibilitar a contrariedade: nisso está o prazo para conhecimento exato dos fundamentos probatórios e legais da imputação e para a oposição de contrariedade e seus fundamentos de fatos (provas) e de direito (MIRABETE, 2006, p. 24).

Especificamente, no tocante ao processo penal, o contraditório incide desde o nascedouro da relação processual, quer em processo de conhecimento (via de regra em ação penal condenatória), quer em processo de execução e cautelar, perdurando até seu ocaso, com o trânsito em julgado da sentença. Assim, mesmo antes da ação penal condenatória, podem ser adotadas medidas que visem preservar ou assegurar o bom resultado do processo, a aplicação do direito material ou a manutenção da ordem pública (CRUZ, 2002, p. 170).

Por isso, segundo Capez (2007, p. 19), “este princípio é identificado na doutrina pelo binômio ciência e participação.” Ou ainda, “as partes têm o direito não apenas de produzir suas provas e de sustentar suas razões, mas também de vê-las seriamente apreciadas e valoradas pelo órgão jurisdicional.” (2007, p. 19)

O contraditório compreende, ainda, o direito de serem cientificadas sobre qualquer fato processual ocorrido e a oportunidade de manifestarem-se sobre ele, antes de qualquer decisão jurisdicional, conforme dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (art. 5º, LV supracitado). A ciência dos atos processuais é dada através da citação, intimação, e notificação.

Segundo Mirabete (2006), o princípio do contraditório é um dos mais importantes no processo acusatório (ou da bilateralidade da audiência), garantia constitucional que assegura a ampla defesa do acusado. Segundo o autor, “o acusado goza do direito de defesa sem restrições, num processo em que deve estar assegurada a igualdade das partes” (2006, p. 24).

Capez (2007, p. 19) leciona que a bilateralidade da ação gera a bilateralidade do processo, de modo que as partes, em relação ao juiz, não são antagônicas, mas colaboradoras necessárias.

O juiz coloca-se na atividade que lhe incumbe o estado-Juiz, eqüidistante das partes, só podendo dizer que o direito preexistente foi devidamente aplicado ao caso concreto se, ouvida uma parte, for dado à outra manifestar-se em seguida.

Para Nucci (2009, p. 41), excepcionalmente, o princípio do contraditório

“deve ser exercitado quando houver alegação de direito; neste caso, deve-se verificar se a questão invocada pode colocar fim à demanda.”

Assevera Moraes Filho e Perez (2003, p.124), que o contraditório

[...] é a própria exteriorização da ampla defesa, impondo a condição dialética do processo (par conditio), pois a todo ato produzido pela acusação, caberá igual direito da defesa de opor-se-lhe.

Citando a lição de Nery Jr, estes mesmos autores apontam que o Princípio do Contraditório,

[...] além de fundamentalmente constituir-se em manifestações dos princípios do estado de Direito, tem íntima ligação com o da

igualdade das partes e o do direito de ação, quer significar que tanto o direito de ação, quanto o direito de defesa são manifestações do princípio do contraditório (p.124).

Reforçando esta lição, Fioreze (2009, p. 198) afirma que Princípio do Contraditório significa:

[...] que ninguém poderá ser julgado sem antes ser ouvido sobre as alegações e privas apresentadas pela parte contrária. Como garantia constitucional indica que devem ser utilizados todos os meios necessários de ara evitar que a disparidade de tratamento entre as partes, no que tange às posições no processo, possa interferir no seu resultado, comprometendo a prestação da tutela jurisdicional.

Assim sendo, o princípio do contraditório, além de permitir que as partes da relação processual tomem conhecimento dos fatos alegados, dá o direito de contradizerem os fatos narrados pela parte contrária, mostrando sua versão ou negar tais fatos, utilizando dos meios de provas permitidos por lei.

Segundo Mirabete (2006, p. 24), “desse modo, a garantia do contraditório, com as alegações e os arrazoados das partes, preparam o espírito do juiz na prova e fora da prova.” Do princípio do contraditório “decorre a igualdade processual, ou seja, a igualdade de direitos entre as partes, acusadora e acusada, que se encontram num mesmo plano; e a liberdade processual [...]” (p. 24).

Fernandes (2007, p. 64) observa que:

[...] enquanto no processo penal, em virtude de ser pleno e efetivo, o contraditório deve ser atendido durante todo desenvolvimento da causa, mesmo quando haja revelia, em relação ao processo civil não sucede o mesmo.

Neste sentido, a lição de Liebman (apud Fernandes, 2007, p. 64) ensina que

“o princípio é respeitado quando é dada a todas as partes possibilidade de se defenderem. [...]”.

Para Alvim (19975, p. 55), “na verdade o princípio da bilateralidade da audiência expressa somente a necessidade de se proporcionar ao réu o conhecimento do que contra ele se pede, ensejando-lhe a possibilidade de defesa.”

Em síntese, há o juiz de assegurar um contraditório pleno e efetivo, com equilíbrio entre acusação e defesa (FERNANDES, 2007, p. 66).

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 44-50)

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