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b) Tangibilidade

As empresas que possuem tangibilidade necessária para oferecer a seus credores como garantia das dívidas têm maior capacidade de endividamento, já que podem ser negociadas mais facilmente em situações de insolvência financeira, minimizando os custos de falência (BRITO;

CORRAR; BATISTELLA, 2007). Já as organizações que possuem dívidas de longo prazo têm forte influência de seus intangíveis sobre a composição de seus ativos, visto que esses ativos intangíveis são utilizados como garantias de dívidas (BASTOS; NAKAMURA, 2009).

c) Rentabilidade

A rentabilidade das empresas está associada negativamente com seus níveis de endividamento, o que é comprovado pela teoria do Pecking Order (BASTOS; NAKAMURA, 2009). Ainda segundo esses autores, a relação negativa advém do fato de que os recursos oriundos dos lucros das empresas concorrem com os recursos tomados externamente, dessa forma, as organizações mais lucrativas possuem níveis de capital de terceiros inferiores. Empresas com elevada capacidade de geração de lucros tendem a autofinanciar seus investimentos utilizando os lucros gerados ao invés de utilizar recursos de terceiros ou capitais novos dos acionistas. Sendo assim, empresas que utilizam maior fonte de recursos próprios para se autofinanciar recorrem menos ao uso de dívidas, o que é, mais uma vez, ratificado pela teoria do Pecking Order (BRITO;

CORRAR; BATISTELLA, 2007).

próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em conjunto com suas subsidiárias Agência Especial de Financiamento Industrial (FINAME) e BNDES Participações S/A (BNDESPAR). O Sistema BNDES pode operar diretamente com as empresas, porém usualmente é possível verificar que as operações são intermediadas por instituições financeiras credenciadas. Em situações pontuais, o BNDESPAR participa do capital social de empresas estratégicas ou que possuam projetos prioritários. Os encargos incidentes sobre os financiamentos são lastreados na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), adicionado a um spread específico para cada modelo de financiamento (BNDES, 2017).

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desde 1982, oferece apoio às empresas brasileiras sob a forma de capital de risco, por meio de seu portfólio oferecido pelo BNDES Participações S/A (BNDESPAR), que é uma sociedade por ações. No início da década de 1990, o BNDES criou um Programa de Capitalização de Empresas de Base Tecnológica (CONTEC), apoiando diretamente pequenas e médias empresas de base tecnológica. O apoio se configura no processo de capitalização e no desenvolvimento de empresas nacionais, com participações societárias de caráter minoritário e transitório. Além de oferecer apoio financeiro às empresas, o BNDES busca estimular o fortalecimento e a modernização do mercado de valores mobiliários brasileiro (BNDES, 2017).

O histórico de desembolsos anuais do BNDES tem apontado um viés de baixa nos últimos anos, apesar do crescimento apresentado entre os anos de 2007 e 2014, aumentando de 64,892 milhões de reais em 2007 para 88,257 milhões de reis em 2016 (Figura 2). O resultado apresentado é classificado como compatível pelo BNDES, visto que representa os esforços planejados em sua política e estratégia de elevação da taxa de investimento da economia brasileira, além da ampliação da participação privada no financiamento de longo prazo.

Figura 2 - Evolução de desembolsos BNDES

Fonte: (BNDES, 2017).

Dados obtidos por meio do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br) mostram que os desembolsos realizados pelo BNDES em 2013 alcançaram 190,4 bilhões de reais, alavancados principalmente pela continuidade de financiamentos de projetos de investimento de médio e longo prazo na indústria e infraestrutura e nos projetos de desenvolvimento econômico criados pelo BNDES, com medidas direcionadas a facilitar o acesso ao crédito para o setor produtivo, minimizando, assim, o impacto negativo das crises internacionais.

Outros estudos disponíveis no site do BNDES (www.bndes.gov.br) demonstram que houve uma melhora no comportamento das demandas de financiamento de logo prazo no Brasil, gerando um grande crescimento das operações da instituição em todos os seus níveis: consultas realizadas, enquadramentos, aprovações e desembolsos realizados.

A participação do BNDES na manutenção, no desenvolvimento e no crescimento do crédito no Brasil demonstra um viés de alta, apesar da queda na carteira de crédito dos bancos públicos de 3,7%, em 2016 (BNDES, 2017).

Outras fontes de recursos de longo prazo disponíveis e utilizadas pelas organizações são: i) Notas Promissórias, que também são chamadas de commercial papers, são definidas por títulos de curto prazo emitidos por empresas que necessitam desenvolver sua estrutura de capital ou ainda têm necessidade de fazer caixa de forma rápida para efetivar a aquisição de um ativo ou efetuar aportes em seu capital de giro, para a compra de estoques e/ou pagamento de fornecedores. As notas promissórias são similares às debêntures, tendo como principal diferença o prazo de vencimento, normalmente menor, e a maior velocidade na sua estruturação; ii) Debêntures, que são valores mobiliários representativos de dívida de médio e

longo prazos, assegurando a seus detentores o direito de crédito contra a empresa emissora.

Esse título é ideal para a captação de recursos, devido a sua flexibilidade de prazo, geralmente entre um e dez anos, e a flexibilidade na escolha do indexador, tornando-se uma das mais relevantes e atrativas formas de captação de recursos das empresas brasileiras. É importante ressaltar que apenas Sociedades Anônimas (S/A) podem emitir debêntures, devido ao controle exercido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM); iii) Crowdfunding, definido como a utilização do ambiente online e suas redes sociais para mobilização de um conjunto de indivíduos dispostos a contribuir financeiramente para a viabilização de determinado projeto (FERREIRA; BURIOL, 2009; FELINTO, 2012; BCB, 2017; BNDES, 2017).

No mercado estão disponíveis dois modelos de crowdfunding, que são o Comunitário, que capta recursos para projetos criativos, artísticos ou com características humanitárias, e o Financeiro, que capta recursos por meio de empréstimos realizados por investidores, que obterão um retorno financeiro (CROWDFUNDING, 2017).

No Brasil, ainda não existem informações precisas sobre o crowdfunfing, porém existe um número considerável de plataformas nos modelos de doação ou recompensa e, a partir de 2014, começaram a surgir as primeiras plataformas de crowdfunfing financeiro, criadas pela Associação Brasileira de Equity Crowdfunding (CROWDFUNDING, 2017).

Outra modalidade utilizada como fonte de recursos é o Arrendamento Mercantil, em que as Sociedades de Arrendamento Mercantil (SAM) realizam arrendamento de bens móveis e imóveis adquiridos por elas segundo as necessidades dos clientes ou arrendatários. Dessa forma, os contratantes desse serviço podem usufruir de determinado bem sem serem proprietários dele (ABEL, 2017).

Para o Banco Central do Brasil, que controla tais operações com características de um financiamento, as sociedades de arrendamento mercantil não são consideradas instituições financeiras, mas sim entidades equiparadas a instituições financeiras (BCB, 2017). Ainda conforme informações do Banco Central do Brasil, apesar de as SAM não serem consideradas instituições financeiras, a grande maioria dessas instituições é subsidiária controlada por bancos (BCB, 2017).

As operações de arrendamento mercantil são classificadas em duas modalidades: Leasing Financeiro e Leasing Operacional. A diferença básica entre as duas modalidades é que, no leasing financeiro, o prazo é normalmente superior, já no arrendatário há a possibilidade de aquisição do bem por um valor previamente estabelecido em contrato. Ao final do contrato, o

arrendatário tem as opções de efetivar a aquisição do bem arrendado ou devolvê-lo (ABEL, 2017).

Para o ano de 2016, observou-se que os contratos de arrendamento mercantil tiveram como objetivo os seguintes bens: 41,16%, máquinas e equipamentos; 31,69%, veículos; 11,55%, aeronaves; 7,13%, equipamentos de informática; e 8,47%, outros bens (Figura 3 e Figura 4, a seguir) (ABEL, 2017).

Figura 3 - Detalhamento de contratos de arrendamento mercantil em 2016

Fonte: ABEL, 2017.

Figura 4 - Estatísticas do setor de arrendamento mercantil

Fonte: ABEL, 2017.