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Propriedades, elementos e dinâmicas

No documento NA INTERNET REDES SOCIAIS - LabCom (páginas 123-130)

deriva da fusão das duas perspectivas, procurando articular as teorias es- truturalistas com elementos descritivos da ciência das redes e informação sobre os atributos dos indivíduos. O nosso propósito é desenvolver uma aná- lise de estruturas sociais e das relações entre os actores que as compõem que permita compreender padrões de interacção e regularidades sociais, para aferir se com as ferramentas de comunicação digital emergem novas formas de sociabilidade.

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Wasserman e Faust (1994) elencam alguns dos conceitos elementares de re- des sociais: actor (ou nodo/nó/ponto/agente/vértice), laço (ou ligação/linha/

aresta/arco), díade (par de actores e as possíveis ligações entre eles), tría- de (subconjunto de três nodos e as possíveis ligações entre eles), subgrupo (subconjunto de actores e todas as ligações entre eles), grupo (colecção de todos os nós cujos laços se podem medir), relação (colecção dos laços de um tipo específico entre os membros de um grupo) e rede social (conjunto de actores e as relações que os definem). Os autores defendem a existência de vários níveis de análise, passíveis de agregação, que decorrem directamente das propriedades elementares do conceito de rede: actor individual, díades, tríades, subgrupos e estrutura global.

Na perspectiva de Hanneman e Riddle (2005), as propriedades estruturais e topológicas das redes remetem directamente para os seus elementos e di- nâmicas: grau (número total de relações de um nó), distância (comprimento do menor caminho entre dois actores), diâmetro (maior distância entre dois nodos), ciclo (caminho que começa e termina no mesmo nó), subgrafo (grafo que é parte de um mesmo grafo), grafo conexo (em que existe um caminho entre qualquer par de actores), grafo completo (existem ligações entre todos os nós), clique (subgrafo completo), grafo bipartite (quando os nodos podem ser divididos em dois conjuntos e não há ligações entre vértices do mesmo conjunto), coeficiente de cluster (indicador de conectividade de um nó), hubs ou conectores (nodo com uma grande quantidade de ligações e com capaci- dade para atrair conexões de outros actores).

Borgatti et al. (2009) consideram que as propriedades estruturais das redes remetem para a análise e, consequentemente, para as métricas. Na pers- pectiva dos autores, os níveis de estudo são a rede, os actores e as relações entre estes. No nível da análise da rede interessa compreender a estrutura desta através do estudo da coesão e da forma. A primeira diz respeito à conectividade do sistema e tem como propriedades a densidade, a distân- cia dos caminhos e a fragmentação. Através destas medidas, definem-se e detectam-se regiões da rede com propriedades de coesão. Geralmente, um subgrupo coeso revela elevada densidade, distâncias curtas ou múlti-

plos caminhos independentes entre os membros. A forma diz respeito à distribuição total das relações e inclui propriedades como livre escala da distribuição do grau, periferia do núcleo e «clumpiness» (aglomeração). A análise dos nós evoca as posições na rede e estuda as propriedades de cen- tralidade dos actores, que permitem definir a importância estrutural ou a proeminência de um vértice numa rede. O estudo da díade diz respeito à análise das ligações entre os actores. Neste nível estudam-se as métricas de coesão (a proximidade social de um par de nós pode ser definida pela distância geodésica – o comprimento entre o caminho mais curto entre dois actores, ou pela multiplexidade – diferente tipo de relações que liga um par de nós) e de equivalência (estrutura similar, estrutura automórfica e estru- tura regular).

Os estudos das redes e dos actores dependem da análise das relações en- tre os nós, atendendo a que um sistema resulta das ligações entre agentes.

Efectivamente, a própria dimensão da rede é a sua densidade, o que remete directamente para as ligações entre actores. A orientação das relações é um dos aspectos centrais na teoria dos grafos. As relações são orientadas ou assimétricas quando se verificam transmissões unilaterais, que podem ou não ser recíprocas. As relações não orientadas são simétricas, ou seja, não têm um sentido. A representação gráfica das relações assimétricas faz-se com arcos e as arestas representam as relações não orientadas. As linhas (as ligações entre actores) podem ser analisadas quanto à direcção e à densi- dade (define-se pelo número de linhas, expresso como a propensão possível de ligações).

Um laço social é composto por relações sociais que se estabelecem através da interacção (Recuero, 2009). Os laços podem ser relacionais (quando cons- tituídos por interacções) e associativos (se se constituírem por associação, caracterizando-se por sentimentos de pertença a um grupo e remetendo para interacções reactivas). A relação entre os indivíduos e os seus laços é substancialmente interessante de analisar: uns são fortes, alguns são dissi- padores e outros ainda congregam as duas características. A densidade das

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possíveis» (Lemieux e Ouimet, 2004: 20). Quanto maior for o número de actores, menor é a densidade. Os laços podem ser unívocos ou recíprocos.

Os últimos traduzem transitividade - «situação na qual, se A mantiver uma relação directa com B e com C, B e C manterão igualmente uma relação directa entre si» (Lemieux e Ouimet, 2004: 119). Considera-se uma troca ge- neralizada entre nós de uma rede quando o que cada um recebe provém de um actor diferente a quem deu. Já uma troca restrita implica que se recebe de quem se deu.

O número de ligações de um actor é determinante para definir como é que a sua posição na rede pode constranger o seu comportamento, tal como pode definir o leque de oportunidades, influência e poder que detém (Hanneman e Riddle, 2005). As ligações locais são importantes para apreender o com- portamento social de toda a população, tal como para compreender cada indivíduo. Os grafos podem ainda representar mais do que um tipo de re- lação. Hanneman e Riddle (2005) denominam a representação gráfica de apenas uma ligação entre os actores como «simplex» e dos diferentes ti- pos de relação como «multiplex». Na perspectiva da teoria dos grafos, as conexões entre os actores podem ser caminhos (sequência de relações orien- tadas) ou cadeias (sequência de relação não orientadas). Lemieux e Ouimet (2004) argumentam que, no contexto das Ciências Sociais, os termos mais apropriados são conexão (um caminho ou uma cadeia que compreendam mais do que uma relação), biconexão (uma cadeia entre dois actores ou dois caminhos num e noutro sentido entre si) e uniconexão (um caminho em sentido único).

A conexidade é a «propriedade de um conjunto de actores em que há pelo menos um actor dominante. Nos conjuntos em que esta propriedade não existe há não-conexidade» (Lemieux e Ouimet, 2004: 118). Pode ser classi- ficada como forte (quando todos os actores são dominantes), semiforte (em situações em que um ou vários actores são dominantes e se, para cada um dos pares de actores, existir uma uniconexão) ou quase forte (se um ou vá- rios actores forem dominantes e se, pelo menos para um par de actores, não existir nenhuma uniconexão). Lemieux e Ouimet definem a coordenação

como uma «situação existente nos conjuntos de actores em que há conexida- de forte, semiforte e quase forte» (2004: 118). Considerando que se adequam melhor ao contexto das Ciências Sociais, os autores propõem outras ter- minologias, diferentes da teoria dos grafos, para os tipos de conexidade:

estruturação desintegrada (grafos não conexos), estruturação hierárquica (grafos quase fortemente conexos), estruturação estratificada (grafos semi- fortemente conexos) e estruturação colegial (grafos fortemente conexos).

As posições sociais dos nodos na estrutura das redes podem ser classifi- cadas como dominantes, dominadas, semidominantes, subdominantes, subdominadas e isoladas (Lemieux e Ouimet, 2004). Um actor é conside- rado dominante quando está ligado, por intermédio de um caminho, a cada um dos outros actores de um determinado conjunto. Quando faz a ligação entre uma fonte e um alvo, um nodo é definido como intermediário. A «re- lação directa entre dois actores que, de outra forma, não teriam qualquer conexão entre si» (Lemieux e Ouimet, 2004: 119) é definida como uma pon- te, que se assume como um tipo de laço. Os papéis e as posições sociais (ou categorias sociais) nas redes são definidas com base nas relações entre actores. Hanneman e Riddle (2005) propõem três ordens de papéis sociais:

equivalência estrutural (posições idênticas dos actores numa mesma estru- tura), equivalência automórfica (posições idênticas em redes diferentes) e equivalência regular (actores que têm padrões de relações idênticos mas não são estruturalmente iguais nem têm equivalência automórfica).

O alcance pode ser definido como o «número de contactos de um ac- tor somado pelo número de contactos destes mesmos contactos, dividido pelo número de relações directas num determinado conjunto de actores»

(Lemieux e Ouimet, 2004: 117). Um actor é acessível a outro através de ou- tros. Quando tal não acontece, verifica-se um potencial de divisão na rede ou há a indicação de que a população em estudo é composta por uma (ou mais) subpopulação separada (Hanneman e Riddle, 2005). Neste sentido, o alcance deriva da distância, que se assume como uma propriedade que pode ser muito relevante enquanto macro-característica da rede total. Para medir

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A distância geodésica corresponde ao número de relações no mais curto caminho possível entre um actor e outro. Nas redes densas, a distância geo- désica é habitualmente menor (Hanneman e Riddle, 2005). Quando uma rede não é totalmente conectada, não é possível definir a distância geodési- ca entre todos os pares. O diâmetro da rede é a máxima distância geodésica de toda a rede conectada, o que permite ter a noção da dimensão da estru- tura e enumerar quantos passos são necessários para atravessar o sistema.

É possível calcular para cada actor o desvio padrão da distância geodésica, o que permite estudar a sua proximidade a todos os nós da rede. Esta medida denomina-se «eccentricity» e afere quão longe está um actor de todos os ou- tros (Hanneman e Riddle, 2005). A vizinhança de cada actor corresponde ao número de outros nós com quem são adjacentes (contíguos, próximos). Uma inferência evidente é a de que actores mais conectados mobilizam melhor os seus recursos.

Em termos sociológicos, a coesão é resultado de influência, persuasão, transmissão de conhecimento e é mais provável entre similares e próximos.

Daqui decorre que pessoas em subgrupos semelhantes têm comportamen- tos, atitudes, crenças, doenças e valores similares. A medida de coesão de Hubbell e Katz, essencialmente adequada a grafos com relações simétricas, considera a força de todas as ligações na definição de conexão. Permite com- preender quanto é que dois actores podem influenciar-se mutuamente ou partilhar um sentido de posição comum. A aplicação desta métrica avalia a totalidade de conexões entre actores (Hanneman e Riddle, 2005).

A centralidade e o poder são propriedades das estruturas sociais. Um in- divíduo não tem poder abstracto, só se estiver ligado a outros que possa dominar é que tem esta capacidade. Apesar de existirem outras concep- ções da noção, na ARS o poder social é interpretado como consequência dos padrões de relações entre actores. Pode ser uma propriedade micro, revelando-se relacional e descrevendo as conexões entre actores, ou uma propriedade macro, assumindo-se como sistémico e descrevendo a totali-

dade da população (Hanneman e Riddle, 2005). O poder pode ser medido através das medidas de centralidade de um grafo: grau (degree), proximida- de (closeness) e intermediação (betweeness).

O grau do actor é a sua centralidade na rede e o seu potencial de poder. Nos dados não direccionados mede-se o grau; nos dados direccionados é possível aferir também o in-degree (as ligações recebidas) e o out-degree (as ligações feitas). Um actor com mais ligações tem mais posições vantajosas. Estes actores podem ser alternativas, assumir-se como menos dependentes dos outros, ter mais acesso a recursos da rede como um todo, intermediar liga- ções de outros actores. Um nó com elevado in-degree pode ser proeminente e/ou ter elevado prestígio (indica a importância do utilizador na rede). Um elevado out-degree é a característica de actores influenciadores.

A centralidade de proximidade enfatiza a distância entre um nó e todos os outros da rede, focalizando-se na distância geodésica entre actores. Esta medida permite caracterizar a centralidade de todo um grupo. Importa referir que em redes pequenas é possível que a proximidade e a interme- diação sejam semelhantes, mas tal já não acontece em estruturas de larga escala. A centralidade de intermediação interpreta um actor como estando numa posição favorável para ser intermediário de outros nós. Neste sentido, quantas mais pessoas dependerem de um nó para se ligarem a outros, mais poder tem esse actor. No entanto, se entre os actores existirem mais cami- nhos e o nó não estiver em todos eles, então perde poder. O «eigenvector»

das distâncias geodésicas procura encontrar os actores mais centrais em termos da estrutura global da rede. A localização de cada nó com respeito a cada dimensão define-se como «eigenvalue» e a colecção desses valores denomina-se «eingenvector» (Scott, 2000).

As diferenças nas conexões de uma população podem indicar solidarieda- de, «densidade moral» e complexidade na organização social (Scott, 2000;

Hanneman e Riddle, 2005). A avaliação da conectividade da rede como um todo centra-se na vulnerabilidade ou redundância das ligações entre pares de actores. O fluxo máximo permite mostrar como estão totalmente liga-

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dos dois actores e procura verificar quantos nós diferentes na vizinhança de uma fonte levam caminhos para o alvo. Hanneman e Riddle (2005) explicam que a medida de centralidade dos fluxos expande a noção de be- tweeness, assumindo que os actores vão utilizar os caminhos que os ligam proporcionalmente à extensão desses caminhos. Uma proposta de métrica que considera a centralidade e o poder como uma função das ligações dos actores de uma vizinhança é o índice de poder de Bonacich. Nesta perspec- tiva, quantas mais ligações um actor tiver numa vizinhança, mais central é; tal como quantas menos conexões um nó tiver numa vizinhança, mais poder tem. Neste sentido, poder é sinónimo de posições vantajosas na rede.

A aplicação de medidas de análise da estrutura de sistemas sociais de- pendem da sua tipologia e topologia. As redes podem ser classificadas em função do objectivo da análise, entidades sociais em estudo e do tipo de re- lação entre actores. A distribuição dos padrões de conexão dos actores gera igualmente modelos de comunicação diferentes e condiciona as métricas a estudar.

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