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Diante das observações realizadas acerca do espaço físico que as escolas pos- suem, foi possível constatar que na escola da rede pública de ensino, que se encontra localizada na zona urbana do município, o espaço possui carência de uma estrutura necessária para possibilitar a locomoção do aluno com deficiência. Não haviam, por exemplo, rampas para acesso a biblioteca que ficava no primeiro andar, limitando o aluno apenas ao térreo, assim como o banheiro, que é desprovido de rampa fazendo com que o aluno de cadeira de rodas dependesse de outras pessoas da escola para conseguir utilizar. Grande porcentagem das salas de aula se localiza no segundo ou terceiro andar da escola, onde havia apenas escada como meio de locomoção. Entre- tanto a escola estava em período de reforma e, de acordo com a gestora, seriam feitas adaptações para a recepção de alunos com deficiência.

A instituição atende do ensino fundamental II à Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos turnos manhã, tarde e noite. Possui 1197 alunos, sendo 9 com deficiências, são elas: autismo, deficiência física e deficiência intelectual. Na instituição privada, lo- calizada também na zona urbana, porém em localidade diferente, as características de uma estrutura física ideal estavam parcialmente presentes, haviam rampas para aces- so a outros andares, o piso tátil, entre outros, facilitando a mobilidade e acessibilidade desses alunos. A escola atende 918 alunos da educação infantil ao ensino médio, con-

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tendo 13 alunos com deficiências, sendo elas: deficiência física, deficiência intelectual, autismo, deficiência auditiva e deficiência visual.

A Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015, no seu artigo 53, afirma que “a aces- sibilidade é direito que garante à pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida vi- ver de forma independente e exercer seus direitos de cidadania e participação social”.

Portanto, é importante destacar que, antes de se praticar a inclusão propriamente dita, se praticou a exclusão. Desta forma, tão importante quanto praticarmos efetivamente a inclusão, é deixarmos de praticar a exclusão. Quando, por exemplo, encontramos uma escola que não está fisicamente adaptada para receber um aluno com deficiência física, seja pela falta de rampas de acesso, falta de elevadores e banheiros adaptados, necessariamente está se praticando a exclusão.

Os sujeitos da nossa pesquisa foram dois gestores, sendo “G1” o gestor da escola pública e “G2” o gestor da escola privada. O “G1” atua na escola há oito anos, é for- mado em Licenciatura em Pedagogia, porém não possui especialidade em educação especial. Já o “G2” é gestor da escola há três anos, é graduado em Pedagogia e possui em seu currículo cursos da área de educação especial e gestão, além de planejar e for- necer palestras e cursos para os funcionários da escola.

A pergunta inicial realizada aos sujeitos da pesquisa foi acerca da capacitação profissional dos docentes da instituição, e obtivemos como resposta do “G1” que o profissional que lidava com esses alunos era o próprio pedagogo, e não era totalmente capacitado, mas fazia o possível para desenvolver um bom trabalho. Já o “G2” nos informou que na instituição encontram-se profissionais que possuíam formação conti- nuada na área de educação especial. Segundo o artigo 28 da Lei 13.146/2015, no inciso XI, é dever do poder público assegurar a “formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio”.

De fato, o desafio imposto aos professores é amplo, e que grande parte deles con- tinua “não preparada” para incrementar estratégias de ensino diversificado, mas cabe a cada um encarar esse desafio de maneira que venha somar no desenvolvimento do aluno com deficiência dentro do espaço escolar, para que desta forma ocorram trans- formações e avanços, mesmo que pequenas, mas que possam propiciar o início de uma verdadeira inclusão escolar.

Segundo o MEC (Ministério da Educação), algumas adaptações curriculares são:

Respostas educativas que devem ser dadas pelo sistema educacional, de forma a favorecer a todos os alunos e dentre estes, os que apresentam necessidades educa- cionais especiais: a) de acesso ao currículo; b) de participação integral, efetiva e bem

Larissa Cesarina Mota Gomes Gabriela de Jesus Pereira Oliveira

João Mailson da Silva Quaresma

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sucedida em uma programação escolar tão comum quanto possível; (BRASIL, 2000, p. 7).

As adequações citadas são chamadas de adaptações, pelo fato de não necessita- rem de autorização de instâncias superiores e terem sua implementação totalmente realizada através do trabalho docente da instituição. Mesmo que a realidade ainda esteja longe do que podemos considerar o correto para uma escola ser classificada realmente inclusiva, é possível notar o avanço de uma das escolas no contexto da in- clusão. Em nossa pesquisa, ao ser perguntado se havia projetos para a inclusão, o “G1”

respondeu que existem alguns projetos, porém com a reforma da instituição, eles es- tavam parados. Diferente da escola privada, que mensalmente estavam executando um projeto que possibilitava o conhecimento de toda a comunidade escolar sobre as práticas inclusivas. Nesse contexto, o Art. 28 da Lei 13.146/2015:

Inciso III - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional es- pecializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia;

Segundo o que foi respondido pelo “G1”, a escola apresenta muita dificuldade para realizar adaptações necessárias que favoreçam a inclusão de alunos com deficiên- cia, visto que não recebem verbas suficientes para a aplicação de modificações dentro da instituição, como adaptações na estrutura para a acessibilidade do aluno, fundos para criação e realização de projetos dentro da escola que possam trabalhar a inclusão com os alunos que não possuem deficiência, ou para a compra e produção de materiais necessários para trabalhar com os alunos com qualquer deficiência.

Foi perceptível o interesse por parte do “G1” sobre a criação e implementação de projetos voltados para a inclusão. Conforme o que foi mencionado na entrevista, como há o desejo de realizar práticas pedagógicas inclusivas, mas não havendo recur- sos para isto, os funcionários acabam retirando dinheiro do seu próprio salário para a produção de materiais que possam somar no processo de aprendizagem dos alunos com deficiência.

Para Vygotsky (1997), alunos com deficiência têm dificuldades, principalmente pela situação do currículo e estrutura escolar estarem voltadas, na maioria dos ca- sos, para alunos sem deficiência. Em vista disso, as metodologias de ensino para as pessoas com deficiência devem se adequar às especificidades de todos os estudantes, com instrumentos e recursos próprios e com profissionais qualificados que auxiliem e facilite o desenvolvimento e aprendizagem desses alunos. A partir disto, é notório que dentro do município de Abaetetuba as instituições de educação analisadas, apesar das diferenças de recursos disponíveis para assegurar um ensino de qualidade, buscam

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formas de alcançar os decretos formulados pelas leis que visam atender aos alunos com deficiência.

É evidente, por exemplo, a dependência que a instituição pública tem em relação aos recursos vindos do governo. Porém a ausência desses recursos, que são necessá- rios para a educação de qualidade, mostra o descaso que há entre governo e educação de base. O que faz com que haja um atraso maior em relação ao desenvolvimento do aluno com deficiência e, neste caso, os professores e os demais funcionários da insti- tuição, diante desta negligência por parte do poder estatal, acabam, por sua vez, tendo que procurar e produzir seus próprios materiais, que serão essenciais para suprir a falha dentro do sistema educacional.