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V ANTAGENS DOS TRATAMENTOS SEM TRANSFUSÕES DE SANGUE

3.3 ALTERNATIVAS MÉDICAS ÀS TRANSFUSÕES DE SANGUE

3.3.3 V ANTAGENS DOS TRATAMENTOS SEM TRANSFUSÕES DE SANGUE

- Hemostasia meticulosa (técnicas que estancam a hemorragia), Hemodiluição Normovolêmica Aguda (para conservar o sangue).182

Verifica-se as inúmeras alternativas para os mais diversos tipos de tratamentos sem o uso do sangue, aceitos pelas Testemunhas de Jeová e por aqueles que por algum outro motivo recusam a transfusão de sangue.

do paciente e despreocupa o médico com relação aos aspectos legais, fazendo com que o cirurgião tenha melhor desempenho.184

O autor Silvio Romero Beltrão dispõe com relação à experiência de Watts com as Testemunhas de Jeová:

Watts, que descreve suas experiências com as Testemunhas de Jeová, declara: “Creio que tive benefícios com a experiência e que talvez tenha me tornado um cirurgião um pouco melhor”; explicitando que operou centenas de Testemunhas de Jeová e que os mesmos têm uma melhor recuperação do que aqueles que foram transfundidos.185

As Testemunhas de Jeová são pessoas extremamentes apegadas em seus valores religiosos e na sua forma de vida, elas prezam muito pela vida, só que acreditam que a transfusão de sangue não é aceita na lei de Deus, assim o médico ao respeitar sua decisão estará lhe fazendo um grande bem. Elas não temem pela morte, e sim pela punição divina.

Nesse sentido:

Os cirurgiões têm observado que a boa atitude é outro fator evidenciado pelas Testemunhas de Jeová. “A atitude destes pacientes tem sido exemplar”, escreveu o Dr. Cooley em outubro de 1989. “Eles não têm o medo de complicações, nem mesmo da morte, como a maioria dos pacientes. Têm profunda e duradoura fé em sua crença, e em seu Deus”.

Isto não significa que desejam asseverar o direito de morrer.

Buscam ativamente cuidados médicos de qualidade, porque desejam ficar bons. Estão convictos de que é sábio obedecer à lei de Deus sobre o sangue, conceito este que

184 Como pode o sangue salvar sua vida? Cesário Lange, São Paulo, Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1990, p.18.

185 BELTRÃO, Silvio Romero. Direitos da personalidade: de acordo com o novo código civil. São Paulo: Atlas, 2005, p. 115.

exerce uma influência positiva na cirurgia que não utiliza sangue.186

Portanto, percebe-se que o direito brasileiro permite ao próprio paciente escolher seu tratamento, o médico não pode de maneira alguma impor tratamento ao paciente, deve seus direitos fundamentais ser respeitados, independente do que possa acarretar sua escolha, pois é um direito seu.

O risco que o paciente assume ao recusar transfusão sanguínea optando por um tratamento alternativo, está ligado a sua liberdade individual, não acarretando dessa forma nenhuma responsabilidade médica.

186 Como pode o sangue salvar sua vida? Cesário Lange, São Paulo, Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1990, p.17.

Este trabalho teve como objetivo investigar, através de legislação, doutrinas e jurisprudências a possibilidade de religiosos sendo pessoas maiores, capazes e conscientes de seus atos, recusarem tratamentos com sangue, para isso o trabalho foi dividido em três capítulos, estudando os direitos fundamentais, os direitos do paciente, e a responsabilidade médica diante a recusa do paciente em receber transfusão de sangue.

O primeiro capítulo tratou da sua evolução histórica, conceituação dos direitos fundamentais, sua aplicação na Constituição Federativa do Brasil de 1988, suas gerações e características.

Verificou-se o quanto evoluiu os direitos fundamentais ao longo dos anos, seu conceito e características estão basicamente ligados a proteção da dignidade da pessoa humana. Nesse sentido a necessidade de criar uma Constituição se deu pelo fato de surgir à necessidade de proteger os direitos dos cidadãos.

Nota-se que os Direitos Fundamentais ainda nos dias de hoje, continuam a ser objeto de discussão devido suas constantes mutações, que se dão em face dos momentos históricos vividos por uma sociedade, e conforme seus interesses, conquistas e reivindicações.

O Segundo capítulo tratou a cerca dos direitos do paciente, onde ficou claro que tem o paciente o direito de recusa, e que não pode o médico impor tratamento ao paciente sem seu consentimento mesmo sob iminente risco de vida, pois estaria ferindo os direitos do paciente, ou seja, o direito a dignidade, de viver com dignidade ou ter uma morte digna, o direito a autonomia, a liberdade de escolha e o direito a religião. Todos protegidos e assegurados pela Constituição da Republica do Brasil de 1988.

Os motivos que levaram uma pessoa a aceitar determinado tratamento ou não, diz respeito à própria pessoa, pois só ela sabe o que esta

sentindo, o quanto esta sofrendo, não cabe assim as terceiros intervirem na sua liberdade de escolha, na sua autonomia.

O terceiro e ultimo capítulo analisou-se a responsabilidade médica diante da recusa aos tratamentos com sangue, onde ficou provado que não deve o médico ser responsabilizado mediante ao direito do paciente em recusar a transfusão de sangue.

Os riscos que as transfusões de sangue apresentam são muitos, o mais temido deles o vírus da AIDS – HIV, onde muitas pessoas encontram-se hoje contaminadas, devido transfusões de sangue. Comprovou-se que muitas vezes as transfusões de sangue são desnecessárias.

Comprovou-se ainda, que são inúmeras as alternativas médicas disponíveis aqueles que rejeitam a transfusões com sangue, e o quão benéficas e vantajosas são para os pacientes.

Por fim, volta-se para as hipóteses levantadas na introdução, a saber:

a) Conforme a Constituição Federativa da República do Brasil, todos tem direito a dignidade, a autonomia, a liberdade religiosa, sendo inviolável o direito de consciência e de crença, devendo esses direitos ser respeitados e protegidos, sendo a pessoa maior e capaz terá pleno direito de decidir se quer se submeter à transfusão de sangue ou não.

b) O médico não deverá ser responsabilizado, pois conforme já visto na hipótese anterior, sendo pessoa maior, capaz e consciente de seus atos tem o direito de decidir o tratamento que pense ser o melhor para si, mesmo sob iminente risco, conforme estabelece o art. 15 do Código Civil, deverá o paciente ter sua escolha respeitada.

c) Sim, existem alternativas ao que recusam transfusão sangüínea.

Como verificou-se no decorrer do presente trabalho todos têm direito a dignidade, a autonomia, a liberdade religiosa, sendo inviolável o direito de consciência e de crença, conforme a Constituição Federativa da República do Brasil, assim restou claro que tem o paciente sendo pessoa maior, capaz e consciente de seus atos o direito de recusar tratamentos com sangue, fundamentado no art. 5º, II, da Constituição da Republica Federativa do Brasil, que dispõe que ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa se não em virtude de lei.187

E provou-se ainda que não pode o médico impor tratamento ao paciente sem seu consentimento, mesmo sob iminente risco de vida, onde o art. 15 do Código Civil dispõe que ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

Celso Ribeiro Bastos conclui:

Não há amparo legal ou constitucional para impor a alguém (capaz e consciente) determinado tratamento médico.188 Com relação à responsabilidade médica o que se pôde perceber foi que médico não deverá ser responsabilizado, já que se trata de pessoa maior, capaz e consciente de seus atos, que manifesta sua vontade de reusar determinado tratamento, devendo assim ter seu direito respeitado, mesmo sob iminente risco, conforme estabelece o art. 15 do Código Civil, deverá o paciente ter sua escolha respeitada.

Conforme verificou-se ainda essa recusa também pode ser através de declaração médica hospitalar ou através do cartão de identificação para uso médico.

187 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988), Senado Federal, Brasília, 2010. p.8.

188 BASTOS, Celso Ribeiro. Parecer Penal: direito de recusa de pacientes submetidos a tratamento terapêutico às transfusões de sangue, por razões científicas e convicções religiosas. Revista dos Tribunais. São Paulo, ano 90, v. 787, p. 493 – 507, maio 2001, p.506.

Assim fica o médico isento de qualquer ação civil ou penal que possa vir a recair sobre ele, caso o paciente sofra alguma complicação mediante a recusa da transfusão com sangue, ou até mesmo venha a falecer.

Por fim provou-se que existem muitas alternativas aqueles que rejeitam a tratamentos sanguíneos, seja por motivos religiosos, científicos ou de cunho pessoal, sejam através de alternativas farmacológicas, técnicas médicas e cirúrgicas ou equipamentos para conservação do sangue.

O que se precisa realmente, é que médicos e suas equipes se atualizem, é fato que muitos hoje recusam transfusões sanguíneas, e não só por motivos religiosos, pois se comprovou o quão são perigosas, não existe transfusão sanguínea segura no mundo. Os médicos não devem só pensar em curar o paciente, devem buscar também o bem estar do paciente em seu todo, para que após ser curado possa voltar para seu convívio social com dignidade.

O respeito às Testemunhas de Jeová as suas crenças e valores é fundamental para o bom convívio médico e paciente, para que o paciente possa durante e após o tratamento ter a certeza de poder ter uma vida digna de volta ao seu convívio social. Os tratamentos médicos forçados em nada ajudaram a estes pacientes pelo contrario, não é correto forçar uma pessoa a receber algum tipo de tratamento, sendo que ela tem o direto de decidir, e respeitar a sua escolha é de extrema importância para sua recuperação.

Forçar uma Testemunha de Jeová a receber transfusão de sangue é violar sua consciência e moral, é tira – lá de sua religião de seu convívio social, é obrigá-las a desobedecerem às ordens de Deus, pois o sangue é sagrado para elas, sendo um pecado mortal ser transfundido, e fazendo-o serão punidas eternamente pela lei divina, não mais alcançando a vida eterna, consideram sua vida espiritual mais importante que a física, esse tipo de paciente não é contra vida, não deseja morrer, sabe que necessitam de auxilio médico, apenas busca que esse auxilio não fira suas convicções religiosas, busca que seus direitos individuais sejam respeitados.

E é dever do Estado respeitar e proteger esses pacientes e seus direitos.

REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS

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