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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Esta tese teve como objetivo compreender o processo de construção do ensino de história em Angola pelo Movimento de Libertação de Angola (MPLA) a partir do entrelaçamento deste campo com a história política. O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) é a organização que se tornou um ícone desta luta.

Primeiras Letras

Os usos políticos da luta anticolonial e do nacionalismo na historiografia didática do MPLA serão explorados ao longo deste trabalho, procurando sublinhar que a escrita da História de Angola é um ramo da sua atuação. Os manuais pós-independência retomam esta leitura do passado, modelando a história angolana nos cânones do partido no poder.

Figura  1  -  Linha  do  tempo  -  Manual  de  Iniciação  à  História de Angola - 4ª classe
Figura 1 - Linha do tempo - Manual de Iniciação à História de Angola - 4ª classe

A vanguarda revolucionária

A publicação, em 1951, da “Revista Mensagem – A voz dos indígenas de Angola”18 promoveu um intercâmbio cultural entre os intelectuais da diáspora e os que permaneceram na colónia19. 19 Outro importante local de troca, mas de ordem diferente, era o Clube Marítimo Africano, que ajudava a enviar e receber informações, livros proibidos em Portugal, especialmente os de orientação marxista, e documentos entre nacionalistas residentes no estrangeiro e aqueles que viviam no Angola (OLIVEIRA JR., 2017, p. 57).

O começo de uma nova história

Nesta ocasião, Mário de Andrade e Viriato da Cruz contactaram as embaixadas da China e da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em 1959, realizou-se em Roma o “Segundo Congresso de Escritores e Artistas Negros”, onde estiveram presentes Mário de Andrade, Lúcio Lara e Viriato da Cruz.

A “força galvanizadora” na cidade

Da Tunísia, o núcleo embrionário do MPLA reuniu-se novamente na Guiné Conacri, que estava livre da ocupação colonial francesa desde 1958. Em resposta às prisões políticas, Luanda foi tomada por uma série de revoltas que culminaram em 4 de Fevereiro de 1961, quando o pessoas, armadas com facões, com o objetivo de libertar presos políticos, atacaram a delegacia de segurança pública, o presídio paulista e o presídio militar, e no dia 10 do mesmo mês realizaram novas ofensivas62.

A “força galvanizadora” no campo

Meses depois, ocorreu o trágico episódio da Baixa do Cassanje, onde começou uma greve para aumentar o preço do algodão [..]75. Incluída no tema pretendido para a fundação do MPLA como o “episódio da Baixa do Cassanje”, a Revolta nem sequer merecia esse título, sem esquecer o facto de, segundo a narrativa didática, a ter provocado.

A “força galvanizadora” recua

Segundo Neto, a estadia na RDC teria feito de Mariano, natural da Baixa do Cassange, um fervoroso defensor do “Kimbanguismo”, local onde também conheceu a UPA e a ABAKO. A data não foi por acaso, no mesmo dia em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) discutiria a situação em Angola devido aos episódios de 4 de Fevereiro e à Revolta da Baixa do Cassanje77.

Outros desdobramentos

Dáskalos lamentou não ter conseguido esclarecer os objectivos da Frente, que se tinha tornado uma organização multirracial na diáspora, enquanto os representantes do MPLA insistiram que seria um "movimento só de brancos", voltando a conversa para esta questão97. Por sua vez, Edmundo Rocha e Graça Tavares, estudantes associados ao CEI e ao Movimento Estudantil Angolano (MEA), deslocaram-se a Paris em Abril de 1961 para contactar representantes do MPLA para obter apoio financeiro para abandonar Portugal e juntar-se à luta das forças armadas, mas ouvi dizer que o Movimento não tinha recursos materiais e financeiros para tal empreendimento.

A chegada de Agostinho Neto e as “falsificações da história”

Matias Miguéis [..] Viriato da Cruz, José Miguel e Domingos foram expulsos das fileiras do Movimento. O comité directivo do MPLA respondeu e decidiu expulsar Viriato da Cruz e os homens que lhe eram leais.

Unidos pela luta

Inspirado nestes postulados, durante o período da luta armada contra o colonialismo português, o MPLA criou o Departamento de Educação e Cultura (DEC). A legislação educativa pós-independência foi cheia de elogios à educação durante o período da luta anticolonial, atribuindo a sua eficácia ao facto de aplicar os princípios da educação socialista.

A pedagogia formada em Argel

Tinha viajado para Argel na companhia de Adolfo Maria em Janeiro de 1963, na esperança de abrir um escritório de representação política, mas surgiram suspeitas sobre as suas reais intenções em relação ao movimento anticolonial e aos laços da FUA. O congresso realizado na cidade de Blida (Argélia) marcou o fim das atividades da FUA no exterior126. O fim da FUA e o trabalho intelectual desenvolvido no CEA representaram uma confluência de oportunidades, exploradas pelo MPLA, que a partir de 1965, como constatou Figueiredo (2012), passou a financiar as atividades deste centro.

Contribuições para a pedagogia revolucionária

Tomei contato com as ideias de Paulo Freire em Argel, em 1965, quando criei um material de alfabetização chamado “A Vitória é Certa”, creio eu. Aí a palavra foi quebrada, e aí finalmente começou a alfabetização [...] Esse método foi uma tentativa de adaptar o método de Paulo Freire a um manual escrito, o que em princípio contradiz o método de Paulo Freire, não é. Basicamente, tentamos combinar o método de Paulo Freire com o método cubano de batalha pela alfabetização em Cuba, realizado com sucesso alguns anos antes.

A História de Angola, em uma perspectiva marxista

A História de Angola" pretende sintetizar a história da humanidade, reunindo os primitivos modos de produção comunista, escravista, feudal, capitalista e socialista numa escala evolutiva. A História de Angola" colocou especial ênfase na unidade, uma questão que permeia toda a narrativa sobre o período denominado era colonial. 142 Manis foram definidos no livro "História de Angola" como líderes da administração da província e dos distritos dos reinos, distintos dos reis que tinham autoridade sobre todos os outros, com poderes quase absolutos.

As aproximações práticas e teóricas do sociodrama

Nomeada para lecionar no Internato 4 de Fevereiro, Maria do Céu Carmo Reis desenvolveu uma metodologia de ensino baseada na sociodramatização e, segundo Adolfo Maria, obteve “excelentes resultados pedagógicos”153. O sociodrama de Maria do Céu Reis baseava-se em cenas roteirizadas pré-estabelecidas – eliminando a espontaneidade de Jacob Moreno – mas também visava transformar a sociedade colonial a partir da percepção dos alunos de que os problemas que enfrentavam eram enfrentados, fruto da ocupação. em Angola. Pelas mãos de Maria do Céu Reis foram concebidos sociodramas adaptados à realidade angolana, sempre alinhados com as orientações do Programa de Acção Imediata do MPLA.

A Organização dos Pioneiros de Angola

Em Angola, a história da luta anticolonial e do MPLA serviu para sustentar a formação civil-militar dos pioneiros, inspirando a luta, a disciplina e a formação de uma nova ordem social. Treinamento Militante” não é um manual para alunos regulares de instituições escolares, mas como lembrou Alan Chopin (2009), antes de circularem nas mãos dos alunos, os livros didáticos eram reservados aos professores. Em tamanho menor, no plano inferior, contorno de uma pessoa portando uma lança, em posição de caminhada.

Formação Militante

  • A estrutura
  • Encenando a exploração colonial
  • O racismo domina a cena
  • O MPLA em três dramatizações
  • Os Heróis
  • Formação de Pioneiro

Segundo as explicações contidas nas recomendações iniciais do livro, “os exercícios de controle permitem ao professor controlar o conhecimento dos alunos. No cenário que abriu o Módulo 1, “O Colonialismo Português Explora Angola”, os diálogos iniciais foram travados entre um agricultor e o “capitalista” de COTONANG. Os assuntos discutidos eram sempre contados por homens que ouviam de outro homem, o “ativista”, os motivos de seus infortúnios.

Figura 3 - Exercício Manual Escolar Formação Militante
Figura 3 - Exercício Manual Escolar Formação Militante

Encenações literárias

Dia do Pioneiro Angolano

Soldados colonialistas Tuga que mais tarde perceberam que tinham sido enganados e já enfurecidos pela coragem, determinação e dignidade do pioneiro AUGUSTO NGANGULA [ênfase do DIP] assassinaram-no brutalmente com um machado235. Dois sites questionaram a existência de Augusto Ngangula, afirmando tratar-se de um mito, atribuindo a crença da época ao controlo de informação exercido pelo MPLA, um deles destacando que a morte do pioneiro ocorreu num domingo, dia quando eles fizeram. nem tem aulas236. No entanto, a coincidência entre a data da morte de Augusto Ngangula, transformada no “Dia do Pioneiro”, e a fundação da OPA, é particularmente preocupante.

Figura 4 - Ilustração do Manual Escolar “Dia do Pioneiro Angolano”
Figura 4 - Ilustração do Manual Escolar “Dia do Pioneiro Angolano”

As Aventuras de Ngunga

O livro seminal da sociologia da memória serviu de inspiração para Pierre Nora em sua iniciativa de levar a memória ao status de objeto a ser explorado pelos historiadores. A memória das “escolas de guerrilha” pode ser vista a partir de uma memória enquadrada. Filho de Brito Adão Neto, morto durante a Guerra da Independência, a quem chamou de “herói anónimo” na sua tese, em diversas passagens da sua obra o autor aborda o exercício de um memorialista.

Memórias escondidas

Compreendendo esta dinâmica, portanto, não podemos ignorar a interligação das grandes famílias ideológicas do mundo secular-contemporâneo, “portadoras de normas e valores”. A formação religiosa não se coaduna com o secularismo marxista-leninista e está afastada da memória oficial do MPLA, que hasteava a bandeira do novo, de um Estado construído no calor da guerra pela ‘vanguarda revolucionária’. Já não se tratava de inimigos, já devidamente rotulados, mas sim daqueles autorizados a comunicar com a “Família MPLA”.

Afinidades

Durante este processo, o “Internato 4 de Fevereiro” serviu os pioneiros e ofereceu cursos de formação política aos guerrilheiros. Dentro das relações de afinidade que ligavam algumas lideranças, militantes e estudantes, “4 de Fevereiro” oferece outro prisma para examinar as relações estabelecidas nas “escolas de guerrilha”. Luzia English deu corpo aos ideais a alcançar por um bom pioneiro, não traiu as origens familiares que justificaram a sua admissão no “Internato 4 de Fevereiro”.

Dessemelhanças na Frente Norte

Do outro lado da fronteira, no Congo-Brazzaville, a 2ª RPM exibiu o outro lado da guerrilha expressa na organização dos serviços sociais e logísticos. A sede do MPLA localizava-se em Mpila, local onde Adolfo e Maria Helena Maria começaram a apoiar o programa de rádio "Angola Combatente" através do CEA. A resposta do pioneiro a um militante que criticou a Liderança do Movimento é semelhante ao argumento de um dirigente da 2ª RPM quando refutou as acusações contra a sua gestão durante a reunião de Dolisie: “Não há problema que eu não tenha explicado na casa dos militantes”. reunião. [ ..] Se os camaradas aqui pedissem uma reunião.

Dessemelhanças na Frente Leste

Uma nova cultura, por exemplo, de líderes militares trabalhando juntos, entre pessoas de diferentes tribos; o novo tipo de relacionamento entre homens e mulheres, entre adultos e jovens, questionando a população sobre os seus costumes e o que consideravam valores culturais; uma nova forma de encarar o trabalho manual e a sua relação com o trabalho intelectual. Os comandantes também foram acusados ​​de fornecer deliberadamente armas obsoletas aos soldados do leste, entregando o melhor equipamento aos combatentes do norte. Estas rupturas ocorreram num momento em que os portugueses lançavam armas químicas em território angolano, destruindo plantações e, sobretudo, vidas, expondo a desproporção das forças militares e contribuindo para o aprofundamento, aos olhos dos guerrilheiros orientais, das disparidades de percebido. entre eles e os guerrilheiros do norte.

A ofensiva externa

O autoritarismo da liderança do MPLA não mascarou as tensões e abusos que surgiram no seio das guerrilhas angolanas. Dado o argumento 313 do governo do Zaire de que o maior problema era a recusa do MPLA em negociar com a frente rival, a liderança do. Acordo logo quebrado pela FNLA, que ordenou a prisão dos guerrilheiros do MPLA que tentavam chegar ao norte do país e atravessar o território congolês314.

Conciliações forçadas e rupturas

Em termos gerais, a proposta da “Revolta Activa” era transformar o Comité Directivo do MPLA num órgão colegial e debater constantemente os problemas raciais, tribais e regionais, como destaca Fátima Peres (2010). Incapaz de forjar uma aliança com Chipenda devido à natureza das alianças e às suas ambições de poder, a Revolta Activa também se retirou do Congresso328. A CIRM promoveu uma reestruturação do MPLA como queria a “Revolta Activa”, mas realizada dentro dos padrões estabelecidos por Agostinho Neto.

A independência

As autoridades portuguesas retiraram-se de Angola na véspera do 11 de Novembro e pediram desculpa pelo papel intermediário de Alvor. Finalmente, o envolvimento do governo racista sul-africano na luta angolana e a presença de mercenários portugueses desqualificaram a república anunciada no Huambo perante a OUA, que reconheceu a legitimidade do governo de Agostinho Neto. A sua liderança, representada por Agostinho Neto, foi reconhecida internacionalmente, desde logo nas ex-colónias portuguesas em África, sendo o Brasil um dos primeiros países a reconhecer a independência de Angola.

A linha ideológica

Como membro do Conselho da Revolução, órgão responsável pelas leis, Nito Alves queria ver a aprovação de uma "Lei do Poder Popular" que daria aos Comités Populares de Vizinhança (CPB) autonomia para supervisionar a vida política e administrativa do país. estado. operando de forma independente. Nito Alves defendeu a adopção em Angola de um modelo de revolução radical marxista-leninista, decisão atribuída à sua participação "no XXV Congresso do Partido Comunista da União Soviética", realizado em Março de 1976. Foram excluídos militantes de outras organizações políticas. do MPLA347, Nito Alves foi afastado do cargo de ministro e o Ministério da Administração Interna foi declarado extinto.

Os sujeitos

  • O “homem novo” ungido pela religião
  • O direito como meta
  • A recusa ao serviço militar
  • Intervenções sindicais
  • De volta ao Direito
  • O lado da militância

A legislação considerava “do ponto de vista teórico” que a criança deveria iniciar o ensino primário aos seis anos e concluí-lo aos catorze. A formação de professores foi destacada nos “Princípios Básicos para a Reformulação do Sistema de Educação e Ensino na R.P.A.”, que dedicou um tema específico ao assunto, enfatizando que sua formação deveria conter uma grande carga ideológica. 362 O acesso dos trabalhadores ao ensino secundário dependia da opinião dos órgãos partidários e sindicais da empresa, com base nas qualidades que demonstrassem no exercício da sua profissão (PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA A REFORMULAÇÃO DO SISTEMA DE EDUCAÇÃO E ENSINO DA R.P.A, 1978, pág. 41).

Os novos manuais escolares

A edição pós-independência da “História de Angola” foi assinada pelo Centro de Investigação Pedagógica e Inspecção Escolar de Angola (CIPIE) e pelo MED. Trabalhamos com perguntas e nesses números, no quinto e no sexto, a história que demos foi a história de Angola. A “História de Angola” sofreu algumas alterações e assumiu um carácter mais didático, com explicações sobre os tipos de fontes históricas e as “ciências auxiliares da história”.

Figura 6 - Bandeira do MPLA
Figura 6 - Bandeira do MPLA

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Figura  1  -  Linha  do  tempo  -  Manual  de  Iniciação  à  História de Angola - 4ª classe
Figura 3 - Exercício Manual Escolar Formação Militante
Mapa 2 - Regiões Político-Militares do MPLA
Mapa 3 - Angola 219
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