Análise da mort alidade por t ét ano neonat al
no Brasil (1979-1987)
Analysis o f ne o natal te tanus mo rtality
in Brazil (1979-1987)
1 Dep artam en to d e Ep id em iologia e M ét od os Qu a n t it a t iv os, Escola N a cion a l d e Sa ú d e Pú b lica , Fu n d a çã o Osw a ld o Cru z . Ru a Leop old o Bu lh ões 1480, Rio d e Ja n eiro, RJ, 21041- 210, Bra sil. 2 In stitu to d e Saú d e, Secret a ria Est a d u a l d e Sa ú d e d o Est a d o d e Sã o Pa u lo. Ru a Sa n t o An t ôn io 590, Sã o Pa u lo, SP, 01314- 000, Bra sil. 3 Dep artam en to d e In form a ções p a ra a Sa ú d e, Cen t ro d e In form a çã o Cien t ífica e Tecn ológica , Fu n d a çã o Osw a ld o Cru z . Av. Bra sil 4365, Rio d e Ja n eiro, RJ, 21045- 900, Bra sil.
Joyce M en d es d e An d ra d e Sch ra m m 1 Od écio Sa n ch es 2
Célia La n d m a n Sz w a rcw a ld 3
Abst ract Th is st u d y rep ort s m ort alit y from n eon at al t et an u s in Braz il (1979-1987), based on an an alysis of d eath certificates. Th e d istribu tion of cau ses of d eath in tim e an d sp ace w as u sed as an in d icator of p rop ortion al n eon atal m ortality from tetan u s. Un d errep ortin g rem ain s a seriou s p rob-lem , p articu larly in n orth ern an d n orth eastern Braz il. In m ost m u n icip alities, on ly on e d eath w as n otified d u rin g th e p eriod u n d er con sid eration , th u s h igh ligh tin g th e im p ortan ce of con sid erin g th e t h eoret ica l a p p roa ch of “sen t in el even t s”in t h e con t rol of t h is d isea se. A p rop ort ion a l d ecrea se in m ortality from n eon atal tetan u s w as observed in th e states of Ron d ôn ia, Pará, Sergip e, São Pau lo, Paran á, an d Rio Gran d e d o Su l. It w as n ot p ossible to d etect an association betw een im m u n iz ation cov era ge w it h t w o d oses of t et a n u s t ox oid a n d n eon a t a l t et a n u s m ort a lit y. Th e red u ct ion in t h e n u m ber of d eliveries tak in g p lace in th e h om e d u rin g th e p eriod stu d ied ap p ears to h ave p layed an im p ortan t role in th e red u ction of n eon atal d eath s attribu table to th is cau se.
Key words N eon atal Mortality; Tetan u s; Ch ild Health ; Mortality; Ep id em iology
Resumo Este trabalh o relata a situ ação d a m ortalid ad e p or tétan o n eon atal n o Brasil (1979-1987), basead o n a an álise d e registros d e óbito. A d istribu ição d as cau sas d e óbito n o tem p o e n o esp aço foi u sad a com o u m in d icad or d a m ortalid ad e n eon atal p rop orcion al p or tétan o. A su bn otificação p er-m an ece u er-m ier-m p ortan te p robleer-m a, p rin cip aler-m en te n as regiões n orte e n ord este d o Brasil. N a er-m aioria d os m u n icíp ios, a p en a s u m ób it o foi n ot ifica d o n o p eríod o, ch a m a n d o a t en çã o p a ra a im -p ortân cia d e se levar em con sid eração a abord agem teórica d e “even to sen tin ela”n o con trole d esta en ferm id ad e. Verificou -se red u ção d o in d icad or d e m ortalid ad e p rop orcion al p or tétan o n eon atal n os Estad os d e Ron d ôn ia, Pará, Sergip e, São Pau lo, Paran á, an d Rio Gran d e d o Su l. N ão foi p ossível d etectar associação en tre cobertu ra vacin al com d u as d oses d e tox óid e tetân ico e m ortalid ad e p ro-p orcion al ro-p or tétan o n eon atal. A d im in u ição d o n ú m ero d e ro-p artos d om iciliares d u ran te o ro-p eríod o d e estu d o p arece ter exercid o in flu ên cia im p ortan te n a red u ção d as m ortes n eon atais atribu íveis a esta cau sa.
A doença e sua epidemiologia
O téta n o n eo n a ta l é u m a d o en ça co n h ecid a d esd e a an tigü id ad e. Tran sm itid a p elo Clostri -d iu m tetan i, b acilo d e n atu reza an aerób ica d e
gra n d e resistên cia , é u m a d o en ça q u e o cu p a u m lu gar esp ecial en tre as en ferm id ad es in fec-cio sa s. Nã o é u m a d o en ça co n ta gio sa e p o d e ser con sid erad a com o risco am b ien tal p ara os seres h u m an os exp ostos ao m eio con tam in ad o (Cvjeta n ovic, 1973; Vero n esi, 1976; Hill et a l., 1992). Estu d os realizad os em d iferen tes p aíses m o stra ra m q u e cerca d e 80% a 90% d o s ca so s ap resen tam os p rim eiros sin tom as en tre o ter-ceiro e 14o d ia s (Cvjeta n ovic, 1982; MSPAS,
1989; Galazka & Stroh , 1986). Os casos evolu em m u ito rap id am en te p ara a m orte, qu e vai ocor-rer d en tro d o p eríod o n eon atal, isto é, o p erío-d o qu e com p reeen erío-d e os p rim eiros 28 erío-d ias ap ós o n a scim en to (Ga la zka , 1985; Sta n field & Ga -lazka, 1985; Galazka & Stroh , 1986; Olu segu n & Parakoyi, 1991).
O téta n o n eo n a ta l é u m a d a s p r in cip a is cau sas d a m ortalid ad e n eon atal em certos p aí-ses su b d esen volvid os e, em algu m as situ ações, p o d e rep resen ta r cerca d e 30% a 50% d esta s m o rtes (Sta n field & Ga la zka , 1984; Ga la zka & Stro h , 1986; Melga a rd et a l., 1988). Su a o co r-rên cia está in tim a m en te rela cio n a d a co m a s con d ições sócio-econ ôm icas. Altas in cid ên cias são en con trad as n as cam ad as p ob res d a p op u -lação q u e n ão p ossu em acesso aos serviços d e saú d e ob stétricos e p rén atais e, sob retu d o, en t re a s cria n ça s n a scid a s d e p a rt o s d o m icilia -res (Con yer et al., 1991; Cvjetan ovic, 1973; Men e gh el, 1988; WH O, 1988). Fa to res rela cio Men a -d os às con -d ições -d e h igien e -d o p arto estão p re-sen tes n a s p rá tica s d a s p a r teira s e cu rio sa s e são con sid erad os com o fatores d e risco qu e es-tã o a sso cia d o s co m o su rgim en to d a d o en ça (WHO, 1982, 1989, 1990).
A letalid ad e d o tétan o n eon atal é alta e su as ta xa s p o d em va ria r d e 40% a 90% d e a co rd o com in ício d os sin tom as, existên cia e q u alid a-d e a-d o s ser viço s a-d e sa ú a-d e. É u m a a-d a s a-d o en ça s tran sm issíveis m ais su b n otificad as. Esta p ecu -lia rid a d e se d eve a o fa to d e o téta n o n eo n a ta l ser u m a d o en ça cu ja m o r te o co rre p rin cip a l-m en te n os p ril-m eiros sete d ias d e vid a, l-m u itas vezes an tes qu e a crian ça seja registrad a (Bole-tin In form ativo Pai, 1991). Um segu n d o asp ecto relacion ad o com a su b n otificação d a d oen -ça é q u e, em a lgu m a s cu ltu ra s, a m o rte d o re-cém -n a scid o é o cu lta d a n o seio d a s fa m ília s (Ga la zka & Stro h , 1986). Segu n d o Bytch en ko (1973), a situ ação d e su b n otificação d a d oen ça seria tã o gra ve, q u e o s ja p o n eses se referem à ep id em ia d o tétan o com o “p ecu liar qu ietn ess”.
Pa ra o a u to r, a ep id em ia d o téta n o n eo n a ta l n ão p reen ch e os leitos h osp italares, n ão sen si-b iliza n d o a ssim o s ser viço s e a s a u to rid a d es p ara o p rob lem a (WHO, 1989).
No Bra sil, n ã o se co n h ece co m exa tid ã o a d im en sã o d o p ro b lem a . Pela s ca ra cterística s d o Pa ís, im a gin a -se q u e m u ita s á rea s p o ssa m ser classificad as com o “zon as p rod u tivas silen -ciosa s”. A Secreta ria Esta d u a l d o Cea rá , a n a li-sa n d o o s d a d o s d o Esta d o p a ra o p erío d o d e 1985-1990 e a p lica n d o a s ta xa s d e in cid ên cia d o Estad o p ara os m u n icíp ios d o in terior, esti-m ou u esti-m su b -registro d e 90% d os casos p ara o Estad o (SES, 1991). In qu érito realizad o n o Mu -n icíp io d e No-n oai, -n o Rio Gra-n d e d o Su l, esti-m ou u esti-m a su b n otificação d e 50%. Foi en con tra-d o u m coeficien te tra-d e in citra-d ên cia tra-d e 0,88/ 1000, n ã o sen d o co n sid era d o p elo s a u to res co m o even to raro n a região (Men egh el, 1988; Men eg-h el et al., 1988).
O p resen te trab alh o p reten d e caracterizar o co m p o rta m en to d a m o rta lid a d e p o r téta n o n eon atal n o Brasil d u ran te o p eríod o d e 1979-1987. Assim fo ra m a n a lisa d a s a d istrib u içã o d os ób itos n o p eríod o p or Un id ad e d a Fed era-ção e a ten d ên cia d os ób itos n otificad os. Utiliza n d o se co m o in d ica d o r a m o rta lid a d e p ro -p orcion al -p or tétan o, d iscu te-se a su a evolu ção tem p ora l fren te a o com p orta m en to d a cob ertu ra vacin al d e gestan tes com d u as d oses d e to -xóid e tetân ico e d a p rop orção d e p artos d om i-ciliares em cad a Un id ad e d a Fed eração.
Comport ament o da not ificação do t ét ano neonat al no período
Na Tab ela 1, en con trse ap on tad o p or Un id a-d e Fea-d eraa-d a o n ú m ero a-d e m u n icíp ios qu e n oti-ficaram p elo m en os u m ób ito p or tétan o n eo-n atal eeo-n tre 1979 e 1987. Foram u tilizad as com o fon tes d e d ad os as tab u lações elab orad as p elo Min istério d a Saú d e (MS 1990, 1991b ) e d ad os d o Cen so Dem ográfico d e 1991 (FIBGE, 1991).
A Figu ra 1 a p resen ta o co m p o rta m en to tem p oral d o n ú m ero d e m u n icíp ios qu e n otifi-ca ra m ó b ito s p a ra otifi-ca d a Regiã o e p a ra to d o o País. Ob servam os u m p ad rão d e red u ção ap on -tado p ara toda a Federação n o referido p eríod o, q u e se d eu p rin cip a lm en te d evid o à s Regiõ es Su l e Su d este. Não foi p ossível m ostrar o m es-m o p ad rão p ara as Regiões Norte e Nord este.
Comport ament o dos óbit os por t ét ano neonat al
Na Tab ela 2, en con tra-se a freqü ên cia d e m u n i-cíp ios segu n d o o n ú m ero d e ób itos p or tétan o n eon atal registrad os en tre 1979-1987. Do total d e m u n icíp io s d o Pa ís, 72% n ã o n o tifica ra m ó b ito s n o referid o p erío d o. A p rin cíp io, estes m u n icíp io s d everia m ser cla ssifica d o s co m o zo n a s silen cio sa s, n ã o sen d o p o ssível d efin ir, p ela falta d e in form ação, se seriam zon as silen -cio sa s p ro d u tiva s o u n ã o p ro d u tiva s. Já en tre os m u n icíp ios com registro d e m ortes p or téta-n o téta-n eotéta-n atal, 51% téta-n otificaram som etéta-n te u m ób i-to em i-tod o o p eríod o. Assim é qu e, p ara o País, os valores assu m id os p elas m od a e m ed ian a d a d istrib u ição d o n ú m ero d e ób itos foram igu ais a 1. No ta -se q u e, n o p erío d o, q u a tro m u n icí-p io s a icí-p resen ta ra m u m q u a n tita tivo d e ó b ito s m u ito m aior qu e o resto d a d istrib u ição: Salva-d o r (90); Fo rta leza (98); Sã o Lu ís (115); Belém (125).
Na Ta b ela 3, estã o ca lcu la d a s a s m od a s, a s m ed ian as d a d istrib u ição d o n ú m ero d e ób itos, segu n d o os m u n icíp ios qu e n otificaram ób itos, e as m éd ias calcu lad as, in clu in d ose e exclu in -d o -se o s ó b ito s -d a s ca p ita is -d a s resp ectiva s Un id ad es Fed erad as. Com p aran d o as m ed id as esta tística s a p resen ta d a s n a ta b ela , o esta d o qu e se m ostrou m ais ab erran te qu an to à d istri-b u ição d a m ed ian a, foi o Estad o d e Ron d ôn ia, cu jo valor en con trad o foi 12. Segu n d o a ob ser-vação d as d u as ú ltim as colu n as d a tab ela, verifica se q u e o s in d ica d o res referem o p eso im -p ortan te qu e tiveram os ób itos -p or tétan o n eo-n atal eo-n as cap itais d os estad os d a Região Norte e Nord este. Por exem p lo, n os Estad os d e Rorai-m a e ARorai-m a p á , so Rorai-m en te a s ca p ita is n o tifica ra Rorai-m ób itos. A ú n ica exceção foi o Estad o d e Ron d ôn ia, cu jo p eso d os ób itos ôn ão se d eu p or aq u e -les registrad os n a cap ital, Porto Velh o, tal com o ocorreu n as Regiões Su d este e Su l d o País.
Análise t emporal do indicador
da mort alidade neonat al proporcional por t ét ano
Relatórios d o Min istério d a Saú d e ap resen tam a situ ação d o tétan o n eon atal en tre 1979 e 1987 (MS, 1990, 1991b ). Neste p eríod o, o coeficien te m éd io d e m ortalid ad e p or tétan o n eon atal p a-ra o País foi d e 0,11/ 1000 m en ores d e u m an o e va ria n d o d e 0,18 em 1979 a 0,06 em 1987. As Regiões Cen tro-Oeste e Norte ap resen taram os m a io res co eficien tes m éd io s d e m o r ta lid a d e d o Pa ís: 0,25/ 1000 m en o res d e u m a n o e 0,27/ 1000 m en ores d e u m an o resp ectivam en -te, isto é, ap roxim ad am en te d u as vezes o coefi-cien te m éd io n a cio n a l. A Regiã o No rd este ap resen tou u m coeficien te m éd io d e 0,10/ 1000 m en ores d e u m an o qu e é m en or d o qu e o coe -ficien te m éd io en con trad o p ara o País. Os
valo-Tab e la 1
Núme ro to tal d e municíp io s e municíp io s q ue no tificaram ó b ito s p o r té tano ne o natal se g und o Unid ad e d a Fe d e ração . Pe río d o : 1979-1987.
Est ados e regiões M unicípios M unicípios que Percent ual do país (x) not ificaram óbit os (x) (x/ y).100
N ort e RO 23 15 65,2
AC 12 6 50,0
AM 62 16 25,8
RR 8 1 12,5
PA 105 45 42,8
AP 9 1 11,1
To tal 219 84 38,3
N ordest e MA 125 17 13,6
PI 118 8 6,7
CE 178 18 10,1
RN 152 11 7,2
PB 170 13 7,6
PE 168 40 23,8
AL 97 34 35,0
SE 74 17 22,9
BA 303 121 40,0
To tal 1385 279 20,1
Sudest e MG 723 258 35,6
ES 67 35 52,2
RJ 70 43 61,4
SP 572 84 14,6
To tal 1432 420 29,3
Sul PR 323 144 44,5
SC 217 48 22,1
RS 333 71 21,3
To tal 873 263 30,1
Cent ro- MS 72 55 76,4
O est e MT 95 29 30,5
GO 290 97 33,4
DF – 5 –
To tal 457 186 40,7
Brasil 4366 1232 28,2
res en con tra d os p a ra a s Regiões Su d este e Su l fo ra m d e 0,08/ 1000 m en o res d e u m a n o e d e 0,11/ 1000 m en ores d e u m an o resp ectivam en -te (MS, 1990; MS, 1991b ). Com o valores m u ito b a ixo s d a ta xa d e m o rta lid a d e p o d em in d ica r u m grau sign ificativo d e su b n otificação, op tou -se, n este tra b a lh o, p o r a n a lisa r a evo lu çã o d a m ortalid ad e n eon atal p rop orcion al p or tétan o. Sen d o assim , u tilizou -se p ara a an álise tem p o-ral d o tétan o n eon atal u m p roced im en to d e re-gressão lin ear, ten d o com o variável resp osta a m ortalid ad e n eon atal p rop orcion al p or tétan o n o p erío d o referid o e co m o in d ep en d en te o an o d e ob servação d o in d icad or. An alogam en -te foram tam b ém realizad as as an álises -tem p o-rais d os in d icad ores d e cob ertu ra vacin al e p ar-to s d o m icilia res, u tiliza n d o -se a s esta tística s d e m o rta lid a d e (MS, 1982, 1983, 1984, 1985, 1987a, 1987b, 1988, 1991a, 1992) e estatísticas d o registro civil (FIBGE, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987), a lém d e ta b u la-çõ es esp ecia is d o Min istério d a Sa ú d e p a ra 1990 e 1991 (d ad os n ão p u b licad os).
Para os p roced im en tos estatísticos u tilizou -se a tra n sfo rm a çã o ra iz q u a d ra d a d a m o rta li-d a li-d e n eo n a ta l p ro p o rcio n a l p o r téta n o. Esta tran sform ação foi realizad a a fim d e estab ilizar a variân cia, com o su gerid o p or Arm itage (1974) e Klein b au m et al. (1988).
Na Tab ela 4, en con tram -se os resu ltad os d a an álise tem p oral d este in d icad or n o p eríod o d e 1979-1987, p o r Un id a d e d a Fed era çã o, a ssim com o p ara as variáveis cob ertu ra vacin al e p ro-p o rçã o d e ro-p a rto s d o m icilia res. Ob ser vo u -se
q u e só foi p ossível ap on tar red u ção d o in d ica-d o r p a ra o s Esta ica-d o s ica-d e Ro n ica-d ô n ia , Pa rá , Sergi-p e, EsSergi-p írito Sa n to, Sã o Pa u lo, Pa ra n á e Rio Gran d e d o Su l. O Estad o d e Ron d ôn ia foi o qu e ap resen tou a m aior taxa d e variação an u al m é-d ia (-2,07%) e a m aior reé-d u ção é-d o in é-d icaé-d or n o p eríod o. Pou cas Un id ad es d a Fed eração ap re-sen ta ra m sign ifica tivos (p <0,05) a u m en tos d e co b ertu ra va cin a l co m d u a s d o ses d e toxó id e tetâ n ico, co m o fo i o ca so d e Ro n d ô n ia , Sa n ta Catarin a, Mato Grosso d o Su l, Goiás e Distrito Fed era l. Em b ora estes a u m en tos ten h a m sid o con statad os, d eve ser m arcad o qu e os n íveis d e co b ertu ra va cin a l n o Pa ís a in d a p o d em ser co n sid era d o s b a ixo s, p o is n ã o u ltra p a ssa ra m 39% n o p eríod o, sen d o qu e a cob ertu ra vacin al m éd ia p ara o País n o p eríod o foi cerca d e 21%. A variável p rop orção d e p artos d om iciliares a p resen to u -se co m ta xa s d e va ria çã o a n u a is n egativas sign ifican tes em qu ase tod os os esta -d os -d a Fe-d eração, com exceção -d os Esta-d os -d o Am a zo n a s, Ro ra im a e Ma ra n h ã o. O Esta d o d e Ron d ôn ia ap resen tou a m aior taxa d e variação an u al do País (-5,18%) p ara o p eríodo estu dado.
Discussão e conclusões
A su b n o tifica çã o d e ó b ito s n eo n a ta is a in d a p erm an ece com o u m d os p rob lem as d e gran d e relevâ n cia n o Bra sil, ten d o sid o p resen cia d a em diversas situações duran te a elaboração des-te trab alh o. Assim , com p aran d o-se as Regiões Nord este e Su d este, q u e têm ap roxim ad am en -Fig ura 1
te o m esm o n ú m ero d e m u n icíp ios, ob serva-se q u e é n a segu n d a q u e se en con tra o m aior n ú -m ero d e -m u n icíp io s q u e n o tifica ra -m ó b ito s p or tétan o n eon atal. Exp licações p ara este re-su ltad o recaem n o re-su b -registro d e ób itos d ife-ren ciad o p or região. É con h ecid o q u e a Região Nord este p ossu i m aiores ín d ices d e su b n otifi-cação q u e a Região Su d este (Moreira, 1986). O su b -registro d e ób itos tam b ém é d iferen ciad o p or id ad e; n a realid ad e, está in versam en te re-lacion ad o com a m esm a. Portan to, o su b -regis-tro d e m ortalid ad e n eon atal seria m aior q u e o d e m ortalid ad e in fan til e assim su cessivam en -te (Szwarcwald , 1993). A m ortalid ad e d o agra-vo em q u estã o o co rre n o p erío d o n eo n a ta l, sen d o qu e cerca d e 90% d esta se d á n o p eríod o p erin atal. Daí acredita-se qu e o tétan o n eon atal n a região Nord este estaria am p lam en te su b n o-tificado, com p rovan d o a su b n otificação n as re-giões m ais p ob res d o p aís.
Pu b lica ções d o Min istério d a Sa ú d e a p on -tam qu e as p rop orções d e m u n icíp ios cob ertos com in form ação regu lar d e m ortalid ad e variou d e 70% a 75% n o p eríod o estu d ad o (MS, 1982, 1983, 1984, 1985, 1987a , 1987b, 1988, 1991b, 1992). En tretan to, Bald ijão & Mello Jorge (1989) ap on tam cob ertu ras d iferen tes d e m u n icíp ios co m in fo rm a çã o regu la r. Segu n d o o s a u to res, h ou ve u m a red u ção d a cob ertu ra d e registro d e m ortalid ad e n as Regiões Norte e Nord este, en -qu an to n as ou tras regiões ocorreu o in verso. Is-to vem corrob orar os n ossos ach ad os em rela-çã o a o s d iferen cia is regio n a is d e m o rta lid a d e p or tétan o n eon atal. A qu eda da n otificação d os ób itos p or tétan o n eon atal n o País se d eu p ela d im in u içã o a cen tu a d a o co rr id a n a s Regiõ es Su l e Su d este, on d e a d oen ça p raticam en te d e-sa p a receu . É p o ssível q u e a b a ixa o co rrên cia d o agravo n essas regiões p ossa estar restrita a algu m as áreas ru rais on d e ain d a exista d ificu l-d a l-d e l-d e a cesso a o s ser viço s l-d e sa ú l-d e e o n l-d e p rovavelm en te esteja con cen trad a a su b n otifi-ca çã o, co m o já a p o n ta ra m Men egh el et a l. (1988). Atra vés d o s d a d o s u tiliza d o s, n ã o n o s foi p ossível d im en sion ar a su b n otificação exis-ten te.
Nas Regiões Nord este e Norte, a con cen tra-ção d e ób itos p or tétan o n eon atal ocorreu p re-d om in a n tem en te n a s ca p ita is re-d a s resp ectiva s Un id ad es Fed erad as. É con h ecid o o fen ôm en o q u e o co rre em a lgu m a s á rea s geo grá fica s d e -n om i-n ad o “i-n vasão d e ób itos”. Estas áreas, p or a p resen ta rem m elh o r o ferta d e ser viço s d e saú d e, atrairiam u su ários d e ou tras áreas geo-gráficas e os ób itos seriam registrad os com er-ro s referen tes à p er-ro ced ên cia d o ca so. A m a io r recep tivid a d e d esta s á rea s geográ fica s esta ria p ossivelm en te en viesan d o o registro d e ób itos.
Tab e la 2
Ó b ito s p o r té tano ne o natal o co rrid o s no s municíp io s d o País. Pe río d o d e 1979-1987.
N úmero de óbit os N úmero de municípios no período do País
0 3.174
1 629
2 238
3 114
4 69
5 38
6 25
7 28
8 11
9 9
10 13
11 9
12 8
13 5
14 2
15 3
16 3
17 4
18 1
19 4
21 1
22 1
23 2
24 1
27 1
28 1
29 1
30 1
31 1
32 1
35 1
38 1
39 1
44 1
90 1
98 1
115 1
125 1
A d istrib u ição d os ób itos p or tétan o n eon a -ta l m o stro u q u e cerca d a m e-ta d e d o s m u n icí-p ios q u e n otificaram ób itos aicí-p resen taram so-m en te u so-m ó b ito n o p erío d o. Sen d o o téta n o n eon atal u m a d oen ça d e alta letalid ad e, e p od en od o a m orte ser evitaod a com u m a m elh or co -b ertu ra e qu alid ad e d a aten ção p ré-n atal e d os p rogram as d e vacin ação, su gere-se qu e a ocor-rên cia d e so m en te u m ca so seja co n sid era d a com o “even to sen tin ela” n a avaliação d os refe-rid os p rogram as (Ru tstein , 1976) e p articu lar-m en te p a ra o p ro gra lar-m a d e va cin a çã o co lar-m o o p o rtu n id a d e p erd id a co m toxó id e tetâ n ico d a s m u lh eres em id a d e fértil (Co n yer, 1991; MSPAS, 1989).
A b u sca d e u m a exp licação p ara u m a p ossí-vel qu ed a d o in d icad or d a m ortalid ad e n eon a-tal p rop orcion al p or tétan o m ostrou -se p rob le-m ática, n a le-m ed id a ele-m q u e a an álise d este, ele-m relação ao com p ortam en to d a cob ertu ra vaci-n a l co m d u a s d o ses d e toxó id e tetâ vaci-n ico e em rela çã o a o s p a rto s d o m icilia res, n ã o a p resen -tou sign ificân cia estatística com o seria esp era-d o, isto é, o au m en to era-d a cob ertu ra vacin al com d u a s d o ses d e toxó id e tetâ n ico e a q u ed a d o s p artos d om iciliares d everiam p rod u zir u m im -p acto im -p ortan te n o referid o in d icad or. En tre os estad os q u e ap resen taram red u ção d a m or-ta lid a d e n eo n a or-ta l p ro p o rcio n a l p o r téor-ta n o, o Pará ap resen tou in clu sive u m a d im in u ição d a co b ertu ra va cin a l. É p o ssível q u e a q u a lid a d e d os d a d os seja q u estion á vel, sob retu d o a q u e-les u tiliza d os n os cá lcu los d a s cob ertu ra s q u e en volvem estim ativas p op u lacion ais n em sem -p re realizad as com acu rácia (Fiocru z, 1989), o q u e exp lica ria a a u sên cia d e a sso cia çã o co m este fator.
Os p artos d om iciliares sofreram u m a gran -d e re-d u ção n o País n o p erío-d o 1979-1987, e n as Regiõ es Su d este e Su l ta l red u çã o o co rreu so -b retu d o n os m u n icíp ios d o in terior, os qu ais já a p resen ta va m p ro p o rçõ es b a ixa s. Acred ita -se q u e a red u çã o d o in d ica d o r d a m o r ta lid a d e p rop orcion al p od e estar relacion ad a com a re-d u çã o im p o rta n te re-d o s p a rto s re-d o m icilia res n o País.
Tab e la 3
Valo re s d a me d ianas, mo d as e mé d ias d o s ó b ito s p o r té tano ne o natal se g und o municíp io s q ue no tificaram ó b ito s no p e río d o 1979-1987, se g und o Unid ad e d a Fe d e ração .
Est ados M edianas M odas M édia por t odos M édia pelos municípios, os municípios excluindo-se a capit al
RO 12 1 14,2 14,1
AC 1 1 e 2 4,8 1,6
AM 1 1 4,6 2,2
RR – – 6,0 0
PA 2 1 5,4 2,7
AP – – 24,0 0
MA 1 1 8,4 1,6
PI 1 1 2,6 1,1
CE 1 2 6,8 1,4
RN 1 1 2,1 1,1
PB 2 1 2,3 1,7
PE 1 1 3,1 2,4
AL 1 1 2,4 1,7
SE 1 1 3,5 1,7
BA 2 1 4,7 2,9
MG 2 1 2,3 2,8
ES 3 1 e 3 4,0 4,2
RJ 2 1 4,8 3,8
SP 1 1 1,3 1,2
PR 2 1 2,2 2,2
SC 1 1 1,5 1,5
RS 1 1 1,9 1,8
MS 3 1 4,6 4,4
MT 2 1 e 2 3,6 3,3
GO 2 1 2,7 2,6
DF 1 1 2,2 3,3
Fo nte : Ministé rio d a Saúd e , d ad o s a p artir d e tab ulação .
Tab e la 4
Re sultad o s d as re g re ssõ e s d o ind icad o r d a mo rtalid ad e ne o natal p ro p o rcio nal p o r té tano no p e río d o d e 1979-1987 (a) e m re lação à co b e rtura vacinal co m d uas d o se s d e to xó id e te tânico (b ) e à p ro p o rção d e p arto s d o miciliare s (c).
Est ados Taxa de variação p-valor Taxa de variação p-valor Taxa de variação p-valor
anual (a) anual (b) anual (c)
RO -2,07 0,01* 23,46 0,02* -5,18 0,01*
AC -0,34 0,12 -2,45 0,96 -2,18 0,03*
AM -0,48 0,11 12,00 0,57 -1,25 0,15
RR -1,18 0,07 -46,68 0,04* -5,70 0,16
PA -0,56 0,03* -16,59 0,23 -1,09 0,05*
AP -1,15 0,08 -19,96 0,06 -1,23 0,01*
MA 0,73 0,48 32,62 0,08 -0,54 0,28
PI 0,54 0,79 24,50 0,07 -1,52 0,04*
CE -0,07 0,89 24,22 0,30 -1,59 0,02*
RN -0,05 0,69 6,38 0,26 -1,96 0,01*
PB -0,01 0,18 3,34 0,86 -2,17 0,01*
PE -0,04 0,30 9,65 0,48 -1,03 0,01*
AL -0,30 0,07 15,73 0,31 -2,23 0,01*
SE -0,14 0,01* 18,06 0,01* -2,29 0,01*
BA -0,28 0,12 7,80 0,66 -1,66 0,01*
MG -0,30 0,16 12,83 0,53 -1,49 0,01*
ES -0,70 0,01* 41,65 0,01* -1,19 0,01*
RJ -0,46 0,12 14,79 0,24 -1,27 0,01*
SP -0,24 0,01* 0,47 0,92 -0,39 0,01*
PR -0,88 0,01* 35,08 0,46 -2,33 0,01*
SC 0,31 0,12 26,13 0,01* -1,70 0,01*
RS -1,15 0,03* 0,83 0,22 -1,40 0,01*
MS -0,36 0,10 47,67 0,01* -2,57 0,01*
MT -0,06 0,93 17,05 0,22 -2,27 0,01*
GO -0,52 0,08 24,61 0,01* -2,54 0,01*
DF -0,11 0,46 24,13 0,01* -1,22 0,06
Fo nte : Ministé rio d a Saúd e , d ad o s a p artir d e tab ulação .
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