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Práticas criativas e territórios emergentes : o hibridismo do/nos elevados

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Academic year: 2017

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

ELISABETE BARBOSA CASTANHEIRA

PRÁTICAS CRIATIVAS E TERRITÓRIOS EMERGENTES. O HIBRIDISMO DOS/NOS ELEVADOS.

(2)

ELISABETE BARBOSA CASTANHEIRA

PRÁTICAS CRIATIVAS E TERRITÓRIOS EMERGENTES. O HIBRIDISMO DOS/NOS ELEVADOS.

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação

Stricto Sensu da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da

Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito à obtenção do grau de Mestre em Arquitetura e Urbanismo, área de concentração: Projeto de Arquitetura e Urbanismo.

Orientador Prof. Dr. Carlos Leite de Souza

(3)

C346p Castanheira, Elisabete Barbosa.

Práticas criativas e territórios emergentes – o hibridismo

do/nos elevados. – 2015.

129 f. : il. ; 30 cm.

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) –

Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2015.

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ELISABETE BARBOSA CASTANHEIRA

PRÁTICAS CRIATIVAS E TERRITÓRIOS EMERGENTES. O HIBRIDISMO DOS/NOS ELEVADOS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovada em______________________

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________ Prof. Dr. Carlos Leite de Souza – Orientador

Universidade Presbiteriana Mackenzie

____________________________________________________ Profª. Drª. Maria Isabel Villac

Universidade Presbiteriana Mackenzie

____________________________________________________ Profª. Drª. Elisabete França

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AGRADECIMENTOS

Há muito que agradecer!

Primeiramente agradeço aos meus Pais, que me apoiaram incondicionalmente e permitiram as minhas escolhas, mesmo não entendendo muito bem o que é Design... À Mamãe, muito especialmente (que se foi no percurso do presente trabalho), o meu eterno agradecimento e amor.

Ao Tatá, meu filho amado, pela interlocução lúcida e melódica, todo o meu amor.

Agradeço aos professores do Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie pelos momentos de partilha e reflexão.

Deste grupo, agradeço de forma especial ao meu orientador, Prof. Carlos Leite, que na qualidade de verdadeiro Mestre soube expressar a paixão por sua atividade e pesquisa, e, sobretudo, ―contaminar‖ e transformar com o seu entusiasmo.

À Profª Eunice Helena S. Abascal, Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o meu mais profundo reconhecimento por todo o apoio recebido em um período tão complexo da minha vida.

À CAPES, agradeço o apoio financeiro.

Agradeço aos colegas de curso que tão plenamente me acolheram e muitas vezes me guiaram no instigante universo da Arquitetura e do Urbanismo, um carinhoso e expressivo muito obrigada. Cabe ainda um agradecimento especial à generosidade explícita de Janaína Stédile, colega de curso e vizinha querida que tantas caronas proporcionou.

Por fim, um agradecimento especialíssimo àqueles, que fora do círculo acadêmico, estiveram comigo neste percurso labiríntico: Neusa Romano, Fábio Pulitta, Cadu Scheliga, Eliane Jimenez e demais amigos queridos, além, claro, de toda equipe Objeto Brasil na pessoa de Joice Joppert Leal. O agradecimento e reconhecimento é também transatlântico. Um expressivo e carinhoso obrigada aos queridos: José e Olga Ucha, Carlos José Ferreira, Pedro Canas, Natália e Zézinha Regalado.

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(8)

RESUMO

A presença da criatividade na sociedade contemporânea se dá de forma transversal. Como vetor de crescimento, está na origem de inúmeros outros conceitos. Da Economia Criativa de John Howkins à Classe Criativa de Richard Florida, a criatividade extrapola o âmbito artístico para se instalar como agente ativo na solução de problemas complexos, particularmente nas cidades. Primeiramente em megaescalas, posteriormente a criatividade passa a ser percebida em uma escala menor: as práticas criativas resultantes de microplanejamentos urbanos, que surgem a partir da base, da percepção de uma necessidade local. São as iniciativas Bottom Up, cuja proliferação pode se

dar em territórios inusitados e cuja notabilidade tem se manifestado em cadência crescente. O presente trabalho atravessa a polivalência de algumas estruturas urbanas híbridas, similarmente presentes nas cidades de Paris, Nova York e São Paulo (respectivamente: o Promenade Plantée, o High Line e o Elevado Costa e Silva, também conhecido como Minhocão), para pontuar a micro escala da inovação não tecnológica no âmbito da cidade, as práticas criativas que hibridizam, resignificam e inventam territórios.

(9)

ABSTRACT

The presence of creativity in contemporary society occurs across the board. As growth driver is the source of many other concepts. Between the concepts from John Howkins (Creative Economy) and Richard Florida (Creative Class), creativity goes beyond the artistic context and became an active agent in solving complex problems, particularly in cities. After large scales, creativity becomes perceived on a smaller scale: creative practices resulting from urban micro planning, arising from the base, the perception of a local need. Are the Bottom Up initiatives, whose proliferation can occur in unusual territory and whose notability has manifested itself in increasing cadence. This work crosses the versatility of some hybrid urban structures, similarly present in the cities of Paris, New York and São Paulo (the Promenade Plantée, the High Line and the High Costa e Silva, also known as Minhocão), to score the micro scale non-technological innovation within the city, the creative practices that hybridize, reframe and invent territories.

(10)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 – DIAGRAMA ECONOMIA CRIATIVA ... 6

FIGURA 2 - CLASSIFICAÇÃO DAS INDÚSTRIAS CRIATIVAS – UNCTAD ... 9

FIGURA 3 – RANKING - INDÚSTRIAS CRIATIVAS/PAÍSES. ... 10

FIGURA 4 – PARKLETS SÃO PAULO ... 14

FIGURA 5 – PRAÇA VICTOR CIVITA ... 15

FIGURA 6 – PIANO DA ESTAÇÃO DA LUZ EM SÃO PAULO. ... 16

FIGURA 7 - ESTAÇÃO DA LUZ – INSTALAÇÃO TOQUE-ME SOU SEU ... 17

FIGURA 8 - ESTAÇÃO DA LUZ – INSTALAÇÃO TOQUE-ME SOU SEU ... 17

FIGURA 9 - ESTAÇÃO DA LUZ – INSTALAÇÃO TOQUE-ME SOU SEU ... 17

FIGURA 10 - VIRADA CULTURAL ... 18

FIGURA 11 – BECO DO BATMAN. ... 26

FIGURA 12 – BECO DO BATMAN. ... 26

FIGURA 13 - USUÁRIO DA ACADEMIA CORA GARRIDO. ... 27

FIGURA 14 - VISTA DO ACESSO À ACADEMIA CORA GARRIDO. ... 27

FIGURA 15 - VISTA PANORÂMICA DA ACADEMIA CORA GARRIDO. ... 28

FIGURA 16 - USUÁRIOS DA ACADEMIA CORA GARRIDO. ... 28

FIGURA 17 – ESCADÃO DO CAMBUCI – PROJETO BIO URBAN – JEFF ANDERSON. ... 31

FIGURA 18 – KIT DE INTERVENÇÃO. ... 32

FIGURA 19 – TRANSPORTE DO KIT DE INTERVENÇÃO. ... 32

FIGURA 20 – UTILIZAÇÃO DO KIT DE INTERVENÇÃO. ... 33

FIGURA 21 – UTILIZAÇÃO DO KIT DE INTERVENÇÃO... 33

FIGURA 22 – UTILIZAÇÃO DO KIT DE INTERVENÇÃO. ... 33

FIGURA 23 - LIVRO COM ILUSTRAÇÕES POP UP ... 34

FIGURA 24 - POP UP/INTERNET ... 34

FIGURA 25 - POP UP STORE ADIDAS ... 34

FIGURA 26 - POP UP PARK – PROGRAMA SURREY – ... 34

FIGURA 27 – LARGO DA BATATA – PINHEIROS – SÃO PAULO ... 35

FIGURA 28 – LARGO DA BATATA – MOVIMENTO A BATATA PRECISA DE VOCÊ ... 36

FIGURA 29 - LARGO DA BATATA – MOVIMENTO A BATATA PRECISA DE VOCÊ ... 37

FIGURA 30 – POP UP PARK INSTALADO NO LARGO DA BATATA, EM PINHEIROS, SÃO PAULO. ... 37

FIGURA 31 - ÁREA SOB ANDAIMES ... 38

FIGURA 32 - ÁREA SOB ANDAIMES – ... 39

FIGURA 33 - KIT – MONTAGEM POP UP PARKS ... 39

FIGURA 34 – POP UP PARK - BALCÃO ... 40

FIGURA 35 – POP UP PARK - CADEIRA ... 40

FIGURA 36 – SIMULAÇÃO DE INSTALAÇÃO DE POP UP PARKS ... 40

FIGURA 37 – PRACINHA OSCAR FREIRE ... 41

FIGURA 38 – PRACINHA OSCAR FREIRE ... 41

FIGURA 39 - PROMENADE PLANTÉE ... 47

FIGURA 40 - VISTA AÉREA PARCIAL DO PROMENADE PLANTÉE ... 48

FIGURA 41 – PROMENADE PLANTÉE EM PARIS. ... 48

FIGURA 42 – PROMENADE PLANTÉE EM PARIS. ... 49

FIGURA 43 – PROMENADE PLANTÉE EM PARIS. ... 49

FIGURA 44 – PROMENADE PLANTÉE EM PARIS. ... 50

FIGURA 45 – MAPA DE LOCALIZAÇÃO DO PROMENADE PLANTÉE EM PARIS. ... 50

(11)

FIGURA 47 – MAPA DE LOCALIZAÇÃO DO HIGH LINE EM NOVA YORK. ... 52

FIGURA 48– HIGH LINE EM NOVA YORK. ... 52

FIGURA 49 – HIGH LINE EM NOVA YORK. ... 53

FIGURA 50 – HIGH LINE EM NOVA YORK. ... 53

FIGURA 51 – VISTA AÉREA PARCIAL DO ELEVADO COSTA E SILVA, O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO.. ... 54

FIGURA 52 – MAPA DE LOCALIZAÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA, SÃO PAULO. ... 54

FIGURA 53 – VISTA PARCIAL DO ELEVADO COSTA E SILVA, O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO. ... 55

FIGURA 54 – VISTA PARCIAL DO ELEVADO COSTA E SILVA, O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO. ... 55

FIGURA 55 – VISTA PARCIAL DO ELEVADO COSTA E SILVA, O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO E A SUA UTILIZAÇÃO AOS FINS DE SEMANA. ... 56

FIGURA 56 – VISTA PARCIAL DO ELEVADO COSTA E SILVA, O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO E A SUA UTILIZAÇÃO AOS FINS DE SEMANA. ... 56

FIGURA 57 – OCUPAÇÃO DA PARTE INFERIOR DO ELEVADO COSTA E SILVA, O MINHOCÃO, EM SÃO PAULO. ... 56

FIGURA 58 - LINHA FÉRREA AÉREA QUE DEU ORIGEM AO PROMENADE PLANTÉE ... 57

FIGURA 59 – LA PROMENADE PLANTÉE ... 57

FIGURA 60 – LOCAL DO LA PROMENADE PLANTÉE ANTES DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO. ... 58

FIGURA 61 – LOCAL DO LA PROMENADE PLANTÉE ANTES DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO. ... 58

FIGURA 62 – VIADUC DES ARTS. ... 59

FIGURA 63 – VIADUC DES ARTS. ... 59

FIGURA 64 – VIADUC DES ARTS. ... 59

FIGURA 65 – O LOCAL DO HIGH LINE ANTES DE SUA IMPLANTAÇÃO. ... 60

FIGURA 66 – O LOCAL DO HIGH LINE ANTES DE SUA IMPLANTAÇÃO. ... 61

FIGURA 67 – O LOCAL DO HIGH LINE ANTES DE SUA IMPLANTAÇÃO. ... 61

FIGURA 68 – O HIGH LINE. ... 62

FIGURA 69 – O HIGH LINE. ... 62

FIGURA 70 – O HIGH LINE. ... 63

FIGURA 71 – HIGH LINE DÉCADA DE 50. ... 64

FIGURA 72 – HIGH LINE DÉCADA DE 80/90. ... 64

FIGURA 73 – HIGH LINE NA ATUALIDADE. ... 64

FIGURA 74 – CONVITE PARA A INAUGURAÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 66

FIGURA 75 – PRAÇA MARECHAL DEODORO, EM SÃO PAULO, ANTES DA CONSTRUÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 67

FIGURA 76 – AV. SÃO JOÃO ANTES DA CONSTRUÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. .. 67

FIGURA 77 – PUBLICIDADE DA CONSTRUTORA DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 68

FIGURA 78 - AV. GENERAL OLÍMPIO DA SILVEIRA ANTES DA CONSTRUÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 69

FIGURA 79 – AVENIDA AMARAL GURGEL ANTES DA IMPLANTAÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 69

FIGURA 80 – CONSTRUÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 69

FIGURA 81 – CONSTRUÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 69

FIGURA 82 – AV. AMARAL GURGEL DURANTE A CONSTRUÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 70

(12)

FIGURA 84 – PARTE INFERIOR DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 70

FIGURA 85 – PARTE INFERIOR DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 70

FIGURA 86 – DETALHE DOS TRILHOS NO HIGH LINE. ... 73

FIGURA 87 – DETALHE DO TRILHOS NO HIGH LINE. ... 74

FIGURA 88– VISTA PARCIAL DO HIGH LINE. ... 74

FIGURA 89 – VISTA PARCIAL DO PROMENDE PLANTÉE. ... 75

FIGURA 90 – DETALHE DO VIADUC DES ARTS. ... 76

FIGURA 91 – DETALHE DO VIADUC DES ARTS. ... 76

FIGURA 92 – DETALHE DO VIADUC DES ARTS. ... 76

FIGURA 93 – EVENTO NO HIGH LINE. ... 77

FIGURA 94 – EVENTO NO HIGH LINE. ... 77

FIGURA 95 – EVENTO NO HIGH LINE. ... 78

FIGURA 96 – EVENTO NO HIGH LINE. ... 78

FIGURA 97 – EVENTO NO HIGH LINE. ... 78

FIGURA 98 – EVENTO NO HIGH LINE. ... 78

FIGURA 99 – CAMPANHA PARA O DESENVOLVIMENTO DO ÚLTIMO TRECHO DO HIGH LINE.. ... 79

FIGURA 100 – COMPARAÇÃO DE ÁREAS DE MEATPACK DISTRICT ANTES E DEPOIS DA IMPLANTAÇÃO DO HIGH LINE... 80

FIGURA 101 – DIVULGAÇÃO DO NOVO HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 82

FIGURA 102 – MAPA COM A LOCALIZAÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA... 82

FIGURA 103 – CORTE GENÉRICO DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 83

FIGURA 104 – INTERVENÇÃO CROMÁTICA DA AUTORIA DE MAURÍCIO NOGUEIRA LIMA. ... 84

FIGURA 105 – REEDIÇÃO DOS PAINEIS DE FLÁVIO MOTTA NO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 85

FIGURA 106 – INTERVENÇÃO GRÁFICA NO ELEVADO COSTA E SILVA - AUTORIA DE BUGRE. ... 87

FIGURA 107 – INTERVENÇÃO GRÁFICA NO ELEVADO COSTA E SILVA - AUTORIA DE FINOK. ... 88

FIGURA 108 – PROJETO GIGANTO – PILARES DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 89

FIGURA 109– PROJETO GIGANTO – PILARES DO ELEVADO COSTA E SILVA... 89

FIGURA 110 – PROJETO GIGANTO – PILARES DO ELEVADO COSTA E SILVA. ... 89

FIGURA 111 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 91

FIGURA 112 -– ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 91

FIGURA 113 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 92

FIGURA 114 - ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 92

FIGURA 115 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 93

FIGURA 116 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 93

FIGURA 117 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 93

FIGURA 118 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 93

FIGURA 119 – ELEVADO COSTA E SILVA AOS DOMINGOS E FERIADOS ... 94

FIGURA 120 – JARDIM VERTICAL ABSOLUT - ELEVADO COSTA E SILVA ... 95

FIGURA 121 – DIVULGAÇÃO INTERVENÇÃO ELEVADO COSTA E SILVA – X BIENAL DE ARQUITETURA ... 95

FIGURA 122 – INTERVENÇÃO ELEVADO COSTA E SILVA – X BIENAL DE ARQUITETURA ... 96

(13)

FIGURA 124 – FESTA JUNINA NO MINHOCÃO . ... 97 FIGURA 125 – FESTA JUNINA NO MINHOCÃO . ... 97 FIGURA 126 – DIVULGAÇÃO DA FESTA JUNINA NO MINHOCÃO . ... 98 FIGURA 127 – VISTA PARCIAL DO MINHOCÃO A PARTIR DE UM DOS PRÉDIOS QUE

LADEIAM O MINHOCÃO. IMAGENS DO DOCUMENTÁRIO ELEVADO 3.5 DIRIGIDO POR JOÃO SODRÉ, MAÍRA SANTI BÜHLER E PAULO PASTORELO. ... 98 FIGURA 128 – VISTA PARCIAL DO MINHOCÃO A PARTIR DE UM DOS PRÉDIOS QUE

(14)

SUMÁRIO

1. Introdução 01

2. Cidades Criativas, Escalas e Motivações 05

2.1. Derivação de Conceitos:

Indústrias, Classe e Cidades Criativas 09

2.1.1. Indústria Criativa 09

2.1.2. Classe Criativa 11

2.1.3. Cidades Criativas 12

2.2. Escalas e Motivações 19

2.2.1. Escalas 19

2.2.2. Motivações 21

3. Praticas Criativas,

Micro Planejamento Urbano e Iniciativas Bottom Up 25

4. O Hibridismo dos/nos Elevados 43

Paris [Promenade Plantée] Nova York [High Line]

São Paulo [Minhocão/Baixo Augusta]

4.1.1. Do Lugar ou Espaço ou Território 45

4.1.2. Da Motivação 52

4.1.3. Da Condição de Ser Híbrido &

Da Apropriação do Território 71

5. Considerações Finais 102

(15)

1. Introdução

A economia atual é, segundo Florida (2002), em essência, uma Economia Criativa. Embora esta discussão seja tida como atual, já no final da década de 50, no discurso que proferiu por ocasião do recebimento do Prêmio Nobel da Paz, Lester B. Pearson mencionava que o bem-estar da humanidade dependeria de sua habilidade em ultrapassar todos os desafios por meio da criatividade. (Mau, 2004).

A coexistência entre a intangibilidade das ideias e a materialidade dos equipamentos e serviços caracteriza a sociedade do conhecimento – como refere Lojkine (2002) - e, está na origem de inúmeros conceitos contemporâneos: Economia Criativa, Cidades Criativas, entre outros.

No nível mais básico, a economia do conhecimento refere-se a pessoas criativas se juntando – a cidade é o diferencial que propicia isso – para adicionar valor ao trabalho através da troca de informações, gerando, assim, novas ideias. A economia keynesiana supunha que o consumo era a força motriz da economia, enquanto as teorias atuais sugerem que as ideias que permitem avanços tecnológicos e inovadores são as forças motores do futuro. (Leite, 2012 p. 70)

A relação entre o urbano e a Economia Criativa é muito próxima. O conceito de Florida (2002) trabalha, sobretudo, a macro escala. Os estudos sobre o tema materializam o coletivo e os padrões notáveis pela expressão econômico-financeira que apresentam, ou seja, pela sua dimensão.

As práticas criativas que podem (ou não) apresentar em sua gênese a pequena dimensão são objetos de estudo, sobretudo na lógica dos APLs (Arranjos Produtivos Locais) cuja característica principal é o fato de formarem um agrupamento, circunscrito geograficamente a uma região e onde é possível perceber alinhamentos em termos de governança1. Nessa perspectiva, o APL é

o uno agrupado, que tem no coletivo a sua identidade.

1

Oficina Regional de Orientação à Instalação de APLs – GTP APL, MDIC, 2006. Disponível em:

(16)

Para Leite (2012) é a grande deformidade na localização de vetores de crescimento:

a grande contradição do nosso tempo: os novos drivers de desenvolvimento e riqueza econômicos tendem a se concentrar em algumas localidades. As forças do mercado e as economias de aglomeração tendem a concentrar inovações tecnológicas em algumas ilhas territoriais, clusters especializados. (Leite, 2012 p. 70)

Segundo o autor, os clusters pautam a sua estratégia central produtiva em

serviços avançados, parte da chamada nova economia e:

Vale ressaltar, portanto, que os cluster são um formato de arranjo produtivo local com imenso potencial como estratégia na reestruturação de antigas áreas industriais degradadas, ou seja, são um instrumento importante a ser utilizado nos processos de regeneração urbana e na implementação de projetos urbanos inovadores. (Leite, 2012 p. 128)

A Economia Criativa enquanto conceito congrega e, cada vez mais, é traduzida em números. A isto, Florida (2002) denomina: Estrutura Social da Criatividade. O autor traça a nova geografia das classes nos Estados Unidos, mensurando a sua distribuição e a sua relação com a vantagem regional nos Estados Unidos, chegando a calcular um índice da criatividade que:

combina quatro fatores, todos com o mesmo peso: a parcela de força de trabalho que corresponde à classe criativa; o grau de inovação, avaliado segundo o número de patentes per capita; o índice de alta tecnologia, cuja referência é o Tech Pole Index, do Milken Institute 2; e a diversidade mensurada pelo índice gay – um referencial cabível para avaliar a abertura de uma área a diversos tipos de pessoas e ideias. Essa combinação de fatores é um instrumento mais eficaz para avaliar os recursos criativos de uma região do que a simples quantificação da classe criativa, pois, associa o impacto da sua concentração a resultados econômicos inovadores. (Florida, 2002, p. 243)

Para este autor, o índice de criatividade é capaz de fazer uma leitura regional do elemento criativo instalado, bem como, presumir o seu potencial. Florida (2002) trabalha com a noção do coletivo que aponta possibilidades.

É da abrangência decorrente do conceito da criatividade que trata o capítulo 1. Cidades Criativas, Escalas e Motivações, busca a origem do significado da Cidade Criativa (e conceitos correlatos), e ainda, a diferença de escalas,

2

Índice de Tecnologia estabelecido pelo Instituto Milken, Organização Sem Fins Lucrativos, que procura, por meio da pesquisa, encontrar soluções para os desafios contemporâneos. Tradução da autora. Disponível em: <

(17)

daquilo que transita entre o local e global. Por fim, trata ainda de diferentes tipos de Motivação e, em que cenário se propicia o seu surgimento.

Vivant (2012) refere o escopo das pesquisas desenvolvidas por Florida (2003) que evidenciam uma economia da aglomeração. A mesma autora levanta ainda a questão da instrumentalização da cultura, que despida de espontaneidade ou serendipidade, articula ações com finalidades políticas: unicamente utilizadas como estratégia para a valorização do espaço.

Diametralmente oposto a esta prática, o capítulo 2 trata de práticas criativas que se percebem fruto de ações de micro planejamento urbano. O âmbito da iniciativa é local, o desdobramento circunscrito e se concretiza como iniciativa espontânea, fruto de uma observação minuciosa e articulada: são as iniciativas

Bottom Up que podem (ou não) adquirir um comportamento notável. Não é o

uno que adquire a condição de coletivo, mas sim, alça outra dimensão. Esta prática, que reconhece a necessidade (ou a oportunidade) e é elaborada segundo a especificidade do locus, reforça a identidade e o contexto em que se

apresenta. Trabalha o uno como condição do complexo.

A cidade, é claro, envolve muito mais do que as relações econômicas que nela se desenrolam. Unem-se a elas as relações sociais, a cultura local, os hábitos e atitudes da população, aquelas peculiaridades que fazem que um espaço seja tão diferente de outro e que dão alma a uma cidade. Diante disso, seria reducionista dizer que uma cidade criativa é aquela em que a economia criativa é essencialmente pujante. (Reis, 2012, pg. 17)

No desenvolvimento do conceito de Classe Criativa, Florida (2003) remete ao poder que o lugar exerce sobre a classe. Questões como a autenticidade, o

―poder da identidade‖ (Castells 2001 apud Florida, 2003), e, sobretudo, a

(18)

O terceiro e último capítulo promove, em simultâneo, uma reflexão sobre 3 equipamentos urbanos que contrariando a vocação de origem se transformaram: o Promenade Plantée em Paris, o High Line em Nova York e o Elevado Costa e Silva em São Paulo.

Em 43 anos de vida, o Elevado Costa e Silva, embora não reverbere unanimidade em seus propósitos urbanos, tem vindo a tornar-se local de usos inusitados, constituindo nas palavras de Koolhaas (apud Guatelli, 2008), objeto

de ―promiscuidade programática‖. As atividades que se desenvolvem no

Minhocão, passaram por distintas fases, em um processo de descoberta e apropriação que altera por completo a percepção do elevado inserido na cidade. Alargando a vocação construída, o equipamento urbano vê emergir uma multiplicidade de usos, e uma intensa discussão sobre o futuro de seu papel na cidade.

(19)

2. Cidades Criativas, Escalas e Motivações.

Na introdução do livro a Era das Revoluções, Hobsbawm (2009) elenca uma série de palavras que nasceram ou aprofundaram os seus significados no período ao qual se refere o livro: 1789-1848.

São elas: "indústria", "industrial", "fábrica", "classe média" ', "classe trabalhadora", "capitalismo" e "socialismo". Ou ainda "aristocracia" e "ferrovia", "liberal" e "conservador" como termos políticos, "nacionalidade", "cientista" e "engenheiro", "proletariado" e "crise" (econômica). "Utilitário" e "estatística", "sociologia" e vários outros nomes das ciências modernas, "jornalismo" e "ideologia", todas elas cunhagens ou adaptações deste período *. Como também "greve" e "pauperismo". Imaginar o mundo moderno sem estas palavras - isto é, sem as coisas e conceitos a que dão nomes - é medir a profundidade da revolução que eclodiu entre 1789 e 1848, e que constitui a maior transformação da história humana desde os tempos remotos quando o homem inventou a agricultura e a metalurgia, a escrita, a cidade e o Estado. (Hobsbawm, 2009, p. 11)

Para pesquisar o panorama atual é necessário acrescentar a esta lista uma série de palavras que surgiram, ou se evidenciaram neste período e sem as quais seria impossível descrever ou pensar a sociedade de hoje. São elas: tecnologia, empreendedorismo, inovação, start up, stakeholders, e entre outras, a criatividade.

O termo criatividade atravessou a história e passou de inspiração proveniente das Musas na Grécia antiga a ativo fundamental na economia contemporânea. A expressão ―Eureka‖ de Arquimedes, certamente contribuiu para o mito do gênio criador do século XIX, onde, aqueles cujo talento fosse notável, eram considerados iluminados e dotados de algo divino.

Vários foram os teóricos que se debruçaram sobre o assunto: Rogers (1959

apud Castanheira, 2005) relaciona a criatividade com o meio; Ghiselin (1952 apud Castanheira, 2005) referia que a criatividade é tão ampla quanto possa

ser considerada a estrutura do homem; ou ainda, Guilford (1950 apud

(20)

Cidades Criativas

O conceito de Cidades Criativas deriva de outro conceito mais abrangente (que o contém), a Economia Criativa, cuja perspectiva contemporânea atrai interesses distintos, e tem como premissa repensar recursos, formas de administração, caminhos de contribuição, entre outros.

Figura 1 –Diagrama Economia Criativa Fonte - Autora

Economia Criativa

O final do século XX trouxe o conceito da Economia Criativa:

Embora não haja consenso quanto às raízes da Economia Criativa, as evidências bibliográficas coletadas indicam sua primeira aparição sob a roupagem da expressão Creative Nation, surgido na Austrália, em 1994 (Department of Comunications, Information Technology and the Arts, Austrália, 2004). (Reis, 2011, pg. 8)

(21)

Segundo Reis (2011), a propriedade intelectual torna-se a essência da conceituação de John Howkins (2001) que no início deste século, debruça-se sobre o tema. A ―moeda da economia criativa‖:

ativo intangível criado pela mente humana, altamente cobiçado pelo valor que agrega a indústrias novas e tradicionais da economia, teria além de tudo uma vantagem extraordinária, em um mundo de produtos e serviços, como vimos, crescentemente padronizados e com ciclos de vida fugazes. Trata-se da menor vulnerabilidade à cópia, em se pressupondo o respeito aos acordos de propriedade intelectual ratificados pelos 184 países membros da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMP) e não obstante a prática da pirataria nos meandros globais, notória inclusive em países signatários da organização. (Reis, 2012, p. 26)

Vivant (2012), por seu turno, refere que:

Na nova economia dita cognitiva, em que as ferramentas de produção e matéria-prima são a informação e o conhecimento, a criatividade constitui uma vantagem comparativa para empresas, indivíduos e territórios. (Vivant, 2012, p. 11)

Crítico em relação à denominação da economia contemporânea como da

―informação‖ ou ―conhecimento‖, Florida (2002) entende ser a criatividade

humana a força motriz desta sociedade. Para o autor, um dos grandes pilares da teoria da Economia Criativa é o conjunto de indicadores. Este conjunto, além do número de pessoas com diploma do ensino superior e do ensino técnico, que Florida (2002) denomina respectivamente de Talento e Tecnologia, contém também um terceiro T: a Tolerância. Este último contempla a diversidade, que por sua vez encampa ―o peso da comunidade homossexual dentro da coletividade‖ e a ―boêmia artística‖. Sobre estes critérios, Vivant (2012) cita Shearmur (2005) que diz não ser a quantidade de diplomados um indicador de crescimento, mas antes, as oportunidades ofertadas que são capazes de atrair um grupo destes graduados.

(22)

sisudas e despidas de grau criativo. Segundo Florida (2002), a sua transversalidade:

Desencadeou outra reviravolta impressionante: levou os que antes eram vistos como rebeldes excêntricos atuando à margem para o centro do processo de inovação e crescimento econômico. Essas mudanças na economia e no ambiente de trabalho, por sua vez, ajudaram a propagar e a legitimar transformações semelhantes na sociedade como um todo. O indivíduo criativo não é mais encarado como um iconoclasta; ele – ou ela –faz parte da nova cultura predominante. (Florida, 2002, p. 6)

A criatividade se está presente em produtos, pode estar também em processos, articulando informações e relacionando-as de modo a obter o aprimoramento dos modos de fazer, seja um artefato, seja um serviço, seja um procedimento. Atributo de fundamental importância, a criatividade é hoje um ativo importante e bastante representativo enquanto indicador econômico na sociedade contemporânea. No entanto, e como refere Reis (2012):

Embora o aporte que a criatividade gera em termos econômicos, sociais e culturais seja tema corriqueiro na literatura econômica, de Schumpeter aos arautos da economia do conhecimento, ela passa a ser reconhecida cada vez mais como recurso básico, diferencial e imprescindível. (Reis, 2012, p. 18)

Para Reis (2012) a construção do conceito de Economia Criativa tem na globalização um agente acelerador. Isto se deve não só ao fato do conceito suscitar ―questionamentos acerca da importância da localização de recursos‖, mas, também, pela amplitude que a noção de espaço adquiriu e que se reflete de forma direta na mobilidade, deixando mais ―permeáveis as fronteiras espaciais e mentais entre local e global‖. (Reis, 2012)

(23)

2.1. Derivação de Conceitos: Indústrias, Classe e Cidades Criativas

2.1.1. Indústrias Criativas

Resultado do documento elaborado no governo de Tony Blair, conforme referido anteriormente, o conceito de Indústrias Criativas, segundo Bendassolli (2009) contempla a criatividade como matéria-prima da propriedade intelectual; a percepção de valor atribuído à cultura (o que a transforma em objeto cultural); a transformação desse valor em propriedade intelectual e, portanto em valor econômico e, a convergência entre artes, negócios e tecnologia.

Figura 2 - Classificação das Indústrias Criativas – UNCTAD Fonte - Disponível em: <http://www2.cultura.gov.br/economiacriativa/wp-content/uploads/2013/06/relatorioUNCTAD2010Port.pdf> Acesso em: 17 de maio de 2014.

A análise de Jaguaribe (2006 apud Bendassolli, 2009) sobre as fronteiras das

Indústrias Criativas reforça a ideia de transversalidade do conceito, a importância da tecnologia que dota o ―analógico‖ de uma possibilidade de maior abrangência.

(24)

que uma grande gama de processos, produtos e serviços que são baseados na criatividade, mas que têm as suas origens em coisas muito mais tradicionais, como o craft, folclore ou artesanato, estão cada vez mais utilizando tecnologias de management, de informática para se transformarem em bens, produtos e serviços de grande distribuição. (Jaguaribe, 2006 apud Bendassolli, 2009 p.12)

A relevância adquirida pelo tema levou as Nações Unidas a publicarem um estudo sobre o assunto (2010) que, além de apontar a ação aceleradora que a Indústria Criativa pode imprimir às economias emergentes, também elenca seguintes contornos:

_ são ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que utilizam a criatividade e o capital intelectual como insumos primários;

_ constituem um conjunto de atividades baseadas em conhecimento, focadas, entre outros, nas artes, que potencialmente geram receitas de vendas e direitos de propriedade intelectual;

_ constituem produtos tangíveis e intangíveis e serviços intelectuais ou artísticos intangíveis com conteúdo criativo, valor econômico e objetivos de mercado;

_ posicionam-se no cruzamento entre os serviços artísticos, de serviços e industriais;

_ constituem um novo setor dinâmico no comércio mundial3;

Figura 3 – Ranking - Indústrias Criativas/Países. Fonte - Disponível em: < http://jpress.jornalismojunior.com.br/2012/05/economia-criativa/> Acesso em: 17 de maio de

2014.

3

Relatório de Economia Criativa – 2010. Economia Criativa: Uma Opção de Desenvolvimento Viável. Nações Unidas, 2010. Disponível em: <

(25)

No Brasil, a importância do tema levou a criação da Secretaria de Economia Criativa (SEC), por meio do Decreto 7743 de 1º de Junho de 2012, vinculado ao Ministério da Cultura e cujo objetivo centra-se potencialização da cultura como eixo estratégico nas políticas púbicas de desenvolvimento do Estado brasileiro4.

2.1.2. Classe Criativa

Florida (2002) cunha o conceito de Classe Criativa como sendo um grupo formado por indivíduos das ciências, das engenharias, da arquitetura e do design, da educação, das artes plásticas, da música e do entretenimento. Basicamente, o objetivo deste grupo é criar novos conteúdos: sejam tecnológicos, de serviços, de produtos. Nesta definição de Florida (2002) cabe ainda uma extensão que abarca profissionais das áreas das finanças, negócios, leis, saúde e afins. Tal definição alarga em muito a já presente abrangência do conceito. Isto se dá, muito em função do que Florida (2002) pretende como substrato para o conceito: independentemente da área, os membros da Classe Criativa compartilham o mesmo Éthos Criativo, que valoriza a criatividade, a individualidade, as diferenças e o mérito.

Vivant (2012) é bastante crítica em relação ao conceito de Classe Criativa desenvolvido por Florida (2002) por defini-lo como um pouco simplista. Segundo a autora. o novo conceito esquiva-se das noções básicas de classe: um conjunto de interesses e valores compartilhados. Dada a diversidade de segmentos que a Classe Criativa abarca, a ―pertinência da análise‖ fica comprometida:

seja sob o ângulo das trajetórias individuais, dos salários e das posições sociais, seja sob o ângulo de uma consciência de pertencimento a uma entidade social, ainda que esta seja vasta. (Vivant, 2012, p.18)

Florida (2002) refere que hoje, nos Estados Unidos, a tradicional Classe Trabalhadora já é numericamente inferior ao contingente da Classe Criativa, que por sua vez, também é menor que a Classe de Serviços. Embora assim

4 Secretaria de Economia Criativa Disponível em: <http://www.cultura.gov.br/secretaria-da-economia-criativa-sec>

(26)

seja, o papel vital da Classe Criativa no panorama econômico americano, faz com que seja muitíssimo influente. No comparativo com a Classe Empresarial, o autor afirma que a Classe Criativa é substancialmente maior.

A principal diferença entre as atividades desenvolvidas pelas distintas classes assenta na subordinação ou na liberdade para a realização de tarefas: enquanto a Classe Trabalhadora realiza funções de acordo com um plano pré-estabelecido, a Classe Criativa tem autonomia para elaborar a complexidade de suas atividades.

2.1.3. Cidade Criativa

Para Florida (2002 apud Vivant, 2012) a Cidade Criativa está ligada a sua

dimensão criativa, revelado por seu dinamismo cultural e artístico, único capaz de fazer frente aos efeitos de desinvestimento causados pelo declínio industrial e embora as grandes cidades tenham sido sempre espaços de manifestação da singularidade e da criatividade, estes atributos eram tidos como marginais. Hoje a efervescência criativa passou para o centro da cidade e de sua atividade, tomando a dianteira de motor do desenvolvimento econômico.

É sobre a cidade como polo dinamizador da criatividade que Leite (2012) referencia Schumpeter e o seu pioneirismo em relacionar inovação e desenvolvimento. Para Schumpeter (1934) a inovação é diretamente proporcional ao investimento e ao lucro e se apresenta sob duas formas: inovação radical (que opera alterações) e inovação incremental (que retroalimenta o processo de inovação). No pós-guerra surge a Economia da Inovação. A partir da teoria econômica de então, Schumpeter (1934) faz uma nova leitura na qual insere variáveis dinâmicas e aspectos sociais, o que alarga o seu espectro de análise. Da leitura resulta o conceito de ―destruição

criadora‖: onde produtos e hábitos estabelecidos são substituídos por novos.

(Haddad, 2010)

(27)

que o grande diferencial das cidades não eram nem os prazeres da vida urbana, nem a segurança que elas traziam (em comparação com a vida precária no campo), mas sim, a riqueza (econômica, social e cultural) que provinha da concentração da diversidade de suas populações. O argumento só seria retomado, aprofundado e popularizado mais de 300 anos depois por Jane Jacobs em Vida e Morte das Grandes Cidades. (Leite, 2012 p. 74)

Reis (2010) refere que a Cidade Criativa está diretamente relacionada a uma cidade na qual prevalece a Economia Criativa, embora não seja de forma exclusiva. A complexidade de uma cidade contempla dinâmicas próprias capazes de alavancar iniciativas de forma muito mais amplas.

Vivant (2012) relaciona as cidades pioneiras com aquelas que mais sofreram com a crise industrial e entende que, a ideia de Cidade Criativa, deve ser repensada para que com um mínimo de clareza possa escapar da rejeição que suscita. O grande mérito do conceito, segundo a autora, é repensar a ideia de cidade, sob uma ótica contemporânea, que expõe seu grande atributo como

―entidade emancipadora‖e agente facilitador na ―expressão das singularidades,

a reinvindicação e a manifestação das diferenças e da diversidade‖. (Vivant,

2012)

Para a autora há uma incompatibilidade contida no conceito: se por um lado o processo relaciona de forma crescente aquilo que é urbano com a criatividade, por outro, se vê diante da possibilidade de romper com a população local que

―garante a autenticidade local‖. (Vivant, 2012)

A questão dos indicadores de Florida (2002) na ótica de Vivant (2012) faz revelar uma interface com a esfera governativa bastante apetecível. Esta leitura que a autora faz sobre os conceitos de Florida (2002) tem forte conteúdo político e remete à utilização da cultura no quadro das políticas urbanas como ferramenta de valoração, o que seria a expressão mais visível do ―fenômeno‖: um ativismo cultural dos políticos municipais destinado a suscitar o retorno da população abastada e culta à cidade. (Vivant, 2012)

(28)

conceito reuniu especialistas de 18 áreas distintas, pôde perceber que a grande característica da Cidade Criativa centra-se em uma dinâmica de constante mudança o que as incita a lançar novos olhares sobre problemas e a aproveitar oportunidades que de outra forma passariam despercebidas. (Reis, 2010)

O referido estudo permitiu ainda elencar três atributos, a saber: a inovação, as conexões e a cultura. Para a autora, o primeiro dos atributos, a inovação (aqui entendida como a prática da criatividade) abrange processos e produtos e extrapola o caráter tecnológico e científico das descobertas. Tem um âmbito transversal, permeando aspectos sociais e administrativos, e ainda, repensando formatos de desenvolvimento (como os colaborativos, por exemplo).

Figura 4 – Parklets São Paulo Fonte - Disponível em: <http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/2161> Acesso em: 17 de maio de 2014.

(29)

A instalação de Parklets na cidade pode surgir por iniciativa dos moradores e propõe a utilização temporária de espaços originalmente destinados ao estacionamento de carros, para a ampliação do passeio público.

O segundo atributo mencionado pela autora (a conexão) abrange um amplo espectro: a conexão entre áreas distintas da cidade (promovendo a mobilidade); o acesso a informação, situando a cidade em termos locais, regionais ou globais; a interação entre classes sociais, por meio da oferta de espaços e equipamentos urbanos indistintos; a conexão temporal: a articulação entre passado, presente e futuro, construindo e consolidando a identidade urbana; e por fim, a convergência entre os setores público e privado na concretização de iniciativas urbanas.

Dentro desta perspectiva, está a Praça Victor Civita: equipamento urbano que oferece ao morador da cidade de São Paulo uma extensa área de lazer, com programação cultural, esportiva, além de atividades educacionais voltadas para a reflexão sobre o tema da sustentabilidade.

Figura 5 – Praça Victor Civita Fonte – Disponível em: <http://uscsqgag.blogspot.com.br/2012/06/sustentabilidade-em-um-dos-maiores.html>

Acesso em: 17 de maio de 2014.

(30)

gestão do equipamento também tem um formato que contempla a articulação entre empresas, instituições públicas, organizações sem fins lucrativos e o próprio usuário, por meio da AAPVC – Associação Amigos da Praça Victor Civita.

O terceiro atributo a que Reis (2010) faz menção no referido estudo é a cultura: sempre na perspectiva do valor identitário que se constitui como produto de um ―ambiente de liberdade de expressão e comportamento‖, onde coexiste a

diversidade e promoção ―do que é distinto‖. E desta forma, a cultura dá o seu

contributo para a economia, para a qualidade de vida, para a autoestima e para a participação de quem compõem a cidade, bem como para a formação de um ambiente favorável a suscitar perspectivas alternativas, como refere Reis (2010).

Figura 6 – Piano da Estação da Luz em São Paulo. Fonte - Disponível em: < https://moleskine27.wordpress.com/2012/04/> Acesso em : 09 de novembro de 2014.

(31)

Figura 7 - Estação da Luz – Instalação Toque-me Sou Seu Fonte - Disponível em: <http://www.manreza.com.br/2009/03/news/> Acesso em: 17 de maio de 2014.

Figura 8 - Estação da Luz – Instalação Toque-me Sou Seu Fonte - Disponível em: < http://www.streetpianos.com/saopaulo2008/index.php/2008/10/07/estacao-da-luz/>

Acesso em: 17 de maio de 2014.

(32)

Na sequência, a CPTM tomou para si a responsabilidade do projeto.

Desde aí, há um piano itinerante e um piano instalado no saguão da Estação da Luz. O Fritz Dobert residente acolhe: tanto o espanto dos passageiros, quanto àqueles que se apropriam do objeto para produzir sonoridade. A Estação da Luz, local de passagem, rápida circulação, que determina trajetórias e impõem fluxos, recebe diariamente 150 mil pessoas. É aqui, inserido na imponência de seu hall de entrada, o abrigo desta que, apesar de micro-intervenção, é capaz de alterar sonoridades, horários e encontros. (Castanheira, 2013 p.3)

Na outra extremidade da análise feita por Reis (2010) para o atributo cultura, faz-se referência à Virada Cultural e aos números que contempla: 10 anos de existência, 28 munícipios participantes, 900 atrações, 24 horas de programação, mais de 4 milhões de espectadores e uma movimentação financeira superior a 100 milhões de reais5.

Figura 10 - Virada Cultural Fonte - Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/governosp/4497834892/> Acesso em: 17 de maio de 2014.

(33)

2.2. Escalas e Motivações

2.2.1. Escalas

Para refletir sobre a escala busca-se referência em Deleuze (1983 apud

Zourabichvili,2004) e no conceito de Agenciamento:

Esse conceito pode parecer à primeira vista de uso amplo e indeterminado: remete, segundo o caso, a instituições muito fortemente territorializadas (agenciamento judiciário, conjugal, familiar etc), a formações íntimas desterritorializantes (devir animal etc), enfim ao campo de experiência em que se elaboram essas formações (o plano de imanência como "agenciamento maquinico das imagens-movimentos"). (Zourabichvili, 2004, p. 9).

Segundo Gomes (2008), este conceito de Deleuze (1983 apud Zourabichvili,

2004) contempla a coexistência de distintos elementos, justapostos, cujos comportamentos estão diretamente relacionados à configuração que adquirem. Para o mesmo autor, há uma relação de horizontalidade cuja abrangência abarca a corporeidade das ações, dos atos e das transformações, definindo assim, conteúdo e forma de expressão. A relação de verticalidade apresentada pelo conceito define a sua identidade.

O conceito de Univocidade do Ser (Deleuze 1983 apud Zourabichvili, 2004)

também contempla o atributo da transversalidade e remete ao conceito de Emergência, na medida em que detecta que esta comunicação acontece de forma horizontal entre seres que apenas diferem, mas, onde não é possível perceber um comando ou uma hierarquia.

O Rizoma, outro conceito de Deleuze (1983 apud Zourabichvili, 2004) fala de

subtrair o único da multiplicidade a ser construída, mas, ressalta que não se refere ao uno ou ao múltiplo. Refuta a ideia de unidade em detrimento da ideia de dimensão.

(34)

Zourabichvili, 2004) que segundo o autor, em essência, se constitui todas as vezes que for possível identificar e descrever o acoplamento de um conjunto de relações materiais e de um regime de signos correspondentes. O mesmo autor acrescenta que o indivíduo, por meio de códigos específicos (que incluem uma redução no campo de experimentação), processa os agenciamentos sociais. Este é o polo estrato dos agenciamentos denominados pelo autor como

―Molares‖. A forma como o indivíduo intervém e participa nos agenciamentos

sociais está diretamente relacionado aos agenciamentos locais, denominado

pelo autor como ―Moleculares‖:

nos quais ele próprio é apanhado, seja porque, limitando-se a efetuar as formas socialmente disponíveis, a modelar sua existência segundo os códigos em vigor, ele aí introduz sua pequena irregularidade, seja porque procede à elaboração involuntária e tateante de agenciamentos próprios que "decodificam" ou "fazem fugir" o agenciamento estratificado: esse é o pólo máquina abstrata (entre os quais é preciso incluir os agenciamentos artísticos). (Zourabichvili, 2004, p. 9).

Para Rodovic (2012) (fundador do Co + Lab da Universidade de Keio) alguns dos fenômenos urbanos se prestam a uma mensuração exata e outros não, como é o caso da cultura urbana e da sustentabilidade ambiental que ―resistem ao exercício de quantificação‖. Em associação à Gehl Architects, o Co + Lab desenvolveu um método de percepção da cidade – que tem como característica principal a atenção ao detalhe e à escala humana, a partir daquilo que foi desenvolvido na década de 1960 por Jan Gehl. Denominado Mensurando o Não-Mensurável, o projeto liderado por Rodovic, pretende fazer esta leitura e tem como premissa levar em conta a especificidade cultural e ambiental no desenvolvimento urbano, enfatizando a complexidade decorrente da identidade local por meio de critérios de avaliação circunscritos6. A pesquisa

de Rodovic (2012) encontra convergência em Deleuze, no conceito dos agenciamentos locais – moleculares - que constituem, segundo o autor, a dimensão em que o indivíduo imprime a sua assinatura, por meio de uma participação que identifica a personalidade, a especificidade: a micro escala.

Franco (2013 apud Rosa, 2013) refere a dicotomia presente nas iniciativas

macro/micro, top down/bottom up, plano/tática, enquanto contrários e

(35)

complementares. O autor trabalha a ideia de complementaridade sob a perspectiva da filosofia e da dialética platônica: repartição de um conceito em dois outros, geralmente contrários e complementares. Na perspectiva da dicotomia que traduz a coexistência entre o macro e o micro, entende-se ser possível remeter à utilização flexível dos espaços urbanos. Entende-se o uso temporário como uma micro escala, uma parcela da totalidade possível de ocupação.

2.2.2. Motivações

A referência que Vivant (2012) faz à dimensão polissêmica da cidade criativa vai de encontro ao que Florida (2002) pensa sobre a transversalidade da criatividade: é proveniente da diversidade, há uma relação de proporcionalidade entre criatividade e pluralidade. Jacobs, no início da década de 1960, já discutia esta questão. Florida (2002) reforça o seu argumento citando a autora: lugares bem sucedidos são multidimensionais e diversificados – eles não apelam a um único setor ou grupo demográfico; eles são repletos de estímulo e troca criativa.

(36)

encontros e das conexões randômicas surgem as distintas formas de construir e viabilizar o novo.

Mais do que conceber uma cidade criativa, o desafio do urbanista é criar condições de serendipidade e de criatividade, deixando espaço para o desconhecido e aceitando que apareçam na região práticas não planejadas, até mesmo não autorizadas, que tornam possíveis encontros imprevistos e improváveis. (Ascher, 2007 apud Vivant, 2012, p. 84)

Morin (2005), na elaboração do conceito Pensamento Complexo, também faz referência ao acaso. Para este autor, a complexidade não compreende apenas quantidades de unidades e interações que desafiam nossas possibilidades de cálculo: ela compreende também incertezas, indeterminações, fenômenos aleatórios. A complexidade num certo sentido sempre tem relação com o acaso.

Johnson (2001) também recorre à Jacobs (1961) para referenciar a questão da vida própria que o espaço urbano apresenta e que somente por meio da leitura atenta da cidade, em um processo endogênico, será possível entender, apreender e aprender com a própria cidade. As pesquisas deste autor que tem origem nos estudos da biologia remetem à complexidade, emergência e auto-organização.

A complexidade de Morin (2005) está presente em Johnson (2001) e o seu conceito de comportamentos emergentes. Sendo a complexidade uma palavra que recorrentemente surge em ―relatos críticos sobre o espaço metropolitano‖, Johnson (2001) faz a distinção entre dois tipos:

A primeira, segundo o autor, que está circunscrita a uma sobrecarga sensorial, se relaciona à expansão da cidade, em um processo de quase resiliência, onde os novos cenários repercutem novos reflexos e novos valores.

(37)

A cidade é complexa porque surpreende, sim, mas também porque tem uma personalidade coerente, uma personalidade que se auto-organiza a partir de milhões de decisões individuais, uma ordem global construída a partir das interações locais. (Johnson, 2002, p. 28/29)

O conceito de complexidade em Morin (2005) pode ser entendido como uma sobreposição de camadas que se observadas de forma conjunta tem o seu entendimento dificultado, mas, por outro lado, se dissecadas e observados em sua condição unitária, possibilitam a construção da percepção individual que constitui o conjunto. Está próximo do que Johnson (2001) refere como sendo o comportamento complexo: um sistema com múltiplos agentes interagindo dinamicamente de diversas formas - a partir de complexas interações paralelas entre agentes locais, seguindo regras locais e não percebendo qualquer instrução de nível mais alto. Este comportamento se efetiva verdadeiramente emergente - na confluência entre ordem e anarquia, quando todas as interações locais resultam em algum tipo de macro comportamento observável.

A auto-organização a que Johnson (2002) se refere diz respeito a um arranjo em determinado sentido, sem haver a presença de uma entidade superior. No conceito de comportamentos emergentes, Jonhson (2002) faz referência a Morfogênese, conceito de Allan Turing (1954): como a partir de algo muito simples é possível atingir um estágio de complexidade e sofisticação. Turing (1954) teve um papel essencial na criação do hardware e do software, a partir de seu trabalho sobre a morfogênese: uma das primeiras tentativas sistemáticas de conceber o desenvolvimento como um problema de complexidade organizada (Johnson, 2001, p. 36)

Para que a ocorrência possa se tornar um padrão, é necessário que seja reconhecida em distintos contextos. Jonhson (2002) refere que Keller7 e Segel8

7

Evelyn Fox Keller, doutora em Física, pela Universidade de Harvard, que no final de década de 1960 desenvolveu pesquisa no campo da ―termodinâmica do não equilíbrio‖ que, posteriormente se associaria a Teoria da Complexidade (Johnson, 2001, p. 9)

8

(38)

perceberam o padrão nas agregações do Dyctyostelium discoideum9; Jane

Jacobs o viu na formação das comunidades urbanas; Marvin Minsky10; nas redes distribuídas do cérebro humano. (Johnson, 2001)

Para Johnson (2001) o traço comum entre os referidos sistemas é o fato de todos eles serem capazes de resolver problemas:

com o auxílio de massas de elementos relativamente ―simplórios‖11, em vez de contar com uma única ―divisão executiva‖ inteligente. São

sistemas Bottom Up, e não, Top Down. Pegam seus conhecimentos a partir de baixo. Em uma linguagem mais técnica, são complexos sistemas adaptativos que mostram comportamento emergente. (Johnson, 2001, p. 14)

O autor quer referir que o comportamento emergente é resultado de um comportamento atípico para a escala dos atores, ou seja, estes se auto induzem a produzir ações típicas de uma escala superior, partindo de algo simples para chegar a algo sofisticado, caracterizando assim aquilo que se denomina emergência. Este comportamento adaptativo trabalha a micro escala: se utiliza de regras circunscritas, apropriadas ao local e que alçam este nível superior. Se assim não for, ou seja, se não houver esta componente adaptativa, não há funcionalidade. A complexidade do comportamento, segundo Johnson (2001), é:

Um sistema com múltiplos agentes interagindo dinamicamente de diversas formas, seguindo regras locais e não percebendo qualquer instrução de nível mais alto. Contudo, o sistema só seria considerado verdadeiramente emergente quando todas as interações locais resultassem em algum tipo de macrocomportamento observável. (Johnson, 2001, p. 14)

9

Dictyostelium discoideum, é uma espécie de amebóide, que pela simplicidade de sua constituição é amplamente usado como modelo para estudos do desenvolvimento multicelular. Disponível em: <http://www.nature.com/nature/journal/v408/n6815/abs/408965a0.html> Acesso em: 02 de novembro de 2014.

10Marvin Minsky é um cientista americano e professor do MIT, cuja pesquisa centra-se nos estudos cognitivos no

campo da inteligência artificial. Disponível em: <https://web.media.mit.edu/~minsky/> Acesso em: 02 de novembro de 2014.

(39)

3. Praticas criativas, micro planejamento urbano e iniciativas Bottom Up

Ao contrário das grandes intervenções urbanas, para Rosa (2011), a invisibilidade das micro ações represa o enorme potencial desses projetos, que indicam a escala local e as táticas urbanas (como definido por Certeau, 1998) como uma (outra) forma de pensar a cidade. Para o mesmo autor, a cidade se constitui como um grande laboratório de experimentações múltiplas, onde ―as novas conexões e redes estratégicas focam processos locais abertos a táticas

Bottom Up (de baixo para cima)‖ e que carece de um ―planejamento capaz de

absorver o que emerge e o que é gerado pelos meios urbanos‖.

As ―microrresistências‖ referidas por Jacques (apud Rosa 2013) convergem

para Guatelli (2008). As práticas transdisciplinares que operam em sentido oposto ao formato estabelecido e regido por regras e leis (Guatelli, 2008) contribuem para compor o urbano contemporâneo que, propiciadas por espaços experimentais, atribuem novos significados às interações, apropriações e relações locais. Guatelli (2008) detecta que esta série contemporânea de práticas projetuais revela uma preocupação em refletir a respeito da tradição e das identidades locais. Nesse cenário, segundo o autor, emerge um usuário capaz de identificar as necessidades e, ao mesmo tempo, antever potencialidades locais para desta forma, conceber e construir intervenções, que de outra forma possivelmente não aconteceriam.

Para Rosa (2013) é este envolvimento (a auto-organização) da população que caracteriza a prática urbana criativa e que, parece ao autor, ser produto da falta de espaços de coexistência, fruto do processo de urbanização.

(40)

O Beco do Batman, na Vila Madalena, em São Paulo, é uma dessas iniciativas. Na década de 1980 os muros dos fundos das residências que ladeavam as ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque, na Vila Madalena, começaram a atrair estudantes de Artes Plásticas. As intervenções artísticas tomaram conta das paredes disponíveis e, o que começou como um espaço de apropriação pela reduzida oferta de suportes semelhantes se notabilizou na imprensa nacional e estrangeira, tornando-se referência artística e parada obrigatória no circuito artístico da cidade. Apesar de ser uma galeria de arte que não funciona nos moldes de uma convencional, a articulação da auto-organização fez deste vazio urbano, um espaço com uma dinâmica própria de utilização e alternância das intervenções.12

Figura 11 – Beco do Batman. Fonte - Disponível em: <http://criancacomconteudo.blogspot.com.br/2012/04/beco-do-batman.html#.VFZ_hPl4r0c> Acesso: 02 de novembro de 2014.

Figura 12 – Beco do Batman. Fonte - Disponível em:

<http://www.guiadasemana.com.br/evento/turismo/caosarte-fornada-da-arte-na-rua-31-08-2013> Divulgação Caos Arte Acesso: 02 de novembro de 2014.

12Vila Madalena: grafites fazem a fama do Beco do Batman. Revista Veja. Disponível em: <

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A Academia de Boxe Cora Garrido, que há 10 anos se instalou no Viaduto do Café, em São Paulo, também é representativa deste formato contemporâneo de intervenção. Com visibilidade internacional, o projeto Garrido (que tem no ex-pugilista Nilson Garrido a figura de comando) passou de um formato-mix com locais inusitados para a prática de boxe para um formato quase-franquia-social em que o idealizador instala, consolida, delega e parte em busca de outros locais para a implantação de novos polos. A Cora Garrido já está no terceiro espaço: sob o Viaduto Alcântara Machado, na Rua Avanhandava e mais recentemente, na Zona Leste, em São Miguel Paulista.

Figura 13 - Usuário da Academia Cora Garrido.

Fonte - Disponível em: <https://www.facebook.com/ProjetoGarridoBoxe/photos/a.140483032786831.30549.140470149454786/140485336119

934/?type=1&theater> Acesso em: 10 de maio de 2014.

Figura 14 - Vista do acesso à Academia Cora Garrido. Fonte - Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Nilson_Garrido#mediaviewer/Ficheiro:Academia_de_Nilson_Garrido%2C_Bela_Vista%2C_S

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Figura 15 - Vista Panorâmica da Academia Cora Garrido. Fonte - Disponível em: <https://www.facebook.com/ProjetoGarridoBoxe/photos/a.140483032786831.30549.140470149454786/140485349453

266/?type=1&theater> Acesso em: 10 de maio de 2014.

Figura 16 - Usuários da Academia Cora Garrido. Fonte - Disponível em: < https://www.facebook.com/ProjetoGarridoBoxe/photos/a.140483032786831.30549.140470149454786/1404854094532

60/?type=1&theater> Acesso em: 10 de maio de 2014.

Para refletir sobre o trabalho desenvolvido por Garrido busca-se substrato no conceito de Não-Lugar de Augé (1992) e desta forma, o projeto passa a expressar uma dicotomia: insere em um Não-Lugar a personalização de um espaço construído para o resgate pessoal, para a inclusão.

Garrido, em parceria com Cora Batista Garrido, idealizadora e responsável pela associação civil Cora Sol Nascente, minam a

―representação‖ e ―identidade original‖ de um local (Não Lugar?) ―historicamente‖ indesejável e condenável ao criarem e estruturarem um lugar esportivo e cultural hospitaleiro, composto por uma academia de ginástica, ringue de boxe, além de uma biblioteca e escola infantil, ou seja, uma praça esportiva e cultural, pública e gratuita. (Guatelli, 2008 p. 38)

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possíveis soluções, caracterizam as iniciativas Bottom Up. Ao contrário das

iniciativas Top Down, nas práticas Bottom Up, não há hierarquia ou figura de

comando. É um sistema transversal, configurando uma ação de auto-organização. O conjunto trabalha, com um objetivo comum, e no entanto, a partir dessas rotinas de nível baixo, emerge uma forma coerente. (Johnson, 2001 p.15)

Pleiteando o registro para atuar como uma ONG, estabeleceram recentemente um acordo verbal, uma parceria com o poder municipal

para disseminar suas ―praças‖ por locais semelhantes na cidade,

gerando intensidades (diferencial qualitativo) sob viadutos, metamorfoseando-os. Incapaz de controlar esses espaços, a prefeitura parece perceber na parceria uma possibilidade de gerenciamento indireto dessas áreas residuais. Ao contrário de estratégias (de negação) baseadas em impedimentos, falsos embelezamentos, esvaziamentos e inibições, o que vemos é a potencialização de um espaço-suporte, agora de acolhimento social incondicional, estimulante à ocupação produtiva, gerada por um

congestão e ―promiscuidade13

‖ programáticas, de contiguidade e

concomitâncias de atividades não complementares; afinal, o que historicamente têm em comum uma biblioteca, escola infantil e um ringue de Boxe? (Guatelli, 2008 p. 38)

Na perspectiva de Hehl (apud Rosa 2013), a prática Bottom Up pode ser

considerada a mais significativa inovação em planejamento urbano. O mesmo autor chama a atenção, não só para a robustez dos desdobramentos Bottom Up, mas, sobretudo, para a notabilidade que estas práticas vêm conquistando

junto aos ―macro atores‖. O reconhecimento da capacidade de transformação

inerente ao impulso local fica materializado na medida em que estas iniciativas passam a compor programas oficiais.

Os economistas e sociológos especializados em questões urbanas também têm feito experiências com modelos que podem simular como uma cidade se auto-organiza ao longo do tempo. Embora as cidades atuais sejam rigidamente definidas de cima para baixo, por forças Top-Down, como as leis de zoneamento e as comissões de planejamento, estudiosos há muito tempo reconheceram que forças Bottom-Up desempenham um papel fundamental na formação das cidades, criando comunidades distintas e grupos demográficos não planejados. (Johnson, 2001 p. 65)

Leite (2012) contrapõe, por meio do conceito da externalidade, a presença da inovação e do conhecimento, proporcional à concentração de capital, às

13

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práticas criativas e Bottom Up, que, por meio de sua reinvenção, emergem dos

territórios informais.

O projeto Bio Urban, de Jeff Anderson, começou reinventado um pequeno

espaço na cidade de São Paulo ―pré-destinado‖ a ser um vazio de urbanidade

preenchido com sujeira, insegurança e feiura. O conceito, desenvolvido por Jeff Anderson, trabalha a recuperação local (a pequena escala) por meio do envolvimento dos moradores do entorno, articulados em um processo colaborativo.

O Bio Urban trabalha, sobretudo, a questão da subutilização dos espaços urbanos e a ativação destas lacunas por meio da articulação coletiva.

A gênese do projeto está na convergência entre a paixão pela cidade e a necessária temática para o desenvolvimento do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de sua graduação em Ciências Sociais na PUC SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) 14.

Neste primeiro projeto, o Escadão do Cambuci, o Bio Urban detectou esse espaço subaproveitado para, por meio de uma intervenção artística coletiva, transformar o local em um recinto de interação, capaz de receber atividades festivas e de convívio. O escadão oferecia ainda uma biblioteca, onde era permitido ao usuário levar o livro de seu interesse sem nenhuma inscrição prévia ou mesmo sem apresentação de documento, sob o lema ―Confiar é

Fundamental‖15.

Para o pesquisador, a cidade é antes de tudo uma questão de poder. As problemáticas contidas no urbano se relacionam com o exercício do poder no espaço e a complexidade da cidade contemporânea há muito que exacerba o

14

Adote um Espaço Público. Jornal do Cambuci e da Aclimação. Disponível em: <http://projetoamarelo.wordpress.com/2008/03/27/novas_descobertas_novos_horizontes/materia-do-jornal-projeto-biourban/> Acesso: 04 de novembro de 2014.

15

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âmbito de ação do arquiteto e urbanista. O Bio Urban pesquisa formas complementares de promover a cidadania e o direito à cidade de uma forma interventiva, responsável e articuladora. Está em muito alinhado ao conceito de Empoderamento desenvolvido por Freire, que ao contrário do Empowerment16,

contempla um agente ativo no processo, que busca e concretiza.

Figura 17 – Escadão do Cambuci – Projeto Bio Urban – Jeff Anderson. Fonte - Disponível em: <http://www.midiaindependente.org/pt/red/2008/09/428856.shtml> Acesso: 04 de novembro de 2014.

A consciência dessa possibilidade individual construtiva, o Empoderamento, permite as novas conexões e a articulação de redes estratégicas locais. As práticas urbanas coletivas buscam por novas ferramentas capazes de lidar com estas realidades urbanas emergentes. Desta ―cidade real‖, fruto da experimentação, como refere Rosa (2013), emerge ―um espaço construído‖ que necessita ser revelado, descoberto, explorado. Para o autor, esta emergência criativa se constitui como resposta ―à desertificação de espaços

coletivos de qualidade‖. A manualidade das ações diz de sua escala: micro. A

urgência na resolução dessas ações diz de sua temporalidade: agora. É um repertório gestual, onde cada um deles (o gesto) efetiva este formato de intervenção e marca a localidade e a sua identidade.

16 Valoura, Leila de Castro. Paulo Freire, o educador brasileiro autor do termo empoderamento, em seu sentido

transformador Disponível em:

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Em 2013, no Rio de Janeiro, paralelamente ao trabalho desenvolvido na curadoria do Deustche Bank Urban Age Award17 e ao mapeamento das práticas

criativas locais, o arquiteto Marcos Rosa e a designer Andrea Bandoni criaram kits de intervenção a partir de utensílios cotidianos. Pensando na escala e na temporalidade (o local, agora), os kits ofertavam a possibilidade imediata de intervenção a partir de necessidades detectadas pelos usuários locais18.

Figura 18 – Kit de Intervenção. Fonte – Disponível em: <http://marcoslrosa.com/filter/research/DBUAA-Rio> Acesso em: 12 de dezembro de 2014.

Figura 19 – Transporte do Kit de Intervenção. Fonte – Disponível em: <http://marcoslrosa.com/filter/research/DBUAA-Rio> Acesso em: 12 de dezembro de 2014.

17 O Deutsche Bank Urban foi criado em 2008 e tem por objetivo reconhecer e chancelar respostas criativas aos

problemas das cidades contemporâneas.

Catálogo Deutsche Bank Urban Age Award. Disponível em: <

http://issuu.com/marcoslrosa/docs/dbuaario_brochurept_singles_low> Acesso: 12 de novembro de 2014.

18 Catálogo Deutsche Bank Urban Age Award. Disponível em: <

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Figura 20 – Utilização do Kit de Intervenção. Fonte – Disponível em: <http://marcoslrosa.com/filter/research/DBUAA-Rio> Acesso em: 12 de dezembro de 2014.

Figura 21 – Utilização do Kit de Intervenção. Fonte – Disponível em: <http://marcoslrosa.com/filter/research/DBUAA-Rio> Acesso em: 12 de dezembro de 2014.

Figura 22 – Utilização do Kit de Intervenção. Fonte – Disponível em: <http://marcoslrosa.com/filter/research/DBUAA-Rio> Acesso em: 12 de dezembro de 2014.

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