Edmundo Maia de Oliveira Ribeiro
A DEMANDA DE RESERVAS BANCÁRIAS NO BRASIL
Versão Final de dissertação de Mestrado apresentada como quesito parcial à obtenção do grau de Mestre em Economia, Curso de Pós-Graduação em Economia, Escola de Pós-Graduação em Economia
Orientador:
Prof. Fernando de Holanda Barbosa
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA - EPGE
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
A DEMANDA DE RESERVAS BANCARIAS NO BRASIL
A DEMANDA DE RESERVAS BANCÁRIAS NO BRASil
Edmundo Maia de Oliveira Ribeiro
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA À BANCA DA ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA - EPGE, DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO TíTULO DE MESTRE EM ECONOMIA.
Aprovado por:
Prof. Fernando de Holanda Barbosa
Prof. Samuel Pessoa
Prof.: Adauto Madalena
RIO DE JANEIRO AGO /2004
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Agradecimentos
Agradeço a meu pai, que, em tão pouco tempo de convivência, me ensinou a enxergar a estrela polar. Na EPGE, agradeço ao professor Fernando de Holanda Barbosa, por sua competência, por seu gosto pela questão monetária, por tantos anos de incentivo e por sua firmeza de caráter. No Banco Central, agradeço a Francisco Amadeus Pires Félix, Carlos Thadeu de Freitas Gomes e Eduardo Hitiro Nakao, com quem tive o grande prazer de participar da execução da política monetária brasileira por 13 anos, além de Alberto Sozin Furuguem, que, no DEPEC, viabilizou o meu curso de mestrado na EPGE.
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Dedicatória
Uma homenagem ao professor Mário Henrique Simonsen, que permanecerá para sempre como exemplo na lembrança de seus alunos.
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SUMÁRIO
Capítulo 1. Introdução 6
Capítulo 2. Instrumentos de Política Monetária no Brasil 10
Capítulo 3. O Ajuste da Liquidez do Sistema Econômico e a Política Monetária 20
Capítulo 4. Os Mecanismos Operacionais dos Depósitos Compulsórios sobre Recursos à Vista
Capítulo 5. Análise da Demanda de Reservas Bancárias
Capítulo 6. Conclusão
Referências Bibliográficas
Tabelas e Gráficos
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Capítulo 1
INTRODUÇÃO
Nesta dissertação é tratada a questão da demanda de reservas bancárias no Brasil. O objetivo do trabalho é avaliar a tese apresentada por Barbosa (1990) de que os procedimentos operacionais utilizados pelo Banco Central do Brasil, induzem à formação de uma curva de reservas bancárias vertical, ou seja, inelástica em relação à taxa de juros da economia. O trabalho apresentado por Barbosa (1990) compara os procedimentos operacionais então utilizados pelo Banco Central norte-americano com o caso brasileiro. A expectativa é de que, com base na observação da perspectiva operacional lógica do sistema bancário e da atuação cotidiana do Banco Central, se possa rediscutir o modelo no que respeita ao processo de formação da demanda de reservas bancárias. Vale ressaltar que, no Brasil, são muito raros os estudos que objetivam discutir ou avaliar o modelo utilizado pelo Banco Central brasileiro na condução da política monetária. Provavelmente, essa escassez se justifica pela pouca visibilidade que se tem das operações realizadas pelo Banco Central e dos instrumentos que utiliza. Há um contexto real que deve ser levado em conta, para se compreender melhor o processo decisório, seja por parte dos bancos, seja por parte do Banco Central, que, em última análise, envolve a curva de demanda de reservas no objetivo de colocar a taxa de juros no patamar desejado.
Assim, nesse contexto, cuidou-se de testar a hipótese de que a curva de demanda de reservas bancárias, tomada pela média dos saldos diários computada na seqüência dos períodos de movimentação, é inelástica em relação à taxa de juros, aqui considerada a taxa referencial Selic. O estudo se fundamenta em dados diários observados entre setembro do ano 2000 e setembro de 2003.
Os três Capítulos seguintes se prestam para formar o contexto adequado à análise das questões relacionadas à liquidez bancária, que se costuma caracterizar pelo saldo consolidado das reservas bancárias. Esses Capítulos têm um tom descritivo, onde se conjuga um resumo histórico a partir do início das operações de mercado aberto no Brasil, cuja seqüência incorpora os instrumentos de política monetária que
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formam o quadro necessário para a compreensão セ。@ perspectiva operacional da demanda de reservas bancárias. Procura-se realçar o componente microeconômico de que o Banco Central se vale para orientar o mercado financeiro, a partir do mercado de reservas bancárias, não só para definir o processo de formação de sua demanda, como para determinação da taxa de juros.
No Capítulo 2, há uma contextualização do problema a partir da dívida pública mobiliária federal, dado que o principal instrumento de ajuste da liquidez são os títulos públicos federais. Em seguida, no terceiro Capítulo, é apresentada, de forma sucinta, a operacionalidade dos processos de criação e destruição de liquidez no sistema econômico, com destaque para o papel essencial do sistema bancário de ajustar o fluxo de caixa do setor real da economia, e do Banco Central de "zerar" o setor bancário. No Capítulo 4, é apresentado o mecanismo dos depósitos compulsórios sobre recursos à vista que forma a base da constituição das reservas bancárias. No Capítulo 5 , discute-se a questão da demanda de reservas bancárias. A partir de suas definições, avalia-se a inclinação da curva, com base numa série de dados diários selecionados, para efeito de testar se há ou não perspectivas de inelasticidade em relação à taxa de juros.
o
objetivo principal deste trabalho é contribuir para a discussão conceitual da curva de demanda de reservas bancárias, no contexto parcial do modelo de análise da política monetária no Brasil, trazendo um pouco da realidade do sistema bancário para ser observada nas considerações teóricas da análise macroeconômica. Na medida em que os modelos matemáticos tentam simular a realidade, entende-se que há uma contribuição, ainda que simples e simplificada, que pode permitir melhor compreensão dos movimentos econômicos no processo de formação da taxa de juros, a partir de concepções mais realistas sobre a demanda de reservas bancária. Dá-se ênfase ao contexto em que o Banco Central opera para conseguir realizar a gestão da política monetária. O entendimento desse contexto, muito claro para os profissionais que atuam no mercado de reservas bancárias, facilita bastante a percepção e o entendimento do escopo geral onde se forma a taxa de juros. O Banco Central, atuando como uma agência reguladora, se vale de princípios microeconômicos para ordenar o mercado bancário, através de sua prerrogativa de emitir normas e regras, indicar critérios e procedimentos e atribuir penalidades.DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
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Aliada a sua competência de criar moeda, de um elevado grau de credibilidade e dispondo de uma significativa carteira de títulos federais passa a reunir os requisitos necessários para operacionalizar a política monetária, controlando com muito rigor o patamar da taxa de juros. É nesse contexto operacional que se entende melhor o comportamento dos bancos e o seu processo decisório. Nesse diapasão, boa parte do texto se refere a questões do dia a dia que acaba por revelar de que se vale o Banco Central para impor ao mercado uma taxa de juros, ou seja, obtida de forma independente e estabelecida com base em objetivos de médio e longo prazo, atrelados a um regime que prioriza o controle da taxa de inflação esperada em uma perspectiva de médio e longo prazo.
A relevância desse texto se resume na apresentação de uma visão do mercado bancário, com destaque para o ajuste da liquidez do sistema econômico, além de colaborar para o incentivo ao debate sobre a demanda de reservas bancárias, valorizando aspectos práticos relacionados aos procedimentos operacionais envolvidos com a execução da política monetária, que permitem ao Banco Central exercer o controle da taxa de juros.
No Capítulo 4 utilizou-se um modelo básico que relaciona a taxa de juros com variáveis representativas da demanda de reservas bancárias, ou seja, o excesso de reservas bancárias sobre o exigível, fundamentado pelos procedimentos operacionais da política monetária, particularmente os depósitos compulsórios sobre recursos à vista dos bancos comerciais (e caixas econômicas). Com base nos dados observados, no período selecionado, não foi possível rejeitar a hipótese de que a equação de demanda de reservas bancárias tem coeficiente nulo, de modo que a curva de demanda por reservas bancárias mostra-se indiferente às variações observadas na taxa de juros.
A descrição do mecanismo de depósitos compulsórios no processo de criação e destruição de liquidez, permite uma visualização mais concisa do contexto onde a política monetária se desenvolve. Em tom didático, a narração do processo de ajuste da liquidez bancária busca a máxima simplicidade para que se garanta um bom entendimento. É através desse mecanismo que se percebe a formação da
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demanda de reservas bancárias. Como o escopo do trabalho é avaliar a inclinação dessa curva de demanda, a partir da necessária conceituação da conta de reservas bancárias e de sua utilização, estabeleceu-se um modelo que tem como variável independente a taxa de juros, representada pela taxa Selic, e avaliou-se a existência de alguma correlação entre essa variável e a variável dependente tomada como a relação entre a média dos saldos diários consolidados de um grupo representativo de bancos e o exigível desses bancos, através de uma regressão linear simples. Duas constatações essenciais justificam menção. Primeiro, que no Brasil não existem reservas excedentes como função da taxa de juros. Foi testado com base nos saldos das reservas bancárias consolidadas, tanto de um grupo (X) dos dez maiores bancos do grupo A, inclusive CEF, quanto de dez maiores (grupo Y) do grupo B, inclusive BB, que o valor da média dos saldos diários da conta de reservas bancárias acrescidas do papel moeda mantido no caixa dos bancos, tende ao valor do exigível em todos os períodos de movimentação (mais de dois anos de observações diárias). Segundo, que no Brasil, a taxa de redesconto é sempre superior à taxa de mercado, ou seja, o redesconto no sistema bancário brasileiro é sempre punitivo, que determina que a formação da sua taxa considera a taxa Selic e mais uma taxa punitiva.
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Capítulo 2
INSTRUMENTOS DE POlÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL
Amplo como é este tema, decidiu-se introduzir o assunto através da utilização da dívida pública mobiliária federal (DMF), não só como instrumento de política monetária, mas também como colateral nas operações de mercado aberto.
Sob esse aspecto, deu-se realce a alguns pontos considerados essenciais para que o instrumento viabilizasse o desenvolvimento que hoje se observa no mercado financeiro brasileiro.
A partir do que se entende como essencial no contexto de criação e controle da liquidez na economia, tenta-se construir o cenário do mercado financeiro executando sua atividade básica de consolidar os fluxos de caixa do setor real da economia.
É curioso observar como o funcionamento do mercado financeiro admite interpretações distintas, que se baseiam, muitas vezes, em aspectos coadjuvantes, de modo que o essencial fica em segundo ou terceiro plano.
Na primeira parte deste Capítulo, há um breve histórico do processo que deu início a DMF, bem como um destaque para sua utilização, seja em nível de tomador final, seja como instrumento preferencial das instituições financeiras na alocação do seu capital de giro.
Na segunda parte, são apontados os mecanismos de criação e destruição de liquidez, como também o papel que a DMF exerce no controle da oferta monetária.
Histórico resumido do surgimento da DMF
Até 1963, o governo brasileiro emitia apólices e obrigações federais, exclusivamente de modo compulsório, como as Obrigações do Reaparelhamento Econômico (Lei nO 1.474, de 26.11.51; Lei nO 1.628, de 20.06.52 e Lei nO 2.973, de 26.11.56) e as Obrigações Restituíveis (Lei nO 4.069, de 11.06.62).
Caracterizavam-se por seus rendimentos negativos em termos reais, decorrência do
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processo inflacionário então existente, já que não contemplavam, de nenhuma forma, manutenção do poder de compra da moeda utilizada em sua aquisição.
A reforma bancária de 1964, através da Lei nO 4.595, de 31.12.64, criou o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central do Brasil e, com base na Lei nO 4.728/65, foi institucionalizado o mercado de capitais que permitiu o desenvolvimento do sistema financeiro nacional.
As reformas institucionais de 1964 estabeleceram o princípio da correção monetária, através da Lei nO 4.357, de 16.07.64 e criaram as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN que, além de assegurar proteção contra o efeito da inflação, ofereciam taxas de juros atraentes. Aqui já se observa a intenção de organizar um mercado de títulos de dívida governamental, de uma forma flexível e aberta, no sentido de reordenar o mercado financeiro, destacando que esse mercado é a via de acesso das políticas fiscal, monetária e cambial ao setor real da economia.
Com rentabilidade atraente em relação aos demais ativos financeiros existentes, os títulos do Tesouro Nacional passaram a ser demandados voluntariamente por tomadores finais, em geral investidores institucionais e instituições financeiras, de modo que os prazos permitiam um traçado adequado em termos de perfil de dívida pública.
Como na maioria das economias desenvolvidas, os títulos do governo federal foram criados, então, com a intenção específica de conjugar o financiamento de déficits às operações de mercado aberto, de modo que esses objetivos fossem estritamente associados. Isso porque, a despeito de o interesse pelos títulos envolver a rentabilidade esperada, o grau de liquidez, que apenas um mercado secundário evoluído pode conferir aos títulos, passa a ser essencial ao desenvolvimento do processo de emissão da dívida.
Tanto assim, que o Decreto-lei nO. 1.079, de 21.10.70, criou as Letras do Tesouro Nacional - L TN, que se caracterizam como mais apropriadas para a execução das operações de mercado aberto, exatamente por revelarem o consenso quanto à taxa de juros esperada num prazo definido, em função da expectativa da inflação no horizonte visível da economia. Desse modo, as L TN surgiram como títulos de curto prazo, definindo taxas nominais de juros no espaço de tempo compatível com a perspectiva existente quanto ao desempenho da economia e à taxa de inflação.
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Outra medida relevante nessa matéria foi a Lei Complementar no. 12, de 08.11.71, que concedeu liberdade de ação ao Conselho Monetário Nacional, autorizando a emissão de títulos para o giro da dívida, independentemente da existência de dotação no Orçamento da União, a priori submetido ao Congresso Nacional.
Vale destacar que, naquela ocasião, o Banco do Brasil dividia com o Banco Central a função de Autoridade Monetária e diversas operações de crédito realizadas por conta da União eram absorvidas pelo orçamento monetário, de tal modo que os empréstimos do BB constituíam-se no quarto instrumento de política monetária. Como era muito forte a pressão para concessão daquelas modalidades de crédito, vinculadas à formação de estoques reguladores, preços mínimos, subsídios diversos a áreas e atividades consideradas prioritárias, bem como comercialização de trigo, açúcar e álcool, etc., os efeitos expansionistas eram notórios.
Com a liberdade concedida pela Lei Complementar nO 12, a DMF já era utilizada como mecanismo para acomodar a expansão da base monetária, decorrente de gastos públicos realizados pelo Banco do Brasil, por conta e ordem do Tesouro Nacional.
Fica clara, desse modo, a idéia de que a política monetária se restringia a compensar, pela via de colocação de títulos, os gastos e créditos concedidos por conta do Tesouro Nacional. É claro que o Banco do Brasil era o responsável pela execução de parte das metas de política econômica, que se baseavam fundamentalmente em subsídios, com destaque para o setor agrícola.
Com a criação da Secretaria do Tesouro Nacional, em 1986, e as mudanças posteriores da legislação então vigente, voltou ao Congresso Nacional a competência para o estabelecimento de limites anuais para a dívida pública mobiliária do Governo Federal.
A economia, os fluxos de caixa e a política monetária
De modo geral, um dos problemas básicos de qualquer agente econômico, seja do setor produtivo, seja instituição financeira ou governo, inclusive Banco Central, é o fluxo de caixa. Nem a legislação, nem os livros texto da área econômica realçam uma atividade fundamental exercida pelas instituições bancárias, que é a "zerada" do fluxo de caixa do setor real da economia.
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É importante perceber que a instituição financeira (IF), em princípio, porta-se como um operador. Operador é aquele agente econômico que não produz, assim como não usa e não consome o produto, apenas comercializa. Nesse tipo de negócio, a IF capta recursos por um determinado preço e os repassa a terceiros, garantindo uma margem de ganho. O raciocínio é idêntico para qualquer tipo de operador. O operador de laranjas compra o produto e vende a quem dele se utiliza, com uma diferença de preço. É preciso apenas se especializar na formação do preço do produto, custo de transação, transporte, armazenamento, etc. Considerando a taxa de juros como um preço, os ativos financeiros, em qualquer de suas embalagens, são negociados pelas IF por diferencial de preços.
No caso específico das instituições financeiras bancárias, dados alguns princípios existentes no mercado de reservas bancárias, considera-se que a intermediação de recursos dispensa a questão do casamento entre o volume de operações passivas e ativas.
Trata-se, então, de uma questão eminentemente de preço, como se verá a seguir. A IF que conhece o mecanismo de transferência de reservas bancárias lastreada em títulos federais, sabe que pode ser financiada (tomadora) em grande volume de recursos, desde que, dispondo de uma carteira de títulos federais, o preço lhe convenha, da mesma forma que pode ser financiadora (doadora) de outra IF, que detenha títulos federais, em significativo volume de recursos também em função do preço.
Se a IF opera com base no diferencial de preços e sem rigidez com relação a casamento de volume entre ativos e passivos, ela estará em condições de atender a toda sua clientela. Essa clientela, por sua vez, é composta por agentes econômicos superavitários ou deficitários em termos de fluxo de caixa, uma vez que apenas os que estão com seus fluxos de caixa equilibrados, ou seja, zerados, não irão procurar uma IF.
Necessariamente, ao zerar o fluxo de caixa de sua clientela, a IF estará absorvendo o somatório dos desequilíbrios, de tal modo que sua posição de caixa estará desequilibrada, em contrapartida ao equilíbrio de sua clientela.
Isso porque, considerando que todas as operações das IF bancárias resultantes do esforço de zerar sua clientela impactarão sua conta-corrente mantida no Banco
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Central (conta de reservas bancárias), qualquer que seja seu desequilíbrio, este representa um desequilíbrio invertido na conta de reservas do conjunto das demais instituições bancárias. Assim, resulta que, no consolidado dos fluxos de caixa dessas instituições, o equilíbrio volta a ocorrer e esse reequilíbrio é alcançado através do mercado de reservas bancárias (veja detalhamento posterior).
No contexto amplo, o que ocorre no sistema bancário diariamente é que as IF bancárias zeram o fluxo de caixa do setor real da economia, à custa do desequilíbrio de seus próprios fluxos de caixa, que voltam a se reequilibrar no mercado de reservas bancárias.
O sucesso operacional desse sistema decorre da eficiência existente no mercado de. reservas bancárias, que por sua dinâmica, agilidade e segurança, permite que o giro dos recursos monetários (atualmente ao redor de R$ 60 bilhões/dia) de toda a economia seja redistribuído e consolidado diariamente, ou seja, o fluxo de caixa do setor real e do setor financeiro sejam zerados a cada dia.
Essa eficiência decorre do arcabouço institucional sobre o qual funciona o sistema (como liquidação financeira em 0+0 no SELlC), de modo que o Banco Central apenas gerencia essa mecânica cotidiana que, de tão eficiente, passa desapercebida para a maioria dos técnicos e economistas que não atuam no mercado bancário. Não houve até aqui qualquer referência à atuação do Banco Central relativamente a operações em mercado. A participação do Banco Central até aqui, se restringe à organização, regulamentação, disponibilização de sistemas e controle das operações envolvendo bancos e agentes econômicos.
Como se observou, o desequilíbrio do fluxo de caixa de todos os agentes, decorre de atividade econômica que se desenvolve a cada dia e o seu reordenamento, pelo sistema, envolve uma série de mecanismos.
Importante mecanismo desenvolvido pelo Banco Central, que veio a viabilizar o mercado de títulos, é o acordo de recompra. Mal compreendido pela maioria,
inclusive economistas, o acordo de recompra revela sua eficiência em diversos
aspectos. Como mencionado, comprar um ativo qualquer exige um conhecimento mínimo da formação de seu preço. No caso de ativos financeiros, esse preço decorre da taxa de juros que se espera venha a ocorrer no futuro. A taxa de juros, no entanto, funciona como importante instrumento de política econômica que se presta para influenciar o Il"Ível de demanda agregada, o comércio internacional, o
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fluxo de capitais externos, o incentivo à poupança financeira, a inibição da especulação com estoques, etc. Agindo em tantas frentes, fica difícil para um leigo avaliar o nível de taxa de juros a ser praticada no futuro, principalmente à medida que "esse" futuro se dilata.
Assim, comprar um título, embute, à parte de diversos outros tipos conhecidos, um risco de mercado que decorre não só de erro de avaliação da taxa, mas também de uma mudança no seu patamar em conseqüência de fato novo e imprevisto. Por si só, este tipo de risco inviabilizaria, principalmente numa economia desestabilizada, qualquer perspectiva de emissão de títulos de prazo mais longo para absorção direta dos agentes econômicos.
As IF, no entanto, num processo gradual, passaram a se especializar em projeção de cenários que pudessem provocar mudanças nas taxas de juros, de modo que o risco de mercado tornou-se mensurável. É preciso destacar que nessa fase, anos 70, não havia mercado de derivativos no Brasil, nem era considerado essencial o domínio de estatística no processo de formação de preço de ativos financeiros. Era, contudo, atribuição de poucos especialistas com boa base de matemática financeira.
Nesse contexto, permitiu-se que as IF que comprassem títulos longos, pudessem vendê-los para clientes por preços maiores e variados, conforme o interesse das partes. No limite, significa que a IF comprava um título (pós-fixado) de 5 anos de prazo, assumindo todo o risco de oscilação da taxa de juros, podendo revendê-lo a um cliente pelo prazo de um dia, com taxa de juros pré-definida, ou seja, sem risco de oscilação de preço para o cliente. Na verdade, essa era a característica das operações denominadas "overnight". Como o acordo para vender com recompra garantida, por parte da IF, e comprar com revenda assegurada, por parte do cliente, se renovava todo dia, o aplicador tinha liquidez diária e isso era considerado errado por muitos economistas que entendiam dever o poupador ser penalizado, além da taxa de juros a que era submetido, pela liquidez de que dispunha. Ora, claro que as IF cobravam um prêmio pela liquidez que forneciam, através de um delta sobre a taxa de cada dia, que representava, como corolário, o prêmio pelo risco que corriam em relação à mudança no preço dos títulos, por conta da variação da taxa de juros. Mas o ponto principal que não chegou a ser assimilado é que importa pouco em poder de quem se encontra o título a cada dia. O fato é que os recursos da
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sociedade, depositados ou aplicados em bancos ou fundos de investimento, sob qualquer forma, estão convertidos em títulos. O objetivo de desenvolver um mercado secundário de títulos públicos é, além da garantir o mercado primário que financie o déficit público, assegurar liquidez aos títulos e já vai longe o tempo em que um agente econômico proprietário de ativos financeiros deixava de usar seu poder de compra em função da liquidez de suas aplicações financeiras.
A questão da liquidez bancária
Como destacado anteriormente, o equilíbrio de curto prazo no mercado .secundário é, em condições normais, assegurado pelo próprio sistema, através do mercado de reservas bancárias.
A questão é que no desempenho de suas atribuições legais o Banco Central realiza, além das funções clássicas de Autoridade Monetária, outras de caráter acessório que afetam significativamente o seu próprio fluxo de caixa. A de maior destaque decorre de norma constitucional (art. 164) que impõe ao Banco Central o acolhimento de conta corrente do Tesouro Nacional. Essa conta, remunerada pela taxa diária próxima à taxa SELlC, movimenta o fluxo de caixa do Tesouro Nacional provocando impactos significativos, diariamente, sobre o estoque de moeda da economia, particularmente sobre as reservas bancárias.
Desse modo, se o Tesouro Nacional gasta mais do que arrecada num certo dia, irá provocar expansão da base monetária, ao passo que, dia seguinte, se ocorre o inverso, ou seja, se arrecada mais do que gasta, provoca contração da base monetária. Como a demanda por base é função de outros fatores insensíveis, no curto prazo, ao fluxo de caixa do Tesouro Nacional, passa a existir um excesso de oferta de reservas bancárias quando o gasto excede a receita tributária e uma redução no nível dessa oferta no caso inverso.
Sendo o Banco Central o gestor da política monetária, seja priorizando a taxa de juros, seja controlando quantitativamente a expansão das reservas bancárias, passa a realizar operações de mercaeo aberto nitidamente para neutralizar o efeito errático do fluxo de caixa do Tesouro Nacional.
São as chamadas operações defensivas, em geral realizadas através de compromissos de recompra ou de revenda. Qual a razão de o Banco Central dar
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preferência às operações compromissadas no ajuste de liquidez da economia? Ora, as operações definitivas se caracterizam por envolver uma expectativa quanto à taxa de juros no período correspondente ao prazo do título. Assim, num dia em que o fluxo de caixa do Tesouro Nacional provocar contração no estoque de reservas bancárias, o Banco Central terá que comprar títulos no sentido de neutralizar aquele impacto. O preço desses títulos teria que considerar a expectativa da taxa de juros, digamos, pelo prazo de três meses. As I.F., por sua vez, objetivariam vender os títulos pela menor taxa possível no sentido de garantir o melhor retorno. No dia seguinte, caso a situação se invertesse, caberia ao Banco Central vender títulos e as I.F. passariam a exigir uma taxa de juros tão alta quanto possível. Em qualquer situação, a menos que ocorra um consenso fortuito e inesperado, o Banco Central passa para uma situação de "comer" uma vez que para ajustar a taxa de juros do dia, precisa ceder à intenção do mercado quanto aos juros do futuro, sendo essa intenção viesada pela perspectiva da margem de prêmio de risco cobrado pelas I.F., que muda de sinal em função do excesso ou escassez de reservas bancárias de cada dia.
Além de não provocar impactos definitivos no estoque de moeda, já que este se altera diariamente em função do processo de criação/destruição de reservas bancárias, conseqüente de um fluxo de caixa que, em certa época, tanto podia dobrar o volume de reservas bancárias, quanto torná-lo negativo, as operações compromissadas consagram um efeito tópico para cada dia. Por exemplo, se um dia o Tesouro gasta mais do que arrecada e espera-se que no dia seguinte a situação se inverta, ao vender títulos no dia O com acordo para recomprá-Ios no dia O + 1, conforme o volume envolvido, o ajuste do dia O + 1 já estará feito, pois a deficiência de reservas bancárias prevista para o dia seguinte será compensada pela recompra dos títulos.
Além disso, o fato de que nas operações compromissadas a taxa de juros considerada ser a vigente naquele dia, sem envolver as taxas do estoque de títulos em circulação, torna esse tipo de operação, sem dúvida nenhuma, o mais adequado para o que se refere ao ajuste de liquidez no dia, elevando a eficiência do mercado à medida que reduz a margem de risco dos negócios, seja no enfoque do Banco Central, seja entre as instituições bancárias.
Além do fluxo de caixa do Tesouro Nacional, o impacto sobre as reservas bancárias
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decorre, entre outros, do fluxo de moeda manual e das operações de câmbio realizadas pelo Banco Central.
No primeiro caso, o fluxo advém do hábito do público que respeita uma sazonalidade bastante conhecida. Além de esse fluxo não afetar a base monetária como um todo, quando a economia está estabilizada, ele se anula no prazo de duração das exigibilidades compulsórias dos bancos comerciais junto ao Banco Central, ou seja, atualmente a cada dez dias úteis. Sendo o mecanismo dos depósitos compulsórios sobre recursos à vista representado por um saldo médio com margem de variação suficiente para absorver esse fluxo, o impacto da movimentação de papel moeda sobre o nível das reservas bancárias deixa de afetar, em termos médios, a gestão da liquidez. Já no caso das operações de câmbio, a questão é mais complexa. A política econômica definia, até algum tempo atrás, um plano de estabilização ancorado no câmbio e nos juros, sendo as oscilações da taxa de câmbio praticamente controladas, imunes às flutuações resultantes do fluxo de recursos externos. Por outro lado, a taxa de juros também podia (e ainda pode) ser considerada fixa num dado intervalo de tempo. Nesse contexto, o fluxo cambial passava (e às vezes ainda passa) a ser absorvido pelo Banco Central, coerentemente com a necessidade de manter saldos elevados de reservas internacionais. A contrapartida do aumento de reservas internacionais, dado o interesse na manutenção de certo patamar de juros, é o aumento de títulos federais em circulação.
Em resumo, trata-se de uma troca de recursos internacionais por títulos federais nacionais, onde ocorre um custo associado ao diferencial entre as taxas de juros internas e externas.
Esta pode parecer uma forma até saudável de fazer dívida (embora custosa em época de juros internos elevados), uma vez que, numa visão conjunta, os títulos emitidos estão lastreados na moeda estrangeira, ao passo que, de outra forma, o lastro dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional teria que ser, na presença de déficit nominal, a capacidade de as gerações futuras produzirem renda.
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Depósitos Compulsórios
Na medida em que a imposição dos depósitos compulsórios estabelece, através de suas regras, a demanda por reservas bancárias e considerando que tais regras devem ser estáveis, ao Banco Central, pela via das operações de mercado aberto, cabe regular a oferta dessas reservas, promovendo compatibilidade suficiente para posicionar a taxa de juros em patamares adequados. Definido o saldo médio de reservas compulsórias que os bancos estão obrigados a cumprir, junto ao Banco Central, não há como alterar esse saldo médio, que vem a refletir a demanda da sociedade por moeda escriturai definida, no médio e longo prazos, em função do nível de renda, da taxa de inflação esperada e dos juros reais praticados.
Desse modo, é plausível afetar a demanda por moeda pela via da taxa de juros, mas esse efeito se dá ao longo do tempo e tem um caráter marginal como deve ter o princípio que trata das questões de política monetária.
No curto prazo, no entanto, o que o Banco Central mostra-se capaz de realizar é o controle sobre a oferta de reservas bancárias no sentido de sinalizar o nível das taxas de juros através do reequilíbrio de liquidez bancária que se dará pelas compras/vendas de títulos federais. A contrapartida para o nivelamento da taxa de juros envolve necessariamente certa complacência quanto ao estoque de liquidez. Se, alternativamente, a ênfase for no atingimento de metas quantitativas para o crescimento nominal da base monetária, o Banco Central deverá abrir mão do controle mais rígido sobre a taxa de juros, cujo nível passa a ser associado ao rigor das metas estabelecidas. Não se pode afastar a perspectiva de que cabe ao Banco Central a gestão da política monetária. Como qualquer outro negócio, os bancos comerciais objetivam lucros para seus acionistas.
Esse é, conforme nosso entendimento, o espaço que se define como adequado para as operações com títulos da dívida federal na sintonia fina da política monetária.
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Capítulo 3
o
AJUSTE DA LlQUIDEZ DO SISTEMA ECONÔMICOE A POLíTICA MONETÁRIA
Na maioria dos países desenvolvidos, o Banco Central executa a política monetária a partir de três instrumentos clássicos: os depósitos compulsórios, as operações de mercado aberto e o redesconto, cabendo aí variações significativas entre os paises. Como visto anteriormente, é preciso destacar a função fundamental dos bancos centrais de organizar a fluidez do sistema monetário, cuja hierarquia destaca o seu papel de responsável pela eficiência do sistema e pelo provimento de liquidez para os bancos comerciais, como veículo de transmissão ao público em todas as instâncias. Os bancos comerciais, por seu turno, utilizando instrumentos disponibilizados pela Autoridade Monetária, devem promover o giro da liquidez no sistema econômico, inclusive de outras instituições financeiras que não têm acesso ao Banco Central, que está representado aqui como o conjunto de todos os fluxos de caixa da economia.
O fluxo de caixa é fator essencial de todos aqueles que exercem alguma função (ou transação) econômica. Pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, instituições públicas ou privadas, governos em qualquer dos três níveis, estão sujeitos a um fluxo de caixa. Toda transação na economia que tenha contrapartida financeira gera efeito em dois fluxos de caixa, do agente econômico que paga e daquele que recebe.
O desempenho dos sistemas econômicos tem muita ligação com seus respectivos mercados financeiros, pois os processos de formação de poupança e investimento, decorrem em grande parte da eficácia desses mercados, inclusive no que respeita aos financiamentos, seja para o consumo, seja para os investimentos. No entanto, é no ajuste do fluxo de caixa dos agentes econômicos que as instituições bancárias exercem seu papel primordial, logicamente que orientadas pela estrutura e pelos processos que os bancos centrais definem.
FUNDAÇAO GETULIO VARGAS . BIBLIOTECA MARIO HENRIQUE SIJ',iONSEN
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o
objetivo deste Capítulo é descrever como esse processo transcorre no mercado financeiro nacional e destacar a relação da geração e destruição de liquidez com a demanda de reservas bancárias.Considerando haver dois tipos de moeda na economia, parece aceitável admitir que a moeda manual é utilizada para o pequeno varejo, em pagamento de pequenas importâncias do dia a dia. Para as despesas de maior porte, já não se costuma utilizar moeda manual, mas sim a escrituraI. O giro das duas moedas ocorre de forma específica. A moeda manual, emitida pelo Banco Central, é obtida através dos bancos comerciais, e circula entre as pessoas, os cofres (caixa) dos bancos e o cofre do Banco Central (não há conta caixa no Banco Central).
Já a moeda escriturai é emitida tanto pelo Banco Central, como pelos bancos comerciais. O Banco Central cria/destrói moeda escriturai para os bancos comerciais, a chamada liquidez bancária, ao passo que os bancos comerciais criam moeda para os agentes econômicos, com base na liquidez bancária que detém, assim como no estoque de títulos federais de que dispõem em "posição dormida" ou "posição própria", já que conseguem transformar imediatamente esses títulos em reservas. A liquidez bancária, no sentido restrito aqui considerado, será tomada como o saldo da conta de reservas bancárias que os bancos mantém no Banco Central.
Assim, em relação ao público, as duas moedas "nascem e morrem" influenciadas indiretamente pelo Banco Central.
Abaixo se verifica a influência do fluxo de moeda manual sobre a liquidez bancária. Os bancos comerciais são autorizados a ter uma única conta corrente no Banco Central denominada reservas bancárias (RB). O saldo da conta de RB é função dos depósitos compulsórios que o Banco Central impõe (veja Capítulo 4). Da mesma forma que um correntista comum, os bancos perdem saldo na sua conta corrente mantida no Banco Central se sacam papel moeda, se compram títulos, ativos ou realizam empréstimos. Ganham saldo na mesma conta corrente se depositam papel moeda, se vendem títulos, ativos ou não renovam empréstimos.
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+
,
t
FLUXO MOEDA MANUAL X MOEDA ESCRITURAL ATRAVÉS DA REDE BANCÁRIA
BANX>CENrRAl..
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+
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•
•
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PIVFP De+ •
PIVFP OC••
PIVFP DePMC - papel moeda em circulação (PMPP+Cx dos bancos - passivo monetário do banco central e ativo dos bancos comerciais e das pessoas);
RB - saldo dos bancos comerciais em conta corrente no banco central (passivo monetário do Banco Central e ativo dos bancos comerciais);
Cx - Numerário no guichê dos bancos comerciais ou no bolso das pessoas; C/C - Saldo em conta corrente das pessoas nos bancos comerciais.
o
desenho acima visa facilitar o fluxo de moedas entre o público, os bancos comerciais e o Banco Central. Em cada coluna, representando cada banco, está exemplificado um tipo de movimentação entre os três agentes mencionados.Movimento em BCom1 = o fluxo de caixa líquido da clientela é positivo, ou seja, há um saque (líquido) de papel moeda pelo público, que implica em redução do papel moeda no caixa do banco comercial e um aumento do papel moeda em circulação no Banco Central.
A contrapartida é uma redução do saldo em conta corrente da clientela, e uma perda de liquidez bancária pelo banco comercial em decorrência do saque de papel moeda que realiza junto ao Banco Central, que fez reduzir o seu saldo bancário.
Movimento em BComALL
=
será idêntico ao movimento de BCom1 ou Bcom2, só que afetando o saldo acumulado do sistema. Se no consolidado prevalecer o estiloDISSERTAÇÃO DE MESTRADO
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BCom1, a base monetária se mantém, mas PMC se eleva e as RB são reduzidas implicando baixa na liquidez bancária que afetará a taxa de juros.
Se no consolidado prevalecer o estilo BCom2 (ou Bcomx), verificam-se depósitos líquidos de moeda manual, o que provocará redução do PMC e, como contrapartida, elevação da RB, o que gera excesso de liquidez bancária com impacto declinante na taxa de juros.
Atentos ao comportamento do público, os bancos comerciais perseguem um saldo de PMC adequado, que circula entre os agentes econômicos. O fluxo será representado pelos excessos/deficiência decorrentes de sazonalidades existentes. A contrapartida de moeda manual é o saldo em conta corrente, tanto para os agentes econômicos em relação aos bancos comerciais, quanto desses em relação ao Banco Central.
Em fase de inflação elevada e ascendente, o volume de papel moeda em circulação se eleva. Em contrapartida há uma redução de estoque da dívida pública mobiliária em circulação, ou seja, há monetização dessa dívida.
PROCESSO DE CRIAÇÃO DE MOEDA ESCRITURAL NA REDE BANCÁRIA
REGISTRO DOS FATOS
AGENTE ECONCMICO BANCO COMERCIAL
MÚlTIPLO
BANCO CENTRAL
CAIXA FIN.IMOB. CONSÓRCIO PC
CAIXA D. AVISTA R INTERNAC. P. CAMBIAL
CIC RB (C/C NO BC) FlOAT REDESCONTO CONTA TN
CDB POUPANÇA VEíCULOS IMÓVEIS
US$ TíTULOS
CDB PMPP
TíTULOS OP. COMP Pl PERMANENTE Pl
Premissas:
RB
=
f (EXIGíVEL)EXIGíVEL = f (D.À VISTA + FlOAT)
D. À VISTA = f (Y, i, EMP), sendo Y= renda nominal e i= taxa de juros I/p.
EMP
=
EMPRÉSTIMO EM CONTA CORRENTE PARA AGENTES ECONCMICOSSÓ BANCO CENTRAL PODE CRIAR RESERVA BANCÀRIA
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RB PMC
POLíTICA MONETÁRIA NORMAL
Empréstimo bancário - Nível compatível com a programação monetária Momento I:
AGENTE ECONOMICO
CAIXA
CIC t
CDB POUPANÇA VEíCULOS IMÓVEIS
FIN.IMOB. EMP. t CONSÓRCIO PC
BANCO COMERCIAL MÚLTIPLO
CAIXA D. A VISTA t RB
EMP. t US$
FlOAT CDB POUPANÇA TíTULOS Pl
PERMANENTE
BANCO CENTRAL
R INTERNAC. P. CAMBIAL REOESCONTO CONTA TN TITUlOS OP. COMP
Pl
RB PMC
O empréstimo realizado impacta depósitos à vista, que, por sua vez, provoca elevação dos depósitos compulsórios e, por conseqüência o saldo das RB, no momento seguinte.
Momento 11:
AGENTE ECONOMICO
CAIXA
CIC t
CDB POUPANÇA VEíCULOS IMÓVEIS
FIN.IMOB. EMP. t CONSÓRCIO PC BANCO COMERCIAL MÚLTIPLO CAIXA RBt EMPt US$ TíTULOS
,1-PERM. O.AVISTA t FlOAT COB REDESCONTO Pl BANCO CENTRAL
R INTERNAC. P CAMBIAL REDESCONTO Cta. TN TíTULOS t o. COMPUL.
Pl RBt PMC
O empréstimo afetou (elevou) o saldo da conta de depósitos à vista e portanto o exigível (RB) no período seguinte. Para cobrir o saldo da conta de RB, o banco vende títulos ao Banco Central que paga creditando a conta de RB, corroborando o novo nível de RB. Bancos vendem títulos, pois a taxa de retorno do empréstimo é maior que a receita dos títulos (ao redor da taxa SELlC).
Se não houver risco de inadimplência, os bancos emprestarão até que o estoque de títulos em carteira atinja a um patamar considerado mínimo.
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POLíTICA MONETÁRIA RESTRITIVA
Empréstimo bancário - Nível de reservas bancárias excede programação monetária. Momento 1, idêntico ao caso anterior.
Momento 2
Se a elevação da RB excede a programação monetária, o Banco Central pode agir da seguinte forma:
1) Compra títulos até o limite em que o saldo de RB se enquadra na programação monetária.
2) Deixa faltar (na margem) liquidez no sistema. Como o sistema opera com saldo médio de reservas, a taxa de juros não se eleva, apenas fica
pressionada.
3) Zera o mercado no final do dia, através do redesconto com taxas punitivas, inviabilizando o ganho pelo spread entre a taxa de empréstimo e o custo da RB (SELlC).
AGENTE ECONÓMICO
CAIXA C/C t CDB POUPANÇA VEíCULOS IMÓVEIS
FIN.IMOB. EMP. t CONSÓRCIO PC BANCO COMERCIAL MÚLTIPLO CAIXA RBt EMPt TíTULOS .!. PERM.
D. À VISTA t FlOAT CDB POUPANÇA REDESC. t Pl BANCO CENTRAL R INTERNAC. REDESC. t TíTULOS t P CAMBIAL
Cta. TN
O. COMPUL. Pl
RBt PMC
O volume excedente de empréstimos realizados tem como contrapartida o recurso ao redesconto com taxas punitivas, de modo que o banco é desencorajado de manter aquele nível de empréstimos. Assim, é estimulado a não renovar algumas
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operações (empréstimos) até retornar ao nível anterior de exigível e, portanto, de RB.
FLUXO DE MOEDA ESCRITURAL ATRAVÉS DA REDE BANCÁRIA
8I!N:DCENIRl. R\C セ@
I
I
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_____ I.J
Nesse ponto, deseja-se realçar o fluxo de liquidez bancária dentro do sistema. Os pagamentos são realizados pelo público através de cheques ou ordens e são compensados nas contas de reservas bancárias dos bancos comerciais. Esse fluxo de pagamentos interbancários não afeta o saldo consolidado do sistema, apenas os saldos individuais. Todos os dias, pela manhã, é realizada a compensação de cheques que afeta os saldos bancários individuais. No entanto, como o montante relativo aos cheques creditados é idêntico ao dos cheques debitados, a movimentação do sistema é nula. No caso de pagamentos realizados ao longo do dia, sucede o mesmo processo.
Cliente
ª
do BCom1 paga a cliente セ@ de Bcomx com cheque sobre BCom1 que é depositado em Bcom x. Resulta que BCom1 transfere RB para Bcom x. Saldo do sistema (Bcom (ALL) não é alterado, pois, perda de BCom1 é compensada por ganho de Bcomx;Todas as operações envolvendo ativos reais ou financeiros, sem exceção, realizadas por cheque ou ordem recaem neste fluxo. Da mesma forma, se um banco concede crédito em conta corrente para um cliente, a utilização desse crédito em pagamento de qualquer operação provocará perda de RB do banco que concedeu o crédito e ganho de RB para o banco em que o cheque utilizado for depositado. Daí se percebe o vínculo entre a moeda escriturai criada pelo banco comercial e aquela
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criada pelo Banco Central (quando compra títulos do banco emissor de crédito). Da mesma forma, percebe-se que o giro das transações econômicas realizadas por cheque ou transferência (ordem), resulta em giro das RB entre os bancos comerciais. A reciclagem dessas RB é realizada pelas operações de mercado aberto, lastreadas em títulos públicos.
Observe-se que não houve até aqui qualquer participação do Banco Central. Há um volume de saldo (reservas bancárias) à disposição dos bancos que dá fluidez às transações econômicas. Esse saldo circula entre as contas de reservas bancárias em cobertura de cheques. Como o excesso de saldo dos bancos credores é idêntico à deficiência de saldo dos bancos devedores, garante-se que o sistema está equilibrado (zerado). Através do mercado de reservas bancárias, pela via das operações de mercado aberto, lastreadas em títulos federais, os bancos procederão à reciclagem dos saldos.
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ZERADA DO FLUXO DE CAIXA DO SETOR REAL DA ECONOMIA OU AJUSTE DA UQUIDEZ DO SISTEMA ECONÔMICO PELOS BANCOS
Admita as seguintes representações:
Fluxo superavitário(S) Fluxo deficitário (D) Fluxo zerado ou equilibrado (Z)
Bancos Comerciais
(S)
(D)
(S)
(Z)
Setor Real
BCom1
BComX-1
Bcomx
BComALL
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S>D
D>S
S>D
S=D
Os bancos ajustam (zeram) o fluxo de caixa do setor real da economia, captando e emprestando recursos junto às empresas e famílias. Essas operações impactam suas contas de RB. Se predomina, em certo banco, uma clientela superavitária num determinado dia, a conta de RB desse banco se tornará superavitária nesse dia. Nos bancos em que prevalecer a clientela deficitária, em determinado dia, haverá perda líquida de saldo de RB neste dia (deficitária).
A consistência do sistema é de que o somatório das perdas é igual ao somatório dos ganhos nas contas de RB, tal que os bancos estão individualmente desequilibrados em seus fluxos de caixa, mas o sistema não. O ajuste interno ocorrerá através das operações de mercado aberto (mercado de reservas bancárias). No SELlC, que é a ferramenta que permite o registro de transferência de saldo de RB contra a transferência de títulos custodiados no Banco Central (Uselicados") no mesmo dia, o ajuste é realizado.
Deve-se notar que, nesse contexto, o Banco Central organiza, normatiza e fiscaliza as operações sem participar diretamente da zerada.
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A ZERADA DO BANCO CENTRAL OU O AJUSTE DA LlQUIDEZ BANCÁRIA PELO BANCO CENTRAL
Assim como todos os agentes econômicos, o Banco Central tem um fluxo de caixa, cujas saídas/entradas de caixa representam criação/destruição de liquidez bancária. A Autoridade Monetária se utiliza do sistema bancário para realizar TODOS os pagamentos e recebimentos em moeda escrituraI. Como se viu anteriormente, a liquidez circula no sistema econômico que, em se mostrando estável, em dado nível renda e taxa de juros, se viabiliza num certo estoque monetário (manual e escriturai). O pressuposto do equilíbrio a partir do fluxo de caixa consolidado, permite ao mercado de reservas bancárias ser capaz de ajustar os fluxos de caixa dos bancos e, portanto, do setor real da economia. A inclusão do Banco Central nesse mecanismo, dado que é capaz de criar/destruir aleatoriamente liquidez, a partir de seu próprio fluxo de caixa (que inclui o fluxo do Tesouro Nacional), desequilibra o mercado de reservas bancárias, já que o sistema não tem como absorver tais excessos ou deficiências.
Daí a necessidade de que o próprio Banco Central, a partir do estoque de títulos federais em sua carteira e através das operações de mercado aberto, realize o ajuste de seu próprio fluxo de caixa. O desequilíbrio cotidiano que o fluxo do Banco Central gera, vai permitir que, ao proceder a sua zerada, sinalize a taxa de juros a ser utilizada. O Banco Central observa e ouve o mercado, quanto à taxa de juros, mas jamais irá corroborar o custo do dinheiro sem que esteja compatível com as metas de política monetária. Afinal, os bancos, as farmácias e as seguradoras não são responsáveis pela condução da política monetária. Suas metas se baseiam em lucros para os acionistas.
BANCO CENTRAL
BANCOS ....
...
..
...
MERCADO DE AGENTES
RESERVAS
...
...
セ@ ECONÔMICOSBANCÁRIAS ...
..
... セ@
EQUILíBRIO SEM BC
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FLUXO DE CAIXA SUPERAVITÁRIO DO BANCO CENTRAL
FLUXO do BC LlaUIDEZ (RB)
BANCOS
...
..
BANCO
MERCADO DE "'".. AGENTES
CENTRAL
...
"'" BANCÁRIAS RESERVASECONÔMICOS
...
..
...
..
TíTULOS
A poslçao superavitária do Banco Central significa que os bancos realizam pagamentos líquidos ao Banco Central, reduzindo assim o saldo de RB e, portanto, a oferta de liquidez bancária, provocando desequilíbrio no mercado de RB (escassez) e pressão altista na taxa de juros.
ZERADA DO FLUXO DE CAIXA SUPERAVITÁRIO DO BANCO CENTRAL
FLUXO (BC)
....
BANCOS
BANCO
TíTULOS MERCADO DECENTRAL
...
RESERVAS... BANCÁRIAS
AJUSTE DA LlaUIDEZ (RB)
A compra de títulos por parte do Banco Central anula o efeito contracionista do seu fluxo de caixa (BC) no mercado de reservas bancárias, ajustando a oferta de RB, enquanto sinaliza um patamar desejado para a taxa de juros (SELlC).
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FLUXO DE CAIXA DEFICITÁRIO DO BANCO CENTRAL
FLUXO DO BC (RB) LlQUIDEZ
BANCOS
•..
BANCO
MERCADO DE .,CENTRAL
RESERVASBANCÁRIAS
...
..
セ@
...
AJUSTE DA LlQUIDEZ (RB) TíTULOS
A posição deficitária do Banco Central significa que o Banco Central paga mais que recebe dos bancos comerciais o que provoca elevação do saldo consolidado das RB e, portanto, aumenta a oferta de RB provocando desequilíbrio no mercado de RB e pressão baixista na taxa de juros.
ZERADA DO FLUXO DEFICITÁRIO DO BANCO CENTRAL
FLUXO DO BC (RB)
BANCOS
BANCO
セ@..
MERCADO DECENTRAL
...
RESERVASBANCÁRIAS
....
...
AJUSTE DA LlQUIDEZ (RB)
A venda de títulos por parte do Banco Central ajusta a liquidez do sistema compensando a criação de liquidez provocada pelo fluxo de caixa do BC e sinaliza um patamar de taxa de juros (SELlC).
Como o fluxo de caixa dos agentes econômicos, dos bancos e do Banco Central (TN) se altera todos os dias, as operações têm prazo de um dia pois o foco é de ajuste monetário através do mercado secundário de títulos federais, que dá lastro às trocas de RB.
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Capítulo 4
OS MECANISMOS OPERACIONAIS DOS DEPÓSITOS COMPULSÓRIOS SOBRE RECURSOS À VISTA
A Norma
A regra do compulsório sobre recursos (depósitos à vista + float) em vigor encontra-se condensada neste Capítulo. Essa norma define a operacionalidade desencontra-se compulsório e influencia decisivamente a demanada de reservas bancárias.
Resumo da Norma Definições:
Conta de Reservas Bancárias - representa um passivo do Banco Central e um ativo do banco comercial (ou múltiplo com carteira comercial). Acolhe toda movimentação financeira entre o Banco Central (inclusive o Tesouro Nacional) e os bancos comerciais e entre os bancos comerciais (assim como os outros bancos autorizados a ter essa conta no Banco Central). Além do resultado de compensação de cheques, é lançado nesta conta o resultado das operações no Selic, na Cetip e as operações internacionais envolvendo moeda estrangeira. É nesta conta que os bancos mantém o saldo necessário ao cumprimento das exigibilidades compulsórias sobre recursos à vista.
A) Valores Sujeitos a Recolhimento (VSR) - base de cálculo composto da média dos saldos das seguintes rubricas do Plano de Contas das Instituições Financeiras - COSIF, num determinado período de tempo (10 d u):
=> Depósitos à vista => Depósitos sob aviso
=> Recursos em trânsito de terceiros => Cheques administrativos
=> Garantias realizadas
=> Cobrança e arrecadação de tributos e assemelhados
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FLOAT
•
I
I
B) Exigível (Ex) - valor de referência, representando o saldo médio que cada banco deve manter, a cada dez dias úteis, na sua conta de reservas bancárias (RB). É calculado da seguinte forma:
Ex
=
% VSR - ConstanteO cálculo do exigível decorre da aplicação de um percentual sobre a base de cálculo, abatido de um valor fixo definido pelo Banco Central.
Para composição do saldo médio, o saldo mínimo (S. Min) mantido na conta é definido por:
S. Min = % EX
Período de Cálculo - período de 10 dias úteis em que se apura o VSR.
Período de Movimentação - período de 10 dias úteis em que a exigibilidade deve ser mantida.
Os bancos são divididos em dois grupos (A e B). Os períodos de cálculo e movimentação são descasados por grupo, da seguinte forma:
Grupo A
Período de Cálculo
I I
2a. 3a. 4a.
Grupo B
I I
2a. 3a. 4a.
t
t
I I I I I I I I I I I
Sa. 6a , 2a. 3a. 4a. Sa. 6a. 2a. 3a. 4a. Sa.
t
Período de Movimentação
Período de Cálculo
•
I I I I I I I I I I I
Sa. 6a , 2a. 3a. 4a. Sa. 6a. 2a. 3a. 4a. Sa.
t
Período de Movimentação
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I I I I
6a. 2a. 3a. 4a.
t
•
I I I I
6a. 2a. 3a. 4a.
Pode-se observar que tal descasamento visa facilitar a fluidez do sistema, de modo que enquanto um grupo está no final do período de movimentação (pressionado para compor o saldo médio), o outro está no meio desse período.
Penalidades por descumprimento da norma Multa Pecuniária
Custo:
Saldo abaixo do mínimo permitido -
tx.
Selic + 30% a.a. Saque a descoberto -tx.
Selic + 45% a.a.Deficiência do saldo médio -
tx.
Selic + 30% a.a.Observações:
=> Além de impor limites à oferta de crédito por parte dos bancos, o mecanismo impõe um custo pela manutenção do saldo na conta de RB que não é remunerada, embora os depósitos à vista e o float também não sejam.
=> Os bancos operam no sentido de administrar o saldo diário nas contas de modo que o saldo médio seja obtido ao menor custo possível. A estratégia de administração do saldo da conta levará em consideração prioritariamente à taxa do overnight (Selic) esperada em cada dia do período de movimentação.
=> Os bancos comerciais só podem ter conta corrente no Banco Central, e é por essa conta que transita todo o fluxo de caixa de cada banco. Desse modo, a gestão do saldo a ser mantido se viabiliza através do mercado de reservas bancárias, com lastro em títulos públicos.
=> A exigência de manutenção de saldo na conta de RB objetivando atingir um determinado saldo médio no intervalo de 10 dias úteis, determina a demanda por RB. Afora esta exigência, os bancos manteriam saldos significativamente inferiores, sendo admissível supor, na estrutura do mercado aberto no Brasil, que os bancos mantivessem saldo zero na conta de RB.
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=> A oferta de RB é representada pelo saldo existente nas contas de RB dos bancos comerciais, que varia conforme o fluxo de caixa do Banco Central e é ajustado pela zerada da própria Autoridade Monetária.
o
mecanismo dos depósitos compulsórios objetiva controlar o processo de multiplicação de moeda escrituraI. O desenvolvimento do mercado de títulos públicos federais, através das operações de mercado aberto, permitiu a composição das chamadas reservas de primeira linha, em razão da ampla liquidez que conservam esses papéis e pela possibilidade de serem transformados em saldos bancários no mesmo dia, assegurando-lhes, assim, uma demanda adicional. A utilização das taxas de juros como fator inibidor do volume de crédito, em decorrência da reação da demanda (elasticidade preço), por outro lado, ganhou força nas economias mais adiantadas.No Brasil do Plano Real, ampliou-se o uso de depósitos compulsórios como instrumento redutor da oferta de crédito, no sentido de influenciar a evolução da demanda agregada através da elevação da taxa de juros dos empréstimos, sem, no entanto, gerar impacto sobre o custo da dívida pública mobiliária. O custo dessa dívida, bem como o fluxo do capital estrangeiro, está submetido à taxa de captação dos bancos, referenciada pela taxa Selic. Desse modo, pelo uso intensivo dos compulsórios, atinge-se à meta de manter relativamente baixa a taxa do Selic e significativamente alta a taxa dos empréstimos, ou seja, para efeito do controle do crédito elevou-se o "spread" bancário sem influenciar as taxas passivas, exceto no que respeita à carga tributária.
Os ajustes graduais, que foram sendo incorporados ao longo do tempo, tornaram os depósitos compulsórios um mecanismo complexo, com menor transparência e algumas distorções, conforme mencionadas abaixo:
1) A inclusão de rubricas diversas na base de cálculo, como ordem de pagamento, cobrança, cheque administrativo, etc., provoca desvio em relação ao objetivo do instrumento já que o essencial são os depósitos à vista. O alargamento da base de cálculo por medidas dessa natureza promove uma elevação da alíquota, em termos efetivos, afetando a eficiência do instrumento.
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2) O saldo a ser mantido no Banco Central por força do mecanismo do compulsório determina a demanda por reservas bancárias num dado intervalo de tempo, de modo que se constitui variável estratégica essencial para o Banco Central no que respeita à sua atribuição de controlar a taxa de juros. O critério utilizado de definir as exigibilidades sobre recursos à vista num determinado período de tempo assegura a sua estabilidade, já que o exigível se mantém por 10 dias úteis. No entanto, como tais exigibilidades podem ser cumpridas em termos de média de saldos, a oscilação exagerada dos saldos diários prejudica a previsibilidade da demanda no curtíssimo prazo. A estabilidade que importa é a dos saldos na conta de RB e não a do exigível.
3) Os depósitos compulsórios, na verdade, são constituídos por saldos bancários na conta denominada reservas bancárias que é mantida pelos bancos no Banco Central. O cálculo do saldo a ser mantido (exigível), é obtido a partir da aplicação de uma alíquota sobre uma base de cálculo, onde predominam os depósitos à vista. O saldo médio a ser atingido pelos bancos é determinado por um certo período de tempo (10 dias úteis). Os saldos diários estão limitados por um valor mínimo, expresso com uma porcentagem do próprio exigível. Dependendo desse valor mínimo, os saldos diários podem tornar-se significativamente voláteis, principalmente à medida que aumenta o prazo para o cumprimento do saldo médio, ou seja, se passar de 10 para 15 ou 20 dias úteis (no passado recente era de 5 dias úteis).
4) A volatilidade dos saldos revela um grau de manipulação que pode ser utilizado pelos bancos para anular ou contrapor a objetivos ou, ainda, realizar arbitragem contra o Banco Central.
5) Considerando que o prazo de dez dias úteis representa uma quinzena, supõe-se que, dado o comportamento dos saldos de depósitos à vista que revelam uma sazonal idade forte ao longo do período mensal (variando bastante nos dias de pagamento de salário em relação ao final do mês), conforme demonstrado no Gráfico A, há um relativo descompasso entre a vigência de certa exigibilidade e a efetiva liquidez observada em decorrência dos depósitos à vista. Isso se
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