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Gestão e saúde

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Academic year: 2017

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Diretor Executivo Diretor Técnico Diretor de Controle Vice-Diretor de Proj etos Vice-Diretor de Estratégia e Mercado

Editor-Chefe Coordenador Editorial Coordenadora de Comunicação Assistente de Produção Designer Assistente Estágiária de Comunicação Revisoras Linguísticas Tradutora

Proj eto Gráfi co Impressão

Tiragem Fotos

Sede

Primeiro Presidente Fundador

Presidente

Vice-Presidentes

Carlos Ivan Simonsen Leal

Sergio Franklin Quint ella, Francisco Oswaldo Neves Dornelles e Marcos Cint ra Cavalcant e de Albuquerque

Armando Klabin, Carlos Albert o Pires de Carvalho e Albuquerque, Ernane Galvêas, José Luiz Miranda, Lindolpho de Carvalho Dias, Manoel Pio Correa Júnior, Marcílio Marques Moreira e Robert o Paulo Cezar de Andrade

Alf redo Américo de Souza Rangel, Ant onio Mont eiro de Cast ro Filho, Crist iano Buarque Franco Net o, Eduardo Bapt ist a Vianna, Jacob Palis Júnior, José Ermírio de Moraes Net o, José Julio de Almeida Senna, Marcelo José Basílio de Souza Marinho e Nest or Jost .

Presidente

Vice-Presidentes

Vogais

Suplentes

Carlos Albert o Lenz César Prot ásio

João Alf redo Dias Lins (Klabin Irmãos e Cia)

Alexandre Koch Torres de Assis, Angélica Moreira da Silva (Federação Brasileira de Bancos), Carlos Moacyr Gomes de Almeida, Celso Bat alha (Publicis Brasil Comunicação Lt da), Dant e Let t i (Souza Cruz S/ A), Edmundo Penna Barbosa da Silva, Heit or Chagas de Oliveira, Hélio Ribeiro Duart e (HSBC Invest ment Bank Brasil S.A - Banco de Invest iment o), Jorge Gerdau Johannpet er (Gerdau S.A), Lázaro de Mello Brandão (Banco Bradesco S.A), Luiz Chor (Chozil Engenharia Lt da), Marcelo Serf at y, Marcio João de Andrade Fort es, Mauro Sérgio da Silva Cabral (IRB-Brasil Resseguros S.A), Raul Calf at (Vot orant im Part icipações S.A), Romeo de Figueiredo Temporal (Est ado da Bahia), Ronaldo Mendonça Vilela (Sindicat o das Empresas de Seguros Privados, de Capit alização e de Resseguros no Est ado do Rio de Janeiro e do Espírit o Sant o) e Sérgio Ribeiro da Cost a Werlang.

Aldo Floris, Brascan Brasil Lt da, Gilbert o Duart e Prado, Luiz Robert o Nasciment o Silva, Ney Coe de Oliveira, Nilson Teixeira (Banco de Invest iment os Crédit Suisse S.A), Olavo Mont eiro de Carvalho (Mont eiro Aranha Part icipações S.A), Pat rick de Larragoit i Lucas (Sul América Companhia Nacional de Seguros), Pedro Aguiar de Freit as (Cia. Vale do Rio Doce), Pedro Henrique Mariani Bit t encourt (Banco BBM S.A), Rui Barret o (Caf é Solúvel Brasília S.A) e Sérgio Lins Andrade (Andrade Gut ierrez S.A).

Presidente

Vice-Presidente

Vogais

Suplentes

Publ icação periódica da FGV Proj et os.

Os art igos são de responsabil idade dos aut ores e não refl et em, necessariament e, a opinião da FGV.

Cesar Cunha Campos Ricardo Simonsen Ant ônio Carlos Kf ouri Aidar Francisco Eduardo Torres de Sá Sidnei Gonzalez

Sidnei Gonzalez Carlos August o Cost a Melina Bandeira Júlia Brasílico

Maria João Pessoa Macedo Amanda Baião e Bianca Berardo Grabiela Cost a e Pet ruska Perrut Elvyn Marshall

Dulado Design | www.dulado.com.br Gráfi ca Nova Brasileira

2.000 exemplares

Banco de imagem FGV Proj et os | www.sxc.hu | www.shut t erst ock.com

Praia de Bot af ogo, 190, Rio de Janeiro – RJ, CEP 22250-900 ou Caixa Post al 62.591 CEP 22257-970, Tel: (21) 3799-5498, www.f gv.br

Luiz Simões Lopes

Carlos Ivan Simonsen Leal

Sergio Franklin Quint ella, Francisco Oswaldo Neves Dornelles e Marcos Cint ra Cavalcant e de Albuquerque

CONSELHO CURADOR

CONSELHO DIRETOR

FGV PROJETOS

Est e Caderno est á disponível para downl oad no sit e da FGV Proj et os: www. fgv. br/ fgvproj et os

Inst it uição de carát er t écnico-cient ífi co, educat ivo e fi lant rópico, criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa j urídica de direit o privado, t em por fi nalidade at uar, de f orma ampla, em t odas as mat érias de carát er cient ífi co, com ênf ase no campo das ciências sociais: administ ração, direito e economia, cont ribuindo para o desenvolvimento econômico-social do país.

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SUMARIO

Editorial

Artigos

Entrevistas

Cesar Cunha Campos

0 6

com

José Gomes Temporão

0 8

com

Paulo Barbanti

16

Governança corporat iva e hospit ais de ensino:

um aprendizado possível?

Leonardo Justin Carâp e Bárbara do Nascimento Caldas

35

Fundações est at ais de direit o privado:

a experiência do Rio de Janeiro

Irineu Frare e Elaine Santiago Simmer

27

Cont rat os de gest ão e sist ema de indicadores de desempenho

Denise Schout e Wilson Rezende

42

Dimensionament o de recursos humanos em saúde ou

a vida como ela é

Ana Maria Malik e Claudia Valentina de Arruda Campos

21

O Plano Est adual de Saúde e o Pact o pela Saúde em São Paulo

Renilson Rehem e Ana Maria Malik

53

Humanização

Clara Sette Whitaker Ferreira e Pubenza López Castellanos

70

A regulação no Sist ema Único de Saúde: a experiência da

Secret aria de Est ado da Saúde de São Paulo

Vanessa Chaer Kishima, Luiz Maria Ramos Filho e

Benedicto Accacio Borges Neto

61

Fundação est at al e alt ernat ivas organizacionais

para a área da saúde

Dj air Picchiai e Luciano Junqueira

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EDITORIAL

Cesar Cunha Campos

Editorial

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Cadernos FGV Proj et os apresent a a 2ª edição do t ema Gest ão e Saúde, uma iniciat iva da FGV Proj et os, unidade de ext ensão de ensino e pesquisa

da Fundação Get ulio Vargas, em parceria com o Cent ro de Est udos em

Planej ament o e Gest ão de Saúde (GVsaúde) da Escola de Administ ração de Empresas

de São Paulo (EAESP).

Na primeira edição do Cadernos Gest ão e Saúde, a publicação volt ou-se para o set or privado e t eve como ent revist ado o Prof essor Adib Jat ene, ex-Secret ário de Est

a-do da Saúde de São Paulo e ex-Minist ro da Saúde. Est e seguna-do número, por sua vez,

t em como f oco o set or público, e t raz uma ent revist a inédit a com o Minist ro da Saúde,

José Gomes Temporão, uma das primeiras aut oridades da área de saúde a acredit ar e

incent ivar o modelo das Fundações Est at ais de Direit o Privado, como alt ernat iva de

gest ão na área de saúde no Brasil, especialment e na def esa de uma maior aut onomia e compromet iment o com result ados.

Os art igos t rat am de alguns assunt os que const am na agenda governament al

no período de 2007 a 2009, como o t ema das Fundações Est at ais de Direit o Privado e

t ambém o Pact o pela a Saúde, incent ivados nacionalment e e realizados pelos est ados

em parceria com os municípios.

Nest e cont ext o, t ambém são apresent adas algumas das diret rizes públicas para

a prest ação de serviços de Saúde, públicos e privados, como, por exemplo, a

huma-nização da assist ência. Ret ornamos ao t ema, por considerá-lo de ext rema relevância

ao debat e at ual, embora o assunt o ainda não apresent e soluções à vist a para t odos.

Da mesma f orma, a regulação vem aument ando seu espaço a fi m de garant ir o acesso da população à prest ação de serviços geridos pelo set or público.

Finalment e, est e caderno aborda a quest ão da at uação dos recursos humanos

em saúde, t ema que no set or privado j á é t rat ado com ext rema import ância e vem

obt endo bons result ados, mas ainda sem grande relevância e invest iment os por part e

dos gest ores de serviços públicos de saúde no Brasil. Boa Leit ura!

(8)

RESUMO

O Minist ro José Gomes Temporão assumiu o cargo no

Minist ério da Saúde com um desafi o que j á f azia part e das

discussões acadêmicas desde seus t empos de médico

sani-t arissani-t a e docensani-t e de saúde pública: cuidar do subfi nancia-ment o do set or, reconhecido vilão para a corret a at enção

à saúde. Porém, ele sabia que as t ransf ormações

ocorri-das por t rás dest e cenário desde a Const it uição de 1988,

com o seu f ort e carát er de inclusão e ef et iva socialização

do sist ema, exigiriam mais que o simples aport e ext ra de recursos.

Assim, defi niu como obj et ivo est rat égico

moder-nizar e profi ssionalizar a Gest ão do Sist ema de Saúde. E,

compondo a sua agenda de prioridades, f oi eleit o esse

novo desafi o como o element o-chave para o sucesso de

qualquer f ormulação de polít ica de saúde capaz de as-sumir a at enção à saúde para a t ot alidade da população

de 190 milhões de habit ant es (dos quais 80% dependem

exclusivament e do SUS), cont ra uma client ela ant erior

de apenas 30 milhões.

ABSTRACT

Minist er José Gomes Temporão t ook over t he Minist ry of

Heal t h wit h a chal l enge t hat has been part of academic

discussions since his days as a publ ic heal t h offi cer and

l ect urer in publ ic heal t hcare: t he short age of f unds in t he sect or, which has been t he bane of sound heal t

h-care. Yet , he was aware t hat t he changes behind t he

scenes since t he 1988, Brazil ian Const it ut ion, wit h it s

st rong incl usive charact er and ef f ect ive social izat ion of

t he heal t hcare syst em, woul d require more t han j ust an ext ra input of f unds.

His st rat egy, t heref ore, was t o upgrade and

pro-f essional ize t he heal t h syst em administ rat ion. When

drawing up his agenda of priorit ies, t his new chal l enge

was el ect ed t he key-el ement t o a successf ul f ormul at ion of any heal t h pol icy t hat coul d provide heal t hcare t o

t he 190 mil l ion inhabit ant Brazil ian popul at ion (80% of

which depend sol el y on t he Nat ional Heal t hcare Syst em

– SUS, in Port uguese), compared t o an earl ier t ot al of

onl y 30 mil l ion pat ient s. Minist er of Heal t h

José Gomes Temporão

Minist ro da Saúde

Entrevista com José Gomes Temporão

FGV Projetos

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A busca const ant e da efi ciência das operações f oi a f orma

com que o Minist ério da Saúde percebeu a possibilidade

de concret izar e consolidar os princípios e diret rizes do

SUS. Nesse sent ido, f oi preciso romper com ant igos para-digmas vigent es no serviço público, que somava gest ores

insat isf eit os com t rabalhadores desmot ivados, e t ambém

implement ar est udos de modelos alt ernat ivos de Gest ão,

buscando novos e melhores result ados para as

organiza-ções e para a sociedade.

Mesmo com um considerável avanço no uso efi -cient e dos recursos (o que j á f oi demonst rado por est udo

do IPEA, que most rou o Brasil liderando 32 países

pes-quisados), novos est udos f oram implement ados visando

à melhoria do sist ema, t endo como result ado o

desen-volviment o do Modelo de Fundações Est at ais, como f er-rament a de responsabilização e de prest ação de cont as.

Est e modelo permit irá, especialment e para as

complexas organizações hospit alares, que est as defi

-nições est ej am est abelecidas de f orma inequívoca em

cont rat os e que possam conf ormar a base est rut ural de uma rede de at enção baseada em result ados,

agregan-do hospit ais agregan-dos Minist érios da Saúde e da Educação e o

desenvolviment o de parcerias com est ados e municípios

numa rede possível de at é 2.000 hospit ais.

Const ant search f or effi ciency in operat ions was t he

Heal t h Minist ry’s pat h t o accompl ish and consol idat e

SUS’ principl es and guidel ines. It was mandat ory t o

break away f rom t he out dat ed paradigms prevail ing in t he publ ic service – which ranged f rom discont ent ed

ad-minist rat ors t o unmot ivat ed workers –, and impl ement

st udies of al t ernat ive management model s t o achieve

bet t er resul t s f or bot h organizat ions and societ y.

Even wit h t he considerabl e progress in t he ef -fi cient use of resources (as con-fi rmed by an IPEA st udy, ranking Brazil at t he head of 32 count ries surveyed),

new st udies were impl ement ed t o improve t he syst em,

resul t ing in t he creat ion of t he St at e Foundat ions Model

as an inst rument f or account abil it y and responsibil it y. In t he specifi c case of complex hospit al organiza-t ions, organiza-t his model wil l permiorganiza-t organiza-t haorganiza-t noorganiza-t onl y defi niorganiza-t ions are unambiguousl y est abl ished in cont ract s, but al so t he

f oundat ions of a resul t -based heal t hcare net work are

l aid. The expect ed out come is an increase in t he number of hospit al s under t he Minist ries of Heal t h and

Educa-t ion, and Educa-t he devel opmenEduca-t of parEduca-t nerships wiEduca-t h sEduca-t aEduca-t e

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ENTREVISTA

FGV PROJETOS - O senhor iniciou sua gestão no

Ministé-rio da Saúde introduzindo uma nova cultura de

moder-nização da gestão de saúde no Brasil. Como o senhor

analisa a área de saúde pública hoj e?

Min. Temporão - Considero que est amos no caminho

cert o. O Brasil vem const ruindo, desde 1988, um sist

e-ma dest inado a garant ir a t odos os cidadãos o acesso

universal, equânime e int egral aos serviços públicos de

saúde. É sempre nesse horizont e que t emos t rabalhado

em parceria com os est ados e municípios. O nosso pre-sent e desafi o é buscar imprimir uma gest ão adequada ao

Sist ema Único de Saúde, o que signifi ca enf rent ar o seu

subfi nanciament o crônico e proporcionar uma mudança

administ rat iva, que sej a mais efi cient e para a prest ação

de serviços à população.

Nesse cenário, bast a verifi car uma pesquisa

di-vulgada pelo IBGE (Inst it ut o Brasileiro de Geografi a e

Est at íst ica), no ano passado. A despesa de consumo fi nal

com bens e serviços de saúde, em 2005, f oi de R$ 171,6

bilhões. Desse t ot al, as f amílias gast aram R$ 103,2 bi-lhões, a administ ração pública, R$ 66,6 bilhões (3,1%), e

as inst it uições sem fi ns lucrat ivos, R$ 1,8 bilhão. Ou sej a,

o governo gast a pouco em saúde.

É nessa linha – da gest ão int eligent e, dos gast os

racionais, da valorização profi ssional, do cumpriment o de met as – que as polít icas de saúde vêm sendo

desen-volvidas. Eixos import ant es dest a ação est ão em t

rami-t ação no Congresso Nacional, como o proj erami-t o das

Fun-dações Est at ais de Direit o Privado e a regulament ação

da Emenda Const it ucional de nº 29. Enquant o o primeiro

est abelece parâmet ros sobre o que são gast os em saúde, garant indo a aplicação corret a de recursos para o set or

e t razendo novas f ont es de fi nanciament o para o set or, o

segundo cria uma nova fi gura j urídica que dará mais

agi-lidade e quaagi-lidade para os serviços de saúde,

principal-ment e aqueles relacionados aos hospit ais públicos, que deverão at ender por cont rat os de met as de at endiment o

e qualidade.

FGV PROJETOS - Quais os principais avanços percebidos?

Min. Temporão - O balanço é muit o posit ivo. As

pesso-as se esquecem como era o sist ema de saúde ant es da

implant ação do SUS. Há 20 anos, exist iam t rês t ipos de

brasileiros: uma part e da população rica, que podia

pa-gar diret ament e consult as, exames e int ernações; uma

out ra parcela, os t rabalhadores com cart eira assinada,

que t inha direit o à saúde pela Previdência Social; e a t erceira, f ormada pela maioria, que não t inha direit o a

absolut ament e nada, ou sej a, era obj et o da fi lant ropia

e da caridade.

Apenas em 1988, com a nova Const it uição e a

est rut uração do Sist ema Único de Saúde, t odos os bra-sileiros passaram a t er acesso à saúde como um direit o.

Um salt o de cobert ura de 30 milhões de pessoas para 190

milhões de pessoas, sendo que 80% delas at ualment e de-pendem exclusivament e do SUS para t er acesso aos

ser-viços de saúde. Isso, por si só, j á j ust ifi ca essa polít ica.

Assim, houve grandes avanços, que se expressam

por um aument o da cobert ura da população por polít icas

de saúde, como os programas Saúde da Família, Polít ica de Humanização, Samu (Serviço de At endiment o Móvel

de Urgência), acesso a medicament os de alt o cust o,

Bra-sil Sorrident e e DST/ AIDS, Programa Nacional de

Imuni-zação, Cont role do Tabagismo, ent re out ros avanços e

conquist as obt idos nesse período.

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t urais de implement ação de um proj et o da envergadura

do SUS, a abrangência e o impact o do SUS at ingiu marcos

recent es incont est áveis, em que se dest acam: 5.900

hos-pit ais credenciados, 64 mil unidades de at enção

primá-ria, 28 mil Equipes de Saúde da Família (ESF), realização de 2,3 bilhões de procediment os ambulat oriais, 15,8 mil

t ransplant es, 215 mil cirurgias cardíacas, 9 milhões de

procediment os de quimio e radiot erapia e 11,3 milhões

de int ernações.

FGV PROJETOS - E quais foram os principais benefícios

para a sociedade brasileira?

Min. Temporão - Temos respost as posit ivas como as

apont adas pela Pesquisa Nacional de Demografi a e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), realizada de dez em dez

anos e divulgada em j ulho de 2008. As polít icas sociais

implement adas no país result aram em signifi cat iva

me-lhoria de vida de mulheres e crianças, que passaram a

t er maior acesso aos serviços de saúde, assist ência médi-co-hospit alar, medicament os e mét odos cont racept ivos.

Nos últ imos dez anos, por exemplo, houve

redu-ção em mais de 50% da desnut riredu-ção das crianças menores

de cinco anos, além de um aument o no acesso a serviços

de saúde, programas de t ransf erência de renda e me-lhorias sociais, como t ambém um maior poder aquisit ivo

da população. Além disso, houve uma queda de 44% na

mort alidade inf ant il.

Analisando programas específi cos, há casos de

grande impact o com a Est rat égia do Saúde da Família. Ao

longo de seus 15 anos de exist ência, a ESF cont ribuiu sig-nifi cat ivament e para a melhora dos indicadores do país.

Nas áreas de maior cobert ura, permit iu a diminuição de

at endiment os hospit alares. Soment e para casos de AVC

(Acident es Vasculares Cerebrais), ent re 1998 e 2004,

houve uma redução de 28% no número de int ernações, em que a ESF cobre mais de 70% da população. Est udos

indicam que, a cada 10% de aument o na cobert ura

popu-lacional pelas equipes do programa, há uma redução de

4,6% na mort alidade inf ant il.

FGV PROJETOS - Em relação aos países mais

desenvol-vidos, onde ainda temos que avançar no aspecto da

gestão pública de saúde?

Min. Temporão - O país est á promovendo uma grande

refl exão e ação para modifi car a at enção à saúde da

po-pulação. Não é de hoj e que o modelo adot ado de cent ra-lização do at endiment o nos hospit ais é inadequado e não

se t raduz em cidadania e direit o à saúde. No mundo, os

sist emas de saúde universais de qualidade promoveram

a ampliação da promoção da saúde, da educação e da

dif usão de inf ormações. São modelos de países como In-glat erra, França, Espanha e Canadá, que implement aram

uma rede de at enção básica resolut iva e capaz de at

en-der at é 85% das necessidades de saúde da população.

No Brasil, t al medida é essencial ao nos def

ron-t armos com a realidade dos serviços of erecidos e mudan-ças dos hábit os da população, como na aliment ação e no

sedent arismo, e com o envelheciment o da população. A

sit uação pressiona o sist ema público com o peso de

do-enças crônicas, como diabet es, hipert ensão e cânceres,

e a responsabilidade de proporcionar um envelhecimen-t o aenvelhecimen-t ivo da população.

Essa mudança no at endiment o, que est amos

promovendo com programas como a Saúde da Família

e expansão da at enção básica, deve ser acompanhada

de novos inst rument os de gest ão. O Minist ério da Saúde

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ENTREVISTA

Direit o Privado para os hospit ais públicos. Est e modelo j á f az part e do cot idiano da

administ ração pública de países como Chile, Port ugal, França e Inglat erra, de f orma

bem-sucedida.

O modelo de Fundação Est at al propost o pelo Governo Federal consagra uma

mudança signifi cat iva no int erior da administ ração pública. Int roduz import ant e grau de aut onomia na gest ão, ao mesmo t empo em que aument am as exigências por

com-promissos com result ados. Finalment e, o modelo garant e cont role int erno e ext

er-no, de modo a assegurar aos cidadãos t ransparência na gest ão e responsabilidade

pelos result ados.

Essa mudança no at endiment o, que

est amos promovendo com programas

como a Saúde da Famíl ia e expansão da

at enção básica, deve ser acompanhada

de novos inst rument os de gest ão.

José Gomes Temporão

FGV PROJETOS - Existem estatísticas que mostram esse avanço no Brasil?

Min. Temporão- É import ant e dizer que o Brasil vem f azendo o seu dever de casa. Uma

pesquisa do Inst it ut o de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgada em j aneiro,

colocou o Brasil em primeiro lugar em efi ciência nos gast os com saúde, ent re 32 países pesquisados, a maioria deles desenvolvidos. Segundo o est udo, os invest iment os em

Saúde, no Brasil, produzem result ados melhores do que nos demais países analisados,

int egrant es da Organização para a Cooperação e Desenvolviment o Econômico (OCDE).

O relat ório do IPEA most ra que o Brasil est á no caminho cert o. Esses dados

de-monst ram que o SUS, as suas principais polít icas, as suas principais est rat égias e progra-mas, mesmo com o subfi nanciament o, consegue dar o ret orno para a sociedade brasileira.

No ranking dos dez mais efi cient es, o Brasil est á na f rent e de Turquia, México,

Hungria, Eslováquia, Polônia, Coréia, República Tcheca, Port ugal e, em últ imo lugar,

os Est ados Unidos. Dos 32 analisados, a Islândia recebeu a pior avaliação. O est udo,

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esperança de vida ao nascer para homens; esperança de vida ao nascer para mulheres;

índice de sobrevivência inf ant il; anos de vida recuperados para doenças t ransmissíveis;

anos de vida recuperados para doenças não t ransmissíveis; anos de vida recuperados

para causas ext ernas; t amanho da população; e a área geográfi ca.

A pesquisa indica que, no Brasil, o aument o de 1% no gast o per capit a f az com

que o número de mort es de crianças at é um ano diminua de 22 para 10 em cada 1.000.

E mais: um increment o de 1% no gast o per capit a gera um aument o de 5 anos na

espe-rança de vida do brasileiro.

Os países analisados f oram Alemanha, Aust rália, Áust ria, Bélgica, Brasil, Cana-dá, Coréia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Est ados Unidos, Finlândia, França, Grécia,

Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, It ália, Japão, Luxemburgo, México, Nova Zelândia,

Noruega, Polônia, Port ugal, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Suíça e Turquia.

FGV PROJETOS - O senhor defende uma nova modelagem institucional de gestão de

saúde, especifi camente com relação às Fundações Estatais de Direito Privado. Quais

as principais vantagens em sua opinião?

Min. Temporão - Essa nova fi gura j urídica t rará mais agilidade e efi ciência na

adminis-t ração de serviços presadminis-t ados à população. O proj eadminis-t o muda compleadminis-t amenadminis-t e a qualidade

do f uncionament o do serviço público e resolve problemas est rut urais, especialment e na área social.

Qual a realidade em que vivemos hoj e? Um quadro de profi ssionais desmot

iva-dos, com salários baixos e, em diversas sit uações, com condições indignas e cont rat os

precários. Os gest ores, por sua vez, vivem desapont ados com um modelo que não

res-ponde às suas necessidades como administ radores de recursos públicos.

Dispomos de f ormas precárias e, muit as vezes, irregulares de cont rat ação de pessoal nos hospit ais públicos. Por meio de met as de prest ação de serviços e de

quali-dade, a Fundação Est at al de Direit o Privado f avoreceria à regularização dessa sit uação.

Em princípio, esse proj et o at ingiria cerca de 200 hospit ais f ederais ligados aos

Minist érios da Saúde e da Educação. O vínculo com o Minist ério permanece, com met as

claras est abelecidas no cont rat o de gest ão. Com a adesão de est ados e municípios, essa modalidade de administ ração pode at ingir at é 2.000 hospit ais, dos mais de 5.000

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ENTREVISTA

FGV PROJETOS - Há cerca de um ano esse assunto estava em pauta, tanto nas

discus-sões da área de saúde quanto na imprensa, mas hoj e não mais. O governo pretende

retomar essa questão?

Min. Temporão - A def esa do proj et o que cria as Fundações Est at ais de Direit o Privado

nunca f oi abandonada. Assim como a regulament ação da Emenda Const it ucional 29 –

que defi nirá o que são gast os em saúde – o proj et o est á ent re os it ens priorit ários de

nossa paut a no Congresso Nacional para est e ano.

A gest ão do sist ema é um dos desafi os que t emos que enf rent ar para cont inuar

ampliando a cobert ura e o acesso dos brasileiros às polít icas e t ambém a qualidade do serviço of erecido à população. Est amos conscient es da necessidade de melhorar a

qualidade do gast o e encont rar arranj os e est rat égias inst it ucionais que permit am usar

melhor os recursos exist ent es.

O proj et o de lei que cria as Fundações Est at ais é j ust ament e uma das respost as

para esse gargalo. Para os hospit ais públicos, são est rut uras mais dinâmicas, com con-curso para cont rat ação de pessoal em regime de CLT, e f ormas de licit ação para compra

de mat eriais e equipament os, com mais agilidade. At enderá ao int eresse est rit ament e

público, por meio de cont rat o que est abelece quant idade de at endiment os e qualidade

do serviço.

FGV PROJETOS - Como está o proj eto de lei que tramita no Congresso para a criação

das Fundações Públicas de Direito Privado?

Min. Temporão - O proj et o de lei complement ar que cria as Fundações Est at ais de

Direit o Privado (PLP 92/ 2007) j á f oi aprovado em t odas as comissões por onde t ramit ou

na Câmara dos Deput ados, e aguarda vot ação em Plenário.

FGV PROJETOS - Existem experiências relevantes nesse sentido no Brasil?

Min. Temporão - Pelo menos cinco est ados brasileiros – Acre, Bahia, Pernambuco, Rio

de Janeiro e Sergipe – j á t êm proj et os de Fundação Est at al em andament o. São proj

e-t os muie-t o ine-t eressane-t es. Na Bahia, por exemplo, o modelo será ue-t ilizado e-t ambém para

expandir a at enção básica.

Esse é exat ament e o obj et ivo da Fundação Est at al Saúde da Família (FESF),

anunciada pelo governo da Bahia como mecanismo para qualifi car a est rat égia no

es-t ado. Nesse modelo, a f undação será responsável pelo planej amenes-t o de concursos,

dist ribuição das equipes, mobilização, avaliação, remuneração e educação permanent e

dos profi ssionais.

Em visit a recent e que fi z à Bahia, recebi do Secret ário de Saúde do Est ado,

Jorge Solla, a inf ormação de que pelo menos 170 municípios baianos manif est aram

int eresse em aderir a esse modelo de gest ão, dos quais 55 j á aprovaram legislações que

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FGV PROJETOS - O estado do Rio de Janeiro foi um dos pioneiros na aprovação de

criação das Fundações Estatais de Direito Privado. Tendo em vista o seu amplo

conhecimento a respeito do sistema de saúde pública do Rio de Janeiro, qual sua

opinião sobre esse proj eto?

Min. Temporão - Venho acompanhando as discussões sobre o proj et o de Fundações

Est at ais no Rio de Janeiro, que t êm por mérit o propor uma solução para um problema

que não diz respeit o apenas àquele est ado: a impossibilidade de criar condições para

que o est ado of ereça a seus profi ssionais salários e condições compat íveis com a rea-lidade de mercado, que gera ainda um número absurdo de cont rat ações t emporárias

sem crit ério algum.

Recordo-me de ouvir, por diversas vezes, do Secret ário de Saúde do Rio de

Ja-neiro, Sérgio Côrt es, queixas sobre o esvaziament o de profi ssionais qualifi cados,

causa-do pela baixa remuneração e pelo abuso na cont rat ação de mão-de-obra t erceirizada, sem a menor prest ação de cont as ao poder público.

É import ant e dest acar t ambém que, a despeit o de experiências t ão int

eressan-t es que eseressan-t ão sendo desenvolvidas no País, as Fundações Eseressan-t aeressan-t ais de Direieressan-t o Privado não

são um modelo exclusivament e brasileiro. O proj et o que t ramit a na Câmara dos

Depu-t ados Depu-t raz para o esDepu-t ado inovações que esDepu-t ão sendo experimenDepu-t adas em ouDepu-t ros países,

como cit ei ant eriorment e – Chile, Port ugal, França e Inglat erra.

No caso específi co da saúde, t enho a convicção de que as f undações vão

con-t ribuir para a expansão dos serviços públicos e para dar agilidade e con-t ransparência ao

padrão de gest ão.

No caso específi

co da saúde, t enho

a convicção de que as f undações

vão cont ribuir para a expansão dos

serviços públ icos e para dar agil idade e

t ransparência ao padrão de gest ão.

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ENTREVISTA

RESUMO

Desde a criação da nova Const it uição Federal do

Brasil, aprovada em 1998, o Set or de Saúde t em

pas-sado por sucessivas ref ormas com o obj et ivo primordial

de aperf eiçoament o do sist ema, visando à of ert a de um at endiment o mais efi cient e e amplo que at enda as

ne-cessidades de t oda a população. O principal programa

criado com a aprovação da Cart a Const it ucional e

imple-ment ado em âmbit o f ederal é o Sist ema Único de Saúde

(SUS), com a missão de possibilit ar o acesso de t odos os brasileiros à saúde, como um direit o do cidadão e um

dever do est ado.

A implement ação desse sist ema viabilizou a

ampliação de programas de saúde, mas o set or ainda

enf rent a desafi os consideráveis nos aspect os,

princi-palment e, est rut urais. Os principais problemas ident ifi -cados se encont ram no âmbit o do subfi nanciament o e da

qualidade da gest ão, verdadeiros obst áculos à ampliação

da cobert ura e do acesso às polít icas que acabam por

compromet er a qualidade do serviço prest ado.

ABSTRACT

Since t he approval of t he New Brazil ian Federal Const

i-t ui-t ion in 1988, i-t he heal i-t hcare sysi-t em has seen

succes-sive ref orms aiming at improving it s organizat ion and

of f ering a more effi cient and comprehensive service t hat woul d meet t he needs of t he ent ire popul at ion.

The main program creat ed under t he aegis of t he Const

i-t ui-t ional Chari-t er and impl emeni-t ed ai-t f ederal l evel is i-t he

Nat ional Unifi ed Healt hcare Syst em (SUS), wit h t he

mis-sion of ensuring t o al l Brazil ians access t o heal t hcare, as a civil right and a dut y of t he st at e.

The syst em’s impl ement at ion f ost ered t he

ex-pansion of heal t hcare programs, but t he heal t h sect or

st il l f aces considerabl e chal l enges, especial l y as t o it s

st ruct ure. The core probl ems rel at e t o underf unding and t he qual it y of administ rat ion, which are maj or

ob-st acl es t o t he depl oyment of heal t hcare and access t o

pol icies and end up compromising t he qual it y of t he

service provided. In an int erview wit h “ Cadernos FGV

Proj et os,” Dr. Paul o Sérgio Barros Barbant i, chairman of Chairman of t he Not re Dame Int ermédica Group

Paulo Barbanti

President e do Grupo Not redame Int ermédica

Entrevista com Paulo Barbanti

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Em ent revist a ao “ Cadernos FGV Proj et os” , o Dr. Paulo

Sérgio Barros Barbant i, president e do grupo Not re Dame Int ermédica, maior empresa brasileira do set or de planos

de saúde em número de usuários, f az uma análise do

desenvolviment o do set or, abordando est as quest ões de

âmbit o est rut ural e apont ando perspect ivas para o

aper-f eiçoament o da est rut ura vigent e no país.

Barbant i f undou o Grupo Not redame Int ermédica há 30 anos, sendo seu at ual president e. É Membro do

MBC, do Conselho da ADVB e do Conselho de

Ex-Presi-dent es da Alami. Foi membro do Conselho Nacional de

Saúde (1991-1994), da Câmara de Saúde Suplement ar

(1998-1999) e diret or da FIESP-Federação das Indúst rias do Est ado de São Paulo (1989-1991).

t he Not re Dame Int ermédica Group, t he l argest Brazil

-ian company in t he heal t h insurance sect or in number of users, anal yses t he devel opment of t he segment by

addressing t hose st ruct ural issues and highl ight ing pros-pect s f or improving it s present confi gurat ion.

Barbant i f ounded t he Not re Dame Int ermédica

Group 30 years ago, and is it s current chairman. He is al so a member of MBC (Movement f or Compet it ive

Brazil ), of t he Council of ADVB (t he Brazil ian Sal es and

Market ing Leaders Associat ion) and t he Council of

For-mer President s of Al ami (Lat in AFor-merican Privat e Heal t

h-care Syst em Associat ion). He is a f ormer member of t he Nat ional Heal t h Council (1991-1994), of t he Board of

Suppl ement ary Heal t hcare (1998-1999) and direct or of

FIESP – t he Federat ion of Indust ries of São Paul o St at e

(1989-1991).

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ENTREVISTA

GVsaúde - Como o senhor analisa o setor de saúde no Brasil e a parceria entre os

setores público e privado?

Paulo Barbant i- O mix público-privado é a melhor f orma de alinhament o de ações na

busca de resolver os problemas de saúde do país. Sob est a premissa é que a polít ica nacional de saúde dos países deveria se alinhar. E, num cert o sent ido, est ão assim

alinhadas. É claro que ist o não ocorre nos EUA. No Brasil, não seria dif erent e, eleger o

mix como a solução, porém, mesmo que o f osse, deveria vir despido de qualquer “

ide-ologização” , de f orma que posições radicais não nort eassem as ações.

GVsaúde - Nesse mix público-privado, quais atribuições fi cam mais a cargo do

Esta-do e quais fi cam mais com o setor privado?

Paulo Barbant i - Eu não saberia defi nir ao cert o. Mas, por exemplo, o que o Est ado f az

bem? O Est ado f az bem t oda a vigilância, ent ão, não é o caso do privado int ervir. E t oda

a imunização t ambém, vist o que, sob a iniciat iva do Est ado, erradicamos uma série de

doenças. O Est ado é import ant e para preservar o conceit o de saúde pública. O privado, mesmo no mix, deve t rabalhar dent ro desse conceit o, de medicina social.

A divisão exist e, mas não alt era o conceit o. O privado deve t omar a iniciat iva

em áreas em que o Est ado não at ua. Por exemplo, os planos dif erenciados de saúde

de-sobrigam o Est ado. E é bom que o privado f aça, porque o Est ado t em que se preocupar

com a base da pirâmide.

GVsaúde - Então, na sua opinião, a atenção primária fi caria por conta do Estado?

Paulo Barbant i - Não, vej amos pela nossa experiência. Desenvolvemos um bom t

ra-balho numa população muit o grande. Assumimos os cuidados primário, secundário e o

t erciário. Eu acho que t ant o o privado quant o o público podem assumir responsabili-dades.

GVsaúde - Como está a oferta de serviço de saúde? Está sendo cumprida a proposta

de ressarcimento por parte do setor privado ao SUS, nas situações em que o SUS

atende um paciente com plano de saúde?

Paulo Barbant i - O mercado t em ressarcido muit o pouco. Primeiro, porque se discut e

a const it ucionalidade da medida. Do pont o de vist a do cidadão, ele paga dois planos de

saúde, um público e out ro privado. E t em direit o de usar os dois. No privado, ele t em

um limit e, porque não comprou um plano universal, que cubra t udo. Há uma área de

abrangência. A pessoa comprou um plano com uma det erminada rede e abrangência

aut orizadas pela Agência Nacional de Saúde. Se o indivíduo f az uso de out ras conve-niências, o problema não é de quem vendeu o plano. Por que, ent ão, usa o SUS? Por

muit os mot ivos. Pode ser que haj a uma rede mais pert o de casa, pode ser que conheça

o médico e se ident ifi que com ele.

Considerando a rede SUS como est á, desenhamos uma propost a, muit o int

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para as quais não há encaminhament o. Agora, nesses

ca-sos imprevisíveis que acont ecem, não por culpa da

ope-radora ou do Est ado, em vez de ser um valor variável,

propusemos que f osse um percent ual do f at urament o.

Não um valor fi xo: um real, dois por usuário, mas um percent ual do f at urament o.

GVsaúde - De que forma podemos apresentar ao

usuá-rio os serviços aos quais tem direito?

Paulo Barbant i - Procuramos indicar o plano dent ro do

que ele pode usar, most rar a est rut ura à qual ele pode t er

acesso, at ravés de manuais de orient ação, palest ras et c.

GVsaúde - E, então, como educar esse usuário?

Paulo Barbant i - A educação do usuário é f undament al.

Nós procuramos educar na ut ilização do serviço, at

ra-vés de cont eúdo inf ormat ivo disponibilizado em diversos

meios de divulgação. O plano não é para impedir

aces-sibilidade. Muit o pelo

con-t rário, porque dar acesso

e qualidade reduz cust o, além de, f undament

al-ment e, melhorar a

quali-dade de vida das pessoas.

GVsaúde - Como você

disse, não só o Estado

deve fazer saúde

públi-ca, como também não só

o privado deve fazer f ee

f or service. Há anos,

diz-se que o f ee f or service

vai acabar, no entanto, quase tudo continua mais ou

menos nesse modelo. Qual a sua opinião sobre isso?

Paulo Barbant i - O f ee f or service é a f orma encont rada

pelo Est ado para comprar serviço. O Est ado não est á

pro-curando f ormas alt ernat ivas de comprar serviço. Ele po-deria minimizar o cust o, deixando uma part icipação mais

f ort e da iniciat iva privada, at ravés do plano de saúde.

GVsaúde - Mas, hoje, o setor privado não usa fee for service ?

Paulo Barbant i - Usa, mas muit o pouco. Por exemplo, há

operadoras que em t ese vendem planos mais elit izados.

Já out ras at endem basicament e a população C, D. Hoj e, no set or privado, o f ee f or service é mais comum nas

compras de serviços das operadoreas de planos de saúde

classe A.

GVsaúde - De onde vem, então, a arrecadação para

cobrir todo esse gasto com saúde?

Paulo Barbant i - Hoj e, vem part e do público e part e

do privado. E t odo mundo sabe que as f ont es de cust eio

deixam a desej ar.

GVsaúde - Você acredita que no futuro a área da

saú-de passará a ter uma gestão profi ssionalizada? Há

diferença entre ser da área de saúde e ser gestor

de saúde?

Paulo Barbant i - O ideal

seria que o gest or t ivesse f ormação em saúde, ou o

médico com capacidade

de gest ão, mas é dif ícil

encont rar alguém com

f ormação em saúde e ges-t ão. Valem as duas coisas.

Tivemos alguns

adminis-t radores que aprenderam

algumas coisas, sabem

enxergar e indicar qual

médico deve gerenciar uma det erminada área ou est rut ura. Hoj e há carência de

recursos humanos na área.

GVsaúde - Há semelhança entre o raciocínio

empreen-dedor e médico?

Paulo Barbant i - Acho que a criat ividade é um dom do

médico, é uma art e. O diagnóst ico exige muit o a j unção

de f at os, criar dent ro do que exist e. Uma empresa é a

O mix públ ico-privado

é a mel hor f orma de

al inhament o de ações

na busca de resol ver os

probl emas de saúde do

país. Sob est a premissa é

que a pol ít ica nacional de

saúde dos países deveria

se al inhar.

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ENTREVISTA

mesma coisa. É igual a um ser humano. Você t em que mant ê-la saudável, e ela t ambém

envelhece. Você t em que mudar as pessoas, t em que est ar permanent ement e criando

out ras f órmulas. Quando j unt am as duas coisas, por ser a mesma at ividade, você t em

mais element os para t rabalhar, t em mais argument o para discut ir, mais propost a para f azer em t ermos de inovação... O f at o de ser do mesmo ramo só cont ribui.

GVsaúde - E o relacionamento das empresas com os prestadores?

Paulo Barbant i - Eu acho que a relação melhorou ent re os prest adores e os hospit ais,

há mais diálogo e ent endiment o.

GVsaúde - Existe um Programa de Qualifi cação na área de saúde suplementar. Você

acredita que esta iniciativa vá funcionar?

Paulo Barbant i - Tudo vai aj udar se f or nessa direção. Cont udo, deve-se t rabalhar

den-t ro de um conceiden-t o puramenden-t e capiden-t alisden-t a ou pensando puramenden-t e na melhora da rede

de at endiment o que você of erece? Ou, ainda, of erecendo assist ência à saúde? Est as quest ões devem ser ponderadas.

GVsaúde - O que muda com a aprovação da nova lei?

Paulo Barbant i - Você t erá port abilidade em t udo e em saúde t ambém. A lógica

econô-mica deve andar j unt o com a lógica social nesse t ipo de at ividade. Não é possível que uma empresa que t rabalha com saúde, com medicament o, com equipament o, t enha

a mesma lógica capit alist a de quem f az paraf uso. É uma área dif erent e das demais,

port ant o, t em que ser pensada de f orma dif erent e. Isso não é um pensament o nem

neoliberal nem socialist a, é preciso unir os dois pensament os.

Não adiant a abrir um hospit al, se não invest ir na melhoria da gest ão em saúde. O result ado fi nanceiro é subprodut o.

O que acont ece na ANS? Se eles pensarem com a cabeça de seguradora, vão

f azer um t ipo de legislação. Se pensarem como plano médico irão f azer out ro. As

ne-cessidades são dif erent es. Deveria ser uma coisa única, ou sej a, t odos deveriam t er

manut enção da saúde, preservação da saúde e recuperação. E essa propost a você não

encont ra em um país que só privat iza. Nos EUA, eles f azem prevenção, mas não t êm a preocupação int egral da assist ência em saúde. Aqui, você t em os element os para f azer

isso e mont ar uma est rut ura de seguro público-privado. É preciso ampliar um pouco esse

lado conceit ual.

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Claudia Valentina de Arruda Campos

Administ radora de empresas, psicóloga, mest re

em administ ração pela EAESP, consult ora

FGV Proj et os.

Business Administ rat or, Psychol ogist , MBA f rom

EAESP, Consul t ant f or FGV Proj et os.

Dimensionamento de recursos humanos

em saúde ou a vida como ela é

Ana Maria Malik e Claudia Valentina de Arruda Campos

RESUMO

O art igo t raz algumas quest ões sobre a ut

i-lidade, os limit es e as pot encialidades de se

desenvolver um cálculo de pessoal para ser-viços de saúde em geral e hospit ais em part

i-cular. Aborda as necessidades e expect at ivas

dos gest ores e a exist ência de parâmet ros, as

variáveis a serem consideradas e os cust os em

que se incorre em processos de t ent at iva e

erro. Além disso, discut em-se compet ências, a legislação e as necessidades de adapt ação

de f ormas de quant ifi cação provenient es de

realidades dif erent es. Finalment e, dá-se

des-t aque à impordes-t ância do papel do gesdes-t or para

o sucesso de qualquer quadro defi nido.

ABSTRACT

The art icle addresses some issues on ut ilit y,

boundaries and pot ent ialit y when calculat ing

t he demands on personnel f or healt h services in general and hospit als in part icular. It

dis-cusses administ rat ors’ needs and expect

a-t ions, as well as a-t he exisa-t ence of paramea-t ers,

t he variables t o be considered and t he cost s

incurred in t rial and error procedures. It also t ackles compet ences, legislat ion and t he

need t o adapt quant ifi cat ion syst ems deriv-ing f rom dif f erent realit ies. Last ly, it st resses

t he import ance of t he administ rat or’s role in

t he success of any given sit uat ion.

ARTIGO

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Ana Maria Malik

Dout ora pela USP, Mest re pela FGV-EAESP,

Prof essora da FGV-EAESP e Coordenadora

do GVsaúde.

PhD f rom USP, Mast er’s f rom FGV-EAESP,

Prof essor at FGV-EAESP and Coordinat or

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ARTIGO

SONHAR MAIS OU UM SONHO IMPOSSÍVEL

Os gest ores, ent re os quais est ão os da área da saúde,

procuram alguns números gerais absolut ament e

imváveis de serem obt idos. Alguns deles t êm a ver com

pro-dut ividades ót imas, out ros com result ados assist enciais.

Out ros se preocupam com os cust os, com a ut ilização de dif erent es it ens de consumo, não necessariament e

con-t roláveis, por mais que se con-t encon-t e. Ou ainda com quancon-t os

pacient es podem chegar em um dado período, como se a

procura dos pacient es pudesse ser cont rolada.

Um dos números mais desej ados se relaciona à ut opia de um quadro de pessoal que sirva para hospit ais

e/ ou para ambulat órios, laborat órios e qualquer out ro

t ipo de unidade. Em primeiro lugar, serviços públicos

t rabalham com lot ações dif erent es das dos privados.

Serviços de alt a complexidade requerem número e t

i-pos de f ormação dif erent es dos de complexidade mais baixa. Inst alações que f uncionam durant e as 24 horas

do dia t êm necessidades dif erent es das que f uncionam

em horário comercial. A f orma de organização t ambém

infl uencia, porque é dif erent e operacionalizar o

con-ceit o de plant onist as (profi ssionais que cumprem t oda sua carga horária semanal num único dia) ou a ideia de

horizont alidade, em que as pessoas t rabalham na

uni-dade t odos os dias (pelo menos t odos os dias út eis) da

semana. Finalment e, a est rat égia adot ada infl uencia na

quant idade de pessoas necessárias para o f

uncionamen-t o de uma organização, uncionamen-t anuncionamen-t o no seuncionamen-t or público quanuncionamen-t o no

privado. Em segundo lugar, exist em as cult uras de cada

serviço, que admit em suas peculiaridades. Há lugares em

que f alt as e at rasos são aceit os, lugares onde f olgas são

vist as como alt ernat ivas de remuneração, serviços onde há horários de caf é mais ou menos longos, usados com

diversas fi nalidades.

Ainda vale a pena lembrar a exist ência de

servi-ços que cont rat am pessoas f ísicas e out ros que cont

ra-t am empresas. Esra-t as são conra-t roladas e remuneradas por meio de indicadores de produt ividade e não por head

count. E t razem para a cont rat ant e uma série de

carac-t eríscarac-t icas dif erencarac-t es, no que diz respeicarac-t o à aucarac-t oridade,

liderança, responsabilidade, cult ura e out ras quest ões

pert inent es à gest ão de pessoas, t ranscendendo os

as-pect os de quadro de pessoal.

Est abilidade de f uncionários ou cont rat ações

t emporárias, direit os t rabalhist as levam a result ados

dif erent es no cálculo do número de t rabalhadores. Em

alguns países, exist e uma possibilidade maior de unif

or-mização desses cálculos, porque em vez de se quant ifi car f uncionários que t rabalham com o conceit o de f ul l -t ime

equival ent, leva-se em consideração a quant idade de

pessoas que seria necessária, caso t odos f ossem cont

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O MUNDO DA SAÚDE OU O PALCO ILUMINADO

As unidades em que se prest am serviços na área de assist ência à saúde cost umam ser

qualifi cadas como locais onde há pessoas cuidando de pessoas. Aceit ando est a

premis-sa, pode-se dizer que cuidar de gent e t oma mais t empo que f uncionar numa linha de mont agem, porque a est eira não pede t empo para descansar, nem requer explicações,

enquant o que pacient es podem querer repousar ent re procediment os, ir ao banheiro,

se queixar, t irar dúvidas. Por out ro lado, os cuidadores podem t er difi culdades com

alguns pacient es e não com out ros, por diversos mot ivos. E há quem sej a hábil e quem

t enha problemas de dest reza, embora sej a t alent oso para cuidar.

Exist em padrões int ernacionais cuj a origem se perde. Assim, a duração de uma consult a para um pacient e de ret orno no modelo de assist ência do Nat ional Healt h

Service (NHS) brit ânico, medida há muit os anos, é mult iplicada pelo número de vezes

em que est e t empo cabe no período út il de uma unidade. Est e número compõe o t ot al

de pacient es a at ender durant e um período, independent e do t empo que o profi ssional

passe no serviço. Indicadores de horas de cuidado para pacient es em dif erent es t ipos de unidade, pensados numa t ecnologia específi ca, se t ornam o credo de uma profi ssão

ou de uma palavra de ordem (como o assunt o humanização).

Falar em assist ência ao part o, por exemplo, em t ermos de t empo de cuidado,

é dif erent e quando se ref ere a part o normal ou a part o cesáreo. Mesmo quando se f ala

em part o normal, há diversos t ipos, que requerem mais ou menos pessoas para prest ar at enção, um conj unt o maior ou menor de compet ências j unt as e, consequent ement e,

um número relat ivo de horas de profi ssionais.

A compet ência e a experiência de quem t rabalha f azem dif erença na quant ifi

-cação de horas por produção. O exercício da supervisão consome t empo, a at ividade de

acompanhament o de alunos ou de visit ant es, a necessidade de checagem dos procedi-ment os, o t ipo de plant a f ísica exist ent e, a disponibilidade ou não de comput adores,

e se eles est ão ou não em rede, at é mesmo o número e o est ado de manut enção dos

elevadores f az dif erença na necessidade de pessoal nas diversas unidades. Todas essas

caract eríst icas implicam dif erent es necessidades de deslocament o, de t empo de

movi-ment ação, de at ividades realizadas.

A quant ifi cação do quadro, por out ro lado, t em um aspect o mais concret o, que é o quant o ela signifi ca em t ermos de recursos fi nanceiros, mais diret ament e salários

e encargos. Há quem pense em reduzir est e t ipo de cust o, por meio de cont rat ação de

empresas, cooperat ivas e out ros prest adores de serviço (indivíduos ou organizações).

As pessoas se esquecem que com est e t ipo de solução pode haver maior risco de ações

j udiciais, gerando cust os inesperados. As pessoas se esquecem dos cust os das demis-sões, dos t reinament os, dos processos de recrut ament o, do grau de compromet iment o,

(24)

ARTIGO

No Brasil, exist em diversas leis regulando e regulament ando as cargas horárias de

di-f erent es cat egorias profi ssionais. Por exemplo, médicos e prof essores podem t er dois

empregos públicos. Técnicos de Raios X, ent re out ros, t êm uma legislação que cuida

de quant as horas eles podem passar pert o de uma f ont e de radiação e quant as horas eles devem passar dist ant es dela. No ent ant o, com isso, não se discrimina quant os

empregos o mesmo profi ssional pode t er. Ele acaba, port ant o, submet ido a mais riscos

do que deveria. Na enf ermagem, há possibilidades de t rabalhar qualquer número de

horas semanais ent re 20 e 44, sendo que cada somada t raz vant agens e desvant agens.

E a carga horária não signifi ca necessariament e horas de cuidado prest ado. Há países

em que o cont rat o de t rabalho especifi ca, por exemplo, 40% do que seria o período in-t egral; nesin-t e caso, sabe-se que a insin-t iin-t uição conin-t ará com o in-t rabalhador esin-t e número de

horas. Exist e a fl exibilidade de se modifi car os cont rat os. Aqui, com muit a f requência

se ut iliza a prát ica das horas ext ras (mesmo sem necessidade), como uma f orma de

aument ar venciment os, sem mexer na f olha de pagament os f ormal.

Ainda exist e no país a prát ica de algumas cat egorias profi ssionais serem obriga-das a bat er cart ão de pont o, enquant o que out ras mal se consideram obrigaobriga-das a est ar

present es no local de t rabalho. E, nest a circunst ância, t endo em vist a a baixa qualifi

-cação de gerent es, f at o relat ivament e comum no set or, presença não necessariament e

se t raduz em t rabalho. O médico, profi ssional considerado crít ico, por ser em f unção

de sua at ividade que se incorre na maior part e dos cust os do set or, e, ao mesmo t empo, por ser est e o profi ssional em f unção de quem são geradas boa part e das receit as, pode

ser cont rat ado como pessoa f ísica, pessoa j urídica, por int ermédio de empresas (aqui

sendo considerado um f uncionário), mas t ambém pode ser usuário das inst alações e

equipament os disponíveis (o t ermo em inglês para isso é t er inst it ut ional privil eges).

Nest a últ ima condição, ele não apenas cost uma receber t rat ament o de client e pre-f erencial, int erpre-f erindo nos processos e nos seus cont roles, como ainda assume uma

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C A D E R N O S F G V P R O J E T O S : G E S T Ã O E S A Ú D E 2 24 | 25

ASSISTÊNCIA À SAÚDE NÃO É SÓ VOCAÇÃO

OU A CESAR O QUE É DE CESAR

O set or da saúde é, por defi nição, mult iprofi ssional.

Cont udo, ist o não é sinônimo de t rabalho em equipe,

como muit os acredit am. Trat a-se de uma at ividade na qual muit os conheciment os são requeridos, em f unção

de muit as áreas de conheciment o. Exist e a f ant asia de

que para se t rabalhar com saúde, a f ormação deva ser

de alt o nível, bem como o grau de especialização. A

ob-servação do cot idiano most ra, porém, que há pessoas semialf abet izadas t rabalhando, que a educação

perma-nent e não é a norma, e que, ao mesmo t empo, há muit as

especialidades e subespecialidades difi cult ando a

aplica-ção do princípio básico da divisão de t rabalho.

Quant ificar t rabalhadores num hospit al, por

exemplo, pode signifi car seguir t odas as legislações e normas de conselhos profi ssionais. No ent ant o, os

con-selhos t êm seus obj et ivos, que não necessariament e se

coadunam com os da gest ão dos serviços. Cada um t

en-de a en-def enen-der a prát ica profi ssional dos seus afi liados.

Considerando que nos serviços de saúde há profi ssionais

fi liados a diversos conselhos, alguns diret ament e relacio-nados ao set or e out ros provenient es de dif erent es áreas

de t rabalho, não necessariament e volt ados à cult ura dos

serviços, cabe sempre uma dúvida em relação a qual será

o limit e da quant idade de pessoas/ profi ssionais que a or-ganização comport a.

Um dos out ros pont os de vist a plausíveis para a quant

i-fi cação de pessoal é o da gest ão de nível cent ral, que

t ende a t ent ar reduzir (racionalizar?) est e número. Ou o da gest ão local, que olha para a sit uação cot idiana, ou

sej a, considera a idade dos at uais ocupant es das

posi-ções exist ent es, sua capacit ação real, seu f

uncionamen-t o na culuncionamen-t ura vigenuncionamen-t e. Pode ser que o número realmenuncionamen-t e

necessário não sej a nem aquele preconizado pela lei, nem o def endido pelo chef e da unidade, nem o do

dire-t or do serviço.

Os algorit mos de cálculo exist ent es podem, t

o-dos, ser considerados adequados. No ent ant o, eles não

devem ser considerados como verdade absolut a, porque

sua ut ilidade depende de t odas as condições nas quais se encont ra o local em que serão aplicados. Dependem,

ainda, dos gerent es, das quant idades de recursos

dispo-níveis e, acima de t udo, do serviço que se quer prest ar.

Se o que se busca é pleno emprego, as variáveis

colo-cadas nos algorit mos devem responder a est e obj et ivo. Se o int eresse é prest ação de alt a qualidade t écnica, é

preciso rever especialidades, subespecialidades e

capa-cit ações (e at é prever pessoas a mais, para haver t empo

para educação cont inuada no serviço). Se o int eresse é

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CONCLUSÃO OU ALÉM DO ARCO-ÍRIS

Em resumo, é possível quant ifi car necessidades de recursos humanos. Para que a

quan-t ifi cação f aça sent ido, quem encomenda deve t er claras as premissas com as quais

t rabalha. Ao mesmo t empo, quem f az a planilha de quant ifi cação precisa reconhecer os limit es de seu inst rument o e garant ir que os gest ores e gerent es que virão a ut ilizá-la

t ambém os conheçam.

Nada subst it ui a compet ência, o compromet iment o, o olhar dos gerent es sobre

o f uncionament o das pessoas e dos processos sob sua responsabilidade na organização.

Há muit as t écnicas possíveis e muit os modelos aceit áveis. O t omador de decisões deve saber o que ele quer e, dessa f orma, as bases de cálculo serão út eis. Conhecida a base

de cálculo, a causa dos result ados pouco sat isf at órios observados nos serviços poderá

ser compreendida. Ist o pode levar a mudanças na t abela, na quest ão pont ual do t

raba-lho ou na organização como um t odo.

Não é possível f echar os olhos para o f at o de os inst rument os nunca serem neut ros. As variáveis, port ant o, que se colocam numa planilha de cálculo respondem

à lógica de quem as colocou, mesmo que elas não sej am explícit as. Porque, aliás, elas

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C A D E R N O S F G V P R O J E T O S : G E S T Ã O E S A Ú D E 2 26 | 27

ARTIGO

Irineu Frare

Mest re em administ ração Pública pela EBAPE - FGV. Prof

es-sor nos cursos de Pós-graduação da FGV, prof eses-sor-t ut or da

FGV Online e consult or da FGV Proj et os.

Elaine Santiago Simmer

Médica - Assessora Técnica Especial da Secret aria de

Est ado de Saúde e Def esa Civil, Coordenadora do Proj et o

Fundações Est at ais - SESDEC/ RJ, Mest re em Polít icas e

Planej ament o em Saúde - UFRJ, Pesquisadora IESC - UFRJ e

Técnica da Área de Gest ão - Minist ério da Saúde.

Mast er’s in Publ ic Administ rat ion f rom EBAPE - FGV.

Prof essor of Post -Graduat e courses at FGV, Tut or Prof essor

at FGV Onl ine and Consul t ant f or FGV Proj et os.

Mast er’s in Healt hcare Policy and Planning - UFRJ,

Physician – Special Technical Advisor t o t he St at e Healt hcare

and Civil Def ense Depart ment , Coordinat or of t he St at e

Foundat ions Proj ect - SESDEC/ RJ, Researcher at IESC – UFRJ,

and Management Technician wit h t he Minist ry of Healt h.

Fundações estatais de direito privado:

a experiência do Rio de Janeiro

Irineu Frare e Elaine Santiago Simmer

RESUMO

Esse art igo apresent a a experiência do Proj et o de

Cria-ção das Fundações Est at ais de Direit o Privado,

desenvol-vido pela Secret aria de Saúde e Def esa Civil – SESDEC com apoio da FGV Proj et os. Foram 15 meses de t

raba-lho e est udos que result aram em uma modelagem

or-ganizacional, j urídica e operacional que est abelece as

bases para uma gest ão em saúde mais descent ralizada,

dent ro de uma lógica de cont role por result ados,

visan-do ef et iva melhora na at enção à saúde. Desse movisan-do, o art igo versa sobre as premissas e a met odologia que

sus-t ensus-t aram o desenvolvimensus-t o do sus-t rabalho, os principais

desafi os encont rados, os result ados mais import ant es

e as perspect ivas para o processo de implant ação, ora

em andament o.

ABSTRACT

This art icl e describes t he experience of t he Proj ect f or

t he Creat ion of Privat e Right s St at e Foundat ions,

de-vel oped by t he Heal t hcare and Civil Def ense Secret ar-iat (SESDEC), wit h support f rom FGV Proj et os. Fif t een

mont hs of work and st udy resul t ed in a l egal , operat ional

and organizat ional model t hat l ays t he f oundat ions f or

more decent ral ized heal t hcare administ rat ion, wit hin a

resul t -cont rol l ed scope t hat aims at ef f ect ivel y improv-ing heal t hcare. The art icl e al so discusses t he premises

and met hodol ogy support ing t he work, t he main chal

-l enges, t he most import ant resu-l t s and t he prospect s f or

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ARTIGO

CONTEXTO DA ORIGEM DAS FUNDAÇÕES ESTATAIS DE DIREITO PRIVADO

O modelo de administ ração pública diret a ao longo dos anos most rou-se incapaz de

acom-panhar as const ant es demandas, apresent ando part icular difi culdade em ampliar a capaci-dade de f uncionament o das suas Unicapaci-dades de Saúde e de se adapt ar à nova realicapaci-dade, sem

abrir mão dos princípios do Sist ema Único de Saúde (SUS).

No início de 2005, o Governo Federal reconhecendo que o Est ado brasileiro est ava

def asado, no que se ref ere a usar inst rument os gerenciais que aument assem a sua efi

ciên-cia no campo da prest ação de serviços, iniciou uma série de est udos sobre as at uais f ormas j urídico-inst it ucionais da administ ração pública, part icularment e visando à superação de

est rangulament o na área hospit alar. O obj et ivo dest e processo era propor aj ust es na gest ão

pública, ut ilizando mecanismos legais que permit issem maior aut onomia, sem, cont udo,

abandonar o cont role pelo Est ado brasileiro.

É da eminent e necessidade de dot ar o Governo de agilidade e efi cácia no at

endi-ment o das demandas, que surge o Proj et o Fundação Est at al de Direit o Privado, que t em em sua essência o obj et ivo de aperf eiçoar a gest ão dos serviços públicos e melhorar o

at endiment o do Est ado em áreas priorit ariament e sociais.

A Fundação Est at al de Direit o Privado é um organismo da Administ ração Pública

com fl exibilidade e aut onomia mais amplas do que as at uais aut arquias e Fundações Est at ais

de Direit o Público, podendo dispor de inst rument os administ rat ivos de nat ureza privada e, nesse sent ido, é comparável a uma empresa est at al. Assim, a Fundação Est at al de Direit o

Privado const it ui uma modalidade de descent ralização administ rat iva, inserida na

adminis-t ração pública indireadminis-t a, ao lado das Empresas Públicas e Sociedade de Economia Misadminis-t a e

Referências

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