1 Professor Assist ent e do Depart am ent o de Enferm agem da Universidade Est adual de Londrina, Dout oranda da Escola de Enferm agem da Universidade de São Paulo, e- m ail: [email protected] .br; 2 Professora Tit ular da Escola de Enferm agem da Universidade de São Paulo, e- m ail: j [email protected]
A VI SI BI LI DADE DO ENFERMEI RO SEGUNDO A PERCEPÇÃO
DE PROFI SSI ONAI S DE COMUNI CAÇÃO
Ligia Fahl Kem m er1
Maria Júlia Paes da Silva2
Est e est udo procurou a com preensão das represent ações sociais sobre o enferm eiro e a enferm agem por profissionais de com unicação, um a vez que est es são int erm ediários na codificação das represent ações im agét icas e t ex t uais sobr e a sociedade. Met odologia: est udo de cor t e qualit at iv o, baseado na t eor ia das r epr esent ações sociais de Moscov ici. For am ent r ev ist ados cinco pr ofissionais de com unicação at uando nas ár eas de r ádio, t elevisão, im pr ensa escr it a, pr opaganda e event os. Result ados das análises indicar am 1) o desconhecim ent o dos cam pos de at uação, m ercado de t rabalho e cat egorização profissional da enferm agem ; 2) a invisibilidade do enferm eiro perant e a m ídia e a sociedade e 3) a responsabilidade do próprio enferm eiro para haver reconhecim ent o profissional e visibilidade. Apont am dois processos im prescindíveis com o est rat égia para a construção de um a im agem m ais coerente do enferm eiro e da enferm agem : 1) a exposição da profissão prim eiram ent e perant e a própria m ídia, que desconhece suas pot encialidades, e 2) at ravés da m ídia, para o alcance da grande população.
DESCRI TORES: m eios de com unicação; papel do profissional de enferm agem ; com unicação
NURSES’ VI SI BI LI TY ACCORDI NG TO THE PERCEPTI ONS
OF THE COMMUNI CATI ON PROFESSI ONALS
This st udy aim ed t o furt her our underst anding of t he social represent at ions of nurses and t he nursing profession by com m unication professionals, since they are interm ediates in the decoding of im aging and written represent at ions about societ y. Met hod: t his is a qualit at ive st udy, based on t he social represent at ion t heory of Moscovici. Five com m unicat ion professionals working on radio, t elevision, writ t en press, advert ising and event s were interviewed. Results suggest 1) ignorance about the nurse’s field of work, j ob m arket and nursing profession cat egorizat ion. 2) nurses’ invisibilit y before t he m edia and societ y and 3) nurse’s own responsibilit y t o obt ain professional recognit ion and visibilit y. Part icipant s in t his st udy point ed t wo essent ial processes for building a m or e coher ent im age of nur sing and nur ses: 1) exposing t he pr ofession pr im ar ily befor e t he m edia, w hich ignores it s pot ent ialit ies, and 2) t hrough t he m edia in order t o reach t he populat ion in general.
DESCRI PTORS: com m unicat ions m edia; nurse’s role; com m unicat ion
LA VI SI BI LI DAD DEL ENFERMERO SEGÚN LA PERCEPCI ÓN
DE LOS PROFESI ONALES DE COMUNI CACI ÓN
Est e est udio busca profundizar la com prensión con respect o a las represent aciones sociales acerca del enferm ero y la enferm ería por profesionales de com unicación, considerando que est os son los int erm ediarios en la codificación de represent aciones de im ágenes y t ext os sobre la sociedad. Met odología: est udio cualit at ivo basado en la t eoría de las represent aciones sociales de Moscovici. Fueron ent revist ados 5 profesionales de la com unicación que t r abaj an en r adio, t elev isión, pr ensa escr it a, pr opaganda y ev ent os. Los r esult ados del an álisis m ost r ar on 1 ) el descon ocim ien t o de los cam pos de act u ación , del m er cado de t r abaj o y de la categorización profesional de la enferm ería; 2) la invisibilidad del enferm ero frente a los m édios de com unicación y la sociedad y 3) la responsabilidad del propio enferm ero para obtener reconocim iento profesional y visibilidad. Se indican dos procesos im prescindibles com o est rat egia para la const rucción de una im agen m ás coherent e del enferm ero y de la enferm ería: 1) la exposición de la profesión frente a los propios m edios de com unicación, quienes desconoce sus pot encialidades, y 2) alcanzar a t oda la población a t ravés de est os m edios.
I NTRODUÇÃO
A
im agem de um grupo profissional ou de um a profissão represent ada pela m ídia é ent endida, com freqüência, com o m edida significat iva do valor so ci a l e e co n ô m i co d a q u e l e g r u p o( 1 ). Te m - se o b se r v a d o , n a s ú l t i m a s d é ca d a s, n a l i t e r a t u r a i n t e r n a ci o n a l , g r a n d e i n t e r e sse n a i m a g e m d o e n f e r m e i r o e d a p r o f i ssã o d e e n f e r m a g e m n o s diferent es m eios de com unicação quant o ao enfoque hist ór ico, social, ét ico e a quest ões r elacionadas a gên er o. Essa im agem t em sign if icação ex plicit ada p e l a s r e p r e se n t a çõ e s so ci a i s. “ En t e n d e m o s p o r im ag em p r of ission al u m a r ed e d e r ep r esen t ações sociais da Enferm agem que, por m eio de um conj unto de conceit os, afirm ações e explicações, reproduz e é reproduzida pelas ideologias originadas no cot idiano das práticas sociais, interna/ externas a ela. A im agem p r o f i ssi o n a l r e m e t e - n o s à p r ó p r i a i d e n t i d a d e pr ofissional, em sua int r incada r ede de significados que se pret endem exclusivos e, port ant o, inerent es à q u e l a p r o f i ssã o . A i m a g e m p r o f i ssi o n a l se consubst ancia, assim , na pr ópr ia r epr esent ação da ident idade profissional”( 2).A e n f e r m a g e m t e m ca m i n h a d o p a r a a f or m ação d e u m cor p o p r óp r io d e con h ecim en t os ci e n t íf i co s, b u sca n d o , p o r m e i o d e e st u d o s e pesquisas, a sua definição com o ciência. As pesquisas e os cam pos de atuação na enferm agem têm crescido subst ancialm ent e nos anos m ais r ecent es, abr indo perspect ivas de conhecim ent o em m últ iplas direções. As r epr esent ações sociais ident ificadas em diver sos se g m e n t o s d a so ci e d a d e e a q u e l a s v e i cu l a d a s, not adam ent e pela m ídia, r eflet em , ent r et ant o, um p r o f i ssi o n a l se m p o d e r, se m a u t o n o m i a , se m conhecim ent o, sem voz( 3).
Pesquisas que avaliam essas represent ações so ci a i s d a e n f e r m a g e m n o m u n d o , e m a i s p ar t icu lar m en t e n o Br asil, d en u n ciam ain d a u m a r e p r e se n t a çã o d e sa t u a l i za d a e d e p r e ci a d o r a d a p r o f i ssão( 3 - 5 ). Est u d o s r eal i zad o s co m d i f er en t es est r at os da população ident ificar am r epr esent ações referent es à invisibilidade do profissional enferm eiro, que é caracterizado por realizar tarefas sim plesm ente t écnicas( 4), subordinado à área m édica( 6), ident ificado com o au x iliar d e m éd ico e at u an d o em p r of issão denot at iva de m ão- de- obra barat a( 7).
As r e f l e x õ e s p e r t i n e n t e s a o s r e su l t a d o s desses est udos legit im am o quest ionam ent o sobre a influência que a m ídia ex er ce no ideár io colet iv o a
r e sp e i t o d o e n f e r m e i r o e d a p r o f i ssã o d e e n f e r m a g e m . A i m p o r t â n ci a d a v e i cu l a çã o d e representações - por m eio de textos ou im agens pela m íd i a - n a p e r p e t u a çã o d e e st e r e ó t i p o s o u n a cont ribuição de novas represent ações reside na sua p e n e t r a b i l i d a d e , se m q u e h a j a , m u i t a s v e ze s, correspondência com o real.
Est u do r ealizado com base em an álise de im agens em j ornais, revistas de circulação nacional e program as de t elevisão no Brasil ilust ra a form a de p en et r a çã o d a i m a g em d a en f er m ei r a n a m íd i a brasileira(3). O estudo revela que, nas telenovelas, em r ev ist as m asculinas, em j or nais, as r epr esent ações veiculadas relacionam - se à m oralidade associada às personagens que as enferm eiras incorporaram : a m ãe, a santa, o anjo, a som bra do m édico e a m ulher-objeto. A pesquisa identificou tam bém a personagem “doutora-enferm eira”, isolada dent re as out ras represent ações, d eco d i f i ca d a p el a t en t a t i v a d a s en f er m ei r a s em art icular um vocabulário que sej a audível.
D en t r e o s q u est i o n am en t o s, o b j et i v an d o analisar a pouca exposição da enferm agem na m ídia ou su a, m u it as v ezes, desv ir t u ada r epr esen t ação, en co n t r a - se a p r eo cu p a çã o em se co m p r een d er m elhor a ót ica do profissional responsável por ser o m ediador ent re a font e e a recepção da inform ação: o j o r n a l i st a e o p r o f i ssi o n a l d e m a r k e t i n g e pr opagan da.
Os se n t i m e n t o s d e p r o f i ssi o n a i s d e com u n icação - in t er m ed iár ios n a com u n icação d e not ícias e na for m ação de r epr esent ações - podem est ar im pr egn ados de pr econ ceit os r elacion ados à en f er m ag em com o p r of issão n ão d esej áv el, p ela caract eríst ica de ser predom inant em ent e fem inina e subalt erna. Sugere- se, ent ão, que se invest iguem as per cepções de r epór t er es e pr odut or es de m ídia a respeit o da enferm agem e dos enferm eiros( 8).
bast ant e sólida, nos discursos analisados, as funções de gerenciam ent o, ensino e pesquisa não foram , em nenhum m om ent o, explicit ados.
Na literatura nacional, existem poucos estudos q u e i n v e st i g a m a s p e r ce p çõ e s d o s p r ó p r i o s pr ofissionais de com unicação sobr e a pr ofissão de e n f e r m a g e m , o q u e co n d u zi u , a q u i , a o questionam ento de com o se dá a representação social que alguns profissionais de com unicação, que at uam em u m a cid ad e n o n or t e d o Par an á, p ossu em d o enfer m eir o e da enfer m agem .
Est a p esq u i sa, p o r t an t o , t em o seg u i n t e
ob j e t iv o: analisar as r epr esent ações sociais sobr e
o enferm eiro e a enferm agem de cinco profissionais, atuando em áreas distintas da com unicação, em um a cidade do nort e do Paraná.
JUSTI FI CATI VA
A m íd i a t e m r e t r a t a d o o e n f e r m e i r o d e m an eir a p ej or at iv a e su b ser v ien t e. E j á q u e ela e st a b e l e ce u m a d i n â m i ca d e co n v e r g ê n ci a q u e co n t r i b u i p a r a e x p l i ca r d i v e r so s có d i g o s com par t ilh ados, r econ h ecidos e in st it u cion alizados pela sociedade cont em por ânea, isso per m it e infer ir que as const ruções sim bólicas encont radas em seus cont eúdos não est ão dist ant es daquelas que out r os e l e m e n t o s so ci a i s co n st r o e m . Pr o f i ssi o n a i s d e com unicação são int er m ediár ios na codificação das r e p r e se n t a çõ e s i m a g é t i ca s e t e x t u a i s so b r e a sociedade. Ao dar - se v oz a alguns pr ofissionais de co m u n i ca çã o , p r e t e n d e - se co n t r i b u i r p a r a co m p r e e n d e r q u a i s r e p r e se n t a çõ e s so b r e o enferm eiro e a enferm agem são partilhadas por esses profissionais, um a vez que m uitas vezes são tam bém r e sp o n sá v e i s p o r t r a n sm i t i r a o g r a n d e p ú b l i co im agens que eles m esm os possuem .
PROCESSO METODOLÓGI CO
Op t o u - se p o r u t i l i za r est u d o t r a n sv er sa l descrit ivo, com abordagem qualit at iva. A abordagem qualit at iv a j ust ifica- se por per m it ir “ a incor por ação da questão do significado e da intencionalidade com o inerentes aos atos, às relações e às estruturas sociais, sendo est as últ im as t om adas t ant o no seu advent o q u an t o n a su a t r an sf o r m ação co m o co n st r u çõ es hum anas significat ivas”( 9).
Part icipant es do est udo
Selecionou- se um a am ost ra de conveniência de cinco profissionais de áreas distintas do cam po da com unicação, considerados de referência, na cidade de Londr ina, Est ado do Par aná, que t enham algum con t at o com set or es e p r of ission ais d e saú d e n o desenvolvim ent o de suas at ividades.
O ob j et iv o d essa am ost r ag em f oi ob t er a ót ica de profissionais de segm ent os diversos da área d e co m u n i ca çã o , m a s a t u a n d o e m u m a m e sm a cidade, com suas experiências de vida, seus encontros com a saúde e a doença e com a possível diversidade d e su as r ep r esen t ações sob r e a en f er m ag em e o enferm eiro. Ent revist aram - se cinco profissionais, que atuam em 1) televisão, 2) rádio, 3) im prensa escrita, 4) propaganda e 5) prom oção de event os. Todos os par t icipan t es desen v olv iam at iv idades n a ár ea de co m u n i ca çã o co m o p r o d u çã o , e d i t o r a çã o o u apresentação de program as que, em algum m om ento, envolviam ou abor davam pr ofissionais e set or es da saú de.
Aspect os ét icos
Obt eve- se a aprovação para a realização da pesquisa no Com itê de Ética em Pesquisa do Hospital Universit ário Regional Nort e do Paraná e, depois, o co n se n t i m e n t o i n f o r m a d o , p o r e scr i t o , d o s par t icipant es, onde for am descr it os os obj et ivos da p e sq u i sa , a v o l u n t a r i e d a d e d a p a r t i ci p a çã o , a possibilidade de se r et ir ar da pesquisa a qualquer m o m e n t o , se m n e n h u m p r e j u ízo , o u d a n o , e o co m p r o m i sso d e co n f i d e n ci a l i d a d e p o r p a r t e d a pesqu isador a.
I nst r um ent o
Ut i l i zo u - se u m r o t e i r o co m d a d o s d e ident ificação com o idade, sexo, form ação profissional e o cu p a çã o , e p e r g u n t a s n o r t e a d o r a s se m i -estruturadas: qual sua im agem da enferm agem ? Qual su a i m a g em d o en f er m ei r o ? D e o n d e v em essa i m a g e m ? Co m o v o cê p e r ce b e a i m a g e m d o enferm eiro e da enferm agem at ravés da m ídia?
O acesso aos part icipant es
pelos part icipant es. I niciou- se pela apresent ação do pesquisador, ex plicação dos obj et iv os da pesquisa, garant ia dos aspect os ét icos envolvidos na pesquisa e solicit ação para uso do gravador.
Análise dos discursos
Com o referencial para análise dos discursos, ut ilizou- se o Discurso do Suj eit o Colet ivo, que pode ser descrito com o “ um m odo legítim o - não por certo o ú n ico - de con ceber as Repr esen t ações Sociais, ent endendo- as com o a ex pr essão do que pensa ou ach a d et er m i n ad a p o p u l ação so b r e d et er m i n ad o t em a. Est e pensar, por sua vez, pode se m anifest ar, dentre outros m odos, através do conj unto de discursos verbais em it idos por pessoas dessa população”( 9).
Os discursos foram prim eiram ente transcritos e su b m e t i d o s à a n a l i se d e scr i t i v a . Pa r a t a n t o , u t i l i za r a m - se q u a t r o f i g u r a s m e t o d o l ó g i ca s: a ancoragem , a idéia cent ral, as expressões- chave e o discurso do suj eito coletivo( 10). Fez- se a interpretação dos dados pela seleção das principais ancoragens e/ ou idéias centrais presentes em cada um dos discursos in div idu ais e em t odos eles r eu n idos, t er m in an do n u m a f o r m a si n t é t i ca , e m q u e se b u sco u a reconst it uição discursiva da represent ação social da im agem do enferm eiro e da enferm agem .
A P R ES EN T A ÇÃ O E D I S CU S S Ã O D O S
RESULTADOS
A f aix a et ár ia d os su j eit os en t r ev ist ad os variou entre 26 e 44 anos, dois eram do sexo fem inino e d o i s m a scu l i n o ; d o i s t i n h a m f o r m a çã o e m Com unicação Social, t r ês possuíam pós- gr aduação em Market ing e Propaganda e t inham ent re 8 e 23 anos de ex per iência em suas r espect iv as ár eas de at uação.
An alisan d o as p er cep ções in d iv id u ais d os p r of ission ais d e com u n icação sob r e a im ag em d o en f er m ei r o e d a en f er m ag em , r eco n st i t u ír am - se d i scu r so s co l e t i v o s cu j a co n st r u çã o p o ssi b i l i t o u v isu alizar alg u m as r ep r esen t ações sociais q u e se dest acam . Essas represent ações abrangem im agens sobre a enferm agem que se reflet em com o cuidado e serenidade, ao m esm o tem po em que identifica um a im agem det ur pada do enfer m eir o t r ansm it ida pela m íd ia; p er cep ção d e u m a p r of issão sacr if icad a e desgast ant e com lut a pela inser ção no m er cado de
t rabalho e as condições adversas dessa realidade; o d e sco n h e ci m e n t o d o s ca m p o s d e a t u a çã o d o e n f e r m e i r o ; o d e sco n h e ci m e n t o , p o r p a r t e d o s profissionais da m ídia, da cat egorização profissional ( com o um reflexo de que a população, com o um todo, t am b ém n ão r econ h ece o en f er m eir o d e m an eir a i n d ep en d en t e) ; a i n v i si b i l i d ad e d a p r o f i ssão em r e l a çã o a su a s a t r i b u i çõ e s e r e a l i za çõ e s; a r esp o n sab i l i d ad e d o s en f er m ei r o s d i an t e d e su a invisibilidade perant e a m ídia e a sociedade.
Est e a r t i g o , em r a zã o d a ex i g ü i d a d e d e e sp a ço , d a r á e n f o q u e à d i scu ssã o so b r e : 1 ) o desconhecim ent o dos cam pos de at uação, m er cado d e t r a b a l h o e ca t e g o r i za çã o p r o f i ssi o n a l ; 2 ) a in v isibilidade da en fer m agem per an t e a m ídia e a so ci e d a d e e 3 ) a r e sp o n sa b i l i d a d e d o p r ó p r i o enfer m eir o par a hav er r econhecim ent o pr ofissional e visibilidade - sem desconsiderar, no ent ant o, que as ou t r as r ep r esen t ações d et ect ad as em b asam e int erligam as discussões apresent adas a seguir.
O desconhecim ento dos cam pos de atuação, m ercado de t rabalho e cat egorização profissional
Os discur sos r ev elam desconhecim ent o dos ca m p o s d e a t u a çã o d o e n f e r m e i r o n o Br a si l n a at u al i d ad e, m as ap o n t am a r eal n ecessi d ad e d a at uação do pr ofissional enfer m eir o, pelas condições de saúde da população.
[ Em relação aos cam pos de at uação] ...não posso t e
afirm ar, não posso dizer.. Seria chute, né? Eu im agino, assim , de
um a form a m acro, com o dizem os econom istas, um a pergunta: a
população hoje está bem assistida na saúde? Eu posso te afirm ar,
com o cidadão, que não! Então, nesse sentido, o cam po de atuação
do enferm eiro é m uito bom ! ( ...) Se você m e perguntar eu vou
dizer, acredito que tem bom cam po de atuação, com um potencial
m uito grande, m as deve ser m uito difícil para o enferm eiro atuar
hoj e, com o é para qualquer profissão...( I C1 DSC1) .
Os pr ofissionais de com unicação per cebem a d i f i cu l d a d e d o m e r ca d o d e t r a b a l h o p a r a o enferm eiro com o inserida num cont ext o nacional, em q u e a est r u t u r a d e assi st ên ci a à saú d e ai n d a é deficit ária - dificuldade part ilhada t am bém por out ras profissões não t ão reconhecidas e valorizadas.
Não sei, não tenho critérios para falar, m as algum a
coisa m e diz que o m ercado de trabalho deve ser difícil de entrar.
Acredito que você tem que ser m uito bom para se destacar nesta
área. Porque hoj e em dia tem m uitos cursos profissionalizantes
de enferm agem , não tem ? Acho que esses cursos j ogam m uita
se realmente estão preparados para estarem atuando e pelo próprio
sistem a de saúde do nosso país que é um sistem a falido... faltam
leit os, falt am m at er iais, m edicam ent os, falt am m édicos e
provavelm ent e deve falt ar enferm eiros ... e vagas para esse
pessoal t rabalhar. Vej o que em t odas as profissões há um a
dificuldade m uito grande de ascensão e de ocupar o seu lugar no
m ercado de trabalho. Tanta gente passa por essa dificuldade,
acredito que grande parte do pessoal recém-formado e até mesmos
os enferm eiros m ais antigos enfrentam esta m esm a situação.
Acho que para o enferm eiro com um é com plicado, enferm eiro de
hospital, de UTI ...( I C6 DSC2) .
Essa p er cep ção so b r e as d i f i cu l d ad es d e ascen são d en t r o d a p r of issão r ef let e im p r essões concor dant es de um cer t o despr est ígio par t ilhadas p or ou t r os est r at os d a p op u lação. Em r elação ao p r est íg i o so ci al , a en f er m ag em o cu p o u a o i t av a posição em u m est u do qu e av aliou esse con ceit o dent re t reze profissões de nível superior( 11).
Os p r o f i ssi o n a i s d a m íd i a i d e n t i f i ca m o d e sco n h e ci m e n t o q u e t ê m d a ca t e g o r i za çã o pr ofissional da enfer m agem com o m er o r eflex o de q u e a p o p u l a çã o , co m o u m t o d o , t a m b é m n ã o reconhece o enferm eiro de m aneira independent e.
Por que eu acho que todo m undo que atende no hospital
é enferm eiro? Por suposição só [ risos] . Tem gente que atende no
hospital que não é enferm eiro? [ surpreso] Realm ente eu não sei,
se eram form ados ou est avam est agiando ou algum a coisa
assim ....Estou só supondo [ que todos eram enferm eiros] . A gente
f az u m a idéia gr osseir am en t e do en f er m eir o e de ou t r os
profissionais, a gente m istura um pouco, o profissional form ado
com o o atendente, com não sei quem ... (I C12 DSC1).
O d e sco n h e ci m e n t o r e l a ci o n a d o à ca t e g o r i za çã o p r o f i ssi o n a l é a p o n t a d o p e l o s p r o f i ssi o n ai s d e co m u n i cação co m o u m a g r an d e dificuldade no reconhecim ento da profissão por outros elem ent os da sociedade.
Prim eiram ente, o principal problem a é que todo m undo
faz um a confusão e não sabe quem é enferm eiro, porque a gente
acha que todo m undo é enferm eiro, e na verdade eles não são.Você
tem o técnico, o auxiliar e o enferm eiro em si. Porque existe essa
m istura... O senso com um é que a pessoa que entra no quarto
sem pre é o enferm eiro, que não existe essa subdivisão na categoria
p r of ission al. Ag or a eu os est ou sep ar an d o. Sei q u e t em
profissionais de nível técnico e sei que tem os profissionais de
nível superior, que acho que se cham a enferm eiro padrão; não
posso te confirm ar. Minha fam ília, por exem plo, os m eus am igos
que estão m ais próxim os e m esm o a com unidade, as pessoas não
falam : olha, a fulana é técnica em enferm agem ...Não, [ elas dizem ]
foi o enferm eiro que m e cuidou ou foi o enferm eiro que não m e
cuidou. Com o form ador de opinião na área de com unicação eu
posso te dizer, sem m edo, acho que esta confusão que eu fazia é
m eio com um ( I C15 DSC2) .
Con cor da- se com a r ef lex ão de qu e, par a ocupar espaços e t er o reconhecim ent o de um a das profissões essenciais da saúde, um a agenda polít ica d a cl a sse d e v e r i a i n cl u i r o s v á r i o s a sp e ct o s co n st i t u t i v o s d e u m a p r o f i ssã o , o u se j a , sa b e r específico, m ercado exclusivo de t rabalho, form a de or ganização e clar ificação da equipe hier ar quizada de enferm agem( 12).
A invisibilidade da enferm agem perant e a m ídia e a sociedade
Em r elação à per cepção da r epr esen t ação do enfer m eir o pela m ídia e, aqui, congr uent e com est udos que, dent re as represent ações, ident ificaram a f igu r a do en f er m eir o com o pr of ission al descr it o com o “ a som br a do m édico”( 3) e, m uit as v ezes, de for m a est er eot ipada.
[ A m ídia retrata o enferm eiro] Com o um auxiliar do
m édico. Os m eios de com unicação abordam o enferm eiro e a
enferm agem de um a m aneira gera,l com etendo o m esm o equívoco
do senso com um ... Porque eu não sei exatam ente o que faz o
enferm eiro... Eu até neste m om ento desconheço. Acho que a
im prensa e os veículos de com unicação, de um a m aneira geral,
tam bém fazem esta confusão, porque para você ser técnico ou
auxiliar não precisa de nível superior. Então o cara [ profissional
de com unicação] quer aquela enferm eira m esm o, com aquela
coisinha enchendo a cabeça com o troço que ninguém usa... m as
o cara quer aquilo de repent e [ para usar na propaganda] ( I C15
DSC1).
Em m eio a p er cep ções d e u m a p r of issão so f r i d a e d e p r e ci a d a e a n ã o - i d e n t i f i ca çã o d a hierarquização da classe, a surpresa, em encont ros pessoais com enferm eiros, de descobrir que ele pode se r u m p r o f i ssi o n a l d e r e f e r ê n ci a e m á r e a s d e conhecim ent o em saúde.
Vou lhe falar de um a situação m uito pontual de um a
ocasião que fui fazer um a m atéria e então descobri que a principal
autoridade em am am entação aqui na cidade era um a enferm eira,
não era um m édico. Foi m uito engraçado porque nesta ocasião eu
trabalhava no jornal e a m atéria era específica sobre am am entação
e obviam ente que eu fui prim eiro a pediatras, ginecologistas.
Então m e falaram : não, aqui nesta cidade a pessoa que m ais
entende de am am entação é um a enferm eira, na época ela dava
consultoria lá em determ inado hospital. Trabalhei há alguns anos
com cam p an h as su g er id as p or p r of ission ais d a ár ea d e
enferm agem que adm inistram , ou coordenam um banco de leite
m om ento im portante. Tínham os profissionais [ enferm eiros] com
m uita experiência, pessoas com doutorado nesta área, que faziam
um trabalho de resgate, de trazer aquela cultura antiga de que o
leite m aterno significa saúde pra criança, e que isso significa
saúde!!... Foi justam ente por causa disso [ que tenho essa im agem
de com petência sobre o enferm eiro] .
Ao m e sm o t e m p o , o s p r o f i ssi o n a i s d e co m u n i ca çã o d e st e e st u d o a p o n t a m q u e e ssa com pet ên cia n ão é socializada com o r est an t e da p o p u l a çã o e a l e r t a r a m q u e a p r o f i ssã o d e enferm agem é prat icam ent e anônim a e invisível nos m e i o s d e co m u n i ca çã o e m r e l a çã o a q u a l q u e r dest aque de suas at ribuições e realizações.
Percebo que não t enho vist o nada [ nos m eios de
com unicação] , assim , m e parece que a profissão é m eio anônim a,
a pr ofissão que v ocê v ê nos j or nais são m édicos, v ocê v ê
fisioterapeutas... A m ídia destaca m uito pouco os enferm eiros.
Destaca tecnologia, avanços da m edicina, pesquisa. Destaca m uito
a crise da saúde. A m em ória é m eio falha, m as eu não consigo m e
lembrar de nenhuma entrevista do enfermeiro. Consigo me lembrar
de algum a coisa de com ercial de TV, por exem plo, que tem um a
enferm eira atendendo um a velhinha no hospital. Mas veja bem , é
um a publicidade de um plano de saúde, de elite. Na verdade, a
gente, com o um a cam ada form adora de opinião, não tem nenhum
t r abalho, que eu m e lem br e pelo m enos, um a coisa m ais
m assificador a qu e possa m u dar r ealm en t e a im agem [ da
enferm agem ] . No com eço da entrevista, falei com o form ador de
opinião no m eio de com unicação que eu poderia dizer com
t ranqüilidade que era essa im agem que as pessoas t êm do
enferm eiro e da enferm agem . Eu vejo assim que as pessoas, pela
falta de inform ações m esm o, acho que esse senso com um ele
existe porque as pessoas são m al inform adas. Me recordo de
algum as propagandas de outdoor de algum as profissões, m as
não m e lem bro de nenhum a de enferm eiro. É um a pena, porque a
gente não lê nada a respeito ( I C15 DSC2) .
A r esp on sab ilid ad e d o p r óp r io en f er m eir o p ar a o reconhecim ent o profissional e visibilidade
D i a n t e d e sse a n o n i m a t o , co n si d e r a m r e l e v a n t e r e ssa l t a r o p a p e l q u e o s p r ó p r i o s profissionais de enferm agem t êm na divulgação clara so b r e a e n f e r m a g e m , su a s p o t e n ci a l i d a d e s e at r ibuições.
Quem é o culpado por a gente não ter um a inform ação
clara do corpo de enferm agem , o que é enferm agem , que é um
trabalho especializado? Eu que sou da m ídia? Ou vocês que são
da enferm agem ? [ pausa e sorriso] . Quem est á errando? As
instituições que não inform am direito com o as coisas funcionam ?
Falt a com unicação. O profissional precisa ser um pouquinho
criativo tam bém , porque se ficar esperando que outros organizem ,
quem que vai organizar? Os donos de hospitais vão organizar?
Mas acho tam bém que a falha está na organização da profissão,
porque tem que se fazer algum a coisa através de um a associação,
algum a coisa para a lapidação dessa im agem . Deve ser feito um
m ecanism o diret o e falar diret am ent e com essas pessoas e
explicar para elas, sabe... assim ... um a com unicação dirigida,
um a cartilha, ou um site, por exem plo...( I C16 DSC1) .
Um a j o r n a l i st a , q u e t e m se d e d i ca d o a escrever sobre enferm agem e enferm eiros, alerta para o f a t o d e q u e o s p r o f i ssi o n a i s en f er m ei r o s t êm contribuído para sua invisibilidade perante a m ídia em virtude de não tom arem um a posição, m esm o quando possuem algo de relevância para ser com unicado( 13). Par a qu e a pr ofissão de en fer m agem sej a ident ificada, discut e- se a necessidade da const rução de um a história através de trabalho relevante e sério e com a ident ificação do profissional a part ir de sua at uação na prát ica.
As profissões m ais novas [ com o a enferm agem ] vão
ter que fazer a sua história ainda. Com o é que se constrói essa
história? Com trabalho sério, com ineditism o, com descobertas
relevantes para a sociedade, com isso. Acho que a responsabilidade
[ da cor r eção da im agem ] é da pr ópr ia cat egor ia ou dos
profissionais que atendem na saúde. Quando você chega a um
posto de saúde, o recepcionista não fala: você vai ser atendido
por um técnico de enferm agem ... Ele fala: o enferm eiro vai m edir
tua pressão... E não é o enferm eiro, a gente sabe que não é...
Então, por um lado, acho que essa im agem é feita e cristalizada
por cont a dos próprios profissionais da área ( I C16 DSC3) .
A i m a g e m p r o f i ssi o n a l d a e n f e r m a g e m v eiculada pela m ídia t em sido r esponsabilizada por p er p et u ar est er eót i p os d esat u al i zad os, m as sem valorizar o papel que a m ídia tem em nossa construção d e a l g o q u e n a d a m a i s é q u e u m r e f l e x o d a r e a l i d a d e( 1 ). Assi m , a d i scu ssã o p e r p a ssa o questionam ento quanto à parcela de responsabilidade dos próprios enferm eiros ao não se posicionarem nem para a correção de im agens desvirt uadas nem para a v isibilidade dos papéis que v êm desem penhando no cuidado à saúde.
Com o est rat égia para a const rução de um a im agem m ais coerent e, os part icipant es da pesquisa r econ h ecem com o sen do a ex posição da pr ofissão p r i m e i r a m e n t e p e r a n t e a p r ó p r i a m í d i a, q u e desconhece suas pot encialidades.
Talvez falte um contato de um a liderança, dentro da
categoria, que faça essa com unicação conosco, pois podem os
divulgar isso. Todos os hospitais têm assessoria de im prensa,
relações públicas que m andam m ateriais aqui para a gente [ da
mídia] e não vem nenhuma matéria que fale do setor de enfermagem.
Vêm , sim , m atérias falando que foram instaladas m áquinas, que o
dr. Fulano concluiu doutorado, colocou não sei o quê, não sei onde,
com louvor, m as não vem um a coisa específica [ da enferm agem ] .
Acho, então, que nem a im prensa interna,, que poderia colaborar
m uito nesse sentido, tem esse conceito estabelecido. Então a
divulgação interna, que m anda m aterial para os veículos de m assa,
não fala a respeito [ da enferm agem ] (I C16 DSC4).
Em segu n do lu gar, h á ex posição, a t r a v é s
da m ídia, para o alcance da grande população com o
p r ocessos im p r escin d ív eis p ar a a t r an sm issão d e i m a g e m m a i s co e r e n t e d o e n f e r m e i r o e d a en f er m agem .
I ndo para a im prensa, não vejo outra m aneira, não vejo
outra maneira. Se uma enfermeira faz uma descoberta maravilhosa,
e ficou para ela? Ninguém fica sabendo. Quanta coisa voluntária
feita, quantas histórias o enferm eiro participa? Daí se você divulga
só o que deu errado, talvez tenha um m onte de coisas que tenha
dado certo, talvez um a coisa tenha dependido do profissional, m as
que vai passar desapercebido. Acho que poderia ser feita um a
coisa nesse sentido, m as acho que norm alm ente não é veiculado,
eu posso estar enganado, eu não tenho visto, pelo m enos. Então,
com o com unicadora, eu vejo que, se houvesse um a preocupação,
acho que seria preciso haver um a assessoria de im prensa nesse
sent ido. Acho que as associações [ de enferm agem ] t am bém
deveriam colaborar com a divulgação... Se a gente não divulgar,
ninguém vai ficar sabendo...! (I C16 DSC2).
Esse discurso está de acordo com a realidade identificada em um estudo patrocinado pela Sociedade Honorífica I nt ernacional de Enferm agem , denom inado “ Est u d o Wo o d h u l l so b r e En f er m ag em e Míd i a: o parceiro invisível no cuidado à saúde”. Analisaram - se v in t e m il ar t igos pu blicados em r ev ist as e j or n ais selecionados nos Est ados Unidos, ident ificando que enfer m eir os for am cit ados em som ent e quat r o por cento dos artigos relacionados à saúde, ao passo que m éd icos est ão p r esen t es em q u ar en t a e t r ês p or cent o( 15). Dent re as recom endações apont adas para se dar m aior v isibilidade ao papel da enfer m agem , está a necessidade de os profissionais se posicionarem estrategicam ente perante os m eios de com unicação e
tam bém de se educarem os próprios jornalistas sobre a enferm agem( 13- 15).
Se não aparecer na im prensa... [ o fat o não exist e] ... a
im prensa é tão forte que ela m uda opinião!! A notícia serve para a
construção e para desconstrução tam bém , as duas coisas. Porque
você não tem com o form ar a opinião pública se você não utilizar
m eios de com unicação de m assa. A partir do m om ento que você
vai à t elevisão, a um a rede e fala para m ilhões de pessoas
sim ultaneam ente, você constrói um a im agem e essa im agem às
vezes pode ser desconstruída, em bora haja um tem po necessário
para isso ocorrer. Tem que provocar, inclusive a im agem . A
im prensa escrita tem valor, m as a im prensa vista, o visual, tem
um valor m uit o m aior ( I C16 DSC5) .
A ên f ase sobr e o papel da im agem v isu al talvez traga reflexões im portantes para a enferm agem , u m a v ez q u e i m ag en s v i su ai s p ej o r at i v as so b r e enferm eiros são relativam ente com uns em program as televisivos e em revistas. A questão é que as im agens visuais, m uit as vezes, ult rapassam o senso crít ico de quem as vê, m esm o que não possuam referência no que é real, com o coloca um filósofo contem porâneo(16): “ Ta m b é m se p o d e p e n sa r q u e a s i m a g e n s n ã o possuem ident idade para circular na órbit a das redes com unicacionais. Elas não passam por alfândegas e não necessitam apresentar passaporte para entrar em t errit órios, com o as pessoas. As barreiras físicas não ex ist em par a as im agens; um a v ez em v elocidade centrífuga, elas j á não têm referência no real”.
En f at izam a im p or t ân cia d a u t ilização d e m u l t i m ei o s d e co m u n i cação : i n t er n et, t el ev i são , n o t íci a i n t e r n a , i m p r e n sa e scr i t a p a r a m a i o r v isibilidade da enfer m agem .
Penso que, de qualquer form a, as m ídias se som am ,
então, se você for explorar a internet, que pudesse disponibilizar
isso com alim entação contínua e tam bém usar de assessorias
para contar para o resto da im prensa, e um a coisa leva a outra. Já
im aginou, um sit e superbem feit o, com várias inform ações
diferentes, colaboraria m uito, então m ais algum as notinhas que
fossem saindo gradativam ente, m esm o pequenina, tudo form a
opinião, tudo, tudo, coluna social... Muito im portante dizer que a
professora da universidade x defendeu tese não sei o quê... isso
tem esse significado. A gente vê no jornal! coisas que acontecem .
Hoj e a gente tem visto outros profissionais sendo expostos pela
m ídia e daí vocês tam bém [ podem ser vistos] ( I C16 DSC6) .
CONCLUSÕES
exer cício e ensino de um a enfer m agem que alm ej a r om per com ant igos par adigm as de subor dinação e in v isibilidade. Em bor a r econ h eçam a en f er m agem com o peça im portante em um processo de cuidado à saú d e, os p r of ission ais d e com u n icação p ar ecem clam ar por m ais inform ação, m ais visibilidade e m ais v oz quant o ao papel da enfer m agem no cuidado a saú de.
A i m p o r t â n ci a d e sse p o si ci o n a m e n t o e ex posição n ão se r est r in ge ao r econ h ecim en t o da profissão e seus profissionais. O questionam ento m ais im port ant e sobre a invisibilidade é que ela dim in u i a h a b ilid a d e d e m u d a r os d ir e cion a m e n t os n o
cuidado à saúde( 17). Essa reflexão se faz necessária
no m om ent o em que o enferm eiro t em t ido at uação t ão relevant e dent ro do Sist em a Único de Saúde, no Brasil, desde os processos de planej am ento, passando por sua execução e avaliação.
Neste estudo, os profissionais de com unicação a p o n t a m e st r a t é g i a s e f a ze m co n si d e r a çõ e s i m p o r t a n t e s p a r a u m p o si ci o n a m e n t o d e v o z e visibilidade a partir de situações da prática, por m eio de um trabalho conj unto na m ídia e através da m ídia para o alcance do grande público.
Par ece, aq u i , p r em en t e e d esaf i ad o r, ao m esm o t em po, que essas r eflex ões encont r em eco n as ações, p ar a q u e a en f er m ag em d eix e d e ser “ parceira et ernam ent e invisível” no cuidado à saúde.
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