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Plano de negócio assiste care

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Academic year: 2021

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Plano de negócio assiste care

Dissertação/Projeto de Mestrado em Empreendedorismo

António José Fernandes Martins

Orientador:

Professor Doutor Mário Sérgio Carvalho Teixeira

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i

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Plano de negócio assiste care

Dissertação/Projeto de Mestrado em Empreendedorismo

António José Fernandes Martins

Orientador:

Professor Doutor Mário Sérgio Carvalho Teixeira

Composição do Júri:

Professora Doutora Carmem Teresa Pereira Leal Professor Doutor Carlos Jorge Fonseca da Costa Professor Doutor Mário Sérgio Carvalho Teixeira

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Dissertação/Projeto apresentado à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Empreendedorismo.

(5)

iii À minha família pelo incentivo, em especial, à minha esposa por me conduzir nesta longa viagem e aos meus três filhos, que em muitas e longas horas se privaram da minha presença, mas sempre presentes, me transmitiram todo o seu apoio de forma incondicional.

(6)

Agradecimentos:

Um agradecimento a todos aqueles que me ajudaram a saber cada vez mais, para atingir o sucesso, principalmente ao conselheiro e orientador, o Professor Doutor Mário Sérgio que sempre me incentivou na procura da eficiência e rigor para que este plano de negócio se tornasse realidade.

Para a minha família, que sempre serviu de incentivo para aprender sempre mais e me encorajaram a ultrapassar os momentos mais difíceis.

Não posso deixar de agradecer a todos os meus professores que nos últimos 3 anos me ofereceram parte do seu saber e que me influenciaram para continuar neste longo caminho académico, que ainda está a começar.

Aos colegas e amigos e a todos que me ajudaram a realizar este trabalho.

“Talvez não consiga fazer isto como deve ser. Talvez isto saia tão artificial que não dê qualquer indicação a respeito da realidade, e nós temos de chegar à realidade (…) Porque se não chegarmos à realidade, não poderei curar-me. E se não conseguir curar-me, nunca poderei ser feliz” (Goleman, 2010, p. 86).

(7)

v

Resumo

Neste projeto, é proposto um plano de negócio de uma empresa que aproveita as novas tecnologias, para a adaptação e criação de produtos e serviços de tecnologias de apoio ou dispositivos assistivos, dirigidos à população com necessidades especiais, entre os quais se encontram as pessoas com deficiência e idosas.

A criação de um novo negócio de base tecnológica, a I&DT e a diversificação de produtos e serviços, pode ser encarada de diversos modos, através de produtos substitutos, produtos melhorados ou com sinergias tecnológicas e comerciais.

Para a ligação das novas tecnologias com a Saúde, torna-se assim fundamental, recursos humanos especializados, proporcionando o estágio e ainda a possibilidade do aparecimento de novos empreendedores que queiram seguir a estratégia da empresa, dando como exemplo o da criação de grupos de trabalho para desenvolver a I&DT com o apoio de universidades como a UTAD, em diversas áreas com a gestão, reabilitação, engenharias, informática, biomédica, medicina, enfermagem.

Na recolha de dados secundários, foi dado um maior ênfase ao envelhecimento da população, sendo uma das principais preocupações no domínio da saúde, dada a evolução da população idosa a nível nacional e mundial, já que, estatisticamente, prevê-se que nas próximas duas décadas, o número de idosos em Portugal venha a ultrapassar em três vezes mais o número de jovens (INE, 2010a).

No que se refere à recolha de dados primários, foram efetuadas entrevistas a profissionais de saúde e constatou-se a oportunidade de criação da empresa, em consonância com a análise dos dados secundários quantitativos, apurando necessidades, benefícios dos produtos e serviços a desenvolver, avaliando o conceito do negócio e a viabilidade dos produtos e serviços a comercializar, para considerar o registo de patentes ou modelos de utilidade, com o propósito de venda de direitos ou a produção e comercialização.

Na conclusão descrevem-se as estratégias de saída que poderão ser várias, desde a criação da empresa e posterior licenciamento de rede de franchising, o que incentiva e fomenta o empreendedorismo, passando pela criação de redes de parcerias, a introdução de produtos e serviços inovadores com a I&DT, registo e proteção de patentes ou modelos de utilidade para implementar a internacionalização.

(8)

Abstract

In this project, we propose a business plan for a company that leverages new technologies for adaptation and creation of products and services, assistive technology or devices, aimed at people with special needs, among which are those with disabled and elderly.

The creation of a new technology-based business, R & D and diversification of products and services can be viewed in various ways, through substitute products, improved products or commercial and technological synergies.

For the connection of new technologies with health, becomes critical to have specialized human resources, providing the stage and the possibility of the emergence of new entrepreneurs who want to follow the company's strategy, for example the creation of working groups to develop R & D with the support of universities as UTAD in several areas, as management, rehabilitation, engineering, computer science, biomedical, medicine, nursing.

In the collection of secondary data, a greater emphasis was given to the aging population, one of the major concerns in the field of health, given the evolution of the elderly population that occupies our society and worldwide, statistically it is predicted that in the next two decades, the number of elderly in Portugal will exceed three times the number of young people (INE, 2010a). As regards the collection of primary data, interviews were made to health professionals and founded out the opportunity of creation of the company, in line with the quantitative analysis of secondary data, to identify needs, benefits of the products and services to develop, to evaluate business concept and viability of the products and services to sale, to consider the registration of patents or utility models, with the purpose of selling the rights or the production and marketing.

In conclusion we describe the exit strategies that may be several, since the company's inception and subsequent licensing franchising network, which encourages and promotes entrepreneurship through the creation of partnerships networks, the introduction of innovative products and services with R & D, registration and protection of patents and utility models to implement internationalization.

(9)

vii ÍNDICE

ÌNDICEDEFIGURAS ... X

ÌNDICEDEGRÁFICOS ... XI

ÍNDICEDEQUADROS ... XII

LISTADESIGLAS ... XIV

CAPÍTULO I -INTRODUÇÃO ... 1

1.1–INTRODUÇÃO ... 2

1.2-RELEVÂNCIAEOBJECTIVOS ... 3

1.2.1 – A IDEIA E OPORTUNIDADE DO NEGÓCIO ... 3

1.2.2 – MERCADOS POTENCIAIS A SATISFAZER ... 4

1.2.3 – PRODUTOS E SERVIÇOS POTENCIAIS A COMERCIALIZAR ... 9

1.2.4 - COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS PARA O SUCESSO DO NEGÓCIO ... 12

CAPÍTULO II - ENQUADRAMENTO TEÓRICO ... 13

2.1–OCONCEITODEEMPREENDEDORISMO ... 14

2.2–OPERFILDOEMPREENDEDOR ... 14

2.3–AINOVAÇÃOEATECNOLOGIA ... 19

2.3.1 – CONCEITOS DE INOVAÇÃO ... 19

2.3.2 – A INOVAÇÃO, A INVENÇÃO E O OTIMISMO EMPRESARIAL ... 21

2.4-OPLANODENEGÓCIO ... 23

2.4.1 – O CONCEITO E A IMPORTÂNCIA DO PLANO DE NEGÓCIO ... 23

2.4.2 – A ESTRUTURA DO PLANO DE NEGÓCIO ... 24

CAPÍTULO III - METODOLOGIAS UTILIZADAS... 26

3.1-DADOSSECUNDÁRIOS... 27

3.2-DADOSPRIMÁRIOS ... 27

3.3–DESENHODOESTUDOPARAOPLANODENEGÓCIO ... 28

CAPÍTULO IV - PLANO DE NEGÓCIO ... 29

4.1-SUMÁRIOEXECUTIVODOPLANODENEGÓCIODAASSISTECARE ... 30

4.2-ANÁLISEDAENVOLVENTEEXTERNA ... 32

4.2.1 - ANÁLISE DE MERCADO ... 32

4.2.1.1 - ANÁLISE DE DADOS SECUNDÁRIOS SOBRE CLIENTES POTENCIAIS... 32

4.2.1.2 - ANÁLISE DE DADOS PRIMÁRIOS JUNTO DE INFLUENCIADORES ... 33

4.2.1.3 - ANÁLISE DE CONCORRÊNCIA ... 35

4.2.2 - ANÁLISE DO MEIO ENVOLVENTE ... 36

4.2.2.1 - ANÁLISE DO MEIO ENVOLVENTE CONTEXTUAL ... 36

4.2.2.1.1 - O CONTEXTO ECONÓMICO ... 36

(10)

4.2.2.1.3 - O CONTEXTO POLÍTICO-LEGAL ... 42

4.2.2.1.4 - O CONTEXTO TECNOLÓGICO ... 43

4.2.2.1.5 - SÍNTESE DA ENVOLVENTE CONTEXTUAL ... 43

4.2.2.2 – ANÁLISE DO MEIO ENVOLVENTE TRANSACIONAL ... 44

4.2.2.2.1 - ANÁLISE DE FORNECEDORES ... 44

4.2.2.2.2 - SÍNTESE DA ENVOLVENTE TRANSACIONAL ... 45

4.3–ANÁLISEINTERNADAEMPRESA ... 46

4.4–OPÇÕESDEGESTÃO ... 49

4.4.1 - PLANO ESTRATÉGICO ... 49

4.4.1.1 - ANÁLISE SWOT - FORÇAS, FRAQUEZAS, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS ... 49

4.4.1.2 - VANTAGENS COMPETITIVAS... 50

4.4.1.3 - ADEQUAÇÃO ESTRATÉGICA DA EMPRESA ... 51

4.4.1.4 - DIMENSÕES DA ESTRATÉGIA A DESENVOLVER PELA EMPRESA ... 51

4.4.2 - PLANO DE MARKETING E VENDAS ... 54

4.4.2.1 – ESTRATÉGIA DE MARKETING ... 54

4.4.2.1.1 ESTRATÉGIA DE SEGMENTAÇÃO ... 54

4.4.2.1.2 - POSICIONAMENTO E FATORES DE DIFERENCIAÇÃO ... 55

4.4.3 - INSTRUMENTOS DE MARKETING OPERACIONAL ... 55

4.4.3.1 - MARKETING-MIX ... 55

4.4.4 - RECURSOS HUMANOS ... 57

4.4.4.1 PLANO E POLITICA DE RECURSOS HUMANOS ... 57

4.4.4.1.1 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ... 57

4.4.4.1.2 - RECRUTAMENTO ... 58

4.4.4.1.3 – PLANOS DE FORMAÇÃO E DE ID&T ... 58

4.4.4.1.4 - AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO ... 59

4.4.4.1.5 – CUSTOS COM REMUNERAÇÕES ... 59

4.4.5 – PLANO OPERACIONAL ... 60

4.4.5.1 ANÁLISE DA CADEIA OPERACIONAL: ATIVIDADES INTERNALIZADAS E ATIVIDADES EXTERNALIZADAS ... 60

4.5–ANÁLISEDAVIABILIDADEECONÓMICO-FINANCEIRADAASSISTECARE ... 61

4.5.1 - ENQUADRAMENTO FINANCEIRO ... 61

4.5.1.1- PRESSUPOSTOS GERAIS ... 61

4.5.1.2 - VN -VOLUME DE NEGÓCIOS... 62

4.5.1.3 - CMVMC - CUSTO MERCADORIAS VENDIDAS E MATÉRIAS CONSUMIDAS ... 64

4.5.1.4 - FSE - FORNECIMENTOS E SERVIÇOS EXTERNOS ... 64

4.5.1.5 - GP -GASTOS COM O PESSOAL ... 65

4.5.1.6 - IFM - INVESTIMENTO EM FUNDO DE MANEIO ... 66

4.5.1.7 - PONTO CRÍTICO PREVISIONAL OPERACIONAL ... 66

4.5.1.8 - MAPA DE CASH-FLOWS OPERACIONAIS ... 67

(11)

ix

4.5.1.10 - PLANO DE INVESTIMENTO ... 68

4.5.1.11 - PLANO DE FINANCIAMENTO ... 69

4.5.2 - PROJEÇÕES ECONÓMICO FINANCEIRAS ... 69

4.5.2.1 - BALANÇO PREVISIONAL ... 69

4.5.2.2 - DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS PREVISIONAL ... 70

4.5.2.3 - PRINCIPAIS INDICADORES ... 71

4.5.2.3.1 - INDICADORES FINANCEIROS ... 71

4.5.2.3.2 - INDICADORES ECONÓMICOS ... 72

4.5.2.3.3 - INDICADORES ECONÓMICOS – FINANCEIROS ... 72

4.5.2.3.4 - INDICADORES DE LIQUIDEZ ... 74

4.5.2.3.5 - INDICADORES DE RISCO DO NEGÓCIO ... 74

4.5.3 - ANÁLISE DE SENSIBILIDADE ... 75

4.5.3.1 - CENÁRIOS DESFAVORÁVEL VERSUS OTIMISTA ... 75

4.5.3.2 – COMPARAÇÃO DOS PRINCIPAIS INDICADORES DOS 3 CENÁRIOS ... 76

CAPÍTULO V - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ... 78

5.1–CONCLUSÕES ... 79

5.1.1 - CRIAÇÃO DA EMPRESA “START-UP” ... 79

5.1.2 – O SUCESSO DA EMPRESA ... 79

5.1.3 – A ESTRATÉGIA DE SAÍDA ... 80

5.2–RECOMENDAÇÕES ... 81

BIBLIOGRAFIA ... 82

ANEXOS ... 90

ANEXOI-AJUDAS TÉCNICAS/TECNOLOGIAS DE APOIO BENEFÍCIOS PARA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. FOLHETOS SNR Nº 49. ... 91

ANEXOII-LISTA HOMOLOGADA DE AJUDAS TÉCNICAS -(ISO9999:2007) ... 97

ANEXOIII-LISTA DE DEFINIÇÕES TÉCNICAS. ... 105

ANEXOIV-SISTEMA LIFEMAP “OMAPA DA VIDA”(EXEMPLO DE UMA PATENTE) ... 108

ANEXOV-TABELAS DA FOLHA DE CÁLCULO DO IAPMEI, COM FERRAMENTA USADA PARA O ESTUDO DA VIABILIDADE DO PROJETO.CENÁRIO NORMAL. ... 134

ANEXOVI-TABELAS DA FOLHA DE CÁLCULO DO IAPMEI, COM FERRAMENTA USADA PARA O ESTUDO DA VIABILIDADE DO PROJETO.CENÁRIO DESFAVORÁVEL. ... 150

ANEXOVII-TABELAS DA FOLHA DE CÁLCULO DO IAPMEI, COM FERRAMENTA USADA PARA O ESTUDO DA VIABILIDADE DO PROJETO.CENÁRIO OTIMISTA. ... 166

ANEXOVIII–ANÁLISE DE SENSIBILIDADE - PRINCIPAIS INDICADORES ... 182

ANEXOIX–GUIÃO DE ENTREVISTA PARA A RECOLHA DE DADOS PRIMÁRIOS. ... 188

ANEXOX-APRESENTAÇÃO DO PLANO DE NEGÓCIO A INVESTIDORES. ... 191

(12)

ÌNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1 - As pirâmides etárias da população portuguesa de 2008 a 2030 e de 2008 a 2060, apresentando

diferentes formas para cada cenário em 2030 e em 2060. ... 6

Figura 3.1 - Estudo para elaboração do plano de negócio. ... 28

Figura 4.1 – Procura mundial de dispositivos médicos. ... 32

Figura 4.2 - Resumo de algumas das principais preocupações da população. ... 40

Figura 4.3 - Identificação dos principais recursos da empresa ... 48

Figura 4.4 - Resumo de algumas das principais estratégias previsionais a desenvolver no contexto nacional e internacional a vários domínios ... 54

Figura 4.5 - Organigrama da estrutura hierárquica da assiste care. ... 57

(13)

xi ÌNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1.1 - Percentagem de população estimada com mais de 65 anos. ... 5

Gráfico 4.1 - Distribuição etária da população portuguesa em 2010 e evolução prevista para 2030 e 2060 ... 38

Gráfico 4.2 - Evolução da população portuguesa com 65 ou + anos, projeção 2010-2060... 39

Gráfico 4.3 - Principais causas de morte em Portugal entre 1960 e 2011. ... 39

Gráfico 4.4 - Evolução dos indicadores de envelhecimento em Portugal, 1960-2012. ... 40

Gráfico 4.5 - Autonomia Financeira ... 71

Gráfico 4.6 - Cobertura de encargos ... 71

Gráfico 4.7 - Solvabilidade total ... 71

Gráfico 4.8 - Taxa de crescimento do negócio ... 72

Gráfico 4.9 - Rentabilidade líquida do rédito ... 72

Gráfico 4.10 - Retorno do investimento ... 73

Gráfico 4.11 - Rentabilidade do ativo ... 73

Gráfico 4.12 - Rotação do ativo ... 73

Gráfico 4.13 - Rentabilidade dos capitais próprios ... 73

Gráfico 4.14 - Liquidez Corrente ... 74

Gráfico 4.15 - Liquidez Reduzida ... 74

Gráfico 4.16 - Alavanca Financeira ... 74

Gráfico 4.17 - Alavanca Operacional ... 74

(14)

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1.1 – Composição da população residente em Portugal a 31 de Dezembro de 2009 por idade. ... 6

Quadro 1.2 - Grau de incapacidade atribuído à população residente com deficiência. ... 7

Quadro 1.3 - Classificação de superfícies segundo a tecnologia. ... 11

Quadro 2.1 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores motivacionais. ... 16

Quadro 2.2 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores motivacionais e psicológicos... 16

Quadro 2.3 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores psicológicos. ... 17

Quadro 2.4 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores cognitivos. ... 18

Quadro 4.1 - Modelo de negócio da assiste care ... 30

Quadro 4.2 - Resumo das projeções dos principais indicadores económicos, segundo o boletim económico de Verão 2013 do Banco de Portugal... 36

Quadro 4.3 - Resumo dos principais indicadores económicos, Banco de Portugal. ... 37

Quadro 4.4 - Resumo das projeções económicas dos principais indicadores económicos, Banco de Portugal. ... 38

Quadro 4.5 - Relatório final de diagnóstico e avaliação física e financeira da execução do despacho relativo às ajudas técnicas (2011). ... 41

Quadro 4.6 - Quadro que apresenta a síntese da envolvente contextual. ... 43

Quadro 4.7 – Enquadramento da envolvente contextual com a transacional do tipo de negócio a desenvolver. ... 44

Quadro 4.8 – Síntese da envolvente transacional com a aplicação do modelo das 5 forças de Porter. ... 45

Quadro 4.9 – Quadro síntese dos fatores críticos de sucesso da empresa. ... 46

Quadro 4.10 – Quadro síntese da análise SWOT da assiste care, e das estratégias alternativas identificadas. 49 Quadro 4.11 – Síntese das estratégias básicas de Porter. ... 50

Quadro 4.12 – Fatores críticos de sucesso e competências. ... 51

Quadro 4.13 – Matriz com alguns exemplos de família de produtos - mercados... 52

Quadro 4.14 – Matriz de mercados, mercado nacional versus internacional. ... 55

Quadro 4.15 – Quadro síntese adaptado do diretório de ajudas técnicas, anexo III. ... 55

Quadro 4.16 – Quadro síntese das estratégias de comunicação. ... 57

Quadro 4.17 – Quadro síntese das tarefas e responsabilidades dos colaboradores e remuneração mensal. ... 59

Quadro 4.18 – Quadro síntese dos pressupostos gerais da análise de viabilidade do projeto. ... 61

Quadro 4.19 – Quadro síntese das vendas previsionais da análise de viabilidade do projeto. ... 62

Quadro 4.20 – Quadro síntese do Custo das Mercadoria Vendidas e Matérias Consumidas previsionais da análise de viabilidade do projeto. ... 64

Quadro 4.21 – Quadro síntese do FSE – Fornecimentos e serviços externos previsionais da análise de viabilidade do projeto. ... 64

(15)

xiii

Quadro 4.22 – Quadro síntese dos Custos com pessoal previsional da análise de viabilidade do projeto. ... 65

Quadro 4.23 – Quadro síntese dos investimentos em fundo de maneio previsionais da análise de viabilidade do projeto. ... 66

Quadro 4.24 – Quadro síntese do ponto crítico operacional previsional no cenário Normal. ... 66

Quadro 4.25 – Quadro síntese dos cash flows operacionais previsionais no cenário Normal. ... 67

Quadro 4.26 – Quadro síntese da avaliação do projeto da empresa na perspetiva do investidor e do projeto, da análise de viabilidade do projeto. ... 67

Quadro 4.27 – Quadro síntese do plano de investimento da análise de viabilidade do projeto ... 68

Quadro 4.28 – Quadro síntese do plano de financiamento da análise de viabilidade do projeto ... 69

Quadro 4.29 – Quadro síntese do balanço previsional da análise de viabilidade do projeto ... 69

Quadro 4.30 – Quadro síntese das demonstrações de resultados da análise de viabilidade do projeto ... 70

Quadro 4.31 – Quadro síntese de alguns indicadores financeiros. ... 71

Quadro 4.32 - Quadro síntese de alguns indicadores económicos. ... 72

Quadro 4.33 - Quadro síntese de alguns indicadores económico-financeiros. ... 72

Quadro 4.34 - Quadro síntese de alguns indicadores de liquidez. ... 74

Quadro 4.35 - Quadro síntese de alguns indicadores de risco do negócio. ... 74

Quadro 4.36 – Principais alterações dos cenários, desfavorável e otimista em comparação com cenário normal ... 75

Quadro 4.37 – Comparação dos principais indicadores, cenário: normal, desfavorável e otimista ... 76

Quadro 4.38 – Avaliação da perspetiva do investidor e do projeto no cenário: normal, desfavorável e otimista. ... 77

(16)

LISTA DE SIGLAS

AIVD – Atividades Instrumentais de Vida Diária AVC – Ataque Vascular Cerebral

AVD – Atividades de Vida Diária

CIAP - Canadian Inventor Assistence Program DGS – Direção Geral da Saúde

GEM - Global Entrepreneurship Monitor

I&DT – Identificação e Desenvolvimento Tecnológico

IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação INE – Instituto Nacional de Estatística

OMS - Organização Mundial de Saúde SA – Superfícies de Apoio

SEMP – Superfícies Especiais de Manejo da Pressão UCI – Unidade de Cuidados Intensivos

UPP – Ulceras Por Pressão

UTAD – Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro VS – Versus

(17)

1

CAPÍTULO I

-INTRODUÇÃO

(18)

1.1 – INTRODUÇÃO

O empreendedorismo, na atualidade, encontra-se no centro da política económica, social e industrial a nível global.

Das características do empreendedorismo, destacam-se a criação de novos negócios e o desenvolvimento de novas oportunidades, a partir de ideias que podem ser consideradas com potencial, como resultado de oportunidades detetadas face a problemas identificados.

Torna-se relevante na área da saúde, o desenvolvimento de dispositivos de suporte de vida e ajudas técnicas, através do aconselhamento, assessoria, avaliação, I&DT - Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, produção, adaptação e personalização de produtos e serviços de apoio e desenvolvimento de programas sociais para sensibilização dos stakeholders, direcionados para pessoas identificadas com necessidades especiais e que necessitem de apoio permanente, especialmente idosos e pessoas com deficiência motora.

Tal como refere Sarkar (2010, p. 141), a “inovação implica dois elementos fundamentais: criatividade e ideias novas”.

Para que as invenções sejam valorizadas torna-se necessário negociar com o capital de risco e com a indústria, bem como divulgar as invenções, sendo “o plano de negócios a face visível do projeto” e a sua importância encontra-se adjacente à criação da empresa com “disciplina e força do promotor pelo facto de o obrigar a enfrentar a realidade” (Sarkar, 2010, p. 284).

Por outro lado, o direito à acessibilidade das pessoas com deficiência acarreta a necessidade de ajudas técnicas que nem sempre estão disponíveis por, muitas vezes, serem demasiado dispendiosas (Andrada & Louro, 1982).

A realização do plano de negócio tem o objetivo da criação de produtos e serviços, alguns dos quais poderão ser considerados inovadores, importantes contributos para o sucesso e identificação de potenciais oportunidades para aumentar a produtividade a partir de ideias consideradas com grande potencial para fomentar o empreendedorismo.

Para as pessoas com deficiência e idosos que necessitam de produtos e serviços personalizados, a assiste care é uma tecnológica na área da saúde, que proporciona o aconselhamento, avaliação e produção de ajudas técnicas, tratado cada caso como único.

(19)

3 1.2 - RELEVÂNCIA E OBJECTIVOS

1.2.1 – A IDEIA E OPORTUNIDADE DO NEGÓCIO

A implementação de um projeto pode ocorrer essencialmente de três perceções identificadas pelo empreendedor (Cebola, 2011, pp. 23-25):

i. Em resultado de “problemas identificados”, em que se pressupõe uma solução para o problema, sendo neste caso a incerteza e o risco associado mais reduzido;

ii. A partir de “oportunidades detetadas”, em atenção ao meio envolvente e ao aproveitamento das oportunidades;

iii. Perante “ideias consideradas com potencial”, sejam novos produtos, métodos ou mesmo novas tecnologias, que podem dar origem a novas empresas ou novos projetos de empresas já existentes.

Este plano de negócio da assiste care, surge a partir de ideias que podem ser consideradas com potencial (Cebola, 2011), como resultado de oportunidades que sejam detetadas face a problemas identificados, designadamente na área da saúde, com o desenvolvimento de dispositivos de suporte de vida e ajudas técnicas1, que vão ao encontro da melhoria e da

prevenção de doenças diagnosticadas em doentes de risco, entre as quais se destacam pela sua importância:

 As doenças cardiovasculares: hipertensão, AVC – Ataque Vascular Cerebral, enfartes do miocárdio;

 As doenças da coluna vertebral: deformidades, dores de costas, más posturas, cirurgias, traumatismos, paralisia;

 Os problemas relacionados com as próprias doenças, tais como a prevenção e tratamento das UPP - Úlceras Por Pressão2 ou escaras, face à incontinência, sedestação, imobilidade das pessoas em situação de dependência e necessidades especiais, especialmente idosos e deficientes em estados de sedestação e acamados, contribuindo para o aumento da sua qualidade de vida e bem-estar, através das novas tecnologias.

1 Dispositivos concebidos para ajudar quem tem necessidades especiais, conforme (anexo I).

2 As escaras ou úlceras de pressão são definidas como feridas que podem ser profundas, podendo em alguns casos levar à morte, uma área de lesão localizada na pele e dos tecidos subjacentes causada por pressão, tensão tangencial, fricção e/ou uma combinação destes fatores.

(20)

Os avanços tecnológicos nas áreas da eletrónica, robótica, informática e telecomunicações, quando ligadas à área da saúde, se por um lado constituem elementos fundamentais na conquista do bem-estar e autonomia para as pessoas com deficiência ou dependência, por outro lado são o elo para a ampliação e diversificação de mercados. As vantagens de implementação deste projeto com implementação de tecnologia na saúde são diversas. Para este projeto, prevemos comercializar os seguintes produtos e serviços:

 Aconselhamento e assessoria, avaliação, I&DT – Investigação e Desenvolvimento Tecnológico de apoio de ajudas técnicas e dispositivos médicos. Como exemplo:

 Superfícies de apoio especiais, para prevenção e tratamento de UPP;  Ajudas de marcha;

 Ajudas de banho;

 Ajudas de atividade diária.

 Produção, adaptação e personalização de dispositivos e serviços de apoio com introdução de inovação pela aplicação das novas tecnologias. A considerar a elaboração e criação de patentes ou modelos de utilidade (conforme anexo IV que demonstra um exemplo de uma das patentes a registar) após avaliar a sua viabilidade, através de pesquisas, elaboração dos desenhos e preparação da respetiva documentação.

 Desenvolver programas de apoio social para sensibilização dos stakeholders, através de parcerias e protocolos. Poderão ser feitas parcerias e cooperação com vários municípios e instituições para:

 Identificar a população com necessidades especiais;  Avaliar e promover as acessibilidades;

 Criar bancos de ajudas técnicas.

As ajudas técnicas podem-se definir como sendo instrumentos imprescindíveis no processo de reabilitação, ajudando ainda crianças e idosos, de acordo com a heterogeneidade das situações. Estas ajudas permitem adquirir competências, maior desenvolvimento humano e social, autonomia pessoal e aumentando o grau de participação na comunidade (Azevedo, 2001).

1.2.2 – MERCADOS POTENCIAIS A SATISFAZER

(21)

5 Nos dias de hoje é notória a elevada percentagem da população idosa na nossa sociedade e a evolução demográfica tende a que o número de idosos venha a ultrapassar o número de jovens (INE, 2010a), não só em Portugal, como no mundo.

Com o aumento da longevidade haverá um incremento da morbilidade, da fragilidade, dos níveis de incapacidade e, como consequência, das dependências (Saldanha, 2009).

A qualidade de vida no envelhecimento, implica “autonomia, independência, nas AVD – Atividades de Vida Diária e nas AIVD – Atividades Instrumentais de Vida Diária e expectativa de vida saudável” (Paúl, 2005, p. 276).

O envelhecimento biológico provoca várias alterações externas, nos quais se destacam o encurvamento postural que se acentua face a modificações na estrutura da coluna vertebral, provocando uma diminuição de estatura pelo desgaste das vértebras e por alterações internas, a estrutura óssea endurece, o endurecimento das artérias e seu entupimento provocam arteriosclerose. Com o passar do tempo, o desgaste aparece não pela velhice ser uma doença, mas porque, conforme a idade vai avançando, o ser humano fica mais suscetível de contrair doenças (Zimerman, 2009).

Gráfico 1.1 - Percentagem de população estimada com mais de 65 anos.

Fonte: Atlas do Plano Nacional de Saúde Alto Comissariado da Saúde, 2008, contexto demográfico, económico e social.

Tal como descrito no gráfico acima, manteve-se a tendência de envelhecimento demográfico, que se deverá acentuar nas próximas décadas.

(22)

Quadro 1.1 – Composição da população residente em Portugal a 31 de Dezembro de 2009 por idade.

Fonte: www.ine.pt.

Na estimativa da população residente em Portugal, a 31 de Dezembro de 2009, até aos 85 e mais anos de idade, vemos que esta era composta por 15,2% de jovens com menos de 15 anos de idade, 17,9% de idosos com 65 e mais anos de idade e 66,9% de população em idade ativa dos 15 aos 64 anos de idade. A relação entre o número de idosos e de jovens traduziu-se num índice de envelhecimento de 118 idosos por cada 100 jovens, valor que era de 115 em 2008 (INE, 2009a).

Segundo as projeções 2008 – 2030 e 2030 – 2060, o índice de envelhecimento da população continuará a aumentar, considerando o decréscimo da população jovem, em simultâneo com o aumento da população idosa (INE, 2009a).

No cenário central, em 2060 residirão em Portugal 271 idosos por cada 100 jovens, mais do dobro do valor projetado para 2009 que era de 116 idosos por cada 100 jovens (INE, 2009b). Figura 1.1 - As pirâmides etárias da população portuguesa de 2008 a 2030 e de 2008 a 2060, apresentando diferentes formas para cada cenário em 2030 e em 2060.

Fonte: www.ine.pt.

Em 2030, os efeitos dos diferentes cenários são particularmente observáveis nas idades ativas e nas idades jovens. Em 2060, os efeitos dos diferentes cenários serão visíveis em todas as

Idade Total % S/ Total

Total 10 637 713 100,00% 50-85+ 3 877 820 36,45% 50-54 710 089 6,68% 55-59 661 584 6,22% 60-64 604 994 5,69% 65-69 517 874 4,87% 70-74 492 671 4,63% 75-79 415 324 3,90% 80-84 279 501 2,63% 85+ 195 783 1,84%

(23)

7 idades, ainda que de forma mais acentuada nas idades jovens e ativas, evidenciando os efeitos do envelhecimento das populações. Com a tendência verificada do envelhecimento aliado à tendência de crescimento da principal causa de morte em Portugal, que cada vez mais afeta a maioria das faixas etárias, a prevenção e antecipação torna-se a solução mais desejável, para assim aumentar a qualidade de vida (INE, 2009b).

Segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, citado por Andrada & Louro (1982, p. 33) refere-se a uma pessoa com deficiência como aquela que possui “qualquer perda ou alteração, temporária ou permanente da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica” e acrescenta que a deficiência, em saúde, é o “aparecimento de uma anomalia ou defeito com perca de um membro, órgãos e tecidos ou outras estruturas do corpo ou um défice dos seus sistemas funcionais, incluindo as suas funções mentais”.

O direito à acessibilidade das pessoas com deficiência, acarreta a necessidade de ajudas técnicas que nem sempre estão disponíveis por muitas vezes serem demasiado dispendiosas (Andrada & Louro, 1982).

As deficiências agrupam-se em várias áreas, (Andrada & Louro, 1982);

i. Motoras, sendo o défice ou anomalia que tenha como consequências uma dificuldade, alteração e/ou a não existência de um determinado movimento considerado normal no ser humano;

ii. Sensoriais, deficiência visual com perda total ou parcial da visão, e deficiência auditiva, que é o caso da perda total ou parcial da audição;

iii. Intelectual, neste tipo de deficiência pode incluir-se a DM – Deficiência Mental.

Quadro 1.2 - Grau de incapacidade3 atribuído à população residente com deficiência. Local de

residência (à data dos Censos 2001)

Grau de incapacidade atribuído (N.º) à população residente com deficiência Período de referência dos dados 2001

Escalão dos graus de deficiência T: Total 1: Sem grau de

deficiência atribuído 2: grau de deficiência inferior a 30% 3: grau de deficiência entre 30% e 59% 4: grau de deficiência entre 60% e 80% 5: grau de deficiência superior a 80% N.º N.º N.º N.º N.º N.º PT: Portugal 636.059 341.133 56.103 63.461 101.518 73.844

Fonte: http://www.ine.pt, extraído em 20 de Janeiro de 2012.

3 A avaliação da incapacidade é calculada de acordo com a Tabela Nacional de Incapacidades e a atribuição do grau de incapacidade é da responsabilidade de juntas médicas constituídas para esse efeito.

(24)

O quadro 1.2 refere os números apurados nos censos de 2001. O número de pessoas em Portugal com algum grau de incapacidade, isto é, até 30% de incapacidade, era de 56.103 pessoas, entre os 30% e 59% eram 63.461 pessoas, entre os 60% e 80% ascendiam a 101.518 pessoas e com mais de 80% eram 73.844 pessoas, o que totaliza 294.924 pessoas que possuíam algum grau de deficiência (INE, 2010b).

Com base em várias estimativas, a população mundial em 2010 era de 6.900 milhões de habitantes, 5.040 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade, e 1.860 milhões de pessoas com menos de 15 anos de idade. As estimativas sobre a prevalência de deficiências em 2004 referem que havia cerca de 785 (15,6%) a 975 (19,4%) milhões de pessoas com 15 anos ou mais que viviam com alguma deficiência. Estimou-se que mais de mil milhões de pessoas, ou cerca de 15% da população mundial, viviam com alguma deficiência. Cerca de 28 milhões de pessoas no mundo sofrem de demência e os custos de cuidados diretos anualmente calculam-se em 156 mil milhões de dólares” (OMS, 2011, p. 31).

Nos Estados Unidos, a população com 65 anos ou mais vai dobrar para 72 milhões nos próximos 25 anos. Tomando o exemplo da doença de Alzheimer, cerca de 13 milhões de americanos terão esta doença em 2050, sendo que os custos diretos e indiretos associados a esta doença ultrapassam os 100 mil milhões de dólares por ano, prevendo-se que sejam de 189 mil milhões de dólares até 2015. Por volta de meados do século, prevê-se que o custo Medicare e Medicaid vai ultrapassar 1 bilião de dólares anualmente. Com o crescente interesse na deteção precoce e tratamento da doença de Alzheimer, têm surgido inovações tecnológicas que podem promover o "envelhecimento no local." Uma série de ajudas cognitivas, sensores ambientais, de áudio e vídeo, tecnologias e sistemas avançados de sensores integrados estão em desenvolvimento para monitorar a saúde, a segurança e o bem-estar das pessoas com deficiência funcional e/ou cognitiva. A participação pró-ativa dos idosos na conceção e implementação de tecnologias assistivas ou inteligentes de apoio, irá maximizar a probabilidade de aceitação dessa mesma tecnologia (Bharucha et al., 2009).

Um artigo da HQO4 (2009), refere que as úlceras de pressão têm um considerável impacto económico sobre os sistemas de saúde, referindo-se à Austrália, em que o custo do tratamento de uma única úlcera no estágio IV foi estimado em 61.000 dólares (AUD). Também no Reino Unido, o custo total de UPP - úlceras por pressão, tem sido estimado entre 1.400.000.000£ e

(25)

9 2.100.000.000£ anualmente, ou seja, 4% da despesa do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (Bennett, Dealey, & Posnett, 2004).

Tendo como relação central o envelhecimento mundial da população, consequentes mudanças demográficas e preocupantes previsões socioeconómicas, pretende-se com este estudo demonstrar a necessidade da utilização de tecnologias assistivas, contribuindo para o aumento da autonomia das pessoas com necessidades especiais, aumentando a prevenção de várias doenças, nomeadamente no caso das incidências das úlceras por pressão, dada a sua importância, uma vez consideradas como um problema de saúde pública.

Para o plano de negócios, pretende-se incidir sobre as seguintes necessidades:

 Doentes ou consumidores finais que necessitam de apoio permanente: pessoas com necessidades especiais com doenças irreversíveis, ou temporárias, especialmente idosos e pessoas com deficiência motora;

 Organizações de saúde do setor público e privado: Hospitais, centros de saúde, lares de idosos, centros de paralisia, centros de cuidados continuados, entre outros, com ligação ao setor da saúde, como sejam o caso dos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e técnicos.

1.2.3 – PRODUTOS E SERVIÇOS POTENCIAIS A COMERCIALIZAR

As superfícies especiais para redução da pressão, nas diversas superfícies de apoio, entre as quais, almofadas, colchões, almofadas para cadeiras, têm sido muito utilizadas na prevenção das úlceras por pressão (Clark, 2004).

As características das camas em cuidados intensivos assumem muita importância, desde os colchões ao seu posicionamento, pois estes evitam as forças de fricção e cisalhamento provocadas pelo posicionamento manual, não existindo, no entanto, uma norma ou diretriz única de qual o tipo de cama mais apropriado para as UCIs - Unidades de Cuidados Integrados (Bergstorm, 2005; Keller & Wille, 2002).

As recomendações de materiais variam, de baixas pressões ou de pressões alternas, dependendo do risco de desenvolvimento de UPP do doente. A utilização de superfícies de espuma que criam baixas pressões ou as de pressões alternas evidenciam uma diminuição da incidência de desenvolvimento de UPP, quando comparadas com outras superfícies de apoio estandardizadas (Bergstorm, 2005; Shahin, Dassen & Halfens, 2009).

(26)

Existem várias características das superfícies de apoio a analisar, que se devem ter em consideração: os custos (aquisição, desvalorização anual, manutenção), usando-se como medida de tempo, por ano ou por dia de uso, o tempo de vida útil ou uso do equipamento, a pressão de contacto, a avaliação da microcirculação, a temperatura e humidade da pele, que produtos adicionais requerem controlo de infeção, a inflamabilidade, a abrasividade como causa da fricção, a funcionalidade, a formação dos profissionais de saúde e o conforto do doente (Bergstorm, 2005; Clark, 2004; Fletcher, 2006).

Conforme descrito pela GNEAUPP5 (2011) no seu documento técnico nº XIII, refere a evidência que a prevenção de UPP no que respeita a colchões “standard” nos hospitais tem sido feita com a sua substituição por uma vasta gama de colchões e sobre colchões de espuma com alta tecnologia.

Tipo de superfícies segundo o modo de atuação:

 Estáticas ou de pressão constante – tendência de redução da pressão anatómica através do contacto com a superfície do colchão;

 Dinâmicas – tendência a variar as posições anatómicas que suportam o peso, como é o caso das superfícies de pressões alternas que, através da insuflação e desinsuflação por secções da superfície de apoio, tendem a reduzir a pressão;

 Mistas - giratórias ou de inclinação – Tendem a variar regularmente o centro da gravidade, diminuindo a pressão nos pontos anatómicos mais suscetíveis de risco de UPP (Morison, 2004).

Classificação das superfícies segundo o tipo de dispositivo:

 Sobre colchão, colchonete ou cobertor - este dispositivo coloca-se em cima de um colchão, podendo ser composto por ar, gel, silicone, poliuretano ou água;

 Colchão de substituição - este dispositivo substitui um já existente, normalmente integrado na cama;

 Coxim - este tipo de dispositivos são ideais para serem colocados em cadeira com ou sem de rodas, para redistribuição da pressão. A eficácia demonstrada nas diferenças significativas nos diversos tipos de coxins é comprovada com alguns estudos de Shaw

(27)

11 (1998) e Sprigle (2000), citados por Rodriguez e Lopez (2007), reconhecendo no entanto que não existe nenhum material perfeito;

 Camas especiais - exemplo das camas fluidificadas, em que a cama e o colchão formam uma unidade integrada, não podendo ser separada e que, normalmente, são consideradas como rotativas.

Classificação das superfícies segundo a tecnologia, alta versus baixa:

 Segundo a classificação da tecnologia das SEMP - Superfícies Especiais de Manutenção de Pressão, esta pode ser mais ou menos complexa conforme descrito por Elizabeth and Sally (2011).

Quadro 1.3 - Classificação de superfícies segundo a tecnologia.

Baixa tecnologia Alta tecnologia

Colchões de espuma standard Colchões / sobre colchões / coxins Colchões / sobre colchões de espuma alternativa Camas de ar líquido

Sobre colchões de pele de cordeiro Camas de baixa pressão de ar Colchões / sobre colchões / coxins de gel Camas rotativas

Colchões e sobre colchões: coxins de fibra, ar, água e grânulos

Fonte: (GNEAUPP, 2011).

No que se refere à inovação de produtos e serviços, Sarkar (2010, p. 141) define a inovação como “ter uma ideia nova ou, por vezes, aplicar ideias de outros com eficácia e, é claro, de uma forma original”. Neste projeto de criação de um novo negócio de base tecnológica, a I&DT – Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, aliado às necessidades do mercado, são cruciais para lançamento de novos produtos com associação de serviços complementares:

 Criação de novos produtos, com a criação de modelos de utilidade, em que alguns poderão evoluir para novas patentes;

 Adaptação e modificação de produtos, com a personalização baseada em produtos existentes;

 Serviços de assistência a pessoas e materiais, aliados às novas tecnologias.

A diversificação com produtos substitutos, produtos melhorados ou com sinergias tecnológicas e comerciais pode ser feita de diversos modos:

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i. Diversificação com produtos substitutos - Produtos inovadores com novas tecnologias para substituição de produtos existentes (exemplo: Almofadas de assento anti escaras que registam a pressão, a humidade, calor, etc. para verificação periódica do estado da pele do utilizador, que regista e envia a informação através das novas tecnologias); ii. Diversificação com produtos melhorados - Produtos já existentes transformados com

novas tecnologias (exemplo: Cintas com medições de graus de pressão e envio da informação para um computador ou telemóvel);

iii. Diversificação com sinergias tecnológicas e comerciais - A nível tecnológico e comercial existem produtos e serviços que se relacionam (exemplo: Colchão com várias medições, incluindo sinais vitais, com ligações a software que emite avisos, para uma central de alarme ou profissional de saúde, pedindo assistência, conforme anexo IV).

1.2.4 - COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS PARA O SUCESSO DO NEGÓCIO

Vai ser necessária a criação de grupos de trabalho para desenvolver a I&DT, com o apoio de universidades (como é o caso da UTAD), nas diversas áreas da gestão, reabilitação, engenharias, informática, biomédica, medicina, enfermagem, para que esta ligação das novas tecnologias com a saúde se concretize.

Segundo as características mais relevantes dos recursos humanos considerados no plano de negócio, é necessária a especialização, prevendo-se ainda a criação de estágios:

 Recursos humanos especializados, dada a especificação necessária nas diversas áreas de formação;

 Criação de estagiários, uma vez que o sucesso do negócio está na criação e desenvolvimento de produtos com uma forte componente tecnológica que, mais tarde, pode dar origem a novos empreendedores que queiram seguir a estratégia de crescimento da empresa, por franchising, podendo assim o desenvolvimento do empreendedorismo na área da saúde tornar-se numa realidade.

“O empreendedor competente é aquele que se empenha em encontrar colaboradores melhores que ele próprio em tantas áreas como as possíveis e as necessárias, sabendo depois delegar eficazmente e mantê-los motivados” (Sarkar, 2010, p. 275).

(29)

13

CAPÍTULO II -

ENQUADRAMENTO TEÓRICO

(30)

2.1 – O CONCEITO DE EMPREENDEDORISMO

A literatura está repleta com várias definições de empreendedor que chegam a ser contraditórias (Sarkar, 2007). Assim pode-se encontrar o conceito de empreendedorismo relacionado com a vertente económica e criação de valor (Cantillon, 1755; Menger, 1871), com o lançamento de novos negócios e o assumir de riscos e incertezas (Knight, 1921; Mill, 1848), mas outros vão mais longe estabelecendo ligações com a inovação, novos desafios e oportunidades (Kirzner, 1978; McClelland, 1967; Schumpeter, 1934), a que Drucker (1985) acrescenta as oportunidades que a mudança cria na tecnologia, na preferência dos consumidores e, mesmo, nas normas sociais.

Sarkar (2010 pp. 32-33) define o empreendedorismo como sendo “o processo de criação e/ou expansão de negócios que são inovadores ou que nascem a partir de oportunidades identificadas”, definindo-o ainda como “o processo de identificação, desenvolvimento e captação de uma ideia para a vida. A visão pode ser uma ideia inovadora, uma oportunidade ou simplesmente uma forma de melhor fazer algo. O resultado final deste processo é a criação de uma nova empresa, formada em condições de risco e de uma incerteza considerável” e na perspetiva de Filion (1999), não se pode estudar e falar de empreendedorismo sem definir o termo “empreendedor”.

Os vários conceitos mostram a importância que o empreendedorismo desde sempre assumiu, tendo um papel vital para a evolução económica e social de uma nação. Desta forma, podemos identificar o caso do projeto do plano de negócio que agora apresentamos, como sendo um ato empreendedor com a criação ou desenvolvimento de uma ideia ou negócio, a partir da oportunidade que cria valor, com determinados objetivos, riscos não controlados e com o propósito de fins lucrativos.

2.2 – O PERFIL DO EMPREENDEDOR

O GEM6 considera o empreendedor como alguém que começa um negócio e tenta fazê-lo num mercado muito competitivo, mesmo não tendo perspetiva de grande crescimento, ou alguém que, apesar de ter negócios há alguns anos, continua com uma atitude inovadora, competitiva e com o crescimento em mente (GEM, 2006).

(31)

15 No relatório GEM (2007) são identificados dois tipos de empreendedores: os empreendedores por necessidade face à falta de emprego, que encaram esta como a única alternativa e os empreendedores por oportunidade que aproveitam pequenos nichos de mercado identificados com potencial.

Também na literatura podemos encontrar vários autores que se destacam na identificação dos empreendedores por necessidade e por oportunidade (Miner, 1997; Minniti, Arenius & Langowitz, 2005; Tang, Tang, & Lohrke, 2008).

No que respeita à mentalidade do empreendedor, no relatório GEM (2007) analisaram-se aspetos como: as oportunidades de negócio, autoconfiança, atitude perante o risco e imagem social, tendo-se concluído que os empreendedores iniciais mostram-se mais otimistas que os empreendedores estabelecidos.

Na literatura, várias são as definições de empreendedor, por parte dos académicos, como aquele que é o detentor de um pequeno negócio, que tem o seu auto emprego ou em que o empreendedor é o detentor de negócios inovadores com orientação para o crescimento (Sarkar, 2010).

Conforme descrito por Marques, Ferreira, Braga, Braga e Lages (2011) identificam-se três fatores do perfil do empreendedor, os quais se caracterizaram por:

(i) Fatores motivacionais: reconhecimento de ter necessidade, influência da família e estatuto social;

(ii) Fatores psicológicos: criatividade, inovação, autoestima, autoconfiança, autocontrole e autonomia;

(iii) Fatores cognitivos: prontidão para oportunidades de negócios externos, autorrealização profissional e pessoal, rigor, resolução eficaz de problemas, otimismo, perceção de sucesso.

No que se refere aos fatores que determinam o perfil do empreendedor, vários são os autores que referem fatores motivacionais, psicológicos e cognitivos para melhor explicarem a atitude empreendedora, conforme referem os quadros seguintes.

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Quadro 2.1 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores motivacionais.

Autores Perfil do empreendedor - (Motivacionais)

(Granger, 1995) Abordam o empreendedorismo feminino e os fatores do push / pull.

(Mallon & Cohen, 2001)

Abordam o empreendedorismo feminino e definem alguns dos fatores push que fazem com que as mulheres sejam menos empreendedoras: frustração, tédio com a atividade anterior e grande preocupação com a vida familiar; bem com os fatores pull do desafio pessoal das mulheres, tais como o reconhecer oportunidades de negócio, independência e autorrealização.

(Silva, Sales, & Souto, 2004)

Relacionam os fatores de motivação dos empreendedores em conjunturas económicas desfavoráveis como o desemprego, não existindo uma relação direta com outros fatores de motivação como o autorreconhecimento ou a rede de contactos. Consideram que o empreendedorismo necessita de objetividade, tendo o indivíduo as suas próprias particularidades.

(Minniti et al., 2005)

Abordam o conceito dos "empreendedores de oportunidade", sendo estes empresários que reconhecem uma oportunidade de negócio e constituem uma empresa com o objetivo de explorar esta oportunidade.

(Brush & Gatewood, 2008)

Distinguem o empreendedorismo dos homens e das mulheres, relacionando-o com o sucesso das empresas, face a razões como o autorreconhecimento, estatuto social, poder, autonomia, motivos económicos, entre outros.

Quadro 2.2 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores motivacionais e psicológicos.

Autores Perfil do empreendedor - (Motivacionais e Psicológicos)

(McClelland, 1967)

Associa aos empreendedores certas características pessoais: a necessidade de autorreconhecimento, o assumir riscos moderados e a responsabilidade pelo sucesso e insucesso, atenção às finanças da empresa, descobertas inovadoras de desenvolvimento de um produto ou serviço e necessidade de altos níveis de realização.

(Birley & Westhead, 1990) Relacionam as características culturais dos empreendedores com os diferentes fatores de motivação.

(Sarkar, 2009)

O que diferencia um inovador empreendedor, é o forte desejo de sucesso, a capacidade para trabalhar arduamente e para criar uma equipa de sucesso, a criatividade e o pensamento próprio.

(33)

17 Quadro 2.3 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores psicológicos.

Autores Perfil do empreendedor - (Psicológicos)

(Mill, 1848) Identifica o empreendedor com o assumir de riscos. (Schumpeter, 1934) O impulsionador da inovação e do crescimento económico.

(Schumpeter, 1942)

Indivíduo com características distintivas em relação ao resto da população, tem capacidade de resistência a pressões sociais e identifica oportunidades

económicas e tecnológicas, obtendo benefícios.

(Hornaday & Aboud, 1971)

Os empreendedores são independentes, líderes natos e têm uma grande

necessidade de reconhecimento e de relacionamento pessoal, baixa necessidade de apoio, simpatia e benevolência.

(Brockhaus, 1982) A propensão para o risco é maior para os empreendedores. Não se nasce empreendedor.

(Kourilsky, 1980)

As características do empreendedor são: a necessidade de autorreconhecimento de realização; criatividade, iniciativa, estabelecimento de objetivos; assumir riscos, autoconfiança,”internal locus of control”; independência, autonomia, energia, motivação, comprometimento e persistência.

(Drucker, 1985) O empreendedor como o impulsionador da inovação e do crescimento económico.

(Gibb, 1987) Identifica as etapas que lhe permitam desenvolver ideias empreendedoras e concretizar as suas ambições.

(McClelland, 1987) Identifica as características que distinguem os empreendedores com muito sucesso dos empreendedores medianos.

(Gartner, 1988) Foca o empreendedor no seu comportamento e não nas características.

(Bygrave, 1987)

O empreendedor tem características de comportamento: reconhecimento da autorrealização, tolerância ao risco e “internal locus of control”. O conjunto das características que determinam os empreendedores estão no seu interior.

(Davidsson, 1991) Otimismo como característica para o início ou arranque de uma empresa, para ajudar a tomar decisões, mas por si só pode não levar a resultados positivos. (Timmons, 1989) O empreendedor de sucesso tem criatividade, inovação e capacidade de gestão.

(Hood & Young, 1993) O empreendedor tem a capacidade de identificar a oportunidade e assegurar a sua implementação, com competência.

(Reber, 1995) Procura identificar comportamentos e traços na personalidade únicos para o sucesso.

(Gerber, 1992)

Evidencia a experiência, sendo poucas as pessoas experientes que iniciam um negócio. O pequeno empresário é 10% empreendedor, 20% genético, 70% técnico.

(Koh, 1996) Os empreendedores, em comparação com os não empreendedores, são mais tolerantes ao risco e ambiguidade e mais inovadores.

(34)

(Miner, 1997) O empreendedor em série arrisca, sendo um amante do risco, com um forte desejo de criar e de realização.

(Filion, 1999)

Características do empreendedor: inovação, otimismo, liderança, iniciativa, flexibilidade, independência, tolerância à ambiguidade e à incerteza, orientação para os resultados, assunção de riscos, capacidade de aprendizagem,

criatividade, necessidade de realização e confiança.

(Hansemark, 2003)

Identifica traços característicos para o empreendedor: adaptabilidade,

impulsividade, independência, necessidade de realização, sorte e outros fatores externos.

(Lowrey, 2003)

O empreendedor é como um individuo com desejo de relação, identificando o “status quo”, com vantagens para a empresa, para o seu dinamismo e

crescimento.

(Hisrich & Peters, 2004)

As características psicológicas dos empresários: o reconhecimento da

autorrealização, autoestima, otimismo, assumir o risco, coragem, criatividade e iniciativa, motivação e capacidade de identificar objetivos, energia e

comprometimento, persistência, decisão, inovação, habilidades, organização, avessos à dependência do emprego, procuram agir autonomamente e estão disponíveis para assumir riscos.

(Ferreira, Santos, & Serra, 2008)

Existem muitos estudos de um grande número de académicos ligados às características dos empreendedores, associada ao perfil dos empresários: necessidade de realização, independência, assumir riscos moderados, autoestima, responsabilidade, capacidade de trabalho e energia, relações humanas, criatividade e inovação, compromisso, persistência e inteligência na execução.

Quadro 2.4 - Quadro com alguns autores que se referem ao perfil do empreendedor, através de fatores cognitivos.

Autores Perfil do empreendedor - (Fatores cognitivos)

(Carraher, 1982)

Define questões referentes à natureza, origem, desenvolvimento e aplicação do conhecimento humano, ou seja, aprendizagem, memória, linguagem, perceção e pensamento.

(Bird, 1992)

Enaltece que o estudo do empresário numa perspetiva cognitiva tem vindo a tomar um papel importante na explicação do processo mental e individual do empreendedor.

(Busenitz, 1992) Aborda questões como o conceito de viés cognitivo e os processos heurísticos sobre a tomada de decisões estratégicas.

(Krueger & Dickson, 1994; Krueger, 1993)

Concentraram-se na capacidade dos empresários para operacionalizar, na sua eficiência e auto perceção.

(35)

19 (Baron, 1998)

Concentrou-se numa pesquisa da importância dos mecanismos cognitivos sobre o comportamento empreendedor: o pensamento contra factual (especulativo); falácia de planeamento (planos ilusórios) e da ilusão de controlo, na identificação de oportunidades.

(Chen, Greene, & Crick, 1998)

Consideram que o potencial empreendedor é um indivíduo que, juntamente com o contexto, identifica os mecanismos cognitivos que o diferencia dos outros e compreende as oportunidades, obtendo sucesso.

(Mitchell & Smith, 2000) Estudo das variáveis cognitivas dos empresários, com base no que os leva a encontrar uma oportunidade de negócio.

(Morales, 2004)

Citando Palich e Bagby (1992), o autor refere-se à perspetiva da psicologia cognitiva podendo os empresários serem distinguidos dos não empresários não devido à sua capacidade de interpretar situações, mas porque têm mais pontos fortes, quando comparados com os pontos fracos e mais oportunidades do que ameaças. Nesta perspetiva, os empresários podem perceber o resultado da oportunidade com retornos mais elevados do que os não empresários.

(Baron, 2004)

Refere que as pessoas em estado de alerta tendem a olhar para o que é necessário tendo mais processos mentais complexos, usando o pensamento além dos limites normais, tendo um pensamento especulativo.

Enumera os principais fatores cognitivos no campo do empreendedorismo: A perceção de risco menor; Perceção equivocada da probabilidade reduzida de sucesso; Mais sensatos; Oportunidades de reconhecimento; Estado de alerta e pensamento especulativo.

(Tang et al., 2008)

Citando Kirzner (1979), os autores referem o estado de alerta (alertness) como um processo de informação e perceção, que se traduz na capacidade de encontrar oportunidades conscientemente, sem as procurar.

2.3 – A INOVAÇÃO E A TECNOLOGIA

2.3.1 – CONCEITOS DE INOVAÇÃO

Na literatura existem várias formas de definir inovação, bem como vários autores que consideram a inovação como essencial para a obtenção do sucesso das organizações (Plessis, 2007; Sarkar, 2010; Schumpeter, 1934).

Para Schumpeter (1934) a inovação refere-se à introdução de um novo bem ou serviço ou mesmo uma nova qualidade de um bem existente, novos métodos de produção ou comercialização. Plessis (2007) refere-se à inovação como o resultado da criação de novos negócios, mas também na criação e melhoria de processos e procedimentos internos, em

(36)

produtos e serviços orientados para o mercado. Sarkar (2010) associa a inovação ao seu conceito de empreendedorismo, pois define o empreendedorismo como “o processo de criação e/ou expansão de negócios que são inovadores ou que nascem a partir de oportunidades identificadas (…), o processo de identificação, desenvolvimento e captação de uma ideia para a vida (…), a visão pode ser uma ideia inovadora, uma oportunidade ou simplesmente uma forma de melhor fazer algo” (Sarkar, 2010, pp. 32-33).

A inovação organizacional é uma condição necessária para as instituições se adaptarem a novos contextos, face a transformações sociais, económicas e ambientais, ocorridas nas últimas décadas (Janssen & Braunschweig, 2003; North, 1990).

A inovação organizacional aplica-se ao desenvolvimento de novas tecnologias para a criação de novos produtos e serviços, à forma como a organização atua num mercado em constante mudança, de forma competitiva, com vários benefícios para a empresa (Danneels, 2002). A inovação visa melhorar o desempenho de uma empresa, reduzindo os custos administrativos ou custos de transação e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade e eficiência do trabalho (OCDE, 2007).

Na segunda edição do Manual de Oslo fez-se referência à inovação organizacional pela primeira vez (OCDE, 2004), reconhecendo o papel da inovação organizacional para o desempenho económico com o objetivo principal de mostrar que havia uma distinção relativamente às inovações tecnológicas em produtos e processos. Entre os principais tipos de inovações organizacionais, destacam-se: a introdução de estruturas organizacionais significativamente modificadas; a adoção de técnicas de gestão avançadas e a implantação de orientações estratégicas novas ou significativamente alteradas.

A terceira edição do Manual de Oslo (OCDE, 2007), aborda o conceito de inovação organizacional em três componentes: 1) As práticas de negócio referem-se aos novos métodos para: organizar as rotinas e procedimentos de trabalho, os quais fomentam a aprendizagem organizacional, a codificação e partilha de conhecimento; o desenvolvimento dos empregados; a melhoria dos sistemas de gestão; 2) A organização do espaço de trabalho: inclui novos métodos para a distribuição de responsabilidades e tomada de decisão. Envolve a escolha do modelo organizacional considerado mais adequado à organização, considerando as suas especificidades e o ambiente em que atua; 3) As relações externas: são novos métodos destinados a organizar as relações com outras empresas e instituições públicas. Engloba o estabelecimento de novos relacionamentos de colaboração e novas formas de interação.

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21 O estudo GEM Global Report 2010 tem em consideração as diferentes fases do desenvolvimento económico dos países, classificando cada país participante com a economia orientada por fatores de produção, virada para a eficiência ou para a inovação. “Frequentemente, as pequenas empresas inovadoras beneficiam de uma vantagem de produtividade relativamente às grandes empresas ao nível da inovação, permitindo que estes pequenos atores operem como agentes de destruição criativa” (GEM, 2010, pp. 5-6) .

2.3.2 – A INOVAÇÃO, A INVENÇÃO E O OTIMISMO EMPRESARIAL

No que respeita à mentalidade do empreendedor, no relatório GEM (2007) analisaram-se aspetos como as oportunidades de negócios, autoconfiança, atitude perante o risco e imagem social, tendo-se concluído que os empreendedores iniciais mostram-se mais otimistas que os empreendedores estabelecidos. Também Davidsson and Wiklund (1999) destacam o otimismo como característica para o início ou arranque de uma empresa, para ajudar a tomar decisões, embora por si só possa não levar a resultados positivos.

Na análise dos dados do GEM, notou-se uma variância no percentual de empresários otimistas de 18 países. Na Argentina, por exemplo, a fração dos entrevistados que estavam otimistas sobre a sua capacidade foi duas vezes maior que na Suécia (Koellinger, Minniti, & Schade, 2007).

Relativamente às previsões otimistas das empresas start-up em relação às invenções tecnológicas, Docie (2004) destaca que a invenção não é valorizada se o valor estimado for irrealista, uma vez que o valor está nos olhos de quem vê. No mínimo, a invenção tem um valor para o inventor, mas não basta ter esperança e sonhos (Bhide, 2000).

Existem vários autores que destacam os benefícios do otimismo das empresas, referindo variados aspetos. Weinstein (1980) aponta fatores cognitivos para as características otimistas. Kirscht and Haefner (1966) apontam dois traços característicos do empreendedorismo: o otimismo prevalece quando um evento é interpretado como controlável e o indivíduo tem uma participação pessoal no seu resultado. Landier and Thesmar (2003) encontram uma fração significativa de empresários que mantêm expectativas de vendas futuras, pois estes apresentam uma forte disposição otimista em comparação com indivíduos empregados. Moskowitz and Vissing-Jorgensen (2002) centraram o estudo na sobrevivência das start-ups, concluindo que as que atingem mais de dez anos têm maiores retornos, sendo o empreendedorismo mais atraente se os indivíduos estão otimistas sobre a probabilidade da sua sobrevivência. Tversky

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and Kahneman (1974) apontam motivos relacionais, em que o sucesso depende da habilidade e as descobertas surgem dos empreendedores que são excessivamente confiantes e otimistas. Steen (2004) explica a disposição otimista, como resultado da escolha racional e, depois, da intuição.

O otimismo em demasia também pode ser prejudicial para os negócios, conforme referido por alguns autores, sendo de destacar Sahlman (1997) referindo que, normalmente, os empresários são exageradamente otimistas nas suas projeções. Os investidores conhecem o seu efeito e descontam na execução dos planos de negócios. Thomas (2003), numa amostra de 1.091 invenções avaliadas pela CIAP - Canadian Inventor Assistence Program, concluiu que estas tinham um retorno pouco atraente, pois apenas um número reduzido chegou ao mercado, e, mesmo assim, com retorno médio negativo, atribuindo esta responsabilidade ao otimismo irrealista.

Cooper, Woo and Dunkelberg (1988), após se terem concentrado nas hipóteses de sucesso do negócio, referem que as qualidades individuais de uma grande fração de empresários garantem as taxas de sucesso na sua globalidade. Para Manove and Padilla (1999) e Shane and Venkataraman (2000) um empresário individualmente que acredita ser realista, quando inserido num grupo pode ser interpretado como excessivamente otimista, mas para Kawasaki (2007) e Sahlman (1997), entre aqueles que realizam uma invenção útil, há, de facto, muitos empresários que dão enfase às suas invenções.

Referindo-se ao campo das inovações, Schumpeter (1934) realça que as invenções são o resultado da visão dos empreendedores. Arora (1995), Cohen, Nelson and Walsh, (2000), Levin, Klevorick and Nelson, (1987) e Teece (1986) concentraram-se nos empresários que encontram dificuldades para manter os seus direitos de propriedade intelectual, pois as patentes não oferecem proteção completa. Uma vez que uma invenção é divulgada, desta pode resultar uma imitação, podendo ter implicações desfavoráveis para o empreendedor (Arrow, 1962). Empresas que investem em invenções encorajam a sua divulgação completa antes da contratação (Udell, 1990). Divulgar detalhes técnicos para um potencial investidor, pode dar origem à concretização do projeto ou protótipo (Zott & Huy, 2007). Desta forma, não divulgar tudo é uma característica fundamental antes de assinar um contrato de sigilo para a proteção da invenção (Dushnitsky, 2004).

Para que as invenções sejam valorizadas torna-se necessário negociar com o capital de risco e com a indústria, pelo que os empresários costumam divulgar as suas invenções através de vários

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23 esquemas para a captação de investidores, com é o caso da elaboração e divulgação de protótipos. Na abordagem ao potencial investidor e só após aceitação da oferta CPS7 é que a invenção deverá ser revelada, devendo ser usado um modelo para não pôr em causa a invenção, o seu valor e haver probabilidade de imitação (Dushnitsky, 2010).

2.4 - O PLANO DE NEGÓCIO

2.4.1 – O CONCEITO E A IMPORTÂNCIA DO PLANO DE NEGÓCIO

Para evidenciar o conceito do plano do negócio, vários são os autores que o descrevem como um documento que é elaborado para quem o lê e não para quem o faz (Ferreira, Reis, & Serra, 2009) e em que “o plano de negócios é a face visível do projeto” (Sarkar, 2010, p. 284). O plano de negócio também é visto como um documento do empreendedor que refere as ideias a desenvolver, as estratégias a tomar com base nos estudos realizados, realçando a diferenciação e viabilidade do projeto (Cebola, 2011).

O plano de negócio pode ser um instrumento útil para a preparação dos empreendedores na criação da empresa, para apresentação do projeto a investidores, financiadores, incubadoras de empresas, candidaturas a fundos comunitários e, ainda, para o recrutamento de pessoas chave (Gaspar, 2009).

A importância do plano de negócios encontra-se adjacente à empresa a criar e vários são os exemplos na literatura que a evidenciam, pois “oferece disciplina e força ao promotor pelo facto de o obrigar a enfrentar a realidade” (Sarkar, 2010, p. 284).

Segundo o guia para elaboração de um plano de negócios do IAPMEI, os tipos mais comuns de planos de negócios que se encontram são:

i. “O plano de negócio mais corrente é um plano inicial (“Start-up Plan” ou “Early Stage

Plan”) que irá definir as linhas gerais de uma nova ideia de negócio, contemplando tópicos

como o tipo de empresa, o produto ou serviço para o qual está vocacionada, o mercado, eventuais exportações, estratégia de implementação, a equipa de gestão e a análise financeira. A análise financeira, no mínimo, incluirá uma projeção das vendas, da

7 “CPS - Contingent Payment Scheme”, regime de pagamento contingente é um termo que se refere à forma de atração de investidores com o pagamento de um valor pela licença de utilização de uma invenção e a forma como pode ser negociada (por ex: royalties).

Imagem

Gráfico 1.1 - Percentagem de população estimada com mais de 65 anos.
Figura  1.1  -  As  pirâmides  etárias  da  população  portuguesa  de  2008  a  2030  e  de  2008  a  2060,  apresentando  diferentes formas para cada cenário em 2030 e em 2060
Figura 3.1 - Estudo para elaboração do plano de negócio.
Figura 4.1 – Procura mundial de dispositivos médicos.
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Referências

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